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Marlo Stanfield

[Debate] A Propina nas Universidades Portuguesas

A Propina nas Universidades Portuguesas  

85 votos

  1. 1. Concorda ou discorda das propinas?

    • Concordo
      14
    • Discordo
      33
    • Concordo, mas discordo do modelo actual
      38


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Na FLUP também não se paga as folhas. E há espaço para esticar as pernas. :mrgreen:

FLUP <3

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Alguém me sabe dizer em que ano foram introduzidas as Propinas e qual a variação de vagas de acesso para o ensino Superior que isso trouxe? Não encontro dados... tenho a ideia que foi o Cavaco... e que era qualquer coisa como 20 contos?

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Pagares só 60% da propina não faz muita diferença? Isso quer dizer que em vez de 1000 pagas 600€ e dizes que 400€ não faz muita diferença? 40%!? Agora o teu chefe chegava ao pé de ti e dizia "Olha agora vais ganhar menos 40%, acho que não faz muita diferença, tu até comes pouco"...

 

Já pensaste que esses 40% são justamente o que te permite andar na faculdade? É que à volta da faculdade há despesas de deslocação, se trabalhares em full time não tens tempo para cozinhar para levares para o trabalho e se frequentares 100% da faculdade tens de jantar lá. Eu saia de casa ás 7 e tal da manhã e chegava a casa quase à meia-noite, tinha dias que nem sabia que dia era quanto mais cozinhar para levar para o almoço.

 

Nós não estamos aqui a dizer que não frequentamos a faculdade porque não temos 1000€ por ano, e o resto? Se só tivesse de pagar a propina ai também lá andava.

 

Quanto aos comentários do que é o sacrifício vou-me escusar a comentar se não te importas.

As propinas são só a ponta do iceberg pá. Isso dava para ai mais 35€ por mês, achas que são esses 35€ que me permitem ou não estudar? Por acaso não sei se o preço das propinas pós-laboral é diferente do normal ou não. Se conseguires arranjar tempo parcial ou m*rda assim para ser mais barato e teres menos cadeiras, acho que compensa e muito. A comparação com o exemplo que deste é tão descabida que não vou comentar.

Sei perfeitamente a dificuldade que tem trabalhar e estudar, faço isso há quase 2 anos. E sou-te sincero, não sei como malta consegue fazer mais que 3 cadeiras sem abdicar completamente de ter vida fora disso e mesmo assim não é para todos.

Eu raramente vou à faculdade (só mesmo fazer testes ou ter discussões porque não há nocturno na minha faculdade) mas se fosse não tinha mais custo porque moro lá perto e posso ir a pé. Trabalhando e estudando, acho importante arranjar casa perto de uma das duas, assim poupas tempo (o meu bem mais essencial) e dinheiro (em viagens e essa m*rda toda).

Quanto ao ter de ir comer fora, quantas pessoas não fazem logo comida para a semana toda no fim de semana, até mesmo malta que não estuda eu vejo a fazer isso. Confesso que não gostava nada de fazer isso e comer bolonhesa e/ou outra m*rda qualquer toda a semana mas se não tivesse opção, teria de ser. Eu quero fazer o mestrado e tenho de lutar por isso como conseguir.

 

Antes eu saía à noite praticamente todas as semanas, agora saio uma vez de 3 em 3 meses no melhor caso. A minha vida mudou como o crl mas já sabia que assim ia ser quando o decidi fazer.

 

Ontem dormi 3 horas e antes de ontem dormi 4 horas que tive exame ontem (não foi da faculdade), esta noite também não consegui descansar grande m*rda também mas no resto da semana recupera-se.

Já tive algumas formações pós-laborais durante o ano lectivo e ainda fisioterapia antes de ir para o trabalho. Se puder, não volto a repetir isso. Até passo mal só de me lembrar disso f*da-se, não é vida para ninguém essa m*rda.

 

É f*dido? Claro que é mas um gajo tem de lutar pelo que quer e procurar soluções em todo o lado, planear tudo e mais alguma coisa para tentar lá chegar.

 

Não tenho necessidade nenhuma de tar-te a mentir porque tenho muito mais que fazer que andar a inventar na internet para alcançar 0, estou a partilhar a minha opinião e a minha experiência.

Muito menos tou a criticar-te, parece-me que levaste a peito e eu se calhar até não me expliquei bem, mas não acho as propinas um impedimento insuportável e provavelmente quem não consegue agora também não conseguia sem propinas (assumindo 500€ limpos, mínimo). Não te conheço de lado nenhum para te julgar e não podia ter menos interesse nisso, descansa.

 

Da minha parte acabou aqui a discussão. Bem haja.

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O meu maior blema com isto tudo são os professores que afirmam que a licenciatura que uma pessoa esta a tirar não serve para nada e que se quisermos experiência, que vamos lavar chãos

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quotei pa ler depois

 

 

É certo que o ensino em Portugal deveria ser tendencialmente gratuito, é o que consta na Constituição.

 

Porém, há uma face da moeda que muita gente, por vezes, se esquece. Os fundos disponibilizados pelo Estado, para as universidades, têm vindo a diminuir ao longo dos anos, especialmente desde que foi implementado o Memorando de Entendimento da Troika. Aliás, têm sido comuns as queixas por parte Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas. Essas queixas, muitas vezes consideradas barulho de fundo, têm muita validade e deveriam ser levadas em linha de conta.

 

As universidades portuguesas sobrevivem (em grande parte) graças a esses fundos (i.e., fundos disponibilizados pelo Estado), porque o seu funcionamento é excessivamente pesado em termos burocráticos e não só (refiro-me à gestão de recursos humanos). Só agora se começam a apostar em parcerias entre universidades, seja para investigação, seja para captação de investimento, algo que já se devia ter equacionado há alguns anos.

 

O ensino universitário, além da componente de ensino propriamente dita, tem que ter uma orientação de futuro, ou seja terá que ter um planeamento estratégico. O desenvolvimento de investigação útil, em termos económicos e sociais, através de financiamento externo (por exemplo, fundos europeus), poderá ajudar ao crescimento dos centros de investigação portugueses. Por outro lado, a criação de patentes (uma grande lacuna dos investigadores portugueses) também será benéfica para os referidos centros. As universidades, só agora, começam a reconhecer, de maneira séria, a importância da captação de investimento para o desenvolvimento de investigação. Está a haver uma mudança de mentalidades neste setor, algo que é muito importante para a sua sobrevivência. Acho que se reconheceu que é necessário meter mãos à obra.

 

Com os fundos provenientes do Estado a diminuírem constantemente, a procura de soluções alternativas poderá garantir a sobrevivência das universidades. Caso isso não aconteça, há muitas universidades que poderão estar condenadas ao fracasso e até mesmo condenadas a um fim prematuro. Até ao momento, só correm boatos sobre salários em atraso aqui e ali, não se sabe se tudo não passa de "fumaça" ou se a situação é mais séria do que se pensa.

 

Neste momento, as propinas são a "salvação" das universidades, goste-se ou não, é uma solução viável para que estas instituições continuem a garantir o seu funcionamento, especialmente se tivermos em conta o que disse acima - os fundos disponibilizados pelo Estado são cada vez menores. Mas, mesmo com a existência de propinas, as universidades continuam a passar por grandes momentos de aperto, digo mesmo, um enorme aperto. Esse aperto é bem visível para alunos e funcionários, são várias as queixas de falta de material, seja de que tipo for, e até de falta de condições para que as universidades funcionem da maneira ideal. Está aos olhos de todos.

 

Contudo, se o sistema funcionasse de forma correta, muitas pessoas consideras economicamente carenciadas teriam direito a mais apoios, por exemplo bolsas de estudo. Mas, como já todos sabemos, o sistema não funciona de maneira ideal, aliás funciona bastante mal. São vários os relatos de injustiças nos processos de atribuição de bolsas, dos sucessivos atrasos que ocorrem durante este processo (levando a que os alunos não tenham dinheiro, por exemplo, para pagar as propinas a horas), da excessiva burocratização que o caracteriza (são necessários documentos para tudo e mais alguma coisa), etc. Desta forma, muitas pessoas ficam impossibilitadas de aceder à universidade. Infelizmente, esta injustiça continua a perpetuar-se. Já acontecia quando estava a tirar a licenciatura e mestrado, e, pelos vistos, mantém-se.

 

A solução seria corrigir todo o sistema (cenário utópico e que iria criar algumas guerras), começando pelo funcionamento das universidades e seu financiamento, passando, igualmente, por uma revisão de todo o sistema de atribuição de bolsas de estudo. Atualmente, vê-se um cenário muito triste, que é haver pessoas que não podem ingressar na universidade devido à sua condição económica. Não considero que seja justo que alguém que se esforçou durante anos a fio e que atingiu bons resultados, seja impedido de aceder ao ensino superior por motivos económicos.

 

Afinal, onde está a meritocracia? Será que é apenas um palavrão que é dito para parecer bem? Possivelmente, se o sistema de atribuição de bolsas funcionasse corretamente, estas situações não seriam apenas pontuais ao invés de uma regra.

 

 

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As propinas são só a ponta do iceberg pá. Isso dava para ai mais 35€ por mês, achas que são esses 35€ que me permitem ou não estudar? Por acaso não sei se o preço das propinas pós-laboral é diferente do normal ou não. Se conseguires arranjar tempo parcial ou m*rda assim para ser mais barato e teres menos cadeiras, acho que compensa e muito. A comparação com o exemplo que deste é tão descabida que não vou comentar.

Sei perfeitamente a dificuldade que tem trabalhar e estudar, faço isso há quase 2 anos. E sou-te sincero, não sei como malta consegue fazer mais que 3 cadeiras sem abdicar completamente de ter vida fora disso e mesmo assim não é para todos.

Eu raramente vou à faculdade (só mesmo fazer testes ou ter discussões porque não há nocturno na minha faculdade) mas se fosse não tinha mais custo porque moro lá perto e posso ir a pé. Trabalhando e estudando, acho importante arranjar casa perto de uma das duas, assim poupas tempo (o meu bem mais essencial) e dinheiro (em viagens e essa m*rda toda).

Quanto ao ter de ir comer fora, quantas pessoas não fazem logo comida para a semana toda no fim de semana, até mesmo malta que não estuda eu vejo a fazer isso. Confesso que não gostava nada de fazer isso e comer bolonhesa e/ou outra m*rda qualquer toda a semana mas se não tivesse opção, teria de ser. Eu quero fazer o mestrado e tenho de lutar por isso como conseguir.

 

Antes eu saía à noite praticamente todas as semanas, agora saio uma vez de 3 em 3 meses no melhor caso. A minha vida mudou como o crl mas já sabia que assim ia ser quando o decidi fazer.

 

Ontem dormi 3 horas e antes de ontem dormi 4 horas que tive exame ontem (não foi da faculdade), esta noite também não consegui descansar grande m*rda também mas no resto da semana recupera-se.

Já tive algumas formações pós-laborais durante o ano lectivo e ainda fisioterapia antes de ir para o trabalho. Se puder, não volto a repetir isso. Até passo mal só de me lembrar disso f*da-se, não é vida para ninguém essa m*rda.

 

É f*dido? Claro que é mas um gajo tem de lutar pelo que quer e procurar soluções em todo o lado, planear tudo e mais alguma coisa para tentar lá chegar.

 

Não tenho necessidade nenhuma de tar-te a mentir porque tenho muito mais que fazer que andar a inventar na internet para alcançar 0, estou a partilhar a minha opinião e a minha experiência.

Muito menos tou a criticar-te, parece-me que levaste a peito e eu se calhar até não me expliquei bem, mas não acho as propinas um impedimento insuportável e provavelmente quem não consegue agora também não conseguia sem propinas (assumindo 500€ limpos, mínimo). Não te conheço de lado nenhum para te julgar e não podia ter menos interesse nisso, descansa.

 

Da minha parte acabou aqui a discussão. Bem haja.

 

 

O problema é que tu tomas a tua experiência como o caso a seguir quando tudo o que tu disseste vai contra aquilo que é o caso norma e caso não tenhas percebido eu já andei na faculdade e trabalhei ao mesmo tempo (both full time):

 

  • Não estudas a tempo inteiro, pagas praticamente metade da propina
  • Não precisas de estudar à noite (pós-laboral)
  • Moras perto da faculdade logo transportes não pagas
  • Moras perto da faculdade e/ou do trabalho logo ai são 2h por dia que ganhas de descanso/estudo/fazer outras coisas tal como cozinhar
  • O teu curso pelos vistos nem precisas de ir às aulas logo ai ganhas mais tempo

 

Preciso continuar? Ainda bem que tu consegues fazer isso tudo, acho maravilhoso e fico contente por ti mas o teu caso não tem nada a ver com o meu.

 

Eu cometi 1 erro (que até nem foi um erro as coisas é que sairam furadas mas pronto) com 19 anos e sempre o assumi mas esse erro não me torna rico.

Editado por Visitante

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O problema é que tu tomas a tua experiência como o caso a seguir quando tudo o que tu disseste vai contra aquilo que é o caso norma e caso não tenhas percebido eu já andei na faculdade e trabalhei ao mesmo tempo (both full time):

 

  • Não estudas a tempo inteiro, pagas praticamente metade da propina
  • Não precisas de estudar à noite (pós-laboral)
  • Moras perto da faculdade logo transportes não pagas
  • Moras perto da faculdade e/ou do trabalho logo ai são 2h por dia que ganhas de descanso/estudo/fazer outras coisas tal como cozinhar
  • O teu curso pelos vistos nem precisas de ir às aulas logo ai ganhas mais tempo

 

Preciso continuar? Ainda bem que tu consegues fazer isso tudo, acho maravilhoso e fico contente por ti mas o teu caso não tem nada a ver com o meu.

 

Eu cometi 1 erro (que até nem foi um erro as coisas é que sairam furadas mas pronto) com 19 anos e sempre o assumi mas esse erro não me torna rico.

- Já expliquei.

- Não há, logo não posso. Sendo trabalhador estudante, tens direito a alguns dias para ir fazer testes e essas m*rda. Ya, eu sei que nem toda a gente consegue que a empresa vá nisso. Aí até te dou alguma razão.

- Moro perto porque se tou a alugar casa, vou alugar longe das duas para quê? Isso era burrice f*da-se.

- Tenho de passar a ponte 25 de abril todos os dias para ir e vir do trabalho. De certeza que sabes do que tou a falar.

- Eu não consigo ir às aulas e quando andava só a estudar já raramente ia, por isso estudo e faço os trabalhos em casa, se tiver dúvidas mando mail (ás vezes não respondem mas pronto). Como sou trabalhador-estudante não me podem obrigar a ir às aulas. btw, é mestrado em informática, os trabalhos são de bater com a cabeça até dar (tu certamente sabes do que tou a falar), é dos cursos que consomem mais tempo até.

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tive uma cadeira este semestre em que haviam aulas que os ultimos a chegar já não entravam pq até as escadas já estavam ocupadas, nós fomos falar com o prof para ver se abria mais turmas ou então mudavamos de sala e ele disse que não havia problema porque depois do primeiro teste metade já tavam chumbados

Parece-me algo que o meu professor de DAW dizia. E até acho que ele dá aulas ao teu curso :mrgreen:

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Na UALG também se pagam folhas de teste.

na FEUALG não se pagava as folhas de teste. Eles davam ou respondias no enunciado.

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Não querendo comparar situações, vou dar o meu caso por tópicos.

 

- Antes de mais, vivo em casa dos meus pais, mas pago integralmente todas as minhas despesas, combustível, curso e manutenção do carro, mais regalias para mim mesmo, ajudo por vezes na alimentação cá em casa;

-Trabalho em part-time e full time de vez em quando na empresa onde estou, e estudo em pós-laboral, pago os 1000 e poucos € de propinas anualmente (estou actualmente no 3º ano do curso);

- Faço por volta de 70km diários entre casa-trabalho-faculdade-casa, fora algum sítio onde tenha de ir ou saída;

- Fiz sempre as cadeiras por avaliação contínua, as 6 por semestre, e já lá vão 30 no bolso faltando 6;

- É difícil, abdica-se de muita coisa, mas não deixo de ter a minha vida tendo em conta as obrigações que tenho;

- Já estive com um dos meus pais em situação de desemprego e mesmo assim fiz o esforço para continuar na faculdade;

- A brincadeira no conjunto fica-me entre os 7000~7500€, feitas as contas a tudo nestes 3 anos.

 

É difícil ser estudante em Portugal, provavelmente se não trabalhasse não estaria prestes a concluir a licenciatura numa área que gosto, e com boas possibilidades de permitir subir na empresa em que me encontro. Já fui muitas vezes a picar bilhetes na estrada, já tive de dormir de um dia para o outro, já me deitei tarde e levantei cedo nestes quase 3 anos de curso, embora nunca tenha abdicado do meu tempo para mim e para os meus amigos, de estudar quando foi preciso sem nunca me enfiar no quarto durante horas seguidas, e com sitauções familiares complicadas pelo meio, várias situações de stress e alegria. As propinas neste momento, são um mal necessário para podermos ter uma educação melhor, e deveria haver um apoio de atribuição de bolsas melhor e mais regulado, certamente.

 

É um percurso que nem todos têm a sorte de percorrer, de ter a oportunidade de se formarem ainda mais academicamente, e por isso, este orgulho de acabar o curso nos 3 anos, com boa média, com boas possibilidades de trabalhar na área, quem tem essa oportunidade, ninguém o tira.

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