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Lebohang

É a primeira vez desde 1978/79 que Portugal fica sem equipas na Europa logo nos oitavos de final

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Citação de Lebohang, Em 28/02/2020 at 14:17:

Neste momento ainda falamos de luta contra a Rússia e França pelo 5º lugar mas vejam isto, muito curioso o Ranking da UEFA projectado em 2023:

https://kassiesa.home.xs4all.nl/bert/uefa/data/method5/crank2023.html

Rússia desaparece do mapa e Portugal fica ali com Escócia, Bélgica e Holanda à perna.

"Ranking projectado" é uma força de expressão. Ainda faltam 3 anos, é impossível calcular.

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Então o ideal é reduzir o número de equipas e fazer campeonato tipo o belga, romeno, dinamarquês, etc? 🤣

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Citação de Kendrick Lmao, há 4 horas:

Austria e Holanda não tarda mto tão a nossa frente

Dificilmente esses.

A grande vantagem que Portugal (e a Rússia) têm nestes rankings é mesmo a capacidade de meter um grande número de equipas a fazer números razoáveis. Enquanto houver Benfica, Porto, Sporting e Braga a fazer bons números e mais uma equipa com potencial para chegar à fase de grupos mesmo que apenas ano sim, ano não, Portugal arrisca-se sempre a fazer mais que esses países. Por outro lado a Rússia cresceu muito devido a ter um número alto de equipas com boa dimensão (CSKA, Zenit, Spartak, Lokomotiv) e outras que iam evoluindo (Rostov, Krasnodar).

No caso da Áustria, só uma eventual recuperação dos grandes de Viena é que poderia levar a que isso aconteça, porque muito dificilmente vai acontecer que um Wolfsberg seja consistentemente bom na Europa, ou mesmo que um LASK possa ter plantel e treinadores capazes de fazer este tipo de caminhada todos os anos. Assim, neste momento, só o Salzburg é que tem esse potencial.

No caso dos Países Baixos, é mais possível, mas a verdade é que se os grandes portugueses andam nas lonas, que dizer do Feyenoord e do PSV. Mais, historicamente, mesmo apresentando jogadores talentosos, as equipas holandesas abaixo dessas não têm tido capacidade para se adaptar a nível europeu. Falo do AZ, Twente e do Utrecht, principalmente.

Queria também dizer que mesmo que isso fosse prejudicial para Portugal, fazem muita falta às competições europeias desempenhos fortes de clubes turcos e gregos. Clubes como o Fener, o Gala, o Besiktas, o Oly, o Pana e o AEK davam outro tipo de interesse às competições europeias, e é triste ver que foram praticamente atirados para o lado da Champions. Isto sem mencionar clubes como o Steaua, os grandes de Belgrado, o Dínamo de Kiev, o Rosenborg, o FCK, o Sparta de Praga, o Basel, os Maccabis, ou até alguns desempenhos respeitáveis de clubes da super-periferia como o BATE, o APOEL ou os clubes eslovacos.

Acho que mesmo que venham aparecendo alguns projetos engraçados de vez em quando (olhando para os últimos anos: Ajax, LASK), a tentativa de aumentar à força o número de clubes dos top-5 acabou por tornar os grandes palcos europeus -  fase de grupos da Champions e fase a eliminar da Liga Europa - num clube muito restrito em que só entram os colossos, os clubes de algumas ligas periféricas de primeira linha e um ou outro projeto engraçado nos top 5.

Ainda pensei que a criação da Conference League acabasse por, neste tipo de percurso sem retorno do futebol europeu, dar algum vislumbre de hipótese a estas ligas menores de ter uma oportunidade para a Europa, mas o formato apresentado não só não traz nada disso, como tenta que esta nova competição seja aquilo que nunca vai ser a nível de prestígio. Preferia muito mais que, havendo uma terceira divisão europeia, que esta fosse separada da Liga dos Campeões e da Liga Europa, e que abrisse as portas primariamente aos países que no máximo só conseguem umas pré-eliminatórias ou uns 4ºs lugares num grupo da Liga Europa, ou seja, mantendo os lugares de LC e LE exatamente como estão e dando 16 ou 32 lugares extra para outros clubes que não conseguissem ali entrar.

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Desta vez não houve piadinhas, os papagaios dos departamentos de comunicação perderam o pio, não houve toupeiras, cartilhas e e-mails

Bruno Vieira Amaral escreve sobre a hecatombe europeia que se abateu em cima das equipas portuguesas na UEFA.

A hecatombe europeia – quatro clubes dizimados em dois dias, três derrotas, duas delas em casa, um empate inglório, uma eliminação caricata em Istambul e um saldo deprimente de golos – teve a virtude de pôr conhecidos incendiários a discutir meios de prevenção e combate aos fogos. Nos últimos anos, a prestação dos clubes portugueses nas provas europeias tem sido pouco melhor do que medíocre. Por exemplo, desde que o Benfica chegou à final da Liga Europa, em 2013/14, nenhum outro clube chegou às meias-finais de qualquer competição. O melhor, ainda assim, foi conseguido pelo Porto, ao atingir os quartos-de-final da Champions, meta que, a continuarmos assim, qualquer dia dará direito a um troféu doméstico.

Porém, os resultados medíocres globais não impediram que se instituísse uma narrativa enviesada sobre a Europa como crivo da verdadeira qualidade das equipas. Objetivo: desvalorizar as conquistas internas do Benfica, como se os desempenhos dos restantes clubes lá fora tivesse sido excelente. Este ano, depois da tragédia do Krasnodar e a eliminação limpinha, limpinha com um Bayer Leverkusen que é uma boa equipa, mas não é um colosso, a narrativa do paradoxo dos resultados do Benfica deu lugar a uma reflexão profunda e séria sobre “o futebol português”, a competitividade do futebol português, o que queremos para o futebol português, quo vadis, futebol português?, num fado chorado por todas as cores.

Como foram todos corridos, sem apelo, nem agravo, pela escola de samba de Donetsk, por uns esforçados escoceses (passe o pleonasmo), por um entreposto otomano de jogadores à beira da reforma e pelo quinto classificado da Bundesliga, desta vez não houve piadinhas, os papagaios dos departamentos de comunicação perderam o pio, os comentadores dos programas de televisão tinham o ar perplexo de quem acabou de assistir à queda das Torres Gémeas e dir-se-ia que os jogos nem tiveram equipas de arbitragem em campo porque ninguém falou do talho de Björn Kuipers ou do café de Mateu Lahoz. Não houve esperas nem ameaças de adeptos excitados e tivemos até direito a uma rara e intrigante declaração de um adepto do Porto que escreve nos jornais: dizia-se satisfeito com o desempenho da equipa. (Parece óbvio que, a um ponto da liderança, depois de um atraso de sete, os adeptos não querem desestabilizar a equipa cobrando-lhes em demasia a performance nos jogos europeus).

Puseram todos a melhor cara de conselheiros de Estado – consternados e compungidos – e, em vez de toupeiras, cartilhas, e-mails e penáltis, peroraram sobre as razões das desigualdades no futebol português (se não estou em erro, acho que um até citou Thomas Piketty), os estádios vazios, os horários dos jogos, a formação, etc, etc, etc, num desfiar de desgraças que teria feito cair uma civilização, um império, quanto mais o arruinado edifício do futebol clubístico em Portugal. Digo clubístico porque é de louvar a posição da FPF, apostada em conservar uma distância higiénica em relação ao pântano dos clubes para que a sua galinha dos ovos de ouro, a seleção nacional, não seja contaminada pelos agentes patógenos que circulam livremente mesmo ali ao lado.

O que todos sabem é que este período de nojo será de curta duração. O primeiro teste à ponderação e recolhimento provocados pelo desastre europeu acontecerá já esta noite. Ao primeiro lance duvidoso dar-se-á por terminado o período de reflexão e choverão os comunicados e tweets e posts. A meridiana clareza das eliminações na Europa será substituída por um emaranhado de acusações em que se falará de relatórios e contas, vouchers e, inevitavelmente, de Inocêncio Calabote. As insuficiências das equipas – cruelmente expostas por adversários medianos – serão disfarçadas com os exercícios cosméticos do costume. A partir de agora o que interessa é garantir o acesso à Champions, numa disputa que tem tanto de desporto como a corrida de dois náufragos para se agarrarem a uma boia. É a luta pela sobrevivência e, como todas as lutas pela sobrevivência, não será um espetáculo para estômagos sensíveis.

PS: semanas atrás, todos lemos uma extraordinária declaração do jogador do Famalicão, Fábio Martins após o jogo contra o Benfica para a Taça de Portugal. Uma declaração lúcida e apaixonada de quem vive o futebol com o coração, mas sem perder a cabeça. É uma derrota para todos que não haja mais jogadores, seja por opção ou por restrições impostas pelos clubes, a falar abertamente, de forma tão corajosa e límpida como fez Fábio Martins. O problema é que, para cada Fábio Martins talvez aparecesse um Makaridze, guarda-redes do Vitória de Setúbal que, após o jogo com o Portimonense, assumiu que preferia perder todos os jogos até final do campeonato do que perder com o Benfica. É certo que seria mais grave se tivesse dito que preferia perder pontos com o Benfica e que podemos desculpar as declarações com a menor oxigenação cerebral no final do jogo e à gorada contratação do guarda-redes georgiano pelo Benfica no mercado de inverno. Mas se os jogadores se queixam, e com toda a razão, de serem por vezes os alvos fáceis de suspeitas, seria conveniente que, com o futebol português a arder, não lançassem mais “achos” para a fogueira.

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Citação de Mesut Ozil, Em 29/02/2020 at 14:36:

Nossa sorte? Não concordo. Se entre 2005 e 2010 tínhamos aqueles países no nosso encalce e agora não os temos, também se deve a algum mérito nosso, nem tudo pode ser considerado mau. 

Se bem me lembro, no pós-Porto de Mourinho, andávamos na luta com a Rússia (como ainda hoje andamos), com a Roménia, apenas graças às duas equipas de Bucareste e se se apanhavam na Taça UEFA, Holanda (onde tinhas PSV, Feyenoord, Ajax, AZ e com menor expressão, o Twente), Rep. Checa já a afastar-se com o declínio do Sparta Praga, Grécia (apenas as três grandes de Atenas tinham expressão europeia) mas onde os turcos nunca chegaram a fazer comichão. Num ano ou outro ainda andámos juntinhos da Alemanha e França. É como digo, temos mérito em manter algum prestígio europeu desde essa altura, não podemos desvalorizar aquilo que de bom foi feito nestes anos todos.

EDIT: Fui ver e, em grande período dos anos 10, até entrarem os magnatas em França, andámos vários anos no 5º lugar.

Chegamos mesmo a estar em 4º, até saiu uma notícia dos italianos a dizer que era uma vergonha estarem atrás de Portugal. E estivemos pelo menos 2 anos à frente da França com um PSG já consolidado.

Mas também pensa, em 10/11 metemos 3 equipas nas meias da Liga Europa, nessa altura o Braga chegou a passar duas vezes a fase de qualificação da Champions, depois tivemos o JJ a levar o Benfica à final duas vezes, depois Benfica e Porto vão aos quartos-de-final da Champions uma e duas vezes, respetivamente. Mesmo este ano tivemos um arranque auspicioso na Liga Europa, muito bem o Vitória e o Braga sendo que depois o Braga deu seguimento à boa prestação conquistando muitos pontos no grupo.

Citação de IlidioMA, Em 29/02/2020 at 14:27:

a nossa sorte é essa mesmo. é que estamos mal, as aqueles países que ali por 2005, 2010 ainda tinham equipas a fazer boas prestações estão piores ou quase que desapareceram. Os Gregos que metia sempre dois na Champions agora nada; Belgas idem; Escoceses, Checos, Romenos, Suiços tb desapareceram, na Ucrania o Dinamo faleceu; na Turquia os grandes estão em crise. Só os Russos mantêm uma certa pedalada. 

Se todos se foram abaixo incluindo Portugal e Rússia, é pensar no que aconteceu: os primeiros 5 tem mais pontos ainda, mais desigualdade portanto.

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