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BisDost

Voluntariado

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O que ali diz é que se tiveres formação especifica nessa area, vais para outro nível. O de ajudante dos professores de lá, por exemplo. O que interessa é teres 18 anos, os documentos todos, capacidade para os custos e muita, muita vontade. Depois, em príncipio, vais escolher os teus projectos preferidos, em que vertente preferes, etc., tens uma entrevist onde tens que explicar porque queres ir para lá (convém mostrar vontade e empenho, mas não te ponhas com coisas absurdamente exageradas) e voilá.

Editado por nuno claro

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Preferida não é obrigatória...

 

Interessante.

Excato. Se tiveres habiitações académicas fortes metem-te a ensinar os professores, por exemplo, em vez dos putos. E têm preferência nisso porque há mais escassez e porque convém terem professores locais minimamente capacitados para isso.

Editado por nuno claro

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Há também uma organização de voluntariado pertencente ao, provavelmente, maior grupo de voluntariado do Mundo, em Inglaterra, que, segundo me recordo, fornece os seguintes projectos:

 

GAIA course: Duração de 6 meses. Formação acerca dos problemas ambientais em contexto teórico e prático.

 

Development Instructor: Duração de 4 meses. Formação de encontro ao que vão encontrar.

 

Após concluídos esses cursos, é-vos dada passagem ao destino escolhido (Angola, Moçambique, Malawi e India) e vocês e o resto da equipa (3 elementos - 2 + vocês) construída durante o curso, para realizarem os vossos projecto por mais seis meses.

 

Após esse período, regressam à escola por uns tempos (um mês, creio) e têm um direito a um certificado em como participaste com excelência naquela escola.

 

As vantagens que isto ao oferece são:

 

Abrem-se portas a grandes instituições no mundo do voluntariado e não só - será portanto ideal para os mais jovens, sem uma carreira já feita, pois além de exercerem voluntariado, ainda conseguem ganhar currículo e até, se desejarem, entrarem noutrs instituições ou cargos mais avançados;

 

Realizam um projecto de acordo com as necessidades encontradas;

 

A nível de custos, paga-se 2400£ (acho, não confirmei os valores, mas nao andará longe disso) para fazer o curso de GAIA e DI, 3600£ para apenas o de DI. O preço incluí os cursos, o alojamento durante todo esse tempo, a comida, as viagens a África e a estadia, e o bilhete de volta para receber o certificado.

 

No entanto, é possível pagar "apenas" 400£, apelando ao scolarship - bolsa de estudo - que basicamente define que trabalhas para eles, angarianda pontos ao qual eles revertem em dinheiro, ao mesmo tempo que tens acesso ao curso.

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Mas quem é que faz voluntariado a pagar? Porquê tanta propaganda a voluntariados pagos? Fazer dinheiro com isto é de um nível que nem vale a pena falar.

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As viagens, a tua alimentação, os cursos, o alojamento, tudo isso custa dinheiro. É normal que tenhas de pagar, senão nenhuma destas empresas não conseguirião existir. A primeira ongd não tem fins lucrativos nenhuns.

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Pois, eu quando pensei em voluntariado, não pensei em ter que pagar para trabalhar/ajudar.

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Há vários tipos de voluntariado. Se quiseres aqueles de alimentar os sem abrigo de determinada parte, uma vez por semana, ou por mês, em Portugal, é óbvio que não pagas nada. Se quiseres um tipo de voluntariado que exige 100% do tempo, onde tens precisas de alojamento, e se ainda por cima for no estrangeiro, é óbvio que tens de pagar.

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Nunca fiz voluntariado e sou daqueles que diz que um dia destes até faz mas que tem a preguiça de tal. O mais perto disso é organizar os 2 festivais de tunas que a TEUP organiza, sendo um deles na próxima quinta, que vai servir exculsivamente para ajudar esta associação, incluindo 100% do valor dos bilhetes:

 

http://www.casadocaminho.pt/

E o festival:

https://www.facebook.com/events/324882730898392/

Estamos a recolher no corredor B ao pé dos Queijos todo o tipo de donativos por isso estejam à vontade :)

 

O outro festival que fazemos, PortusCalle, também ajudamos sempre alguma instituição nem que seja um bocado.

 

É melhor que nada acho eu :p

 

quanto ao pessoal do Porto, especificamente da FEUP e outras fac.de engenharia, se quiserem ajudar há uma organização que alia o voluntariado À "prática" da engenharia. Tenho um amigo meu que por acaso foi para o Moçambique em Julho por causa disto mas se a motivação para se juntarem for essa é mau sinal :mrgreen: http://www.epdah.pt/

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Bem, decidi deixar aqui mais uma experiência que tive.

 

Ontem, pela primeira vez, fui fazer as chamadas voltas da Comunidade Vida e Paz. Basicamente, para os que ainda não conhecem ou não tenham visto "recentemente" em artigos e reportagens TV, a volta é um conceito bastante simples: X carrinhas partem todos os dias (com equipas diferentes) da Sede da Comunidade Vida e Paz (CVP) e percorrem as ruas de Lisboa, em rotas diferentes.

 

Ontem foi a minha estreia, pela Rota C, que faz qualquer coisa como Xabregas, Sta. Apolónio, Campo das Cebolas, Lidl (ali da zona), Sé, Sta. Apolónia do lado de lá, LUX (Viaduto e junto à linha de comboio) e termina no Oriente.

 

Qual é o nosso objectivo? Tal como na festa da CVP o nosso objectivo é tirar pessoas da rua, conseguimos tirar cerca de 2.000 pessoas nos últimos 10 anos (penso que era 10 anos), ou em alternativa, ser um bom ouvido, um amigo, com quem podem falar, desabafar ou explodir. Para isso, usamos um intermediário de peso: a comida. Ou seja, nos andamos com a carrinha, vamos a estes checkpoints e, através da comida, tentamos estabelecer um dialogo.

 

O primeiro local onde fomos marcou-me logo. Junto a Xabregas, mais precisamente junto a uma zona que servia de reparações militares, 'moravam' duas pessoas. Posso-vos dizer que dormiam num sitio onde passavam ratazanas enormes. Essas pessoas não vêem ninguém durante o dia, portanto nós às 20:25 somos as únicas pessoas com quem elas vão falar e ver. Custa ver que em Lisboa existe uma pobreza deste tipo, pessoas que vivem há mais de 3-4-5 e as vezes mais anos em condições que nenhum ser humano deve viver. Nem consigo colocar por palavras as condições em que muita destas pessoas vivem.

 

Continuamos por todos os checkpoints e posso-vos dizer que a meio da viagem (e já levando uma dose reforçada de 'sacos' - que trazem sandes, folhados, chocolate e pera e litros de leite) ficámos sem leite e reduzidos a muito poucos sacos. Para os mais experientes era algo que nunca tinha acontecido, conclusão: há cada vez mais pessoas a passarem fome.

 

Chegados à Lidl as lágrimas quase me vieram aos olhos. Um rapaz (tinha 30 anos no máximo) dizia que já não comia há dois dias. Acredito que fosse há mais. Ele devorou, é a palavra certa, dois sacos e 2L de leite em menos de 5 minutos, nunca, mas mesmo nunca na minha vida tinha visto algo assim. Só naqueles documentários sobre a fome em Africa. Nunca na minha vida pensei que tal existisse no meu país. Eu só de me lembrar disso fico com os olhos molhados e em pele de galinha. Nem consigo explicar, mas ele estava com tanta fome que nem engolia bem a comida, ele só queria por qualquer coisa à boca mesmo que esta já estivesse cheia, é daquelas imagens que não esqueço.

 

Depois algumas coisas boas. Encontrei um Sr. que já conhecia há 2 anos, das festas de natal. Em Dezembro passado falámos muito e convenci-o a tentar mudar de vida, a não ter vergonha e fomos ao "Espaço aberto ao Dialogo". Ontem, passados 6 meses encontrei-o. Veio-me dizer que já lhe tinham arranjado um quarto e 100€ para comida. Claro que não chega para o mês todo, mas senti que tinha contribuído para tirar uma pessoa da rua, tinha ganho o dia. Ele estava feliz, agora dormia numa cama, debaixo de um tecto. Já não lhe doíam as costas de morar na calçada, de carregar os seus pertences, mais de 30kg, todos os dias, de apanhar vento e chuva. Ele mudou de vida, tem uma casa agora.

 

Encontrei ainda mais amigos que conhecera nas festas passadas. Uns estavam, lentamente, a dar a volta, a procurar uma solução. Outros já tinham arranjado solução mas tinham voltado para a rua. Para esses a nossa missão continua e espero que em breve saiam da rua, daqui a duas semanas tenho encontro marcado com um deles, para ver o que lhe podemos arranjar (ele está a tratar do CC, só depois disso se darão os próximos passos).

 

Deixo para ultimo uma história que ilustra bem que hoje vivemos bem, mas amanhã podemos estar na rua e que muitos dos que estão na rua, às vezes, não estão com as famílias por vergonha. Um sr, que em cultura geral da 200-0 a qualquer um de nós, trabalhava (num cargo importante) num Hotel luxuoso em Londres (não vou dizer nomes, pois trata-se da vida privada de cada um). Hoje é sem-abrigo. Perdeu tudo, mas pior que isso, perdeu a esperança. Não quer contactar a família porque tem vergonha e como tal vive na rua, ao relento, sujeito a apanhar doenças, a ser violentado, sem nada. Marcou-me esta história, porque tive uma prova que pode acontecer a qualquer um de nós.

 

De resto guardo os sorrisos, os abraços, os obrigados, a esperança que vertia dos olhos de alguns, o humor, a sabedoria, a vontade de mudar, enfim guardo muitas coisas boas desta primeira volta que fiz. Vou fazer muitas e muitas mais e aconselho a todos a pensarem sobre isto. Quem for de Lisboa e queira começar a ter um contacto com a CVP comece pela festa de nala (um f.d.s em Dezembro, podem ir 1 dia, 2 ou 3, conforme entendam), quem tiver interessado eu vou dando novidades aqui ou mandem-me PMs. De negativo guardo um lado de Lisboa que poucos conhecem, um lado marcante pela negativa.

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Um post destes e ninguém comenta. És grande!

 

:handclap:

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Só podias ser daqui. :prayer: :mrgreen:

 

Btw conheces alguma Olga que anda nisso?

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Vejo o pessoal da CVP muitas vezes, tanto no Jardim do Tabaco como na Praça de Espanha, é sem dúvida de louvar. E eu que ando muito a pé por Lisboa já reparei que de mês para mês se vê mais sem abrigos e muitos ainda com bom aspecto, ou seja, gente que foi recentemente para a rua.

Editado por whatever

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Bem antes de mais obrigado a todos.

 

Quando escrevi este post era para dar a conhecer uma experiência que podia ter sido vivida por qualquer um de nós e ao mesmo tempo servia também para dar a conhecer mais um pouco das actividades da CVP. Vou aproveitando esta secção para ir transmitindo as minhas experiências nesta área, até pode ser que alguém tenha depois interesse em participar em alguma destas actividades. Se tiverem podem-me mandar PM, ou se quiserem saber mais infos etc.

 

@Scirea Não estou a ver quem é a Olga, mas ela só faz as voltas? Ou faz também a festa de Natal? Se fizer a festa talvez saiba quem é, assim das voltas não sei porque foi a primeira vez que fui.

 

Once again, obrigado a todos pelas palavras (demasiado) simpáticas :compinchas:

Editado por w0

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Por acaso estou a pensar voluntariar-me numa associação aqui da minha zona, que presta um apoio semelhante ao referido pelo w0.

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Aconselho, à semelhança do w0, fazer as voltas da CVP a todos os que forem da zona de Lisboa. Só fiz uma volta até agora também, já há mais de um ano, e creio que até por aí relatei a experiência, havendo coisas de facto arrepiantes com que se convive. É marcante, chocante até em certos aspectos, mas faz-nos bem a nós e essencialmente (que é o que mais importa) àqueles que estamos a ajudar.

 

Hoje voluntariei-me com o meu pai para fazer uma recolha alimentar para o Banco Alimentar, num Mini-preço de uma zona complicadita cá de Braga. Muita pobreza, muita gente em dificuldades claras, a ajuda alimentar que recolhemos ficou algo abaixo das minhas expectativas, confesso.

 

Costuma dizer-se que as pessoas com menos possibilidades até costumam ser aquelas mais dispostas a ajudar, mas pelo menos nestes tempos complicados isso já não se verifica, parece-me. E é natural, as pessoas cada vez mais têm dificuldades em comprar para elas e para os filhos, quanto mais para ajudar em campanhas deste género.

 

Houve uma senhora, por exemplo, que recusou (e como é óbvio compreendo perfeitamente, não julgo ninguém) ajuda, dizendo que já tinha dinheiro contado, e o facto é que saiu do supermercado com uma garrafa de água de 33cl ou 50cl, no máximo, para dar à filha que estava com ela. Apenas e só isso, notava-se que passavam por algumas dificuldades e arrepiou-me o estado de mera tentativa de subsistência que neste momento já deve ser o dia-a-dia de muitas famílias.

 

Provavelmente num Pingo Doce ou Continente em zonas mais 'fáceis' teria recebido mais contribuições e convivido menos com este tipo de realidade, mas acho que me confere mais sensibilidade e uma percepção mais real do que são realmente as dificuldades por que muitas famílias cada vez mais passam.

 

Irritou-me um pouco, contudo, ver algumas pessoas (homens apenas, curiosamente) rejeitar de forma mal educada até o nosso apelo à contribuição para depois saírem do hipermercado com apenas três ou quatro garrafas de vinho na mão, pessoas essas que já desconfio estarem embriagadas quando ali entraram. Falo de três ou quatro. Mas isto já é também a minha aversão a este tipo de vícios que fala mais alto.

 

Todas as formas de voluntariado são importantes, obviamente, mas a nível de realização pessoal em nada se compara este tipo de iniciativas com as rondas/voltas da CVP por Lisboa ou a festa de Natal dessa mesma comunidade, de que o meu primo também falou e a que já fui também por duas vezes, porque são simplesmente situações diferentes...

Tudo tem valor, mas fiquei algo desiludido com os efeitos desta campanha de recolha alimentar, pelo menos no lugar onde estive a efectuar a recolha.

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pessoal, para fazer a recolha de alimentos para o BA do fim de semana de dia 1 é preciso dirigir-me a algum sítio?

 

já preenchi o form do site, mas eles não têm lá informações sobre isso, nem aonde tenho que ir (na zona de lx)

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Bem, decidi deixar aqui mais uma experiência que tive.

 

Ontem, pela primeira vez, fui fazer as chamadas voltas da Comunidade Vida e Paz. Basicamente, para os que ainda não conhecem ou não tenham visto "recentemente" em artigos e reportagens TV, a volta é um conceito bastante simples: X carrinhas partem todos os dias (com equipas diferentes) da Sede da Comunidade Vida e Paz (CVP) e percorrem as ruas de Lisboa, em rotas diferentes.

 

Ontem foi a minha estreia, pela Rota C, que faz qualquer coisa como Xabregas, Sta. Apolónio, Campo das Cebolas, Lidl (ali da zona), Sé, Sta. Apolónia do lado de lá, LUX (Viaduto e junto à linha de comboio) e termina no Oriente.

 

Qual é o nosso objectivo? Tal como na festa da CVP o nosso objectivo é tirar pessoas da rua, conseguimos tirar cerca de 2.000 pessoas nos últimos 10 anos (penso que era 10 anos), ou em alternativa, ser um bom ouvido, um amigo, com quem podem falar, desabafar ou explodir. Para isso, usamos um intermediário de peso: a comida. Ou seja, nos andamos com a carrinha, vamos a estes checkpoints e, através da comida, tentamos estabelecer um dialogo.

 

O primeiro local onde fomos marcou-me logo. Junto a Xabregas, mais precisamente junto a uma zona que servia de reparações militares, 'moravam' duas pessoas. Posso-vos dizer que dormiam num sitio onde passavam ratazanas enormes. Essas pessoas não vêem ninguém durante o dia, portanto nós às 20:25 somos as únicas pessoas com quem elas vão falar e ver. Custa ver que em Lisboa existe uma pobreza deste tipo, pessoas que vivem há mais de 3-4-5 e as vezes mais anos em condições que nenhum ser humano deve viver. Nem consigo colocar por palavras as condições em que muita destas pessoas vivem.

 

Continuamos por todos os checkpoints e posso-vos dizer que a meio da viagem (e já levando uma dose reforçada de 'sacos' - que trazem sandes, folhados, chocolate e pera e litros de leite) ficámos sem leite e reduzidos a muito poucos sacos. Para os mais experientes era algo que nunca tinha acontecido, conclusão: há cada vez mais pessoas a passarem fome.

 

Chegados à Lidl as lágrimas quase me vieram aos olhos. Um rapaz (tinha 30 anos no máximo) dizia que já não comia há dois dias. Acredito que fosse há mais. Ele devorou, é a palavra certa, dois sacos e 2L de leite em menos de 5 minutos, nunca, mas mesmo nunca na minha vida tinha visto algo assim. Só naqueles documentários sobre a fome em Africa. Nunca na minha vida pensei que tal existisse no meu país. Eu só de me lembrar disso fico com os olhos molhados e em pele de galinha. Nem consigo explicar, mas ele estava com tanta fome que nem engolia bem a comida, ele só queria por qualquer coisa à boca mesmo que esta já estivesse cheia, é daquelas imagens que não esqueço.

 

Depois algumas coisas boas. Encontrei um Sr. que já conhecia há 2 anos, das festas de natal. Em Dezembro passado falámos muito e convenci-o a tentar mudar de vida, a não ter vergonha e fomos ao "Espaço aberto ao Dialogo". Ontem, passados 6 meses encontrei-o. Veio-me dizer que já lhe tinham arranjado um quarto e 100€ para comida. Claro que não chega para o mês todo, mas senti que tinha contribuído para tirar uma pessoa da rua, tinha ganho o dia. Ele estava feliz, agora dormia numa cama, debaixo de um tecto. Já não lhe doíam as costas de morar na calçada, de carregar os seus pertences, mais de 30kg, todos os dias, de apanhar vento e chuva. Ele mudou de vida, tem uma casa agora.

 

Encontrei ainda mais amigos que conhecera nas festas passadas. Uns estavam, lentamente, a dar a volta, a procurar uma solução. Outros já tinham arranjado solução mas tinham voltado para a rua. Para esses a nossa missão continua e espero que em breve saiam da rua, daqui a duas semanas tenho encontro marcado com um deles, para ver o que lhe podemos arranjar (ele está a tratar do CC, só depois disso se darão os próximos passos).

 

Deixo para ultimo uma história que ilustra bem que hoje vivemos bem, mas amanhã podemos estar na rua e que muitos dos que estão na rua, às vezes, não estão com as famílias por vergonha. Um sr, que em cultura geral da 200-0 a qualquer um de nós, trabalhava (num cargo importante) num Hotel luxuoso em Londres (não vou dizer nomes, pois trata-se da vida privada de cada um). Hoje é sem-abrigo. Perdeu tudo, mas pior que isso, perdeu a esperança. Não quer contactar a família porque tem vergonha e como tal vive na rua, ao relento, sujeito a apanhar doenças, a ser violentado, sem nada. Marcou-me esta história, porque tive uma prova que pode acontecer a qualquer um de nós.

 

De resto guardo os sorrisos, os abraços, os obrigados, a esperança que vertia dos olhos de alguns, o humor, a sabedoria, a vontade de mudar, enfim guardo muitas coisas boas desta primeira volta que fiz. Vou fazer muitas e muitas mais e aconselho a todos a pensarem sobre isto. Quem for de Lisboa e queira começar a ter um contacto com a CVP comece pela festa de nala (um f.d.s em Dezembro, podem ir 1 dia, 2 ou 3, conforme entendam), quem tiver interessado eu vou dando novidades aqui ou mandem-me PMs. De negativo guardo um lado de Lisboa que poucos conhecem, um lado marcante pela negativa.

 

Só vi isto agora. Queria dizer-te: obrigado.

 

Infelizmente estou familiarizado com algumas das situações que revelaste e é tão triste saber que há gente que passa fome em Portugal.

 

--

 

Relativamente a voluntariado, se há coisa que me mete nojo é mesmo esta vaga de pessoas que querem estar associadas, à força, a campanhas de voluntariado só para colocarem no CV. Conheço alguns casos, infelizmente. Demasiado triste.

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Só vi isto agora. Queria dizer-te: obrigado.

 

Infelizmente estou familiarizado com algumas das situações que revelaste e é tão triste saber que há gente que passa fome em Portugal.

 

--

 

Relativamente a voluntariado, se há coisa que me mete nojo é mesmo esta vaga de pessoas que querem estar associadas, à força, a campanhas de voluntariado só para colocarem no CV. Conheço alguns casos, infelizmente. Demasiado triste.

uma vez falei com 2 gajos que nem era para para o CV, era para receberem a bolsa que o Santander dá aos Erasmus :lol: parece que era um dos critérios de atribuição.

 

quanto à campanha do BA, se alguem fez nos outros anos que me diga como o fez (lx) ... o ano passado inscrevi-me na cáritas mas aquilo estava bastante desorganizado e nunca chegaram a chamar-me, este ano a ver como corre com o BA

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