bmfpcdm Publicado 28 Agosto 2017 Não é uma questão de serem influências maléficas. Por favor, parem de tentar criar a ilusão de que há um lado bom e um mau. Não há. Nem a Porto Editora tinha intenção de escravizar as mulheres a uma existência doméstica, nem o governo quer estrangular a liberdade de uma empresa privada. Isto para mim não se trata de uma guerra, é um assunto que na primeira página eu tratei com humor depois de ver a imagem dos labirintos. O Black Hawk levantou a questão dos estereótipos e eu pus-me a pensar, concluindo que, de facto, neste contexto não faz sentido essa distinção. A discussão desenrolou-se pelas páginas seguintes, até se discutiu um estudo e a questão das secções dos brinquedos. Tentei sempre desenvolver e articular o meu raciocínio de forma lúcida, pois considero o assunto digno de discussão e não o vejo como uma guerra onde há um lado mau e outro bom; mas invariavelmente cruzei-me com comentários a insinuar que isto não passa de censura levada a cabo pelas indignações hipócritas das redes sociais, que o "politicamente correto" (esse conceito abstrato que mina este tipo de tópicos) quer tornar a sociedade 100% unissexo, etc. São esse tipo de comentários que me deixam cada vez mais relutante em discutir certos assuntos mais seriamente por aqui, porque sei que com esses conceitos vão desvirtuar discussões que têm o potencial de ser interessantes. Compartilhar este post Link para o post
Cabeça de giz Publicado 28 Agosto 2017 tú estás a tentar discutir o estado da floresta debatendo os prós e os contras de terem arrancado um pinheiro torto. nós estamos a tentar explicar-te que não vem mal ao mundo haver um pinheiro torto, que se deve pensar nas consequências antes de agir, e que há muito mais a fazer que tratar do pinheiro que o sr ministro não gosta. não estamos (pelo menos eu não estou) a desvirtuar a conversa, estamos é a falar de coisas diferentes. de importâncias diferentes. Quando se fala no politicamente correcto, talvez seja porque ironicamente as pessoas que mais lhe dão valor estão cada vez menos tolerantes a qualquer ideia diferente da sua. Porque a liberdade de pensamento e opinião só tem valor se for pelos valores da moda. E quem não tem o cérebro formatado a este novo standard sente que o estão a forçar a ter a mesma opinião que os outros. Os iluminados recebem a formação certa, e educam as massas. Não estou a falar de ti, da mesma forma que acho que quem escreveu fascismo e censura também não o estava. Compartilhar este post Link para o post
bmfpcdm Publicado 28 Agosto 2017 Não, eu nunca defendi que acabar com esta diferenciação de género ia resolver os problemas de estereótipo. Quanto muito podes dizer que eu defendo que esta distinção de género é potencialmente prejudicial para o processo de resolução desses problemas, pois conscientiza e perpetua os estereótipos negativos num contexto didático. Se já tivéssemos ultrapassado essa necessidade em diferenciar as atividades dos meninos e das meninas, esta polémica nem sequer tinha ocorrido, pois não haveria um livro para rapazes e outro para raparigas, haveria um livro onde rapazes e raparigas coexistem e partilham as mais diversas atividades, sejam elas relacionadas com culinária, ciências ou bailado. Compartilhar este post Link para o post
Cabeça de giz Publicado 28 Agosto 2017 Desisto :mrgreen: abraço :compinchas: Compartilhar este post Link para o post
Black Hawk Publicado 28 Agosto 2017 (editado) Não é tão divertido como o vídeo do Ricardo, mas vale a pena ver e reflectir. http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2017-08-24-Nao-e-de-menor-importancia-o-tipo-de-imagens-que-transmitimos-as-nossas-criancas-1 Editado 29 Agosto 2017 por Black Hawk Compartilhar este post Link para o post
rcoelho14 Publicado 29 Agosto 2017 Achei que usou muito de buzzwords e depois tocou no desprovado wage gap (pegar no salário médio total é estupido, vais meter no mesmo saco engenheiros e assistentes sociais). Mas sobre isto falou na diferença salarial em cargos de topo, e aí sim, sendo verdade, há algo de muito errado. Tocou várias vezes em pontos importantes e com razão em muitas coisas (divisão de tarefas domésticas é uma delas). Uma coisa que não concordo, é ir buscar as estatisticas de mulheres em IT. Não conheço nenhuma mulher (que me lembre) que tenha querido seguir uma engenharia, ou uma área de informática. O mais perto que conheço é a minha patroa de curso que esteve num curso de matemática durante 3 anos antes de mudar para o meu curso (multimédia) e que vai optar por seguir a vertente de programação do mesmo em vez da vertente de audiovisuais (como vão seguir quase todas as raparigas no curso). É verdade que há também culpa do estereotipo que estas áreas são para rapazes, mas na maioria das vezes é apenas uma escolha pessoal das raparigas, que gostam de lidar com crianças/pessoas/animais e seguem para áreas onde isso é a norma. O problema deste tema é que há muito ruído à volta. E ultimamente o grupo dos eternos ofendidos tem ajudado a desvalorizar uma questão da sociedade à qual é muito importante tomar atenção. Ainda assim, continuo na minha de que a questão dos livros é uma tempestade num copo de água, criada pelos ofendidos das redes sociais. E continuo a achar que o estado deveria estar calado ou, como o RAP disse, no máximo recomendar alternativas melhores. Assim sendo, esta é a minha opinião e vale o que vale. Opiniões diferentes e criticas construtivas são sempre bem-vindas. Compartilhar este post Link para o post
Descartes Publicado 29 Agosto 2017 Não é tão divertido como o vídeo do Ricardo, mas vale a pena ver e reflectir. http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2017-08-24-Nao-e-de-menor-importancia-o-tipo-de-imagens-que-transmitimos-as-nossas-criancas-1 Concordo. Vale a pena ver e refletir. Refletir como é possível que uma estrutura como a CIG produza as suas recomendações com base em tamanho chorrilho de lugares comuns e superficialidade. Ouvir de viva voz da boca da Presidente da CIG que a recomendação para a Porto Editora retirar os livros do mercado foi para "apaziguar a polémica nas redes sociais". É importante ver a peça da SIC Notícias para percebermos que a Presidente da CIG considera o Futebol mais fantástico e glamoroso que o Ballet. Que entende que a atividade de pirata é mais atrativa e potencialmente bem sucedida que a de princesa. Que desvaloriza e menospreza o trabalho doméstico. Que elege as carreiras profissionais associadas às novas tecnologias como as mais absolutamente fantásticas disponíveis para quem termina os seus estudos do Secundário. É isso que a senhora Presidente nos diz nessa peça televisiva. Diz-nos ainda de forma subliminar que devemos almejar o exemplo finlandês onde as crianças estão convencidas que a Presidência da República do seu país só pode ser exercida por mulheres. De forma menos subtil ainda tem o desplante de acusar a autora e as ilustradoras dos livros de o terem produzido "de forma não refletida e de forma não consciente". No entanto, há que dizer que foram transmitidas algumas questões relevantes. A principal é aquela que os números nos mostram. Que, em média, para trabalhos iguais as mulheres ganham menos do que os homens em Portugal. Esta é uma questão que vem sendo há muito tempo identificada. O estranho é que não se registam evoluções nesse indicador apesar de todo o "trabalho" que tem vindo a ser desenvolvido pelas estruturas dos vários Governos nas últimas décadas. Com Secretarias de Estado, Comissões, Planos, legislação abundante... mas parece que, no que respeita às questões mesmo relevantes não há qualquer melhoria. Sabendo-se que esta desigualdade não acontece nos organismos do Estado (onde existem tabelas salariais que não integram a questão do género) só pode, por exclusão de partes, existir no setor privado. E eu pergunto-me porque raio a CIG não disponibiliza, por exemplo, uma lista das empresas onde esta situação se verifica? Fala-se muito mas ninguém sabe quem está a praticar a discriminação salarial. Essa medida simples poderia ser mais eficaz, pelo impacto mediático, do que a censura a livros destinados a crianças do pré-escolar que ainda nem sabem ler. Outra questão relevante foram os números dos alunos dos cursos associados às novas tecnologias. Não basta. É ver a realidade com as lentes desfocadas. Porque não divulgar também os números relativos a outras áreas tão ou mais prestigiadas em termos sociais como a Medicina, por exemplo? Porque não dá jeito? Mais importante ainda: porque não divulgar os números relativos ao insucesso e abandono escolar nos ensinos básico e secundário? Quem reprova mais? Os rapazes ou as meninas? Quem abandona precocemente o ensino com maior frequência? Quem tem mais sucesso académico? Não haverá aí igualmente um problema? Não... O problema são os estereótipos que conduzem as mulheres à função miserável de fada do lar... Se eles se preocupassem mais em dignificar as profissões, funções e atividades mais ocupadas pelas mulheres talvez não subsistisse tanto esse problema do estigma com os estereótipos. Se se preocupassem mais com a questão da tolerância para com as meninas mais propensas a atividades e brincadeiras masculinas e com os rapazes com inclinação para as brincadeiras e atividades femininas talvez fosse mais eficaz. Em vez de quererem proibir o azul e o cor de rosa para pintar o mundo de cinzento fariam bem melhor em promover medidas que diminuíssem o estigma das "Maria-Rapazes" e dos "Mariquinhas". É que isto dos estereótipos tem muito que se lhe diga. Não são obrigatoriamente nocivos. Depende do que socialmente é aceitável. Dizer que os suecos são altos e loiros não é exatamente um problema para os suecos. Nem para o Ibrahimovic (que é alto mas não é loiro), ou para o Brolin (loiro mas baixote) ou até o Henrik Larsson (que não tem nada de loiro e nem é tão alto como isso). Por outro lado, dizer que as mulheres portuguesas têm bigode já levanta um problema. Porque é ofensivo e não é verdade na esmagadora maioria dos casos. E eu vejo neste momento a questão dos estereótipos de género tratada como se todos eles fossem como a portuguesa de buço avantajado. E não são. Alguns são mais parecidos com os suecos altos e loiros. Compartilhar este post Link para o post
Black Hawk Publicado 29 Agosto 2017 Tu para desvirtuar o que os outros dizem estás por cá. Até conseguiste "colocá-la" a elogiar piratas :lol: Compartilhar este post Link para o post
Descartes Publicado 29 Agosto 2017 Tu para desvirtuar o que os outros dizem estás por cá. Até conseguiste "colocá-la" a elogiar piratas :lol: E não foi isso que ela fez? 1º Ela justifica a sua intervenção neste assunto porque há um problema. 2º Ela ilustra o problema com dados em que as mulheres são discriminadas nas suas carreiras e na vida pessoal futura. 3º Ela associa o problema que identifica nos livros destinados às crianças no pré-escolar com o percurso futuro das crianças e as relações entre géneros na sociedade. Ora, esse problema só pode ser um: que os exercícios e símbolos destinados aos rapazes os preparam melhor para a vida futura e são mais aceitáveis pela sociedade do que aqueles que se destinam às raparigas. É esse o seu raciocínio ou, pelo menos, foi isso que ela transpareceu. Numa leitura simplista ela deu a entender que as mulheres não chegam a lugares de topo na administração das empresas e do estado porque fizeram exercícios com princesas quando tinham 5 anos em vez de terem feito exercícios com piratas. Compartilhar este post Link para o post
kareca Publicado 29 Agosto 2017 Fazer futebol. Jogar com robôs. Compartilhar este post Link para o post
Jimpo Publicado 29 Agosto 2017 Não há nada como justificar o insucesso pessoal com a culpa dos outros. Também não sou melhor que o Messi porque o meu treinador dos infantis me colocou a médio defensivo, esse canalha. E não inventei o Facebook porque o meu pai me deu um Pentium II em vez de um Pentium III. Agora virou-se tudo para a sociedade e para os estereótipos como culpa dos insucessos dos mais fracos. Quando eu não sou melhor fisioterapeuta porque quando chego a casa não me apetece estudar e prefiro ver um jogo de futebol. Mas a culpa é porque gostav de verde em pequeno e brincava com carro e não com bonecas porque a minha irma não me deixava. A culpa é pessoal, de quem não tem motivação, coragem e persistência. O resto são desculpas. Ou quem consegue mesmo tendo todas as adversidades é um super homem ou um extraterrestre? Compartilhar este post Link para o post
bmfpcdm Publicado 29 Agosto 2017 (editado) Concordo. Vale a pena ver e refletir. Refletir como é possível que uma estrutura como a CIG produza as suas recomendações com base em tamanho chorrilho de lugares comuns e superficialidade. Ouvir de viva voz da boca da Presidente da CIG que a recomendação para a Porto Editora retirar os livros do mercado foi para "apaziguar a polémica nas redes sociais". É importante ver a peça da SIC Notícias para percebermos que a Presidente da CIG considera o Futebol mais fantástico e glamoroso que o Ballet. Que entende que a atividade de pirata é mais atrativa e potencialmente bem sucedida que a de princesa. Que desvaloriza e menospreza o trabalho doméstico. Que elege as carreiras profissionais associadas às novas tecnologias como as mais absolutamente fantásticas disponíveis para quem termina os seus estudos do Secundário. É isso que a senhora Presidente nos diz nessa peça televisiva. Diz-nos ainda de forma subliminar que devemos almejar o exemplo finlandês onde as crianças estão convencidas que a Presidência da República do seu país só pode ser exercida por mulheres. De forma menos subtil ainda tem o desplante de acusar a autora e as ilustradoras dos livros de o terem produzido "de forma não refletida e de forma não consciente". No entanto, há que dizer que foram transmitidas algumas questões relevantes. A principal é aquela que os números nos mostram. Que, em média, para trabalhos iguais as mulheres ganham menos do que os homens em Portugal. Esta é uma questão que vem sendo há muito tempo identificada. O estranho é que não se registam evoluções nesse indicador apesar de todo o "trabalho" que tem vindo a ser desenvolvido pelas estruturas dos vários Governos nas últimas décadas. Com Secretarias de Estado, Comissões, Planos, legislação abundante... mas parece que, no que respeita às questões mesmo relevantes não há qualquer melhoria. Sabendo-se que esta desigualdade não acontece nos organismos do Estado (onde existem tabelas salariais que não integram a questão do género) só pode, por exclusão de partes, existir no setor privado. E eu pergunto-me porque raio a CIG não disponibiliza, por exemplo, uma lista das empresas onde esta situação se verifica? Fala-se muito mas ninguém sabe quem está a praticar a discriminação salarial. Essa medida simples poderia ser mais eficaz, pelo impacto mediático, do que a censura a livros destinados a crianças do pré-escolar que ainda nem sabem ler. Outra questão relevante foram os números dos alunos dos cursos associados às novas tecnologias. Não basta. É ver a realidade com as lentes desfocadas. Porque não divulgar também os números relativos a outras áreas tão ou mais prestigiadas em termos sociais como a Medicina, por exemplo? Porque não dá jeito? Mais importante ainda: porque não divulgar os números relativos ao insucesso e abandono escolar nos ensinos básico e secundário? Quem reprova mais? Os rapazes ou as meninas? Quem abandona precocemente o ensino com maior frequência? Quem tem mais sucesso académico? Não haverá aí igualmente um problema? Não... O problema são os estereótipos que conduzem as mulheres à função miserável de fada do lar... Se eles se preocupassem mais em dignificar as profissões, funções e atividades mais ocupadas pelas mulheres talvez não subsistisse tanto esse problema do estigma com os estereótipos. Se se preocupassem mais com a questão da tolerância para com as meninas mais propensas a atividades e brincadeiras masculinas e com os rapazes com inclinação para as brincadeiras e atividades femininas talvez fosse mais eficaz. Em vez de quererem proibir o azul e o cor de rosa para pintar o mundo de cinzento fariam bem melhor em promover medidas que diminuíssem o estigma das "Maria-Rapazes" e dos "Mariquinhas". É que isto dos estereótipos tem muito que se lhe diga. Não são obrigatoriamente nocivos. Depende do que socialmente é aceitável. Dizer que os suecos são altos e loiros não é exatamente um problema para os suecos. Nem para o Ibrahimovic (que é alto mas não é loiro), ou para o Brolin (loiro mas baixote) ou até o Henrik Larsson (que não tem nada de loiro e nem é tão alto como isso). Por outro lado, dizer que as mulheres portuguesas têm bigode já levanta um problema. Porque é ofensivo e não é verdade na esmagadora maioria dos casos. E eu vejo neste momento a questão dos estereótipos de género tratada como se todos eles fossem como a portuguesa de buço avantajado. E não são. Alguns são mais parecidos com os suecos altos e loiros. Escolhes com cada interpretação das palavras das pessoas. Dá mesmo a entender que para ti isto se trata de uma guerrinha, quando na verdade se está somente a tentar debater questões que podem ter repercussões importantes na nossa sociedade, por muito insignificantes que te possam parecer. Dizer só que o exemplo Finlandês que ela ofereceu, demonstra apenas o quão impressionável uma criança é. O que oferece uma luz para este tipo de diferenciação de género na nossa sociedade, que teima, por exemplo, em afastar rapazes da esfera doméstica e em aproximar as meninas dessa esfera. Este tipo de livros seriam uma oportunidade para ilustrar um rapaz e uma rapariga animadamente a brincar em conjunto em contextos de culinária, bailado, desporto, etc. O que seria benéfico para aquilo que tu próprio indicas como uma das prioridades: "Se se preocupassem mais com a questão da tolerância para com as meninas mais propensas a atividades e brincadeiras masculinas e com os rapazes com inclinação para as brincadeiras e atividades femininas talvez fosse mais eficaz." As crianças são impressionáveis, como o caso Finlandês prova, logo convém aproximar os géneros para contextos de cooperação nas mais diversas atividades, em vez de criar estes contextos de exclusividade que afastam e aproximam os sexos de certas atividades, com base em puros arcaísmos. Acabar com as tais secções de brinquedos para rapazes e para raparigas também seria uma consideração a respeito dessa tolerância para com as crianças que fogem às convenções sociais, mas se calhar é inconveniente para os fins lucrativos, pois há que vender os produtos todos das meninas e dos meninos, logo convém encarrilá-los para as respetivas secções, não se vá correr o risco de certos brinquedos ficarem por comprar. Editado 29 Agosto 2017 por bmfpcdm Compartilhar este post Link para o post
Descartes Publicado 29 Agosto 2017 (editado) Escolhes com cada interpretação das palavras das pessoas. Dá mesmo a entender que para ti isto se trata de uma guerrinha, quando na verdade se está somente a tentar debater questões que podem ter repercussões importantes na nossa sociedade, por muito insignificantes que te possam parecer. Dizer só que o exemplo Finlandês que ela ofereceu, demonstra apenas o quão impressionável uma criança é. O que oferece uma luz para este tipo de diferenciação de género na nossa sociedade, que teima, por exemplo, em afastar rapazes da esfera doméstica e em aproximar as meninas dessa esfera. Este tipo de livros seriam uma oportunidade para ilustrar um rapaz e uma rapariga animadamente a brincar em conjunto em contextos de culinária, bailado, desporto, etc. O que seria benéfico para aquilo que tu próprio indicas como uma das prioridades: "Se se preocupassem mais com a questão da tolerância para com as meninas mais propensas a atividades e brincadeiras masculinas e com os rapazes com inclinação para as brincadeiras e atividades femininas talvez fosse mais eficaz." As crianças são impressionáveis, como o caso Finlandês prova, logo convém aproximar os géneros para contextos de cooperação nas mais diversas atividades, em vez de criar estes contextos de exclusividade que afastam e aproximam os sexos de certas atividades, com base em puros arcaísmos. Acabar com as tais secções de brinquedos para rapazes e para raparigas também seria uma consideração a respeito dessa tolerância para com as crianças que fogem às convenções sociais, mas se calhar é inconveniente para os fins lucrativos, pois há que vender os produtos todos das meninas e dos meninos, logo convém encarrilá-los para as respetivas secções, não se vá correr o risco de certos brinquedos ficarem por comprar. Estás coberto de razão. Para mim isto é uma guerra. Não uma guerrinha. Uma verdadeira guerra. Não contra a igualdade de direitos ou de oportunidades. Sim contra a igualdade de género. Não contra o combate aos estereótipos. Sim contra a imposição de agendas por parte de grupos mais ou menos organizados. Não contra a liberdade e a tolerância. Sim contra a censura. A guerra não é contra ti. É contra aqueles que manipulam factos para moldar consciências. É contra quem publica posts com duas páginas de dois livros e conclui que a Porto Editora, ao permitir a existência de livros com exercícios mais complexos para as crianças do sexo masculino está a promover a ideia de que as mulheres são burras. É contra quem, depois de ser desmontada essa ignóbil manipulação dos factos não se retratou publicamente nem pediu desculpas. Muito pelo contrário aproveitou a onda para dizer que afinal o objetivo era só desconstruir a questão das cores e dos estereótipos. É uma guerra contra o jornalismo acrítico que pegou nessa questão e a reproduziu em órgãos de comunicação social teoricamente credíveis e, com isso, lhe deu expressão nacional. É uma guerra contra o poder político que decide ao sabor das polémicas nas redes sociais. Pior! Como eu sei que o poder político não decide da mesma forma em todas as polémicas que surgem nas redes sociais, é uma guerra às decisões tomadas quando uma das mais proeminentes inquisidoras virtuais calha a ser filha do atual Presidente da Assembleia da República e membro destacado do partido do Governo. Esta é a minha guerra. Quero acreditar que tu não estás no outro lado da trincheira. Editado 29 Agosto 2017 por Descartes Compartilhar este post Link para o post
Wincing Hálldor Publicado 29 Agosto 2017 Uma coisa que não concordo, é ir buscar as estatisticas de mulheres em IT. Não conheço nenhuma mulher (que me lembre) que tenha querido seguir uma engenharia, ou uma área de informática. Entre 2014 e 2016 houve 113 candidatas do sexo feminino a entrar em EI no Técnico, portanto isso é treta. Pode dizer-se que são menos que os homens a ter interesse nessas profissões, mas as que de facto entram nesse mercado não têm de se sentir excluídas por isso. O mesmo vale, obviamente, para os do sexo masculino em belas artes. Compartilhar este post Link para o post
jean-luc godard Publicado 29 Agosto 2017 Entre 2014 e 2016 houve 113 candidatas do sexo feminino a entrar em EI no Técnico, portanto isso é treta. Pode dizer-se que são menos que os homens a ter interesse nessas profissões, mas as que de facto entram nesse mercado não têm de se sentir excluídas por isso. O mesmo vale, obviamente, para os do sexo masculino em belas artes. 113? Pá eu andei lá e não vi tantas :mrgreen: Compartilhar este post Link para o post
bmfpcdm Publicado 29 Agosto 2017 Estás coberto de razão. Para mim isto é uma guerra. Não uma guerrinha. Uma verdadeira guerra. Não contra a igualdade de direitos ou de oportunidades. Sim contra a igualdade de género. Não contra o combate aos estereótipos. Sim contra a imposição de agendas por parte de grupos mais ou menos organizados. Não contra a liberdade e a tolerância. Sim contra a censura. A guerra não é contra ti. É contra aqueles que manipulam factos para moldar consciências. É contra quem publica posts com duas páginas de dois livros e conclui que a Porto Editora, ao permitir a existência de livros com exercícios mais complexos para as crianças do sexo masculino está a promover a ideia de que as mulheres são burras. É contra quem, depois de ser desmontada essa ignóbil manipulação dos factos não se retratou publicamente nem pediu desculpas. Muito pelo contrário aproveitou a onda para dizer que afinal o objetivo era só desconstruir a questão das cores e dos estereótipos. É uma guerra contra o jornalismo acrítico que pegou nessa questão e a reproduziu em órgãos de comunicação social teoricamente credíveis e, com isso, lhe deu expressão nacional. É uma guerra contra o poder político que decide ao sabor das polémicas nas redes sociais. Pior! Como eu sei que o poder político não decide da mesma forma em todas as polémicas que surgem nas redes sociais, é uma guerra às decisões tomadas quando uma das mais proeminentes inquisidoras virtuais calha a ser filha do atual Presidente da Assembleia da República e membro destacado do partido do Governo. Esta é a minha guerra. Quero acreditar que tu não estás no outro lado da trincheira. Face a isto, digo só que te podias ter ficado por essa guerra, não havendo necessidade de, em adição, trivializares as questões de estereótipo no que diz respeito a este material. Em tom jocoso, falta-me adicionar que o cinzento não merece as tuas palavras anteriores, é uma cor como tantas outras, e todas as cores merecem ser aceites por rapazes e raparigas. Alguns dos melhores filmes de sempre são a preto e branco, tentemos combater a discriminação do cinzento, para que não se crie, por exemplo, o preconceito contra estes filmes. Compartilhar este post Link para o post
rcoelho14 Publicado 29 Agosto 2017 Entre 2014 e 2016 houve 113 candidatas do sexo feminino a entrar em EI no Técnico, portanto isso é treta. Pode dizer-se que são menos que os homens a ter interesse nessas profissões, mas as que de facto entram nesse mercado não têm de se sentir excluídas por isso. O mesmo vale, obviamente, para os do sexo masculino em belas artes. E eu falei sobre a minha experiencia pessoal, não de numeros nacionais. Raparigas que conheço foram para artes, enfermagem, veterinária, medicina. É a minha experiencia pessoal que, obviamente, não reflete o panorama nacional. Mas deixa um bocado que pensar. Compartilhar este post Link para o post
Descartes Publicado 29 Agosto 2017 (editado) Face a isto, digo só que te podias ter ficado por essa guerra, não havendo necessidade de, em adição, trivializares as questões de estereótipo no que diz respeito a este material. Em tom jocoso, falta-me adicionar que o cinzento não merece as tuas palavras anteriores, é uma cor como tantas outras, e todas as cores merecem ser aceites por rapazes e raparigas. Alguns dos melhores filmes de sempre são a preto e branco, tentemos combater a discriminação do cinzento, para que não se crie, por exemplo, o preconceito contra estes filmes. Percebo. Devia deixar a magna questão dos estereótipos para quem sabe e é competente na matéria. As capazes e seus seguidores. Aqueles para quem os fins justificam os meios. Infelizmente, no que me diz respeito, e enquanto me for permitido, não deixarei de manifestar a minha opinião quando e como entender adequado e pertinente fazê-lo. E podes ter a certeza que não vais ser tu a limitar essa minha capacidade. Assumindo igualmente o tom jocoso devo dizer que muito me surpreende a tua defesa em relação aos filmes a preto e branco. Se há produtos culturais carregados de estereótipos maléficos e arcaismos que abominas são exatamente muitos desses filmes. Do Pátio das Cantigas ao Leão da Estrela, do Pai Tirano à Canção de Lisboa... e só para falar nos filmes portugueses... Editado 29 Agosto 2017 por Descartes Compartilhar este post Link para o post
Visitante Publicado 29 Agosto 2017 estamos em 2017 e ainda tentam discutir com um lunático como o descartes? A necessidade... Eu acho interessante a discussão, e o Descartes tem os seus pontos. Compartilhar este post Link para o post
Carmelo Anthony Publicado 29 Agosto 2017 É uma guerra contra o jornalismo acrítico que pegou nessa questão e a reproduziu em órgãos de comunicação social teoricamente credíveis e, com isso, lhe deu expressão nacional. Estás a ser muito brando. Isto não se trata de jornalismo acrítico, isto é jornalismo de agenda, puro e duro. A coisa segue um circuito que começa na Ritinha, passa pelas Capazes, segue pelas redes sociais, é amplificado pelo Público e chega finalmente à tal comissão. É um labirinto que se resolve mais facilmente que o tal do caderno das meninas. :mrgreen: Curiosamente o truque não foi desmascarado por uma certa página de internet. 🤔 Compartilhar este post Link para o post
bmfpcdm Publicado 29 Agosto 2017 (editado) Percebo. Devia deixar a magna questão dos estereótipos para quem sabe e é competente na matéria. As capazes e seus seguidores. Aqueles para quem os fins justificam os meios. Infelizmente, no que me diz respeito, e enquanto me for permitido, não deixarei de manifestar a minha opinião quando e como entender adequado e pertinente fazê-lo. E podes ter a certeza que não vais ser tu a limitar essa minha capacidade. Assumindo igualmente o tom jocoso devo dizer que muito me surpreende a tua defesa em relação aos filmes a preto e branco. Se há produtos culturais carregados de estereótipos maléficos e arcaismos que abominas são exatamente muitos desses filmes. Do Pátio das Cantigas ao Leão da Estrela, do Pai Tirano à Canção de Lisboa... e só para falar nos filmes portugueses... Não, mas se queres discutir o tema era benéfico que não o encarasses como um "não-assunto" e da forma paternalista como tens feito. Esses filmes refletem os tempos em que foram feitos, daí ser importante preservá-los e encará-los como uma forma de reflexão de como progredimos e de como ainda não progredimos (pois alguns conseguem ser relevantes nos dias de hoje), para além de serem uma janela para as sociedades da época. Há também os filmes subversivos que procuravam quebrar o 'status quo'; e antes do código Hays o que não faltavam eram filmes onde as mulheres, e não só, quebravam convenções sociais. Edit: Editado 29 Agosto 2017 por bmfpcdm Compartilhar este post Link para o post
Descartes Publicado 29 Agosto 2017 (editado) Não, mas se queres discutir o tema era benéfico que não o encarasses como um "não-assunto" e da forma paternalista como tens feito. Esses filmes refletem os tempos em que foram feitos, daí ser importante preservá-los e encará-los como uma forma de reflexão de como progredimos e de como ainda não progredimos (pois alguns conseguem ser relevantes nos dias de hoje), para além de serem uma janela para as sociedades da época. Há também os filmes subversivos que procuravam quebrar o 'status quo'; e antes do código Hays o que não faltavam eram filmes onde as mulheres, e não só, quebravam convenções sociais. Edit: Eu discuto-o de forma paternalista mas tu é que apoias quem me diz o que devo fazer enquanto pai e consumidor para melhor educar os meus filhos. Eu sou o paternalista e tu é que aceitas que uma instituição governamental recomende a retirada de produtos do mercado produzidos por uma entidade privada e que se ofereça para "colaborar" na eliminação e alteração de conteúdos com direitos de autor. Eu sou o paternalista e tu estás a apoiar o quê? O maternalismo? E lá se foi o tom jocoso... Pelos vistos só funciona em sentido único... :confuso: Estás a ser muito brando. Isto não se trata de jornalismo acrítico, isto é jornalismo de agenda, puro e duro. A coisa segue um circuito que começa na Ritinha, passa pelas Capazes, segue pelas redes sociais, é amplificado pelo Público e chega finalmente à tal comissão. É um labirinto que se resolve mais facilmente que o tal do caderno das meninas. :mrgreen: Curiosamente o truque não foi desmascarado por uma certa página de internet. Escapou-te um passo. Entre o Público e a CIG passou pelo gabinete do Ministro-Adjunto. Editado 29 Agosto 2017 por Descartes Compartilhar este post Link para o post
bmfpcdm Publicado 29 Agosto 2017 Eu discuto-o de forma paternalista mas tu é que apoias quem me diz o que devo fazer enquanto pai e consumidor para melhor educar os meus filhos. Eu sou o paternalista e tu é que aceitas que uma instituição governamental recomende a retirada de produtos do mercado produzidos por uma entidade privada e que se ofereça para "colaborar" na eliminação e alteração de conteúdos com direitos de autor. Eu sou o paternalista e tu estás a apoiar o quê? O maternalismo? Eu limitei-me a discutir o conteúdo de material de teor educativo para crianças (para mim é somente isto que está em causa), não discuti o papel dos pais na educação de uma criança. Só quis clarificar a minha posição em relação a esse tipo de conteúdo cinéfilo, para evitar que me acusem de o desejar "censurar", tudo num tom ameno e saudável. No edit prossegui com o tom jocoso. Compartilhar este post Link para o post
Plagio o Original Publicado 29 Agosto 2017 isto lembra-me aquela história da dominos, em q um gajo comprou uma pizza e postou no twitter q não tinha toppings, era só pão. teve bué retweets e tal, a dominos respondeu a pedir desculpa e no final o gajo diz q abriu a caixa da pizza ao contrário. então é 2017 e ainda alimentamos trolls e damos atenção a assuntos q n deviam interessar para nada Compartilhar este post Link para o post
kareca Publicado 29 Agosto 2017 Ainda bem que se manteve o título do tópico, para se perceber como começou. Compartilhar este post Link para o post