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Casa Pia

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Todos sabem julgar? Não o julguei de forma nenhuma. Vais-me dizer que não tens opinião nenhuma? Toda a gente tem opinião. Uma coisa é dizer se acha isto ou aquilo, outra coisa é dizer sem qualquer tipo de dúvidas que a ou b é inocente ou culpado. Sempre achei e continuo a achar que está inocente, mas se se provar o contrário, que seja punido. Onde está a dúvida? Acho é que este caso foi todo baseado em testemunhos e nunca em factos concretos, e as testemunhas podem mentir, principalmente quando têm bastante a ganhar com isso e ainda por cima quando já foram apanhados em mentiras.

 

E se eu te disser que tenho conhecimentos de gente que trabalhou na Casa Pia, e que odiava o Carlos Cruz e que depois devido a bebedeiras e afins veio a saltar que era devido à rondagem que ele fazia por lá?

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A minha opinião é que numa década a julgar um caso não seria possível no mundo real que todo o MP e não sei quantos membros do colectivo de juízes tivessem sido enganado por meia dúzia de homens com uma história mirabolante. Por isso se os juízes consideraram os arguidos como culpados eu acredito, até porque nem isto é a Raiz do Medo nem existe nenhum motivo plausível para que tudo isto fosse uma cabala contra um apresentador de televisão, ou se existe, parece nunca ter sido apresentada.

 

E claro que o julgaste quando o consideraste inocente. E para além de o julgares como o inocente, ainda fazes tal afirmação sem qualquer espaço para dúvida.

Eu sei que as pessoas gostam de novelas e que é sempre giro dizer-se que a justiça em Portugal não funciona e que blá, blá, blá, mas eu ainda acredito que existem pessoas competentes.

Por fim, a única coisa que eu acho é que quando se fazem afirmações graves dessa forma leviana se devem ter certezas, não é só achar coisas porque sim, não estamos a falar de um roubo a uma mercearia, estamos a falar de gente que diz que foi prostituída em idades menores enquanto estava à guarda do Estado Português. Já sem falar que se tu achas que o caso foi baseado em mentiras, porque é que só se mentiu no caso do Carlos Cruz e não dos outros arguidos todos?

Estou a falar do caso do Carlos Cruz porque é o que oiço melhor e mais. É possível que mais estejam inocentes. Quando culpam o Herman José de fazer isto e aquilo e foi-se a ver e afinal ele estava no Brasil a essa altura, acho que dá para mostrar a credibilidade destas testemunhas. E em relação a falar mal da justiça, estás com azar que eu até sou contra os que falam mal só porque sim, seja em relação à justiça, saúde ou ensino. Não o faço levianamente nem nunca o farei. Não estou a duvidar do sistema judicial, estou a duvidar das provas dadas a esse mesmo sistema.

 

E afirmo sem qualquer espaço para dúvidas? Claro que não, aliás, que parte de "se se provar mesmo que é culpado deve ser punido" é que não leste? Pelo que se sabe este processo foi todo baseado em testemunhos e não em provas, o que me faz duvidar muito do resultado.

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Faz-me lembrar também o sinal do Pedroso, que quando os médicos foram ver restava apenas uma cicatriz :lol: . E isto de um individuo que gente do PS diz que na Margem Sul ele era do pior...

 

Estou a falar do caso do Carlos Cruz porque é o que oiço melhor e mais. É possível que mais estejam inocentes. Quando culpam o Herman José de fazer isto e aquilo e foi-se a ver e afinal ele estava no Brasil a essa altura, acho que dá para mostrar a credibilidade destas testemunhas. E em relação a falar mal da justiça, estás com azar que eu até sou contra os que falam mal só porque sim, seja em relação à justiça, saúde ou ensino. Não o faço levianamente nem nunca o farei. Não estou a duvidar do sistema judicial, estou a duvidar das provas dadas a esse mesmo sistema.

 

E afirmo sem qualquer espaço para dúvidas? Claro que não, aliás, que parte de "se se provar mesmo que é culpado deve ser punido" é que não leste? Pelo que se sabe este processo foi todo baseado em testemunhos e não em provas, o que me faz duvidar muito do resultado.

 

Sabes o que é que eu acho estranho?

Acho é estranho o Carlos Cruz ter documentos de tudo e mais alguma coisa que fez há tantos anos, saber exactamente onde esteve, o que fez, ter recibos e afins. O homem deve ter uma arrecadação só para guardar papeis e afins. E acho curioso o Carlos Cruz usar uma bola de futebol para provar que estava no Algarve (num torneio qq feminino) quando nenhuma revista social deu por ele lá, nem ninguem se lembra de vê-lo lá. Mas sim, é uma cabala.

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Estou a falar do caso do Carlos Cruz porque é o que oiço melhor e mais. É possível que mais estejam inocentes. Quando culpam o Herman José de fazer isto e aquilo e foi-se a ver e afinal ele estava no Brasil a essa altura, acho que dá para mostrar a credibilidade destas testemunhas. E em relação a falar mal da justiça, estás com azar que eu até sou contra os que falam mal só porque sim, seja em relação à justiça, saúde ou ensino. Não o faço levianamente nem nunca o farei. Não estou a duvidar do sistema judicial, estou a duvidar das provas dadas a esse mesmo sistema.

 

E afirmo sem qualquer espaço para dúvidas? Claro que não, aliás, que parte de "se se provar mesmo que é culpado deve ser punido" é que não leste? Pelo que se sabe este processo foi todo baseado em testemunhos e não em provas, o que me faz duvidar muito do resultado.

 

E tu por acaso sabes quantas testemunhas/vítimas havia e quantas foram consideradas credíveis? Sabes se alguma das testemunhas que acusou o Herman José foi considerada como credível para os outros casos?

 

Tu tens noção do que se entende por prova? Um testemunho é (pode ser) um elemento de prova. Tu estás a referir-te a provas físicas. Mas num processo desta natureza é praticamente impossível que elas existam.

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E tu por acaso sabes quantas testemunhas/vítimas havia e quantas foram consideradas credíveis? Sabes se alguma das testemunhas que acusou o Herman José foi considerada como credível para os outros casos?

 

Tu tens noção do que se entende por prova? Um testemunho é (pode ser) um elemento de prova. Tu estás a referir-te a provas físicas. Mas num processo desta natureza é praticamente impossível que elas existam.

Compreendo, no entanto é também por isso que quase sempre me restarão dúvidas no que diz respeito a este tipo de coisas. Eu não consigo aceitar um julgamento completamente baseado em testemunhas. As testemunhas são um elemento muito importante para qualquer julgamento, mas na minha opinião devem ser sempre um elemento complementar a evidências físicas.

 

Quanto ao 1º parágrafo, claro que não sei nada disso e é por isso que a minha opinião vale o que vale, 0. É apenas uma opinião baseada no que sei, que não é muito e é por isso que não sou eu a decidir se ele é culpado ou não.

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Casa Pia: Bibi volta atrás e diz que são «todos inocentes»

 

Carlos Silvino, conhecido por «Bibi», o principal arguido do processo Casa Pia diz, em entrevista à revista Focus que chega às bancas quarta-feira, que foi obrigado a mentir ao longo do processo e que os restantes arguidos são «todos iniocentes».

 

Silvino, que incriminou por diversas vezes os restantes arguidos, diz agora que foi drogado ao longo de anos para «dizer o que não queria» e ameaça processar várias pessoas envolvidas no caso.

 

Carlos Silvino foi condenado a 18 anos de prisão em Setembro passado.

 

Para além de Silvino, o médico Ferreira Diniz foi condenado a sete anos de prisão, ao advogado Hugo Marçal foi aplicada uma pena de seis anos e dois meses, o antigo embaixador Jorge Ritto foi condenado a seis anos e oito meses, o apresentador Carlos Cruz foi condenado a sete anos de prisão e o antigo provedor-adjunto da Casa Pia Manuel Abrantes foi condenado a cinco anos e nove meses.

 

A outra arguida, Gertrudes Nunes, proprietária da casa de Elvas onde ocorreram abusos, foi absolvida.

 

http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=490482

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Estou a falar do caso do Carlos Cruz porque é o que oiço melhor e mais. É possível que mais estejam inocentes. Quando culpam o Herman José de fazer isto e aquilo e foi-se a ver e afinal ele estava no Brasil a essa altura, acho que dá para mostrar a credibilidade destas testemunhas. E em relação a falar mal da justiça, estás com azar que eu até sou contra os que falam mal só porque sim, seja em relação à justiça, saúde ou ensino. Não o faço levianamente nem nunca o farei. Não estou a duvidar do sistema judicial, estou a duvidar das provas dadas a esse mesmo sistema.

 

E afirmo sem qualquer espaço para dúvidas? Claro que não, aliás, que parte de "se se provar mesmo que é culpado deve ser punido" é que não leste? Pelo que se sabe este processo foi todo baseado em testemunhos e não em provas, o que me faz duvidar muito do resultado.

Até fui aumentar a luminosidade do ecrã do portátil, porque já nem sei se estou a ler bem.

 

A mim pouco me interessa se eles se contradisseram na apresentação de testemunhos, quem tem de julgar a credibilidade das testemunhas são os juízes, não sou eu nem tu através das notícias que saem cá para fora. E se os juízes chegam à conclusão que as testemunhas são credíveis não sou eu que vou objectar isso.

Eu tendo morado 12 anos em Vilamoura cresci a ouvir histórias sobre o Herman José, mas não é isso que me faz considerar o homem culpado ou inocente, ou que os relatos são plausíveis ou invenções para sacar dinheiro, foram anos e anos de julgamento de gente que é com certeza competente, ou pelo menos, é impossível que sejam todos incompetentes a esse nível.

 

Não dizes mal da justiça, mas dizes que o MP e o colectivo de juízes foram enganados no maior julgamento dos últimos anos, sem comentários. Não estás a duvidar do sistema judicial, mas dizes que os nossos melhores juízes e o MP andam a brincar com a vida dos cidadãos e aldrabar julgamentos, sim, porque se tu, um mero mortal, achas que as provas são infundadas, eles que andam de volta do processo há uma década só propositadamente é que se deixaram enganar, sem comentários. Não afirmas levianamente, mas dizes através do profundo conhecimento transmitido "pelo que se sabe" que o Carlos Cruz está inocente, tal como achavas e continuas a achar. Mas nada disto é leviano, colocar dúvidas sobre gente que se diz prostituída e abusada sexualmente, sob a acusação de querer ganhar dinheiro através de uma história que arrasou a vida dos acusados, não é nada leviano, sem comentários...

Editado por whatever

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Compreendo, no entanto é também por isso que quase sempre me restarão dúvidas no que diz respeito a este tipo de coisas. Eu não consigo aceitar um julgamento completamente baseado em testemunhas. As testemunhas são um elemento muito importante para qualquer julgamento, mas na minha opinião devem ser sempre um elemento complementar a evidências físicas.

 

Quanto ao 1º parágrafo, claro que não sei nada disso e é por isso que a minha opinião vale o que vale, 0. É apenas uma opinião baseada no que sei, que não é muito e é por isso que não sou eu a decidir se ele é culpado ou não.

 

E é por isso que existem pessoas habilitadas a instruir o processo e a julgá-lo. E a considerar as provas decidindo sobre elas. Tu dizes que a tua opinião vale 0 mas também dizes que não aceitas um julgamento como este. Não consigo perceber, mas também não vou tentar...

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E é por isso que existem pessoas habilitadas a instruir o processo e a julgá-lo. E a considerar as provas decidindo sobre elas. Tu dizes que a tua opinião vale 0 mas também dizes que não aceitas um julgamento como este. Não consigo perceber, mas também não vou tentar...

O que é que não consegues perceber? Em que é que o facto de eu achar que não se devem fazer julgamentos só baseados em testemunhas contraria o facto de a minha opinião nada valer? Aliás, a minha opinião vale o valor que cada um lhe quiser atribuir. Continua a ser a minha opinião, não é uma verdade absoluta, não percebo onde viste alguma contradição aí.

 

Se eu acho que não se podem fazer julgamentos desta forma é porque também acho que é possível enganar essas tais pessoas habilitadas a instruir e a julgar o processo, logo não estou de forma nenhuma a falar mal de quem conduziu o processo, trabalham com o que têm, apenas acho esse mesmo material algo duvidoso.

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Os trocados que ele n deve ter recebido... Ou então as ameaças de morte. Mas nada que surpreenda, vindo deste pedófilo. Vão-se conseguir safar todos, menos ele. Tristeza de país.

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Os trocados que ele n deve ter recebido... Ou então as ameaças de morte. Mas nada que surpreenda, vindo deste pedófilo. Vão-se conseguir safar todos, menos ele. Tristeza de país.

 

:wtf:

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Pelo tempo que demora este processo. Pelo facto de serem condenados e ficarem à solta. Eu não percebo nada de Direito e provavelmente devia tar calado mas vê-se as coisas no estrangeiro e aqui e tira-se uma conclusão: cometer crimes compensa.

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Os trocados que ele n deve ter recebido... Ou então as ameaças de morte. Mas nada que surpreenda, vindo deste pedófilo. Vão-se conseguir safar todos, menos ele. Tristeza de país.

O julgamento já passou e as sentenças já foram dadas. Penso que a partir deste ponto já não "se safam".

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Nem imagino a raiva que a vitimas devem sentir a ouvirem no dizer isto...

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O processo vai de certeza reabrir Nikel, ainda hoje no telejornal disseram que era o que ia acontecer. Esta declaração põe tudo em causa, tudo o que se arrastou durante estes anos todos.

Editado por lucho^

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O processo vai de certeza reabrir Nikel, ainda hoje no telejornal disseram que era o que ia acontecer. Esta declaração põe tudo em causa, tudo o que se arrastou durante estes anos todos.

Penso que não se reabre o caso por uma coisa destas. Mas lá está, não estou muito a par deste tipo de julgamentos só com testemunhas. Se uma das principais testemunhas de repente muda o discurso, põe-se tudo em causa. Cá está o meu problema com isto... :S

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O processo vai de certeza reabrir Nikel, ainda hoje no telejornal disseram que era o que ia acontecer. Esta declaração põe tudo em causa, tudo o que se arrastou durante estes anos todos.

Foi exactamente o oposto do que ouvi. Mas se cair o processo por causa deste testemunho é porque a fundamentação feita para a condenação foi uma m*rda.

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Foi exactamente o oposto do que ouvi. Mas se cair o processo por causa deste testemunho é porque a fundamentação feita para a condenação foi uma m*rda.

O problema é que as pessoas podem mentir. Por exemplo a partir do momento em que o Carlos Silvino diz uma coisa no tribunal e outra cá fora, só prova que ele pode mentir e não tem problemas com isso, mesmo que seja só para se safar, a credibilidade dele desaparece logo e todos os testemunhos que deu em tribunal a partir de agora valem 0 na minha opinião.

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Mas é o que estou a dizer. Se por este testemunho a condenação cair por terra é porque não estava bem fundamentada. Este tipo nunca foi credível. Primeiro dizia que não conhecia ninguém e de repente, num passo de mágica, eram todos pedófilos. Curiosamente foi quando apareceu o "advogado do Saddam". :mrgreen:

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Isto é que é uma novela mexicana à portuguesa.

" Ora bem, andei a mentir sobre o efeito de drogas e só agora é que me lembrei, passados anos e anos. Esta é que é a verdade. Dantes dizia que era verdade, mas era mentira. Agora é verdade mesmo. Têm de acreditar."

Um novo acontecimento para um novo climax na novela.

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Mas é o que estou a dizer. Se por este testemunho a condenação cair por terra é porque não estava bem fundamentada. Este tipo nunca foi credível. Primeiro dizia que não conhecia ninguém e de repente, num passo de mágica, eram todos pedófilos. Curiosamente foi quando apareceu o "advogado do Saddam". :mrgreen:

 

Eu cá nao duvido que o Bibi mente. Mente para proteger os senhores.

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Testemunha-chave da Casa Pia foi paga para mudar de posição

 

Um freelancer pagou 15 mil euros a uma das testemunhas mais relevantes da Casa Pia para alterar a sua versão dos acontecimentos. A entrevista com a nova versão foi comprada por um jornal.

 

Uma das principais testemunhas do processo Casa Pia recebeu 15 mil euros para dar uma entrevista e desmentir o que ao longo de oito anos disse ao Ministério Público e ao tribunal. A entrevista foi dada a Carlos Tomás - um jornalista freelancer que em tempos escreveu um livro com Marluce, ex-mulher de Carlos Cruz, e que recentemente entrevistou Carlos Silvino para a revista Focus, em que este também negou o que antes dissera no processo - e foi comprada pelo semanário Expresso.

 

Vasco, o jovem em causa, confessou os pormenores dessa entrevista numa conversa com o amigo Américo (os nomes são fictícios), outra testemunha do processo. Ambos estiveram, entre outros locais, na casa de Elvas, onde foram abusados, e denunciaram Paulo Pedroso, Jorge Ritto, Carlos Cruz Hugo Marçal e Ferreira Diniz.

 

«A pior facada é sempre aquela que é dada por um irmão», disse Américo ao SOL, recordando que há uns meses também fora abordado no sentido de desmentir o que tinha dito no processo - precisamente por Carlos Tomás, que perante a sua recusa o terá ameaçado, conforme o SOL então noticiou.

 

 

Conversa gravada

 

Américo tomou a iniciativa de gravar a conversa que teve com Vasco, para recolher provas de que este tinha sido comprado. Tudo começou com um telefonema de Miguel Matias, advogado das vítimas da Casa Pia, dizendo-lhe que tinha sido contactado por Rui Gustavo, jornalista do Expresso, que lhe comunicou que o semanário tinha uma entrevista, filmada por Carlos Tomás, em que Vasco arrepiava caminho em relação a várias coisas que disse em tribunal. O jornalista pediu ao causídico que o colocasse em contacto com outras testemunhas para poder efectuar o contraditório.

 

Miguel Matias colocou-os a par da situação, mas os jovens recusaram aparecer ao lado do colega que consideram que os atraiçoou.

 

Américo sabia que Vasco atravessava más condições financeiras, vivendo apenas de biscates, e já ficara intrigado quando descobriu no Facebook que Carlos Tomás fazia parte do grupo de amigos de Vasco.

 

Controlou então a revolta e ligou-lhe para confirmar em registo áudio o seu pressentimento. Foi directo ao assunto: «O Miguel Matias ligou-me a dizer que tinhas dado uma entrevista ao Carlos Tomás Ele não te ofereceu nada quando falou contigo? A mim, ofereceu».

 

Vasco negou que tivesse dado a entrevista e assegurou que ainda estava a pensar, apesar de estar inclinado a fazê-lo para resolver os seus problemas económicos e os que provocou à namorada Cristina com a venda de um carro (que esta comprara a crédito e que ele vendeu a outra pessoa que depois não teria honrado os compromissos, estando ainda a pagar as prestações ao banco).

 

Américo insistiu: «O que é que ele disse que ia oferecer à Cristina?» Vasco, longe de imaginar que estava a ser gravado, pôs o pé em falso: «Dinheiro para o carro. São 10 mil e tal euros. Paga-lhe o carro e dão-lhe ainda 5 mil euros».

 

Américo descontrola-se e sobe o tom: «A mim disseram-me que tu ias dizer que é tudo mentira e que não tinhas sido abusado por aqueles que nós acusámos em Elvas e que tinhas sido abusado por outro alguém. Quem é o outro alguém?». Vasco começa a ficar desconfortável: «Estão a tentar sacar nabos da púcara...».

 

Américo volta a atacar: «Contaram-me que tu disseste que foste a Elvas e que tinhas sido abusado por outra pessoa sem ser aqueles que nós acusamos!». Vasco esquiva-se: «Andam a falar de uma coisa que ainda não foi feita».

 

Américo contra-ataca: «E que tu disseste que não tinhas sido abusado e que nós estávamos todos a mentir». O outro tenta acalmá-lo: «Falei por mim, não falei por mais ninguém. Passei a noite a pensar se faço ou se não faço. Tenho até amanhã para decidir se faço ou não».

 

 

Vou dizer o que me vier à cabeça

 

«Se tu fizeres isso, vais dizer o quê?», questionou então Américo. E Vasco, que com ele percorreu o mesmo trilho de abusos, parece ausentar-se da realidade: «Vou dizer aquilo que me apetecer, o que me vier à cabeça, não vou acabar com ninguém». Américo lembra-lhe que jurou em tribunal dizer apenas a verdade e que pode ser processado por mudar de versão. Mas Vasco parece ter levado uma lição contraditória com a lei: «As testemunhas não podem mentir mas os assistentes podem e eu era assistente».

 

Américo questiona: «Tu vais dizer uma coisa que é mentira e nós vamos ficar com dúvidas de ti. Vais dizer que o Silvino tem razão é?». O outro respondeu-lhe como se a indignação também o tocasse: «Não. Achas que ele tem razão?».

 

Américo muda agora de terreno: «Disseram-me que um jornalista do Expresso foi ter com o Miguel, para nós todos menos tu - porque tu, supostamente, já deste uma entrevista ao Tomás -, para fazermos uma versão diferente da tua!». E Vasco incentiva-o: «Então aceita, eu já estou a dizer que ia fazer e quais os meus motivos. Tens de fazer o que está na tua consciência. Independentemente de alguma coisa que eu venha a fazer, o problema é meu».

 

Américo, apesar de já ter a confirmação do amigo nas mãos, quer mais explicações e o outro repete as suas razões: «Porquê? Porque quero, é a minha consciência e porque também vai resolver a situação da Cristina. Sim, acredita que é verdade e só pela Cristina».

 

Américo esquece a ferida que o amigo conseguiu de novo reabrir, como se a tivesse anestesiado, e tenta salvaguardar a prova: «Então tu acusaste o Marçal e mais quem?». Vasco começa a desconfiar e atira alguns dos nomes: «Marçal, Jorge Ritto, Ferreira Diniz...» Américo ainda não está contente e atira: «Disseram-me que deste a entrevista ao Tomás a dizer que não tinhas sido abusado!». Mas Vasco nega: «Digo-te já que é mentira». Vasco está cada vez mais desconfiado com o interrogatório. Américo insiste: «Nós não estivemos os dois em Elvas?».

 

Neste ponto, Vasco desligou o telefone e até hoje não voltou a atender as suas chamadas.

 

 

É mentira , diz Carlos Tomás

 

Questionado pelo SOL, Carlos Tomás confirmou ter feito a entrevista, «juntamente com Rui Gustavo», jornalista do Expresso, mas negou ter pago qualquer montante: «Isso é completamente mentira». Contactado, Rui Gustavo, respondeu: «Não falo sobre esse assunto».

 

O SOL tentou que o advogado das vítimas da Casa Pia comentasse a nova entrevista, mas Miguel Matias não quis prestar declarações.

 

Já a ex-provedora da Casa Pia, Catalina Pestana, a quem o advogado avisou do que se estava a passar, não foge à questão e lança avisos: «O Vasco que eu conheci era indiscutivelmente um dos adolescentes mais controlados e maduros, depois de ter passado como os outros por situações de tal maneira brutais que conseguiriam destruir o equilíbrio de qualquer um. Não duvido que só a sua incapacidade de lidar com uma crise de desemprego tão grande o terá levado a vender-se a um jornalista sem escrúpulos. Dentro de poucos dias o Vasco virá ter connosco lavado em lágrimas, a dizer que não acredita naquilo que fez».

 

SOL

Editado por Santiago

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