John Bonifácio Publicado 22 horas Citação de Abraxas, há 1 hora: Certo, mas eu também nunca disse que deviamos tentar ultrapassar, eu “subir de nível como um todo” e “tentar estar mais próximo”. Não disse transformar Portugal num país com 50 milhões de habitantes, até porque "só" isso não explica tudo. Dimensão populacional e economia são importantes factores e ajudam a explicar o porquê desses países estarem à frente e estabelece um teto naturalmente inferior para nós, mas não explica, por si só, toda a diferença nem obriga o futebol português a ficar estagnado, com direitos televisivos desvalorizados, clubes dependentes de vendas e projectos desportivos constantemente desfeitos. Se fosse apenas pela população e economia a determinar a qualidade das ligas a Turquia seria uma potência europeia, por exemplo. Ou a França estaria com uma liga muito mais próxima da Inglesa (apesar de isso já ser mais verdade agora) e vários países ricos teriam campeonatos mais relevantes. Portugal estar actualmente em 6º até reforça o meu ponto. Não estou a dizer que vamos ultrapassar Espanha ou Inglaterra, estou só a perguntar se não seria possível encurtar a distância, construir uma liga menos dependente de venda imediata de tudo o que tem qualidade e ter projectos desportivos interessantes para os nossos clubes novamente. Volto a insistir no argumento: a culpa está nos adeptos. Não só a maioria dos adeptos está contente com o que existe, como, em simultâneo, não tem paciência para projetos desportivos a longo prazo. O negócio futebol está estruturado para obter resultados imediatos e para culpar fatores externos quando eles não aparecem. E como a maioria dos adeptos não procura aprofundar o seu entendimento do negócio, este continua assim. No fundo, o futebol é encarado como se fosse um circo, em que as pessoas vão para se entreterem sem pensar 2 vezes. É claro que não ajuda que os palhaços estejam à frente do negócio, mas isso já é um reflexo da estrutura social do país. Compartilhar este post Link para o post
Abraxas Publicado 22 horas Citação de Tibraco, há 1 hora: Há muito a melhorar, claro, mas acho que vai ser sempre preciso existirem essas vendas. Precisas de vender para suportar salários elevados para a nossa realidade. No dia que os nossos clubes não tenham esse défice operacional, podes optar por vender menos. A questão que se coloca é onde vais buscar essas receitas estando inserido, lá está, numa economia de 10 milhões de habitantes... Concordo contigo, as vendas vão sempre fazer parte do modelo. Não estou a dizer que possamos passar a recusar todas as propostas e pagar salários de PL. A diferença está entre vender estratégicamente, no momento certo e sem desmontar constantemente a equipa. Quanto às receitas, não há milagres mas existe margem em várias frentes, centralização e valorização de direitos televisivos, que vai acontecer em 28/29 (que outras ligas já fizeram há muito tempo), patrocinios, receitas de estádio, exploração da dimensão internacional do clube e da diáspora portuguesa, maior regularidade nas competições europeias e levá-las a sério, não só a Champions. A economia portuguesa pode estabelecer um tecto inferior, sem dúvida. O que questiono é se já exploramos ao máximo o que esse tecto nos pode dar ou simplesmente temos um produto mal comercializado, uma liga pouco valorizada e clubes que transformaram receitas extraordinárias de transferências em necessidades permanentes. O meu ponto não é parar de vender, apenas perceber se é possível deixar de vender por necessidade absoluta e passar a vender com planeamento, preservando uma base competitiva durante mais do que uma época ou duas. 1 Compartilhar este post Link para o post