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Antoine Griezmann deletes 'blacked up' fancy dress picture after being branded racist

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Tal como já tinha dito atrás, eu concordo com tudo aquilo que escreveste e é um ponto de vista perfeitamente aceitável, que eu partilho. A única posição onde poderemos discordar é: sabendo que este tipo de comportamento era tido como racista em tempos e que, por isso, se tornou indissociável de práticas racistas para algumas pessoas (porque na verdade, é disso que se trata uma vez que o peso histórico é uma construção humana e só existe enquanto houver quem o carregue), será errado adoptar o mesmo comportamento com uma intenção de base não racista? Eu não o faria, mas também não consigo censurar quem o faça. Mesmo tendo consciência que este possa ofender algumas pessoas, isso apenas faz com que pintar-se de preto caia na categorias das anedotas machistas, por exemplo, que também se serve do mesmo peso histórico, mas com o propósito de só fazer rir.

 

Outra coisa que também seria engraçada discutir, mas que iria dar muito pano para mangas (e por isso não me quero meter nisso :mrgreen:), é saber onde está a linha entre uma prática em tempos racista e um símbolo racista. Pintar-se de preto é mesmo um símbolo racista? Podemos mesmo coloca-lo ao nível de uma cruz suástica (que já havia sido apropriada previamente), um capuz do KKK, uma braçadeira com a cruz de David ou uma saudação fascista? É que estas é que são, para mim, verdadeiramente indissociáveis de práticas racistas, e que não servem nenhum propósito funcional excepto aquele que celebrizaram. E sendo a blackface um símbolo racista, porque não são os pijamas às riscas também símbolos anti-semitas? Onde é que está a linha?

O que tu consideras indissociável tem a ver com o que a história que te é mais próxima te conta. Para os Afro-Americanos pode ser uma Blackface, para os Europeus uma suástica. Não é uma coisa pela outra.

 

Aqui é uma rasteira, mas AQUELES pijamas às riscas também são símbolos anti-semitas. Vai passear com um para Israel e depois diz-me (se voltares) se não é verdade.

 

Não há linha nenhuma a não ser a da proximidade histórica. Não temos que decidir uma coisa pela outra. Ou uma coisa mais do que a outra.

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Por favor, eu só peço que se compreenda que só pintar-se de preto não é nem nunca foi um símbolo racista. Já foi dito quilhões de vezes neste tópico. Se não conseguirmos sequer aprender isso, não vale de nada esta discussão e vão-me voltar a perguntar se pintarem a p*cha de vermelho é ser racista com os índios.

 

Já não sei como ser mais claro, a sério. Nesta página até está a parte do RAP.

 

Bem, se calhar não lêem.

 

 

O que tu consideras indissociável tem a ver com o que a história que te é mais próxima te conta. Para os Afro-Americanos pode ser uma Blackface, para os Europeus uma suástica. Não é uma coisa pela outra.

 

Aqui é uma rasteira, mas AQUELES pijamas às riscas também são símbolos anti-semitas. Vai passear com um para Israel e depois diz-me (se voltares) se não é verdade.

 

Não há linha nenhuma a não ser a da proximidade histórica. Não temos que decidir uma coisa pela outra. Ou uma coisa mais do que a outra.

 

Em quase todos os teus posts tu falas em símbolo racista. Se te estás a referir ao blackface "original", então faço mea culpa.

Quanto ao argumento da proximidade, faz todo o sentido. E por isso é que em vez de se gerar a guerra que se gerou, com acusações de racismo e de ignorância, talvez a atitude mais sensata fosse chamar a atenção para o facto de haver pessoas que podem ficar ofendidas com certo tipo de atitudes, e depois caberia a ele manter ou não a imagem. A demonização que foi feita dele e das pessoas que acham que o que ele fez normal é algo desajustada, acho.

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Porquê criar fronteiras aqui? O que é que me diz respeito? O Donald Trump diz-me respeito ou não me devo preocupar porque não sou Americano? A ocupação da Palestina por Israel diz-me respeito ou não me devo preocupar porque não sou Palestiniano? Os refugiados dizem-me respeito ou não me devo preocupar porque não sou sírio e eles não desembarcam nas praias do meu país? Que realidade é que me diz respeito? A realidade dos brancos? A realidade dos pobres, no meu caso?

 

O racismo é uma realidade que só diz respeito aos negros? Só eles é que se devem preocupar com essa realidade e com essa memória histórica?

 

É a história que não nos diz assim tanto respeito porque vivemos no presente em direcção ao futuro e não podemos saber tudo?

 

E portanto, não devemos insultar um racista por ele ser racista porque assim tornamo-nos igual a ele? Não se combate ódio com ódio porque isso gera ódio, sabemo-lo, mas também não o vamos curar com paz e amor. 2000 mil anos de Cristianismo e alguns de vida dura já me ensinaram isso.

 

Martin Luther King e Malcom X lutavam pela mesma causa. Um pregava pela luta pelo diálogo, pela palavra, pela justiça, pela aceitação dos direitos e deveres dos negros. O outro pedia que os negros tivessem a mesma capacidade de confronto quando colocados em posição de confronto. Que nunca se levantariam se não derrubassem quem os impedia de se levantarem.

 

Aceito as duas e uso-as conforme.

 

Precisas de apanhar um pouco de ar e ver este caso sob outra perspetiva.

 

Ninguém é obrigado a reger o seu comportamento mediante um legado que não é o seu. Era mais o que faltava. O que não significa que se possa desrespeitar a memória coletiva seja de quem for. Isto para dizer que a ignorância pode justificar algumas atitudes, apesar de apenas por uma vez. Conhecemos o Griezman assim tão bem para o julgar como racista? E não estaremos a ser igualmente passíveis de crítica ao revelar falta de compreensão, tolerância e compaixão? Mais não é esta incapacidade o que está na génese de todo o conflito humano? Eu acho que sim. Tal como acho que fazer desta atitude do Griezman um ato de racismo só faz sentido na cabeça daqueles capazes de comparar histeria massificada a um dos movimentos cívicos mais marcantes do séc. XX.

 

Hoje em dia todos temos a urgência em marcar posições morais e em mostrar o quão preocupados estamos com as problemáticas da moda. Todos queremos fazer parte desta nova estirpe de politicamente correto, o socialmente correto. Contudo, a fome e a miséria continuam a aumentar em todo o lado. Contudo, a sociedade está cada vez mais intolerante e indiferente; mais cínica e hipócrita; menos humana e menos cívica.

 

Fazemos um pé-de-vento acerca de uma brincadeira infeliz de um estranho a milhares de Km de distância, mas somos incapazes de dar de comer a quem dorme no chão da nossa rua.

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Early on, she highlights white fears of a rising tide of people of colour, which extended to objections to the casting of a black actor in the role of Hermione in the play Harry Potter and the Cursed Child. “White fans,” she writes, “couldn’t imagine little black girls as precocious, intelligent, logical know-it-alls with hearts of gold” because “blackness in their heads is stuck in an ever-repetitive script, with strict parameters of how a person should be”.

:lol:

Não tenhas dúvidas de que há muita verdade nessa passagem, nem que seja a nível do subconsciente. As pessoas leram Harry Potter e viram os filmes com a imagem de que a Hermione é branca, o que se coaduna com a imagem que têm de meninas brancas com aquelas características em filmes, desenhos animados, livros, etc. Estão condicionados à 'trope' sem se aperceberem sequer. Assim que aquele casting aconteceu não faltou contestação, o que significa que certas pessoas simplesmente não conseguem associar a Hermione à etnia negra (ou desassociá-la da etnia branca), o que é deprimente; até porque das três personagens principais ela é a personagem em que essa mudança faz mais sentido, quando se considera a discriminação de que ela é alvo e a nova dimensão e significado que se cria com esse casting.

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Homenagear uma pessoa recorrendo a algo que serviu para discriminar e ridicularizar a sua etnia, religião, as suas origens e/ou cultura? É uma forma, vá lá, caricata de homenagear alguém.

 

Imagina que numa acção de homenagem ao povo judeu que sobreviveram aos campos de concentração nazis te vestes com uma réplica do traje às riscas que os prisioneiros envergava enquanto lá estavam. Também poderia ser para demonstrar que já não precisam de ter receio, mas seria de extremo mau gosto.

 

Há tantas formas de homenagear alguém, porquê recorrer precisamente a algo que historicamente teve o objectivo contrário e assim reabrir feridas saradas?

 

Sobre a lista, digamos assim, de acontecimentos históricos, não é tão difícil quanto fazes parecer no post. A 'black face' é recente, ainda há entre nós pessoas que viveram nesse tempo, pelo que o peso ainda é significativo. Com o tempo, como tudo o resto, essa carga vai diminuir.

 

Voltando aos judeus, foram perseguidos, discriminados e a seu tempo expulsos de Portugal. Quando ligas com um judeu há algum tipo de acção que evites? Provavelmente evitas fazer uma saudação nazi, ou piadas sobre o Hitler e o Heinz. Ou seja, acontecimentos recentes, frescos na memória. Já ninguém se vai sentir ofendido se fizeres uma piada sobre autos de fé no Terreiro do Paço.

A beleza desta situação reside na invalidade das tuas primeiras frases. Porque na verdade não se passou nada disso que estás a falar. Foi apenas uma homenagem, ponto. Ele publicou a foto, e logo vieram algumas pessoas afirmar "Alto lá que isto se assemelha a um movimento racista popular nos EUA durante o século XIX, em que um grupo de pessoas de besuntava de preto para gozar e descriminar essa raça", e ele deve ter reagido algo do género "Tá bem.... então ainda bem que tanto eu como a sociedade em que vivo não acha nada disso. Podia-me ter mascarado de James Bond, Jack Sparrow, Stevie Wonder ou Dalai Lama, mas acontece que gosto muito dos HG.". Ele não fazia ideia! E depois aqui entra o inacreditável e inaceitável sentido pejorativo que tu e outros empregam ao termo "ignorante" durante todo este tópico. "O pobre rapaz é um ignorante, desconhece os meandros dos movimentos racistas em prática nos EUA durante o séc. XIX. Como tal agora só tem de lidar com as consequências!!11". Enfim, isto é tão parvo. Somos todos uns grandessíssimos ignorantes. Eu pessoalmente só conhecia o termo vagamente, nem sabia bem o que era. E admito que não sei outras especificidades da história dos EUA, China, Japão ou Inglaterra durante o séc. XIX. Ou até XX arrisco-me a dizer com alguma vergonha. Ah, e música tradicional do Paraguai também não é o meu forte. You get my point. Não façam os outros de parvos também, o Mayday abordou isto num trabalho ou lá o que foi e tu tens um interesse especial em história, arrisco-me a dizer que a esmagadora maioria desconhecia e foi ver à wikipedia.

 

Esses exemplos :mrgreen: Tal como não faço piadas alusivas ao tempo da escravatura, muito menos faria em frente a pretos. Tal como não mando as mulheres para a cozinha ou os gays dançar para a parada. Tal como não ofendo nem agrido as pessoas em geral. Porque haveria de o fazer? É aqui que entram as regras do bom senso e do respeito que já referimos. Onde queres chegar? Onde é que isto se relaciona com fazer uma homenagem a uma pessoa numa costume party?

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Não tenhas dúvidas de que há muita verdade nessa passagem, nem que seja a nível do subconsciente. As pessoas leram Harry Potter e viram os filmes com a imagem de que a Hermione é branca, o que se coaduna com a imagem que têm de meninas brancas com aquelas características em filmes, desenhos animados, livros, etc. Estão condicionados à 'trope' sem se aperceberem sequer. Assim que aquele casting aconteceu não faltou contestação, o que significa que certas pessoas simplesmente não conseguem associar a Hermione à etnia negra (ou desassociá-la da etnia branca), o que é deprimente; até porque das três personagens principais ela é a personagem em que essa mudança faz mais sentido, quando se considera a discriminação de que ela é alvo e a nova dimensão e significado que se cria com esse casting.

Eu associei a uma menina branca porque eu quando comecei a ler tinha já os 4 primeiros livros e tinha esta capa no 3º:

 

198145SZ.jpg

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A beleza desta situação reside na invalidade das tuas primeiras frases. Porque na verdade não se passou nada disso que estás a falar. Foi apenas uma homenagem, ponto. Ele publicou a foto, e logo vieram algumas pessoas afirmar "Alto lá que isto se assemelha a um movimento racista popular nos EUA durante o século XIX, em que um grupo de pessoas de besuntava de preto para gozar e descriminar essa raça", e ele deve ter reagido algo do género "Tá bem.... então ainda bem que tanto eu como a sociedade em que vivo não acha nada disso. Podia-me ter mascarado de James Bond, Jack Sparrow, Stevie Wonder ou Dalai Lama, mas acontece que gosto muito dos HG.". Ele não fazia ideia! E depois aqui entra o inacreditável e inaceitável sentido pejorativo que tu e outros empregam ao termo "ignorante" durante todo este tópico. "O pobre rapaz é um ignorante, desconhece os meandros dos movimentos racistas em prática nos EUA durante o séc. XIX. Como tal agora só tem de lidar com as consequências!!11". Enfim, isto é tão parvo. Somos todos uns grandessíssimos ignorantes. Eu pessoalmente só conhecia o termo vagamente, nem sabia bem o que era. E admito que não sei outras especificidades da história dos EUA, China, Japão ou Inglaterra durante o séc. XIX. Ou até XX arrisco-me a dizer com alguma vergonha. Ah, e música tradicional do Paraguai também não é o meu forte. You get my point. Não façam os outros de parvos também, o Mayday abordou isto num trabalho ou lá o que foi e tu tens um interesse especial em história, arrisco-me a dizer que a esmagadora maioria desconhecia e foi ver à wikipedia.

 

Esses exemplos :mrgreen: Tal como não faço piadas alusivas ao tempo da escravatura, muito menos faria em frente a pretos. Tal como não mando as mulheres para a cozinha ou os gays dançar para a parada. Tal como não ofendo nem agrido as pessoas em geral. Porque haveria de o fazer? É aqui que entram as regras do bom senso e do respeito que já referimos. Onde queres chegar? Onde é que isto se relaciona com fazer uma homenagem a uma pessoa numa costume party?

Atenção que a blackface teve origem no século XIX, mas perdurou até ao século XX. Só nos anos 60 do século passado é que se começou verdadeiramente a acabar com essa prática ofensiva (há cerca de meio século). Portanto é algo relativamente recente, especialmente quando temos em conta que o Holocausto e a pseudo-ciência racista remonta a décadas anteriores, contudo sobre esses assuntos as pessoas já não se demonstram ignorantes, embora alguns se demonstrem inconsiderados no uso de simbolismo nazi, não pesando o legado e significado ofensivo que ele carrega. Esse tópico já se discutiu no cmpt, na altura a principal justificação foi a de sátira, neste tópico tem sido a da ignorância.

 

"(...) Willy-nilly, the Negro has to wear the livery that the white man has sewed for him. Look at children’s picture magazines: Out of every Negro mouth comes the ritual “Yassuh, boss.” It is even more remarkable in motion pictures. Most of the American films for which French dialogue is dubbed in offer the type-Negro: “Sho’ good!"

 

In one of these recent films, Requins d’acier, one character was a Negro crewman in a submarine who talked in the most classic dialect imaginable. What is more, he was all nigger, walking backward, shaking at the slightest sign of irritation on the part of a petty officer; ultimately he was killed in the course of the voyage. Yet I am convinced that the original dialogue did not resort to the same means of expression. And, even if it did, I can see no reason why, in a democratic France that includes sixty million citizens of color, dubbing must repeat every stupidity that crosses the ocean. It is because the Negro has to be shown in a certain way; and from the Negro in Sans Pitié–’Me work hard, me never lie, me never steal” –to the servant girl of Duel in the Sun one meets the same stereotype.

 

Yes, the black man is supposed to be a good nigger; once this has been laid down, the rest follows of itself. To make him talk pidgin is to fasten him to the effigy of him, to snare him, to imprison him, the eternal victim of an essence, of an appearance for which he is not responsible. And naturally, just as a Jew who spends money without thinking about it is suspect, a black man who quotes Montesquieu had better be watched. Please understand me: watched in the sense that he is starting something. Certainly I do not contend that the black student is suspect to his fellows or to his teachers. But outside university circles there is an army of fools: What is important is not to educate them, but to teach the Negro not to be the slave of their archetypes. (...)"

 

Excerto do livro "Black Skin, White Masks", de Frantz Fanon, publicado em 1952.

Esta era a realidade francesa descrita por Frantz Fanon a meio do século passado. O bold revela bem o caráter incrivelmente insidioso da blackface, pois nessa circunstância o aprisionamento ao estereótipo está a ser preconizado totalmente por brancos, seja na escrita como na atuação, "uma aparência pela qual o negro não é responsável".

 

Eu associei a uma menina branca porque eu quando comecei a ler tinha já os 4 primeiros livros e tinha esta capa no 3º:

 

https://images-submarino.b2w.io/produtos/01/00/item/198/1/198145SZ.jpg[/img

E quando a notícia surgiu, tiveste problemas em desassociá-la? É essa a questão que se coloca, pois é aí que o problema reside, na incapacidade de algumas pessoas em imaginar a Hermione como uma menina negra.

Editado por bmfpcdm

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E quando a notícia surgiu, tiveste problemas em desassociá-la? É essa a questão que se coloca, pois é aí que o problema reside, na incapacidade de algumas pessoas em imaginar a Hermione como uma menina negra.

Eu? Nem por isso, mas também admito nunca ter dado importante à peça.

 

De todos os modos, eu por exemplo sigo Flash, onde a Iris West das Comics sempre foi branca e a da série é negra. Não tenho problema nenhum. São adaptações diferentes. Acho que um problema destes só o colocaria num recast de uma série em andamento. Mas aí é porque numa série em andamento, acho que faz sentido que o recast tente que o novo actor seja tão parecido quanto possível ao anterior (tanto fisicamente como em termos de acting).

 

Por exemplo, se quando fizeram o recasting do Dumbledore, acho que me faria confusão ver o segundo e terceiro filmes e ver uma diferença tão óbvia. Assim como foi um disparate fazer isso com a Lavender Brown.

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Eu? Nem por isso, mas também admito nunca ter dado importante à peça.

 

De todos os modos, eu por exemplo sigo Flash, onde a Iris West das Comics sempre foi branca e a da série é negra. Não tenho problema nenhum. São adaptações diferentes. Acho que um problema destes só o colocaria num recast de uma série em andamento. Mas aí é porque numa série em andamento, acho que faz sentido que o recast tente que o novo actor seja tão parecido quanto possível ao anterior (tanto fisicamente como em termos de acting).

 

Por exemplo, se quando fizeram o recasting do Dumbledore, acho que me faria confusão ver o segundo e terceiro filmes e ver uma diferença tão óbvia. Assim como foi um disparate fazer isso com a Lavender Brown.

Isso já se prende com uma questão de continuidade, é diferente daquilo a que se referia aquela passagem.

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@Ronin

 

Estas a negar a Blackface e eu não tenho argumentos contra isso. Quer dizer tenho, mas já estou cansado de voltar ao inicio. Essa da geisha é como a do smurf e, enfim, já foi re-respondido.

 

Se negasse, diria que os exemplos pessoais que dei não eram de Blackface e há quem defenda isso mesmo.

 

O exemplo da geisha é outro que se engloba nesta discussão, no da apropriação cultural:

 

https://kotaku.com/katy-perrys-geisha-act-being-called-racist-14709956

 

Não sei como é que pode ser subjectivo, começo a ver um certo revisionismo e não acho essa ideia interessante.

 

É subjectivo, pois a intenção importa. Tu próprio o disseste.

 

Se tu não vês um símbolo é porque não o reconheces ou recusas-te a reconhecer depois de tudo o que já se escreveu e que podes ler sobre, e isso dá razão a Eddo-Lodge quando passa a bola do racismo para nós, os brancos (assumindo que tu és branco).

 

Sou humano.

 

Um negro para quem aquilo tem um significado e uma histórica (outra vez, lol) reconhece imediatamente o símbolo podendo depois desconsiderá-lo, não se ofender... nós não reconhecemos, se nos informam desvalorizamos, dizemos que não é nada e que não significa nada porque verdadeiramente não nos afecta nem nunca nos afectou, por isso não o reconhecemos, aceitamos com leviandade. Ali onde um negro vê uma símbolo racista um branco vê um smurf ou recorda o magusto.

 

Não desvalorizei quem se sentiu ofendido com a foto do Griezmann.

 

Descriminação =/= racismo (também o é). Racismo = cor da pele. Que eu tenha lido ela só fala de racismo e da experiência dela, nunca em discriminação.

 

Fiquei na mesma. Concordas que o racismo é um problema das pessoas de cor branca?

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Fiquei na mesma. Concordas que o racismo é um problema das pessoas de cor branca?

Quero acreditar que não leste os artigos, pois caso contrário deverias ter percebido ao que ela se refere. Ela escreve sobre o racismo estrutural e sistémico da sociedade, onde as posições de poder não refletem a diversidade (são completamente dominadas por homens brancos) e onde continuam a existir injustiças sociais no tratamento das minorias, não existindo a tão aclamada igualdade de oportunidades e tratamento que muitos brancos apregoam existir neste século XXI. Nesse aspeto é inegável que o problema existe e não ajuda quando brancos passam a defletir a discussão que ela procura ter sobre esse racismo estrutural. Porque os negros há décadas que procuram ter essa discussão, mas os brancos fecham-se e ficam logo na defensiva, quanto muito tratam o tópico do racismo como ensaios filosóficos, como aliás este tópico tem evidenciado com a conversa de que o racismo só acaba quando todos pudermos gozar com todas as etnias sem que ninguém fique ofendido, entre outros chavões.

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Fiquei na mesma. Concordas que o racismo é um problema das pessoas de cor branca?

 

Se o racismo se baseia numa relações de poder, o problema recairá nas pessoas que usufruem desse poder para proveito próprio. E agora levanta-se a questão, que poder tem o Griezmann? Tirando o facto de ser um jogador da bola, é um zé ninguém como a maioria das pessoas. Seria um problema caso ele, tendo muito poder financeiro e necessitando de uma faxineira e jardineiro, etc, se recuse a contratar pretos. Por que não se sabe, numa casa tão fortunosa podem ter tentações. Uma pessoa branca já tem outra criação. Aí sim, existe racismo. Aí uma etnia fica logo marginalizada do acesso ao emprego, neste caso àquele que o Griezmann proporciona. E não existe direito ao trabalho, se não há, não há. Vives de subsídios e não bufas. Habituas-te.

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Racismo é utilizar como exemplos a faxineira e o jardineiro. Se ele tiver um jardineiro preto mas se recusar a contratar um advogado preto já não é racista?

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Racismo é utilizar como exemplos a faxineira e o jardineiro. Se ele tiver um jardineiro preto mas se recusar a contratar um advogado preto já não é racista?

Não é racismo, até tenho amigos pretos. Experimenta viver junto deles.

 

Boa pergunta. Não é, ele até tem criados pretos!

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Se negasse, diria que os exemplos pessoais que dei não eram de Blackface e há quem defenda isso mesmo.

 

O exemplo da geisha é outro que se engloba nesta discussão, no da apropriação cultural:

 

https://kotaku.com/katy-perrys-geisha-act-being-called-racist-14709956

 

 

 

É subjectivo, pois a intenção importa. Tu próprio o disseste.

 

 

 

Sou humano.

 

 

 

Não desvalorizei quem se sentiu ofendido com a foto do Griezmann.

 

 

 

Fiquei na mesma. Concordas que o racismo é um problema das pessoas de cor branca?

Não me recordo de essa coisa da geisha ter tanta, se é que tem alguma, memória histórica como a blackface, parece-me um caso isolado extrapolado pela histeria da indignação social. Acho que não se relacionam. Esse artigo redirecciona para outra página, não?

 

Se não percebes o que ela diz, vamos ver se percebes o que ele faz. Recorro a este exemplo: Blacks and whites see racism in the United States very, very differently

 

Um bocadinho forçado.

 

Eu concordo com ela, sim. Tu é que não a estás a entender, parece-me.

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A beleza desta situação reside na invalidade das tuas primeiras frases. Porque na verdade não se passou nada disso que estás a falar. Foi apenas uma homenagem, ponto. Ele publicou a foto, e logo vieram algumas pessoas afirmar "Alto lá que isto se assemelha a um movimento racista popular nos EUA durante o século XIX, em que um grupo de pessoas de besuntava de preto para gozar e descriminar essa raça", e ele deve ter reagido algo do género "Tá bem.... então ainda bem que tanto eu como a sociedade em que vivo não acha nada disso. Podia-me ter mascarado de James Bond, Jack Sparrow, Stevie Wonder ou Dalai Lama, mas acontece que gosto muito dos HG.". Ele não fazia ideia! E depois aqui entra o inacreditável e inaceitável sentido pejorativo que tu e outros empregam ao termo "ignorante" durante todo este tópico. "O pobre rapaz é um ignorante, desconhece os meandros dos movimentos racistas em prática nos EUA durante o séc. XIX. Como tal agora só tem de lidar com as consequências!!11". Enfim, isto é tão parvo. Somos todos uns grandessíssimos ignorantes. Eu pessoalmente só conhecia o termo vagamente, nem sabia bem o que era. E admito que não sei outras especificidades da história dos EUA, China, Japão ou Inglaterra durante o séc. XIX. Ou até XX arrisco-me a dizer com alguma vergonha. Ah, e música tradicional do Paraguai também não é o meu forte. You get my point. Não façam os outros de parvos também, o Mayday abordou isto num trabalho ou lá o que foi e tu tens um interesse especial em história, arrisco-me a dizer que a esmagadora maioria desconhecia e foi ver à wikipedia.

 

Esses exemplos :mrgreen: Tal como não faço piadas alusivas ao tempo da escravatura, muito menos faria em frente a pretos. Tal como não mando as mulheres para a cozinha ou os gays dançar para a parada. Tal como não ofendo nem agrido as pessoas em geral. Porque haveria de o fazer? É aqui que entram as regras do bom senso e do respeito que já referimos. Onde queres chegar? Onde é que isto se relaciona com fazer uma homenagem a uma pessoa numa costume party?

 

Pah, já explicitei os meus pontos, não tenho muito mais a dizer sem estar a chover no molhado. Apenas dizer que não consigo, sob nenhum ponto de vista, aceitar a ideia da ignorância enquanto dissuasor de comportamentos. Não saber é natural, ninguém é omnisciente; no entanto, essa deve ser combatida. Se não sabemos, aprendemos. Assentar numa ideia de que não temos de saber, e com isso justificar toda e qualquer acção, é uma das ideias mais perigosas da sociedade contemporânea. Abre porta a coisas que nem quero aqui discutir...

 

Mas a maravilha do mundo contemporâneo é precisamente o de podermos ter as nossas ideias. Se é essa a tua visão do mundo, obviamente não sou eu que te vou dizer que estás errado. Aliás, ninguém to poderá dizer.

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A beleza desta situação reside na invalidade das tuas primeiras frases. Porque na verdade não se passou nada disso que estás a falar. Foi apenas uma homenagem, ponto. Ele publicou a foto, e logo vieram algumas pessoas afirmar "Alto lá que isto se assemelha a um movimento racista popular nos EUA durante o século XIX, em que um grupo de pessoas de besuntava de preto para gozar e descriminar essa raça", e ele deve ter reagido algo do género "Tá bem.... então ainda bem que tanto eu como a sociedade em que vivo não acha nada disso. Podia-me ter mascarado de James Bond, Jack Sparrow, Stevie Wonder ou Dalai Lama, mas acontece que gosto muito dos HG.". Ele não fazia ideia! E depois aqui entra o inacreditável e inaceitável sentido pejorativo que tu e outros empregam ao termo "ignorante" durante todo este tópico. "O pobre rapaz é um ignorante, desconhece os meandros dos movimentos racistas em prática nos EUA durante o séc. XIX. Como tal agora só tem de lidar com as consequências!!11". Enfim, isto é tão parvo. Somos todos uns grandessíssimos ignorantes. Eu pessoalmente só conhecia o termo vagamente, nem sabia bem o que era. E admito que não sei outras especificidades da história dos EUA, China, Japão ou Inglaterra durante o séc. XIX. Ou até XX arrisco-me a dizer com alguma vergonha. Ah, e música tradicional do Paraguai também não é o meu forte. You get my point. Não façam os outros de parvos também, o Mayday abordou isto num trabalho ou lá o que foi e tu tens um interesse especial em história, arrisco-me a dizer que a esmagadora maioria desconhecia e foi ver à wikipedia.

 

Esses exemplos :mrgreen: Tal como não faço piadas alusivas ao tempo da escravatura, muito menos faria em frente a pretos. Tal como não mando as mulheres para a cozinha ou os gays dançar para a parada. Tal como não ofendo nem agrido as pessoas em geral. Porque haveria de o fazer? É aqui que entram as regras do bom senso e do respeito que já referimos. Onde queres chegar? Onde é que isto se relaciona com fazer uma homenagem a uma pessoa numa costume party?

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E não me estou a referir às opiniões do Mayday e do Puro, até porque percebo perfeitamente a posição deles. O drama que se cria à volta disto e a histeria coletiva tão típica das redes sociais é que me fazem uma tremenda confusão. Tal como disseram, não vejo maldade nenhuma no que o Griezmann fez, mas sim ignorância.

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Pah, já explicitei os meus pontos, não tenho muito mais a dizer sem estar a chover no molhado. Apenas dizer que não consigo, sob nenhum ponto de vista, aceitar a ideia da ignorância enquanto dissuasor de comportamentos. Não saber é natural, ninguém é omnisciente; no entanto, essa deve ser combatida. Se não sabemos, aprendemos. Assentar numa ideia de que não temos de saber, e com isso justificar toda e qualquer acção, é uma das ideias mais perigosas da sociedade contemporânea. Abre porta a coisas que nem quero aqui discutir...

 

Mas a maravilha do mundo contemporâneo é precisamente o de podermos ter as nossas ideias. Se é essa a tua visão do mundo, obviamente não sou eu que te vou dizer que estás errado. Aliás, ninguém to poderá dizer.

 

A mim preocupa mais o facto de ainda vivermos numa sociedade marcada pelas cicatrizes da discriminação. Que o ódio ainda afete desta forma o dia-a-dia do cidadão comum, que não tem a obrigação de ter em mente mais do que o respeito pelo próximo e está sujeito a levar um atestado de uma série de coisas pouco simpáticas por desconhecimento.

 

Pensa bem, se todos nós soubéssemos aquilo que tu e o Mayday exigem que soubéssemos, os historiadores e jornalistas faziam falta para o quê, mesmo?

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A mim preocupa mais o facto de ainda vivermos numa sociedade marcada pelas cicatrizes da discriminação. Que o ódio ainda afete desta forma o dia-a-dia do cidadão comum, que não tem a obrigação de ter em mente mais do que o respeito pelo próximo e está sujeito a levar um atestado de uma série de coisas pouco simpáticas por desconhecimento.

 

Pensa bem, se todos nós soubéssemos aquilo que tu e o Mayday exigem que soubéssemos, os historiadores e jornalistas faziam falta para o quê, mesmo?

Convém é que nós enquanto leigos procuremos essa informação quando a oportunidade surge, em vez de a ignorar, ou circunvalar, de forma a justificar determinados comportamentos. É presunçoso e errado rotular o Griezmann de racista só com base naquela imagem. A intenção dele era a melhor, contudo isso, por si só, não cura a ferida (a amputação da identidade de uma etnia), que a blackface causou. A blackface sempre teve uma carga histórica extremamente racista; a sua prática em variadas formas causa ofensa a grupos consideráveis de pessoas; daí que a sociedade desde os anos 50/60 do século XX tenha evoluído no sentido de não praticar a blackface; isso só aconteceu porque grupos de pessoas negras lutaram para consciencializar e pôr término a essa prática ofensiva. Também já se esclareceu que não foi, nem é, só a blackface clássica que tinha e tem potencial ofensivo, não era, nem é, só a representação caricaturista e estereotípica que tinha e tem potencial ofensivo. Nos dias de hoje a blackface é essencialmente usada em contextos de comentário social ou sátira nas artes,

, pois hoje temos, ou seria expectável que tivéssemos, a consciência social de que nesse ato existe uma contradição (é esse o comentário social dessa cena em "Mad Men", tendo sido também, em essência, esse o faux pas do Griezmann na sua ignorância a respeito da blackface e cultura negra Norte-Americana).

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