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Tópico da Política e Economia

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Isso em Tripoli é mesmo para ser levado a sério ou foram uns tipos random com a bandeira do ISIS?

Não é em Tripoli é em Derna. E alegadamente (nestas coisas nunca ninguém sabe nada) foi um grupo de ex-combatentes na Síria que regressou a casa e fez questão de trazer o circo atrás.

 

O que é para ser levado a sério, mais do que a centena de psicopatas que andam a fazer cortejos com anti-aéreas, é que a Líbia é um país sem lei ou governo no verdadeiro sentido da palavra, do outro lado do mediterrâneo e que por acaso tem as maiores reservas de petróleo de África. Isto apesar de ter pouco mais (depois da guerra o mais certo é serem menos) de seis milhões de habitantes.

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Daqui a uns anos vão estar os nossos netos a estudar o tempo que o mundo demorou a "acordar" para o perigo do estado islâmico. Tal como nós estudamos o tempo que o mundo demorou para perceber o perigo do Hitler.

A verdade é que não há muito que se possa fazer. A não ser que se considere perseguir e deter/eliminar todo o muçulmano extremista, porque a verdade é que fazer parte do ISIS é tão simples como eu e tu filmarmo-nos numa carrinha de caixa aberta no meio do Alentejo enquanto gritamos ameaças em árabe e louvamos o único deus verdadeiro e o único profeta.

Claro que se fizéssemos isso éramos capazes de chamar a atenção das autoridades, que é uma das coisas que não existe em países que já não o são, como a Síria e a Líbia ou o Iraque que é relativamente controlado por algo parecido com um governo em menos de metade do território.

Agora a isso junta o facto de termos alguém que partilha das nossas visões a formar-nos e a pagar-nos um ordenado com valores próximos do que se paga na Europa para servirmos numa qualquer milícia, financiada por gente com recursos ilimitados, em que o único trabalhar é matar tudo o que mexe com armas de última geração deixadas pelos americanos.

 

Ainda em relação à Líbia, por cá este Verão os noticiários estiveram mais interessados no facto da água do mar não ter estado a a 25º, mas o que é certo é que a Líbia está em plena guerra civil (pelo menos pelos nossos padrões, por lá chama-se 'rescaldo das eleições'), com qualquer coisa como uma Junta de Salvação Nacional de um lado e um General (é sempre um general) do outro a tentarem ver quem é que destrói mais coisas. Neste momento já conseguiram dar cabo do aeroporto de Tripoli. Férias naquele lado do mediterrâneo já só de barco.

 

http://en.wikipedia.org/wiki/2014_Libyan_conflict

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É um facto que pode ser estrategicamente irrelevante, mas não deixa de ser o local mais próximo da Europa onde foram vistas bandeiras do ISIS.

 

Pode ser estrategicamente irrelevante, mas poderia alertar os líderes europeus, e não só, para o perigo que esta aproximação ao continente europeu poderá ter.

 

Daqui a uns anos vão estar os nossos netos a estudar o tempo que o mundo demorou a "acordar" para o perigo do estado islâmico. Tal como nós estudamos o tempo que o mundo demorou para perceber o perigo do Hitler.

 

Confesso que não estou a acompanhar, tanto quanto gostaria, este conflito, contudo, antes de se tomar qualquer iniciativa hostil e que possa desencadear algo mais grave, devia-se analisar, de facto, qual o perigo que o ISIS representa.

 

SIC Notícias - Ausência de Kim Jong Un deve-se a problemas de saúde, segundo fontes próximas do executivo norte-coreano.

Editado por Vaart

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Não é em Tripoli é em Derna. E alegadamente (nestas coisas nunca ninguém sabe nada) foi um grupo de ex-combatentes na Síria que regressou a casa e fez questão de trazer o circo atrás.

 

O que é para ser levado a sério, mais do que a centena de psicopatas que andam a fazer cortejos com anti-aéreas, é que a Líbia é um país sem lei ou governo no verdadeiro sentido da palavra, do outro lado do mediterrâneo e que por acaso tem as maiores reservas de petróleo de África. Isto apesar de ter pouco mais (depois da guerra o mais certo é serem menos) de seis milhões de habitantes.

 

pensava que a Arábia Saudita é que tinha as maiores reservas.

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pensava que a Arábia Saudita é que tinha as maiores reservas.

E teria. Se fosse em África. :)

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OPA ES Saúde. Health Care Investments vende 51% da Espirito Santo Saúde à Fidelidade

 

O aumento da oferta “representa nomeadamente um prémio de 56,56% face ao preço a que as ações da empresa foram vendidas na oferta inicial de distribuição a 12 de fevereiro de 2014”, refere o comunicado

 

O grupo Espírito Santo anunciou hoje, através da Rioforte e da Health Care Investments, ter aceitado vender uma participação de 51% da Espírito Santo Saúde (ESS) à companhia de seguros Fidelidade, por 5,01 euros.

 

Em comunicado hoje divulgado na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a Espírito Santo Health Care Investiments, que é controlada pela ‘holding’ Rioforte, informa que a decisão foi tomada na sequência do aumento da oferta de aquisição para 5,01 euros por ação da ESS.

 

O aumento da oferta “representa nomeadamente um prémio de 56,56% face ao preço a que as ações da empresa foram vendidas na oferta inicial de distribuição a 12 de fevereiro de 2014”, refere o comunicado.

 

Segundo adianta o grupo Espírito Santo, a proposta da Fidelidade reuniu todas as condições para ser aprovada, já que não precisa de autorização da Autoridade da Concorrência e respeita os princípios da transparência.

 

Além disso, acrescenta, a decisão teve em conta a ordem da CMVM para que a UnitedHealth Group retirasse a proposta que apresentara por a ter feito de acordo com uma “conduta não conforme” e o facto de o prazo limite de aceitação da oferta revista da Fidelidade inviabilizar a apresentação de qualquer oferta pública concorrente.

 

A Espírito Santo Health Care Investiments possui, via ES Saúde, entre outros ativos, o Hospital da Luz, em Lisboa, e gere, em regime de parceria público-privada, o Hospital de Loures.

 

No final de maio, a ES Saúde anunciou que o seu lucro quase duplicou em termos homólogos no primeiro trimestre do ano, para 4,6 milhões de euros.

 

@ionline.pt

 

Buraco de 1,3 mil milhões nas contas foi ‘distração’, disse Salgado, que tentou envolver família na ocultação

 

Três representantes da família Espírito Santo afirmaram só ter tido conhecimento do desvio das contas na ESI em setembro de 2013. Salgado insistiu que sabiam e que esse buraco foi 'distração'.

 

De acordo com a investigação levada a cabo pelo jornal i, há três representantes dos cinco ramos da família Espírito Santo – Ricardo Abecassis Espírito Santo, Manuel Fernando Espírito Santo e José Maria Ricciardi – que afirmam só ter tido conhecimento do desvio das contas da holding Espírito Santo Internacional (ESI) a 30 de setembro de 2013.

 

O primeiro pediu explicações sobre o assunto na reunião do Conselho Superior do GES realizada dois meses depois, em dezembro do ano passado: queria saber como é que a ESI tinha um buraco de 1,3 mil milhões de euros nas contas. O segundo, que é chairman da Rioforte, procurou saber em que responsabilidades incorria por ter assinado relatórios que não refletiam a verdade; e Ricciardi quis que ficasse registado que só a 30 de setembro soube que as contas que assinou não eram verdadeiras.

 

José Castella, controller financeiro do Grupo Espírito Santo (GES) admitiu nessa reunião de dezembro de 2013 que as contas do grupo tinham omissões pelo menos desde 2009 e Ricardo Salgado afirmou ter sido apanhado de surpresa com a informação, revela o jornal. As explicações foram remetidas para o controller e para o contabilista Francisco Machado da Cruz

 

“Quando este ano me disseram que estávamos com 6 bis eu ia morrendo. Não sabia, não fazia ideia”, afirmou Ricardo Salgado.

 

José Castella foi chamado a dar explicações em dezembro e confirmou que havia 1,3 bis que não estavam nas contas. A culpa foi da “distração”, disse Salgado.”A única coisa que há é este 1,3 [bis], que não tem explicação, a não ser uma grande distração”, referiu.

 

Na reunião do Conselho Superior do GES, as surpresas não se ficaram por aqui. O passivo financeiro da ESI tinha praticamente duplicado em nove meses – no final de dezembro de 2012 era de 3,3 mil milhões de euros e em setembro de 2013 atingiram 6,3 mil milhões de euros. Desse valor, 1,6 mil milhões estava em papel comercial colocado no retalho, uma das maiores preocupações do Banco de Portugal.

 

“Trata-se de matéria que está a ser objeto não só de investigação criminal como de apuramento de responsabilidades contravencionais. Estes factos impõem a manutenção do segredo de justiça, que impede os esclarecimentos solicitados”, fonte próxima de José Maria Ricciardi ao i.

 

A conclusão de que as contas da ESI tinham um buraco superior a mil milhões de euros só foi divulgada em 2014. Na sequência do prospeto de aumento de capital do BES, ficou a saber-se que “irregularidades materialmente relevantes” tinham estado na origem dos problemas da ESI.

 

Distração e descontrolo, disse Salgado

 

O ramo não financeiro do GES foi incluído na lista dos 12 grandes clientes bancários cujas contas seriam vasculhadas por empresas de auditoria, o que levou o GES a apresentar, pela primeira vez, um balanço consolidado da área não financeira – até à data, havia uma parte da dívida da ESI que não tinha ficado registada nas contas. A explicação de Ricardo Salgado para a ausência foi “distração” e “descontrolo”, revela o i.

 

Quando Ricardo Abecassis Espírito Santo questionou o presidente executivo do BES sobre o aumento “inexplicável” de 1300 milhões de euros na dívida da ESI, este terá terá respondido: “Como nunca tínhamos feito o tal balanço consolidado da área não financeira aquilo não era imediatamente visível. Portanto, houve uma parte da dívida que não foi registada na ESI e deveria ter sido.”

 

As preocupações alastraram-se a Manuel Fernando Espírito Santo, presidente da Rioforte, adiantou que as contas poderiam ser “um problema, porque eu e o Sr. Comandante assinámos as contas da ESI. Agora quando nos deparamos com estas contas que não são aquelas que conhecemos ficamos… eu fico bastante preocupado porque não sei qual a responsabilidade que vai cair para cima de nós”, escreve o jornal.

 

No final de 2013, nove membros do Conselho Superior do GES pertenciam à administração da ESI e Salgado aproveitou esse facto para insistir de que todos eram responsáveis pelas contas da holding. Ricciardi recusou-se a assumir essa responsabilidade e quis que ficasse registado em ata, segundo documentos a que o jornal teve acesso, de que “só tinha tido conhecimento das contas das demonstrações financeiras da ESI expressas nos relatórios e contas oficiais de setembro distribuídos aos accionistas da ESI, não compreendendo o diferencial agora anunciado – hei-de compreender, entretanto ainda não compreendi – que traduz uma duplicação do passivo financeiro das contas da ESI.”

 

Ricardo Salgado terá insistido de que todos sabiam do endividamento e Ricciardi afirmou que preferia”sair do grupo a assumir responsabilidades por contas que dizia não conhecer: “Não estou disposto a responder por aquilo por que não tenho qualquer responsabilidade”. As acusações continuaram. Falta de solidariedade terá dito Ricardo Salgado, ao que Ricciardi respondeu que não podia responder por contas que não conhecia. Já Ricardo Abecassis Espírito Santo partilhou da indignação de Ricciardi.

 

Quem é que sabia das contas antes de setembro de 2013? Ricardo Salgado desmarcou-se e remeteu as explicações para o controller financeiro José Castella ou para Francisco Machado da Cruz, contabilista responsável pelas contas da ESI no Luxemburgo. O nome do contabilista, que também era membro do Conselho da Rioforte, veio a público na entrevista que Ricardo Salgado deu ao Jornal de Negócios a 22 de maio.

 

No mês seguinte, Francisco Machado da Cruz implicou Ricardo Salgado na ocultação das contas, em entrevista ao “Expresso”, afirmando que este sabia que as contas não refletiam a verdade desde 2008, bem como José Castella, Manuel Fernando Espírito Santo e José Manuel Espírito Santo Silva.

 

@Observador.pt

 

Uma das três maiores agências de "rating", a Fitch, pode melhorar hoje a notação de risco da dívida nacional, dizem os analistas. Será motivo para celebrar, mas vale a pena lançar foguetes?

 

A dívida pública portuguesa deverá nesta sexta-feira deixar de ser considerada “lixo” por uma das três maiores agências de “rating”, a Fitch. Em rigor, o que os analistas acreditam é que a notação de risco será melhorada para um nível que corresponde a um “investimento de qualidade”, em oposição à classificação de “investimento especulativo” que o atual “rating” confere à dívida nacional. A confirmar-se, o que pode mudar na vida do Estado e das empresas e famílias portuguesas?

 

BB+. É neste patamar que a agência Fitch classifica o risco da dívida pública. É um “rating” que, na nomenclatura da terceira maior agência a nível mundial, designa “uma vulnerabilidade elevada a risco de incumprimento, particularmente no caso de haver alterações adversas nas condições empresariais ou económicas”. Por outras palavras, há um risco de que o emitente, neste caso o Estado português, não pague a dívida, apesar de haver alguma “flexibilidade” que torna um pouco menos provável que isso aconteça. Por definição, os “ratings” são uma opinião de um conjunto de analistas sobre a capacidade e a vontade de um Estado ou de uma empresa cumprir com os seus compromissos.

 

“É provável, ainda que não seja um dado adquirido” que a Fitch suba sexta-feira a notação de Portugal, diz ao Observador Lyn Graham-Taylor, analista de mercado de dívida pública do Rabobank, em Londres. Já na sexta-feira, também David Schnautz, do Commerzbank, apostava que “a Fitch deverá ser a primeira das ‘três grandes’ a colocar a dívida portuguesa, de novo, em ‘investimento de qualidade'”. Uma opinião partilhada por Alessandro Giansanti, especialista do ING, que acredita que “é muito provável que a agência reveja em alta o ‘rating’ de Portugal, depois de uma conclusão bem sucedida do resgate financeiro” pedido pelo Estado em abril de 2011.

 

Foi precisamente aí, durante o programa de ajustamento da troika, que as várias agências de “rating”, não só a Fitch mas também a Moody’s e a S&P, agravaram a “nota” dada à dívida nacional de forma sucessiva. A Moody’s foi a primeira a despromover a dívida portuguesa para um nível conhecido na gíria dos mercados financeiros como “junk”, ou “lixo”. Foi a 5 de julho de 2011, poucos dias depois da tomada de posse do governo liderado por Pedro Passos Coelho. Em novembro viria o corte de “rating” da Fitch e em janeiro do ano seguinte – 2012 – também a norte-americana S&P baixaria a notação de risco de Portugal para “investimento especulativo”.

 

Voltar ao “radar” dos (grandes) investidores

 

Para a dívida pública portuguesa, esta é uma designação que limita o número de investidores, tornando mais difícil (e mais caro) para o Estado obter financiamento nos mercados internacionais. Boa parte dos fundos de pensões e das seguradoras, tradicionalmente os maiores investidores em dívida pública, estão impedidos pelas suas próprias regras internas de aplicar liquidez em ativos com “rating” inferior a um determinado patamar. Frequentemente, a “linha” é traçada entre aquilo que as agências consideram “investimento especulativo” e “investimento de qualidade”.

 

A notação da Fitch está apenas a um nível de passar a “investimento de qualidade”. Mas mesmo que a agência, detida por capitais norte-americanos e franceses, decida melhorar o “rating” na sexta-feira, muito pouco irá mudar na facilidade com que o Tesouro português atrai esses fundos de pensões e seguradoras. A Fitch é apenas a terceira maior agência e das duas mais importantes, a Moody’s e a S&P, não se espera uma promoção ainda durante este ano.

 

“A agência Fitch, que é tendencialmente a menos exigente das três grandes agências em relação a emitentes soberanos, poderá ser a única a rever em alta, no curto prazo, o ‘rating’ português”, afirma Diogo Teixeira, administrador da gestora Optimize Investment Partners, em Lisboa. “A S&P e a Moody’s poderão aguardar por um regresso a um crescimento mais firme da economia portuguesa para rever as suas avaliações”, receia o especialista. A Moody’s tem, tal como a Fitch, a notação de risco de Portugal em um nível abaixo de “investimento de qualidade”, ao passo que na S&P o “rating” está dois patamares abaixo.

 

É certo que a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) tem conseguido atrair alguns fundos de pensões e seguradoras – estes investidores tomaram 13,2% das obrigações a 15 anos que o Tesouro emitiu em setembro –, mas enquanto o “rating” não sair de “lixo” também nas outras agências, será sempre limitada a margem de manobra destes fundos para “apostar” na dívida portuguesa. É que, no melhor dos casos, estes estão autorizados a investir uma pequena porção dos seus recursos em instrumentos com maior risco ou, em rigor, maior risco percecionado pelas agências de “rating”.

 

E há outra questão: se o “rating” melhorar, a dívida portuguesa acabará por voltar a fazer parte dos principais índices de dívida pública. Os participantes no mercado de dívida pública – tal como, de resto, nas ações – investem de acordo com um determinado índice. Compram títulos na medida correspondente ao peso desse ativo na composição do índice, ou seja, replicando-o. Em alternativa, nos chamados “fundos de gestão ativa”, os investidores adotam estratégias próprias de “apostar” mais num ativo do que noutro, “fugindo” aos pesos relativos que o índice determina. Isto para “bater” o índice, isto é, ter um desempenho superior a este.

 

Com os sucessivos cortes de “rating”, a dívida portuguesa deixou, sequer, de integrar os principais índices. E mesmo que a Fitch retire, na sexta-feira, a dívida nacional de “lixo”, isso não deverá alterar-se. “A alteração de ‘rating’ por apenas uma das três grandes agências não é, geralmente, suficiente para os investidores considerarem a divida como “investimento de qualidade’”, explica Diogo Teixeira, da Optimize. É que alguns índices utilizam a média entre as três agências e outros utilizam a melhor classificação mas recorrem apenas às duas maiores agências, a Moody’s e a S&P. Em ambos os casos, nada feito, para já.

 

Juros estão a baixar demais?

 

Enquanto o “rating” limitar o IGCP a trabalhar “nas franjas” destes fundos de pensões e seguradoras, o Tesouro português continuará a ter como principais financiadores as gestoras de ativos, que compraram dois terços dos títulos emitidos na operação de financiamento a 15 anos realizada no início de setembro. Estes investidores tendem a ser mais voláteis, isto é, “apostam” normalmente num título de dívida não com a expectativa de o conservar até ao reembolso final (e receber os juros periódicos) mas com a intenção de o vender a um preço mais elevado a outro investidor, muitas vezes pouco tempo depois da compra.

 

Estes investidores, atraídos pelas rendibilidades comparativamente elevadas que a dívida portuguesa ainda oferece, têm uma maior tendência a “despachar” os títulos no mercado à mínima instabilidade, o que torna a dívida portuguesa mais propensa a picos de volatilidade: outra coisa pela qual os fundos de pensões e seguradoras não têm o mínimo apreço.

 

O facto de o “rating” estar em “lixo” não tem impedido que o Estado se tenha conseguido financiar até agora, conseguindo cumprir o desejado “regresso aos mercados”. E os juros estão nos níveis mais baixos desde a criação da zona euro. Mas os especialistas receiam que à medida que os juros descem para o Estado (e, visto de outra forma, se reduzem as rendibilidades para os investidores), a dívida portuguesa pode tornar-se pouco atrativa para as gestoras de ativos. Esse efeito só não se tem feito sentir porque também as alternativas (como a dívida de países como a Alemanha ou França) estão a pagar juros cada vez menores, com o mercado a antecipar mais medidas de estímulo monetário por parte do Banco Central Europeu.

 

Ainda assim, é por essa razão que o IGCP tem vindo, sobretudo desde o início deste ano, a aumentar a pressão sobre as agências para que estas melhorem o “rating” de Portugal. No fundo, para que uma eventual subida do “rating” ajude a fazer a transição para a próxima fase do regresso aos mercados, isto é, um acesso regular não só às gestoras de ativos (predominantemente) mas também aos “bolsos fundos” dos fundos de pensões e seguradoras. Já em abril, João Moreira Rato, na altura presidente do organismo, dizia que esta questão “pode condicionar o apetite dos investidores”. “Estamos conscientes desta questão e vamos continuar a trabalhar de perto com as agências para melhorar o rating’ de Portugal”, garantiu, no Parlamento.

 

“Perspetiva” positiva leva a “rating” melhor?

 

A Fitch deverá tornar pública a sua decisão nesta sexta-feira, ao final da tarde, respeitando as novas regras europeias para os “ratings” de emitentes soberanos. Em abril, a agência atribui uma “perspetiva” positiva ao “rating”, o que significa que existe uma probabilidade elevada – ainda que não uma certeza – de que a notação evoluirá numa direção favorável dentro de dois anos após a atribuição da perspetiva. A maioria dos analistas acredita que essa promoção poderá acontecer já nesta sexta-feira.

 

Diogo Teixeira, administrador da Optimize, diz que “Portugal está ‘no fio da navalha’ em termos de ‘rating': os pontos a favor de uma revisão em alta como, por exemplo, o excelente comportamento da balança de pagamentos, contrabalançados por outros mais negativos, como o facto de o crescimento económico estar aquém do necessário para estabilizar o peso da dívida pública”.

 

A agência disse, em abril, que Portugal estava a fazer “bons progressos na redução do défice orçamental, que estão a superar as nossas expectativas” e que “a economia está a recuperar”. A Fitch previu, na altura, um crescimento de 1,4% do PIB em 2014 – o Banco de Portugal baixou quarta-feira a sua previsão para um aumento de 0,9% – e indicou a capacidade da economia nacional de manter um crescimento positivo como um fator crucial para a sua decisão de subir, ou não, o “rating”.

 

Se a notação de risco da República Portuguesa subir, é provável que a agência replique a decisão para as principais empresas nacionais. “O ‘rating’ de um Estado é muito importante na apreciação do risco dos investimentos em empresas desse país. É, por isso, raro encontrar empresas com notações muito superiores às do respetivo Estado”, explica Diogo Teixeira. Isto acontece porque “os investidores consideram, com razão, que as empresas dependem da boa saúde do Estado para garantir o bom desempenho dos seus negócios”.

 

Com “ratings” mais elevados, o Estado encontra mais investidores e consegue juros mais baixos para se financiar. Idealmente, a prazo, isso faz baixar o custo médio em juros de um “stock” total de dívida que, nessas condições, também tende a reduzir-se. Resultado: menos necessidade de cobrar impostos para suportar encargos com o pagamento de juros da dívida. Já para as empresas, Diogo Teixeira explica que “a melhoria do ‘rating’ do Estado é um passo necessário para que outras empresas portuguesas, públicas e privadas, possam seguir o mesmo caminho. O que ajudará a reduzir os custos de financiamento de toda a nossa economia”.

 

@Observador.pt

Editado por Vaart

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Visitante

Isso do BES é tão filha da putice, quanto mais escavam, mais se descobre, mas sem nunca chegar à verdade total. Como é que é possível lançar um prospecto de aumento de capital, aumenta-lo efectivamente em mais de mil milhões de euros e depois "oi, olha, estamos aqui com grande buracão nas contas" :lol:

 

Quanto à mudança do rating é boa noticia, mas nada de muito relevante para já visto que Portugal só deve ir ao mercado a meados de 2015 e até lá ainda vai mudar muita coisa.

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Em Kobane está complicado e parece que a cidade está destinada a cair.

Hoje a informação é de que o EI controla 30 a 40% da cidade e tomou dois quarteis-generais, um das forças de segurança da cidade e outro, a sede do partido PYD, do qual as milicias YPG/YPJ que defendem a cidade fazem parte.

Pelos vistos ainda há 1000 a 3000 pessoas na cidade e algumas mais na zona de fronteira. Comandantes do YPG dizem que precisam de armas e munições entregues por via aérea, um corredor para proteger e fazer chegar os civis à fonteira e mais ataques aéreos. Entretanto o chefe do governo Curdo da zona semi-autónoma do Iraque pediu permissão à Turquia para as suas forças, os chamados peshmerga, poderem atravessar território turco para chegar a Kobane, mas pelos vistos isso foi negado.

 

Em relação ao EI/ISIS/ISIL a ver se escrevo um post mais completo com a minha visão da coisa e com o que tenho lido sobre o assunto, a verdade é que é bastante complicado compreender como tudo isto surgiu, especialmente se só se acompanhar as noticias superficialmente.

Editado por antifa

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Kobane acabaria sempre por cair, até por uma questão aritmética. De um lado há reforços e melhor armamento e do outro lado não.

Quer demorasse dois dias ou dois meses não havendo intervenção externa para além dos raids aéreos era impossível que os curdos mantivessem a cidade.

 

Aliás, quando hoje de manhã li que o MNE iraniano deu um ar da sua graça para relembrar os turcos que eles não ganhavam nada em intervir tive a confirmação do evidente, aqueles três mil infelizes estão irremediavelmente condenados.

 

EDIT: Sobre este assumir do evidente o que li de mais relevante é isto mesmo:

There are other Kobanes in Iraq, there are other Kobanes in Syria on a daily basis

http://english.alarabiya.net/en/News/middle-east/2014/10/10/ISIS-fighters-capture-Kurd-HQ-in-Syria-s-Kobane.html

 

Nesse artigo faz-se um paralelo com Srebrenica. Pode ser que daqui a 20 anos alguém também se lembre de procurar responsáveis.

Editado por whatever

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O grande problema no meio disto tudo são os civis. Sem civis as coisas acabavam em três tempos.

Eu estou a tirar licenciatura em Sociologia no ISCTE. E no meu primeiro ano tive que ler um texto sobre o estado-nação. Infelizmente esqueci-me do nome do autor mas há algo que me ficou marcado na memória e só agora, há bem pouco tempo, é que percebi.

 

O autor faz um capitulo inteiro a dizer que a ultima guerra verdadeira no mundo foi a WW2, e que a partir de agora nunca mais iria existir uma guerra entre países. Fundamenta isto com o facto de todos os países dependerem monetariamente uns dos outros.

Então expôs uma ideia que seria a de que as guerras passariam a ser com base em milícias privadas, financiadas (às escondidas) pelos governos de quem quer fazer a guerra. Passando de ser o país X a invadir o país Y a ser milícias com elementos do país X a invadir o país Y. Ficando desta forma os governos impunes.

Este senhor escreveu este livro logo após o 11 de Setembro de NY.

 

Hoje temos 2 casos no mundo disto. Então a Ucrânia vs "Separatistas pró-russos" é o melhor exemplo que se pode dar.

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De facto para os Turcos melhor que isto era difícil considerando que no meio disto tudo o que eles querem mesmo é tirar o Assad da Síria e colocar lá um governo fantoche de sunitas. O EI não é ameaça para eles.

E isso até agora estava complicado, a Nato não se mexia e pior, o raio dos Curdos logo agora tinham de arranjar um proto-estado logo ali ao lado e ainda por cima eram aqueles os mesmos Curdos chatos que estavam a impedir o avanço do EI no Iraque e a receber por isso um agradecimento e atenção global.

 

Ora, com a destruição de Kobane a região deixa de ser Curda e passa a ser uma espécie de no man's land por onde os tanques otomanos podem rolar sem serem acusados de ocupação pelos aborrecidos Curdos que assim não causariam problemas internamente na Turquia. Isso é hoje uma realidade muito plausivel, basta ver que têm saído noticias onde se diz que uma das condições para a Turquia actuar contra o EI na Síria é a implementação com aval da NATO de uma no-fly zone, ora, uma zona de exclusão aérea só faz sentido caso a acção da Turquia fosse ameaçadora para a Síria de maneira que a força aérea destes tivesse intenção de atacar os Turcos. Da mesma forma já saíram noticias onde nas entrelinhas se lê que uma salvação Turca de Kobane teria de implicar a garantia de destruição de Assad pela NATO.

E assim vão andando as coisas, com um país pertencente à NATO, cujo exército é o 2º maior da aliança (!!), governado hoje e desde há uns anos por gente que nem sequer pretende propriamente esconder muito bem as suas ligação a algumas formas de islamismo do mais radical que há.

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ISIS já dentro de Kobane:

 

Editado por whatever

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belo estratégia, como não conseguem avançar nas ruas vão casa a casa a atravessar paredes....

 

Btw, hoje saiu pela primeira vez em alguns media aquilo que já se sabia há muito tempo nas internets, que é que os pilotos militares andam a voar às cegas na Síria e Iraque sem na maioria dos casos terem alvos certos para bombardear, tornando esta campanha mais num show medático que outra coisa já que a eficácia dos bombardeamentos é quase nula.

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Esse video...

 

Que autênticos labirintos aquela m*rda se torna com essa estratégia de partir paredes. Estás a controlar uma zona, e os gajos pelo meio das casas a tentar flanquear :lol:

 

 

Edit: antifa e whatever, muito obrigado pelas constantes actualizações :prayer: grandes.

Editado por Roma

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Fui reler sobre srebrenica, pqp, que vergonha para a Onu a Nato e o exercito Holandes.

Pqp

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uma vergonha que podia ter sido evitada. este verão falei com um bósnio cujo pai esteve preso num desses campos de concentração. acho que quando saiu de lá pesava à volta de 40kg. esta guerra foi de uma violência e de um sadismo incrível, custa a acreditar que tenha acontecido tão perto e há tão pouco tempo

Editado por F_Tex

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Fui reler sobre srebrenica, pqp, que vergonha para a Onu a Nato e o exercito Holandes.

Pqp

não te lembravas?

As cenas que vieram a lume depois do fim da guerra foram de arrancar cabelos.

Aquilo foi uma selvajaria de todo o tamanho. Vizinhos que se começaram a matar uns aos outros por causa das diferenças étnicas...

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uma vergonha que podia ter sido evitada. este verão falei com um bósnio cujo pai esteve preso num desses campos de concentração. acho que quando saiu de lá pesava à volta de 40kg. esta guerra foi de uma violência e de um sadismo incrível, custa a acreditar que tenha acontecido tão perto e há tão pouco tempo

podia ter sido evitada de tivesse havido colhoes na Nato/Onu ,entao deixam um contingente de 400holandeses perdidos no meio do exercito Servio, em pleno final do sec XX, e esperavam que eles fizessem o quê? Um "last Stand"? Admito que os holandeses simplesmente assobiaram para o lado, mas nao sei se alguem no lugar deles teria feito mto diferente...

 

não te lembravas?

As cenas que vieram a lume depois do fim da guerra foram de arrancar cabelos.

Aquilo foi uma selvajaria de todo o tamanho. Vizinhos que se começaram a matar uns aos outros por causa das diferenças étnicas...

nao me lembrava "exactamente" da historia de srebrenica. Agora, sim , os Balcãs foram de uma brutalidade digna dos esquadroes de morte nazis, ou da ocupaçao japonesa da China.

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a questão é que nesta guerra o papel de 90% das tropas da onu era a única coisa que fazia, assobiar para o lado. ah, e houve sítios em que os próprios blue helmets se juntavam à festa em torturas / espancamentos / violações.

Editado por F_Tex

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belo estratégia, como não conseguem avançar nas ruas vão casa a casa a atravessar paredes....

 

Btw, hoje saiu pela primeira vez em alguns media aquilo que já se sabia há muito tempo nas internets, que é que os pilotos militares andam a voar às cegas na Síria e Iraque sem na maioria dos casos terem alvos certos para bombardear, tornando esta campanha mais num show medático que outra coisa já que a eficácia dos bombardeamentos é quase nula.

Supostamente os contactos são através dos Peshmerga, deve dar muito jeito estar a ligar para as montanhas do Iraque para saber o que é que se passa com os outros infelizes na fronteira da Síria com a Turquia... Até porque em Kobane deve-se saber muito mais para além de que eles estão algures onde estiverem os pneus a arder.

 

Srebenica foram três dias onde foram mortas oito mil pessoas, no Rwanda, exactamente um ano antes, foram três meses onde se matou um milhão. A única certeza no meio disto tudo é que a história está condenada a repetir-se.

Editado por whatever

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