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Mayday

A coisa mais traumática que já vos aconteceu

Publicações recomendadas

Visitar o meu pai quando tomou noção de que já nada havia a fazer em relação ao tumor dele.

 

Ter de me fazer de forte (e não conseguir) e ver o meu pai a chorar que nem um bébé foi sem duvida o dia mais traumático da minha vida. Pelo contrário nesse dia nunca me senti tão orgulhoso da minha mãe como nesse dia :prayer:

 

Nem no dia da sua morte me senti pior que nesse dia.

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O meu avô estava doente, tinha cancro nos pulmões, estava a sofrer, mas ninguém, nem os médicos lhe deram o diagnóstico. Só nós familia é que sabiamos, de certa forma para o poupar, embora ele o sentisse, pois nos ultimos dias de vida dizia que estava a morrer.

 

Dias depois a minha avó ligou-me toda aflita e atrapalhada a dizer que ele estava caido na casa de banho.

 

Estava com uma prima e uma tia e fomos logo lá pois a casa dele era a 5min.

 

Chegados lá fui encontrar o meu avo estendido no chão, envolto numa gigante poça de sangue bastante escuro. Alguma coisa dentro dele que rebentou e começou a esvair em sangue até acabar por falecer.

 

Ainda ligamos para o 112, disseram-nos para o virar de barria para cima e fazer suporte basico de vida, mas já nada havia a fazer.

 

Confesso que nos dias seguintes foi dificil tirar essas imagens da minha cabeça

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fuck coloquem mas é isto no 1º post para o pessoal pôr a tocar enquanto lê este tópico:

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Se calhar vai parecer algo tão não traumático mas tinha a minha avó na cama há muito tempo já. Ia visita-la de mês a mês e toda a vez saía de lá com aperto do coração, já que ela por vezes nem reconhecia as pessoas. Um dia estava em aulas e vou ao Facebook e vejo uma prima minha a dizer: " até já avó..". Fiquei durante 30 minutos à espera de uma chamada da minha mãe a ver se era verdade..

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Apaguem e fechem este tópico. Não há necessidade nenhuma de ter isto aberto. É sofrimento gratuito. Eu sei que cada um clica se quiser, cada um faz o que quer, mas, f*da-se, dói-me a alma de ler certas m*rda aqui, sobretudo porque tenho dois avós com 90 anos e ainda esta semana um deles esteve internado.

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Há posts duros mas enquanto existirem experiências a ser contadas pelo pessoal e não houver real unanimidade no fecho disto, acho que pode continuar aberto.

 

Revejo-me em duas ou três situações aqui contadas, umas correram bem, outras muito mal. É necessário encarar tudo com força e cabeça levantada.

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Mas por que carga de água é que se havia de fechar?

 

A vida não é só as coisas engraças que acontecem ao tio, as piores m*rda também nos acontecem e às vezes sabe bem deixar um desabafo, falar sobre isso.

 

Mas é isso, não abram.

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Não era para ser levado de forma completamente literal. Mas a vida já tem tanta m*rda triste que vir para o CMPT e levar com tanta m*rda igualmente triste, experiências de vida completamente devastadoras e afins... Este tópico é tão sério e desolador que até custa cá entrar.

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Da forma que falas parece que fazes do CMPT um mundo de alegria :lol: está longe disso. Mas percebo o que queres dizer.

 

Quanto ao tópico deve continuar aberto, sempre dá as pessoas um local para desabafar e contar as experiências e de certa forma para quem ainda se sente mal ou triste/traumatizado pelo que aconteceu, desabafar sempre ajuda. Senão nem teriam necessidade para contar.

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Isto também podia estar no tópico dos sonhos mas como foi um sonho traumatizante ponho aqui:

 

Eu estava com uns amigos num parque algures à noite e um deles decide mandar uma lata lá para baixo onde fica a estrada, nisto ouve-se um estrondo enorme e desatamos a correr para ver o que aconteceu. E o que vi foi tão vivido e de uma maneira tão real que me deixou em choque o dia inteiro: basicamente tinha havido um acidente de carro e estavam dezenas de crianças mortas espalhadas pela estrada, algumas com partes do corpo separadas, sangue por todo o lado. Desatei a chorar em pânico e quando olhei para o lado, no passeio, estavam vários adultos a olhar especados e aquilo deu-me um sentimento maior de culpa. Quando acordei associei as feições deles com a dos refugiados. Fiquei a bater mal nesse dia, foi mesmo real, ainda me lembro dos berros e do sangue e de ver aquilo como se tivesse acontecido.

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Nessa mesma linha, certa vez sonhei com a morte do meu filho e maior do que o sentimento de alívio quando acordei, só mesmo o de angústia e desespero pelo sonho.

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Da forma que falas parece que fazes do CMPT um mundo de alegria :lol: está longe disso. Mas percebo o que queres dizer.

Mas uma coisa são idiotas que usam o fórum para serem idiotas, outra coisa são assuntos super sérios que só de imaginar morro um bocado por dentro. Mas, mais uma vez, quando disse "fechem isto" não era propriamente literal.

 

Já agora, não é a coisa mais traumática que me aconteceu, mas como foi esta semana está bem recente. O meu avô internado, conforme disse, e recebo uma chamada da minha mãe que estava com ele, pergunto como está o avô que não estava muito mal (já está a recuperar e tudo), mas depois diz-me que o vizinho da frente tinha tido um AVC e tinha ficado sem ver e sem ouvir. Comecei a imaginar o que seria a vida de quem quer que seja sem ver e sem ouvir, a angústia que seria e fiquei uma boa hora a imaginar a situação. Custa dizer isto, mas, felizmente, o senhor acabou por morrer. Estar consciente, acordado, mas sem conseguir ver nem ouvir deve ser o maior desespero que uma pessoa pode passar.

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Isto também podia estar no tópico dos sonhos mas como foi um sonho traumatizante ponho aqui:Eu estava com uns amigos num parque algures à noite e um deles decide mandar uma lata lá para baixo onde fica a estrada, nisto ouve-se um estrondo enorme e desatamos a correr para ver o que aconteceu. E o que vi foi tão vivido e de uma maneira tão real que me deixou em choque o dia inteiro: basicamente tinha havido um acidente de carro e estavam dezenas de crianças mortas espalhadas pela estrada, algumas com partes do corpo separadas, sangue por todo o lado. Desatei a chorar em pânico e quando olhei para o lado, no passeio, estavam vários adultos a olhar especados e aquilo deu-me um sentimento maior de culpa. Quando acordei associei as feições deles com a dos refugiados. Fiquei a bater mal nesse dia, foi mesmo real, ainda me lembro dos berros e do sangue e de ver aquilo como se tivesse acontecido.

acho que sonhar com isso é sinal de dinheiro a chegar

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acho que sonhar com isso é sinal de dinheiro a chegar

Ahah Pá, também podem ser problemas mal resolvidos da minha infância, se bem que não interpretei assim.

 

Mas outro sonho que tive e foi bué forte, embora não traumatizante, foi um em que tinha uma filha e ganhei uma ligação emocional tão forte nesse sonho que depois quando acordei fiquei vários dias a sentir falta dela e a lembrar-me de como ela era. Soa estranho, mas o sonho foi tão intenso, até a nivel de emoções, que quando acordei foi como ser transportado para outra realidade e ter que me ajustar a ela.

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Acho que saber que a minha mãe tinha um cancro e vê-la sem cabelo foi das coisas que mais me marcou ultimamente. Isso e uma vez, quando era mais novo, ouvir o meu avô dizer que só estava à espera "dela" (morte). Estas duas situações marcaram-me profundamente e alteraram, de certo modo, a minha maneira de ser.

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A coisa mais traumática que me aconteceu é algo que não desejo a ninguém mas vou começar este texto pelo início da história.

 

A minha mãe padecia de uma doença chamada aterosclerose (penso que está bem escrito) que é conhecida pelo entupimento das artérias devido à formação de placas. Não tinha uma alimentação adequada, pois comia fora de horas devido ao trabalho que tinha e era fumadora há mais de 30 anos, uma das principais causas para o "crescimento galopante" desta doença. Fez uma ferida na perna em Janeiro de 2014 e andou a antibióticos até Abril do mesmo ano, a mando do médico que a seguia. Não será estranho dizer que a ferida piorou de tal forma que teve de amputar a perna esquerda abaixo e, posteriormente, acima do joelho em Agosto de 2014, pois a infecção era enorme que chegou a provocar uma osteomielite (infecção da medúla que existe nos ossos) - o senhor doutor foi homem para esperar mais de meio ano para a internar em Abril e andar a intravenoso para depois enviá-la para casa com a ferida na mesma. A partir daí foi um degradar da situação e uma bola de neve, pois os internamentos sucederam-se (Dezembro de 2014, Março de 2015, Agosto de 2015, Outubro de 2015, Janeiro de 2016, Março de 2016 e, por fim, Junho de 2016) e a situação foi piorando aos poucos, havendo aqui e ali ligeiras melhorias mas nada que a fizesse voltar ao que era. Contudo, e disso é o que guardo e guardarei com enorme orgulho, nunca desistiu de lutar e fazer tudo aquilo que cada um de nós faz no seu dia-a-dia: arrumar e limpar a casa, cozinhar, estender roupa, subir as escadas, etc.

 

Fui "obrigado" a voltar para casa, da qual tinha saído no início de 2016 com a minha namorada, de forma a apoiar o meu irmão mais novo que tem 16 anos. Se para nós é difícil com quase 30 anos nem quero imaginar o que vai na cabeça daquele miúdo...

 

Nunca aceitou o facto de ter ficado sem a perna mas foi lutando como podia. Faleceu num momento em que ninguém estava à espera (se é que algum dia estamos à espera) e foi a coisa mais traumática que já tive de enfrentar até hoje e enfrentarei até ao fim dos meus dias, pois não mata mas mói e dói saber que aquela pessoa que daria a vida por nós não entrará mais pela porta de casa. Têm sido duros estes tempos e ainda mais depois de voltar a uma casa que me traz recordações, sabendo que serão apenas recordações e memórias, visto que o capítulo foi fechado de forma abrupta.

 

A Saudade será eterna...

 

Neste momento de tristeza, o sentimento de saudade toma conta de mim...é um misto de sensações que invade a minha alma mas com a certeza que estás connosco onde quer que estejamos.

 

Agradeço cada minuto da tua vida a meu lado e todos os conselhos que me deste ao longo destes 29 anos de vida juntos neste lugar chamado Terra com a esperança de, um dia, te encontrar num outro lugar onde não exista sofrimento e dor mas sim alegria e felicidade para podermos continuar caminhando lado a lado. Estes últimos anos não foram fáceis para nós mas para ti ainda menos por seres uma Mãe que tudo fez para que os seus estivessem bem, mesmo que tu estivesses mal...guerreira, lutadora e uma Mulher sem igual (sim, Mulher com M ENORME)!

 

Desculpa se por vezes fui injusto contigo mas era para o teu bem...queria ter-te junto de mim mas não a sofrer e, por isso, agradeço que te tenham levado para um lugar melhor e para junto daqueles que também já partiram (dá-lhes um forte abraço e um beijinho por mim).

 

Obrigado por todos estes anos que estiveste cá e espero que estejas bem e feliz que nunca te esquecerei! És a minha mamã e continuarás a ser, apesar de fisicamente já não estares aqui! Como disse atrás, um dia estaremos juntos de novo num lugar melhor a recordar as nossas vidas e a caminhar de novo lado a lado...obrigado por tudo guerreira! Só te peço que nunca me deixes sozinho e, caso esteja a ir pelo caminho errado, que me ilumines o caminho certo para que nunca me perca e te desiluda. Por ti e para ti, farei tudo para que te orgulhes dos filhos que trouxeste ao Mundo!

 

Obrigado por tudo e até já! Não te esqueças de nós porque ninguém te esquecerá!

 

Amo-te, mãe! O meu amor por ti será eterno e nada irá apagar isso! Até já! OBRIGADO, CRL!

 

PS - Ah, e não te preocupes que cumprirei a promessa que te fiz!

 

Porque é importante recordar...ainda que seja estranho

 

Ontem fez um mês que partiste sem deixar aviso, apanhando a todos de surpresa. Trinta e um dias passaram sem uma palavra tua, sem uma chamada, sem qualquer tipo de contacto...é estranho olhar para o telemóvel à hora do costume e ele não tocar, é estranho não te ligar para contar alguma novidade (como esta última que tinha para te contar que te iria deixar contente), é estranho tentar perceber o porquê desta ausência.

 

Continuo a olhar para ti logo de manhã com um sorriso tímido no rosto e antes de ir dormir desejo-te boa noite (ainda que não fosse hábito quando estavas presente fisicamente)...é importante recordar todos os momentos bons e menos bons que tivemos, ainda que seja estranho não poder mais falar contigo e sentir o abraço que me davas quando fazia anos. Porque, apesar de tudo, eras, és e continuarás a ser a pessoa mais importante que alguma vez terei na minha vida!

 

Acredito que, no sítio belo onde estás neste momento, estás a vibrar com o caminho glorioso que equipa de todos nós está a trilhar, pois sei o quanto gostavas de ver futebol...ou não me viesse à memória, em cada jogo nosso, aquela noite em que o Ricardo defendeu o penalti sem luvas e a seguir enfiou a bola no fundo das redes, fazendo com que saltássemos de alegria abraçados uns aos outros...espero que possas vê-los a chegar à final nesse sítio belo onde, um dia, nos iremos encontrar e pôr a conversa em dia :')

 

As lágrimas correm-me pelo rosto enquanto escrevo...um pouco de tristeza mas também de felicidade por ter tido uma Mãe como tu! Foste uma Guerreira nesta caminhada, Mãe! Espero que te orgulhes de nós e, por ti, vou dar tudo até à última gota de suor e sangue que o meu corpo tiver!

 

The last kiss...

 

Faz hoje três meses que te dei o último beijo. Foi um beijo carregado de sentimento onde demonstrei todo o meu respeito, carinho e amor que sinto por ti...um beijo na testa que dizem ser sinal de respeito e sussurei um "Obrigado por tudo!" na esperança que estivesses a ouvir. Não fui o último a despedir-me como pretendia mas também não importa...despedi-me com um até já, esperando reencontrar-te um dia!

 

Não te escrevi no dia 3 de Setembro porque nenhuma palavra me saía dos dedos. Opto por escrever hoje pois foi a última vez que te vi, apesar de não ser essa a imagem que tenho de ti. A memória optou por não fixar muito essa imagem pois não era o que pretendias quando isso acontecesse. Querias te lembrasse com um sorriso no rosto, uma gargalhada das tuas saídas do nada ou um grito de quando estavas zangada...são essas as memórias que me levam até junto de ti, Mãe!

 

A cada dia que tem passado nestes três meses, lembro-me de ti a cada minuto que passo no carro e a cada passo que dou. Esta última semana não tem sido fácil talvez porque está chegar o dia do teu aniversário ou por qualquer outra razão que ainda não descobri. A tua ausência comove-me e leva-me a alegria do estado de espírito...não consigo passar por ti e não te dizer um olá ou boa noite, mesmo sabendo que não me vais responder. É triste...é uma tristeza que me consome por dentro e desabrocha em todas as acções que faço ao longo do dia sem qualquer tipo de alegria...como a que tinhas, apesar do estado em que te encontravas. Não me tinha apercebido realmente que nunca tinhas aceite devido à tua energia positiva que tentavas transmitir ainda que por dentro estivesses como um copo feito em vidrinhos. Enfim...

 

Até já, Rainha!

 

"In the kingdom of my life you'll always be the Queen!"

 

 

 

Não gosto de desabafar com ninguém e este espaço e o FB servem para fugir um pouco a essa regra. Deixo-vos um texto que escrevi na altura mas que se mantém actual.

 

PS - Desculpem o testamento.Ah, e nunca se esqueçam de uma coisa: "na hora de pôr a mesa somos sempre cinco!"

Editado por Hugo®

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