del9y Publicado 23 Fevereiro 2016 Quanto à história do Iuri, alguém falou aí no ponto chave, só que do ponto de vista errado. O Jesus não gosta do Iuri porque ele não é um "pet dog", como são o Gelson ou o Mané. Se o Jesus os mandar limpar latrinas durante uma semana, eles vão com um sorriso nos lábios. Se o Jesus fizer o mesmo com o Iuri, no mínimo, é capaz de ter como resposta um "porquê?". E isso, para mim, é óptimo, é fantástico. É de um génio, é de alguém com personalidade. É de alguém que pensa no jogo, em vez de apenas o jogar desta ou daquela maneira, porque o treinador diz que é assim e eles assumem que é verdade. Provavelmente não me vou fazer entender muito bem, mas por ser aqui, onde até há pessoas que vêem isto um pouco mais à frente, vou tentar: o facto do Iuri jogar o jogo à maneira dele, não aceitando moldá-lo quando um treinador lhe pede para o fazer, é tudo aquilo que eu quero ver nos extremos e avançados do Sporting. Não há coisa que deseje mais. O treinador desenha uns quantos caminhos, e cria certas condições para eles jogarem. Mas se eles seguirem à risca tudo aquilo que ouvem do treinador, a única coisa que vamos ganhar no final da época é juízo e um melão na cabeça. Claro como água. Acima de tudo, são os jogadores que jogam. E se eles não tiverem o talento para o jogo, a qualidade, não há treinador nenhum que se safe, chame-se ele Jesus, Rui Vitória, Peseiro, Mourinho ou Guardiola. A atacar, o que faz a diferença são os jogadores, e aquilo que sai dos pés deles. O treinador apenas dá as bases, apenas cria e adequa o contexto, e depois tem a sua importância principal nos momentos sem bola. Na organização, na dinâmica, no equilíbrio, na coordenação. É por isso que o Benfica desta época, por exemplo, atropela as equipas mais pequenas, mas depois saca sempre o mesmo resultado contra Porto e Sporting. A atacar, Gaitán, Jonas e companhia jogam muito futebol, e jogam-no à sua maneira, com a sua criatividade e imprevisibilidade próprias. Não há ali nada mecanizado, nada que se note estar treinado até à exaustão. Mas a defender, onde o treinador é mais preciso, o Benfica é uma casa a arder. Cá é ao contrário. Organização, dinâmica, equilíbrio, coordenação. Tudo certo. A atacar, é tudo mecanizado. Os poucos golos que não surgem de lances meio aleatórios (ou bolas paradas, como hoje), são aqueles que passam pelos pés do Ruíz e, por vezes, do João Mário e do Adrien. De resto, todos vemos as jogadas padronizadas, todos vemos que o treinador cria as condições...mas os jogadores não jogam o suficiente para as aproveitar, e o nosso futebol parece sempre igual, sempre cinzento, sempre medíocre. Porquê? Fácil: não são criativos. Não vêem para além daquilo que está à frente deles. Se o espaço no meio está fechado, vão logo para as alas. Nunca na vida vemos um Gelson ou um Mané a temporizar numa situação dessas, a levantar a cabeça, a procurar um espaço onde possa fixar o adversário e criar rapidamente um 2x1, por exemplo. Não. Ou voltam para trás, ou vão directos ao muro, na esperança de que ele parta se baterem contra ele de frente. O Jesus tem cada vez mais dificuldade em valorizar as qualidades cognitivas de um jogador. Porque cada vez mais acha que essas são dispensáveis. Interessa que ele tenha qualidade técnica e física, que a cognitiva ele fornece. Pensamento perigoso, quanto a mim, porque parte do princípio de que ele é que tem a chave para o jogo, ele é que tem a solução para todos os males. Não que me surpreenda, pela forma de ser dele. Mas ele tem mais do que obrigação de perceber que isso não é bem assim, porque já tem décadas disto, e porque já foi diferente. Para melhor, quanto a mim. Deixa-me triste ver a maneira de como são falados alguns dos nossos talentos. Claro que haverá sempre uns melhor que outros, mas essa do "pet dog" e de limpar as retretes caiu-me mesmo mal, ainda por cima falando de jogadores que estão no Sporting há bastantes anos e que como mais ou menos qualidade sempre foram respeitosos pelo clube e pelos adeptos. É obvio que neste momento o Iuri está em melhor forma, está com uma maturidade superior à do Gelson, mas se tudo tivesse corrido dentro da normalidade com a renovação do Carrillo, o Gelson nunca teria tido tanto tempo de jogo nem obrigação de subir tão rapidamente de patamar. O próprio JJ assumiu o Gelson como uma aposta pessoal, e acredito que a ideia dele era dar tempo ao miudo para crescer, mas teve que ser tudo apressado, ainda para mais com a lesão que tirou o Ruiz de alguns jogos. Quero muito acreditar que o Iuri vai estar no Plantel na próxima época e que todo o seu talento se confirme com a camisola do Sporting, mas não vejo necessidade de rebaixar outros jogadores do Sporting só para enaltecer um, quando ainda por cima há espaço para todos. Compartilhar este post Link para o post
doom_master Publicado 23 Fevereiro 2016 Excelentes posts. Como habitual, concordo com o Refutador, o Poeira e o BlackHawk. Pego especialmente neste parágrafo por causa da última frase: Por aí, sim. É um 6 e um 8, segundo os meus ideais tácticos, digamos assim. Nunca mais que isso. E só joga no lado direito, actualmente, porque o Jesus é cada vez mais um treinador obcecado com os aspectos defensivos do jogo. Comparar o Jesus do 1º ano no Benfica com o actual, ao nível das ideias que tem para o jogo, é um fenómeno super interessante, porque denota-se claramente uma mudança. As diferenças são abismais, é como passar do dia para a noite. Sempre que me lembro da "táctica do buraco" e a comparo com este Sporting em termos defensivos, que diferença. Quanto ao jogo de ontem, foi meh. Valeu especialmente pelo período entre os 25' e os 45', que curiosamente (ou não) foi onde acabámos por marcar os únicos golos do jogo. É como já disseram, nota-se que há bases ofensivas mas alguns executantes não dão para mais. E o Teo continua a ser horrível, que gajo mais inútil. Juro que não estou a exagerar quando digo que, na minha opinião, nem numa equipa de meio da tabela se destacaria. Compartilhar este post Link para o post
C-4 Publicado 23 Fevereiro 2016 Grande jogo do Ewerton. Para mim, claramente o melhor em campo. Mas isto de o melhor jogador contra o Boavista ter sido um central diz muita coisa. Jogo muito pobre. Não vale a pena voltar a falar do Teo. O Ezequiel é todo desengonçado, credo. A bola nem lhe pede por favor para sair dos pés dele, quer é logo fugir dali. Consegue ganhar espaço quando está só, e o Boavista deixou-lhe quase todo o jogo sozinho. Mas percebo que tenha jogado na vez do João Pereira (que, espero, jogue na quinta). Aliás, preferia que tivesse jogado o Esgaio, mas enfim. Esse é que, coitado, já está queimado. Se a intenção era ele não jogar, ao menos que fosse emprestado esta segunda metade da época. Eu lá para os 65 minutos tinha substituído o Bryan. Tem feito consecutivamente os 90 minutos todos. Eu tinha-o poupado à última meia hora do jogo para ser titular na quinta-feira. Aliás, para quinta, ia com Rui, João Pereira, Coates, Ewerton, Jeff, William, Aquilani, Matheus, João Mário, Bryan. Sli-sli. O Paulo Oliveira não sei como está neste momento, mas era importante recuperar. O Bruno Paulista é outro que desapareceu. Que raio de lesão. Compartilhar este post Link para o post
depina Publicado 23 Fevereiro 2016 o schelloto serve para jogos contra equipas pequenas. e o mane não sabe decidir, roubava a bola.. corria corria corria e depois oferecia a bola ao adversário. Compartilhar este post Link para o post
Jone Sampaoli Publicado 23 Fevereiro 2016 curiosamente, ontem foi dos melhores jogos do Mané recentemente. Entrou bem, soltou a bola nos momentos certos (teve lá 2 passes de ruptura muito bons), mexeu com o jogo e apoiou muito na primeira fase ataque-defesa. Teve azar naquele lance ao pé da baliza, mas foi muito positivo. Que continue a evoluir. Compartilhar este post Link para o post
Refutador Publicado 23 Fevereiro 2016 Para mim a dupla tem de ser Ewerton-Coates. Era todo um outro nível com bola, na compreensão do jogo com e sem bola(nesta última nem tanto, se calhar, mas mesmo assim estão a milhas do Semedo aqui) e até tinhamos uma besta nos duelos aéreos como o JJ gosta. Eu tenho um carinho especial pelo Paulo Oliveira e, defensivamente, é o central que me enche mais as medidas, mas também gosto dessa dupla, sem dúvida. Não criativo com visão: Por exemplo, qualquer jogador que tenha uma leitura de jogo acima da média mas que raramente seja capaz de decidir o jogo num passe, numa finta, num remate. à primeira vista lembro-me logo do Lahm. Jogador super inteligente, sabe ler o jogo como poucos, tem uma capacidade de trabalho fenomenal, mas raramente o vemos a ter um momento de criatividade. Ou o Ander Herrera, um jogador que gosto muito apesar de não o achar um criativo. Concordo com a ideia. Mas o melhor exemplo, para mim, é o Kroos: grande visão de jogo, grande qualidade técnica no passe, sobretudo longo, mas falta-lhe muita criatividade. Ou seja, é capaz de meter a bola onde quer, mas não é capaz de fazer aquele passe que mais ninguém vê. A maior parte dos passes que faz, embora de execução difícil, são óbvios. Criativo sem visão: Qualquer jogador, usualmente extremo com qualidade para fintar 3 ou 4 e falhar o último passe, ou não saber ler onde colocar a bola a 5 metros. O Carrillo há 3/4 anos era assim. Neste sentido, só me lembro do Lennon, que andava no Tottenham. Mas há mais, o sono não me deixa Lá está, eu não acho que jogadores muito fortes no 1x1 sejam necessariamente criativos. O Salvio, por exemplo, não é tão criativo como o Gaitán e são ambos fortes no 1x1 Mas percebo o teu ponto. Compartilhar este post Link para o post
Hidden Publicado 23 Fevereiro 2016 (editado) O Mané é excelente a arrancar e quando o faz consegue mexer no jogo, mas infelizmente perde a bola ou passa mal na maior parte das vezes. Ignorando as lesões, qual é que acham que é a nossa melhor defesa? Entre Jefferson-Zeegelaar; Paulo-Naldo-Ewerton-Semedo-Coates e JP-Schelotto-Esgaio? Editado 23 Fevereiro 2016 por Hidden Compartilhar este post Link para o post
Taka Publicado 23 Fevereiro 2016 Actualmente, este é, para mim, o nosso melhor onze: Rui João Pereira Ewerton Coates Jefferson William Adrien João Mário Matheus/Bryan Bryan/Mané Slimani Sim, acho que o Mané ainda dá alguma coisa ao nosso jogo, embora prefira o Bryan no meio e por isso entraria o Matheus. Compartilhar este post Link para o post
Jone Sampaoli Publicado 23 Fevereiro 2016 (editado) Eu tenho um carinho especial pelo Paulo Oliveira e, defensivamente, é o central que me enche mais as medidas, mas também gosto dessa dupla, sem dúvida. Concordo com a ideia. Mas o melhor exemplo, para mim, é o Kroos: grande visão de jogo, grande qualidade técnica no passe, sobretudo longo, mas falta-lhe muita criatividade. Ou seja, é capaz de meter a bola onde quer, mas não é capaz de fazer aquele passe que mais ninguém vê. A maior parte dos passes que faz, embora de execução difícil, são óbvios. Lá está, eu não acho que jogadores muito fortes no 1x1 sejam necessariamente criativos. O Salvio, por exemplo, não é tão criativo como o Gaitán e são ambos fortes no 1x1 Mas percebo o teu ponto. Também acho que o Paulo Oliveira é o nosso melhor central em termos defensivos. Em termos de leitura defensiva e jogo na antecipação, não há melhor que ele. É também quem tem um posicionamento mais rigoroso dos nossos centrais. Só peca um pouco no 1 para 1 e tem dificuldade a sair com bola e a dar sequência na primeira fase a não ser para o lateral. Mas já foi bem pior... Exato, também concordo em relação ao Kroos. No entanto, mais depressa vejo o Gaitan a fintar 3 ou 4 do que o Salvio porque lá está, não é tão unidimensional e consegue imaginar o que o Salvio não consegue. Reconheço que o exemplo do Lennon não foi o melhor :mrgreen: chamar-lhe de criativo é pedir muito ao mundo, sendo unidimensional como ele é. Mas chegou-se lá :compinchas: O Mané é excelente a arrancar e quando o faz consegue mexer no jogo, mas infelizmente perde a bola ou passa mal na maior parte das vezes. Ignorando as lesões, qual é que acham que é a nossa melhor defesa? Entre Jefferson-Zeegelaar; Paulo-Naldo-Ewerton-Semedo-Coates e JP-Schelotto-Esgaio? O problema do Mané sempre foi a decisão. Ele não tem dificuldade em passar pelo primeiro opositor por norma, muita velocidade, e sabe aparecer muito bem nos espaços de finalização. Mas tem uma dificuldade imensa em soltar a bola no momento certo ou dar sequência lógica a uma jogada. Sempre foi assim... quando melhorar isso, se melhorar, passa a titular, não tenho dúvida. Que pergunta f*dida :lol: para mim, a melhor defesa em termos de segurança defensiva será Zeegelaar, Paulo, Coates e JP, mas confesso que a defesa Jeff-Paulo-Ewerton-JP talvez seja a que mais me satisfaz. Dá profundidade ofensiva (Jeff e JP), o central mais de antecipação (Paulo) e outro mais completo e com boa saída de bola (Ewerton). O problema é que o Jeff não sabe defender. --- 80% dos bilhetes para o Sporting CP x SL Benfica já voaram. Editado 23 Fevereiro 2016 por Jone Sampaoli Compartilhar este post Link para o post
Modulor Publicado 23 Fevereiro 2016 Imaginando que funcionassem todos bem no que a uma boa linha defensiva diz respeito eu preferiria Jeff - Coates - Paulo/Ewerton - João. Caso o Zeegelar melhorasse consideravelmente nas suas ações ofensivas e na profundidade atacante trocava-o pelo Jeff. A duvida no Ewerton é mesmo por achar que em metade dos jogos que faz nunca se sente 100% bem, e isso prejudica-o imenso. Ontem por exemplo não havia pai pra ele, e se tivesse com confiança dava o dobro. Isto tudo aliado ao apreço que tenho pelo Paulo faz-me ter duvidas...anyway, sem termos jogadores de top top, principalmente nas laterais, até que nem temos más opções, em qualidade e quantidade. Isto tudo com a capacidade defensiva do JJ à mistura claro está. Compartilhar este post Link para o post
Poeira Publicado 23 Fevereiro 2016 Deixa-me triste ver a maneira de como são falados alguns dos nossos talentos. Claro que haverá sempre uns melhor que outros, mas essa do "pet dog" e de limpar as retretes caiu-me mesmo mal, ainda por cima falando de jogadores que estão no Sporting há bastantes anos e que como mais ou menos qualidade sempre foram respeitosos pelo clube e pelos adeptos. É obvio que neste momento o Iuri está em melhor forma, está com uma maturidade superior à do Gelson, mas se tudo tivesse corrido dentro da normalidade com a renovação do Carrillo, o Gelson nunca teria tido tanto tempo de jogo nem obrigação de subir tão rapidamente de patamar. O próprio JJ assumiu o Gelson como uma aposta pessoal, e acredito que a ideia dele era dar tempo ao miudo para crescer, mas teve que ser tudo apressado, ainda para mais com a lesão que tirou o Ruiz de alguns jogos. Quero muito acreditar que o Iuri vai estar no Plantel na próxima época e que todo o seu talento se confirme com a camisola do Sporting, mas não vejo necessidade de rebaixar outros jogadores do Sporting só para enaltecer um, quando ainda por cima há espaço para todos. Era uma expressão. A ideia é que o Gelson e o Mané são trabalhadores e cumprem à risca tudo o que o treinador diz. Se o próximo treinador do Sporting meter na cabeça que eles são centrais, eles lá vão para o centro da defesa e fazem-no de sorriso nos lábios. Sem perguntas, sem pensar, sem colocarem em causa o que seria uma decisão completamente estúpida (já daí ter usado um exemplo exagerado agora). Essa atitude pode ser muito bonita para apelar ao coração do adepto, mas para o jogo jogado, são aquele tipo de jogadores de que não gosto. Porque não pensam. O que o treinador diz, para eles, é verdade absoluta, e é daquela forma que têm que fazer. Isso é prejudicial para um jogador de ataque, para um jogador que tem, obrigatoriamente, de criar, de improvisar, de por vezes fugir àquilo que está planeado. O Iuri não é assim. O Iuri enervou o Jesus num treino porque, tão somente, pediu a bola no pé em vez de ir buscá-la no espaço. Bastou isso para o Jesus ficar de pé atrás. É essa a diferença entre ele e os outros. Não adianta seres treinador e dizeres-lhe para conduzir a bola para a lateral, se ele vir que o corredor central está todo aberto. Porque ele vai receber, e vai direitinho ao corredor central, quer tu queiras ou não. E isso é óptimo. Era aquilo que nos salvava no tempo do Marco Silva, com o Nani e o Carrillo (e o Montero, quando ia jogando). Criatividade. Cérebro para pensarem pela cabeça deles. Inteligência para perceberem o jogo, em vez de fazerem sempre aquilo que o treinador lhes diz para fazerem nos treinos. É isso que o Iuri tem. E que o Gelson e o Mané não têm. E nada contra eles. Eu acho que o Mané pode ser um elemento muito útil (útil, não titular e muito menos imprescindível), pelas características que tem. E acho que há ali um potencial descomunal escondido no Gelson, mas numa posição diferente da actual. Como lateral direito. Agora, como extremo, como jogadores que, no Sporting, estão constantemente com bola e a jogar em espaços curtos, no meio-campo adversário, o Gelson e o Mané estão muito atrás do Iuri. Por uma questão de características. Se calhar, noutra equipa diferente, até estariam à frente dele. Mas aqui, a diferença nem sequer é pequena, a favor do Iuri. Já agora, é precisamente pelo que descrevo do Gelson, que o Jesus o adora e diz que é o maior talento jovem que já treinou (ou algo do género). Porque ele é forte tecnicamente, e bastante acima da média em termos físicos. E vazio de ideias no aspecto cognitivo. Perfeito para o Jesus moldar como quer, e como gosta de fazer. Compartilhar este post Link para o post
del9y Publicado 23 Fevereiro 2016 Era uma expressão. A ideia é que o Gelson e o Mané são trabalhadores e cumprem à risca tudo o que o treinador diz. Se o próximo treinador do Sporting meter na cabeça que eles são centrais, eles lá vão para o centro da defesa e fazem-no de sorriso nos lábios. Sem perguntas, sem pensar, sem colocarem em causa o que seria uma decisão completamente estúpida (já daí ter usado um exemplo exagerado agora). Essa atitude pode ser muito bonita para apelar ao coração do adepto, mas para o jogo jogado, são aquele tipo de jogadores de que não gosto. Porque não pensam. O que o treinador diz, para eles, é verdade absoluta, e é daquela forma que têm que fazer. Isso é prejudicial para um jogador de ataque, para um jogador que tem, obrigatoriamente, de criar, de improvisar, de por vezes fugir àquilo que está planeado. O Iuri não é assim. O Iuri enervou o Jesus num treino porque, tão somente, pediu a bola no pé em vez de ir buscá-la no espaço. Bastou isso para o Jesus ficar de pé atrás. É essa a diferença entre ele e os outros. Não adianta seres treinador e dizeres-lhe para conduzir a bola para a lateral, se ele vir que o corredor central está todo aberto. Porque ele vai receber, e vai direitinho ao corredor central, quer tu queiras ou não. E isso é óptimo. Era aquilo que nos salvava no tempo do Marco Silva, com o Nani e o Carrillo (e o Montero, quando ia jogando). Criatividade. Cérebro para pensarem pela cabeça deles. Inteligência para perceberem o jogo, em vez de fazerem sempre aquilo que o treinador lhes diz para fazerem nos treinos. É isso que o Iuri tem. E que o Gelson e o Mané não têm. E nada contra eles. Eu acho que o Mané pode ser um elemento muito útil (útil, não titular e muito menos imprescindível), pelas características que tem. E acho que há ali um potencial descomunal escondido no Gelson, mas numa posição diferente da actual. Como lateral direito. Agora, como extremo, como jogadores que, no Sporting, estão constantemente com bola e a jogar em espaços curtos, no meio-campo adversário, o Gelson e o Mané estão muito atrás do Iuri. Por uma questão de características. Se calhar, noutra equipa diferente, até estariam à frente dele. Mas aqui, a diferença nem sequer é pequena, a favor do Iuri. Já agora, é precisamente pelo que descrevo do Gelson, que o Jesus o adora e diz que é o maior talento jovem que já treinou (ou algo do género). Porque ele é forte tecnicamente, e bastante acima da média em termos físicos. E vazio de ideias no aspecto cognitivo. Perfeito para o Jesus moldar como quer, e como gosta de fazer. Não concordo com essa visão do Mané e do Gelson de "paus mandados". Secalhar são jogadores que dão mais ouvidos a um treinador do que um Iuri, mas acho que estás a cair um pouco no exagero. Tanto que fora a fraca capacidade do Gelson e do Mane ao nivel da decisão / ultimo passe, acho que sao dos poucos jogadores que trazem algo diferente ao Sporting. E dizer que é um vazio de ideias.... Compartilhar este post Link para o post
Guest fiasco Publicado 23 Fevereiro 2016 Era uma expressão. A ideia é que o Gelson e o Mané são trabalhadores e cumprem à risca tudo o que o treinador diz. Se o próximo treinador do Sporting meter na cabeça que eles são centrais, eles lá vão para o centro da defesa e fazem-no de sorriso nos lábios. Sem perguntas, sem pensar, sem colocarem em causa o que seria uma decisão completamente estúpida (já daí ter usado um exemplo exagerado agora). Essa atitude pode ser muito bonita para apelar ao coração do adepto, mas para o jogo jogado, são aquele tipo de jogadores de que não gosto. Porque não pensam. O que o treinador diz, para eles, é verdade absoluta, e é daquela forma que têm que fazer. Isso é prejudicial para um jogador de ataque, para um jogador que tem, obrigatoriamente, de criar, de improvisar, de por vezes fugir àquilo que está planeado. O Iuri não é assim. O Iuri enervou o Jesus num treino porque, tão somente, pediu a bola no pé em vez de ir buscá-la no espaço. Bastou isso para o Jesus ficar de pé atrás. É essa a diferença entre ele e os outros. Não adianta seres treinador e dizeres-lhe para conduzir a bola para a lateral, se ele vir que o corredor central está todo aberto. Porque ele vai receber, e vai direitinho ao corredor central, quer tu queiras ou não. E isso é óptimo. Era aquilo que nos salvava no tempo do Marco Silva, com o Nani e o Carrillo (e o Montero, quando ia jogando). Criatividade. Cérebro para pensarem pela cabeça deles. Inteligência para perceberem o jogo, em vez de fazerem sempre aquilo que o treinador lhes diz para fazerem nos treinos. É isso que o Iuri tem. E que o Gelson e o Mané não têm. E nada contra eles. Eu acho que o Mané pode ser um elemento muito útil (útil, não titular e muito menos imprescindível), pelas características que tem. E acho que há ali um potencial descomunal escondido no Gelson, mas numa posição diferente da actual. Como lateral direito. Agora, como extremo, como jogadores que, no Sporting, estão constantemente com bola e a jogar em espaços curtos, no meio-campo adversário, o Gelson e o Mané estão muito atrás do Iuri. Por uma questão de características. Se calhar, noutra equipa diferente, até estariam à frente dele. Mas aqui, a diferença nem sequer é pequena, a favor do Iuri. Já agora, é precisamente pelo que descrevo do Gelson, que o Jesus o adora e diz que é o maior talento jovem que já treinou (ou algo do género). Porque ele é forte tecnicamente, e bastante acima da média em termos físicos. E vazio de ideias no aspecto cognitivo. Perfeito para o Jesus moldar como quer, e como gosta de fazer. Porra oh Poeira quem te lê pensa que os treinadores só lá estão para limitar os jogadores e atrapalhar a sua evolução. E até aceitaria se fosse outro treinador que nao o JJ. O que não falta aí são criativos completamente anarquistas em campo que só prejudicam a equipa. E se me perguntares (a mim e a muita gente) quem prefiro que decida, direi sempre, o treinador. Sobre qualquer outro jogador. Isso é bonito e podia resultar se andasse tudo no desporto pela beleza, mas a liberdade que dás ao Iuri, vais ter de dar a outros. E pouco tempo depois, ninguém se entende em campo. E não é por ser o Iuri. O Ruiz tem liberdade, mas também tem deveres. Muitos. E vai cumprindo. (porra ate cansa, o gajo nunca mais quebra?) E o Iuri ao ser assim só vai perder. Porque os treinadores pura e simplesmente, não o metem a jogar. N falo de treinadores de Moreirense ou Setubal ou Arouca, onde cair um Joao Mario ou Iuri no colo é uma benção. Falo de treinadores que se tiverem outros jogadores à disposição n tem problemas em encostar os Iuris. O colectivo é sempre mais forte que a individualidade. 11 bons jogadores só rendem até apanharem pela frente uma boa equipa. E cada vez mais encontras boas equipas pela frente. Com boa organização. Compartilhar este post Link para o post
wrathchild Publicado 23 Fevereiro 2016 (editado) Era uma expressão. A ideia é que o Gelson e o Mané são trabalhadores e cumprem à risca tudo o que o treinador diz. Se o próximo treinador do Sporting meter na cabeça que eles são centrais, eles lá vão para o centro da defesa e fazem-no de sorriso nos lábios. Sem perguntas, sem pensar, sem colocarem em causa o que seria uma decisão completamente estúpida (já daí ter usado um exemplo exagerado agora). Essa atitude pode ser muito bonita para apelar ao coração do adepto, mas para o jogo jogado, são aquele tipo de jogadores de que não gosto. Porque não pensam. O que o treinador diz, para eles, é verdade absoluta, e é daquela forma que têm que fazer. Isso é prejudicial para um jogador de ataque, para um jogador que tem, obrigatoriamente, de criar, de improvisar, de por vezes fugir àquilo que está planeado. O Iuri não é assim. O Iuri enervou o Jesus num treino porque, tão somente, pediu a bola no pé em vez de ir buscá-la no espaço. Bastou isso para o Jesus ficar de pé atrás. É essa a diferença entre ele e os outros. Não adianta seres treinador e dizeres-lhe para conduzir a bola para a lateral, se ele vir que o corredor central está todo aberto. Porque ele vai receber, e vai direitinho ao corredor central, quer tu queiras ou não. E isso é óptimo. Era aquilo que nos salvava no tempo do Marco Silva, com o Nani e o Carrillo (e o Montero, quando ia jogando). Criatividade. Cérebro para pensarem pela cabeça deles. Inteligência para perceberem o jogo, em vez de fazerem sempre aquilo que o treinador lhes diz para fazerem nos treinos. É isso que o Iuri tem. E que o Gelson e o Mané não têm. E nada contra eles. Eu acho que o Mané pode ser um elemento muito útil (útil, não titular e muito menos imprescindível), pelas características que tem. E acho que há ali um potencial descomunal escondido no Gelson, mas numa posição diferente da actual. Como lateral direito. Agora, como extremo, como jogadores que, no Sporting, estão constantemente com bola e a jogar em espaços curtos, no meio-campo adversário, o Gelson e o Mané estão muito atrás do Iuri. Por uma questão de características. Se calhar, noutra equipa diferente, até estariam à frente dele. Mas aqui, a diferença nem sequer é pequena, a favor do Iuri. Já agora, é precisamente pelo que descrevo do Gelson, que o Jesus o adora e diz que é o maior talento jovem que já treinou (ou algo do género). Porque ele é forte tecnicamente, e bastante acima da média em termos físicos. E vazio de ideias no aspecto cognitivo. Perfeito para o Jesus moldar como quer, e como gosta de fazer Tu adoras extremar os casos todos, dizer que o Gelson é um vazio em termos cognitivos... E não é suposto os jogadores fazerem o que o treinador lhes manda em campo? Quem te ouve falar pensa um bom jogador é o que se está a cagar para o que o treinador lhe pede, que apenas joga para si próprio e não para a equipa.... Isso é muito bonito e até pode resultar num Real Madrid onde a qualidade individual é tanta que eles ganham assim a 98% das equipas do Mundo mesmo que o treinador seja um pino, agora na liga portuguesa isso não existe, a percentagem é bem menor. E até concordo que o Iuri seja mas criativo que os que tu citaste, não concordo é que extremes os casos e digas que um é um Van Gogh do futebol e os outros são uns trolhas a trabalhar no pavilhão. Editado 23 Fevereiro 2016 por wrathchild Compartilhar este post Link para o post
doom_master Publicado 23 Fevereiro 2016 O Poeira pode ter exagerado (e já ele próprio o admitiu), mas nunca foi dito que os jogadores não devem fazer o que os treinadores lhes manda. Apenas que não se devem cingir a isso. Os treinadores dão as ferramentas para poderem trabalhar em conjunto, mas a partir do momento em que estão dentro das quatro linhas eles é que sabem o como as utilizar. Como costumo dizer aos meus miúdos após estarem tão rotinados numa dada jogada que não conseguem perceber alternativas melhores que surgem em momentos do jogo mas que não foram treinadas (e podem ser coisas tão simples como variar e flectir para o meio em vez de meter a bola na linha como habitualmente se faria na jogada treinada, por exemplo): eu não os posso controlar com um comando da Playstation. Há que ter capacidade para ler o jogo e o posicionamento dos seus intervenientes, de modo a se conseguir tomar a opção mais apropriada consoante a situação. As jogadas são treinadas por vezes até exaustivamente, mas são raras as vezes em que uma jogada sai perfeita do início ao fim, como estudada no papel. Por isso cada vez mais o foco está na tomada de decisão do portador da bola (e também dos colegas) em vez de grandes jogadas estudadas, salvo bolas paradas. Porque a maior parte do jogo vai depender desses momentos. E aí, tendo até em conta que os adversários estudam o treinador e a forma de jogar da equipa adversária, há que saber pensar out of the box e pensar em alternativas melhores, mesmo que não sejam as que são treinadas regularmente. É aqui que entra a já tão falada componente da criatividade. Compartilhar este post Link para o post
Guest fiasco Publicado 23 Fevereiro 2016 É incorrecto dizer que o JJ não é adepto disso, e temos exemplos em campo. O Ruiz/JM/Gelson/Matheus/Adrien/Mané quando estão em campo tem bastante liberdade com bola, e é comum vê-los em outras zonas do campo. Mas também percebo o JJ, se tem um extremo que gosta de flectir pra o meio e depois ao perder a bola, n volta para o fechar, cria inferioridade numérica nessa ala. E ele (e aqui concordo) tornou-se obsessivo no preenchimento de espaços e no processo ofensivo. O que me parece é que o JJ dá-te essa liberdade de improvisação, mas também te a cobra na reação á perda de bola e é comum vê-lo a passar-se com isso. Podes improvisar, mas se corre mal é bom que estejas lá para remendar a borrada. Compartilhar este post Link para o post
Jone Sampaoli Publicado 23 Fevereiro 2016 O Jesus está completamente diferente do que era em 09/10, no famoso rolo compressor. É agora um treinador muito mais preocupado com a transição ataque-defesa, e quem falhe nesse momento leva logo nas orelhas. Antes era para o buraco... Compartilhar este post Link para o post
wrathchild Publicado 23 Fevereiro 2016 Está diferente para melhor, diga-se. Compartilhar este post Link para o post
Oblivion Publicado 23 Fevereiro 2016 Fiquemos pelo "diferente". Compartilhar este post Link para o post
Cabeça de giz Publicado 23 Fevereiro 2016 a mim começa-me a fazer muita (MUITA) confusão a análise que se continua a fazer às falhas do JJ e a alguns jogadores como se fossemos um clube de barriga cheia... Sou dos que mais gosta de analisar e criticar, e a achar que este plantel podia render mais. Mas ler ao mesmo tempo que o plantel é fraco, e que é mal gerido, que está cheio de cepos como não se via nos últimas décadas quando estamos isolados no topo, a 2 vitórias de arrumar o campeonato faz-me pensar que há um motivo para termos ganho 2 campeonatos nos últimos 35 anos :( Compartilhar este post Link para o post
Oblivion Publicado 23 Fevereiro 2016 (editado) Não te fies nessa do "a 2 vitórias de arrumar o campeonato". Como andamos a jogar, e ainda a ter que ir a Braga e ao Dragão, 6 pontos são "peaners". O campeonato está nivelado por baixo (principalmente os três grandes), o que não invalida que devessemos estar a jogar muito mais. E no fim do dia, temos plantel para jogar muito mais. Há que meter é os 11 certos lá dentro. Editado 23 Fevereiro 2016 por Oblivion Compartilhar este post Link para o post
depina Publicado 23 Fevereiro 2016 o jj nos jogos grandes acerta sempre no 11, não estou minimamente preocupado com os jogos vs braga, porto e benfica Compartilhar este post Link para o post
Oblivion Publicado 23 Fevereiro 2016 Mas nós perdemos pontos é com os pequenos... Compartilhar este post Link para o post
Cabeça de giz Publicado 23 Fevereiro 2016 Não te fies nessa do "a 2 vitórias de arrumar o campeonato". Como andamos a jogar, e ainda a ter que ir a Braga e ao Dragão, 6 pontos são "peaners". "há um motivo para termos ganho 2 campeonatos nos últimos 35 anos :( " O campeonato está nivelado por baixo (principalmente os três grandes), pontos para ser campeão: 2001/2 - 75 2002/3 - 86 2003/4 - 82 2004/5 - 65 2005/6 - 79 2006/7 - 69 em 30 jogos (daria 78 em 34) 2007/8 - 69 em 30 jogos (daria 78 em 34) 2008/9 - 70 em 30 jogos (daria 79 em 34) 2009/10 - 76 em 30 jogos (daria 86 em 34) 2010/11 - 84 em 30 jogos (daria 95 em 34) 2011/12 - 75 em 30 jogos (daria 85 em 34) 2012/13 - 78 em 30 jogos (daria 88 em 34) 2013/14 - 74 em 30 jogos (daria 84 em 34) 2014/15 - 81 O campeão este ano terá que ter algo entre os 84 e os 87 pontos. Se excluirmos o ano do AVB, não consigo ver o nivelamento por baixo... Mas nós perdemos pontos é com os pequenos... Mas os jogos com os grandes representam 12 pontos por época, nos últimos anos os pontos perdidos pelo campeão não chegam ao dobro disso. No futebol português actual a diferença entre os grandes e o resto é tão mas tão grande que são esse os jogos que decidem. O resto são frases feitas, vindas dos anos em que qualquer grande que se distraísse um pouco e perdesse meia duzia de pontos inesperados acabava em 5 ou 6º... Compartilhar este post Link para o post
Poeira Publicado 23 Fevereiro 2016 Ó. Arroz com batatas, outra vez. Ou então não me fiz entender, que é o mais provável. Não concordo com essa visão do Mané e do Gelson de "paus mandados". Secalhar são jogadores que dão mais ouvidos a um treinador do que um Iuri, mas acho que estás a cair um pouco no exagero. Tanto que fora a fraca capacidade do Gelson e do Mane ao nivel da decisão / ultimo passe, acho que sao dos poucos jogadores que trazem algo diferente ao Sporting. E dizer que é um vazio de ideias.... Fora um dos aspectos mais importantes de um jogador ofensivo numa equipa da nossa dimensão. E se o termo de comparação somos nós actualmente, não é preciso muito para trazerem algo de diferente. Basta terem mais velocidade que os outros e apostarem mais no 1x1 que os outros. É que nem laterais, nem médios, nem extremos, nem avançados. Tirando o Ruíz, não há ninguém que consiga, regularmente, tirar 1/2 adversários do caminho e depois definir da melhor maneira. Como termo de comparação próximo, o Benfica tem 3 assim. Jonas, Gaitán e Pizzi. 4, se jogar o Nélson Semedo. 5 em algumas situações, quando o Sanches sai com a bola em transição. E o Porto tem 4. Maxi, Layún, Corona e Brahimi. E agora ainda têm o Suk, que também se aproxima desse perfil. O Braga tem pelo menos 2 em cada jogo, que são os extremos. Seja o Rafa, o Alan, o Pedro Santos ou o Josué. 3, se jogar o Djavan. Todos eles têm mais elementos criativos que nós. E isto para mim é inconcebível. É claro que não peço jogadores com a mesma qualidade do Gaitán, do Jonas, do Corona ou do Brahimi. Mas dava jeito ter mais quantidade, pelo menos. Porra oh Poeira quem te lê pensa que os treinadores só lá estão para limitar os jogadores e atrapalhar a sua evolução. E até aceitaria se fosse outro treinador que nao o JJ. O que não falta aí são criativos completamente anarquistas em campo que só prejudicam a equipa. E se me perguntares (a mim e a muita gente) quem prefiro que decida, direi sempre, o treinador. Sobre qualquer outro jogador. Isso é bonito e podia resultar se andasse tudo no desporto pela beleza, mas a liberdade que dás ao Iuri, vais ter de dar a outros. E pouco tempo depois, ninguém se entende em campo. E não é por ser o Iuri. O Ruiz tem liberdade, mas também tem deveres. Muitos. E vai cumprindo. (porra ate cansa, o gajo nunca mais quebra?) E o Iuri ao ser assim só vai perder. Porque os treinadores pura e simplesmente, não o metem a jogar. N falo de treinadores de Moreirense ou Setubal ou Arouca, onde cair um Joao Mario ou Iuri no colo é uma benção. Falo de treinadores que se tiverem outros jogadores à disposição n tem problemas em encostar os Iuris. O colectivo é sempre mais forte que a individualidade. 11 bons jogadores só rendem até apanharem pela frente uma boa equipa. E cada vez mais encontras boas equipas pela frente. Com boa organização. O Iuri é um anarquista em campo que só prejudica a equipa? Se a resposta for sim, não dá para se avançar muito mais, porque a minha opinião sobre ele está no extremo oposto a esse. O Iuri é dos extremos mais altruístas que formamos nos últimos anos. E dos mais inteligentes também. Pode perder no 1x1 puro e duro para vários deles (Ronaldo, Quaresma, Nani, Bruma, o próprio Gelson), mas não tenho dúvidas de que define melhor do que quase todos eles. E faz mais pelo colectivo que todos eles, pelo menos com bola. Só que, para uma legião de fãs (que só aparece no caso dos craques, que ninguém vira fã de um Amido Baldé ou de um Saleiro), há sempre uma legião de pessoas que, seja porque não apreciam o estilo ou simplesmente porque nasceram para ser do contra, têm tendência para procurar defeitos onde é mais difícil encontrá-los. Vai daí, criou-se o mito de que o Iuri não trabalha sem bola e não defende. Eu aqui só pergunto: o Ronaldo, o Quaresma e o Nani defendiam mais do que o Iuri defende? Já nem digo melhor, digo simplesmente mais. E aqui falo dos primeiros tempos em que eles cá estiveram, obviamente. É que eu não acho que defendessem, sinceramente. Acho que faziam exactamente o mesmo. Com bola, marcavam claramente a diferença, e resolviam individualmente. Coisa que o Iuri também faz. Sem bola, quanto muito, esforçavam-se por acompanhar o lateral e estorvar um bocado. Coisa que o Iuri também faz. Onde está a diferença? Eu sei onde está, sinceramente. É o 1x1. Entusiasma mais. Todos eles são superiores ao Iuri nesse aspecto. Todos eles são mais vistosos. Todos eles são mais rápidos que o Iuri. Mas o Iuri desequilibra igualmente bem. Fazia-o na formação, na equipa B, no Arouca, nas selecções jovens e continua a fazê-lo no Moreirense. É constante, é regular. No passado, ainda desaparecia do jogo quando a equipa andava 90 minutos a correr atrás da bola. Agora, nem mesmo nesses jogos (que no Sporting nunca acontecerão, ou muito raramente acontecerão, porque nós somos o tipo de equipa que obriga os Moreirenses a correr atrás da bola, em vez de sermos a equipa que corre atrás dela) ele deixa de se fazer notar, de contribuir, de fazer a equipa jogar melhor. É que nem pelos números se pode pegar. Vai com 19 intervenções directas para golo em 25 jogos esta época. É quase uma por jogo. Numa equipa que não o beneficia em nada, bem pelo contrário. Por cá, ao contrário do que acontece com muitos outros jogadores que temos no plantel, os seus números até terão tendência a subir, porque viria jogar numa equipa que tem a obrigação moral e prática (alguém imagina o Sporting, em Alvalade, a dar a iniciativa de jogo a um Tondela, por exemplo?) de jogar um futebol onde ele se sente mais confortável. Com muita bola, com muita iniciativa de jogo, com muito tempo de jogo no meio-campo adversário, perto da outra baliza. Quanto à liberdade, é um não-assunto. As pessoas falam no Ruíz, que ele tem liberdade para jogar como quer. Isso é outro mito. Os outros têm a mesma liberdade. Só não jogam tanto como o Ruíz, nem desequilibram tanto como o Ruíz, nem criam tanto como o Ruíz, porque também não têm futebol suficiente nos pés e na cabeça para chegar ao nível do Ruíz. Tão simples quanto isto. Tu adoras extremar os casos todos, dizer que o Gelson é um vazio em termos cognitivos... E não é suposto os jogadores fazerem o que o treinador lhes manda em campo? Quem te ouve falar pensa um bom jogador é o que se está a cagar para o que o treinador lhe pede, que apenas joga para si próprio e não para a equipa.... Isso é muito bonito e até pode resultar num Real Madrid onde a qualidade individual é tanta que eles ganham assim a 98% das equipas do Mundo mesmo que o treinador seja um pino, agora na liga portuguesa isso não existe, a percentagem é bem menor. E até concordo que o Iuri seja mas criativo que os que tu citaste, não concordo é que extremes os casos e digas que um é um Van Gogh do futebol e os outros são uns trolhas a trabalhar no pavilhão. Onde é que está isso tudo escrito? E eu lamento desiludir, mas com as devidas diferenças, o Benfica também ganha (e goleia) 98% das equipas por cá com um pino a treinador. Porque tem jogadores que resolvem lá na frente, mesmo que atrás sejam uma desgraça. E o Porto, durante muito tempo, foi fazendo o mesmo com o Lopetegui a treinador. O nosso campeonato funciona cada vez mais assim. Só que nós temos Teos, Gelsons, Zeegelaars e por aí fora. Esses obviamente que não resolvem nada, ou resolvem de longe a longe. Vai resolvendo o Ruíz (quem mais?), que jogue na esquerda ou no centro, marca sempre a diferença em relação aos colegas. a mim começa-me a fazer muita (MUITA) confusão a análise que se continua a fazer às falhas do JJ e a alguns jogadores como se fossemos um clube de barriga cheia... Sou dos que mais gosta de analisar e criticar, e a achar que este plantel podia render mais. Mas ler ao mesmo tempo que o plantel é fraco, e que é mal gerido, que está cheio de cepos como não se via nos últimas décadas quando estamos isolados no topo, a 2 vitórias de arrumar o campeonato faz-me pensar que há um motivo para termos ganho 2 campeonatos nos últimos 35 anos :( Eu raramente tenho falado da equipa e do treinador esta época. Ando a fazer um esforço para não o fazer, sobretudo quando vou sabendo de algumas opções e decisões dele. Mas ele não é perfeito, de todo. Nenhum é. Estamos na frente porque temos um treinador muito superior a qualquer outro deste campeonato. Que ninguém duvide disso. Nos momentos defensivos, a diferença é colossal. Este Sporting dá aulas às restantes equipas no que toca à organização defensiva, à reacção à perda da bola, ao equilíbrio defensivo e à coordenação da linha defensiva, por exemplo (entre outras coisas). Só que, quando temos a bola, somos uma equipa...normal. Porque não temos individualidades de qualidade (tirando um par de jogadores), e os momentos do jogo que envolvem a bola dependem, maioritariamente, da qualidade individual dos seus jogadores. O treinador, no plano ofensivo, não pode estruturar a equipa ao pormenor. Porque, com bola, as possibilidades são infinitas. As variáveis são infinitas. O treinador não as consegue prever e controlar todas. Nem perto disso. O que o treinador pode e deve fazer é criar algumas referências em termos posicionais. Procurar que os jogadores ocupem os espaços correctos, em função do portador da bola. Procurar criar umas quantas dinâmicas básicas (triangulações, jogadores que procuram atacar um espaço específico (o André Martins, com o Jardim, atacava sempre o espaço nas costas do lateral, dezenas de vezes por jogo, para receber e guardar a bola naquela zona)). Mas mesmo assim, o sucesso dessas dinâmicas vai depender da qualidade que os jogadores têm com bola, e da forma como definem os lances. O que acontece no nosso caso é que o Jesus consegue criar as condições para a equipa atacar pelo corredor central. O trabalho dele aí é bom. Existem jogadas padronizadas, trabalhadas. Mas depois, os jogadores, que são os intérpretes do futebol que o treinador idealiza, não conseguem dar bom seguimento a esse trabalho. Por falta de qualidade técnica, criatividade, visão de jogo ou capacidade de definição, raramente se vê a equipa atacar da forma como pode ter mais sucesso, mesmo tendo o treinador criado um contexto favorável para isso. E como não conseguem, começam a fugir para onde têm espaço e tempo para jogar: os corredores laterais. Daí que este Sporting, em alguns jogos, continue a cruzar imenso. Porque é mais confortável para os jogadores. Porque pesa menos na consciência do jogador um cruzamento torto, do que uma perda de bola no corredor central devido a um mau passe ou uma má decisão/execução. E porque, com espaço e tempo, todos jogam bem (ou minimamente bem). Com pouco espaço e pouco tempo para jogar, a conversa é outra. E aí diferenciam-se os bons dos maus. Pelo que se tem visto desta época, o Sporting tem mais jogadores maus que bons. Pelo menos, entre aqueles que o Jesus escolhe. E é aí que eu acho que ele falha. Nos jogadores que escolhe. Porque nós temos bons jogadores, para jogarem bem da forma que o Jesus pretende jogar. Com bola. Mas pessoalmente, eu acho que o Jesus está a chegar a outro extremo. No 1º ano do Benfica, era o extremo ofensivo. Aquele Benfica atacava com tudo e massacrava, mas quando não tinha a bola, desequilibrava-se com grande facilidade. Actualmente, está quase no extremo defensivo. Todas as decisões que toma têm em conta, primeiro, o aspecto defensivo. É por isso que eu acho que ele escolhe os jogadores que escolhe. E que prepara ao pormenor o momento ofensivo. Porque, no fundo, um treinador que prepara ao pormenor o momento ofensivo, não está a preparar a equipa para atacar melhor. Está a preparar a equipa para se defender melhor, nas jogadas em que não consegue marcar e perde a bola. O ideal andará um pouco entre estes dois extremos, parece-me. Compartilhar este post Link para o post