Ir para conteúdo
Entre para seguir isso  
PeteThaAlcino

Livro de exercícios da Porto Editora sugere que meninas são mais limitadas

Publicações recomendadas

Epá, pera aí. Se estão a falar nos exercícios diferentes eu até entendo as preocupações.

 

Mas vocês estão mesmo a defender que não se deve associar o cor de rosa e as princesas com meninas? a sério? Acham mesmo que isso é prejudicial?

 

Oh dear...

 

Quanto ao resto, tenho a ideia que és de um meio mais pequeno e rural, aí é que seria ainda mais problemático :mrgreen:

:mrgreen:

Compartilhar este post


Link para o post

Epá, pera aí. Se estão a falar nos exercícios diferentes eu até entendo as preocupações.

 

Mas vocês estão mesmo a defender que não se deve associar o cor de rosa e as princesas com meninas? a sério? Acham mesmo que isso é prejudicial?

 

Oh dear...

 

 

:mrgreen:

Sim, eu acho. A conivência com estereótipos em contextos onde se procura estimular o cérebro e abstrair o pensamento de uma criança é, no mínimo, contraditório, podendo até mesmo ser considerado subliminal, daí ter o potencial de ser prejudicial, pois num contexto de estímulo intelectual a criança deveria estar liberta de qualquer estereótipo ou convenção social, para que mais facilmente se desenvolva uma mente aberta. O maior benefício da ausência desses estereótipos em contextos de aprendizagem é também a criação de um ambiente neutro em termos de género, nunca se correndo o risco de alienar as crianças que fogem às convenções sociais. Estas últimas crianças são desde cedo expostas a um tipo de (o)pressão social, portanto seria ideal que neste contexto pudessem encontrar um refúgio, onde não têm de levar com uma cor específica estampada na ilustração de uma rapariga ou de um rapaz, criando-se assim à volta de contextos de aprendizagem um ambiente amigável e recetivo, independentemente do caráter da criança.

 

Pouco importa se o livro é opcional, pois está no mercado, direta ou indiretamente há crianças que vão ser expostas a este tipo de arcaísmo que já há muito tempo nos devíamos ter libertado.

Compartilhar este post


Link para o post

Isto continua como esperado :biggrin:

 

Curiosamente na idade média o rosa era mais associado aos homens o azul ás mulheres, o rosa como cor relacionada com o vermelho era considerada cor de príncipes (o vermelho era uma cor "real").

 

Não é por acaso nem por imposição cultural que os rapazes e as raparigas brincam a coisas diferentes e de formas diferentes. Isto acontece logo muito cedo porque, chocante, somos diferentes, o efeito da testosterona no feto cria alterações no cérebro. Mesmo antes de nascer já pensamos de forma diferente.

Óbvio que a cultura também depois molda mas existem diferenças inatas.

 

Eu quando era pequeno também brincava com as barbies da minha irmã, fazíamos era o mesmo de maneira bem diferente.

Enquanto ela criava enredos dignos de Game of Thrones com intrigas e romances eu usava as barbies como ração para dinossauro e como lombas para os meus veículos com rodas.

 

Já agora ouvi o rumor que em páginas diferentes destes livros os exercícios das raparigas eram mais difíceis.

Isto é verdade?

 

Também não se está a falar de outras coisas que podem ter influência nesta discussão (não tenho a certeza).

Os homens em geral têm maior capacidade de interpretação visual 3D dos objectos (é por isso que em geral por exemplo têm melhor orientação e têm mais facilidade na condução), este tipo de exercícios enquadram-se nisso?

Para além disso, os homens amadurecem estas capacidades mais depressa do que as raparigas na gama de idade destes livros? Também pode haver diferença aqui.

Compartilhar este post


Link para o post

Sim, eu acho. A conivência com estereótipos em contextos onde se procura estimular o cérebro e abstrair o pensamento de uma criança é, no mínimo, contraditório, podendo até mesmo ser considerado subliminal, daí ter o potencial de ser prejudicial, pois num contexto de estímulo intelectual a criança deveria estar liberta de qualquer estereótipo ou convenção social, para que mais facilmente se desenvolva uma mente aberta. O maior benefício da ausência desses estereótipos em contextos de aprendizagem é também a criação de um ambiente neutro em termos de género, nunca se correndo o risco de alienar as crianças que fogem às convenções sociais. Estas últimas crianças são desde cedo expostas a um tipo de (o)pressão social, portanto seria ideal que neste contexto pudessem encontrar um refúgio, onde não têm de levar com uma cor específica estampada na ilustração de uma rapariga ou de um rapaz, criando-se assim à volta de contextos de aprendizagem um ambiente amigável e recetivo, independentemente do caráter da criança.

 

Pouco importa se o livro é opcional, pois está no mercado, direta ou indiretamente há crianças que vão ser expostas a este tipo de arcaísmo que já há muito tempo nos devíamos ter libertado.

 

Existem estudos que confirmem essa teoria? É que dizer que as coisas são prejudiciais só porque não concordamos com elas pode ter ramificações noutro tipo de pensamentos, digamos mais intolerantes...

Compartilhar este post


Link para o post

Existem estudos que confirmem essa teoria? É que dizer que as coisas são prejudiciais só porque não concordamos com elas pode ter ramificações noutro tipo de pensamentos, digamos mais intolerantes...

 

Sobre essa teoria não sei mas o que é certo é que investigadores da Universidade de Londres chegaram à conclusão que os meninos e as meninas preferem e escolhem, de forma independente, brinquedos estereotipados ao seu género desde tenra idade.

 

https://www.sciencedaily.com/releases/2016/07/160715114739.htm

Editado por Carmelo Anthony

Compartilhar este post


Link para o post

Existem estudos que confirmem essa teoria?

Não sei.

 

É que dizer que as coisas são prejudiciais só porque não concordamos com elas pode ter ramificações noutro tipo de pensamentos, digamos mais intolerantes...

Eu expus o meu raciocínio, que me parece ser um raciocínio perfeitamente lógico e que em nada constitui um pensamento intolerante, antes pelo contrário, pois estou a defender que ideias/estereótipos, esses sim potencialmente intolerantes, não sejam estampados naquele contexto específico (nunca discuti brinquedos, como por exemplo Barbies, que no meu entender não fazem parte desta discussão). Se os meus argumentos não te convencem é outra conversa, mas considero injusto que se afirme que eu estou a dizer que isto é prejudicial só porque não concordo; como se eu não tivesse apresentado mais do que um argumento para justificar de que maneiras isto pode ser prejudicial no desenvolvimento pessoal e intelectual das crianças.

Editado por bmfpcdm

Compartilhar este post


Link para o post

Sobre essa teoria não sei mas o que é certo é que investigadores da Universidade de Londres chegaram à conclusão que os meninos e as meninas preferem e escolhem, de forma independente, brinquedos estereotipados ao seu género desde tenra idade.

 

https://www.sciencedaily.com/releases/2016/07/160715114739.htm

 

Quem diria...mrgreen:

 

Eu expus o meu raciocínio, que me parece ser um raciocínio perfeitamente lógico e que em nada constitui um pensamento intolerante, antes pelo contrário, pois estou a defender que ideias/estereótipos, esses sim potencialmente intolerantes, não sejam estampados naquele contexto específico (nunca discuti brinquedos, como por exemplo Barbies, que no meu entender não fazem parte desta discussão). Se os meus argumentos não te convencem é outra conversa, mas considero injusto que se afirme que eu estou a dizer que isto é prejudicial só porque não concordo; como se eu não tivesse apresentado mais do que um argumento para justificar de que maneiras isto pode ser prejudicial no desenvolvimento pessoal e intelectual das crianças.

 

É intolerante a partir do momento em que a única opção parece ser a censura destes livros. Como se não partisse da responsabilidade dos próprios pais averiguar se os filhos correspondem àquela convenção social ou não. Quando provavelmente estaremos a falar de minorias que não se identificam com aquilo que vêem nos livros.

 

A não ser que forneças um estudo que conclua que isso possa ser prejudicial no desenvolvimento da criança, isso não passa de uma opinião só tua. E como tal não concordo.

Compartilhar este post


Link para o post

Quem diria...mrgreen:

 

 

 

É intolerante a partir do momento em que a única opção parece ser a censura destes livros. Como se não partisse da responsabilidade dos próprios pais averiguar se os filhos correspondem àquela convenção social ou não. Quando provavelmente estaremos a falar de minorias que não se identificam com aquilo que vêem nos livros.

 

A não ser que forneças um estudo que conclua que isso possa ser prejudicial no desenvolvimento da criança, isso não passa de uma opinião só tua. E como tal não concordo.

Qual censura? Quanto muito estamos a falar da retificação de um erro, de um lapso de julgamento, no que concerne este tipo de material, onde esta diferenciação não se justifica, pois não traz benefícios, só traz potenciais prejuízos.

 

Eu já expliquei que pouco interessa se a criança adquira o livro, pois encontra-se no mercado e pode direta ou indiretamente tocar a sua consciência.

 

Isto é uma situação tão específica que dificilmente se vai encontrar um estudo. Claro que é a minha opinião, mas julgo tê-la exposto e sustentado o suficiente para que quem não concorde possa ter a oportunidade de apontar possíveis erros no meu raciocínio.

Compartilhar este post


Link para o post

Isto continua como esperado :biggrin:

 

Curiosamente na idade média o rosa era mais associado aos homens o azul ás mulheres, o rosa como cor relacionada com o vermelho era considerada cor de príncipes (o vermelho era uma cor "real").

 

Não é por acaso nem por imposição cultural que os rapazes e as raparigas brincam a coisas diferentes e de formas diferentes. Isto acontece logo muito cedo porque, chocante, somos diferentes, o efeito da testosterona no feto cria alterações no cérebro. Mesmo antes de nascer já pensamos de forma diferente.

Óbvio que a cultura também depois molda mas existem diferenças inatas.

 

Eu quando era pequeno também brincava com as barbies da minha irmã, fazíamos era o mesmo de maneira bem diferente.

Enquanto ela criava enredos dignos de Game of Thrones com intrigas e romances eu usava as barbies como ração para dinossauro e como lombas para os meus veículos com rodas.

 

Já agora ouvi o rumor que em páginas diferentes destes livros os exercícios das raparigas eram mais difíceis.

Isto é verdade?

 

Também não se está a falar de outras coisas que podem ter influência nesta discussão (não tenho a certeza).

Os homens em geral têm maior capacidade de interpretação visual 3D dos objectos (é por isso que em geral por exemplo têm melhor orientação e têm mais facilidade na condução), este tipo de exercícios enquadram-se nisso?

Para além disso, os homens amadurecem estas capacidades mais depressa do que as raparigas na gama de idade destes livros? Também pode haver diferença aqui.

Sim.

Compartilhar este post


Link para o post

A capa não me choca, ter exercícios de grau de dificuldade diferente é que é completamente idiota.

Compartilhar este post


Link para o post

O maior benefício da ausência desses estereótipos em contextos de aprendizagem é também a criação de um ambiente neutro em termos de género, nunca se correndo o risco de alienar as crianças que fogem às convenções sociais.

Para não alienar as "crianças que fogem às convenções sociais" o caminho é que todos os outros sejam criados numa sociedade unisexo? Sem ter por base qualquer estudo que prove que isso tem algum beneficio para essas crianças, e sem avaliar que consequências é que isso pode ter para todas as outras?

 

Se tu achas mesmo que o que estás a escrever tem como base um raciocínio correcto, tenho muitas dúvidas que alguém te consiga mostrar o contrário. São convicções, certas ou erradas, são as tuas.

 

Só me faz confusão que este raciocínio politicamente correto elevado ao expoente máximo esteja a alastrar, e que se caminhe para uma sociedade sem diversidade, onde ninguém pode dizer ou fazer nada que vá contra as convenções. Seres humanos normalizados, a crescer, viver, pensar, f*der e comer de forma standard.

Compartilhar este post


Link para o post

Pelo menos o raciocínio político dele é correcto. Pior seria se fosse errado.

Compartilhar este post


Link para o post

Qual censura? Quanto muito estamos a falar da retificação de um erro, de um lapso de julgamento, no que concerne este tipo de material, onde esta diferenciação não se justifica, pois não traz benefícios, só traz potenciais prejuízos.

 

Eu já expliquei que pouco interessa se a criança adquira o livro, pois encontra-se no mercado e pode direta ou indiretamente tocar a sua consciência.

 

Isto é uma situação tão específica que dificilmente se vai encontrar um estudo. Claro que é a minha opinião, mas julgo tê-la exposto e sustentado o suficiente para que quem não concorde possa ter a oportunidade de apontar possíveis erros no meu raciocínio.

 

A Porto Editora não foi forçada a suspender a venda destes livros? Isso não é censura?

 

Dizes que há um erro, um lapso de julgamento sem qualquer tipo de fundamentação que vá de acordo com essa conclusão. Como disse e bem o Giz, é uma convicção tua. Tu acreditas que estes livros têm um potencial de prejudicar quem os lerá. Eu acredito que não. É isto.

 

Com força de vontade arranjam-se estudos. Não demorou muito até o Carmelo ter fornecido aquele.

Compartilhar este post


Link para o post

Pelo menos o raciocínio político dele é correcto. Pior seria se fosse errado.

Melhor seria se não houvesse tanta gente a meter a política em tudo o que é assunto (não é só aqui). Menos coerência política traria mais bom senso nas discussões de costumes. Talvez criasse menos anti-corpos e abstenção baixasse para níveis menos vergonhosos. E abria espaço para uma sociedade civil que não temos há 140 anos.

Compartilhar este post


Link para o post

Para não alienar as "crianças que fogem às convenções sociais" o caminho é que todos os outros sejam criados numa sociedade unisexo? Sem ter por base qualquer estudo que prove que isso tem algum beneficio para essas crianças, e sem avaliar que consequências é que isso pode ter para todas as outras?

 

Se tu achas mesmo que o que estás a escrever tem como base um raciocínio correcto, tenho muitas dúvidas que alguém te consiga mostrar o contrário. São convicções, certas ou erradas, são as tuas.

 

Só me faz confusão que este raciocínio politicamente correto elevado ao expoente máximo esteja a alastrar, e que se caminhe para uma sociedade sem diversidade, onde ninguém pode dizer ou fazer nada que vá contra as convenções. Seres humanos normalizados, a crescer, viver, pensar, f*der e comer de forma standard.

Mais uma vez repito que eu só estou a discutir sobre este contexto específico (livros de natureza didática), onde o unissexo já é regra (e bem). Não tenho como objetivo eliminar diversidade nenhuma ou de exigir uma sociedade unissexo, não faço ideia como chegaste a essa conclusão, pois eu tenho procurado ser bastante claro neste assunto.

 

A minha ideia passa por este tipo de material (livros que precedem o início da vida escolar das crianças) não criar falsas expectativas a respeito do futuro escolar; tal como para que seja inclusivo, independentemente do caráter da criança que possa ter contacto com o material (seja porque os pais compraram, seja porque um amigo o tenha, etc). A diferenciação de género cria uma exclusividade onde esta não se justifica, para além de reforçar estereótipos num contexto de aprendizagem, algo que eu considero contraproducente, pois trata-se do contexto ideal para oferecer total liberdade intelectual, e onde não há motivo algum para sublinhar aquilo que a sociedade tem como hábito associar a raparigas e a rapazes.

 

A Porto Editora não foi forçada a suspender a venda destes livros? Isso não é censura?

 

Dizes que há um erro, um lapso de julgamento sem qualquer tipo de fundamentação que vá de acordo com essa conclusão. Como disse e bem o Giz, é uma convicção tua. Tu acreditas que estes livros têm um potencial de prejudicar quem os lerá. Eu acredito que não. É isto.

 

Com força de vontade arranjam-se estudos. Não demorou muito até o Carmelo ter fornecido aquele.

De acordo com o comunicado da Porto Editora, esta seguiu uma recomendação, não foi forçada a nada, e tudo se tem processado de forma amigável e com disponibilidade de ambas as partes para corrigir esta matéria. Portanto, não considero que seja censura.

 

Eu penso que fundamentei bem o meu raciocínio, por isso essas palavras entristecem-me um pouco, pois ao rotularem a minha opinião como uma mera convicção, mais parece que tenho andado aqui a discutir uma crença, sem que tenha apresentado um raciocínio claro e sustentado em argumentos lógicos.

 

O estudo que o Carmelo apresentou é a respeito de brinquedos, não é isso que eu tenho estado a discutir.

Editado por bmfpcdm

Compartilhar este post


Link para o post
De acordo com o comunicado da Porto Editora, esta seguiu uma recomendação, não foi forçada a nada, e tudo se tem processado de forma amigável e com disponibilidade de ambas as partes para corrigir esta matéria. Portanto, não considero que seja censura.

 

Eu penso que fundamentei bem o meu raciocínio, por isso essas palavras entristecem-me um pouco, pois ao rotularem a minha opinião como uma mera convicção, mais parece que tenho andado aqui a discutir uma crença, sem que tenha apresentado um raciocínio claro e sustentado em argumentos lógicos.

 

O estudo que o Carmelo apresentou é a respeito de brinquedos, não é isso que eu tenho estado a discutir.

 

Justiça seja feita. O ponto é válido, o raciocínio é lógico e a argumentação é bem fundamentada e faz todo o sentido, para além de que está muito bem explanado. É muito bom ler posições contrárias de pessoas que escrevam bem e expliquem na perfeição os seus pontos de vista. :cool:

 

Mas para que o Estado se meta ao barulho vou precisar de mais. Vou precisar de uma evidência que prove que livros daquele teor ponham em causa o crescimento das crianças e a formação do seu intelecto, lançando as bases para que se molde um individuo pleno de estereótipos. Eu e muitos outros não acreditamos que os livros da Porto Editora sejam determinantes nesta matéria. E quando assim é, o Estado não tem o direito de se imiscuir na esfera privada. No meu domínio privado, impedindo-me de comprar um livro com ilustrações de carrinhos, nem no domínio de uma empresa que pretende vender um produto perfeitamente legítimo.

 

Porque o que aqui está em causa é, sem meias medidas, uma proibição. O Estado fez uso de um instrumento de soft power. Esta “recomendação” não é mais que a utilização de um meio não coercivo na tentativa de levar a Porto Editora a adoptar uma postura que em outras circustâncias não adoptaria. Para se ter uma ideia, o Estado é um dos maiores clientes da Porto Editora, se não o maior, tudo isto à conta de um negócio de livros escolares num valor de 40 milhões de euros. Só assim se justifica que, 2 horas após a “recomendação” da CIG, a Porto Editora tenha metido o rabinho entre as pernas procedendo à retirada imediata dos malditos livros.

 

Isto é grave. As tuas inquietações com o processo de crescimento das crianças são legítimas, coisa que creio não esteve na preocupação de quem denunciou a situação nas redes sociais. Relembro que na base da denuncia estava a uma acusação de sexismo, pois os exercícios do livro das raparigas eram, aparentemente, mais fáceis que o dos meninos, o que levou ao insurgimento e insinuação de que as meninas não eram tão desenvolvidas quanto os meninos. Mais tarde, viemos a saber que os exercícios correspondiam a diferentes níveis de aprendizagem e que, no total dos 62 exercícios de cada livro, apenas 6 eram mais fáceis num caso, e 3 no outro. Perante tal, quem de direito foi peremptório na sua decisão de “recomendar” a retirada dos livros”. Quantos mais casos receberão este tratamento célere? Pior, que nova neura levará à histeria de um qualquer grupo de influência que terá como desfecho o mesmo tratamento?

 

Falei nos brinquedos porque lembrei-me que a Inês Pedrosa queria acabar com as secções de brinquedos para meninas e meninos nas cadeias de hipermercados.

Editado por Carmelo Anthony

Compartilhar este post


Link para o post

Sobre essa teoria não sei mas o que é certo é que investigadores da Universidade de Londres chegaram à conclusão que os meninos e as meninas preferem e escolhem, de forma independente, brinquedos estereotipados ao seu género desde tenra idade.

 

https://www.sciencedaily.com/releases/2016/07/160715114739.htm

 

Não invalida a argumentação do bmfp.

 

Uma coisa é deixar o instinto natural seguir o seu curso, outra é tentar o seu condicionamento.

Compartilhar este post


Link para o post

Uma coisa é deixar o instinto natural seguir o seu curso, outra é tentar o seu condicionamento.

O condicionamento está em inúmeras coisas que mereciam mais acção. Uma delas que já falei atrás é explicar num shopping a uma menina de 4 anos porque é que são as mães a levar as crianças ao xixi. Acredita que tem mil vezes mais impacto e gera muito mais perguntas que um livro ter princesas.

Compartilhar este post


Link para o post

Justiça seja feita. O ponto é válido, o raciocínio é lógico e a argumentação é bem fundamentada e faz todo o sentido, para além de que está muito bem explanado. É muito bom ler posições contrárias de pessoas que escrevam bem e expliquem na perfeição os seus pontos de vista. :cool:

 

Mas para que o Estado se meta ao barulho vou precisar de mais. Vou precisar de uma evidência que prove que livros daquele teor ponham em causa o crescimento das crianças e a formação do seu intelecto, lançando as bases para que se molde um individuo pleno de estereótipos. Eu e muitos outros não acreditamos que os livros da Porto Editora sejam determinantes nesta matéria. E quando assim é, o Estado não tem o direito de se imiscuir na esfera privada. No meu domínio privado, impedindo-me de comprar um livro com ilustrações de carrinhos, nem no domínio de uma empresa que pretende vender um produto perfeitamente legítimo.

 

Porque o que aqui está em causa é, sem meias medidas, uma proibição. O Estado fez uso de um instrumento de soft power. Esta “recomendação” não é mais que a utilização de um meio não coercivo na tentativa de levar a Porto Editora a adoptar uma postura que em outras circustâncias não adoptaria. Para se ter uma ideia, o Estado é um dos maiores clientes da Porto Editora, se não o maior, tudo isto à conta de um negócio de livros escolares num valor de 40 milhões de euros. Só assim se justifica que, 2 horas após a “recomendação” da CIG, a Porto Editora tenha metido o rabinho entre as pernas procedendo à retirada imediata dos malditos livros.

 

Isto é grave. As tuas inquietações com o processo de crescimento das crianças são legítimas, coisa que creio não esteve na preocupação de quem denunciou a situação nas redes sociais. Relembro que na base da denuncia estava a uma acusação de sexismo, pois os exercícios do livro das raparigas eram, aparentemente, mais fáceis que o dos meninos, o que levou ao insurgimento e insinuação de que as meninas não eram tão desenvolvidas quanto os meninos. Mais tarde, viemos a saber que os exercícios correspondiam a diferentes níveis de aprendizagem e que, no total dos 62 exercícios de cada livro, apenas 6 eram mais fáceis num caso, e 3 no outro. Perante tal, quem de direito foi peremptório na sua decisão de “recomendar” a retirada dos livros”. Quantos mais casos receberão este tratamento célere? Pior, que nova neura levará à histeria de um qualquer grupo de influência que terá como desfecho o mesmo tratamento?

 

Falei nos brinquedos porque lembrei-me que a Inês Pedrosa queria acabar com as secções de brinquedos para meninas e meninos nas cadeias de hipermercados.

Não considero que seja proibição, parece-me mais um método de prevenção, até porque existem planos para colaborarem com as autoras para analisarem e retificarem os possíveis erros que levaram à recomendação para retirar os livros do mercado. Infelizmente, é provável que esta diferenciação, à qual eu me oponho, continuará a existir; mas nem eu desejo que se crie legislação, ou pressões políticas, no sentido de proibir a distinção de género, eu desejo que as pessoas olhem para este tipo de material com um olhar crítico e com exigência, e que a mudança venha de uma vontade comum de fornecer às crianças material lúdico educativo livre dos tais aspetos potencialmente perniciosos que eu mencionei, porque benefícios desta distinção de géneros: nenhum.

Compartilhar este post


Link para o post

Não percebo duas coisas:

 

Porque raio é que um catraio de 5 anos está impedido de resolver problemas de labirintos cor-de-rosa em que uma princesa procura a sua coroa? Ou, dito de outra forma, porque raio é que uma garota de 5 anos não pode resolver um labirinto azul em que um pirata descobre uma arca de tesouro?

 

Por causa da cor? O verdadeiro estereótipo hoje em dia está em quem vê estereótipos em todo o lado. Os livros estão à venda. Os pais que querem, compram-nos. E são eles que decidem. Não é o que muitos por aqui desejam? Que os pais sejam mais responsáveis pela educação dos seus filhos? Eu prefiro ter disponíveis livros de princesas e livros de aventureiros para comprar do que ter apenas livros com motivos neutros (que nem sei o que possam ser...). O que não desejo, de todo, é que me seja apontado o dedo ao deixar a minha filha ler histórias de princesas e o meu filho ler histórias de aventureiros.

 

 

A segunda coisa que não percebo é porque raio uma miúda com 4, 5 ou 6 anos ficará imediatamente condicionada na sua vida futura, quer na escola quer a nível profissional, se consumir histórias cor de rosa sobre princesas. A minha filha fê-lo e hoje em dia dá 10-0 a qualquer rapaz em matérias tradicionalmente mais associadas ao intelecto masculino como a matemática ou as ciências naturais.

 

Acho que há muita gente com tempo livre a mais e que se dedica a opinar sobre assuntos irrelevantes porque lhes falta capacidade para se pronunciar sobre o que realmente importa e pode fazer a diferença.

Compartilhar este post


Link para o post

Ok. Vou tentar explicar pela última vez, mas desta vez com uma abordagem diferente e mais simples (para não andar aqui a repetir-me). Permitam-me que quebre a afamada regra de não julgar um livro (um bloco neste caso) pela capa.

 

Quando eu falo em livros neutros em termos de género, refiro-me a livros que não chamem a atenção para a distinção de género, como é este o caso, pois vejamos essa distinção feita logo nos títulos: "Bloco de atividades para rapazes"/"Bloco de atividades para meninas". A capa dos rapazes tem os seguintes objetos: escorrega; lápis; galochas; berlinde; dinossauro; caravela; carro; boné; bola de futebol; foguete; a capa das meninas: duas meninas, uma a deliciar-se com um gelado, a outra a praticar balé; pulseiras?; rebuçados; várias estrelas; queques; boneca; peluche; galochas; peixe (wtf); uma coisa no topo superior direito que eu não consigo distinguir (sol?). Eu diria que o dos rapazes é mais atrativo e não me admirava que várias raparigas preferissem que os seus pais comprassem o livro azul, porque tem ilustrações mais cativantes (sem que uma única seja a ilustração de um rapaz), mas o título estraga tudo, "Bloco de atividades [...] para rapazes", e já imagino o pai/mãe a perguntar, "Tens a certeza que não queres o cor-de-rosa?", acabando por aceder à vontade da filha e comprando a versão dos rapazes; que sejamos honestos, a julgar pela capa podia muito bem ser uma versão neutra, não fosse a distinção presente no título (provavelmente só se teria de adicionar ilustrações de raparigas em algumas das atividades, para não ser tudo rapazes).

 

Volto a perguntar: qual é o benefício desta diferenciação? Absolutamente nenhum; é somente embaraçoso.

 

 

EDIT: Em relação ao futuro escolar, a minha preocupação é aquele primeiro ano de transição, pois pode ser complicado e convém gerir bem as expectativas; como sabemos os livros escolares não fazem este tipo de distinção, portanto eu só gostava que existisse alguma consistência neste tipo de material para o bem dessa transição para a vida letiva.

Editado por bmfpcdm

Compartilhar este post


Link para o post
Visitante

Eu prefiro ter disponíveis livros de princesas e livros de aventureiros para comprar do que ter apenas livros com motivos neutros (que nem sei o que possam ser...).

 

Piratas de saia.

Compartilhar este post


Link para o post

Eu diria que um rapaz e uma rapariga lado a lado a praticar balé não faria mal nenhum e até seria benéfico, pois iria contra o estereótipo de ser uma atividade exclusiva a raparigas, assim promovendo inclusividade.

Editado por bmfpcdm

Compartilhar este post


Link para o post

Isso é estratégia comercial da empresa. A única recomendação que me pareceria adequada seria no sentido de eles retirarem a menção explícita "Para Rapazes" e "Para Meninas" na capa de cada um dos livros porque essas pressupõem exclusividade. No resto não há que mexer.

 

É que se começamos assim não demorará muito até haver recomendações para retirar das bancas A Bola e a Maria porque nessas publicações está implícita uma diferenciação de género...

Compartilhar este post


Link para o post

Essas últimas publicações não têm o mesmo caráter daquilo que eu tenho estado a discutir e a defender. Não considero justa essa comparação.

Editado por bmfpcdm

Compartilhar este post


Link para o post

Crie uma conta ou entre para comentar

Você precisa de ser membro desta comunidade para poder comentar

Criar uma conta

Registe-se na nossa comunidade. É fácil!

Criar nova conta

Entrar

Já tem uma conta? Faça o login.

Autentique-se agora
Entre para seguir isso  

  • Todo o Mundial 2026 no CMPT
  • Outros membros neste tópico

    Nenhum utilizador registado está a visualizar esta página.

×
×
  • Criar Novo...