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Antoine Griezmann deletes 'blacked up' fancy dress picture after being branded racist

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Não me digam que agora para prestar tributo como deve ser tinha que se pintar de preto, não bastava o equipamento da equipa.

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Então nada. Tu tens a tua opinião, eu tenho a minha. Não te chamei de ignorante como tu me chamaste só porque insinuaste que nunca ouvi falar em "black face". Para mim não se trata de racismo nem de ignorância, tratou-se de uma cena inocente e que não teria intenção nenhuma te atingir ninguém, tu não achas isso. Eu respeito a tua, só queria respeito pela minha antes de partires para o insulto.

Como eu disse num post anterior, Não podemos chegar a 2017 e achar que a ignorância (ou inocência), que agora parece ser uma coisa sã, nos desresponsabiliza de tudo, e às vezes a ignorância mete-nos em conflito com estas coisas.

 

Eu não posso respeitar a tua ignorância neste assunto (isto não é uma opinião, há coisas que são factuais o suficiente para não poderem ser alteradas com opiniões. ainda assim podes tê-la mas eu não tenho que respeitá-la) porque ela tem implicações sociais e cívicas e humanas que, nos tempos que correm, metem em causa o mundo em que gosto de viver e que tanto nos custou a conquistar.

 

Pode parecer uma coisa inocente, e é-a, mas uma coisa inocente pode agravar situações.

 

Concordo que hoje em dia as pessoas veem racismo em todo o lado e procuram estar ofendidas com qualquer merdinha (Na América então é um fartote) mas, apesar de não querer dizer que sejas racista não custa muito perceber que pintar-se de preto está ligado a um movimento racista que existiu no passado. É de mau gosto. Neste disfarce para mim foi só estúpido, não tinha necessidade nenhuma de se pintar de preto para prestar tributo.

Não tem nada a ver com pintar-se de preto. Tu podes-te pintar de preto depois do magusto e sair a correr pela rua. "Marcarares-te" de pessoa negra, de basquetebolista negro, é que tem tudo de errado.

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São coisas diferentes? Aquilo não é Black Face?

 

Não estamos no sec.XIX ou XX? Desculpa, perdemos alguma coisa na passagem do milénio?

 

Black Face era uma forma de representação onde se pintavam de preto para representar pessoas negras, onde representavam um claro estereotipo de como as pessoas negras eram, algo completamente diferente do que o Griezmann fez...

 

 

Perdemos, e ainda bem que perdemos, a multiculturalidade trouxe também uma enorme diminuição do racismo, onde programas que nos dias de hoje eram considerados racistas, e com razão, deixaram de ser transmitidos, houve uma clara evolução, qualquer pessoa tem os mesmos direitos e normalmente ninguém é "posto de lado" independentemente da cor, etnia...

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[youtubehd]KBjRtaWqYaY[/youtubehd

 

ai ui, o Ricardo Araújo Pereira devia era ter-se enforcado depois desta, granda racista

 

e depois foi chorar para o funeral do Eusébio, que hipócrita

 

errrr

http://blackfaceportugal.tumblr.com/

 

Tens aqui mais exemplos para te divertires. Que pena não encontrar um post onde uma vez te indignaste com alguém a imitar sotaque do Norte.

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The Globetrotters originated on the south side of Chicago, Illinois, in the 1920s, where all the original players were raised. The Globetrotters began as the Savoy Big Five, one of the premier attractions of the Savoy Ballroom opened in November 1927, a basketball team of African-American players that played exhibitions before dances.

 

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Editado por Wincing Hálldor

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The Globetrotters originated on the south side of Chicago, Illinois, in the 1920s, where all the original players were raised. The Globetrotters began as the Savoy Big Five, one of the premier attractions of the Savoy Ballroom opened in November 1927, a basketball team of African-American players that played exhibitions before dances.

 

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Portanto, porque os jogadores da Globetrotters eram Afro-Americanos para um branco lhes prestar homenagem tem que se pintar de preto. Não podia apenas vestir o equipamento. Isso não chegava.

 

Quando eu for ao estádio apoiar um jogador negro não vou apenas levar a minha camisa do clube com o nome dele nas costas, vou-me pintar de preto porque se não ele nem vai perceber.

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Black Face era uma forma de representação onde se pintavam de preto para representar pessoas negras, onde representavam um claro estereotipo de como as pessoas negras eram, algo completamente diferente do que o Griezmann fez...

 

 

Perdemos, e ainda bem que perdemos, a multiculturalidade trouxe também uma enorme diminuição do racismo, onde programas que nos dias de hoje eram considerados racistas, e com razão, deixaram de ser transmitidos, houve uma clara evolução, qualquer pessoa tem os mesmos direitos e normalmente ninguém é "posto de lado" independentemente da cor, etnia...

O Griezmann não está a representar uma pessoa negra (uma não, várias)? Os jogadores da tal equipa de basquetebol fundada por negros?

 

Não tinha o objectivo de estereotipar, mas sim, de os representar (The Jazzman). O estereótipo era uma consequência dessa representação. Tal como quando queremos imitar uma negro fazemos um sotaque africano, como se todos os negros tivessem sotaque.

 

A representação de um negro por uma pessoa branca é ainda mais grave do que o estereotipo porque anula logo o principio da igualdade.

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O mundo é dos coninhas

É dos tempos.

 

Houve uma altura em que era só dos brancos que proibiam os pretos de fazer coisas, como representar, e depois quando precisavam de um negro num filme tinham que se pintar. Porque o branco tinha mais dignidade a fazer de preto do que o preto de si próprio.

 

Ser agora dos coninhas, comparado com isto, não é assim tão mau.

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Portanto, porque os jogadores da Globetrotters eram Afro-Americanos para um branco lhes prestar homenagem tem que se pintar de preto. Não podia apenas vestir o equipamento. Isso não chegava.

 

Quando eu for ao estádio apoiar um jogador negro não vou apenas levar a minha camisa do clube com o nome dele nas costas, vou-me pintar de preto porque se não ele nem vai perceber.

 

Nem tem nem deixa de ter, foi uma opção do Griezmann. Igual a homenagear os Globetrotters, o Homem-Aranha ou a avózinha dele.

 

Por mais paradoxal que isto possa parecer, o racismo está a um passo de acabar quando estivermos todos em posição de nos pintarmos de preto, amarelo, branco ou fazermos troça dos ciganos, dos chineses ou dos europeus sem ninguém se verdadeiramente importar. É sinal que estamos todos acima do assunto.

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Fiquei com duas dúvidas:

 

1 - Se um preto pintar a cara de branco é racista?

 

2 - O único presidente dos USA que não pode ser personificado por um branco é o Obama sob pena de o seu imitador ser considerado racista?

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Nem tem nem deixa de ter, foi uma opção do Griezmann. Igual a homenagear os Globetrotters, o Homem-Aranha ou a avózinha dele.

 

Por mais paradoxal que isto possa parecer, o racismo está a um passo de acabar quando estivermos todos em posição de nos pintarmos de preto, amarelo, branco ou fazermos troça dos ciganos, dos chineses ou dos europeus sem ninguém se verdadeiramente importar. É sinal que estamos todos acima do assunto.

Se os visados tiverem memória histórica e se sentirem ofendidos, não podes dizer apenas que foi uma opção, uma opinião, um gesto inocente ou apenas ignorância e que isto pode acabar com o racismo. Tens que conseguir mais do que isto. Explicar-lhe porque é que o cor da pele, o nariz, o sotaque, etc, são motivos para tu te divertires com isso e fazeres troça.

 

O racismo acaba quando não existirem práticas e ideias racistas (como quando se acabou, depois de uma grande luta, com a Black Face e se conseguiu que os negros tivessem lugar nos teatros e nos estúdios de TV e se pudessem representar a si próprios), não é quando tu puderes gozar com uma pessoa por ela ser preta ou whatever, com certeza.

 

E não nos podemos colocar no lugar de um humorista. Eu compreendo e aceito uma piada feita por um humorista em cima de um palco ou na TV, mas não compreendo ver uma pessoa a fazer troça de outra só porque ela é cigano ou preto. Não vejo onde é que isso possa contribuir para o fim do racismo.

 

Sabes qual é que o problema, também? É como quando os extremos se tocam. Se eu trouxer um racista a esta tópico ele terá uma opinião parecida com a tua ou uma ignorância parecida com a de alguns users.

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Fiquei com duas dúvidas:

 

1 - Se um preto pintar a cara de branco é racista?

 

2 - O único presidente dos USA que não pode ser personificado por um branco é o Obama sob pena de o seu imitador ser considerado racista?

"E se eu chamar branco a um branco também sou racista?"

 

Não quero cansar muito a ideia de memória histórica, mas há acções que acabaram por ganhar um significado e quando praticadas são correlacionadas.

 

E isto não é sobre pintares a cara de uma cor.

 

Um branco a personificar o Obama? Assim:

 

 

Ou não se percebe bem que era o Obama por causa da cor?

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Se os visados tiverem memória histórica e se sentirem ofendidos, não podes dizer apenas que foi uma opção, uma opinião, um gesto inocente ou apenas ignorância e que isto pode acabar com o racismo. Tens que conseguir mais do que isto. Explicar-lhe porque é que o cor da pele, o nariz, o sotaque, etc, são motivos para tu te divertires com isso e fazeres troça.

 

O racismo acaba quando não existirem práticas e ideias racistas (como quando se acabou, depois de uma grande luta, com a Black Face e se conseguiu que os negros tivessem lugar nos teatros e nos estúdios de TV e se pudessem representar a si próprios), não é quando tu puderes gozar com uma pessoa por ela ser preta ou whatever, com certeza.

 

E não nos podemos colocar no lugar de um humorista. Eu compreendo e aceito uma piada feita por um humorista em cima de um palco ou na TV, mas não compreendo ver uma pessoa a fazer troça de outra só porque ela é cigano ou preto. Não vejo onde é que isso possa contribuir para o fim do racismo.

 

Sabes qual é que o problema, também? É como quando os extremos se tocam. Se eu trouxer um racista a esta tópico ele terá uma opinião parecida com a tua ou uma ignorância parecida com a de alguns users.

 

 

Bold: Esta deve ser a expressão mais racista que já apareceu neste tópico. Pelo menos na minha maneira de ver as coisas.

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Porque tu é que estás certo...

Não tens mais para dar? Como já viste estou disponível para argumentar sobre este assunto.

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Não tens mais para dar? Como já viste estou disponível para argumentar sobre este assunto.

A partir do momento em que tu continuas a chamar de racistas e ignorantes a mais de metade dos users que estão a postar neste tópico, não, não tenho mais nada para te dar, não gosto de insultos camuflados, é mais falta de respeito que aquilo que o Griezmann fez. Mas no Natal sou gajo de te enviar uns chocolates brancos, andas muito azedo.

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Agora estou com receio em dizer que imitar vozes não é o mesmo que personificar alguém. É que aparentemente a ignorância é uma coisa muito má e terrível... :medinho:

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Agora estou com receio em dizer que imitar vozes não é o mesmo que personificar alguém. É que aparentemente a ignorância é uma coisa muito má e terrível... :medinho:

Bom, tenho anos de experiência na arte da personificação e se a imitação de uma voz e o gesto corporal ainda que mínimo, como vejo ali, não é personificação, venha de lá essa tese sobre o que é a personificação que eu preciso de relançar a minha carreira.

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O Griezmann não está a representar uma pessoa negra (uma não, várias)? Os jogadores da tal equipa de basquetebol fundada por negros?

 

Não tinha o objectivo de estereotipar, mas sim, de os representar (The Jazzman). O estereótipo era uma consequência dessa representação. Tal como quando queremos imitar uma negro fazemos um sotaque africano, como se todos os negros tivessem sotaque.

 

A representação de um negro por uma pessoa branca é ainda mais grave do que o estereotipo porque anula logo o principio da igualdade.

 

O problema não estava em as pessoas pintarem-se de preto mas sim de como a representação era feita, e claro, não fazia sentido algum ter programas a representar o comportamento dos negros...

 

O Griezmann não está a representar o comportamento dos jogadores da equipa de basquetebol, está sim, "disfarçado" de um jogador deles, sem fazer troça deles, sem imitar o comportamento deles (não faço ideia do que eles faziam para além de jogar basquetebol), simplesmente achou bem disfarçar-se como sendo um jogador da ta equipa, algo que é mais parecido como uma homenagem do que qualquer acto racista.

 

 

Anula o principio de igualdade? Explica lá isso, escapou-me qualquer coisa?

Proíbe um negro de se pintar de branco?

 

 

É como já disseram aí, o racismo acaba quando uma pessoa pode pintar-se de preto, gozar com o estereotipo de qualquer cultura/etnia...seja o que for, sem ninguém ter de ficar ofendido e chamar racista a quem o faz.

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Bold: Esta deve ser a expressão mais racista que já apareceu neste tópico. Pelo menos na minha maneira de ver as coisas.

Porquê? Fiquei curioso

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É como já disseram aí, o racismo acaba quando uma pessoa pode pintar-se de preto, gozar com o estereotipo de qualquer cultura/etnia...seja o que for, sem ninguém ter de ficar ofendido e chamar racista a quem o faz.

Ah o racismo acaba quando for possível gozar com os estereotipos de certas raças? Muito fixe, posso aplicar isso a outras situações? Tipo o sexismo acaba quando pudermos dizer às mulheres para voltarem para a cozinha e isso for tranquilo?

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Tbh fazem-me um pouco impressão estes paladinos do politicamente correcto e do respeito social em geral, como o Mayday está a representar tão bem neste tópico. Sempre que surge uma noticia relacionada com assuntos sensíveis lá aparecem uns quantos. Parece que olham para as cenas com um segundo olhar, um que procura incesantemente motivo para implicar e depois forçar esse aspecto como argumento. Para no fim parecer moralmente superior e surgir como paladino.

 

Acima de tudo é preciso bom senso e respeito. E a adicionar outra palavra chave julgo que seria genuinidade. Há pessoas que efectivamente são racistas e gozam com os pretos, mas nesses casos a situação é perceptível. Aqui o Griezemann quis genuinamente homenagear os HB, apenas isso. E penso que aqui tudo o resto se dissipa. A questão do racismo definitivamente, a da ignorância também. Essa aliás, só surge como escape dos paladinos que não conseguem alegar a primeira, para provavelmente aparecerem mais um pouco.

 

Se querem jogar a isso de ver a vida através desse segundo olhar, vamos todos divertir-nos muito a encontrar cenas ofensivas em praticamente todo o lado. Seja relativamente a pretos, mulheres ou gays. E depois vamos todos viver a nossa vida limitados tipo robots agindo e comunicando através de pinças sempre com receio de ofender alguém. Os limites do respeito e da boa educação são naturalmente preceptiveis. Mais estranho e desagradável é quando começam a descortinar situações de racismo e afins onde não existem. Sejamos mais sensatos e genuinos sff

Editado por the joker

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Ah o racismo acaba quando for possível gozar com os estereotipos de certas raças? Muito fixe, posso aplicar isso a outras situações? Tipo o sexismo acaba quando pudermos dizer às mulheres para voltarem para a cozinha e isso for tranquilo?

 

O que está subjacente à ideia de poder troçar, brincar ou representar características de pretos ou brancos é o que está subjacente a à ideia de fazê-lo com classes profissionais (funcionários públicos, trolhas ou taxistas), características humanas (gordos ou anões), género (homens ou mulheres), costumes tradicionais (irlandês de saias ou pauliteiros de Miranda) e milhares de outras coisas... acontecerá quando a cor de pele for simplesmente uma característica, como eu ser alto e tu baixo. Com tudo o que isso tem de distintivo e, ao mesmo tempo, com o pouco valor que tem para uma vida saudável em sociedade.

 

Evidentemente que o racismo só acabaria se a discriminação com base na cor de pele deixasse de existir. O que, na realidade, nunca vai acontecer. Trogloditas haverá sempre, em todo o lado.

 

Tenho é sérias dúvidas que o racismo seja efetivamente combatido com este tipo de julgamentos instantâneos e indignação fácil sobre questões com pouco sumo e que, no fim do dia, só acabam a redefinir e impor novas fronteiras entre uns e outros.

 

Sem querer parecer presunçoso, o disfarce do Griezmann não me fez sequer pestanejar exatamente porque não me considero racista. É uma pessoa a disfarçar-se de outra... Quando o RAP faz aquele sketch que pus na primeira página, para mim é o mesmo que ele a seguir fazer o Zé Calceteiro, típico português.

 

Reconheço, apesar de tudo, que o contexto de um país como os EUA é totalmente diferente do meu e que as pessoas têm o direito a sentir-se ofendidas.

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Não enfiei a carapuça. Se há coisa que me caracterizou neste fórum foi nunca ter sido politicamente correcto. Não achas, Mesut, seu grandessíssimo ignorante?

 

Curiosamente o nunca ter sido politicamente correcto trouxe-me vários inimigos por aqui mas nunca me mandou de BO.

 

Nunca chamei o Griezmann de racista, apenas de ignorante e disse que às vezes a ignorância mete-nos em conflitos. É normal que se fizeres uso de um símbolo historicamente racista, te digam que és racista. Este 2+2 não é difícil. E é o que está a acontecer.

 

O politicamente correcto obriga-nos a um comportamento de autocensura. Não fazes ou dizes uma coisa que pensas para não ofenderes ninguém ou pareceres mal, por exemplo. Aqui isso não aconteceu (talvez o seu agente o tenha feito, não para ser politicamente correto, mas para o proteger). O Griezmann fê-lo, divertiu-se, partilhou connosco e quem não gostou fez-se ouvir, bem ou mal, com ou sem argumentos. A isto chama-se consequências. É também uma causa-efeito da democracia.

 

Eu não digo que o Griezmann não pode fazer. Digo que ao fazê-lo, no meu entender, está a ser insultuoso e ofensivo. Duas coisas diferentes. Nada a ver com politicamente correcto.

 

Politicamente correcto também não o sou na minha vida. Mas há coisas sobre as quais penso, estudo e crio opinião. Passei 6 meses a estudar este assunto para o depois transformar num trabalho. Estudei muito material, mas também entrevistei pessoas racistas (daquelas sempre com uma mas) ou inseridas num contexto passado racista, e pessoas que sofreram e sofrem de racismo diariamente, que têm na sua família um passado de escravatura [Moderna], que ainda hoje o facto de terem determinada cor da pele, a raça ou qualquer outro factor os impede de ter um trabalho, atingir um posto, etc. Pessoas que ainda hoje se assustam com estes símbolos. A percepção que ganhei com este contacto é que implicações históricas de coisas como Black Face moldaram a sociedade de tal forma que ainda hoje um preto não pode chegar a um posto de chefia mesmo no seu país - de população negra - e que um branco fará sempre um trabalho melhor nesse lugar. Isto ainda é um fardo por isso quando surgem estes símbolos, sentem-se ameaçados. Não conheci um negro que, mesmo não tendo essa memória histórica de que falo, compreendesse ou aceitasse o uso da Black Face, por exemplo. Por isso, a prática destas acções ainda que ingénuas, ignorantes ou por opção continuam a ser ofensivas e a afastar-nos dessa bonita ideia que o Unreal disse. Todos nos disseram que a consciência do significado de uma Black Face e a recusa em usá-la era o que nos ia aproximar dessa ideia. Quantos mais poder troçar abertamente sobre a cor de um africano negro, o nariz de um judeu, ou a forma de falar de um cigano.

 

Disseram-nos porque também nós expusemos essa ideia. Não era mais fácil ter essa aceitação? Lidar abertamente com isso? Para quem está do outro lado, não. Talvez se a liberdade que um branco já teve para o fazer em relação a um negro, por exemplo, não tivesse tido as consequências que teve; Talvez se não tivéssemos feito a pergunta numa altura em que grupos fascistas, racistas e xenófobos estão a atingir lugares de poder e a propagar estas ideias tivéssemos recebido uma resposta diferente. Talvez. Estou eu a reflectir. Atingir esse equilíbrio perfeito é infelizmente uma Utopia e eu prefiro lidar com a realidade.

 

(Claro que compreendemos que há uma diferença entre contar uma anedota, tal como os Brasileiros contam sobre os Portugueses, ou troçar da cor, característica fisica, etc. talvez porque as coisas têm e tiveram usos diferentes.)

 

A realidade para mim é esta: o uso de uma Black Face é ofensiva para um negro, por isso para mim não é aceitável. Não exijo, no entanto, que uma pessoa se auto censure e não o faça só porque outras se sentem assustadas ou ofendidas. Força. Mas se o fizer cá estarei para lhe dizer que acho que é errado e explicar-lhe porquê. E é isso que tenho feito aqui. Desculpa se te chateei.

 

O politicamente correcto para além de ser uma expressão que se está a tornar cliché é também um conceito pouco entendido. Era importante que o percebêssemos melhor porque é preciso de facto combatê-lo. Porque parte do sucesso de Trump (para dar um exemplo) deve-se ao facto de algumas pessoas acharem que ele, fugindo ao politicamente correcto, diz e faz o que toda a gente pensa mas não têm coragem de dizer ou fazer. E isso tem levado a segregações e conflitos que certamente também repudias.

 

Mas não se combate o politicamente correto com o seu contrário. O equilíbrio que tínhamos até aqui e que acabou quando movimentos, grupos sociais e políticos fanatistas começaram a usá-lo em beneficio, era o necessário. Nunca o pusemos em causa. Porquê agora?

 

Nos Estados Unidos há quem ache que não usar a N-word é ser politicamente correcto e há quem ache que é apenas não ser insultuoso porque a N-word, etimologicamente, tem um sentido pejorativo.

 

Sempre tive muitos amigos pretos durante a minha infância e adolescência mas nunca achei que devia chamar algum deles de preto em de vez de chamá-lo pelo nome que os pais lhe tinham dado. Em parte porque a descendo de uma família colonialista e racista que ocupou por mais de 100 anos uma terra nos confins de África e quando eles a usavam usavam-na de forma insultuosa. Tinha um significado.

 

Podia fazê-lo? Podia. Olhava para eles e via um preto. Pensava que era um preto. Tinha a certeza que era um preto. Mas porque crl é que eu o devia chamar pela cor da pele?

 

Às vezes não é ser politicamente correcto é não ser um douchebag. Não chamar uma pessoa de gorda só porque ela é, efectivamente, gorda.

 

Esta democracia já não é assim tão nova para não lhe conhecermos o equilíbrio.

 

Petition calls for prestigious art museum to remove 1938 painting that ‘sexualizes’ young girl

 

Isto é o perigo do novo politicamente correcto. Achar que uma pintura, vista num museu (portanto, no lugar certo para ser visto), sexualiza uma jovem rapariga e por isso deve ser retirada e não ser vista por mais ninguém. Impedir-me de ver aquela pintura e pensar sobre ela. Já falei sobre isto no tópico do cinema há pouco tempo. Vai lá procurar.

 

Que não tem assim tanto a ver com esse antigo politicamente correcto com que sempre soubemos lidar e equilibrar na nossa sociedade - o uso de um símbolo racista e com a indignação que isso provoca.

 

Uma coisa que é comum aos tempos e que nos aproxima de uma perigosa censura é a ignorância. Nunca fez bem a ninguém.

 

Isto sou só eu a pensar porque estou com um problema de insónias.

Editado por Mayday

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