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Rui Cardoso

Oficina de Escrita

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Hansuei para que chegasse ao fim!

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Sinceramente achavam que aquilo era a sério?

 

Apenas fiz aquilo para não deixar isto morrer já sabia que isto acontecer.

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More than words

 

Se tudo fosse simplesmente feito através de palavras, tudo seria mais fácil. Para que servem as palavras? Para as amontoarmos organizadamente em frases que, supostamente, têm de fazer sentido? Ou apenas servirão como meros mecanismos de defesa para contra-atacarmos quando nos sentimos demasiado expostos e frágeis?

De que servem as palavras? Compromisso? Ressalva de algo? Qual é a sua validade? Nenhuma. Podemos dizer o que quisermos, podemos articular letras coerentemente encaixadas, podemos gritar ou sussurrar... Mas para que servirão? Quais são os fins das mesmas?

Levam-te para um mundo imaginário, onde tudo é perfeito, tudo é idílico e paradisíaco. O mau não encaixa neste retrato pitoresco e perfeito que desenhamos em conjunto - não há tempo nem espaço para ele, nem mesmo disposição. Neste mundo paralelo criado pelo disparo de palavras sentidas e ingénuas, só há espaço para a felicidade, para o conforto e para a imaginação. Imaginação que é também dada pelas palavras que proferimos inconscientemente, como se de um sonho se tratasse. Não há espaço para amarguras, mágoas ou desilusões; os sorrisos riem-se ao ritmo de gargalhadas alucinantes, destemidas e apressadas dadas pela sensação de lugar perfeito que vivemos, que queríamos estar, vivenciar e experimentar, mas ao qual não podemos alcançar, porque, simplesmente, as palavras não são suficientes.

As palavras são só um complemento à nossa realidade, que é feita de atitudes. Atitudes concretas, reais e terra-a-terra. Funcionam como bastonadas que desfocam o sentido de perfeição que as nossas palavras indicaram, trazendo-nos de volta à infeliz realidade. Basta uma atitude para aniquilar uma palavra.

Palavras, por mais belas que possam ser, não são a refeição diária que os seres humanos necessitam; quanto muito são o sal com que apimentamos a nossa vida, as nossas conviccões, pensamentos e até mesmo a nossa consciência.

Gostava de viver num sitío onde as palavras fossem suficientes para me acalentarem a perfeição que ambiciono, mas sei que tal é impossível. Resta-me encontrar um local onde as palavras andem de braço dado com as atitudes, de uma forma harmoniosa. Sei que está longe, sei que é difícil, sei que até pode ser impossível. Mas enquanto a ideia for esta, as palavras estarão lá para me acompanhar na viagem até à utopia idealizada, à utopia desejada, à utopia sentida.

 

"more than words is all you have to do to make it real"

 

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Acho que é das melhores coisas que já alguma vez escrevi.

 

já agora, publicidade ao meu blog onde deixo algum do brainstorming lol: http://magiaseutopias.blogspot.com

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Já faziam meses que não escrevia e então para desenferrujar hoje decidi brincar com uma ideia que me tinha surgido enquanto relia o primeiro livro da famosa trilogia do Tolkien. Então comecei a juntar as ideias (que encontram inspiração no estilo de Tolkien) e como passo algum tempo pelo fórum a ler tópicos do fora de jogo fui pensando em criar paralelos entre users singulares do fórum e os personagens da história. Deixo-vos o primeiro capítulo (por enquanto o único) e não tenham comedimento nas críticas.

 

As letras do alfabeto grego no título foram uma brincadeira que eu fiz no esboço inicial da história, como achei que retirava algum valor à narrativa fiquei-me pela menção honrosa no título.

 

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ΓΜΠΤ - O Reino sem Rei

 

Capítulo I

 

 

Um velhote que ilude o tempo, o dono de uma ave rara e um escriba falhado, são estes os responsáveis pela mais importante missão de toda a história do Reino, a busca pelo perdido Rei para lá das geladas montanhas de leste.

 

A ordem veio da Princesa, que na ausência do Rei tomou as rédeas do Reino. A natureza do desaparecimento era desconhecida, só se sabia que este tinha feito uma digressão às terras além das montanhas de leste, a própria razão para a excursão era um mistério, do qual nem a Princesa tinha conhecimento. Contudo o Rei antes da sua partida tinha deixado clara a data do seu regresso, se falhada por mais de uma semana a Princesa deveria seguir o protocolo, reunir o Conselho Real, com a promessa de que este saberia o que fazer. A data foi falhada, o Conselho Real foi evocado, mas para surpresa da Princesa o objectivo não era encontrar o Rei, era o quanto antes constitui-la Rainha, sendo para isso necessário declarar ao povo a morte do Rei e após o mês de pesar, iniciar as preparações cerimoniais para a intitulação da Princesa a Rainha. Insatisfeita exigiu, em várias ocasiões, explicações ao Conselho, este limitou-se a negar qualquer conhecimento extra e de que o procedimento tinha sido previamente estabelecido pelo Rei. Deste modo não lhe restou outra opção senão agir pelas costas do Conselho, assim procurou a assistência do único homem em quem podia confiar, o seu antigo tutor, o Feiticeiro.

 

O Feiticeiro ganhou fama graças ao vasto conhecimento que adquirira ao longo de muitos anos de vida – quantos ao certo uma incógnita – tal como a magia que dominava. Tendo a Princesa sido educada por ele desde uma tenra idade, os dois partilhavam uma relação muito chegada e informal, quase como avô e neta, embora ele suplantasse em muitos aspectos a figura paternal que o Rei tinha por imposição.

 

O próprio Feiticeiro ficou intrigado com os acontecimentos descritos pela Princesa e facilmente concordou em auxiliá-la. Ela achou por bem que um escriba o acompanhasse, com o único propósito de registar em primeira mão os acontecimentos da busca pelo Rei, todavia o Feiticeiro rejeitou a ideia, explicando que seria um peso a mais numa viagem que acarretava os seus perigos e que se ela fazia questão que a história fosse escriturada, ele poderia muito bem ocupar esse papel. Reticente a Princesa aceitou a proposta, vincando que o mais importante era encontrar o Rei e que o Feiticeiro não deveria ter outras preocupações na sua mente. Por último perguntou se ele tencionaria enfrentar o desafio sozinho, temendo que a avançada idade pudesse ser um real entrave, ele aquietou-a, assegurando que se faria escoltar por um velho conhecido, "Mas não tão velho quanto eu", redarguiu alegremente, roubando-lhe um sorriso e abraçando-a antes que se despedissem. Na alvorada do dia seguinte partiria.

 

O velho conhecido a que o Feiticeiro se referia era Falco, uma verdadeira lenda, citado em inúmeras histórias como Guardião do Falcão Negro, uma majestosa ave que de dia incutia o terror da noite no coração dos seus inimigos e de noite era invisível e mortífera. O Feiticeiro sabia que podia contar com ele, porém era necessário encontrá-lo e isso nem sempre era fácil, pois Falco não tinha um pouso certo. O melhor lugar para iniciar a procura era a floresta conhecida como Labyrinthus, ou Laby, a sudeste do Reino, famigerada pela sua qualidade desnorteante e por isso mesmo um local perfeito para alguém como Falco se abrigar.

 

Enquanto o Feiticeiro se preparava para a viagem, a Princesa ultimava o plano que escondera ao Feiticeiro. Não ficara satisfeita com as palavras de conforto do seu ex-tutor e decidiu nomear um escriba para o seguir de perto e obedecer qualquer ordem, com a excepção de o abandonar. Porém sabia que não podia eleger um dos notáveis escribas do Reino, com o risco de a sua falta ser notada por um qualquer membro do Conselho Real e levantar perguntas indesejáveis. Lembrou-se então de um jovem com quem se cruzara há uns anos na Academia das Artes, Ciências e Letras quando se dirigia à oficina do Feiticeiro, embora a Princesa estivesse coberta por um longo manto e a sua face mal se visse, para seu espanto fora imediatamente reconhecida pelo jovem, que após o leve choque provocado pelo seu atraso e pressa para alcançar uma aula de caligrafia, prontamente e cordialmente se desculpou à Princesa pelo seu desleixo. Curiosa por saber do sucesso ou insucesso do aspirante a escriba, dirigiu-se de forma dissimulada ao departamento de escrituração e renovação literária da Biblioteca, contudo ao ultrapassar o vestíbulo e entrar no salão uma voz atónita cortou o silêncio, "Princesa?", a dita reconheceu o tom e num misto de indignação e exultação aproximou-se do rapaz, "Pergunto-me como tens a capacidade de me reconhecer, sem teres a noção de que tento passar despercebida. Há algum sítio onde possamos falar em privacidade?", mais estupefacto do que nunca conduziu-a à repartição de arquivos da Biblioteca. Lá, ela explicou o porquê de necessitar os seus serviços, a expressão do rapaz animou-se consideravelmente e sem pensar duas vezes aceitou o pedido, embora isso se traduzisse em, no dia seguinte, abandonar a única casa que alguma vez conhecera e rumar ao incerto. É verdade que ter sido procurado pela Princesa em pessoa foi o suficiente para ele aceitar o pedido, ainda assim existiam outras razões propícias à decisão favorável. O escriba tirara a pior nota final de curso e há dois anos que exercia funções de mero arquivador, levava uma vida solitária e intimamente ansiava por mudança, o momento alto da sua vida tinha sido o encontro fortuito com a Princesa e não foi com espanto que perguntou por ela naquele reencontro, foi antes por ter receado uma alucinação e o falir da sua sanidade. Este era um pedido que simplesmente não podia recusar.

 

Na manhã seguinte o Feiticeiro foi surpreendido, ao sair da sua habitação, pelo escriba que o esperava à porta, "Em nome da Princesa, ao seu serviço", "Quem és tu?", "Sou o escriba", "Volta para casa enquanto podes", "Não é opção", "Achas que eu não sei escrever? É isso?", "Claro que não, mas é uma actividade extenuante e que consome muito tempo", "Tens noção que a tua vida irá correr perigo?", "Sim!", "Então não deve ser o amor pela tua vida que te motiva. É somente o amor pela escrita que te serve de motivação ou há algo mais?", "A aventura, já sentia vontade de sacudir a minha vida", "Pois bem, assim sendo é melhor fazermo-nos à estrada, temos um longo percurso pela frente", "Qual é o nosso primeiro destino?", "Laby", "Laby?", repetiu com uma entoação nervosa, o Feiticeiro soltou uma gargalhada e deu-lhe consoladoras palmadinhas no ombro.

 

 

 

Se o pessoal gostar e não se importar continuarei e vou colocando aqui à medida que for progredindo, caso contrário acho que não teria qualquer motivação para prosseguir com a história, pois trata-se de uma brincadeira que julgo só resultar no seio do fórum.

 

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Capítulo II

 

"Continue sem mim, sou um peso morto" declarou o escriba entre suspiros de dor, "Que exagero! Trata-se apenas de umas bolhas, mas pelo estado dos pés já podias ter dito qualquer coisa há pelo menos dois dias", retorquiu o Feiticeiro enquanto examinava os pés do companheiro de viagem, "Não queria atrasar-nos", "E a solução é melodramaticamente pedires para te abandonar no meio de nenhures?", "Confesso que possa ter exagerado, quem sabe esteja a delirar por caminhar com os pés em carne viva", "Tenho uma pomada na mochila, amanhã os pés estarão como novos. Esta noite acamparemos na clareira que atravessámos uns metros atrás".

 

"Os teus pés estão melhores?", perguntou o Feiticeiro enquanto ceavam à luz da fogueira, "Essa pomada é milagrosa, só sinto um leve formigueiro", "Óptimo", "Quantos mais dias para chegarmos à Labyrinthus?", "A este ritmo? Cinco", "Tenho estado a atrasá-lo em quantos dias?", "Não te rales com isso, não há pressa", "Não? O que acha ter acontecido ao Rei?", "É difícil de dizer. Só tenho a certeza de que ele sabia que não ia voltar", "Estou a ver... Não é uma missão de salvamento, pois não?", "Não".

 

Na manhã seguinte, depois de um curto pequeno-almoço, consistindo de um energético chá e alguns pequenos ovos, roubados no dia anterior, os dois prosseguiram a viagem. "Já que nos dirigimos à Laby para encontrar Falco, podia contar-me como se conheceram?", "Não é má ideia, assim ficas com uma ideia do que esperar e podes escrever uma história nunca antes documentada", "Escrever? Agora não me dá jeito tirar o bloco de notas do saco... Não faz mal, eu tenho uma boa memória", "Claro que tens", murmurou em tom sarcástico, equacionando a legitimidade do escriba.

 

"Pois bem, esta é, não só, a história sobre como nos tornámos grandes amigos, como também é o relato de como Falco se tornou o Guardião do Falcão Negro. Ambos frequentávamos a AACL, tínhamos uma cadeira em comum", "Ele era seu aluno?", "Não, eu era estudante", "Porque nunca é tarde para aprender?", "Não, quer dizer, sim, é verdade que nunca é... É assim tão difícil de acreditar que em tempos fui um jovem?", "Claro que não, mas isso quer dizer que Falco já não é um jovem", "Se me deixares acabar, ficará tudo explicado", "Peço desculpa", "Onde ia? Ah sim! A cadeira que partilhávamos era História & Mitologia, que essencialmente abordava a relação existente entre as duas matérias e a facilidade com que se podem confundir, havia um exercício em particular que pedia aos alunos a análise de mitos ou documentos históricos e que procurassem comprová-los ou desmenti-los. Foi por culpa desse exercício que Falco, tenho de salientar que obviamente nessa altura ainda não era apelidado de Falco, pela primeira vez me abordou, ele tinha-se deparado com um mito, muito obscuro e remoto, sobre uma ave gigante que tinha salvo o Reino de uma invasão de trolls. Antes de mais perguntou-me o que eu achava da veracidade do mito, ao que eu naturalmente respondi ser uma ideia ridícula, uma ave gigante nunca antes ou depois avistada convenientemente combater uma invasão de trolls, para não falar do facto de o Reino nunca ter sido invadido por um único troll, quanto mais múltiplos. De seguida ele chamou-me a atenção sobre alguns detalhes, os quais eu poderia estar a menosprezar; primeiro, o mito descrevia a ave como totalmente negra e que se a sua aparição tivesse sido à noite, o mais provável era passar despercebida; segundo, a ave apenas teve de atacar um troll, descrito como o maior e o chefe do grupo, para os restantes debandarem em medo", "Medo? Os trolls não têm medo de nada", "Foi essa a minha reacção, ele imediatamente contra-argumentou que o medo, aparentemente instintivo, descrito no mito só poderia ser justificado pela ave ser o predador natural dos trolls. Mais, como o território deles não é povoado pelo Homem, seria o local ideal para uma ave gigante habitar sem ser incomodada por nós, que naturalmente seríamos atraídos pelas suas características míticas", "Tendo uma dieta rica em trolls não é impossível imaginá-la seguir um grupo deles, desbravando novos territórios", "A conclusão dele foi mais eloquente, mas o raciocínio seguia as mesmas linhas. Eu disse-lhe que não era mal pensado e que o docente talvez se deixasse convencer, todavia ele riu-se e disse-me, «Eu não quero provar o mito, eu quero que o mito se comprove», em outras palavras, ele pediu-me para acompanhá-lo numa expedição, com o fim de encontrar a ave gigante", "Só um minuto", o escriba parou, tirou a mala das costas e ajoelhado no chão começou a vasculhar o saco, "O que estás a fazer?", "Isto é ouro! A missão tem sido um tédio e se continuar assim não haverá muito para escrever, porém poderá eventualmente aquecer e nesse caso correrei o sério risco de morrer. Logo, é melhor jogar pelo seguro e redigir a aventura que me está a contar", "É bom saber que confiança não te falta".

 

Enquanto os dois companheiros progrediam na sua viagem, a Princesa lutava a sua própria batalha, ganhar tempo e dissuadir o Conselho Real de cumprir as supostas ordens deixadas pelo Rei. Questionada a sua vontade, admitiu que desejava, com a permissão do Conselho, montar uma expedição de busca e salvamento, desejo prontamente rejeitado, rejeição previsivelmente retribuída com a declaração emproada de que a expedição fora criada e já partira. O Conselho não reagiu da melhor forma, ordenou que a Princesa fosse escoltada aos seus aposentos e permanecesse lá até que se chegasse a uma solução, assim tornando-se prisioneira no seu próprio Palácio. Escusado será dizer que o objectivo do Conselho era impedir o sucesso da expedição, não demorou muito até concluírem que era o Feiticeiro o alvo a abater e só existia um homem capaz de tal.

 

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A minha intenção era escrever toda a narrativa do Feiticeiro neste capítulo, não estava à espera que resultasse em tanta conversa, mas a coisa estava a fluir e quando dei conta já tinha quase mil palavras. Apesar de ainda não ter escrito o resto, sei que dará perfeitamente para mais um capítulo, então fiquei-me por aqui e escrevi o último parágrafo para preparar a apresentação do antagonista.

 

Como ninguém comentou o primeiro, presumi que pelo menos não desgostaram. Esse pareceu-me mais pesado, se calhar podia ter abordado a coisa de outra forma, por isso é que senti a necessidade de incluir no segundo situações mais leves e algum humor.

Editado por bmfpcdm

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Ora, vamos lá partilhar isto pela primeira vez por aqui:

 

http://endlesscolourways.tumblr.com

 

Não tem muito tempo, mas tem tempo suficiente para já ter algumas coisas escritas (uns... 4 meses?). Por norma não são coisas muito grandes, portanto quero acreditar que nem se torne nada de muito exaustivo nem chato. Também não me preocupo muito em andar aí a esfregar o link na cara das pessoas, daí só me estar a lembrar de colocar isto aqui agora.

 

Façam bom proveito!

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Obrigado. :grin:

 

Gostava de ganhar coragem para começar a escrever contos, que estou-me a habituar demasiado a esse formato.

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:lol:

 

Essa era a parte que eu menos queria que gostassem! Mas se conheces a origem... :happy:

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:lol:

 

Essa era a parte que eu menos queria que gostassem! Mas se conheces a origem... :happy:

 

Porque ?

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Porque ?

Porque, estando neste tópico, a ideia era lerem o que por lá vou escrevendo.

 

A origem é uma música.

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Capítulo I: Um Reino sem Rei

 

 

Um velhote que ilude o tempo, o dono de uma ave rara e um escriba falhado, são estes os responsáveis pela mais importante missão de toda a história do Reino, a busca pelo perdido Rei para lá das geladas montanhas de leste.

 

A ordem veio da Princesa, que na ausência do Rei tomou as rédeas do Reino. A natureza do desaparecimento era desconhecida, só se sabia que este tinha feito uma digressão às terras além das montanhas de leste, a própria razão para a excursão era um mistério, do qual nem a Princesa tinha conhecimento. Contudo o Rei antes da sua partida tinha deixado clara a data do seu regresso, se falhada por mais de uma semana a Princesa deveria seguir o protocolo, reunir o Conselho Real, com a promessa de que este saberia o que fazer. A data foi falhada, o Conselho Real foi evocado, mas para surpresa da Princesa o objectivo não era encontrar o Rei, era o quanto antes constitui-la Rainha, sendo para isso necessário declarar ao povo a morte do Rei e após o mês de pesar, iniciar as preparações cerimoniais para a intitulação da Princesa a Rainha. Insatisfeita exigiu, em várias ocasiões, explicações ao Conselho, este limitou-se a negar qualquer conhecimento extra e de que o procedimento tinha sido previamente estabelecido pelo Rei. Deste modo não lhe restou outra opção senão agir pelas costas do Conselho, assim procurou a assistência do único homem em quem podia confiar, o seu antigo tutor, o Feiticeiro.

 

O Feiticeiro ganhou fama graças ao vasto conhecimento que adquirira ao longo de muitos anos de vida – quantos ao certo uma incógnita – tal como a magia que dominava. Tendo a Princesa sido educada por ele desde uma tenra idade, os dois partilhavam uma relação muito chegada e informal, quase como avô e neta, embora ele suplantasse em muitos aspectos a figura paternal que o Rei tinha por imposição.

 

O próprio Feiticeiro ficou intrigado com os acontecimentos descritos pela Princesa e facilmente concordou em auxiliá-la. Ela achou por bem que um escriba o acompanhasse, com o único propósito de registar em primeira mão os acontecimentos da busca pelo Rei, todavia o Feiticeiro rejeitou a ideia, explicando que seria um peso a mais numa viagem que acarretava os seus perigos e que se ela fazia questão que a história fosse escriturada, ele poderia muito bem ocupar esse papel. Reticente a Princesa aceitou a proposta, vincando que o mais importante era encontrar o Rei e que o Feiticeiro não deveria ter outras preocupações na sua mente. Por último perguntou se ele tencionaria enfrentar o desafio sozinho, temendo que a avançada idade pudesse ser um real entrave, ele aquietou-a, assegurando que se faria escoltar por um velho conhecido, "Mas não tão velho quanto eu", redarguiu alegremente, roubando-lhe um sorriso e abraçando-a antes que se despedissem. Na alvorada do dia seguinte partiria.

 

O velho conhecido a que o Feiticeiro se referia era Falco, uma verdadeira lenda, citado em inúmeras histórias como Guardião do Falcão Negro, uma majestosa ave que de dia incutia o terror da noite no coração dos seus inimigos e de noite era invisível e mortífera. O Feiticeiro sabia que podia contar com ele, porém era necessário encontrá-lo e isso nem sempre era fácil, pois Falco não tinha um pouso certo. O melhor lugar para iniciar a procura era a floresta conhecida como Labyrinthus, ou Laby, a sudeste do Reino, famigerada pela sua qualidade desnorteante e por isso mesmo um local perfeito para alguém como Falco se abrigar.

 

Enquanto o Feiticeiro se preparava para a viagem, a Princesa ultimava o plano que escondera ao Feiticeiro. Não ficara satisfeita com as palavras de conforto do seu ex-tutor e decidiu nomear um escriba para o seguir de perto e obedecer qualquer ordem, com a excepção de o abandonar. Porém sabia que não podia eleger um dos notáveis escribas do Reino, com o risco de a sua falta ser notada por um qualquer membro do Conselho Real e levantar perguntas indesejáveis. Lembrou-se então de um jovem com quem se cruzara há uns anos na Academia das Artes, Ciências e Letras quando se dirigia à oficina do Feiticeiro, embora a Princesa estivesse coberta por um longo manto e a sua face mal se visse, para seu espanto fora imediatamente reconhecida pelo jovem, que após o leve choque provocado pelo seu atraso e pressa para alcançar uma aula de caligrafia, prontamente e cordialmente se desculpou à Princesa pelo seu desleixo. Curiosa por saber do sucesso ou insucesso do aspirante a escriba, dirigiu-se de forma dissimulada ao departamento de escrituração e renovação literária da Biblioteca, contudo ao ultrapassar o vestíbulo e entrar no salão uma voz atónita cortou o silêncio, "Princesa?", a dita reconheceu o tom e num misto de indignação e exultação aproximou-se do rapaz, "Pergunto-me como tens a capacidade de me reconhecer, sem teres a noção de que tento passar despercebida. Há algum sítio onde possamos falar em privacidade?", mais estupefacto do que nunca conduziu-a à repartição de arquivos da Biblioteca. Lá, ela explicou o porquê de necessitar os seus serviços, a expressão do rapaz animou-se consideravelmente e sem pensar duas vezes aceitou o pedido, embora isso se traduzisse em, no dia seguinte, abandonar a única casa que alguma vez conhecera e rumar ao incerto. É verdade que ter sido procurado pela Princesa em pessoa foi o suficiente para ele aceitar o pedido, ainda assim existiam outras razões propícias à decisão favorável. O escriba tirara a pior nota final de curso e há dois anos que exercia funções de mero arquivador, levava uma vida solitária e intimamente ansiava por mudança, o momento alto da sua vida tinha sido o encontro fortuito com a Princesa e não foi com espanto que perguntou por ela naquele reencontro, foi antes por ter receado uma alucinação e o falir da sua sanidade. Este era um pedido que simplesmente não podia recusar.

 

Na manhã seguinte o Feiticeiro foi surpreendido, ao sair da sua habitação, pelo escriba que o esperava à porta, "Em nome da Princesa, ao seu serviço", "Quem és tu?", "Sou o escriba", "Volta para casa enquanto podes", "Não é opção", "Achas que eu não sei escrever? É isso?", "Claro que não, mas é uma actividade extenuante e que consome muito tempo", "Tens noção que a tua vida irá correr perigo?", "Sim!", "Então não deve ser o amor pela tua vida que te motiva. É somente o amor pela escrita que te serve de motivação ou há algo mais?", "A aventura, já sentia vontade de sacudir a minha vida", "Pois bem, assim sendo é melhor fazermo-nos à estrada, temos um longo percurso pela frente", "Qual é o nosso primeiro destino?", "Laby", "Laby?", repetiu com uma entoação nervosa, o Feiticeiro soltou uma gargalhada e deu-lhe consoladoras palmadinhas no ombro.

 

 

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Capítulo II: Em Busca do Mito

 

 

"Continue sem mim, sou um peso morto" declarou o escriba entre suspiros de dor, "Que exagero! Trata-se apenas de umas bolhas, mas pelo estado dos pés já podias ter dito qualquer coisa há pelo menos dois dias", retorquiu o Feiticeiro enquanto examinava os pés do companheiro de viagem, "Não queria atrasar-nos", "E a solução é melodramaticamente pedires para te abandonar no meio de nenhures?", "Confesso que possa ter exagerado, quem sabe esteja a delirar por caminhar com os pés em carne viva", "Tenho uma pomada na mochila, amanhã os pés estarão como novos. Esta noite acamparemos na clareira que atravessámos uns metros atrás".

 

"Os teus pés estão melhores?", perguntou o Feiticeiro enquanto ceavam à luz da fogueira, "Essa pomada é milagrosa, só sinto um leve formigueiro", "Óptimo", "Quantos mais dias para chegarmos à Labyrinthus?", "A este ritmo? Cinco", "Tenho estado a atrasá-lo em quantos dias?", "Não te rales com isso, não há pressa", "Não? O que acha ter acontecido ao Rei?", "É difícil de dizer. Só tenho a certeza de que ele sabia que não ia voltar", "Estou a ver... Não é uma missão de salvamento, pois não?", "Não".

 

Na manhã seguinte, depois de um curto pequeno-almoço, consistindo de um energético chá e alguns pequenos ovos, roubados no dia anterior, os dois prosseguiram a viagem. "Já que nos dirigimos à Laby para encontrar Falco, podia contar-me como se conheceram?", "Não é má ideia, assim ficas com uma ideia do que esperar e podes escrever uma história nunca antes documentada", "Escrever? Agora não me dá jeito tirar o bloco de notas do saco... Não faz mal, eu tenho uma boa memória", "Claro que tens", murmurou em tom sarcástico, equacionando a legitimidade do escriba.

 

"Pois bem, esta é, não só, a história sobre como nos tornámos grandes amigos, como também é o relato de como Falco se tornou o Guardião do Falcão Negro. Ambos frequentávamos a AACL, tínhamos uma cadeira em comum", "Ele era seu aluno?", "Não, eu era estudante", "Porque nunca é tarde para aprender?", "Não, quer dizer, sim, é verdade que nunca é... É assim tão difícil de acreditar que em tempos fui um jovem?", "Claro que não, mas isso quer dizer que Falco já não é um jovem", "Se me deixares acabar, ficará tudo explicado", "Peço desculpa", "Onde ia? Ah sim! A cadeira que partilhávamos era História & Mitologia, que essencialmente abordava a relação existente entre as duas matérias e a facilidade com que se podem confundir, havia um exercício em particular que pedia aos alunos a análise de mitos ou documentos históricos e que procurassem comprová-los ou desmenti-los. Foi por culpa desse exercício que Falco, tenho de salientar que obviamente nessa altura ainda não era apelidado de Falco, pela primeira vez me abordou, ele tinha-se deparado com um mito, muito obscuro e remoto, sobre uma ave gigante que tinha salvo o Reino de uma invasão de trolls. Antes de mais perguntou-me o que eu achava da veracidade do mito, ao que eu naturalmente respondi ser uma ideia ridícula, uma ave gigante nunca antes ou depois avistada convenientemente combater uma invasão de trolls, para não falar do facto de o Reino nunca ter sido invadido por um único troll, quanto mais múltiplos. De seguida ele chamou-me a atenção sobre alguns detalhes, os quais eu poderia estar a menosprezar; primeiro, o mito descrevia a ave como totalmente negra e que se a sua aparição tivesse sido à noite, o mais provável era passar despercebida; segundo, a ave apenas teve de atacar um troll, descrito como o maior e o chefe do grupo, para os restantes debandarem em medo", "Medo? Os trolls não têm medo de nada", "Foi essa a minha reacção, ele imediatamente contra-argumentou que o medo, aparentemente instintivo, descrito no mito só poderia ser justificado pela ave ser o predador natural dos trolls. Mais, como o território deles não é povoado pelo Homem, seria o local ideal para uma ave gigante habitar sem ser incomodada por nós, que naturalmente seríamos atraídos pelas suas características míticas", "Tendo uma dieta rica em trolls não é impossível imaginá-la seguir um grupo deles, desbravando novos territórios", "A conclusão dele foi mais eloquente, mas o raciocínio seguia as mesmas linhas. Eu disse-lhe que não era mal pensado e que o docente talvez se deixasse convencer, todavia ele riu-se e disse-me, «Eu não quero provar o mito, eu quero que o mito se comprove», em outras palavras, ele pediu-me para acompanhá-lo numa expedição, com o fim de encontrar a ave gigante", "Só um minuto", o escriba parou, tirou a mala das costas e ajoelhado no chão começou a vasculhar o saco, "O que estás a fazer?", "Isto é ouro! A missão tem sido um tédio e se continuar assim não haverá muito para escrever, porém poderá eventualmente aquecer e nesse caso correrei o sério risco de morrer. Logo, é melhor jogar pelo seguro e redigir a aventura que me está a contar", "É bom saber que confiança não te falta".

 

Enquanto os dois companheiros progrediam na sua viagem, a Princesa lutava a sua própria batalha, ganhar tempo e dissuadir o Conselho Real de cumprir as supostas ordens deixadas pelo Rei. Questionada a sua vontade, admitiu que desejava, com a permissão do Conselho, montar uma expedição de busca e salvamento, desejo prontamente rejeitado, rejeição previsivelmente retribuída com a declaração emproada de que a expedição fora criada e já partira. O Conselho não reagiu da melhor forma, ordenou que a Princesa fosse escoltada aos seus aposentos e permanecesse lá até que se chegasse a uma solução, assim tornando-se prisioneira no seu próprio Palácio. Escusado será dizer que o objectivo do Conselho era impedir o sucesso da expedição, não demorou muito até concluírem que era o Feiticeiro o alvo a abater e só existia um homem capaz de tal.

 

 

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Capítulo III: A Retoma de um Legado

 

 

"Tens a certeza de que trouxeste lápis?", "Tenho! A culpa é da mala, parece que perco tudo o que guardo aqui", "Eu tenho um lápis que posso emprestar. É que estás há cinco minutos à procura, mas parece que já passaram duas semanas", "Muito engraçado... Aah! Encontrei!".

 

Reiniciada a caminhada, "Queres que recomece do início?", "Até dava jeito, mas vou-lhe poupar o incómodo", "Óptimo. Falco tinha acabado de me convidar para uma aventura com a promessa de perigo, sem garantia alguma de sucesso. Uma deliberação fácil à primeira vista, porém o meu poder de decisão naquele tempo estava nublado pela irreverência natural de um jovem adulto com, admito, um ligeiro toque de megalomania. Assim, a minha única opção era juntar-me a ele na busca de um animal mitológico, fiando-me apenas na interpretação optimista de uma esquecida lenda. Vale a pena salientar que eu imediatamente me apercebi da vontade enorme de Falco seguir o seu instinto e caso eu tivesse recusado o convite acredito que ele prosseguiria a sós. Mais uma razão para o ter aceite. Como deves saber, o território dos trolls é relativamente desconhecido, sabe-se aproximadamente a sua área, mas não existem quaisquer mapas relativos à região. Existe apenas muito folclore sobre antigos Reinos que através de guerras, feitiçaria, gerações de relações incestuosas, caíram e deram lugar aos trolls. É dito que as ruínas desses Reinos, tal como os cobiçados tesouros, encontram-se naquela região. O nosso objectivo não era investigar o terreno, nem as origens dos detestáveis seres que por lá habitam, por isso era preferível não nos depararmos com tais bestas, mas sabíamos do perigo que incorríamos ao trespassar território hostil. Embora jovem já tinha algum conhecimento das artes da magia, infelizmente nenhum dos feitiços que dominava teria qualquer efeito numa confrontação com um troll, somente as minhas noções básicas de camuflagem e evasão poderiam salvar-nos de um final trágico. Deste modo, seria fundamental encontrar a ave o quanto antes, concordámos que subir ao ponto mais alto e próximo seria um bom plano inicial, acamparíamos por lá um dia e caso falhássemos em avistar a ave prosseguiríamos até ao próximo cume. O plano também passava por evitar clareiras ou qualquer caminho desprovido de flora conveniente à arte da dissimulação. À noite perfazíamos turnos de vigia, pois essa é a fase mais activa de um troll e num momento tão vulnerável como o sono era imperativo ter alguém capaz de antecipar um possível ataque. Assim, com cautela e alguma sorte, conseguimos evitar encontros indesejáveis. Mantivemos esta estratégia durante a primeira semana, no entanto o progresso era lento e o flagrante insucesso frustrante. Na segunda semana propus que identificássemos o cume mais alto e nos dirigíssemos até lá numa última tentativa de observar a ave gigante, Falco concordou apesar do seu descontentamento ser visível. Foi na manhã do segundo dia dessa derradeira jornada que o inevitável aconteceu, vimos um troll. Felizmente este não sentiu a nossa presença, permanecemos quietos e escondidos por entre as altas raízes das sólidas árvores, ele deslocou-se lentamente para uma caverna, provavelmente cansado depois de uma noite de procura por alimento. Depois desse encontro senti-me habilitado a conhecer a verdadeira intenção de Falco e perguntei-lhe o que pretendia com tudo aquilo. Após admitir que eu merecia saber os detalhes da aventura, considerando os perigos a que me expunha sem levantar muitas perguntas, confessou-me que a fábula a mim apresentada era falsa. Na realidade tratava-se de uma história que o seu avô lhe contara enquanto criança, mas que jurava ser verdadeira e a única maneira de ele me convencer a acompanhá-lo, fora conjurando toda aquela história. Fiquei obviamente desagradado, ele pediu-me desculpa e suplicou que prosseguíssemos com o meu plano, perguntei-lhe a razão pela qual tinha tanta certeza da existência da ave, ele respondeu convicto, «É a palavra do meu avô, para além disso eu sonhei com ele, o Falcão Negro, e sinto-o no meu coração». Algo preocupado com o seu estado mental, decidi cumprir o seu desejo, receoso de fazer uma viagem de regresso a sós, ou pior, uma viagem com alguém, julgava eu, mentalmente débil e contrariado. Chegámos ao monte ao fim do terceiro dia e antes de o Sol se pôr montámos acampamento um pouco afastado do cume, pois este era careca, tínhamos intenção de subi-lo antes da alvorada e permanecer lá até ao subsequente final de tarde. Tomei o primeiro turno da noite, convencido que Falco necessitava desesperadamente de descanso, felizmente na última noite ele tinha ficado encarregue desse turno e por isso não foi difícil convencê-lo a descansar primeiro. Quando chegou o momento de trocarmos, decidi que seria melhor deixá-lo dormir o resto da noite. Devo dizer que nesta altura não tinha qualquer confiança no homem e mesmo que ele me servisse, não conseguiria dormir, pelo que ficariam dois homens acordados, um a vigiar e outro a fingir que dormia. Contudo sobrestimei a minha capacidade de permanecer uma noite inteira acordado responsável por uma função tão monótona, o facto de até então não termos tido incidentes durante a noite também foi um factor decisivo para eu involuntariamente adormecer encostado ao tronco de uma árvore, mas pensando bem deveria ter encarado o anterior encontro com o troll um sinal de termos entrado em território com maior actividade. O Falco acordou-me a meio da noite com a sua mão esquerda tapando firmemente a minha boca e fazendo sinal com a mão direita, o dedo indicador colado aos seus lábios, para eu permanecer calado, enquanto freneticamente olhava em redor. Ainda demorei alguns segundos até fazer sentido do que se passava, mas ao aperceber-me, baixei-lhe o braço e ficámos imóveis durante mais de um minuto atentos a qualquer barulho que denunciasse a posição do troll que acordara Falco. O ininterrupto silêncio não me agradava, então perguntei-lhe com um sussurro, que se confundiu com o cicio das árvores, se de facto tinha ouvido algum troll, ele acenou positivamente. Fiz sinal para pegarmos nos sacos e comecei a preparar-me para descer o monte, Falco agarrou-me pelo braço direito e apontou na direcção do cume com um ar interrogativo, sussurrei-lhe ao ouvido que era de noite e de que em campo aberto seríamos um alvo fácil. Antes de ele ter tempo para responder ouviram-se múltiplos ruídos que tudo indicavam estarmos cercados por um grupo de trolls, aquilo que eu mais temia face ao silêncio evidenciado após termos acordado. Perspicazes eram estes trolls, pois apesar de não estarmos completamente cercados, fôramos flanqueados e obrigados a subir até ao cume, pois tornara-se evidente que a nossa posição era-lhes conhecida. Largámos os sacos e desatámos a correr, pois era a única maneira óbvia de ganharmos tempo e sem sabermos de quanto tempo dispúnhamos, cada segundo seria determinante. Para desgosto nosso, ao sairmos do arvoredo deparámo-nos com um deles, presumivelmente o líder do grupo, a menos de trinta metros com uma altura de três homens e que se limitara todo aquele tempo a esperar pela sua refeição. Não consegui evitar um leve sorriso perante tanta astúcia, na minha arrogância nunca pensara que tais bestas pudessem engendrar dito esquema, quiçá já nos seguiam à dias esperando somente pela melhor oportunidade para atacar. Com os restantes trolls a aproximarem-se e com aquele simplesmente à espera da nossa reacção o fim parecia próximo, Falco chegara à mesma conclusão, desculpou-se uma última vez por tudo, imediatamente correndo em paralelo ao arvoredo acenando e gritando na tentativa de atrair a atenção do troll e dando-me espaço para fugir. O troll seguiu o engodo sem antes grunhir para o bosque, acredito que fornecendo informação ao restante grupo. Falco enveredou para o arvoredo antes que o troll o alcançasse, nesta altura eu estava livre de perigo imediato, no entanto não vazia ideia do que fazer, o resto do grupo continuava a subir o monte e aparentemente só me restava atravessar todo o cume. Olhei para o céu estrelado com as mãos na cabeça quando um vulto silencioso rasgou a vasta tela sideral e mergulhou por entre as árvores originando um prolongado silêncio, finalmente interrompido por um brado estridente da ave que se fez ouvir por quilómetros. O Falcão Negro voou e os trolls debandaram, arrisco-me a afirmar, em pânico monte abaixo. Corri em busca do Falco, seguindo o trilho de destruição deixado pelo seu perseguidor, primeiro encontrei o cadáver mutilado do troll, tinha encontrado uma morte rápida, de seguida achei Falco com uma expressão de terror e admiração. Levantei-o e encaminhei-o até ao acampamento, apenas o seu saco tinha sido destruído, guardei o que se aproveitava no meu e perguntei-lhe se era capaz de partir. Ele disse-me que tinha de voltar ao cume, eu insisti que tínhamos de partir, que ele tinha razão em relação ao Falcão, mas não valia a pena permanecermos ali. Ele insistiu e partiu à frente sem me dar ouvidos, sem outra alternativa segui-o. O amanhecer não tardava quando chegámos ao cume, ele parou e eu incomodado perguntei-lhe o que raio ele pretendia mais, ele apontou para o céu nas minhas costas, virei-me e vi o Falcão aproximar-se e pousar suavemente à nossa frente. Plumagem, bico, garras, tudo preto, à semelhança de um corvo, porém havia uma magnificência em torno da criatura, a postura era de orgulho e até de respeito. Agora sei que aquela posição era em consideração a Falco, que naquela noite ele tornara-se o Guardião do Falcão Negro. Não sei como nem porquê, mas aqueles dois têm uma ligação que desafia o natural", "Que quer dizer com isso?", "Falco e Falcão não parecem envelhecer", "São imortais?", "Aparentemente", "Tem alguma teoria?", "Ao longo dos anos temos vindo a concordar que o seu avô muito provavelmente sabia mais do que contara, porventura fora em tempos o Guardião do mesmo Falcão", "Fascinante".

 

O escriba atentamente anotou detalhe após detalhe, recapitulando toda a história com uma atenção que devolvia a esperança ao Feiticeiro de a Princesa ter feito a escolha correcta.

 

A cada passo que davam a Laby ficava mais próxima e lá o escriba encontraria pela primeira vez verdadeiro perigo.

 

 

——————————————————

 

Este desvio da história principal tornou-se mais longo do que tinha antecipado e acabou por ser um conto dentro de um conto. Já deu para eu experimentar o narrar de alguma acção, o que nunca foi o meu forte, maioritariamente por falta de prática ou sequer tentativas, pois nunca me senti confiante.

Editado por bmfpcdm

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Resumo: O Rei andava desaparecido, então a Princesa pediu (contra a vontade do Conselho Real) ao Feiticeiro para que o fosse resgatar. Um escriba juntou-se ao velhote (sem barbas, só para contrariar a tendência) com o fim de documentar a jornada (se é que isso faz algum sentido). O Conselho Real descobriu a marosca (a Princesa não se segurou e esfregou-lhes na cara) e confinaram a heroína ao sua quarto (de castigo!). A caminho da floresta Labyrinthus, o Feiticeiro narrou ao escriba a história de como tinha conhecido e criado amizade com Falco, o guardião de uma ave rara (um falcão gigante, se querem mesmo saber).

 

Capítulo IV: Uma Nova Cara

 

Para qualquer caminhante Labyrinthus era a floresta a evitar. Habitat das árvores mais altas e arcaicas do continente, criando-se assim uma atmosfera distinta com altos níveis de humidade, forte neblina e agressivas variações de temperatura. A fraca luz que transpunha as altas copas pouco ajudava quem arriscava a travessia. A única, plausível, maneira de escapar Laby era por noroeste ou leste, onde os rios Caldus e Krios, respectivamente, penetravam na floresta para desaguar no seu coração.

 

O Feiticeiro sabia da infame reputação de Laby, no entanto não estava preocupado com a possibilidade de se perderem na floresta, a sua preocupação residia na possibilidade ou impossibilidade de encontrar Falco. Aliás, encontrá-lo estava fora de questão, pois se Falco estivesse lá, teria de ser o próprio a encontrá-los. Por essa mesma razão o Feiticeiro tinha intenção de entrar na floresta por noroeste e seguir Caldus até ao poço. O poço tratava-se do abismo onde os rios desaguavam. Com uma extensão próxima dos mil metros e uma profundidade desconhecida, era um dos maiores mistérios do continente, para o qual nem o Feiticeiro tinha uma resposta. Em toda a floresta, apenas nas margens do poço não se encontravam árvores, logo era o único local com vista despida para o céu e onde os dois viajantes poderiam ser avistados por Falco.

 

Enquanto os dois não chegavam a Laby, no Reino a Princesa vivia em constante incerteza, ansiedade e crescente impaciência. Tudo isto enquanto confinada à sua própria câmara. Num dos seus banhos de final de tarde pôs conversa com a única aia que pacientemente esperava para secar a sua dama assim que esta desse por terminado o banho, "Usualmente são quatro as aias que me auxiliam neste costume. Achas-te capaz de satisfazer as minhas necessidades?", "Inteiramente, minha senhora", "Confiança não te falta. Num tom mais sério, que rumores correm sobre a minha pessoa?", "Que cedo se tornará Rainha, que a sua enclausura é somente uma formalidade e uma precaução até que tudo esteja preparado", "Entendo. Alguma ideia de quando tudo esteja preparado?", "Não lhe sei dizer minha senhora. Afinal, tratam-se apenas de rumores", a Princesa fechou os olhos, relaxou o pescoço e submergiu durante largos segundos.

 

Cada vez mais perto de Laby e já seguindo o rio Caldus, o Feiticeiro precavia o escriba sobre o que lhes esperava, "A floresta em si é rodeada por densos bosques e antes de lá chegarmos já estaremos envoltos por neblina . Segue-me em todos os momentos, não te deixes ficar para trás como às vezes fazes", "Então não ande tão rápido", "Se quiseres abrandar ou parar durante alguns minutos diz, nunca me percas de vista, estás avisado". Tal como descrito pelo Feiticeiro, gradualmente foram envolvidos por um ténue véu, e se já era difícil para o escriba distinguir as leves diferenças nos matos que nos últimos dias tinham percorrido, agora, adicionando uma camada de fumo em seu redor, era-lhe impossível saber onde estava, de onde vinha e para onde se dirigia. Estava totalmente dependente do Feiticeiro e face ao pensamento de se separarem, só lhe apetecia dar mãos com o velhote. Nessa tarde enquanto desbravavam o bosque que delimitava Laby, o Feiticeiro parou abruptamente e parecia perscrutar a área com o auxílio da sua audição, o escriba imitou-o de modo instintivo por inocentemente confiar mais nos seus próprios ouvidos. Sussurrou, "Não oiço nada para além do...", sussurro prontamente reprimido por um gesto do Feiticeiro, expressando para que se mantivesse calado. "Que surpresa, dois homens percorrendo terras inóspitas", palavras proferidas por uma voz rouca, mas distintamente feminina, continuou, "Ou surpresa nenhuma, afinal o grande Feiticeiro é um dos poucos homens capaz de atravessar Laby, não é verdade?", depois disto o escriba perguntou ao Feiticeiro se conhecia a mulher a quem a voz pertencia, "Claro que me conhece...", defronte deles um vulto aproximou-se, mas para surpresa do escriba não era a silhueta de uma mulher, era a de um animal selvagem, um felino de porte forte e pelagem dourada, "...Afinal foi o seu querido aprendiz que me transformou nisto".

 

"Aprendiz? Você tem um aprendiz?", "Tinha. Infelizmente vim a descobrir que não partilhávamos os mesmos ideais de pensamento e essa forte divergência resultou nele abandonar a minha tutela", "E onde é que ela, o quer que ela seja, entra na história?", "Se não estou enganado ela era a apaixonada dele na altura. Eu bem o avisei de que não havia espaço para romances na vida de um Feiticeiro...", "Deixa-me interromper-te já aí, velhote. Foi esse tipo de pensamento retrógrado que o corrompeu...", "Adorava poder ouvir toda a história, mas nós não temos tempo a perder e espero que saibas que eu não te posso devolver a forma", "'...Só o autor do feitiço pode retraí-lo...', eu conheço a lengalenga, mas confio que saibas por onde ele anda", "Não me digas que ias a caminho do Reino para ir ter comigo?", "Não, eu tenho vivido aqui para evitar comer mais homens, literalmente", enfatizando o comentário ao olhar para o escriba, este puxou a manga do casacão do Feiticeiro requisitando um diálogo em privado, sussurrou, "Sabe onde o seu aprendiz está?", "Não", "Consegue livrar-se dela?", "Matá-la?", "Se a minha vida dependesse disso não seria excessivo, ou seria?", "Não lhe queres perguntar?", "Está a achar muita piada a tudo isto, não está?", o Feiticeiro esboçou um sorriso, "Eu trato disto, não te preocupes", o Feiticeiro voltou-se para a Leoa, "Após cuidadosa deliberação eu e o meu colega consideramos proveitosa, para as ambas as partes, a tua adição ao nosso grupo", "Isso quer dizer que sabes onde ele está?", "Não, todavia algo me diz que nos iremos cruzar com ele na nossa viagem", "Terá de servir. Qual é o nosso destino?", "Por enquanto, o poço".

 

Enquanto penetravam a floresta o escriba não resistiu a perguntar, "Desculpem a insistência, mas com isto quer dizer que estou excluído da ementa de alguém, certo?", "Franzino como és, nem para entrada servias", o Feiticeiro larga uma forte gargalhada, "É realmente um moço muito magrinho", "Esclarece-me, ele é um novo aprendiz?", "Não, trata-se de um escriba, está a documentar a viagem, só isso", "Portanto a sua utilidade é nula", "Eu consigo ouvir-vos, ainda não me perdi", "Por falar nisso, é preferível que me sigas, a Leoa fica atrás de ti para evitar que te percas", "Não me sinto muito confortável com essa ideia, não é nada pessoal Leoa, mas sempre gostei de ser o último", "Gostar é diferente de estar habituado, franzino", "Em última instância a decisão deveria ir a votos", "Perdias. Vá, passa". Mostrando-se um pouco relutante, o escriba cedeu à vontade dos dois companheiros, porém sentia-se satisfeito com o rumo dos recentes eventos e a nova adição não o assustava tanto quanto ele dava a entender.

 

——————————————————

 

Dois meses depois de ter colocado o terceiro capítulo coloco o quarto. Na verdade já o tinha acabado há alguns dias, mas queria acabar também o quinto antes de o colocar por aqui.

 

A ideia original caiu por terra, não é fácil fazer referências ao fórum numa história destas e não queria que a coisa parecesse forçada. Também tenho de admitir que recentemente agradou-me a ideia de dar novo rumo à coisa e encarar o conto com um pouco mais de seriedade, logo vai ser uma viagem mais longa do que tinha originalmente idealizado.

 

A Leoa era uma personagem que desde cedo queria introduzir, não caiu de pára-quedas e tenho intenção de dar profundidade à personagem, isto se nada de mal lhe acontecer, pois nada está escrito em pedra.

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Cruzam-se os olhares

Os corpos reagem de forma instantânea

Soltas um sorriso

E eu fico congelado numa paragem momentânea

 

Já é tarde

Mas nunca é tarde

Eu quero caso tu queiras

Eu beijo se tu beijas

Eu desejo se tu desejas

Desculpa a sinceridade, parece que não tenho maneiras

 

Vamos sair daqui

Isto já está morto

Vamos para tua casa

Quero experimentar na tua cama o conceito de conforto

 

Conforto e não só

Ambos sabemos que queremos mais

Uma noite de puro sexo chama-nos, nós ouvimos

Não recusamos

Claro que aceitamos

Estamos presos aos mesmos princípios dos animais

Vamos fazê-lo até nos virmos

 

Começo com delicadeza mas tu não estás para isso

Queres muita intensidade

Nada de suavidade

Vou acatar a ordem e levar-te ao paraíso

 

Foram vinte minutos inesquecíveis

Arriscaria a dizer irrepetíveis

Foi bom demais

Esgotei a toda minha bateria

Mas recarregava-a já para ter mais

 

Mais do teu corpo

Das tuas curvas

Quero escalá-las até ao topo

Recordando os míticos livros de aventuras

 

Despeço-me de ti

Com o desejo de te voltar a encontrar

Se me vires, sorri

Já sabes que eu vou gostar

 

Podemos, um dia destes, tomar um café

Alimentar uma boa conversa

Mas se achares isto muito cliché

Podemos ir novamente ao que interessa

Ou não

Não precisamos de sexo para passar um bom serão

 

Alguma coisa de jeito ou demasiado mau para ser verdade? :mrgreen:

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só 20 minutos? fraquinho! muahah

 

 

epá tá engraçado, muito solto, pouca ritmica (alguns versos mt longos), mas está giro!

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Foi uma rapidinha. :mrgreen:

 

Foi a 1ª vez que me aventurei num poema. Vou ver se dou uns retoques nos versos mais longos.

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Agora que ele bazou é que admites.

Ainda tens sorte de ter os teus teeth's.

Meu irmão a boca te vão partir .

Pensas que esta m*rda é o que , teu bairro?

Tuas bocas escrevia qd ainda tava no infantario.

Não venhas ter comigo com cara de otario

Mete no chão , enfio te no armario

De onde nunca devias ter saido.

Podes parar olhar para mim sei qe sou lindo.

Vem com 16 barras em apago te com 16 barrotes.

Mal sei falar portugues mesmo assim arrebento te no rap Tuga.

Com menos de 16 barras já te meto a saltar tipo pulga.

 

Apeteceu-me escrever isto xD

LOL

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