Descartes Publicado 29 Agosto 2017 (editado) Eu limitei-me a discutir o conteúdo de material de teor educativo para crianças (para mim é somente isto que está em causa), não discuti o papel dos pais na educação de uma criança. Pois. Foi uma pena que não tenhas discutido o papel dos pais. Optaste, em seu lugar, por aplaudir decisões que também ignoram em absoluto esse papel. Sustentas que as crianças entre os 4 e os 6 anos são altamente impressionáveis acompanhando o exemplo finlandês apresentado pela presidente da CIG. E isso chega-te para considerares justificável a retirada de livros bem sucedidos em termos comerciais do mercado. Ora, como quem comprou esses livros no último ano foram maioritariamente os pais, estás implicitamente a dizer que estes não são competentes na educação dos seus filhos. Porque fazem más escolhas quantos aos conteúdos didáticos que lhes disponibilizam. Estás também a ignorar que, dadas as características impressionáveis das crianças nesse escalão etário (que toda a gente compreende e conhece não sendo necessário salientar o facto de haver um país desenvolvido e habitualmente utilizado como referência que tem uma mulher como Presidente da República), é extraordinariamente mais importante para a formação do seu caráter e personalidade aquilo que observam em casa e o exemplo dos seus pais quando comparado com um mero caderno de exercícios. Que importa ter um livro de exercícios em que o menino Carlinhos aparece na cozinha de esfregona na mão se em casa o pai da criança não faz mais do que espreguiçar-se no sofá a ver a bola enquanto vai pedindo à mulher que lhe traga a cerveja e a sandes de presunto? Qual é o problema de colocar os meninos a brincar com carrinhos e as meninas com os nenucos quando em casa ambos os progenitores partilham as tarefas domésticas e, pelo exemplo, demonstram que não existem limites no que respeita às atividades a desenvolver por cada um dos géneros? É claro que tu sabes isto tudo. Não te estou a dar novidade nenhuma. Depois segues o exemplo da Presidente da CIG e confrontas-me com o facto das mulheres trabalharem mais 1h45m por dia em tarefas domésticas do que os homens concluindo, assim, que os pais são incompetentes nos exemplos que dão às crianças e, como tal, devem ser ignorados no que respeita à educação das novas gerações. Editado 29 Agosto 2017 por Descartes Compartilhar este post Link para o post
bmfpcdm Publicado 29 Agosto 2017 Pois. Foi uma pena que não tenhas discutido o papel dos pais. Optaste, em seu lugar, por aplaudir decisões que também ignoram em absoluto esse papel. Sustentas que as crianças entre os 4 e os 6 anos são altamente impressionáveis acompanhando o exemplo finlandês apresentado pela presidente da CIG. E isso chega-te para considerares justificável a retirada de livros bem sucedidos em termos comerciais do mercado. Ora, como quem comprou esses livros no último ano foram, maioritariamente, os pais estás implicitamente a dizer que estes não são competentes na educação dos seus filhos. Porque fazem más escolhas quantos aos conteúdos didáticos que lhes disponibilizam. Estás também a ignorar que, dadas as características impressionáveis das crianças nesse escalão etário (que toda a gente compreende e conhece não sendo necessário salientar o facto de haver um país desenvolvido e habitualmente utilizado como referência que tem uma mulher como Presidente da República), é extraordinariamente mais importante para a formação do seu caráter e personalidade aquilo que observam em casa e o exemplo dos seus pais quando comparado com um mero caderno de exercícios. Que importa ter um livro de exercícios em que o menino Carlinhos aparece na cozinha de esfregona na mão se em casa o pai da criança não faz mais do que espregiçar-se no sofá a ver a bola enquanto vai pedindo à mulher que lhe traga a cerveja e a sandes de presunto? Qual é o problema de colocar os meninos a brincar com carrinhos e as meninas com os nenucos quando em casa ambos os progenitores partilham as tarefas domésticas e, pelo exemplo, demonstram que não existem limites no que respeita às atividades a desenvolver por cada um dos géneros? É claro que tu sabes isto tudo. Não te estou a dar novidade nenhuma. Depois segues o exemplo da Presidente da CIG e confrontas-me com o facto das mulheres trabalharem mais 1h45m por dia em tarefas domésticas do que os homens concluindo, assim, que os pais são incompetentes nos exemplos que dão às crianças e, como tal, devem ser ignorados no que respeita à educação das novas gerações. Nenhum dos meus comentários têm a intenção de ser insultuosos a quem comprou os livros. Se no passado compraste este tipo de livro, inconsciente de que poderia ser prejudicial, não tens de te sentir na defensiva e procurar justificar essa compra, porque não há intenção nenhuma de te apontar o dedo como má influência parental. Eu desejo que se nutram mentes críticas e que o assunto seja apreciado criticamente por todos, avós, pais, tios, toda a sociedade, sem que ninguém se tenha de sentir na defensiva. Compartilhar este post Link para o post
Descartes Publicado 29 Agosto 2017 Nenhum dos meus comentários têm a intenção de ser insultuosos a quem comprou os livros. Se no passado compraste este tipo de livro, inconsciente de que poderia ser prejudicial, não tens de te sentir na defensiva e procurar justificar essa compra, porque não há intenção nenhuma de te apontar o dedo como má influência parental. Eu desejo que se nutram mentes críticas e que o assunto seja apreciado criticamente por todos, avós, pais, tios, toda a sociedade, sem que ninguém se tenha de sentir na defensiva. E depois eu é que estou a ser paternalista... :roll: Mas felizmente cá estás tu, as capazes e outros iluminados (e iluminadas) para me colocar no caminho correto em relação à educação dos meus próprios filhos... E não, não comprei os livros. Nem sabia da sua existência antes desta polémica. Também eu me senti escandalizado quando só se discutiam os clickbites como aquele que aparece no título deste tópico. Depois a Porto Editora veio desmontar a trama e, aí sim, comecei a perceber a lógica da polémica. Compartilhar este post Link para o post
bmfpcdm Publicado 29 Agosto 2017 E depois eu é que estou a ser paternalista... :roll: Mas felizmente cá estás tu, as capazes e outros iluminados (e iluminadas) para me colocar no caminho correto em relação à educação dos meus próprios filhos... E não, não comprei os livros. Nem sabia da sua existência antes desta polémica. Também eu me senti escandalizado quando só se discutiam os clickbites como aquele que aparece no título deste tópico. Depois a Porto Editora veio desmontar a trama e, aí sim, comecei a perceber a lógica da polémica. A não ser que os pais folheiem estes livros, analisando página a página, como é que se vão aperceber dos estereótipos? Se a filha escolhe o livro e os pais compram sem pensar duas vezes, como é que poderiam estar conscientes de possíveis estereótipos de género? Uma pessoa acaba por confiar que em pleno século XXI os livros vão ser consistentes com os valores da sociedade em que vivemos. Juro que nunca tive intenção de incriminar ou colocar o ónus do problema nas figuras parentais. Eu só desejo que os valores da sociedade se reflitam neste tipo de material. Compartilhar este post Link para o post
Descartes Publicado 29 Agosto 2017 A não ser que os pais folheiem estes livros, analisando página a página, como é que se vão aperceber dos estereótipos? Se a filha escolhe o livro e os pais compram sem pensar duas vezes, como é que poderiam estar conscientes de possíveis estereótipos de género? Uma pessoa acaba por confiar que em pleno século XXI os livros vão ser consistentes com os valores da sociedade em que vivemos. Juro que nunca tive intenção de incriminar ou colocar o ónus do problema nas figuras parentais. Eu só desejo que os valores da sociedade se reflitam neste tipo de material. Tu não tens filhos, pois não? É que essa frase é de tal forma disparatada que não posso acreditar no que acabei de ler... Já agora ficas com uma informação que te poderá surpreender: os pais não são porta-moedas. Nem livros de cheques. Estranho, não é? Compartilhar este post Link para o post
bmfpcdm Publicado 29 Agosto 2017 (editado) Queres-me convencer que todos os pais que compraram os livros, pegaram nas duas versões e compararam página a página, em busca de estereótipos de género? Por favor... Editado 29 Agosto 2017 por bmfpcdm Compartilhar este post Link para o post
Descartes Publicado 29 Agosto 2017 Queres-me convencer que todos os pais que compraram os livros, pegaram nas duas versões e compararam página a página, em busca de estereótipos de género? Por favor... Foi exatamente isso que fizeram. Da mesma forma que quando compram as papas da cerelac as provam até ao fim para garantir que estão próprias para consumo. E na compra das fraldas ainda é mais giro. Com papás e mamãs a fazer xixi em cada uma para verificar que não têm defeito. Desculpa responder com sarcasmo mas não consigo fazê-lo de outra forma neste momento... :o Compartilhar este post Link para o post
bmfpcdm Publicado 29 Agosto 2017 Foi exatamente isso que fizeram. Da mesma forma que quando compram as papas da cerelac as provam até ao fim para garantir que estão próprias para consumo. E na compra das fraldas ainda é mais giro. Com papás e mamãs a fazer xixi em cada uma para verificar que não têm defeito. Desculpa responder com sarcasmo mas não consigo fazê-lo de outra forma neste momento... :o O estereótipo de género só é identificado quando se comparam as duas versões. Ao encontrar-se a ilustração de uma menina num contexto de culinária por si só não tem mal nenhum, é quando ao abrir-se o livro dos rapazes e esse contexto de culinária estar completamente ausente que o estereótipo de género surge. Compartilhar este post Link para o post
Descartes Publicado 29 Agosto 2017 (editado) O estereótipo de género só é identificado quando se comparam as duas versões. Ao encontrar-se a ilustração de uma menina num contexto de culinária por si só não tem mal nenhum, é quando ao abrir-se o livro dos rapazes e esse contexto de culinária estar completamente ausente que o estereótipo de género surge. :ideia: E de repente fez-se luz!!!! Portanto, se a menina não for confrontada com a versão dos meninos não há perversão relacionada com o género. E vice-versa. E se a menina (ou o menino) colocar questões que tenham a ver com a diferenciação dos géneros (e não tenhas dúvida nenhuma que questionam, e questionam bastante como é próprio dessas idades) cá estarão os pais para os esclarecer. E é aí que estão todos os riscos. Se os pais, na sua função de educadores, alimentarem os estereótipos estão a prestar um mau serviço aos seus filhos. O eventual problema não reside nos livros. Reside no que se faz com eles. Daí ser estúpido e perigoso recomendar que se retirem do mercado ou sugerir que se alterem os conteúdos. Isso sim é que pode contribuir para a desresponsabilização dos pais. Editado 29 Agosto 2017 por Descartes Compartilhar este post Link para o post
bmfpcdm Publicado 29 Agosto 2017 (editado) :ideia: E de repente fez-se luz!!!! Portanto, se a menina não for confrontada com a versão dos meninos não há perversão relacionada com o género. E vice-versa. E se a menina ou o menino colocar questões que tenham a ver com a diferenciação dos géneros (e não tenhas dúvida nenhum que questionam, e questionam bastante como é próprio dessas idades) cá estarão os pais para os esclarecer. E é aí que estão todos os riscos. Se os pais, na sua função de educadores, alimentarem os estereótipos estão a prestar um mau serviço aos seus filhos. O eventual problema não reside nos livros. Reside no que se faz com eles. Daí ser estúpido e perigoso recomendar que se retirem do mercado ou sugerir que se alterem os conteúdos. Isso sim é que pode contribuir para a desresponsabilização dos pais. Discordo, pois os livros de forma independente reforçam estereótipos, realçando, por exemplo, o contexto doméstico para as raparigas, contexto esse completamente ausente no dos rapazes; ou seja, as raparigas são encorajadas para essas tarefas, enquanto os rapazes não. É ótimo que eles perguntem e espera-se que os pais os elucidem, mas continua a ser contraproducente e contraditória a existência deste tipo de material. Daí eu considerar que o ideal seria não fazermos este tipo de diferenciação nestes materiais, pois assim deixam de existir contradições. P.S.: Contradições que nem sempre são fáceis de identificar. Editado 29 Agosto 2017 por bmfpcdm Compartilhar este post Link para o post
Descartes Publicado 29 Agosto 2017 (editado) Vê lá se te concentras... os livros de forma independente reforçam estereótipos O estereótipo de género só é identificado quando se comparam as duas versões. Ao encontrar-se a ilustração de uma menina num contexto de culinária por si só não tem mal nenhum, é quando ao abrir-se o livro dos rapazes e esse contexto de culinária estar completamente ausente que o estereótipo de género surge. Afinal em que é que ficamos? :confuso: continua a ser contraproducente e contraditória a existência deste tipo de material. Daí eu considerar que o ideal seria não fazermos este tipo de diferenciação nestes materiais, pois assim deixam de existir contradições. Com vista a "impedir preventivamente a perversão da opinião pública na sua função de força social e salvaguardar a integridade moral dos cidadãos". Percebido! :fixe: P.S.: Contradições que nem sempre são fáceis de identificar. A não ser pelas mentes iluminadas das capazes. Ok. Já o mesmo não posso dizer das tuas contradições nestes últimos 2 posts. Qualquer garoto que saiba ler as identificaria facilmente. Editado 29 Agosto 2017 por Descartes Compartilhar este post Link para o post
bmfpcdm Publicado 29 Agosto 2017 Vê lá se te concentras... Afinal em que é que ficamos? :confuso: O estereótipo de género só é identificado quando se comparam os dois livros. Isso não contradiz que se uma rapariga é exposta ao seu respetivo livro, está a ser exposta a ilustrações que associam o seu género à culinária; enquanto o rapaz não vê o seu género associado à culinária, mas sim a outras atividades convencionalmente associadas ao seu género. O estereótipo de género está presente nos livros e tem efeito de forma independente (a rapariga é encorajada pelo livro a tarefas culinárias, o rapaz já não), mas só é identificado quando os livros são comparados. Compartilhar este post Link para o post
bmfpcdm Publicado 29 Agosto 2017 (editado) Vou dar um exemplo mais claro. Imaginemos estes dois livros, um para meninos e o outro para meninas, onde alguns exercícios revolvem à volta de medicina. Num os meninos são ilustrados como médicos, no outro as meninas são ilustradas como enfermeiras. O estereótipo está criado, mas se eu só abrir o livro dos rapazes, não vou identificar o estereótipo, só o identifico ao abrir o das meninas e deparar-me com o facto de as ilustrações serem de enfermeiras em vez de médicas. Não deixa de ser verdade que as meninas estariam a ser expostas a imagens de enfermeiras, encorajadas portanto a esse papel, enquanto os rapazes seriam encorajados ao papel de médico. Editado 29 Agosto 2017 por bmfpcdm Compartilhar este post Link para o post
Su1 Publicado 29 Agosto 2017 isto lembra-me aquela história da dominos, em q um gajo comprou uma pizza e postou no twitter q não tinha toppings, era só pão. teve bué retweets e tal, a dominos respondeu a pedir desculpa e no final o gajo diz q abriu a caixa da pizza ao contrário. f*da-se :lol: Compartilhar este post Link para o post
Descartes Publicado 29 Agosto 2017 O estereótipo de género só é identificado quando se comparam os dois livros. Isso não contradiz que se uma rapariga é exposta ao seu respetivo livro, está a ser exposta a ilustrações que associam o seu género à culinária; enquanto o rapaz não vê o seu género associado à culinária, mas sim a outras atividades convencionalmente associadas ao seu género. O estereótipo de género está presente nos livros e tem efeito de forma independente (a rapariga é encorajada pelo livro a tarefas culinárias, o rapaz já não), mas só é identificado quando os livros são comparados. Será que uma árvore que cai no meio da floresta produz som? Vou dar um exemplo mais claro. Imaginemos estes dois livros, um para meninos e o outro para meninas, onde alguns exercícios revolvem à volta de medicina. Num os meninos são ilustrados como médicos, no outro as meninas são ilustradas como enfermeiras. O estereótipo está criado, mas se eu só abrir o livro dos rapazes, não vou identificar o estereótipo, só o identifico ao abrir o das meninas e deparar-me com o facto de as ilustrações serem de enfermeiras em vez de médicas. Não deixa de ser verdade que as meninas estariam a ser expostas a imagens de enfermeiras, encorajadas portanto a esse papel, enquanto os rapazes seriam encorajados ao papel de médico. Sim, agora ficou muito mais claro. Que tu menosprezas a profissão de enfermeiro quando a comparas com a de médico. Tal como nesta discussão se desvalorizaram as tarefas domésticas. Ou que as princesas surgiram como menos apelativas do que os piratas. A própria presidente da CIG embarcou nessa viagem. Como eu venho a defender desde o início da minha intervenção aqui mais valia que os defensores da igualdade de género se empenhassem em destruir o preconceito existente para com as tarefas, atividades, funções e profissões mais frequentemente desempenhadas por mulheres. Aí é que está o verdadeiro malefício dos estereótipos. Compartilhar este post Link para o post
bmfpcdm Publicado 29 Agosto 2017 (editado) Será que uma árvore que cai no meio da floresta produz som? Sim, agora ficou muito mais claro. Que tu menosprezas a profissão de enfermeiro quando a comparas com a de médico. Tal como nesta discussão se desvalorizaram as tarefas domésticas. Ou que as princesas surgiram como menos apelativas do que os piratas. A própria presidente da CIG embarcou nessa viagem. Como eu venho a defender desde o início da minha intervenção aqui mais valia que os defensores da igualdade de género se empenhassem em destruir o preconceito existente para com as tarefas, atividades, funções e profissões mais frequentemente desempenhadas por mulheres. Aí é que está o verdadeiro malefício dos estereótipos. Como é que chegaste a essa conclusão? Eu considero que homens e mulheres devam encarar, como eu próprio encaro, estes papéis sociais como dignos de ambos os sexos. O estereótipo de que a enfermagem é coisa de mulheres existe, e enfermeiros por vezes podem ser alvos de discriminação por exercerem uma função tida como de mulher. Eu oponho-me a isto. O estereótipo de tarefas domésticas serem associadas a mulheres existe, e eu oponho-me, desejando que nestes livros se contribua para aproximar os rapazes desse contexto doméstico, em vez de serem expostos a ilustrações de várias atividades, com a exceção de tarefas domésticas; enquanto as meninas são expostas a essas tarefas. Juro que não estou a perceber esta tua embirração e tentativa de me denegrir. Muito injusto. Editado 29 Agosto 2017 por bmfpcdm Compartilhar este post Link para o post
Descartes Publicado 29 Agosto 2017 Como é que chegaste a essa conclusão? Eu considero que homens e mulheres devam encarar, como eu próprio encaro, estes papéis sociais como dignos de ambos os sexos. O estereótipo de que a enfermagem é coisa de mulheres existe, e enfermeiros por vezes podem ser alvos de discriminação por exercerem uma função tida como de mulher. Eu oponho-me a isto. O estereótipo de tarefas domésticas serem associadas a mulheres existe, e eu oponho-me, desejando que nestes livros se contribua para aproximar os rapazes desse contexto doméstico, em vez de serem expostos a ilustrações de várias atividades, com a exceção de tarefas domésticas; enquanto as meninas são expostas a essas tarefas. Juro que não estou a perceber esta tua embirração e tentativa de me denegrir. Muito injusto. Sim, concordo que fui abusivo e, concedo, injusto. Não é para me desculpar mas isso aconteceu porque eu não consigo mesmo ver esses efeitos nocivos na representação de figuras femininas e masculinas diferenciadas em cadernos de exercícios para crianças. Daí estar constantemente à procura de alguma lógica no tipo de argumentação que estavas a desenvolver. Uma lógica que se encaixe no meu quadro mental. Torna-se difícil perceber que problema poderá haver com a representação de um homem médico e uma mulher enfermeira que não passe pela valorização de uma profissão relativamente à outra. Se são equivalentes que malefício haverá nisso? Juro que é coisa que não consigo compreender... Compartilhar este post Link para o post
Cabeça de giz Publicado 29 Agosto 2017 Um bom resumo do que escrevi em 8 das 11 páginas deste tópico: “uma discussão idiota, própria da silly season”, defende Mário Cordeiro, médico pediatra. “Há coisas bastante mais importantes que uns cadernos de exercícios para entreter nas férias” http://expresso.sapo.pt/sociedade/2017-08-25-O-Boletim-de-Saude-Infantil-e-Juvenil-sempre-foi-cor-de-rosa-para-as-meninas-e-azul-para-os-meninos-e-nunca-ninguem-reclamou E continuamos à espera da discussão sobre as coisas mais importantes. Eu vou esperar sentado, tenho a mania que adivinho o futuro. Compartilhar este post Link para o post
bmfpcdm Publicado 29 Agosto 2017 Sim, concordo que fui abusivo e, concedo, injusto. Não é para me desculpar mas isso aconteceu porque eu não consigo mesmo ver esses efeitos nocivos na representação de figuras femininas e masculinas diferenciadas em cadernos de exercícios para crianças. Daí estar constantemente à procura de alguma lógica no tipo de argumentação que estavas a desenvolver. Uma lógica que se encaixe no meu quadro mental. Torna-se difícil perceber que problema poderá haver com a representação de um homem médico e uma mulher enfermeira que não passe pela valorização de uma profissão relativamente à outra. Se são equivalentes que malefício haverá nisso? Juro que é coisa que não consigo compreender... Sem problemas. O malefício está na falsa ideia de que uma profissão/tarefa é exclusiva a mulheres e a outra a homens. Só isso. Estes livros não se desmarcam dessas falsas convenções, limitam-se a reforçar essas ideias erróneas. Sem esta diferenciação de género patente, isto evitava-se e era benéfico para todos. Por exemplo, unir os livros, capa com rapaz e rapariga, um sol, uma nuvem cinzenta, um arco-íris, etc. Ilustrações inclusivas, com rapazes e raparigas a partilharem as mais diversas atividades em harmonia, seja culinária, bailado, futebol, leitura, brincar aos príncipes e princesas, etc. Compartilhar este post Link para o post
Descartes Publicado 30 Agosto 2017 (editado) Sem problemas. O malefício está na falsa ideia de que uma profissão/tarefa é exclusiva a mulheres e a outra a homens. Só isso. Estes livros não se desmarcam dessas falsas convenções, limitam-se a reforçar essas ideias erróneas. Sem esta diferenciação de género patente, isto evitava-se e era benéfico para todos. Por exemplo, unir os livros, capa com rapaz e rapariga, um sol, uma nuvem cinzenta, um arco-íris, etc. Ilustrações inclusivas, com rapazes e raparigas a partilharem as mais diversas atividades em harmonia, seja culinária, bailado, futebol, leitura, brincar aos príncipes e princesas, etc. Pois. Não consigo compreender. Começo a temer que se esteja a procurar substituir uns estereótipos por outros. Que se pretenda, à força e de forma intolerante, impor uma visão em que todas as tarefas, atividades, funções e profissões sejam obrigatoriamente associadas aos dois géneros (talvez para incluir toda a panóplia de identificações de género de que cada vez mais se fala) correndo-se o risco de transferir o estigma para a (ainda) maioria de pessoas que prefere e aprecia desempenhar tarefas tradicionalmente associadas ao seu género e para os pais que (ainda) tentam educar os seus filhos. Receio o tempo em que a menina não pode gostar mais de cor de rosa porque não terá livros, brinquedos ou roupas disponíveis no mercado com essa cor; em que o menino não pode brincar aos piratas com uma "espada" ou trepar a uma árvore se não estiver acompanhado por uma menina a fazer a mesma atividade sob pena de ser insultado (acompanhado pelos seus pais e/ou educadores) por estar a contribuir para a segregação de género. Acho que o combate à intolerância e discriminação não passa por aí. Editado 30 Agosto 2017 por Descartes Compartilhar este post Link para o post
bmfpcdm Publicado 30 Agosto 2017 Pois. Não consigo compreender. Começo a temer que se esteja a procurar substituir uns estereótipos por outros. Que se pretenda, à força e de forma intolerante, impor uma visão em que todas as tarefas, atividades, funções e profissões sejam obrigatoriamente associadas aos dois géneros (talvez para incluir toda a panóplia de identificações de género de que cada vez mais se fala) correndo-se o risco de transferir o estigma para a (ainda) maioria de pessoas que prefere e aprecia desempenhar tarefas tradicionalmente associadas ao seu género e para os pais que (ainda) tentam educar os seus filhos. Receio o tempo em que a menina não pode gostar mais de cor de rosa porque não terá livros, brinquedos ou roupas disponíveis no mercado com essa cor; em que o menino não pode brincar aos piratas com uma "espada" ou trepar a uma árvore se não estiver acompanhado por uma menina a fazer a mesma atividade sob pena de ser insultado (acompanhado pelos seus pais e/ou educadores) por estar a contribuir para a segregação de género. Acho que o combate à intolerância e discriminação não passa por aí. Ninguém quer impor nada a ninguém. É uma questão de que tipo de mensagens e imagens é preferível transmitir às crianças num contexto didático. Exclusividade vs. Inclusividade. Só isso. Algo que até contribuiria para diminuir o tal estigma das "Marias-Rapazes" e dos "Mariquinhas" que tu mencionaste. Considero esse teu receio extremamente infundado e desproporcional. Compartilhar este post Link para o post
Descartes Publicado 30 Agosto 2017 Ninguém quer impor nada a ninguém. É uma questão de que tipo de mensagens e imagens é preferível transmitir às crianças num contexto didático. Exclusividade vs. Inclusividade. Só isso. Algo que até contribuiria para diminuir o tal estigma das "Marias-Rapazes" e dos "Mariquinhas" que tu mencionaste. Considero esse teu receio extremamente infundado e desproporcional. Claro que querem. Ao proporem a retirada de livros do mercado estão a impor. Estão a impor as mensagens e imagens que consideram preferíveis transmitir às crianças. Sendo que essa preferência não está suportada nas preferências da maioria da população. É a imposição de uma agenda própria de interesses. Exclusividade é retirar livros do mercado cujos conteúdos não acompanham as preferências e a agenda de quem se auto-intitula como capaz para determinar o tipo de valores da Sociedade. Inclusividade seria manter os livros disponíveis no mercado e apoiar a produção de alternativas para que os consumidores, livremente, possam escolher o que mais lhes convém. Sim, esta medida pode contribuir para diminuir o estigma das "Marias-Rapazes" e dos "Mariquinhas". Procurando substituí-los pelos estigmas das "Princesas" e dos "Piratas". Ainda bem que o meu receio é infundado e desproporcional. Sendo assim posso ficar descansado porque não irei assistir a medidas imbecis e anacrónicas como, por exemplo, incentivar a abolição de livros ou o controlo à produção de conteúdos. Espera... isso está neste momento a acontecer... Oh diabo!... :medinho: Compartilhar este post Link para o post
bmfpcdm Publicado 30 Agosto 2017 Todo este pânico por causa de uma mera recomendação e proposta de colaboração para melhorar um produto... Tu próprio admitiste que recomendarias retirar do título os termos rapazes/meninas, o que seguindo a tua lógica também seria uma imposição, pois para isso ser alcançado, ter-se-ia de imprimir novas versões para se substituir estas. Compartilhar este post Link para o post
Descartes Publicado 30 Agosto 2017 Todo este pânico por causa de uma mera recomendação e proposta de colaboração para melhorar um produto... Tu próprio admitiste que recomendarias retirar do título os termos rapazes/meninas, o que seguindo a tua lógica também seria uma imposição, pois para isso ser alcançado, ter-se-ia de imprimir novas versões para se substituir estas. "Recomendação" é eufemismo. Porque a CIG não é um organismo independente e esta "recomendação", conforme se esclarece logo no 1º parágrafo da dita (ou do comunicado posterior da CIG, nem sei bem), surge por orientação do Ministro da tutela. "Melhorar o produto" é um conceito subjetivo. Até porque não conhecemos o produto final que decorrerá dessa colaboração para introduzir melhorias. Para ti as eliminações, correções ou alterações podem significar uma melhoria. Para mim pode significar exatamente o inverso. Sim, eu recomendaria que os títulos não fizessem menção a rapazes e meninas. Porque considero que essa menção é a única que transmite exclusividade. E, como é natural, seria aplicável em futuras edições e não com efeitos retroativos. Nunca me passou pela cabeça defender a retirada dos exemplares existentes nas lojas para os substituir por outros. Compartilhar este post Link para o post
bmfpcdm Publicado 30 Agosto 2017 "Recomendação" é eufemismo. Porque a CIG não é um organismo independente e esta "recomendação", conforme se esclarece logo no 1º parágrafo da dita (ou do comunicado posterior da CIG, nem sei bem), surge por orientação do Ministro da tutela. "Melhorar o produto" é um conceito subjetivo. Até porque não conhecemos o produto final que decorrerá dessa colaboração para introduzir melhorias. Para ti as eliminações, correções ou alterações podem significar uma melhoria. Para mim pode significar exatamente o inverso. Sim, eu recomendaria que os títulos não fizessem menção a rapazes e meninas. Porque considero que essa menção é a única que transmite exclusividade. E, como é natural, seria aplicável em futuras edições e não com efeitos retroativos. Nunca me passou pela cabeça defender a retirada dos exemplares existentes nas lojas para os substituir por outros. Claro... As autoras e ilustradoras vão colaborar com a CIG com o intuito de melhorar o produto, um produto que tu consideras ser insignificante na educação das crianças, mas por alguma razão prevês que o vão piorar. Desculpa, mas isso não tem lógica nenhuma. Compartilhar este post Link para o post