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O que a Finlândia vai mudar no ensino é em tudo contrário ao que Portugal fez

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O que a Finlândia vai mudar no ensino é em tudo contrário ao que Portugal fez

Estudantes vão participar na elaboração dos currículos e na escolha dos temas a abordar nos novos módulos multidisciplinares.

 

O país que é habitualmente apontado como exemplo no campo da educação, a Finlândia, prepara-se para mudar, a partir de 2016, o seu sistema de ensino de modo a adaptar a escola a um “mundo que está a mudar a grande velocidade”, indicou ao PÚBLICO a directora do Conselho Nacional de Educação finlandês, o organismo que está a elaborar o novo currículo nacional para a escolaridade obrigatória.

 

Não é a “revolução” anunciada, em Março, pelo jornal inglês The Independent, numa notícia que, apesar de prontamente desmentida pelo Governo finlandês, acabou por ser replicada por vários outros jornais e blogues. Ao contrário do que aí se escreveu, as disciplinas tradicionais não vão ser abolidas e substituídas por um ensino baseado em tópicos transversais, embora este também vá por diante. O que se propõe é, assim, um modelo de coabitação e não de exclusão numa reforma que vai também pôr os estudantes a participar na definição dos currículos e meios de avaliação.

 

Na prática, tudo que o “país maravilha” da educação se propõe fazer para mudar a escola é radicalmente diferente e de sinal contrário à reforma empreendida recentemente em Portugal pelo ministro Nuno Crato, comenta José Morgado, professor do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA).

 

Na Finlândia aponta-se para “uma ‘modernização’ do pensamento educativo” que, destaca Morgado, se traduz na intenção de desenvolver “formas de trabalho em sala de aula que transcendam a lógica do trabalho interior a cada disciplina, definindo um conjunto de tópicos que exigem saberes oriundos de diferentes disciplinas e que serão trabalhados de forma transversal”.

 

Já Portugal, pelo contrário, apostou numa maior compartimentação, com uma nova estrutura curricular assente “em programas demasiados extensos e excessivamente prescritivos e na definição de metas curriculares, que fazem correr o sério risco de que o ensino se transforme na gestão de uma espécie de check list”, resume este docente do Departamento de Psicologia da Educação do ISPA, que tem larga experiência na formação de professores.

 

José Morgado lembra, a propósito, que as metas aprovadas para Português e Matemática do 1.º ciclo “definem um total de 177 objectivos e 703 descritores de aprendizagem, sendo exigido aos professores que promovam o ensino formal de cada um deles e aos alunos que atinjam, por exemplo, uma velocidade de leitura de, no mínimo, 90 palavras por minuto”.

 

Também Assunção Flores, presidente da Associação Internacional de Estudo dos Professores e do Ensino, fala de dois modelos distintos. A visão “mais integrada e flexível de currículo” assumida pela Finlândia “afasta-se de uma perspectiva mais redutora que se centra nos conteúdos a aprender e nos objectivos a atingir no âmbito das disciplinas, prevalecendo, muitas vezes, uma lógica caracterizada pela rigidez e obesidade curriculares, associadas, entre outros aspectos, à extensão e cumprimento escrupuloso dos programas”, aponta a também investigadora da Universidade do Minho.

 

Alunos no centro das escolhas

Em respostas por escrito ao PÚBLICO, a directora do Centro Nacional de Educação finlandês, Irmeli Halinen, refere que o novo currículo nacional, com base num diploma de 2012 onde se estabeleceram as metas globais e os tempos lectivos para a escolaridade obrigatória, entre os sete e os 16 anos, “clarifica os objectivos de todas as disciplinas escolares, dá ênfase a práticas de cooperação em sala de aula e implementa conhecimentos e competências multidisciplinares, através do estudo de fenómenos e tópicos que será feito com a colaboração entre vários professores em sala de aula”.

 

Esta aprendizagem vai permitir, por exemplo, que a propósito do aquecimento global sejam mobilizados em simultâneo vários conhecimentos (matemática, física, história, etc.), mas com aplicações práticas. Com esse fim, prossegue Halinen, “todas as escolas terão de criar pelo menos um módulo por ano lectivo, com uma duração de uma a quatro semanas, centrado no estudo de tópicos que sejam de especial interesse para os estudantes”.

 

Competirá às “escolas definir quais os assuntos a abordar nestes módulos, a sua duração e como serão implementados”, mas com um pressuposto de base: “Os estudantes devem participar no planeamento destes módulos. Antes do início das aulas, em conjunto com os professores, estudarão quais as melhores formas de atingir as metas estabelecidas no currículo, quais os objectivos e tópicos dos módulos e como serão estes organizados”.

 

“Temos mesmo como objectivo que os estudantes tenham um papel mais activo nas escolas”, frisa. Por isso, já no início das aulas, professores e alunos “devem estabelecer em conjunto que caminhos seguir para o sucesso e como garantir que os estudantes saibam se fizeram ou não um bom trabalho”. Deste modo, comenta, “os alunos também aprenderão a avaliar o seu próprio trabalho”.

 

Os estudantes também “participam na elaboração dos currículos locais” ou seja, na oferta específica proposta pelas diferentes escolas, em conjunto com os municípios, de modo a dar respostas às diferentes características e necessidades locais.

 

“Alegria de aprender”

Para além desta oferta local, o novo currículo “mantém um conjunto de disciplinas que é igual para todos os estudantes da escolaridade obrigatória”. Entre as disciplinas obrigatórias contam-se as de língua materna, literatura, matemática, estudos ambientais, biologia, geografia, física e química, educação para a saúde, religião e ética, história, estudos sociais, música, artes visuais e economia doméstica.

 

José Morgado chama a atenção para alguns dos “objectivos chave identificados na reforma finlandesa”. Coisas como estas: o “entendimento das escolas como comunidades de aprendizagem”, a importância da “alegria de aprender” ou a “promoção da autonomia do aluno na avaliação do seu próprio trajecto de aprendizagem, retomando a ideia conhecida de aprender a aprender”. “É minha convicção de que o ministro Nuno Crato considerará tais objectivos como um típico discurso ‘eduquês’ (seja lá isso o que for) e, como tal, identificados como uma fonte do mal”, contrapõe.

 

Defendendo que “o currículo é muito mais do que o programa das disciplinas”, Assunção Flores sublinha que na reforma proposta na Finlândia assume-se “a importância da avaliação formativa” e que “as competências para aprender devem ser desenvolvidas, de modo sistemático, uma vez que são consideradas fundamentais na vida escolar e profissional”.

 

Apesar de continuar a figurar entre os países com melhores resultados nos testes internacionais de avaliação dos alunos de 15 anos (PISA na sigla em inglês), promovidos pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, a Finlândia teve o seu pior desempenho de sempre na última edição deste programa, em 2012.

 

Este facto não figura, contudo, entre as razões apontadas por Imre Halinen quando questionada sobre as razões que levam um país, que continua a ser apontado internacionalmente como modelo educativo, a optar por uma reforma tão substancial do seu sistema de ensino. “O mundo à volta da escola está a mudar a grande velocidade e isso cria novos desafios para a educação”, responde. Na prática, isto significa, acrescenta, que “temos que saber o que vale mais a pena aprender hoje na escola de modo a fomentar um modo de vida sustentável, como reagir ao modo como este mundo em mudança está a influenciar a vida das crianças e o trabalho das escolas, como melhorar a cultura escolar para aumentar a motivação e alegria de aprender dos nossos alunos e de que modo seremos capazes de manter o elevado nível de desempenho dos nossos alunos”.

 

Público

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Génios.

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Já não é a primeira vez que ponho isto aqui mas parece-me adequado (novamente).

 

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Não tendo olhado a fundo para a medida, mas isto é daquelas coisas que como é feito fora é noticiado e comentado cá como "fantástico, vêm? Nós é que somos retrógrados". Mas se fosse cá dentro alguém a tentar uma revolução no ensino desta dimensão ia ser só comentários de malta a dizer "cada vez é tudo mais dado... as coisas são cada vez mais fáceis". bla bla bla. "no meu tempo é que era".

 

São mentalidades. Esse tipo de ensino pode ser muito bom, encaixar na mentalidade dos filandeses e se calhar se o transplantarmos para Portugal nem resulta... porque apesar de ser a mesma coisa estará sobre influências completamente diferentes a todos os níveis.

Editado por Harvey Specter

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Não tem que ser mais fácil nem mais difícil, tem que ser bem feito.

 

São mentalidades, claro, mas pode-se insurgir sobre elas na mesma. De um lado tens uma mentalidade que vê a escola como um sacrifício e uma obrigação a cumprir, uma soma de etapas consecutivas que começa num período em que tu mal tens capacidade para te aperceberes do porquê teres que aprender as coisas que aprendes. Aliás, entre as coisas que aprendes, boa parte não parece ser mais do que formalidades, e mesmo no fim da escolaridade obrigatória não sabes porque tiveste de aprender certas coisas. Tens que aprender e estudar porque "tem que ser", para mostrares ser inteligente, para teres boas notas e entrares para uma faculdade, tudo numa lógica de uns conseguem e outros não, e que quem se esfola merece mais do que os que não se esfolam tanto.

 

Por outro, o que a Finlândia faz é reformular o aspeto somativo do ensino praticado na maioria dos países para um modelo formativo, e esta reforma só torna isso mais evidente. Tenta-se ensinar as crianças desde pequenas a desenvolver a curiosidade natural pela aprendizagem, para depois estudarem e aprenderem, não porque é assim e tem de ser, mas porque gostam e querem. Não lhes interessa formar só executantes e cavalos de trabalho, o que querem é formar mentes críticas e criativas.

 

É claro que isto implementado em Portugal era um choque, mas as mudanças começam sempre por algum lado (e não tem que se revolucionar tudo de uma vez). Deixar andar um sistema como o atual não vai mudar mentalidades nenhumas. O que muda mentalidades são ações, e isto ia acabar obrigatoriamente por mudar paradigmas sociais. Também não tinha que ser algo obrigatoriamente igual ao que a Finlândia faz, mas deveria ser algo que fosse verdadeiramente de acordo com as teorias e progessos científicos feitos na área de educação. Porque o que não falta pregarem nas faculdades em cadeiras ligadas à educação é um modelo de ensino formativo, mas aplicá-lo está quieto. A Finlândia teve essa coragem e os resultados estão à vista.

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Este tipo de ensino foi o que despoletou um abaixo assinado que as turmas do meu 11º ano fizeram para apelar à directora para manter o nosso professor substituto de filosofia como permanente. E resultou.

 

Foi certamente dos professores mais interessantes que já tive. Apelava ao nosso sentido crítico, não nos dava a resposta, pelo contrário, queria que fossemos nós a chegar lá através do nosso raciocínio, processo que fazíamos em grupo em todas as aulas. Basicamente ensinou-nos a pensar na pergunta, ao invés de ensinar-nos a pensar na resposta.

 

A minha professora de física tinha uma abordagem semelhante, mas mais virada para o trabalho prático, envolvendo-nos constantemente na matéria ao invés de apenas dizer "isto faz-se assim, agora pratiquem".

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Não tem que ser mais fácil nem mais difícil, tem que ser bem feito.

 

São mentalidades, claro, mas pode-se insurgir sobre elas na mesma. De um lado tens uma mentalidade que vê a escola como um sacrifício e uma obrigação a cumprir, uma soma de etapas consecutivas que começa num período em que tu mal tens capacidade para te aperceberes do porquê teres que aprender as coisas que aprendes. Aliás, entre as coisas que aprendes, boa parte não parece ser mais do que formalidades, e mesmo no fim da escolaridade obrigatória não sabes porque tiveste de aprender certas coisas. Tens que aprender e estudar porque "tem que ser", para mostrares ser inteligente, para teres boas notas e entrares para uma faculdade, tudo numa lógica de uns conseguem e outros não, e que quem se esfola merece mais do que os que não se esfolam tanto.

 

Por outro, o que a Finlândia faz é reformular o aspeto somativo do ensino praticado na maioria dos países para um modelo formativo, e esta reforma só torna isso mais evidente. Tenta-se ensinar as crianças desde pequenas a desenvolver a curiosidade natural pela aprendizagem, para depois estudarem e aprenderem, não porque é assim e tem de ser, mas porque gostam e querem. Não lhes interessa formar só executantes e cavalos de trabalho, o que querem é formar mentes críticas e criativas.

 

É claro que isto implementado em Portugal era um choque, mas as mudanças começam sempre por algum lado (e não tem que se revolucionar tudo de uma vez). Deixar andar um sistema como o atual não vai mudar mentalidades nenhumas. O que muda mentalidades são ações, e isto ia acabar obrigatoriamente por mudar paradigmas sociais. Também não tinha que ser algo obrigatoriamente igual ao que a Finlândia faz, mas deveria ser algo que fosse verdadeiramente de acordo com as teorias e progessos científicos feitos na área de educação. Porque o que não falta pregarem nas faculdades em cadeiras ligadas à educação é um modelo de ensino formativo, mas aplicá-lo está quieto. A Finlândia teve essa coragem e os resultados estão à vista.

Na mouche.

 

Era óptimo que algum dia se conseguisse aplicar um modelo do género em Portugal. Seria um avanço colossal na nossa educação. Mas sinceramente, parece-me virtualmente impossível. Quanto mais não seja, pela própria matriz cultural do povo português. Um povo muito "equilibrado", à falta de melhor termo, para o bem e para o mal, e que raramente vê a mudança como algo realmente benéfico. Um povo avesso a radicalismos. E um modelo como este, embora tenha ainda uma visão muito geral do mesmo (mas vou ter oportunidade de o estudar melhor, tanto quanto possível, ao longo das próximas semanas), parece-me demasiado radical para encaixar num país como o nosso.

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Não tem que ser mais fácil nem mais difícil, tem que ser bem feito.

 

São mentalidades, claro, mas pode-se insurgir sobre elas na mesma. De um lado tens uma mentalidade que vê a escola como um sacrifício e uma obrigação a cumprir, uma soma de etapas consecutivas que começa num período em que tu mal tens capacidade para te aperceberes do porquê teres que aprender as coisas que aprendes. Aliás, entre as coisas que aprendes, boa parte não parece ser mais do que formalidades, e mesmo no fim da escolaridade obrigatória não sabes porque tiveste de aprender certas coisas. Tens que aprender e estudar porque "tem que ser", para mostrares ser inteligente, para teres boas notas e entrares para uma faculdade, tudo numa lógica de uns conseguem e outros não, e que quem se esfola merece mais do que os que não se esfolam tanto.

 

Por outro, o que a Finlândia faz é reformular o aspeto somativo do ensino praticado na maioria dos países para um modelo formativo, e esta reforma só torna isso mais evidente. Tenta-se ensinar as crianças desde pequenas a desenvolver a curiosidade natural pela aprendizagem, para depois estudarem e aprenderem, não porque é assim e tem de ser, mas porque gostam e querem. Não lhes interessa formar só executantes e cavalos de trabalho, o que querem é formar mentes críticas e criativas.

 

É claro que isto implementado em Portugal era um choque, mas as mudanças começam sempre por algum lado (e não tem que se revolucionar tudo de uma vez). Deixar andar um sistema como o atual não vai mudar mentalidades nenhumas. O que muda mentalidades são ações, e isto ia acabar obrigatoriamente por mudar paradigmas sociais. Também não tinha que ser algo obrigatoriamente igual ao que a Finlândia faz, mas deveria ser algo que fosse verdadeiramente de acordo com as teorias e progessos científicos feitos na área de educação. Porque o que não falta pregarem nas faculdades em cadeiras ligadas à educação é um modelo de ensino formativo, mas aplicá-lo está quieto. A Finlândia teve essa coragem e os resultados estão à vista.

 

Pessoalmente não vejo qualquer problema no ensino que existe até ao término do secundário. Programas interesses que abordam diferentes assuntos e que permitem a uma pessoa optar por uma via a seguir na faculdade.

 

O maior problema do ensino em Portugal prende-se com o Universitário em muitas faculdades, onde se descarrega matéria em conteúdos exurbitantes, forma-se um aluno para passar e para o ano não se lembrar já do que estudou, porque leu aquilo mas sem qualquer interesse, foi meramente para passar. Não se fomenta praticamente qualquer espírito de atividade coletiva que possa fomentar novas discussões, debates e evolução.

 

Outra coisa que estraga e muito o ensino são os professores. Acho que a falta de aproximação do Professor com os Alunos e o simplesmente chegar lá, descarregar e ir embora, torna o ensino pouco interessante. Se o Aluno vir no professor uma referência o interesse em aprender é logo outro. A relação entre os professores e alunos tem que ser como a de um mestre, que ensina o seu pupilo. E isso não se verifica em muitas situações...

 

Portanto acima de tudo, antes de uma reformulação da educação na sua génese, acho que há bastantes fatores mais importantes que precisam de ser alterados. Mudanças essas que podem, ou não, fazer parte de uma transição para este estado da educação Finlandensa.

 

Na mouche.

 

Era óptimo que algum dia se conseguisse aplicar um modelo do género em Portugal. Seria um avanço colossal na nossa educação. Mas sinceramente, parece-me virtualmente impossível. Quanto mais não seja, pela própria matriz cultural do povo português. Um povo muito "equilibrado", à falta de melhor termo, para o bem e para o mal, e que raramente vê a mudança como algo realmente benéfico. Um povo avesso a radicalismos. E um modelo como este, embora tenha ainda uma visão muito geral do mesmo (mas vou ter oportunidade de o estudar melhor, tanto quanto possível, ao longo das próximas semanas), parece-me demasiado radical para encaixar num país como o nosso.

 

Eu acho que em Portugal um dos grandes problemas no ensino nasce nos lares, dentro de casa. Os pais não fomentarem nadinha aos filhos e deixarem-se apenas pela escola... não fazerem atividades educativas com eles. Comprar um livro de coisas práticas, de Ciência, que para a criança até são divertidas e até "mágicas", por exemplo. Parecendo que não isso dá logo outro interesse para disciplinas ligadas à Ciência, por exemplo.

Editado por Harvey Specter

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Nós ainda estamos na fase de arranjar salas de aulas onde não chova e dinheiro para pagar a professores suficientes de forma a não termos turmas com 30 infelizes amontoados. Uma coisa de cada vez.

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Na mouche.

 

Era óptimo que algum dia se conseguisse aplicar um modelo do género em Portugal. Seria um avanço colossal na nossa educação. Mas sinceramente, parece-me virtualmente impossível. Quanto mais não seja, pela própria matriz cultural do povo português. Um povo muito "equilibrado", à falta de melhor termo, para o bem e para o mal, e que raramente vê a mudança como algo realmente benéfico. Um povo avesso a radicalismos. E um modelo como este, embora tenha ainda uma visão muito geral do mesmo (mas vou ter oportunidade de o estudar melhor, tanto quanto possível, ao longo das próximas semanas), parece-me demasiado radical para encaixar num país como o nosso.

Isso também é consequência da população envelhecida, que cresceu na altura da ditadura. Acredito que com o passer de gerações isso será uma barreira cultural cada vez mais insignificante.

 

Pessoalmente não vejo qualquer problema no ensino que existe até ao término do secundário. Programas interesses que abordam diferentes assuntos e que permitem a uma pessoa optar por uma via a seguir na faculdade.

 

O maior problema do ensino em Portugal prende-se com o Universitário em muitas faculdades, onde se descarrega matéria em conteúdos exurbitantes, forma-se um aluno para passar e para o ano não se lembrar já do que estudou, porque leu aquilo mas sem qualquer interesse, foi meramente para passar. Não se fomenta praticamente qualquer espírito de atividade coletiva que possa fomentar novas discussões, debates e evolução.

 

Outra coisa que estraga e muito o ensino são os professores. Acho que a falta de aproximação do Professor com os Alunos e o simplesmente chegar lá, descarregar e ir embora, torna o ensino pouco interessante. Se o Aluno vir no professor uma referência o interesse em aprender é logo outro. A relação entre os professores e alunos tem que ser como a de um mestre, que ensina o seu pupilo. E isso não se verifica em muitas situações...

 

Portanto acima de tudo, antes de uma reformulação da educação na sua génese, acho que há bastantes fatores mais importantes que precisam de ser alterados. Mudanças essas que podem, ou não, fazer parte de uma transição para este estado da educação Finlandensa.

 

Eu acho que em Portugal um dos grandes problemas no ensino nasce nos lares, dentro de casa. Os pais não fomentarem nadinha aos filhos e deixarem-se apenas pela escola... não fazerem atividades educativas com eles. Comprar um livro de coisas práticas, de Ciência, que para a criança até são divertidas e até "mágicas", por exemplo. Parecendo que não isso dá logo outro interesse para disciplinas ligadas à Ciência, por exemplo.

Não acho que haja assim grande diferença no que toca ao ensino obrigatório e ao ensino universitário. No máximo, isto só se agrava mais no ensino universitário. Porque também no básico e secundário se formam alunos para passar para o ano seguinte e não se lembrar do que estudou. Qualquer matéria e programa pode ser tornado interessado, depende é da forma como é administrado. Aliás, acho que passa quase tudo pela forma como é administrado.

 

Nós ainda estamos na fase de arranjar salas de aulas onde não chova e dinheiro para pagar a professores suficientes de forma a não termos turmas com 30 infelizes amontoados. Uma coisa de cada vez.

 

Acho que se houvesse um olhar diferente (para melhor) da educação desde o início, também não existiriam estes problemas. Isto vem-se arrastando desde há décadas, por exemplo quando a Manuela Ferreira Leite foi Ministra de Educação lá para a década de 90 e afirmou que o governo ia cortar nos gastos da educação porque não era considerada prioridade (segundo me contou um professor, supostamente dito por ela). Também não existe cá grande respeito pela profissão de professor, que na teoria (e na prática) deveriam ser os alicerces da sociedade, se formos a comparar com um médico que deve provavelmente estar no topo desta tabela. É a imagem que passam: um médico salva vidas, e um professor é um chato do crl que faz testes difíceis e dá más notas. Até posso estar errado na minha opinião, mas acho que mudando a ideia que a sociedade tem acerca da escola e do ensino, iria necessariamente haver uma abordagem diferente. Por exemplo, maior prioridade em arranjar salas de aulas e fazer turmas de tamanhos decentes.

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Não acho que haja assim grande diferença no que toca ao ensino obrigatório e ao ensino universitário. No máximo, isto só se agrava mais no ensino universitário. Porque também no básico e secundário se formam alunos para passar para o ano seguinte e não se lembrar do que estudou. Qualquer matéria e programa pode ser tornado interessado, depende é da forma como é administrado. Aliás, acho que passa quase tudo pela forma como é administrado.

 

 

Disciplinas como Ciências e Físico Química fazes bastantes cenas práticas interessantes e que suscitam interesse. A relação com os professores é muito mais próxima, o que até acaba por ser irónico porque na universidade onde são todos adultos e deveria haver maior noção de respeito os professores dão menos confiança e envolvem-se muito menos (enquanto que no ciclo/secundário supostamente é que deveriam evitar isso para evitar abusos comuns na "criançada").

 

Quanto ao se agravar no Universitário, claro. No Universitário isso é muito mais grave, porque já estás aquilo que vais ser. Antes disso estás a explorar várias opções.

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Eu acho que em Portugal um dos grandes problemas no ensino nasce nos lares, dentro de casa. Os pais não fomentarem nadinha aos filhos e deixarem-se apenas pela escola... não fazerem atividades educativas com eles. Comprar um livro de coisas práticas, de Ciência, que para a criança até são divertidas e até "mágicas", por exemplo. Parecendo que não isso dá logo outro interesse para disciplinas ligadas à Ciência, por exemplo.

Nasce em casa porque os próprios pais já foram educados da mesma forma. Alguns deles ainda são do tempo em que decorar os rios e estações dos caminhos de ferro de Portugal ainda era considerado como um conteúdo do programa. Nunca foram incentivados a desenvolver o gosto pela aprendizagem e portanto, é natural que também não o façam com os filhos agora.

 

Isso também é consequência da população envelhecida, que cresceu na altura da ditadura. Acredito que com o passer de gerações isso será uma barreira cultural cada vez mais insignificante.

Hum...não sei. Porque a verdade é que a maioria das pessoas que constituem as gerações mais novas continuam a interiorizar este sistema de ensino. Um sistema que não incentiva a aprendizagem pelo gosto de aprender e pelo gosto de saber, mas que incentiva apenas a aprendizagem para satisfazer determinados requisitos pré-estabelecidos e que são iguais para todas as pessoas, independentemente da sua capacidade ou falta de capacidade para determinado tema. E a mais recente reforma do ensino por cá, como refere a notícia, só acentua ainda mais esse caminho.

 

Por muito que existam muitos políticos que acham que a escola serve apenas para preparar robô...perdão, futuros "colaboradores" para o mercado de trabalho, é bom que se vá mantendo presente a ideia de que a escola, acima de tudo, serve para formar pessoas. Não para formatar pessoas. É outra coisa que as pessoas que estão nos lugares de poder e de decisão também confundem bastante.

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Nasce em casa porque os próprios pais já foram educados da mesma forma. Alguns deles ainda são do tempo em que decorar os rios e estações dos caminhos de ferro de Portugal ainda era considerado como um conteúdo do programa. Nunca foram incentivados a desenvolver o gosto pela aprendizagem e portanto, é natural que também não o façam com os filhos agora.

 

Discordo que seja natural. Eu estou a ter o sistema de educação que Portugal aborda e que nós, mais jovens que "usufruímos" dele criticamos. Portanto o mais lógico seria na geração que eu criar e ajudar a crescer, procurar incentivar fora da escola a criatividade e o gosto pelo conhecimento. Não digo que devíamos transformar as nossas crianças em robots como se faz na Índia. Mas há tempo para muita diversão e para se aprender com diversão também e fomentar esses gostos.

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Disciplinas como Ciências e Físico Química fazes bastantes cenas práticas interessantes e que suscitam interesse. A relação com os professores é muito mais próxima, o que até acaba por ser irónico porque na universidade onde são todos adultos e deveria haver maior noção de respeito os professores dão menos confiança e envolvem-se muito menos (enquanto que no ciclo/secundário supostamente é que deveriam evitar isso para evitar abusos comuns na "criançada").

 

Quanto ao se agravar no Universitário, claro. No Universitário isso é muito mais grave, porque já estás aquilo que vais ser. Antes disso estás a explorar várias opções.

Curiosamente, da minha experiência numa faculdade de Educação, os professores a este nível até se envolvem mais no trabalho dos alunos e na sua aprendizagem que no ensino secundário. Mas sei que a minha faculdade é a excepção que confirma a regra. Acredito que seja porque são "professores de futuros professores", e porque já conhecem melhor os erros que muitos professores cometem no que diz respeito à abordagem que têm com os alunos, um pouco por todos os patamares do ensino.

 

Discordo que seja natural. Eu estou a ter o sistema de educação que Portugal aborda e que nós, mais jovens que "usufruímos" dele criticamos. Portanto o mais lógico seria na geração que eu criar e ajudar a crescer, procurar incentivar fora da escola a criatividade e o gosto pelo conhecimento. Não digo que devíamos transformar as nossas crianças em robots como se faz na Índia. Mas há tempo para muita diversão e para se aprender com diversão também e fomentar esses gostos.

Há uma liberdade bem maior de aprendizagem na nossa geração, é certo. E a nossa geração irá fomentar muito mais esse gosto pelo conhecimento que as anteriores, sim. Mas isso deve-se mais ao mundo actual, onde a informação está em todo o lado e é acessível a praticamente toda a gente, do que propriamente ao ensino em contexto formal que frequentamos. Porque esse, embora tenha evoluído com o passar dos anos, continua a seguir um pouco a mesma matriz limitadora que sempre teve.

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Curiosamente, da minha experiência numa faculdade de Educação, os professores a este nível até se envolvem mais no trabalho dos alunos e na sua aprendizagem que no ensino secundário. Mas sei que a minha faculdade é a excepção que confirma a regra. Acredito que seja porque são "professores de futuros professores", e porque já conhecem melhor os erros que muitos professores cometem no que diz respeito à abordagem que têm com os alunos, um pouco por todos os patamares do ensino.

 

Lá está... acabaste por dar a justificação do porquê de isso acontecer provavelmente. Porque na minha faculdade tenho professores que até são mais próximos com os alunos, cruzam-se contigo e não têm qualquer problema em cumprimentar-te, tirar dúvidas, etc. Mas há muitos que "fogem" do gabinete de apoio ao aluno onde deviam estar a tirar dúvidas, ausentando-se sempre por motivos de "outros trabalhos", não respondem a e-mails de alunos, etc... mas isto é muito o problema de se contratar professores sem olhar também para a sua ocupação. Contrata-se professores que já têm 1001 cargos fora da faculdade e que depois vêm aquilo como um escape para ir lá despejar umas matérias e ganhar umas boas massas.

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Nós ainda estamos na fase de arranjar salas de aulas onde não chova e dinheiro para pagar a professores suficientes de forma a não termos turmas com 30 infelizes amontoados. Uma coisa de cada vez.

 

Mesmo. Ainda temos que penar muito para pensar sequer em implementar metodologia desta por cá.

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Hum...não sei. Porque a verdade é que a maioria das pessoas que constituem as gerações mais novas continuam a interiorizar este sistema de ensino. Um sistema que não incentiva a aprendizagem pelo gosto de aprender e pelo gosto de saber, mas que incentiva apenas a aprendizagem para satisfazer determinados requisitos pré-estabelecidos e que são iguais para todas as pessoas, independentemente da sua capacidade ou falta de capacidade para determinado tema. E a mais recente reforma do ensino por cá, como refere a notícia, só acentua ainda mais esse caminho.

Elas (e nós) podem ver o sistema de ensino dessa forma, mas não deixam de estar mais abertas ao espírito crítico e à informação sobre o que se passa de diferente no resto do mundo. Antes eu tenho a certeza que quase ninguém se questionava sequer o porquê de ter de saber os nomes de todos os afluentes dos rios na Guiné-Bissau.

 

A ideia que eu tenho das faculdades em geral, e pela minha própria experiência, é que isto só piora na faculdade. Dicotomia completa entre teoria e prática, aulas teóricas com dezenas e dezenas de alunos, aulas práticas que são extensão das teóricas ou são para fazer relatórios, professores com quem tens aulas durante meses e no fim da cadeira nem sabem que tu és, inúmeras disciplinas sem interligação umas com as outras ou com o curso em geral... Como ainda estou na licenciatura não sei se no mestrado será diferente, mas a sensação que fico desta experiência é que cada aluno está desapoiado e entregue a si próprio.

Editado por Hououin Kyouma

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A ideia que eu tenho das faculdades em geral, e pela minha própria experiência, é que isto só piora na faculdade. Dicotomia completa entre teoria e prática, aulas teóricas com dezenas e dezenas de alunos, aulas práticas que são extensão das teóricas ou são para fazer relatórios, professores com quem tens aulas durante meses e no fim da cadeira nem sabem que tu és, inúmeras disciplinas sem interligação umas com as outras ou com o curso em geral... Como ainda estou na licenciatura não sei se no mestrado será diferente, mas a sensação que fico desta experiência é que cada aluno está desapoiado e entregue a si próprio.

 

 

É isto tudo. E mais grave é aquelas que nem separam a vertente teórica da prática e colocam tudo como Teórico-Prático... que é o que se faz com todas as cadeiras na FEP.

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É isto tudo. E mais grave é aquelas que nem separam a vertente teórica da prática e colocam tudo como Teórico-Prático... que é o que se faz com todas as cadeiras na FEP.

 

Na FEP e em todo o lado provavelmente. O meu horário é tudo teórico-prático excepto numa outra aula que é só prático.

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Lá está... acabaste por dar a justificação do porquê de isso acontecer provavelmente. Porque na minha faculdade tenho professores que até são mais próximos com os alunos, cruzam-se contigo e não têm qualquer problema em cumprimentar-te, tirar dúvidas, etc. Mas há muitos que "fogem" do gabinete de apoio ao aluno onde deviam estar a tirar dúvidas, ausentando-se sempre por motivos de "outros trabalhos", não respondem a e-mails de alunos, etc... mas isto é muito o problema de se contratar professores sem olhar também para a sua ocupação. Contrata-se professores que já têm 1001 cargos fora da faculdade e que depois vêm aquilo como um escape para ir lá despejar umas matérias e ganhar umas boas massas.

Sim, tenho noção disso. E é mais uma das razões pelas quais acho que continuamos longe de sequer pensar realisticamente em implementar algo deste género por cá. Sei bem que a faculdade onde ando é a excepção à regra. E são os próprios professores os primeiros a dizê-lo. Muitos deles já com experiência noutras faculdades, e que dizem ter sido uma experiência totalmente diferente, porque quase que o

 

Elas (e nós) podem ver o sistema de ensino dessa forma, mas não deixam de estar mais abertas ao espírito crítico e à informação sobre o que se passa de diferente no resto do mundo. Antes eu tenho a certeza que quase ninguém se questionava sequer o porquê de ter de saber os nomes de todos os afluentes dos rios na Guiné-Bissau.

 

A ideia que eu tenho das faculdades em geral, e pela minha própria experiência, é que isto só piora na faculdade. Dicotomia completa entre teoria e prática, aulas teóricas com dezenas e dezenas de alunos, aulas práticas que são extensão das teóricas ou são para fazer relatórios, professores com quem tens aulas durante meses e no fim da cadeira nem sabem que tu és, inúmeras disciplinas sem interligação umas com as outras ou com o curso em geral... Como ainda estou na licenciatura não sei se no mestrado será diferente, mas a sensação que fico desta experiência é que cada aluno está desapoiado e entregue a si próprio.

Estou de acordo, sim.

 

Lá está, eu não sou a melhor pessoa para falar desse tipo de experiência, porque isso não acontece comigo. Mas tenho consciência que é a regra.

 

É isto tudo. E mais grave é aquelas que nem separam a vertente teórica da prática e colocam tudo como Teórico-Prático... que é o que se faz com todas as cadeiras na FEP.

Na ESE é igual. E não vejo grandes problemas nisso. A teoria deve estar sempre bem articulada e interligada com a prática. O problema está mais na interacção professor-aluno, e nos obstáculos que essa interacção encontra numa grande faculdade, como a FEP, por exemplo.

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Estou de acordo, sim.

 

Lá está, eu não sou a melhor pessoa para falar desse tipo de experiência, porque isso não acontece comigo. Mas tenho consciência que é a regra.

Confere.

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Na FEP e em todo o lado provavelmente. O meu horário é tudo teórico-prático excepto numa outra aula que é só prático.

 

Há muitas escolas de Economia/Gestão que dividem a parte teórica da cadeira em turmas grandes e a parte prática é dada com turmas mais pequenas. Algumas até usam professores recém-licenciados pela própria faculdade, que tenham competências para lecionar a parte prática.

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