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[FM Mobile 2022] Um oásis no deserto da Margem Sul

Publicações recomendadas

A equipa tem tido uma evolução muito agradável e tem uma defesa muito sólida. Venha o "presente", em tempo real. Até porque quero ver a academia brotar jogadores para serem a espinha dorsal da seleção nacional.

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Citação de F. Mota, Em 03/10/2022 at 11:00:

Tanto recap quando toda a gente sabe que o que tás a fazer é gravar antes dos jogos, sair se perderes, voltar a abrir -> repeat até ganhar. Tem é sido dificil ganhar 😎

E mesmo assim sou um inepto para fazer batota, por isso é que ainda não fui campeão 😞

Citação de Biri Biri Jr, Em 04/10/2022 at 11:47:

A equipa tem tido uma evolução muito agradável e tem uma defesa muito sólida. Venha o "presente", em tempo real. Até porque quero ver a academia brotar jogadores para serem a espinha dorsal da seleção nacional.

Vou postar em breve o último recap, o melhor de todos, diga-se de passagem, e depois volto às novas atualizações. E há muita coisa a acontecer. Infelizmente, diga-se.

Por esta altura já tendo apenas apostar nos regens que o jogo me dá, mas mesmo com uma boa academia (vai já em 4,5 de 5 estrelas, depois falo disso), a reputação do clube ainda não atrai grandes prodígios. Lá chegaremos, é um processo gradual.

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Quinto e último recap, o mais importante de todos em que aconteceu mais e melhores coisas. A próxima atualização já será material novo.

 

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Rumo ao Oásis - parte 5

 

Capítulos de referência:

Capítulo XXXI - O Complexo da Medideira

Capítulo XXXII - Palavra de Capitão

Capítulo XXXIII - O jogo de xadrez

Capítulo XXXIV - O carácter cíclico da História

Capítulo XXXV - Ao ritmo do berimbau

Capítulo XXXVI - A verdade no fundo do copo

Capítulo XXXVII - Heróis e vilões

Capítulo XXXVIII - Não deixar para amanhã o que pode ser feito hoje

Capítulo XXXIX - Uma final antecipada

Capítulo XL - Assalto ao Castelo

Capítulo XLI - A festa do futebol

Capítulo XLII - Movidos a adrenalina

 

Estamos a chegar ao final do baú das memórias. Muitos de vocês recordar-se-ão porventura do que vos vou contar de seguida, dado serem acontecimentos ainda recentes. Mas nem por isso menos importantes - aliás, bem pelo contrário. São o clímax do que vos venho contando. O ponto alto desta história.

Deixei-vos no momento em que o Amora garantiu a permanência na Primeira Liga após a sua primeira presença no convívio dos grandes em mais de quatro décadas. O Verão que se seguiu - o Verão de 2025 - foi um ano de transformações na Medideira, tanto em sentido figurado como literal.

Comecemos pelas transformações literais da Medideira, as quais serão a pedra basilar do crescimento do nosso Amora Futebol Clube.

 

O Complexo Municipal da Medideira

Já anteriormente vos contei como o Estádio da Medideira, a casa ancestral do Amora Futebol Clube, não pertencia realmente ao Maior da Margem Sul. Depois da catastrófica crise económica que quase ditou a extinção do nosso grande amor, o estádio passou para um dos credores. A intervenção da Câmara Municipal do Seixal permitiu a recuperação da importante infraestrutura para a Autarquia, que depois do que aconteceu opunha-se visceralmente a qualquer hipótese de a ceder novamente a privados - e depois do que aconteceu, ninguém os poderia censurar por isso.

Bilbo Himura usou de toda a influência que o seu nome e estatuto detinham para encontrar uma solução que permitisse revitalizar a casa do Amora. Durante o Verão de 2024, por fim, chegou-se a um acordo para a implementação de um ambicioso projeto que transformaria a decrépita zona da Medideira num local acolhedor e vibrante. As obras iniciaram-se no terceiro quartel de 2024.

 

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O Amora finalmente conseguiu permissões para avançar com a reconstrução da Medideira...

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... que passou a comportar 14850 lugares

 

A dimensão da intervenção obrigou, como já vimos, o Amora a mudar os seus jogos para o Estádio do Restelo. Da Medideira antiga sobraram apenas o local e as duas bancadas mais recentes recentemente construídas. A velhinha bancada central foi destruída para dar origem a uma nova, maior e mais moderna.

A zona envolvente foi requalificada, passando a albergar zonas de restauração e um parque citadino, além de um segundo campo de futebol e até um retail park. A Medideira tornou-se a seu tempo um local de romaria para os amorenses, fosse para os que procuravam um local aprazível para um passeio em família ao fim-de-semana, fosse para os que procuravam as lojas da moda ou o hipermercado para as compras da semana.

Passou a ser habitual ver crianças a brincar nos jardins ou pessoas a passear os seus animais de estimação, grupos de amigos a conviver nas esplanadas, amorenses a fazerem a sua corrida de manutenção.

A Medideira tornou-se um dos locais preferidos dos amorenses.

 

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O Complexo Municipal da Medideira com o Estádio da Medideira ao centro; o parque citadino na zona ribeirinha da Baía do Seixal; a zona de restauração era uma extensão da cobertura norte do estádio, prolongando-se até às margens da Baía; à direita, o novo campo e o retail park depois dele

 

Mas isto já vocês sabem, pois muitos de vós já frequentam a Medideira e vão lá passar as tardes a malhar imperiais - não neguem, eu sei bem pois também lá costumo estar.

Mas isto é a história do Amora e o centro de tudo isto é o Estádio da Medideira. Pois bem, a nova Medideira passou a ter uma capacidade de 14850 espetadores divididos entre as três bancadas totalmente cobertas. Não achem estranho não ter sido feita uma quarta bancada - fazia parte da beleza do estádio. Em qualquer ponto das bancadas era possível ver o parque citadino e ter uma perspetiva da Baía do Seixal.

Sei que sou suspeito para falar, mas a Medideira passou a ser o estádio mais bonito para se ver um jogo de futebol.

 

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A moderna fachada exterior da reconstruída bancada central da Medideira...

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... o estádio através de vista aérea...

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... e diferentes perspetivas da nova bancada central a partir do relvado

 

Estaa foram as transformações literais que ocorreram na Medideira no Verão de 2025. Não sei se vocês, jovens como são, conseguem entender o quão importante isto foi. Para mim, para a minha geração e para as mais velhas, ver o Amora a jogar num campo moderno, um estádio que até as seleções jovens de Portugal começaram a procurar para os seus jogos, é um motivo de orgulho imenso!

A Medideira é o coração pulsante do Amora Futebol Clube. Fez parte de toda a sua centenária história. Foi ali que gerações de amorenses batalharam pelo futuro do clube e da cidade. É um local com história e memória. Hoje, revitalizado e modernizado, é o centro de um Amora rejuvenescido, moderno e ambicioso, desejoso de conquistar grandes feitos na sua nova casa. E isso deixa-nos orgulhosos da obra feita.

Mas já chega destes assuntos. Vocês querem é bola, não é? Pois bem, passemos à bola e às transformações não literais que aconteceram na Medideira.

[E se quiserem saber mais sobre a nova Medideira, é ver o capítulo que é dedicado a esta inauguração em Capítulo XXXI - O Complexo da Medideira]

 

O plantel do Amora Futebol Clube 2025/26

Não, não me esqueci do plantel Sub23. Alguns jogadores foram promovidos, mas há pouco a acrescentar - a partir desta altura o Amora deixou de contratar jogadores jovens para os Sub23, passando a valer-se apenas dos regens promovidos ingame das suas camadas jovens. Além disso, os jovens promovidos não tiveram impacto ao longo desta época, pelo que deixo as referências a esses meninos para futuras atualizações.

Como vos disse, o Amora terminou na época passada um ciclo. Vários dos jogadores que acompanharam as aventuras e desventuras de Frodo Zarco desde a primeira temporada foram às suas vidas, encontrando outros clubes onde prosseguir as suas carreiras - falarei deles oportunamente no futuro.

Isto obrigou a uma minirevolução no plantel principal. Bilbo Himura, ortodoxo na implementação do Projeto Oásis, continuava a mostrar-se avesso a investimentos na equipa principal; Frodo Zarco, que concordava com ele, renovou o plantel com vários dos jovens mais promissores que tinha à sua disposição.

O efeito prático foi o rejuvenescimento de um plantel que já era ele próprio muito mais juvenil do que a maioria das equipas da Primeira Liga. Tirando Joca, agora com 33 anos de idade, os jogadores mais velhos incluíam Lucas Silva e Luiz Felipe, ambos com 29, Gabriel Capixaba e Martim Maia, estes com 28, e Papou Mendes com 25 primaveras - ou seja, os jogadores mais experientes eram agora os jovens do início desta epopeia.

Todo o restante plantel que vinha da época passada tinha 23 anos ou menos!

Frodo Zarco encetou a sua revolução em todos os setores da equipa, mas em alguns pontos teve de ser, vá lá, criativo. Já vão perceber.

[Só vou colocar prints das caras novas, os restantes jogadores já vêm da época anterior]

 

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Manuel Baldé daria luta a Luiz Felipe na baliza

 

Já vos falei de Manuel Baldé. Foi contratado um ano antes, mas a chegada de Luiz Felipe levou o Amora a emprestá-lo ao Farense, da Segunda Liga. O guardião guineense exibiu-se a um nível tão elevado que tornou impossível não dar-lhe um lugar no plantel principal.

Com Luiz Felipe e Manuel Baldé, a baliza do Maior da Margem Sul estaria bem entregue.

 

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Simão Rosete retornava do seu empréstimo ao Leiria...

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... António Silva foi uma das surpresas na pré-temporada...

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... embora não tão grande quanto Roberto Longo...

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... e Nélson Victor era a jovem promessa para o setor

 

O setor mais recuado do Amora foi o que deu maiores dores de cabeça a Frodo Zarco.

Como se recordarão, o Amora na época anterior recrutou dois jogadores emprestados: Diogo Travassos e António Silva. Ambos exibiram-se a bom nível, mas a temporada terminou e voltaram aos seus clubes. Isso em simultâneo com as saídas de Juary e Rony Fernandes deixou a defesa do Amora depauperada, com apenas uma opção para a ala direita e para o centro da defesa - Odailson e Isaac Monteiro, respetivamente.

Para o lado direito, Frodo Zarco trouxe de volta Simão Rosete. Talvez se lembrem deste menino. Foi uma das primeiras apostas logo na segunda época, na altura apenas com 17 anos. Não surpreendeu e retornou aos Sub23 na terceira época, tendo sido emprestado ao Leiria, da Segunda Liga, na quarta época. Um ano volvido e com boas atuações pelos leirienses, o menino agora com 20 anos tinha nova hipótese de conquistar um lugar no Maior da Margem Sul.

No centro da defesa o problema era mais severo. Isaac Monteiro era titular indiscutível e certeza no onze inicial. Nélson Victor era um menino de 18 anos que mostrou uma maturidade fora do comum nos Sub23, acabando por ser promovido na época anterior e disputado cinco jogos na fase final da temporada. Mas não deixava de ser um menino de 18 anos e dar-lhe a responsabilidade de assumir a titularidade era um risco que poderia correr muito mal.

Na ausência de outros jovens de qualidade e apenas com dois centrais, Frodo Zarco implorou a Bilbo Himura que fizesse alguma coisa - e o battosai não perdeu tempo. Não só convenceu o Benfica a prolongar o empréstimo de António Silva por mais uma temporada - por motivos que me ultrapassam, o treinador do Benfica, Marcelo Gallardo, continuava a não contar com ele -, como recrutou um italiano da AS Roma.

Roberto Longo foi enquanto jovem uma das grandes promessas do futebol italiano. No entanto, os anos foram passando sem que confirmasse o seu talento. José Mourinho, treinador da AS Roma, mantinha-o perpetuamente na equipa como última opção de recurso.

O seu contrato terminou no final da temporada e, talvez convencido pela abordagem da super estrela do futebol mundial, deu o sim a Bilbo Himura e procurava relançar a sua carreira na Medideira. Afinal de contas, quando alguém como Bilbo Himura te liga, quem poderá dizer-lhe que não?

Com estes dois reforços, o Amora tinha quatro opções de qualidade para o centro da defesa e Frodo Zarco lá conseguiu dormir descansado - até porque do lado esquerdo continuava a contar com Tiago Louro e Lucas Silva, duas ótimas opções para a posição.

 

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João Carlos Miguel foi um dos promovidos ao plantel principal para o meio-campo...

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... sendo o outro o talentoso Vítor Ferraz

 

No meio-campo, Frodo Zarco não teve tantos pesadelos. O Amora conseguiu segurar as suas principais pedras apesar do assédio de vários clubes aos seus meninos, pelo que restava apenas cobrir as posições em falta pelas saídas de Fidelis Irhene e Armando Cristóvão, dois jogadores que pouco utilizados haviam sido no ano anterior.

João Carlos Miguel e Vítor Ferraz, dois dos mais influentes jogadores da equipa Sub23, foram os eleitos e seriam as alternativas diretas a Papou Mendes e Martim Watts.

Martim Maia e Dino Leão continuavam a ser as duas opções para o vértice mais recuado do habitual triângulo do meio-campo.

 

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O miúdo-maravilha Filipe Diogo foi promovido...

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... e Diego Raposo regressava do seu empréstimo

 

O ataque era o menor dos problemas do Amora. Joca, Gabriel Capixaba e Leonardo Brandão jogavam praticamente de olhos fechados entre eles e garantiam golos e assistências às dezenas. Jéferson explodiu definitivamente no final da temporada e tornou-se numa boa alternativa pelas alas. Eram quatro elementos fiáveis e de qualidade.

Não obstante, Abas Djaló e o matador renascido Flávio Silva passaram completamente ao lado na época anterior, acabando as suas saídas por ser a melhor opção para todos. Havia duas vagas disponíveis por preencher e Frodo Zarco não hesitou em recorrer à prata da casa para o efeito.

Filipe Diogo era o melhor jogador dos Sub23. Não estou a exagerar. Aos 18 anos, o menino desfazia as defesas adversárias na Liga Revelação, fazendo bom uso da sua velocidade e técnica apuradas para desmontar adversários bem mais velhos do que ele. A confirmação da sua integração no plantel principal era mais do que esperada e os adeptos aguardavam por coisas bonitas da sua parte.

Já Diego Raposo, o rato de área que na terceira temporada estreou-se com um golo na equipa principal, passou um ano emprestado ao Farense, da Segunda Liga. Apesar de ter apenas 18 anos, assumiu a titularidade e terminou a temporada com 12 golos e 8 assistências - números que nem o próprio Leonardo Brandão tinha com a sua idade.

Agora com 19 anos, poderia crescer na sombra do goleador Leonardo Brandão, o Cavaleiro da Medideira.

Para terminar, e antes de passarmos à bola propriamente dita, foi por esta altura do ano passado que todos fomos abalados por uma notícia inesperada.

 

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Joca anunciou a intenção de terminar a carreira no final da temporada

 

Foi uma notícia que caiu como uma bomba. Joca era o capitão do Amora. Quando se referia "o capitão", toda a gente sabia de quem se falava. Joca começou a jogar no Amora aos 6 anos de idade e tinha agora 33 - aparte um ano no Famalicão, dedicou toda a sua vida ao Maior da Margem Sul. Seriam 27 anos a jogar com o seu símbolo ao peito.

Frodo Zarco foi apanhado de surpresa - aparentemente, só Bilbo Himura sabia da sua decisão quando a anunciou ao grupo de trabalho no final de um dos primeiros treinos da pré-temporada. Ainda era um dos elementos mais preponderantes da equipa e, embora a idade já se fizesse notar, nada fazia prever a sua súbita decisão de terminar a carreira.

Mas a decisão foi tomada em consciência e havia que a respeitar. Talvez quisesse sair em grande, enquanto era um elemento importante da equipa e evitar tornar-se um estorvo. Restava fazer uma grande temporada para ele poder sair em grande.

E, como hoje sabemos, saiu com estrondo como um autêntico herói. Mas já lá iremos.

[Se estiverem interessados em saber mais sobre o novo plantel ou sobre a forma como Joca anunciou a sua decisão ao resto do plantel, podem ver em Capítulo XXXII - Palavra de Capitão]

 

A Taça da Liga 2025/26

Se calhar é melhor contar-vos as peripécias da temporada separando as competições, para não transformar isto numa autêntica salgalhada.

Comecemos pela competição nacional menos cotada. A Taça da Liga apurava o campeão de inverno - aqui que ninguém nos ouve, isto é uma parolice tremenda, o campeão de inverno deveria ser o líder do campeonato no final da primeira volta como sempre foi, mas pronto - e o Amora vinha de uma temporada em que alcançou a Final Four pela primeira vez na sua história.

Claro que o objetivo para a nova temporada teria de passar por pelo menos igualar esse feito, não é verdade?

O 9º lugar na Primeira Liga da época passada não evitou que o Amora tivesse de disputar a 1ª Eliminatória da caricada, como ouvi certa vez um sportinguista chamar-lhe, claramente amargo pelo desfecho de uma certa final que levou a que esta competição fosse desprezada com o nome Taça da Cerveja. O sorteio ditou um confronto no terreno do Moreirense que o Maior da Margem Sul venceu com golo solitário do capitão Joca. Seguiu-se a 2ª Eliminatória contra o Tondela e nova vitória pela margem mínima, desta vez com Jéferson a fazer as honras.

Tal como na época anterior, o Amora voltava a marcar presença na Fase de Grupos da caricada...

 

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O grupo do Amora quase parecia uma repetição da época anterior

 

... e voltava a encontrar o bicampeão nacional, o Sporting Clube de Portugal.

Desta vez, porém, o cenário era um pouco mais complexo. Não só o Amora já não era menosprezado pelos leões depois da eliminação do ano anterior, como seria o próprio Sporting a ter a vantagem de disputar a última jornada, sabendo qual o resultado que lhe conviria fazer nesse dia.

Para o evitar, o Amora teria de vencer os dois jogos para obter o apuramento imediato e não depender do resultado do último jogo em que não tinha como intervir.

 

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O Amora venceu o Farense na 1ª jornada

 

O primeiro jogo poderia ser decisivo. Em caso de empate em Alvalade, como na época passada, o apuramento decidir-se-ia por quem vencesse o Farense pelo melhor resultado. O Amora recebeu os algarvios e venceu, mas os dois golos sofridos contra a corrente do jogo deixavam o Amora numa posição pouco confortável.

Se era para alcançar o apuramento, restava ir a Alvalade vencer.

Claro que isto é mais fácil dito do que feito. O Sporting de Ronald Koeman [sim, o Sporting de Ronald Koeman] não era bicampeão nacional por acaso - era uma equipa muito forte coletivamente e com imensa qualidade individual, assente num conjunto de bons valores de tenra idade provenientes da sua própria Academia de Alcochete.

Mas o Amora também era uma equipa coesa coletivamente e com bons valores individuais. Longe vai o tempo em que o Maior da Margem Sul se podia desculpar com a parca qualidade individual dos seus meninos - em 2025/26, o plantel às mãos de Frodo Zarco estava repleto de talento.

O Sporting teve mais posse de bola e esta circulou mais vezes próximo da área do Amora do que o contrário, mas os azuis da Margem Sul souberam proteger a sua baliza. A maioria dos remates dos leões foram inofensivos. Por um misto de sorte e de qualidade de Manuel Baldé, o guardião do Amora para as Taças, a baliza manteve-se inviolada.

Surpreendentemente, o Amora acabaria por decidir o jogo com uma cabeçada de Gabriel Capixaba, um raro golo de cabeça do avançado brasileiro que gelou Alvalade e apurou o Amora para a Final Four da Taça da Liga.

Frodo Zarco e seus meninos alcançavam mais um recorde histórico para o Amora: foi a primeira vitória de sempre do Maior da Margem Sul no reduto de um dos três grandes do futebol português!

[Capítulo dedicado ao jogo em Capítulo XXXIV - O carácter cíclico da História]

 

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A vitória inesperada em Alvalade...

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... apurou novamente o Amora para a Final Four

 

Em boa hora o Amora venceu em Alvalade. O Sporting foi ao Algarve cumprir calendário e despachou o Farense por três golos sem resposta - tivesse o resultado em Alvalade sido um empate e seria o Sporting a apurar-se no grupo.

A Final Four voltou a ser acolhida pelo Estádio da Luz. O Amora teria pela frente o Braga na Meia-Final e teria de ultrapassar os bracarenses para disputar pela primeira vez na sua história uma final de uma grande competição!

Num jogo intenso que mais pareceu uma batalha campal, de tão disputado a meio-campo e nos duelos individuais e tão poucas ocasiões de golo ter proporcionado, o Amora superiorizou-se ao Braga graças aos golos de Leonardo Brandão e Gabriel Capixaba.

O Amora alcançava a tão desejada primeira final da sua história.

[mais sobre isto e uma pequena revelação de Bilbo Himura em Capítulo XXXVI - A verdade no fundo do copo]

 

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O Amora ultrapassou o Braga na Meia-Final

 

A final seria disputada contra o Futebol Clube do Porto. Os dragões , agora treinados por Toni Kroos, tinham sido a besta negra do Amora nesta prova no ano passado quando derrotaram o Maior da Margem Sul nas Meias-Finais.

O jogo foi disputado no último dia de Janeiro de 2026 debaixo de uma chuvada torrencial que assolava a capital portuguesa. Nada disto impediu que o Estádio da Luz estivesse quase cheio. Num cenário algo caricato, as bancadas vermelhas estavam totalmente repletas de azul - o azul de Porto e Amora.

 

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O Amora entrava em campo na sua máxima força, incluindo os meninos Manuel Baldé, Odailson, António Silva, Isaac Monteiro, Tiago Louro, Martim Watts, Papou Mendes e Leonardo Brandão

 

O Amora entrou a vencer no jogo graças a uma penalidade cometida pelo central Diogo Leite, que foi expulso. Joca concretizou-a e deixou o Amora em vantagem no marcador e a jogar com mais uma unidade. Tudo parecia encaminhar-se para uma noite de glória do Maior da Margem Sul.

Já vos disse que o plantel do Amora é muito jovem. Nessa noite, estavam em campo oito jogadores com menos de 25 anos de idade. O que era um motivo de orgulho, mas também uma fonte de preocupação - estariam os meninos preparados para lidar com a pressão inerente a uma final em tão tenras idades?

A resposta seria óbvia com o decorrer do jogo. Apesar de o Amora ter mais uma unidade em campo, o Porto chegou à igualdade após um erro individual inacreditável de Isaac Monteiro, que fez uma assistência para Kevin Volland. O Amora voltaria mais tarde à vantagem no marcador, apenas para novo erro individual, desta vez de António Silva, permitir ao Porto nova igualdade.

Os meninos lutaram para evitar a igualdade e respetiva decisão da marca de grandes penalidades, mas o resultado não mexeria mais. O Amora desperdiçou uma vantagem numérica de cerca de setenta minutos para resolver o assunto no tempo regulamentar.

 

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O empate a duas bolas no final dos noventa minutos levou as decisões da Taça da Liga para as penalidades

 

Tudo se decidiria na habilidade dos intervenientes da distância de onze metros. É habitual chamar-lhe lotaria das penalidades; Frodo Zarco opunha-se veementemente a tal coisa. Já me disse por várias vezes que se apanhar algum dos seus jogadores a dizê-lo, o mete de castigo. As penalidades são uma arte, uma mistura de sangue frio e técnica. Não há lotarias ou acasos - vence quem for melhor.

Nessa noite, infelizmente e como sabemos, não foi a nossa noite. O menino Dino Leão assumiu a responsabilidade de marcar a primeira e Joca concretizou a segunda, mas Gabriel Capixaba e Vítor Ferraz falharam as seguintes. A penalidade decisiva de Jesús Corona encontrou as redes e deixou o Amora em choque.

 

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O Porto foi mais forte e venceu a Taça da Liga

 

Não há muito que se possa dizer quando uma equipa é derrotada num desempate por grandes penalidades. Os marcadores do Porto foram mais eficazes que os do Amora e o resultado final acaba por ser justo. Os dragões jogaram setenta minutos com menos um elemento em campo e recuperaram de duas desvantagens - se isto não é mérito, não sei o que seja.

[Dediquei um capítulo a esta final, inclusivé com gifs dos lances principais do jogo, que podem consultar em Capítulo XXXVII - Heróis e vilões]

Para a história ficou a presença do Amora na sua primeira grande final. Um cenário que seria impensável há cinco anos, mas que em 2026 já não era tão inverossímil quanto isso. E tanto não o era que não passaria muito tempo até vermos o Amora de novo a disputar outra final - e passamos já para a história dessa caminhada.

 

A Taça de Portugal 2025/26

Não vos estou a contar nenhuma novidade se vos disser que o Amora alcançou a final da Taça de Portugal - comecei esta história precisamente a recordar esse momento. Hoje também sabemos qual foi o resultado dessa final - aconteceu há poucos dias, ainda estou com uma ressaca descomunal, já não tenho idade para estas aventuras. Quando tinha vinte anos podia beber shots a noite toda e ir diretamente para o trabalho como se nada fosse, mas agora se o fizer já não me mexo no dia seguinte.

O que já pode passar despercebido é a caminhada até essa final, que foi tudo menos linear e gloriosa. Foi suada, conseguida no sacrifício, na luta... e na sorte. Com muita sorte à mistura.

Sendo uma equipa da Primeira Liga, o Amora entrou em prova apenas na 3ª Eliminatória. A estreia na edição deste ano ditou uma deslocação a Pina Manique para defrontar o Casa Pia, adversário da Segunda Liga. Dado o volume de jogos que o Amora disputava por essa altura, Frodo Zarco decidiu rodar a equipa e dar oportunidade a alguns dos jovens talentos entrarem em campo e começarem a marcar a sua posição.

O resultado foi quase catastrófico. Apesar de os meninos terem amassado o Casa Pia, a verdade é que os gansos levaram o jogo para prolongamento. Nesses trinta minutos, o Amora viu-se a perder e com as contas mal paradas; Jéferson surgiu a salvar Frodo Zarco de uma derrota escandalosa, mas não evitou o desempate por penalidades.

Felizmente, e ao contrário do que aconteceria alguns meses mais tarde na final da Taça da Liga, como vimos, o Amora desta vez prevaleceu e garantiu o apuramento - muito pela habilidade de Manuel Baldé. O guardião era o dono da baliza nos jogos das Taças e defendeu três penalidades nessa tarde.

 

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O Amora safou-se de uma eliminação precoce ao derrotar o Casa Pia nas penalidades

 

Talvez assado pelas dificuldades evidenciadas em Pina Manique, Frodo Zarco não facilitou na eliminatória seguinte e foi a Covilhã com a equipa na sua máxima força. O Sporting local não teve qualquer hipótese e foi despachado por claros quatro golos sem resposta. Com maiores ou menores dificuldades, o Amora estava já nos Oitavos da Taça de Portugal.

Neste ponto da competição, o Amora voltou a jogar fora de casa, embora desta vez em Portimão contra um adversário da Primeira Liga. Frodo Zarco voltou a rodar a equipa e tudo estava a correr bem até ao intervalo - até deu para Vítor Ferraz e João Carlos Miguel, dois dos novos meninos da equipa, estrearem-se a marcar pelo Maior da Margem Sul.

Algo aconteceu durante os quinze minutos do intervalo que ninguém até hoje conseguiu explicar. O Portimonense virou o jogo em quinze minutos e, de repente, o Amora viu-se a perder 3-2. O desespero levou a que a equipa despejasse bolas na área na fase final e o golo do empate apareceu por outro menino, Diego Raposo, no último lance do tempo regulamentar.

O Amora já jogava com mais um elemento em campo desde os 81' e aproveitou a superioridade numérica para ir em busca da vitória durante o prolongamento. O golo acabaria por cair já na reta final deste, novamente da autoria do menino Diego Raposo - o qual, de resto, aproveitava a titularidade nos jogos da Taça de Portugal para ganhar nome e visibilidade.

 

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Diego Raposo salvou o Amora da eliminação nos descontos do tempo regulamentar, garantindo depois o apuramento no prolongamento

 

De susto em susto, o Amora voltou aos Quartos da Taça de Portugal pela terceira vez consecutiva. Nas duas anteriores, o Maior da Margem Sul caiu aos pés do Vitória SC, falhando o marco histórico que era chegar pela primeira vez na sua história às Meias da Prova Rainha.

Desta vez, porém, não havia Vitória SC. O adversário seria o Famalicão, novamente fora de casa, e o Amora aproveitou para carimbar a presença numa fase nunca antes alcançada pelo Maior da Margem Sul, fazendo história.

 

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O Amora bateu com autoridade o Famalicão e chegou às Meias da Taça de Portugal

 

Estava passado o Cabo Bojador do Amora, aquele ponto psicológico a partir do qual nunca havia passado. A partir daí, Frodo Zarco e seus meninos navegariam em águas desconhecidas, indo em busca de um porto seguro ao qual desaguar - a descoberta do caminho para o Jamor.

Por esta altura é bom relembrar que não era só o Amora a fazer história; esta edição da Taça de Portugal também entraria ela própria para a história. E isto porque pela primeira vez em vinte e sete anos haveria uma final no Jamor sem a presença de qualquer um dos três grandes!

Este improvável cenário começou a desenhar-se logo na ronda de estreia dos representantes da Primeira Liga na Taça de Portugal. Enquanto o Amora sofria para ultrapassar o Casa Pia, como vos disse, o bicampeão nacional, o Sporting de Ronald Koeman, foi abatido pelo Beira-Mar - ironicamente, precisamente a equipa que venceu a última final da Taça de Portugal em que não participou pelo menos um dos três grandes, na altura derrotando o Campomaiorense numa tarde solarenga em 1999.

A eliminatória seguinte ditou a queda do segundo estarola, o Benfica, surpreendido por um super Louletano no Estádio do Algarve. Não foram apenas os encarnados a ficar nessa ronda; o Vitória SC foi também eliminado, embora num cenário menos chocante, já que perderam no Estádio do Dragão.

Aquando do sorteio para os Oitavos, restava dos três grandes o Porto de Toni Kroos, que assim era o grande favorito a vencer a prova. Mas o massacre dos grandes não estava ainda completo e também os dragões seriam afastados precocemente, perdendo no desempate por grandes penalidades em Penafiel.

O caos gerado pelas eliminações precoces dos três grandes transformou esta edição da Taça de Portugal numa das mais imprevisíveis de sempre - e todos os sobreviventes tinham, subitamente, legítimas aspirações a vencer a prova.

 

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O histórico Beira-Mar foi o primeiro tomba-gigantes desta edição, eliminando o Sporting logo na 3ª Eliminatória...

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... o Vitória SC, besta negra do Amora após eliminar o Maior da Margem Sul nas duas últimas edições, caiu perante o Porto...

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... na mesma eliminatória em que o Louletano chocou o país ao derrotar o Benfica...

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... e o último sobrevivente dos Três Grandes, o Porto, não resistiu ao desempate nas penalidades contra o Penafiel nos Oitavos-de-Final

 

O cenário da Taça de Portugal nas Meias-Finais era... inacreditável? Amora, Braga, Penafiel e Louletano disputariam o acesso à final no Jamor, situação tão inverossímil que ainda hoje custa a acreditar que aconteceu. Imaginem: uma equipa que nunca tinha chegado a esta fase (Amora), uma que lutava desesperadamente para não descer da Primeira Liga (Penafiel) e outra do Campeonato de Portugal (Louletano), todas elas ainda nesta fase da competição!

O Braga era o adversário que todos desejavam evitar. O sorteio foi feito e... claro que tinha de sair ao Amora. O Maior da Margem Sul chegou a esta fase jogando sempre fora de casa; alguém esperava que o sorteio fosse ajudar Frodo Zarco agora?

As Meias-Finais disputavam-se a duas mãos e a primeira seria disputada na Pedreira. No meio do azar, alguma sorte: o Amora decidiria a eliminatória jogando a segunda mão em casa.

A primeira mão foi disputada no início do Março de 2026. Já não era altura de poupanças e ambas as equipas entraram na sua máxima força, naquilo que foi um jogo dividido e impróprio para cardíacos. O Amora chegou a uma vantagem de duas bolas que a todos pareceu deixar a eliminatória praticamente decidida, mas o Braga de Julen Lopetegui [sim... sim] reagiu na meia hora final e fez do Amora uma cabaça.

Dois golos depois, e um terceiro que seria anulado pelo VAR, o Amora saía de Braga com um lisonjeiro empate que não decidiu a eliminatória, mas deixava o Maior da Margem Sul em vantagem para a segunda mão.

 

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O Amora desperdiçou uma vantagem de dois golos e pode considerar-se sortudo por não ter saído de Braga com uma derrota

 

Cerca de mês e meio depois, dez mil almas encheram a Medideira de azul para aquele que era à data o jogo mais importante da história do Amora.

Não tenho muito que vos possa dizer sobre o jogo. As duas equipas encaixaram-se de tal forma que o jogo não fluía. A bola passou mais tarde a ser disparada para a atmosfera do que no relvado. Foi uma coisa feia de se ver. Há que ver as coisas por outra perspetiva: nenhuma das equipas queria jogar bonito, ambas tinham mais receio de perder do que vontade de ganhar.

A sorte do jogo caiu, como sabemos, para o Amora. Um bacalhau de António Silva isolou acidentalmente Diego Raposo e o menino não desperdiçou. A vencer por um golo no jogo e com dois de vantagem na eliminatória graças à regra dos golos marcados fora de casa, o Maior da Margem Sul limitou-se a manietar o Braga.

Na memória de todos estava a brutal recuperação que os bracarenses protagonizaram na primeira mão, pelo que sofreu-se na Medideira naquela noite de Abril. Só quando o árbitro, acho que era o António Nobre, apitou para o final do jogo, a malta conseguiu por fim respirar.

E foi assim que o Amora carimbou o passaporte para a final do Jamor.

 

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Diego Raposo marcou o golo solitário que fez a diferença

 

Estar no Jamor é, por si só, um feito tremendo para um clube como o Amora. Ainda hoje sinto arrepios quando me lembro do ambiente na Medideira quando o árbitro terminou o jogo. Foi alegria pura. Êxtase coletivo. Só quem lá esteve pode compreender. Nem tenho vocabulário para o colocar por palavras.

Bem, foi este o percurso do Amora até à final da Taça de Portugal. Difícil, suado, extenuante, como vos disse. Mas deixemos a Prova Rainha por agora; prometo que voltaremos a esse assunto mais à frente.

Por agora quero falar-vos do campeonato, pois se acham que o nível do Amora estava a ser surpreedente nas Taças, não estão bem a ver o que estava a acontecer na Primeira Liga.

[Se quiserem saber mais sobre o percurso na Taça de Portugal e sobre este último jogo da segunda mão da Meia-Final, podem espreitar o Capítulo XXXIX - Uma final antecipada]

 

A Primeira Liga 2025/26

O Amora vinha de uma temporada de consolidação, ou como Frodo Zarco disse na altura: "criar raízes na Primeira Liga". Depois do 9º lugar, o objetivo passava por emular o percurso na Segunda Liga - como se recordarão, a primeira temporada por lá também foi complicada e saldou-se num 8º lugar, mas o crescimento permitiu que no ano seguinte o Maior da Margem Sul chegasse ao título e respetiva subida de divisão.

Não que ao 9º lugar do ano anterior o Amora pensasse agora em ser campeão. Não me entendam mal, ninguém na Medideira era assim tão megalómano. O objetivo era mais modesto e passava por ter um ano livre de sobressaltos, quem sabe até intrometer-se na luta pela Europa? Era plausível.

A primeira imagem, porém, esteve longe de gerar algum entusiasmo. O Amora começou a sua caminhada com uma deslocação ao Bessa e aos 32' perdia por claros 3-0. Perdia, não; era trucidado, sejamos justos na adjetivação. A equipa lá se reorganizou, mas não evitou uma derrota por 3-2.

Por vezes é necessário cair para aprendermos a levantar-nos, como dizem os meus netos, que certamente também foram buscar essa ideia algures, é impossível que aquelas cabeças ocas tenham inteligência para algo tão profundo - juro que amo os catraios, mas também tenho olhos na cara... Continuando, a miudagem deve ter aprendido qualquer coisa com aquela derrota pois o que se seguiu foi impressionante.

 

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O Amora respondeu à derrota inicial com um ciclo de seis jogos sem perder

 

Quatro vitórias e dois empates, treze golos marcados e apenas quatro sofridos, catorze pontos conquistados - foi este o saldo dos seis jogos que se seguiram ao trambolhão no Bessa. E em boa hora o Amora somou estes importantes pontos, pois na 8ª jornada recebeu o bicampeão nacional Sporting.

Foi um jogo marcante a vários níveis. Primeiro, porque foi o primeiro jogo contra um dos três grandes na nova Medideira. Segundo, porque seria o primeiro grande teste deste Amora depois da sequência de bons resultados que trazia há seis jogos. E terceiro, porque foi a primeira vitória do Maior da Margem Sul contra um dos três grandes para a Primeira Liga desde que o Amora derrotou o Porto num já distante 02 de Janeiro de 1983!

[Capítulo dedicado ao jogo, incluindo gifs desse e outros jogos deste período, e ainda um diálogo de Bilbo Himura com Frederico Varandas que podem espreitar em Capítulo XXXIII - O jogo de xadrez]

 

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Leonardo Brandão voltou a ser decisivo ao marcar os dois golos com que o Amora derrotou o bicampeão nacional...

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... resultado que capitalizava o bom arranque do Amora na Primeira Liga

 

Aqui que ninguém nos ouve, tenho de vos confessar que secretamente acreditava que o Amora iria surpreender nesta temporada. A segunda volta do ano anterior tinha deixado boas indicações, os meninos cresceram imenso e a nova vaga de miudagem que foi promovida tinha imenso talento. Não esperava era que a equipa do Frodo Zarco estivesse em 2º lugar à 8ª jornada - isso foi inesperado.

Discutiu-se muito na altura naqueles programas execráveis de debate futebolístico, em que está toda a gente aos berros e a insultar-se mutuamente, se o Amora era fogo de vista ou se estaria pronto para lutar pelos primeiros lugares. Claro que a opinião reinante era a primeira - os comentadores afetos aos estarolas olham sempre com condescendência para as outras equipas, como se estas não tivessem mérito nos seus feitos e fosse tudo coincidência ou acasos do destino.

Tiveram de engolir a sua presunção. O Amora continuou a jogar como equipa grande, disputando o resultado qualquer que fosse o adversário que tivesse pela frente ou o terreno em que atuasse. À vitória sobre o Sporting na Medideira seguiu-se outra em Braga. Pelo meio, o Amora obteve a vitória em Alvalade para a Taça da Liga de que já vos falei, e só não fez o pleno em jogos contra equipas grandes porque o Benfica bateu o pé à miudagem da Medideira.

Este jogo na Luz ainda hoje assombra as minhas recordações. O Amora foi superior durante a maior parte do tempo, desperdiçou boas ocasiões para desfazer o nulo, mas foi apanhado de surpresa num contra-ataque mortífero no período de descontos que deu a vitória ao Benfica.

Seja como for, essa derrota não apagou o percurso notável do Maior da Margem Sul na primeira volta. Os críticos tiveram de dar a mão à palmatória: o Amora não estava nos primeiros lugares por acaso e teria de ser levado em consideração.

[Ciclo de jogos e gifs de alguns lances em Capítulo XXXV - Ao ritmo do berimbau]

 

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Com quase todas as equipas com jogos em atraso, o Amora era 2º classificado à 17ª jornada

 

A boa campanha do Amora valorizou vários dos seus jogadores. Aos vários meninos que já eram habitualmente convocados para as seleções Sub21, como Odailson, Martim Watts ou Isaac Monteiro, outros começaram a merecer chamadas. Iuri Lourenço, jovem guarda-redes da equipa Sub23, foi chamado à seleção principal angolana. Dino Leão, Vítor Ferraz, Nélson Victor e Filipe Diogo estrearam-se a representar a seleção Sub21 portuguesa.

Mas o caso mais surpreendente acabou por ser o do guarda-redes Luiz Felipe. O titular da baliza do Amora, totalista na Primeira Liga, foi chamado pelo selecionador brasileiro Daniel Alves [sim, esse em que estão a pensar] para representar a canarinha e estreou-se no particular contra os Emirados Árabes Unidos.

Foram apenas 26' de jogo, mas para Luiz Felipe representou o cumprir de um sonho. Quem não imaginava em criança vestir um dia a camisola do seu país?

[Podem ler mais detalhadamente sobre este tema no capítulo que citei poucas linhas acima]

 

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Um exemplo de uma ronda de jogos internacionais em que vários elementos do Amora foram convocados

 

Mas não foram apenas os selecionadores nacionais a olhar com gula para os docinhos do Amora. A boa prestação de vários dos meninos começou a atrair observadores de várias equipas nacionais e internacionais. Se os rumores na imprensa valessem de alguma coisa, virtualmente todos os jogadores do plantel estavam com um pé fora da Medideira.

Mas dos rumores à realidade ainda vai um passo significativo. O mês de Janeiro, o mesmo é dizer o mês do mercado de transferências, passou sem mexidas no plantel. Bem, pelo menos a curto prazo, pois uma ficou desde logo garantida: Isaac Monteiro seria jogador do Barcelona a partir do Verão.

O interesse dos catalães no central era antigo. Observadores do Barcelona eram presença assídua na Medideira e o nome do menino era amiúde mencionado como fazendo parte da lista de compras do gigante espanhol. Em Janeiro de 2026, os rumores transformaram-se numa proposta real e concreta por valores absurdos para a realidade de um modesto clube como o Amora.

Bilbo Himura tentou resistir, Frodo Zarco insistiu na importância de preservar o menino. Mas quando um clube como o Barcelona bate à porta é difícil dizer-lhe "não". Isaac Monteiro não queria perder aquela oportunidade, quem saberia se o comboio passaria novamente?

Em boa verdade, Frodo Zarco também não queria cortar as pernas ao menino. O Projeto Oásis previa dar um futuro aos jovens que, de outra forma, dificilmente teriam oportunidades de vingar na vida. O Barcelona era um bom futuro para Isaac Monteiro. As partes chegaram a um acordo e ficou previsto que o menino deixaria o Amora apenas no Verão, completando a temporada na Medideira, em troco de 22,5 milhões de euros. Todos ficaram satisfeitos.

 

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A classificação à 24ª jornada

 

Fosse pela instabilidade provocada pelos rumores da imprensa, fosse pelo volume de jogos disputados nesta fase habitualmente caótica de Dezembro e Janeiro com três competições em simultâneo - foram onze jogos em quarenta dias, incluindo duas eliminatórias da Taça de Portugal e a Final Four da Taça da Liga -, ou talvez ambos os motivos em simultâneo, o Amora sofreu uma quebra exibicional e de resultados. Sporting e Porto afastaram-se, o Benfica ultrapassou o Amora e o Vitória aproximou-se na luta pelo 4º lugar.

[Detalho melhor os temas dos interesses de outros clubes, a venda de Isaac Monteiro e este ciclo de jogos em Capítulo XXXVI - A verdade no fundo do copo]

Não que fosse grave; havia muito campeonato para disputar e o título não era propriamente um objetivo. O Amora continuava bem posicionado na luta europeia e estava nas Meias-Finais da Taça de Portugal. Restava saber como os meninos reagiriam a este ciclo complicado de jogos, o qual tinha findado com a derrota frente ao Porto na final da Taça da Liga.

A resposta foi dada logo no jogo seguinte.

Poucos dias depois dessa malfadada final, o Amora recebeu o lanterna vermelha B SAD. Com vários dos habituais titulares em dificuldades físicas, Frodo Zarco foi a jogo com a maior parte dos jogadores mais novos, sem qualquer receio de os lançar e confiando na sua resposta.

A vitória foi alcançada graças ao primeiro golo profissional do prodígio Filipe Diogo, de que já vos falei. Num cenário que emulava os casos de Martim Watts e Jéferson, a estreia do menino a marcar fê-lo explodir definitivamente, catapultando-o a ele para uma segunda fase de temporada fulgurante, e ao Amora para uma sequência de jogos com resultados animadores - incluindo um empate no Dragão.

Feitas as contas, o Amora chegou à 31ª jornada em 5º lugar em igualdade pontual com o 4º classificado, o Vitória SC. Mais importante: o Amora garantiu o apuramento para as competições europeias pela primeira vez na sua centenária história quando ainda faltavam disputar três jogos.

[Este ciclo de jogos em maior detalhe, incluindo referências ao menino Filipe Diogo e o gif do seu primeiro golo (e mais alguns gifs interessantes) em Capítulo XXXVIII - Não deixar para amanhã o que pode ser feito hoje]

 

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Filipe Diogo revelou-se na segunda metade da temporada...

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... contribuindo ativamente para o Amora garantir o acesso às competições europeias

 

Faltavam três jogos para terminar a Primeira Liga. O objetivo principal de Frodo Zarco há muito havia sido atingido; a meio da temporada já o Amora estava mais do que seguro na Primeira Liga. O objetivo secundário e secreto, as competições europeias, também já estava assegurado. Por inerência, o Amora também já tinha garantido a melhor classificação de sempre na sua história.

Restava saber qual seria essa classificação final.

Tecnicamente, o Amora ainda podia, à 31ª jornada, ser campeão. As contas mostravam que era uma possibilidade - ínfima, quase semelhante à de acertar na chave do EuroMilhões, mas possível. Não que alguém acreditasse nisso; um cenário bastante mais plausível seria o 4º ou o 5º lugar. Nessa luta, o Maior da Margem Sul teria a oposição daquele que emergiu como a besta negra do Amora num passado recente: o Vitória SC, nesta altura treinado por Sérgio Conceição.

E como os deuses do futebol são matreiros, claro que a fechar o campeonato, mesmo na última jornada, Vitória SC e Amora defrontar-se-iam. Nem em jogos de computador coisas como esta são possíveis...

Para o Amora chegar a Guimarães no último dia em posição de conquistar a 4ª posição, teria claro de vencer os dois jogos que o antecediam. Tondela e Benfica eram os adversários do Maior da Margem Sul, o primeiro fora de casa, o segundo na Medideira. Não vos vou mentir: o Amora perdeu ambos os jogos. Nem vale a pena falar disso.

Felizmente para nós, o Vitória também não teve calendário fácil neste fase: recebeu o Braga e foi ao Dragão. Um empate no primeiro e uma derrota no segundo garantiu ao Vitória um ponto a mais do que os conquistados pelo Amora no mesmo período. Vitória e Amora jogariam na última jornada sabendo que quem vencesse terminaria em 4º lugar; o empate daria essa posição ao Vitória.

Foi assim sabendo que só a vitória importava que o Amora deu início à Operação Assalto ao Castelo [com capítulo dedicado em Capítulo XL - Assalto ao Castelo].

 

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Um Amora de luxo arrasou o Vitória na última jornada

 

Foi um dia mágico. Vinte e dois mil adeptos nas bancadas, um ambiente frenético como é habitual nos apaixonados vimaranenses, a presença de uma larga falange de apoio que partiu de manhã bem cedo desde a Margem Sul, e os meninos. Os meninos! Oh! Como os meninos se exibiram, o Vitória nem percebeu o que lhes acertou em cheio.

Joca marcou no seu último profissional a contar para o campeonato, Gabriel Capixaba fez o gosto ao pé depois de roubar a bola ao guarda-redes [a sério, vejam o gif no capítulo que referiu umas linhas acima] e o menino Filipe Diogo terminou a época a marcar, como que dando o mote para o próximo ano.

Tínhamos tantas contas a ajustar com o Vitória e fizemo-los pagar tudo com juros. Foi lindo.

 

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O Amora garantiu o 4º lugar num ano em que o Sporting tornou-se tricampeão nacional

 

Foi um ano praticamente perfeito. Os meninos tornaram-se homens, o Amora o quarto grande de Portugal. Que época gloriosa do nosso Amora!

Mas não havia tempo para festejar. Era tempo de trabalhar. Trabalhar muito. Afinal de contas, o jogo mais importante da centenária história do Amora Futebol Clube ainda estava por disputar.

 

A final da Taça de Portugal 2025/26

[O jogo mereceu dois capítulos com contextualização, curiosidades, descrições dos acontecimentos e gifs dos principais lances, os quais podem ver em Capítulo XLI - A festa do futebol e Capítulo XLII - Movidos a adrenalina]

Uma semana depois da vitória em Guimarães, o Amora entrava em campo para disputar a segunda final da temporada e também da sua história. A primeira, como vimos, saldou-se numa derrota no desempate por grandes penalidades face ao Futebol Clube do Porto, a contar para a Taça da Liga; o que reservaria esta em pleno Estádio Nacional do Jamor?

Eu sei, eu sei, vocês sabem qual foi o desfecho, estou a fazer suspense para nada. Mas têm de me perdoar; não consigo evitá-lo, sou mesmo assim...

O adversário do Amora foi o Penafiel. Não se iludam com o nome nem com o facto de os penafidelenses ainda nem sequer terem a manutenção garantida na Primeira Liga - vão disputar o playoff de manutenção. A verdade é que eliminaram o Futebol Clube do Porto e, a caminho da final, despacharam o mesmo Louletano que afastou o Benfica.

Chegaram com todo o mérito à final e o Amora não poderia menosprezá-los.

 

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O onze inicial de ambos os finalistas

 

Não que Frodo Zarco corresse o risco de subestimar alguém. O homem é obcecado e pensa demasiado, por aquela altura já devia conhecer melhor os jogadores do Penafiel do que eles próprios se conheciam a si. De certeza deve ter obrigado os seus meninos a conhecer de memória tudo o que o Penafiel fazia em campo.

O Amora entrou no Jamor com o seu onze de gala. Aparte a ausência forçada de António Silva, lesionado e substituído no centro da defesa pelo italiano Roberto Longo, e a habitual alteração de Luiz Felipe por Manuel Baldé na baliza em jogos da Taça, era o mesmo onze com que o Maior da Margem Sul entrava habitualmente em campo na fase final da temporada.

Como poderão ter notado, o onze incluía as presenças do lateral Tiago Louro e do médio Dino Leão. Os meninos conquistaram a posição a Lucas Silva e Martim Maia, assumindo-se como elementos preponderantes em todos os momentos do jogo.

Apesar de o Penafiel contar com nomes como o capitão Danilo Pereira, Plattenhardt ou Bruma, o Amora era claro favorito à partida para o jogo - tratava-se do 4º classificado contra o 16º da Primeira Liga. Foi o Maior da Margem Sul quem assumiu a responsabilidade do jogo e as estatísticas ao intervalo eram arrasadoras: sete remates do Amora contra nenhum do Penafiel.

O resultado, porém, não havia mudado.

Por vezes, o intervalo é um momento de mudança no rumo dos jogos. Quantas vezes não vimos uma equipa aparentemente moribunda reaparecer viva e de boa saúde? E outras que pareciam ter os seus jogos controlados apenas para os ver colapsar como um castelo de cartas?

Os primeiros segundos da segunda parte tiraram essas dúvidas. O Amora entrou a todo o ritmo e só por infelicidade de Leonardo Brandão não abriu o ativo. O goleador da Medideira, de resto, teve um jogo terrível: depois de desperdiçar uma boa oportunidade na primeira parte, começava a segunda metade com outro falhanço e não ficaria por aí, acabando substituído por Diego Raposo.

 

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Diego Raposo foi um dos grandes protagonistas da campanha do Amora na Taça de Portugal

 

O menino Diego Raposo fazia a sua primeira temporada completa pelo Amora. Embora tapado por Leonardo Brandão, o volume de jogos que o Amora disputou permitiu-lhe ser titular em diversas ocasiões, não sendo raro que fosse ainda lançado a partir do banco.

Com efeito, Diego Raposo, com 20 anos feitos um mês antes da final da Taça de Portugal, somava catorze golos na temporada, cinco dos quais na Prova Rainha, o que era um registo impressionante - e não esquecendo que alguns deles salvaram o Amora de eliminações precoces, como já vos contei anteriormente. O menino entrou e seria decisivo apesar de não ter feito o gosto ao pé.

O Amora continuou a pressionar, mas a bola não entrava. Gabriel Capixaba desperdiçou uma bola de baliza aberta quase à meia-hora da segunda parte; Diego Raposo cabeceou ligeiramente por cima pouco depois; Tiago Louro tentou marcar de livre direto já nos descontos, mas o nulo persistiu no final do tempo regulamentar.

 

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As estatísticas no final dos noventa minutos eram elucidativas quanto ao sentido do jogo

 

Apesar do domínio em campo, que era total, o Amora não marcava e foi-se avolumando uma certa tensão entre jogadores e adeptos. A cada lance desperdiçado, a ansiedade crescia. O efeito prático era um efeito bola de neve em que a ansiedade crescia porque a bola não entrava e a bola não entrava porque a ansiedade toldava o discernimento aos jogadores.

O cansaço físico de uma longa temporada começou a fazer-se sentir no prolongamento. Parecendo que não, o Amora disputava o seu 47º jogo - notavelmente, o Amora foi a única equipa em Portugal que disputou todos os jogos oficiais das competições nacionais, resultado de ter alcançado a final de ambas as Taças interna. Isso era um sinal muito positivo da excelência da temporada do Amora, porém, significava que a equipa estava fisicamente derreada.

O volume ofensivo do Amora esmoreceu um pouco, mas continuou a ser o Maior da Margem Sul a criar as ocasiões de golo. Joca, o capitão, falhou por pouco a baliza na marcação de um livre direto; Diego Raposo obrigou o guarda-redes adversário Pedro Silva a executar uma enorme intervenção a um seu cabeceamento; já na segunda parte do prolongamento, Martim Watts apareceu isolado à entrada da pequena área e rematou com toda a força que conseguiu reunir, atirando a bola para o meio do topo sul onde os adeptos do Amora desesperavam.

Sejamos honestos: depois desta sucessão de falhanços, já ninguém acreditava que a bola entrasse. Havia até quem, como eu, tremesse com medo que o Penafiel de repente fosse lá uma vez à frente e marcasse. Estão a ver, sou de uma geração em que se dizia que "quem não marca, sofre". E o Amora não marcava...

E, de repente, sem nada que o fizesse prever...

 

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"... Martim Maia joga curto no outro Martim [Watts]. Rodopia a 'unidade de potência' sobre o adversário, sai o Amora para mais um ataque, NÃO DE-SIS-TE o maior da Margem Sul! Olha Martim Watts com a bola! Progride em zona central, leva um adversário à ilharga, solta no menino Jéferson, combina de primeira com Diego Raposo, NÃO CON-SE-GUE fazer passar a bola... [nota-se a desilusão na voz do locutor seguida por um súbito entusiasmo]... mas sobrou para Joca! Olha Joca! Olha Joca! Joca! Joca!... Jooooooooca! [ouvem-se em fundo gritos de golo dos comentadores] Goooooooolo! Amora, Amora, Amoooooora! Gooooooooolo... [falha a voz ao narrador e ouvem-se em fundo os festejos dos adeptos no estádio]... Está feito! O capitão Joca coloca FI-NAL-MEN-TE o Amora em vantagem no Jamor!..."

Narração em direto do golo de Joca na final da Taça de Portugal por uma rádio regional da Margem Sul

 

E foi assim que o Amora chegou à vitória na Taça de Portugal. Ao décimo nono remate. Pelo pé direito do capitão Joca, no seu último jogo da carreira após vinte e sete anos a representar o Maior da Margem Sul.

Foi épico. Foi poético. Foi um momento que amorense algum jamais esquecerá. O momento mais alto dos cento e cinco anos de história do Amora Futebol Clube.

 

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Bilbo Himura e Frodo Zarco foram os grandes obreiros desta proeza. O treinador em especial; desde que pegou na equipa, a evolução e os resultados não mentem. Quiseram os deuses do futebol que a final da Taça de Portugal fosse precisamente o 200º da carreira de Frodo Zarco no Amora.

Os números falam por si.

 

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Os dados estatísticos de Frodo Zarco enquanto treinador do Amora [print tirado já depois do jogo, mas como foi postado no Capítulo XLI tive de ocultar a vitória na Taça]

 

O Projeto Oásis vai de vento em popa e apresenta resultados dentro e fora de campo. Os amorenses voltaram a ter orgulho e uniram-se no apoio ao clube da terra. Hoje, o Amora Futebol Clube é verdadeiramente o Maior da Margem Sul.

Chegámos ao fim do meu baú de memórias. Obrigado por me terem ouvido e espero que tenham ficado ansiosos por futuros desenvolvimentos do Frodo, do Bilbo e do nosso Amora.

Até onde chegará o Projeto Oásis?

Editado por Black Hawk
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A assumires a postura de 4ª maior força nacional e mostrares muito nível com o 4º lugar e esta vitória histórica na final da prova da Rainha. O crl da bola não queria entrar na baliza dos penafidelenses, mas água mole em pedra dura, tanto bate até que fura!

Venham novas aventuras na Margem Sul! 🙂 

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Citação de Biri Biri Jr, Em 08/10/2022 at 03:09:

Temos o quarto grande na margem sul. Assim como a taça. Parabéns, que o futebol praticado seja tão lindo como o estádio.

O estádio está brutal, não está?

É um projeto real, pena que provavelmente nunca vá ver a luz do dia.

Citação de Martini Branco, Em 08/10/2022 at 10:45:

A assumires a postura de 4ª maior força nacional e mostrares muito nível com o 4º lugar e esta vitória histórica na final da prova da Rainha. O crl da bola não queria entrar na baliza dos penafidelenses, mas água mole em pedra dura, tanto bate até que fura!

Venham novas aventuras na Margem Sul! 🙂 

A caminho!

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Capítulo XLIII - O voo de Ícaro

 

Não é fácil ser-se uma equipa de pequena ou média dimensão em Portugal. O futebol luso é em grande medida dominado por apenas três entidades desportivas que, como autênticos eucaliptos que sugam toda a água em seu redor, aglutinam em si a esmagadora preferência clubística dos dez a onze milhões de habitantes deste retângulo à beira-mar plantado. A diferença destes três grandes, como se convencionou designá-los, para os restantes comprova-se em vários aspetos: desde os recursos disponíveis à influência que exercem sobre entidades privadas e governamentais, passando pela absorção de quase todo o talento jovem que desponta em qualquer ponto do nosso país. Aos outros resta, muitas vezes, lutar pelo refugo que é deixado intocado.

Os efeitos práticos desta acentuada clivagem são evidentes no número de títulos conquistados - apenas dois campeonatos escaparam aos três grandes desde 1934 - e na habitual diferença pontual na classificação final da Primeira Liga. Ocasionalmente, uma ou outra equipa conseguem acertar com o plantel e exibir-se a um nível elevado, aproximando-se do patamar dos três grandes. Nessas ocasiões, porém, rapidamente são atacados pela rapinagem de clubes de outra dimensão que lhes desmontam o plantel vitorioso, não sendo incomum que a um brilharete se siga um ano calamitoso, voltando a cavar-se o fosso para os três estarolas.

Era um fenómeno frequente e que todos conheciam. Ninguém, porém, lhe havia dado um nome até Frodo Zarco ter surgido numa conferência de imprensa com a audácia de o fazer, apelidando-o como...

"O voo de Ícaro?!?"

Foi assim que um perplexo Bilbo Himura cumprimentou Frodo Zarco numa aleatória manhã de Julho de 2026. A equipa treinava no relvado principal da Medideira sob as ordens da equipa técnica de Frodo Zarco enquanto este supervisionava os exercícios em silêncio, algo afastado junto à linha lateral do bem tratado relvado. O treinador não tinha dado pela aproximação do amigo e sobressaltou-se ligeiramente.

"Ah? Ah! És tu", respondeu-lhe, rodando nos calcanhares para o encarar.

"<<Este ano estamos a sofrer os efeitos do nosso próprio sucesso>>", lia Bilbo Himura de um jornal que trazia na mão, citando as declarações de Frodo Zarco conforme foram impressas pelos jornalistas. "<<Os nossos meninos jogaram a um nível tão elevado que os tubarões vieram atacar-nos em força. É o drama habitual em clubes da dimensão do Amora. Tivemos o ano do voo de Ícaro e agora temos de refazer tudo de novo>>".

Bilbo Himura fixou os seus olhos nos de Frodo Zarco. Este não saberia dizer se ele estava zangado, divertido ou curioso. Após alguns segundos em silêncio, riram-se à gargalhada.

"Tu lembras-te de cada disparate", disse a esforço Bilbo Himura, ainda tentando recuperar o fôlego. "Que raio foi isto?"

"Tu não prestaste mesmo atenção nenhuma às aulas de História, pois não? O voo de Ícaro foi... Ícaro era..." Frodo Zarco engasgou-se com as palavras, tentando encontrar uma forma de o explicar. "Olha, Ícaro era filho de Dédalo. Eram os dois prisioneiros no labirinto de Creta até que Dédalo construiu umas asas, colando-as com cera quente, para poderem fugir do labirinto voando. Dédalo avisou Ícaro para não voar demasiado alto ou o sol derreteria a cera. Ícaro não lhe deu ouvidos e aproximou-se demasiado do sol. A cera derreteu e ele caiu no mar."

Bilbo Himura manteve-se em silêncio, assombrado.

"O que eu queria dizer é que por vezes alguns clubes, como o nosso Amora, descobrem uma forma de voar alto e fugir à mediania habitual do meio da tabela. Ao chegarmos demasiado alto, os nossos jogadores tornam-se alvos de clubes maiores. Ficamos sem eles, que eram a cera que nos fazia voar, e corremos o risco de vir em queda livre em direção ao mar."

"Oh valha-me... Oh Frodo... Dedica-te à bola", riu-se Bilbo Himura, divertido.

Fosse uma analogia certeira ou não, a verdade é que assim estava o Amora à partida para a temporada 2026/27. Depois de um ano memorável, com a conquista da Taça de Portugal, a presença na final da Taça da Liga e o quarto lugar na Primeira Liga - com isso garantindo uma inédita presença na Fase de Grupos da Liga Europa -, o Maior da Margem Sul foi atacado por todos os lados e viu o seu plantel ser rapinado.

 

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O plantel do Amora foi alvo de uma razia no Verão de 2026, perdendo vários dos seus mais influentes jogadores

 

Em boa verdade, o cenário não era difícil de prever. O Amora cresceu desmesuradamente nos cinco anos do Projeto Oásis, mas continuava a ser um clube pouco cotado na hierarquia do futebol português e europeu. As exibições de vários dos seus jogadores chamaram observadores de todos os cantos da Europa à Medideira e na imprensa surgiam todas as semanas novos rumores de interessados nas pérolas do Maior da Margem Sul.

Isaac Monteiro foi o primeiro a ter a sua saída confirmada. Ainda a temporada ia a meio quando o Barcelona apareceu com uma proposta irrecusável. Eram tantos os zeros que só um louco poderia dizer que não - já para não falar do menino que, convenhamos, entre Amora e Barcelona...

O Amora conseguiu evitar a sua saída em Janeiro, mas a transferência ficou desde logo acordada para o Verão.

Esse negócio deixou desde logo claro o que se seguiria mal a temporada terminasse. O Maior da Margem Sul venceu a Taça de Portugal com o golo de Joca, houve festa rija na Cidade de Amora durante vários dias, mas logo que a vida voltou à normalidade sucederam-se os emissários de vários clubes na Medideira para negociar a contratação dos diversos talentos do Amora.

Desta forma, Martim Unidade de Potência Watts e Leonardo Cavaleiro da Medideira Brandão foram atraídos pelo sonho de meninos de jogar na Premier League. Três anos e meio depois de se estrearem pela equipa principal do Amora, na altura dois meninos que nem pelos faciais tinham para compor uma barba, deixavam a sua casa em busca de honra, glória... e dinheiro, muito dinheiro.

Tiago Louro ficou mais próximo de casa. O lateral esquerdo era há muito desejado em Alvalade e, por fim, Frederico Varandas apresentou uma proposta formal pela sua contratação. Por princípio, Frodo Zarco não desejava que o menino saísse para outro clube português, mas a vontade do jogador em representar o tricampeão nacional acabou por convencê-lo.

Um caso muito diferente foi o de Luiz Felipe. O guardião titular chegou ao Amora depois de perder a titularidade na B SAD. Cumpridas duas temporadas na Medideira, durante as quais conquistou a sua primeira internacionalização pela seleção canarinha, o guarda-redes procurava um novo desafio e o Hoffenheim surgiu como um novo rumo à sua medida. Saiu por um valor inferior à importância que Frodo Zarco lhe atribuía, mas não teve coragem de se opor ao desejo de um dos mais humildes e trabalhadores elementos do seu plantel.

Juntando a estas cinco saídas o regresso de António Silva ao Benfica e a reforma do capitão Joca, o Amora perdia sete habituais titulares da notável equipa que maravilhou o país.

É verdade que, em troca, deram entrada nos cofres da Medideira uns inacreditáveis 96 milhões de euros, mas se a conta bancária do Maior da Margem Sul ficava reforçada, o cenário inverso acontecia com o seu plantel.

 

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Os dados estatísticos da temporada 2025/26

 

Os números não mentiam quanto à importância dos agora ex-jogadores do Amora.

Leonardo Brandão foi em simultâneo o elemento mais utilizado e o melhor marcador do Maior da Margem Sul, um farol sempre presente a servir de referência para os colegas na manobra ofensiva da equipa.

Tiago Louro e Isaac Monteiro estão entre os dez mais utilizados, ambos com trinta e quatro jogos disputados. Os números podem não impressionar - Tiago fez duas assistências e Isaac apenas um golo -, mas há coisas que os números não mostram: o lateral foi fulcral na manobra ofensiva da equipa, muitas vezes responsável por galgar metros com a bola até ao último terço do campo; o central foi o patrão da linha defensiva, responsável pelo bom desempenho defensivo do Amora.

Martim Watts também disputou trinta e quatro jogos, mas no seu caso os números são elucidativos quanto à influência da unidade de potência no jogo amorense, tendo contribuído com vários golos e assistências.

Luiz Felipe e António Silva passam algo despercebidos nas estatísticas por serem jogadores defensivos, mas as suas classificações médias demonstram o seu contributo positivo.

E claro, o capitão Joca. Já menos influente, com uma clara redução na produtividade em relação à temporada anterior, mas ainda assim entre os mais utilizados e com registos de respeito apesar da idade.

 

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O capitão Joca à data da sua retirada [não me esqueci @Lavrador]

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Uma vida a representar a equipa da terra

 

A ausência de Joca seria difícil de processar. Foram muitos anos com ele presente, uma cara que todos os amorenses se habituaram a ver entre a equipa. Mas tudo chega inexoravelmente ao fim, e a carreira de Joca não era excepção. Não que ele fosse desaparecer - certamente continuaria a ser voz ativa na comunidade e presença assídua nos jogos do seu Amora.

E quem sabe, talvez no futuro possa fazer parte da estrutura do Maior da Margem Sul, contribuindo com os seus conhecimentos para transmitir a mística do clube às gerações mais jovens.

Para terminar relativamente à última temporada, destacar:

- os números impressionantes de Gabriel Capixaba, elemento sempre influente do ataque a partir da ala direita surgindo em zonas de finalização, e do menino Diego Raposo, cujos números não enganam apesar de ter sido habitual suplente de Leonardo Brandão;

- a preponderância ofensiva do lateral direito Odailson, conseguindo seis assistências;

- a confirmação de Jéferson, que embora algo tapado por Gabriel Capixaba ainda contribuiu com vários golos e assistências;

- e o primeiro impacto de meninos como Vítor Ferraz, Filipe Diogo e João Carlos Miguel, mostrando que estão prontos a assumir as vagas deixadas pelos habituais titulares que agora saíram.

[No habitual spoiler no final do capítulo deixo prints e estatísticas dos meninos que nos deixaram, entre outras coisas]

 

O plantel principal do Amora Futebol Clube 2026/27

Entraram 96 milhões de euros nos cofres do Amora. Saíram dos cofres... zero euros. Com uma fé total no seu projeto desportivo, Frodo Zarco e Bilbo Himura optaram por promover a integração de jovens talentos para os lugares dos que saíram.

Desta forma, o plantel do Amora tornava-se de longe - de muito longe, até - o mais jovem da Primeira Liga.

 

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A idade média dos vinte e dois jogadores às ordens de Frodo Zarco era, ao início da temporada, apenas 22,47 anos de idade, sendo o mais velho o lateral Lucas Silva e o mais jovem o também lateral Rodrigo André.

Note-se ainda que Gabriel Capixaba continuava a ser o jogador mais bem pago do plantel, auferindo um salário semanal de 9,75 mil euros por semana - o que se traduzia, números redondos, num ordenado anual de 500 mil euros. Como era habitual, Bilbo Himura recompensava os seus jogadores com aumentos salariais a cada novo sucesso desportivo, dando o devido reconhecimento a quem apresenta resultados - como deveria ser a norma.

Não foi só ele; nos próximos prints poderão confirmar que vários foram os jogadores premiados com aumentos salariais - tenham em atenção que os ordenados que aparecem nos prints são anuais.

 

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Manuel Baldé é o herdeiro natural da baliza...

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... e o jovem Iuri Lourenço crescerá na sua sombra

 

A saída de Luiz Felipe configurou, claro, um golpe duro para os amorenses. O brasileiro foi um garante de segurança entre os postes do Amora e foi por várias vezes decisivo com intervenções de elevado quilate. Não foi por acaso que Daniel Alves, selecionador brasileiro, o convocou para a canarinha e que surgiu o Hoffenheim interessado no seu concurso.

No entanto, a baliza continuava bem entregue às mãos de Manuel Baldé. O guineense foi o guarda-redes que defendeu a baliza do Maior da Margem Sul nas bem sucedidas campanhas na Taça da Liga e na vitória da Taça de Portugal, o que atestava a sua qualidade.

Para a segunda vaga, Frodo Zarco decidiu manter o critério de promover um guarda-redes jovens e Iuri Lourenço foi o eleito. Já internacional pela seleção principal de Angola, o menino, que conquistou a titularidade no Belenenses no seu empréstimo na época anterior, demonstrava talento entre os postes e acrescentava ainda qualidade técnica que lhe permitia jogar bem com os pés - melhor do que Manuel Baldé, que nesse aspeto tremia um pouco.

A baliza do Amora estava bem entregue às duas panteras africanas, adivinhando-se, como era habitual, que dividissem entre si as responsabilidades entre jogos da Primeira Liga e das Taças.

 

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Roberto Longo parte como titular teórico para a nova temporada...

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... com o jovem Nélson Victor a espreitar a afirmação no onze...

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... tendo a concorrência do reforço espanhol Manuel Díaz...

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... e do jovem Raul Zovo que teria a sua primeira experiência na equipa principal

 

O centro da defesa foi o setor mais afetado pelas saídas. Isaac Monteiro e António Silva eram os titulares habituais na posição - pelo menos quano possível, pois ambos sofreram com lesões frequentes, em especial o último que acabou por fazer apenas vinte jogos na época anterior.

Nas suas ausências, Roberto Longo emergia como a natural primeira opção depois de uma primeira temporada na Medideira em que foi principalmente terceira opção. O italiano melhorou o seu português e integrou-se no plantel e estilo de vida lusitano, tendo sido uma solução de confiança sempre que foi chamado.

Era um central elegante, com boa técnica e velocidade, ao qual apenas se poderia apontar alguma falta de agressividade na disputa dos lances. Esperava-se que esta fosse a sua época de afirmação definitiva, de tal forma que a principal dúvida que residia era quem seria o seu parceiro no centro da defesa.

O primeiro nome que qualquer adepto soltaria era Nélson Victor. O menino de 19 anos cresceu na equipa principal durante a época passada e chegou a fazer dezanove jogos. Era considerado um miúdo-maravilha e constava habitualmente nas listas de jovens talentos aos quais prestar atenção. Não há um defeito que se lhe possa apontar; é bom em tudo o que é preciso num central. Contra ele jogava apenas o facto de ser um menino e ainda não ter a resistência natural para assumir a titularidade durante uma temporada inteira.

Talvez por isso, Frodo Zarco exigiu um central a Bilbo Himura e este trouxe o espanhol Manuel Díaz, cujo contrato com a Real Sociedad havia terminado. Jogador polivalente, que podia jogar ainda a lateral direito e no meio-campo, aparentava ser muito completo. Foi a única contratação fora do comum no âmbito do Projeto Oásis, um pouco na linha da de Roberto Longo: um jogador mais experiente para uma posição em que não havia jovens talentos para ocupar as vagas no imediato.

O único central que Frodo Zarco considerava pronto a ser promovido seria à partida a quarta opção para a posição: Raul Zovo. Num estádio de evolução claramente abaixo do de Nélson Victor, apesar de terem a mesma idade, demonstrou porém talento no seu empréstimo ao União de Santarém na época anterior, merecendo a integração na equipa principal do Amora.

 

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Odailson continuava a crescer na ala direita da defensiva do Amora...

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... e teria agora a concorrência do menino Rodrigo André

 

A lateral direita da defesa tem sido uma habitual dor de cabeça para Frodo Zarco. Durante as primeiras temporadas ao comando do Amora, o treinador testou muitas opções sem grande sucesso até que Odailson assumiu finalmente a titularidade.

Assim se esperava que continuasse a ser esta época. O internacional Sub21 francês, de ascendência brasileira, crescia visivelmente de época para época e a sua contribuição ofensiva a partir da ala direita era valiosa. Defensivamente ainda teria de melhorar, mas Frodo Zarco estava a tratar disso.

Para esta temporada, e depois de um ano em que Simão Rosete voltou a não convencer - e por isso saiu em definitivo, como já visto anteriormente -, Frodo Zarco apostou num menino de 17 anos chamado Rodrigo André. Anormalmente rápido para a idade e com técnica apurada, a rede de observadores do Amora aconselhou trazê-lo para o Amora independentemente dos custos... e Bilbo Himura seguiu o conselho, aproveitando que terminava contrato com o Salgueiros para o trazer para a Margem Sul.

Frodo Zarco observou-o durante a pré-temporada e não teve dúvidas em incluí-lo no plantel principal para ir crescendo.

 

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O sempre fiável Lucas Silva faria a sua sexta temporada pelo Amora...

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... e o menino Octávio Sousa procurava afirmar-se no plantel principal

 

Órfãos de Tiago Louro, que trocou a Medideira e a Margem Sul por Alvalade e Lisboa, a ala esquerda do Amora voltaria a estar entregue a Lucas Silva. Homem da casa, é um dos sobreviventes do primeiro treino dado por Frodo Zarco há cinco anos. Não é excepcional em nenhum aspeto, mas é bastante competente em todos eles - e numa equipa tão jovem, a sua experiência aliada a essa competência em todos os aspetos pode fazer a diferença.

Para a segunda vaga na posição, Frodo Zarco promoveu o jovem Octávio Sousa, outro jovem de 19 anos muito talentoso que fazia da sua velocidade um aspeto essencial do seu jogo.

 

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O internacional Sub21 Dino Leão já era uma certeza no Maior da Margem Sul...

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... tal como Martim Maia, esta temporada promovido a sub-capitão

 

O vértice mais recuado do meio-campo foi uma das três posições em que não houve mexidas. Dino Leão e Martim Maia continuariam a assegurar a cobertura aos centrais com a competência que lhes é reconhecida em momento defensivo, enquanto em momento ofensivo seriam responsáveis por oferecer constantemente uma linha de passe segura aos colegas fora de zonas de pressão.

De referir que Martim Maia era outro dos sobreviventes do primeiro treino dado por Frodo Zarco há cinco anos, tal como Lucas Silva. Cresceu imenso neste período e para a nova temporada seria o sub-capitão do Amora.

 

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Papou Mendes continuava na Medideira apesar do forte assédio de que foi alvo de outras equipas...

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... e começava a sentir a pressão do menino João Carlos Miguel

 

O meio-campo do Amora prevê um triângulo com um vértice recuado, que conforme visto é ocupado ora por Dino Leão, ora por Martim Maia. Nos vértices mais adiantados, um costuma ser mais criativo e joga próximo do avançado, enquanto o outro funciona como um médio todo-o-terreno, garantindo um alargado raio de ação com e sem bola.

Para esta última, Frodo Zarco continuaria a contar com Papou Mendes e João Carlos Miguel, dupla que se revezou a garantir a qualidade dessa função. Era a segunda de três posições em que não houve mexidas 

Papou Mendes foi uma das primeiras contratações do Projeto Oásis, já com a primeira temporada a decorrer, e a seu tempo conquistou a titularidade. Já João Carlos Miguel, partia agora para a sua segunda temporada na equipa principal, tendo deixado boas indicações na sua época de estreia.

 

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Vítor Ferraz teria a difícil tarefa de fazer esquecer Martim Watts...

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... enquanto Bernando Castanheira teria a sua primeira temporada às ordens de Frodo Zarco

 

O outro vértice, o de funções mais criativas, era a principal preocupação de todos os amorenses. A saída de Martim Watts foi um golpe duro. O menino não só era um dínamo naquela posição, sendo frequentemente comparado a João Moutinho, como começava a tornar-se cada vez mais incisivo na sua ação, contribuindo com mais golos e assistências. Deixava uma herança difícil para os que se lhe seguissem.

Vítor Ferraz partia para esta temporada como a opção principal para a posição. Cumprida a sua época de estreia, evoluindo na sombra de Martim Watts, o menino agora com 19 anos teria de assumir a titularidade. Se conseguiria dar a mesma qualidade e intensidade de jogo que a unidade de potência? Sejamos honestos: provavelmente não. Mas é um jovem talentoso, com técnica e qualidade de passe apurada, e a seu tempo talvez conquiste um estatuto semelhante ao de Martim Watts.

Já Bernardo Castanheira era outro jovem que despontou da Fábrica de Talentos da Medideira. Depois de um bem sucedido empréstimo ao União de Santarém na temporada anterior, em que marcou impressionantes onze golos, vinha para conquistar o seu espaço e convencer Frodo Zarco de que dispunha do talento para se assumir no plantel principal.

 

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O capitão Gabriel Capixaba faria a sua sétima temporada na Medideira...

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... com Jéferson a surgir cada vez mais como o seu sucessor natural

 

A ala direita do ataque do Amora era a terceira posição em que não houve mexidas: Gabriel Capixaba e Jéferson, ambos esquerdinos, continuavam a ser as opções para a posição.

De Gabriel Capixaba não há muito a acrescentar. Com a saída de Joca, tornava-se o jogador mais antigo do plantel - ia para a sua sexta temporada na Medideira e era o terceiro sobrevivente do primeiro treino de Frodo Zarco, tal como Lucas Silva e Martim Maia - e herdava também a braçadeira de capitão do Maior da Margem Sul.

Já o menino Jéferson continuava a ser uma opção da confiança de Frodo Zarco. A sua evolução poderia não ser muito perceptível, mas era uma garantia de golos e assistências, surgindo com facilidade em zonas de finalização e por isso sendo um dos melhores marcadores da equipa.

Com estes dois, Frodo Zarco estava descansado quanto à ala direita do seu ataque.

 

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Filipe Diogo herdou a camisola sete de Joca...

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... e Roberto Leal era uma jovem promessa à procura de conquistar o seu espaço

 

Já na ala esquerda, faltava Joca...

... e Filipe Diogo surgia como o seu sucessor natural, tendo inclusivamente herdado a sua camisola 7 [no print aparece o 18 porque quando o tirei ainda não tinha alterado a numeração dos jogadores]. Rápido com e sem bola, com uma qualidade técnica inacreditável, facilidade em fintas curtas e qualidade de passe assombrosa, era, tal como Nélson Victor, considerado um miúdo-maravilha destinado a grandes feitos no futebol mundial.

A acompanhá-lo na posição estava Roberto Leal, também ele com 19 anos embora num patamar bem inferior da sua evolução. O menino conquistou a sua promoção à equipa principal com as prestações de elevado quilate ao serviço dos Sub23 do Amora e a equipa técnica depositava enormes expetativas na sua evolução.

 

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Diego Raposo, o rato de área da Medideira...

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... e Théo Lameira, promovido para preencher a vaga deixada pela saída de Leonardo Brandão

 

Por fim, no ataque emergia Diego Raposo para a vaga deixada por Leonardo Brandão. O menino foi opção habitual em jogos das Taças na temporada anterior e a partir do banco em jogos da Primeira Liga, tendo impressionado pela velocidade e agressividade no ataque ao espaço, aspetos que lhe garantiram muitos golos.

Teria uma temporada difícil. Uma coisa é saltar do banco sem ter a pressão de corresponder em todos os jogos, outra é ter a pressão de fazer esquecer Leonardo Brandão sendo a principal referência ofensiva da equipa.

Théo Lameira, por outro lado, foi uma revelação na época anterior ao marcar sete golos e fazer seis assistências ao serviço do União de Santarém apesar da sua tenra idade, tendo feito com Bernardo Castanheira uma dupla temível na Liga 3. Não surpreendeu ninguém a sua promoção à equipa principal, até porque diversos clubes sondaram de imediato a possibilidade de o contratar em definitivo.

 

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O relatório do plantel que a equipa técnica preparou para Frodo Zarco alertava para as dúvidas quanto à profundidade conferida pelas segundas opções, maioritariamente jovens...

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... o que justificava as modestas ambições do Amora

 

Seria este o plantel principal do Amora para a temporada 2026/27. Uma temporada em que o Maior da Margem Sul disputaria muitos jogos devido à sua participação em quatro competições: Primeira Liga, Taça de Portugal, Taça da Liga e Liga Europa.

Se os meninos estavam preparados para a tarefa que tinham em mãos? Se calhar não. Muitos deles eram inexperientes e teriam de assumir responsabilidades acrescidas. Por mais talentosos que jogadores como Nélson Victor, Filipe Diogo, Diego Raposo ou Vítor Ferraz fossem, a verdade é que teriam de ser consistentes nas suas exibições - o que poderia ser problemático em jovens de 19 ou 20 anos a assumir a titularidade pela primeira vez nas suas carreiras.

Estas dúvidas apertavam também o coração de Bilbo Himura. O Battosai observava silenciosamente os exercícios da equipa no relvado da Medideira, apenas se ouvindo os apitos dos treinadores adjuntos e os gritos dos jogadores. Subitamente, Bilbo Himura quebrou a monotonia.

"Como é que Ícaro se salvou?"

"Hum?" Frodo Zarco foi apanhado desprevenido pela questão.

"O Ícaro, o da história. A cera derreteu e ele caiu no mar. Como é que ele se salvou?"

Frodo Zarco soltou uma gargalhada.

"Não sei como te hei de dizer isto...", começou por responder, perdido de riso.

"O quê?"

"Ícaro caiu no mar e morreu afogado, Bilbo. Não se salvou. Morreu."

Bilbo Himura olhou escandalizado para Frodo Zarco. A súbita percepção do significado da analogia entre o voo de Ícaro e o destino dos clubes que voam demasiado alto atingiu como um comboio.

"Frodo! Tu livra-te de deixar a equipa morrer! Olha que despeço-te!", ameaçou.

"Oh, sim. Ias despedir o treinador do ano?"

"Testa-me!"

 

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A prestação do Amora nas três competições internas foram suficientes para que Frodo Zarco fosse considerado o treinador português da temporada que terminou

 

O desafio que Frodo Zarco tinha em mãos era tremendo. O Amora teria um ano de renovação, uma revolução na equipa que obrigaria a dar vários passos atrás no trabalho que foi feito nos anos anteriores.

Mas era essa a essência do Projeto Oásis e a matriz deste novo Amora Futebol Clube. Apostar na formação e na sua juventude. Apostar nos jovens de hoje para transformá-los nas estrelas do amanhã.

Depois de um ano bem sucedido, o Amora teria agora pela frente o ano seguinte ao do Voo de Ícaro, em que tentaria não cair no oceano depois de ter voado demasiado alto.

E a verdade é que os meninos da Margem Sul não demorariam muito a ter de aprender a voar. A temporada estava a começar e o primeiro desafio iria ser um teste de fogo ao novo Amora.

 

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[Em spoiler, como habitual, prints, curiosidades e algumas considerações; incluo ainda uma espécie de memorial daqueles que nos deixaram, paz às suas almas]

 

Como deu para perceber, a história acabou de levar uma revolução. Vários dos principais nomes do save, personagens que mereceram o destaque de capítulos e a quem dei backstories, saíram. É improvável que regressem dado o valor deles.

Na verdade, não apresentei grande oposição às suas saídas. Isto pode parecer estúpido por tratarem-se de caricas virtuais e atributos numa página parecida a um ficheiro de Excel, mas ganhei carinho pela miudagem. Apostei neles quando eram uns trolhas, vi-os evoluir, vi-os conquistar a titularidade. De certa forma, sentia-me responsável por eles.

Neste momento já estavam num patamar que justificava darem o salto, muitos deles fizeram saber que queriam aceitar as propostas e deixei que seguissem as suas vidas. A única coisa que exigi foi a compensação justa pelas suas saídas; tirando o valor do Luiz Felipe, que não consegui subir mais do que aquilo, julgo que todas as vendas foram bem positivas.

De todos os que foram alvo de propostas, só houve dois jogadores que recusei que saíssem e por motivos distintos: o Papou Mendes porque não tinha alternativas prontas para a posição; e o Gabriel Capixaba porque já tinha perdido o Joca e não queria ficar sem os dois líderes do balneário em simultâneo.

Ah, e rejeitei uma proposta de 5 milhões pelo Dino Leão porque, convenhamos, por esse dinheiro nem as chuteiras do menino levavam.

Para terminar este ciclo, deixo a história dos sete que nos deixaram: o print dos atributos à chegada, o print dos atributos à saída e o histórico deles no Amora.

 

Luiz Felipe

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Luiz Felipe à chegada à Medideira em 2024...

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... e já no seu novo clube em 2026

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António Silva

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António Silva chegou emprestado pelo Benfica em 2024...

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... e saiu em 2026

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Isaac Monteiro

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O menino Isaac Monteiro foi recrutado para a equipa Sub23 em 2022...

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... saindo quatro anos depois feito um homem

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Tiago Louro

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Tal como Isaac Monteiro, Tiago Louro fez parte da fornada de 2022...

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... e sai para Alvalade quatro anos depois

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Martim Watts

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Também Martim Watts fez parte da geração de 2022...

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... saindo como um médio muito completo [vejam o ordenado anual que o menino vai ganhar!]

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Leonardo Brandão

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E o quarto elemento bem sucedida da geração de 2022 foi Leonardo Brandão...

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... que saiu para a Premier League pronto a conquistar o mundo do futebol

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Joca

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Já tinha falado de Joca no capítulo, mas queria também deixar a sua evolução; aqui em 2021...

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... aqui em 2026 no final da sua carreira

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Partindo para dados da nova temporada, terminámos a parceria com a União de Santarém. Foi proveitosa, mas queria um clube mais cotado e que jogasse num patamar mais elevado onde os meninos possam ser testados a sério

Encontrámos o parceiro ideal na Covilhã, equipa da Segunda Liga que assim vai acolher quatro jovens do Amora.

Podem não acreditar, mas demorei vários dias a analisar atributos e relatórios da equipa técnica sobre os jogadores para decidir quem integrava a equipa principal e quem ia para a Covilhã.

Acabei por optar pelos jogadores cujos prints apresentei no Capítulo e emprestei estes quatro, mas estarei atento às suas evoluções ao longo do ano - são os quatro jovens em quem deposito algumas esperanças.

 

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A nova parceria com o Covilhã...

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Resultou no empréstimo de quatro jovens talentos

 

Sobre a nova temporada, tenho algumas reservas sobre o que aí vem. Perdi sete habituais titulares de uma só vez. Tenho notado que a versão Mobile dá imensa importância à regularidade. Muitas alterações resultam frequentemente em quebras exibicionais e de resultados.

Por outro lado, a versão Mobile é inesperadamente realista na forma como reflete as dificuldades dos jovens em assumirem-se no futebol sénior. Por melhores atributos que tenham, demoram meses a começar a estabilizar e apresentar regularidade nas suas posições. Como a minha equipa é quase toda ela sub21, com miúdos a estrearem-se na equipa principal e outros a terem de assumir a titularidade no lugar dos que saíram... Estão a ver onde pretendo chegar.

Fiz alguns jogos de pré-temporada e estes comprovaram os meus receios. A equipa tanto foi brilhante como miserável. Vai demorar a estabilizar. Isto é quase um ano zero.

 

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O destaque desta pré-época foi o jogo contra o Sevilla. Quis fazer um jogo de nível Liga Europa para perceber onde estávamos nesse patamar. Não foi mau, batemo-nos bem contra o recordista de títulos da competição.

Vamos ver como corre.

Última nota sobre a equipa para os três regens que foram promovidos. Foram apenas três, nenhum me parece excepcional embora a equipa técnica adore o Aidos.

Vão rodar na equipa Sub23 esta época e no final veremos que evolução tiveram.

 

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Zé Luis Pires

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Armando Encarnação

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Miguel Aidos

 

Termino com duas curiosidades sobre os eventos do Mundial que ocorreu neste Verão. Portugal chegou à competição como Campeão do Mundo e chegou aos Quartos, onde foi eliminado pelo País de Gales.

Os galeses foram a surpresa da prova e chegaram às Meias. O sonho galês caiu aí às mãos da eventual campeã mundial, a Argentina.

 

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Claro que chegando ao evento como campeão mundial em título e falhando a revalidação com a eliminação nos Quartos, Jorge Costa foi despedido. Para o seu lugar...

Sabem que mais? Deixo apenas o print e não vou fazer nenhum comentário.

 

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Editado por Black Hawk
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Revolução completa no plantel, percebo que assim seja, são voo$ muito mais altos e não dá para lhes cortar as pernas. A decisão de ir pouco ao mercado e apostar na prata da casa poderá significar uma época de queda que, desde que não seja abrupta, deve ser considerada natural. Um pequeno passo atras para vir a dar dois a frente.

A nova fornada parece pouco promissora, mas olhando para os prints atuais e iniciais dos craques que vendeste dá para acreditar no futuro deles. Incrível as evoluções dos teus meninos, em especial o Isaac, o Louro e o Watts.  

O Nani.......................

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Citação de F. Mota, há 15 horas:

Revolução completa no plantel, percebo que assim seja, são voo$ muito mais altos e não dá para lhes cortar as pernas. A decisão de ir pouco ao mercado e apostar na prata da casa poderá significar uma época de queda que, desde que não seja abrupta, deve ser considerada natural. Um pequeno passo atras para vir a dar dois a frente.

A nova fornada parece pouco promissora, mas olhando para os prints atuais e iniciais dos craques que vendeste dá para acreditar no futuro deles. Incrível as evoluções dos teus meninos, em especial o Isaac, o Louro e o Watts.  

O Nani.......................

Por acaso, se houve coisa que aprendi nesta versão mobile é que os atributos vão e vêm com uma facilidade do carago. Especialmente em jovens, mas também em jogadores mais velhos. Por exemplo, o Joca em diferentes períodos teve variações no atributo Técnica entre os 9 e os 15. Porquê? Não sei ao certo. Mas há variações agressivas que se calhar na versão completa não acontecem.

Nos jovens, o que mais noto é que há habitualmente grandes evoluções nos índices físicos (velocidade, resistência e força), o que é realista, mas depois há sempre um ou dois atributos em que evoluem muito mais do que o esperado. No caso destes miúdos, quase todos evoluíram enormidades na movimentação, alguns no posicionamento. Não sei se terá a ver com os treinos posicionais, com as mentorias ou simplesmente se tinham um CA baixo e um bom PA...

De qualquer forma, estes casos foram sucessos num mar de insucessos. Há que ter em conta que em cinco épocas devo ter contratado... nem sei os números, mas uns 40 jovens para evoluírem? Uns poucos tiveram sucesso, a maioria acabei por despachar ao fim de dois anos ou assim.

Aliás, dos 14 ou 15 que contratei em 2022, safaram-se esses 4. Os outros já foram há algum tempo, não deram nada de jeito.

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As vendas têm de existir para investir noutras pérolas e infra-estruturas. O que me surpreende é o PSG não levar alguém. De resto tudo normal e alguns valores irrecusáveis.

Agora é preciso ter mesmo fé no projeto para não se ir buscar ninguém com outra qualidade. Vejo alguns jovens com muito potencial, mas o que poderá sentires mais falta é da liderança de Joca. Até mesmo para tutelar esses miúdos é preciso pessoal de outra craveira.

Os anos depois do sucesso e de uma razia de vendas são sempre complicados. Mas é o paradigma de um clube da dimensão do Amora. E a ascensão foi rápida. Também senti essas dores de crescimento no meu save. De ter dinheiro (Premier League é outro arroz) e de os jogadores não se quererem meter num clube com reputação tão baixa. Espero que te corra bem.

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Citação de Biri Biri Jr, há 12 horas:

As vendas têm de existir para investir noutras pérolas e infra-estruturas. O que me surpreende é o PSG não levar alguém. De resto tudo normal e alguns valores irrecusáveis.

Agora é preciso ter mesmo fé no projeto para não se ir buscar ninguém com outra qualidade. Vejo alguns jovens com muito potencial, mas o que poderá sentires mais falta é da liderança de Joca. Até mesmo para tutelar esses miúdos é preciso pessoal de outra craveira.

Os anos depois do sucesso e de uma razia de vendas são sempre complicados. Mas é o paradigma de um clube da dimensão do Amora. E a ascensão foi rápida. Também senti essas dores de crescimento no meu save. De ter dinheiro (Premier League é outro arroz) e de os jogadores não se quererem meter num clube com reputação tão baixa. Espero que te corra bem.

Nem de propósito, entretanto também aconteceu isto 😁

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Mas por essa quantia nem sequer abro a porta aos emissários.

Sobre a nova temporada, tem havido um padrão ao longo do save: ano de consolidação e crescimento, ano de resultados, ano de consolidação e crescimento, ano de resultados. Foi assim nos dois anos na Segunda Liga e nos dois na Primeira Liga.

Com a saída de tantos jogadores, se tivesse de arriscar diria que esta época vai ser outra de consolidação e crescimento. Muitas das novas figuras principais ainda precisam de evoluir um pouco e ganhar estabilidade, habitualmente isso leva a exibições menos exuberantes como aquela época em que fiz 19 ou 20 empates na Primeira Liga.

Mas o que estou mesmo muito curioso é para a resposta da miudagem à Liga Europa.

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Chama-se a tudo isto dores de crescimento! O clube cresceu imenso nestas épocas e chegou a um patamar alto, com a presença na final da Taça da Liga, com o 4º lugar no campeonato e com a vitória da Taça de Portugal no Jamor. Paralelamente, conseguiste apurar-te para a Liga Europa. Tinhas uma equipa jovem e cheia de talento... Os tubarões atacaram em força e levaram-te parte dos melhores jogadores que predispunhas... Felizmente tens excelentes camadas jovens e a receita do sucesso terá que ser a mesma de outrora, isto é, formar para vencer!

Falar também do final da carreira de Joca, o jogador mais histórico do clube nesta aventura 😉 Merece ficar na estrutura do mesmo!

A Supertaça embora pareça difícil, pode e vai cair para ti 😎

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Citação de Martini Branco, Em 14/10/2022 at 15:38:

Chama-se a tudo isto dores de crescimento! O clube cresceu imenso nestas épocas e chegou a um patamar alto, com a presença na final da Taça da Liga, com o 4º lugar no campeonato e com a vitória da Taça de Portugal no Jamor. Paralelamente, conseguiste apurar-te para a Liga Europa. Tinhas uma equipa jovem e cheia de talento... Os tubarões atacaram em força e levaram-te parte dos melhores jogadores que predispunhas... Felizmente tens excelentes camadas jovens e a receita do sucesso terá que ser a mesma de outrora, isto é, formar para vencer!

Falar também do final da carreira de Joca, o jogador mais histórico do clube nesta aventura 😉 Merece ficar na estrutura do mesmo!

A Supertaça embora pareça difícil, pode e vai cair para ti 😎

O Joca não foi integrado na equipa técnica porque não iria trazer nada de jeito.

A versão Mobile não dá atributos aos adjuntos, dá-lhes um grau de aptidão: mau, normal e natural. Enquanto o Léléco ao reformar-se passou a adjunto com aptidão normal e eu aproveitei, o Joca era mau na aptidão. Posso aproveitá-lo para a história futuramente, só não na equipa técnica por esse motivo.

Às vezes o rumo do save dá cenas fixes para a história (o Joca marcar o golo da vitória na final da Taça no seu último jogo foi fantástico, isto nem inventado poderia ter sido melhor). Nesta cena o jogo foi mauzinho, adorava tê-lo metido na equipa técnica.

Editado por Black Hawk

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Btw, só um aparte. Dediquei um capítulo ao capitão Mareta neste save. Ontem, no jogo da Taça de Portugal contra o Estoril, foi um dos antigos jogadores homenageados pelo clube.

Eis a lenda.

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Capítulo XLIV - De pedra e cal

 

"Estou em condições de garantir que não serei o próximo treinador do Sporting e que o meu futuro está de pedra e cal na Medideira."

 

Frodo Zarco procurava terminar de vez com a insistência dos jornalistas. O rumor circulava há alguns dias entre agentes ligados ao futebol português e ganhou tração ao extravasar para as redes sociais, gerando cliques e tornando-se assunto viral. Daí aos meios de comunicação lhe pegarem foi um pequeno passo.

Com a aproximação da data da Supertaça Cândido de Oliveira, disputada precisamente entre Amora e Sporting, não admirou ninguém que os jornalistas trouxessem perguntas preparadas para esmiuçar esse rumor até à exaustão.

"Fontes do nosso jornal garantem que estão em curso negociações entre o Frodo e o Sporting, confirma essas informações?"

"Não sei que fontes vos deram essa informação, mas a não ser que saibam algo que eu próprio não sei, não, não é verdade."

"O Sporting tem nos seus quadros o Tiago Louro, jogador lançado por si. Gostaria de o voltar a treinar?"

Frodo Zarco riu-se da originalidade da pergunta que, trocada por miúdos, era na verdade se pretendia treinar o Sporting.

"Gostaria imenso de voltar a poder contar com o Tiago nas minhas opções, é um grande jogador e os grandes jogadores são sempre bem-vindos, mas para isso acontecer terá de ser ele a voltar para o Amora."

"Respondeu anteriormente que não há negociações em curso. Se essa possibilidade surgir, estaria recetivo a mudar-se para Alvalade?"

Foi nessa altura que Frodo Zarco decidiu deixar de ser complacente com a situação e responder de forma clara e objetiva.

"Compreendo que tentar arrancar informações sobre estes rumores seja parte do vosso trabalho, mas não posso ser mais claro do que isto: faço parte de um projeto e tenciono levá-lo até ao fim. Tenho uma equipa cheia de jovens talentos escolhidos por mim, que contam comigo para os ajudar a vingar no futebol profissional e não os abandonarei. Estou em condições de garantir que não serei o próximo treinador do Sporting e que o meu futuro está de pedra e cal na Medideira."

Apesar da firmeza do seu discurso, apenas logrou atenuar a insistência dos jornalistas e dos rumores que continuavam a circular.

O Sporting vivia um dos melhores momentos da sua história depois de ser coroado tricampeão nacional, feito alcançado pelos leões pela primeira vez desde a década de 1950s. O estado de graça foi abalado em inícios de Julho de 2026 quando o treinador que guiou o clube de Alvalade a esse feito, Ronald Koeman, decidiu surpreendentemente terminar a sua carreira de treinador profissional aos 63 anos de idade.

 

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Ronald Koeman colocou um ponto final na sua carreira após os três títulos consecutivos ao comando do Sporting

 

A cadeira de treinador do Sporting era altamente desejada, como seria de esperar. Foram vários os nomes avançados como potenciais desejos de Frederico Varandas e Hugo Viana, responsáveis pelo futebol leonino; e, entre eles, surgiu o de Frodo Zarco.

Na verdade não era um cenário tão inverossímil quanto isso. O Amora tinha em curso o Projeto Oásis, uma aposta agressiva na formação e valorização dos jovens da Fábrica de Talentos da Medideira, que não era muito diferente do projeto desportivo implementado em Alvalade. O núcleo duro do plantel de Ronald Koeman era formado por diversos jogadores formados na Academia de Alcochete e todos os anos eram integrados mais jovens de imensa valia.

Feitos os paralelismos, Frodo Zarco surgia como um nome natural, já ambientado a um projeto desportivo semelhante. Como diria uma famosa personagem interpretada por Jim Carrey, encaixaria "like a glove" - como uma luva.

 

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O central Felipe Anderson Mannarino...

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... e o médio Robson Casimiro eram as duas novas pérolas da Academia de Alcochete

 

De qualquer forma, os rumores não passavam disso mesmo: rumores. Não houve contactos formais ou informais, negociações ou sequer sondagens. Mesmo que os tivesse havido, e com todo o respeito que tinha pelo Sporting, o cargo que Frodo Zarco ocupava no Maior da Margem Sul era a sua cadeira de sonho.

E ao contrário das cadeiras de sonho de outros treinadores do passado, esta seria para manter enquanto tivesse condições para isso - ou enquanto o Amora o quisesse.

 

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O Estádio Municipal de Leiria seria o palco da Supertaça Cândido de Oliveira

 

Sábado, dia 01 de Agosto de 2026. Milhares de famílias portuguesas usufruíam do seu primeiro dia oficial de férias. Filas de trânsito encheram as principais artérias rodoviárias com automóveis cheios de malas e bagagens, rumo aos seus destinos onde gozariam de um merecido mês de descanso depois de um ano de stress e labuta diária.

Mas isso não se aplicava a todos. Esse dia marcava o início oficial da temporada futebolística e os plantéis de Amora e Sporting entrariam em ação para o primeiro jogo oficial da temporada. A acompanhá-los nesse contraste, vinte e três mil pessoas afluíram a Leiria para assistir a uma final inédita da Supertaça - a primeira vez que o Amora a disputaria.

Não é por acaso que se costuma dizer que Leiria é uma terra de sportinguistas. Aparte uma falange de apoio de poucos milhares que saiu cedo da Margem Sul em autocarros fretados pelo Amora, a esmagadora maioria da assistência nas bancadas era afeta ao Sporting.

Não era um cenário inesperado, de todo. Clubes como o Amora há muito habituaram-se a estar em inferioridade numérica em jogos contra os três grandes. Deuses, até na Medideira era difícil ao Amora manter alguma superioridade nas bancadas, quanto mais em terreno supostamente neutro!

Assim, quando as equipas subiram ao terreno de jogo, os bem intencionados e apaixonados amorenses gritaram alto o seu apoio ao Maior da Margem Sul, mas foram engolidos pela massa humana que enchia de verde o Estádio Municipal de Leiria. O terreno podia ser tecnicamente neutro, mas na prática o Sporting jogava em casa.

 

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Um Amora algo incaracterístico enfrentava o tricampeão nacional Sporting

 

Pouco há a dizer sobre a equipa leonina. O Sporting é tricampeão nacional e apresentava um onze de luxo para a realidade do futebol nacional, repleto de jogadores internacionais pelas suas seleções e de inegável talento.

A atestar a semelhança com o projeto do Amora, o Sporting apresentava na equipa seis jogadores originários da sua Academia de Alcochete - Eduardo Quaresma, Felipe Anderson Mannarino, Nuno Mendes, Robson Casimiro, Kiko Félix e Tiago Tomás. A estes juntavam-se ainda outros dois que tinham estado ligados de alguma forma à mesma na fase final da sua formação - casos de Matheus Nunes e Jovane Cabral.

De realçar que os dois meninos de 18 anos de idade, Felipe Anderson Mannarino e Robson Casimiro, eram as duas novas jóias da coroa de Alvalade, tendo conquistado já a titularidade e os corações dos adeptos [deixei os prints de ambos acima neste Capítulo].

Do lado do Amora, o cenário era curiosamente semelhante. Na equipa titular estavam seis jovens que passaram pelos escalões de formação do Amora antes de darem o salto para a equipa principal - Odailson, Nélson Victor, Dino Leão, Vítor Ferraz, Filipe Diogo e Diego Raposo. Não tendo sido formados no Amora, mas tendo chegado à Medideira ainda jovens, Manuel Baldé e Papou Mendes ainda se consideravam como tendo sido formados, mesmo que por pouco tempo, no Amora.

A diferença - a grande diferença - entre as duas equipas residia no estádio de evolução dos seus meninos. Enquanto a maioria dos jovens leões já levavam anos na equipa principal e acumulavam alguma bagagem, os do Amora eram maioritariamente jovens a viver as suas primeiras experiências como figuras principais da equipa, estreando-se a lidar com a pressão inerente a esse estatuto nas suas jovens carreiras.

 

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Jéferson lesionou-se na semana que antecedeu a Supertaça e era baixa para o grande jogo

 

A partida principiou com um rugido de aprovação dos vinte e três mil adeptos sedentos de futebol depois de quase dois meses e meio de pausa.

O Sporting apropriou-se da bola desde o pontapé de saída. Mesmo sem treinador principal, o tricampeão nacional tinha uma matriz de jogo fluída adquirida durante o reinado de Ronald Koeman, pelo que não se notava a sua ausência.

O ascendente dos leões materializou-se na primeira ocasião de golo logo aos 8' quando a irrequieta dupla de ataque formada por Jovane Cabral e Tiago Tomás desfez a linha defensiva amorense. Uma tabela simples entre os dois deixou Tiago Tomás livre de marcação à entrada da área e o internacional português disparou na direção da baliza, valendo ao Amora a intervenção de Manuel Baldé a desviar a bola para a linha de fundo.

Estava dado o primeiro sinal daquilo a que vinha o Sporting.

Talvez sentindo o perigo, o Amora procurou esticar-se um pouco mais no terreno. Odailson levou a bola ao longo da linha, acabando por ser desarmado por Nuno Mendes já próximo da linha de fundo, ganhando um lançamento de linha lateral. Executou-o rapidamente, mas a precipitação fez o Amora perder a posse. Nuno Mendes nem hesitou: vendo a movimentação de Jovane Cabral, lançou a bola em profundidade.

Roberto Longo foi apanhado desprevenido. Quando percebeu o que estava a acontecer já Jovane Cabral ia disparado nas suas costas, subitamente isolado perante Manuel Baldé. O guarda-redes guineense saiu para fazer a mancha. Jovane ainda estava longe da baliza, mas isso não o demoveu de rematar.

A bola descreveu um arco que contornou Baldé e anichou-se nas redes junto ao ângulo superior da baliza do Amora. Estavam decorridos 11' e o Sporting marcava o primeiro golo da temporada. Jogadores e adeptos celebravam efusivamente, no que contrastava com a depressão que se abateu sobre a comitiva do Amora, que viu um lance ofensivo tornar-se num golo adversário.

Todos sabiam que o Sporting era mortífero nas transições, especialmente com as duas setas apontadas à baliza que eram Jovane e Tiago Tomás. Todos estavam alertados para essa característica leonina, mas era uma daquelas coisas que apesar de se saber que iam acontecer, evitá-las continuava a ser difícil.

Seja como for, o Maior da Margem Sul sofria um golo madrugador e estava em desvantagem em Leiria.

 

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Jovane Cabral fez o Amora pagar caro a desatenção da sua defesa

 

O tricampeão nacional ganhou confiança com o golo marcado e só por acaso não dilatou a vantagem logo a seguir. Kiko Félix assumiu a marcação de um livre direto em zona frontal e acertou em cheio no poste esquerdo da baliza à guarda da Manuel Baldé, cuja estirada não chegou sequer próximo da bola.

Talvez afetados pela supremacia do Sporting, talvez acusando a ausência de rotinas de um onze com sete alterações em relação à época anterior, o Amora não apareceu verdadeiramente em campo durante toda a primeira parte. Um remate de fora da área de Diego Raposo foi o único apontamento digno de registo nesse período, o qual foi desviado por Luiz Júnior sobre a barra da sua baliza.

O Maior da Margem Sul pareceu voltar dos balneários mais afoito e desta vez não demorou mais de três minutos a causar perigo. Uma boa combinação ofensiva envolvendo vários jogadores proporcionou o remate à entrada da área a Filipe Diogo, mas o herdeiro da camisola 7 de Joca atirou à figura de Luiz Júnior.

A resposta do Sporting voltou a ser mortífera. O lateral Jonny progrediu pela direita e cortou para dentro antes de fazer um passe a rasgar por entre Nélson Victor e Lucas Silva. Tiago Tomás surgiu como uma flecha, isolado, e fuzilou Manuel Baldé, alargando a vantagem no marcador.

Os leões festejaram efusivamente aquele golo, que parecia decidir a final. Já a bola estava colocada no círculo central do Estádio Municipal de Leiria quando o árbitro começou a encaminhar-se para a área do Amora, de mão no auricular. Os adeptos do Sporting assobiavam ruidosamente, mas isso não demoveu João Bento de desenhar um quadrado no ar e assinalar um fora-de-jogo.

O VAR salvava o Amora de ficar com uma montanha para escalar.

 

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O Amora deu sinais de vida aos 70' com uma cabeçada de Diego Raposo

 

O Sporting continuou por cima do jogo nos minutos seguintes, mas tardava em matar o jogo. Isso foi dando alguma força aos meninos de Frodo Zarco. Embora fosse notória alguma falta de fluidez e ligação entre os jogadores, o Amora ia tendo bola em zonas cada vez mais próximas da área do Sporting - e em contrapartida, os leões iam recuando no terreno de jogo.

Sinal disso mesmo, o primeiro lance de algum perigo do Amora surgiu por volta dos 70'. Um bom lance de envolvência coletiva, com a bola a circular de um flanco ao outro, resultou num cruzamento de Odailson que encontrou a cabeça de Diego Raposo. O remate saiu desenquadrado, mas serviu de alerta: o Amora ainda não estava morto.

Frodo Zarco mexeu na equipa e em especial no meio-campo: Vítor Ferraz e Papou Mendes, os dois vértices mais adiantados do triângulo central, deram os seus lugares a Martim Maia e Manuel Díaz. Eram dois médios de características defensivas, mas com boa técnica e qualidade de passe, precisamente o que estava a faltar ao Amora naquela fase do jogo. No ataque, Diegp Raposo, esgotado, saiu para proporcionar a Théo Lameira a hipótese de brilhar.

O tempo ia passando com o Amora a acercar-se da área do Sporting, sim, mas sem conseguir furar a bem organizada defensiva adversária. Isso não impedia que se criasse um clima de ansiedade. Um lance de bola parada ou de inspiração individual poderia causar danos e os adeptos do Sporting pareciam estar a presenti-lo.

Estavam decorridos 89' quando Filipe Diogo deu um esgar da qualidade técnica e visão de jogo que todos reconheciam no menino. Sem que nada o fizesse prever, até porque estava de costas para a baliza de Luiz Júnior, o herdeiro de Joca rodopiou sobre o adversário e fez um passe de ruptura no momento exato em que outro menino, o recém-entrado Théo Lameira, arrancou na profundidade.

Théo Lameira, com apenas 19 anos de idade, viu-se subitamente isolado. Descaído pela esquerda, bem dentro da grande área, ergueu os olhos para ver Luiz Júnior crescer sobre si. O guarda-redes do Sporting foi rápido a fazer a mancha e o menino hesitou em rematar. Ao invés disso, puxou a bola para o lado, tirando o guardião leonino do caminho.

O banco do Amora estava todo de pé e prestes a invadir o relvado quando Théo Lameira levantou o pé para encostar para a baliza.

 

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Théo Lameira foi o protagonista da melhor jogada do Amora em toda a partida

 

Alguns membros da comitiva do Amora caíram no relvado quando Felipe Anderson Mannarino, o miúdo-maravilha de 18 anos, surgiu do nada com um carrinho arrojado que tirou a bola da frente de Théo Lameira e o varreu no processo. Ainda se ouviram alguns ténues protestos na bancada onde os amorenses se concentravam, mas o desarme fora limpo.

O Amora poderia ter crescido com aquela oportunidade. É o tipo de lance que pode criar o ímpeto para cair em cima do adversário em busca do golo.

Do outro lado, porém, estava uma equipa habituada a ganhar e com experiência em momentos de elevada pressão. O Sporting soube meter gelo, queimar tempo e manter a bola longe da sua baliza, enervando os meninos da Medideira. O tempo de compensação esfumou-se à velocidade de um tiro e, quase sem se dar por isso, estava na hora de João Bento dar o último apito da partida.

O que fez logo de seguida, causando uma erupção de festejos um pouco por todo o estádio e em especial no relvado. O banco do Sporting invadiu-o e celebrava entusiasticamente o seu primeiro troféu da temporada.

Um título merecido, como Frodo Zarco admitiria na flash interview, a qual ocorreu depois de alguns minutos em que se dedicou a distribuir palavras de conforto pelos seus jogadores que se lamentavam, e em alguns casos choravam, perdidos em várias zonas do relvado, e reuniu-os para em conjunto irem agradecer aos incansáveis adeptos que nunca falharam no apoio ao longo do jogo.

 

 

Frodo Zarco foi franco na flash interview: a vitória do Sporting foi merecida e ao Amora faltou fluidez e ligação entre os jogadores, em especial no ataque. Mas elogiou os seus meninos. Foram aguerridos, nunca viraram a cara à luta e levaram as decisões do jogo até final.

"Uma derrota é sempre uma derrota e para a história ficará apenas o resultado", acrescentou Frodo Zarco para o microfone erguido à frente da sua cara, "mas ficaram coisas positivas a retirar deste jogo. É certo que faltou fluidez e ligação entre jogadores, em especial no momento ofensivo, mas isso é natural numa equipa que sofreu uma remodelação profunda nos últimos dois meses. Este é um novo ciclo e teremos de dar alguns passos atrás para treinar os fundamentos do jogo para construir uma nova equipa. Do que vi hoje, não tenho dúvidas que estamos de pedra e cal entre os grandes do futebol português e que vão ter de voltar a contar connosco."

O treinador do Amora não estava enganado.

 

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[como habitual, deixarei os prints destes jogos e uma descrição dos mesmos em spoiler no final do Capítulo, aos quais acrescentarei alguns gifs destes jogos]

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A Primeira Liga à 5ª jornada

 

A equipa era nova. Sete dos mais influentes jogadores saíram e muitos dos seus substitutos eram jovens que ainda procuravam afirmar-se na equipa. A idade média do plantel, que rondava os 22 anos de idade, provava isso mesmo.

Mesmo assim, o arranque da Primeira Liga mostrou que talvez o Amora estivesse no caminho certo. A temporada começou como terminou a anterior: derrotando o Vitória SC, que tem sido o principal rival do Amora nos últimos anos, e com Filipe Diogo a marcar o primeiro golo, ele que tinha marcado o último na 34ª jornada da época passada.

Essa vitória foi desde logo um bom sinal e nem nova derrota frente ao Sporting quebrou o ânimo do Maior da Margem Sul, que respondeu com mais duas vitórias e um empate para chegar ao final da 5ª jornada em lugares europeus.

A temporada seria longa e haveria muitos obstáculos para ultrapassar. A fibra da miudagem da Medideira seria testada de várias formas e em breve se saberia se este bom arranque era fogo de vista ou o primeiro sinal de que o Maior da Margem Sul estaria novamente firme na luta pelos primeiros lugares.

E a verdade é que essa dúvida poderia ter resposta muito em breve. Chegava a hora de o Amora estrear-se nas competições europeias e os deuses do futebol, talvez até eles ardendo de curiosidade, não foram nada meigos.

 

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Como deu para perceber, a estreia do Amora na Supertaça saldou-se numa derrota. Não tenho muito a acrescentar ao que escrevi no Capítulo, basicamente descrevi as ideias gerais com que fiquei: faltou-nos fluidez de processos, a circulação foi algo lenta, alguns dos meninos hesitaram em momentos que no ano passado com outros intérpretes teriam dado ocasiões de golo. Tudo normal numa equipa nova e com jogadores que não estão habituados a assumir o jogo desde o início, mas não fiquei totalmente insatisfeito com o que vi.

Defensivamente fomos coesos qb apesar de ser uma defesa em que apenas o Odailson se manteve do onze de gala do ano passado. O Vítor Ferraz esteve uns degraus abaixo do que o Martim Watts fazia no meio-campo, o que é normal nesta fase, e o Gabriel Capixaba esteve pouco em jogo, talvez por não estar a ligar tão bem com o Diego Raposo e o Filipe Diogo como fazia com o Leonardo Brandão e o Joca.

Em condições normais teria lançado o Jéferson na segunda parte no seu lugar, mas como se lesionou antes do jogo fiquei sem alternativas para a ala do ataque. Bem, tinha o Roberto Leal, mas não os tive no sítio estrear o menino num jogo destes, preferi manter o nosso novo capitão de equipa que pode sacar de um lance de magia a qualquer momento mesmo quando não parece inspirado. Não sacou.

Gostei da exibição do Filipe Diogo. Não fez nada de extraordinário, mas a relação dele com a bola é especial e aquela assistência para o Théo Lameira foi divinal. Deu sinais de poder vir a ser um jogador influente na criação de oportunidades e até na conclusão das mesmas quando começar a aparecer mais na área sem bola, algo que ainda não está a fazer com frequência. Há de aprender, espero eu.

Passando aos restantes jogos, os da Primeira Liga.

 

1ª jornada

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Relatório do jogo

 

A Primeira Liga da época passada tinha terminado com uma vitória 3-0 em Guimarães e quiseram os deuses do futebol que no sorteio enfrentássemos de novo o Vitória SC logo na 1ª jornada.

Tal como tinha terminado esse jogo, com um golo de Filipe Diogo, este começou da mesma forma.

 

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Foi um jogo de nervos, não por o Vitória SC ter causado muitos problemas à nossa defensiva - o relatório do jogo menciona precisamente que a nossa defesa permitiu poucas chances ao adversário -, mas porque tardámos a matar o jogo e a indecisão durou até final.

Uma penalidade nos descontos resolveu a questão e permitiu à Medideira não só respirar de alívio, como poder celebrar uma importante vitória sobre uma equipa que poderá vir a ser um adversário direto na luta pelos lugares europeus.

 

2ª jornada

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Relatório do jogo

 

Naquele que foi um início de temporada exigente, depois de Sporting na Supertaça e Vitória na 1ª jornada, seguiu-se uma ida a Alvalade.

Já lá ganhámos, mas estávamos num estádio de evolução mais adiantado do que aquele em que estamos agora. Fizemos um bom arranque e o Diego Raposo estreou-se a marcar nesta temporada ao concluir um bom lance de envolvimento do nosso ataque...

 

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... mas não estamos ao nível que habituámos os adeptos no último ano. Os dois meninos que mencionei no Capítulo, Felipe Anderson Mannarino e Robson Casimiro viraram o jogo, o primeiro numa cabeçada num canto, o segundo com um tiro de longe e uma penalidade na reta final que decidiu as contas.

Por esta altura, diga-se, eles já não estavam sem treinador.

 

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O Antoine Griezmann foi o escolhido por Frederico Varandas e Hugo Viana para suceder a Ronald Koeman, mais um caso caricato da saga a que chamei "pequenas pérolas da versão Mobile".

 

3ª jornada

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Relatório do jogo

 

Desenganem-se se acham que o nível baixou com a recepção ao Marítimo. Os madeirenses venceram os dois primeiros jogos e ainda não tinham golos sofridos quando vieram à Medideira perder com o Amora.

Sem Manuel Baldé, que se lesionou antes do jogo e falhou um par de jogos em que o Iuri Lourenço assegurou o seu lugar, Diego Raposo voltou a marcar em mais um bom lance ofensivo que dá a ideia de a equipa estar a ganhar rotinas e fluidez de jogo aos poucos.

 

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Este foi o segundo golo, antes disso o Roberto Longo foi à área num pontapé de canto abrir as contas à cabeçada. Fomos globalmente superiores e o Marítimo apenas surgiu em campo nos descontos. Depois disso ainda meteram a bola na nossa área duas vezes, mas a vitória não fugiu.

 

4ª jornada

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Relatório do jogo

 

O Paços de Ferreira é daquelas equipas que detesto enfrentar no seu terreno - estão numa lista negra que incluem nomes como Boavista, Vizela, Tondela, Estoril ou Nacional, equipas de meio da tabela que costumam ser anormalmente fortes nos seus terrenos sempre que o Amora lá vai.

Entrámos a perder com um golo do Mauro Icardi - que é o capitão do Paços de Ferreira em mais um episódio da saga "pequenas pérolas da versão Mobile".

Tivemos imensa dificuldade em superiorizarmo-nos, tanto que... não o conseguimos. O jogo foi repartido e disputado, tanto poderia ter caído para o segundo golo deles como para o nosso empate.

 

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Felizmente, o Diego Raposo garantiu que caiu para nós. Foi rato ao aproveitar o ressalto de um remate do menino Vítor Ferraz e assim sacámos um suado ponto na Mata Real.

 

5ª jornada

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Relatório do jogo

 

Por fim, a terminar este primeiro ciclo de jogos, recebemos o Portimonense e fizemos a melhor exibição da época até ao momento, curiosamente num jogo em que se rodou a maior parte da equipa.

O primeiro golo surgiu no final da primeira parte, numa altura em que o justificávamos claramente, e saiu do pé esquerdo do menino Bernardo Castanheira, nessa noite titular no lugar de Vítor Ferraz.

De referir que foi o primeiro golo dele pelo Amora, embora no empréstimo ao União de Santarém na época passada tenha marcado onze golos na Liga 3. É um médio ofensivo com apetência para marcar golos, a ver se não fica por aqui.

 

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O Jéferson marcou o segundo logo no início da segunda parte e o resto do jogo foi de gestão. O Portimonense nunca colocou a vitória em causa.

Com estes cinco jogos, o Amora ocupa, como puderam ver no Capítulo, a 5ª posição a apenas três pontos do líder Sporting, contra o qual já jogámos. Não poderia pedir muito mais do que isto nesta fase em que ainda estamos a construir a equipa.

E agora perguntam vocês: "porque é que o Frodo Zarco rodou a maior parte da equipa no último jogo contra o Portimonense?".

Ótima pergunta, fico satisfeito que o tenham feito. Ora, porque logo após esse jogo o Amora apanhou um avião no Aeroporto Humberto Delgado rumo ao nosso país vizinho para estrear-se na Liga Europa.

Matéria para o próximo Capítulo, o qual sairá nos próximos dias. Estejam atentos!

Editado por Black Hawk
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Supertaça normal, o Sporting teve o ascendente e chegou naturalmente ao golo. 1-0 no primeiro jogo oficial, com pouco entrosamento, contra o tricampeão, não dá vergonha nenhuma. E o arranque de temporada mostra isso mesmo, a miudagem não foi abaixo e a mensagem de que as coisas têm um projeto por trás e esse projeto tem pernas para andar passou: bela prestação no arranque do campeonato!

Grupo muito complicado de lutar seja com quem seja, mas ver jogos europeus na Medideira... nem nos sonhos mais fictícios da história.

Fizeste bem em recusar o Sporting porque para ires para uma equipa mais fraca não vale a pena 😎

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Ronald Koeman retirou-se e com isso, ficou vaga uma enorme cadeira a nível nacional: a do Sporting. Obviamente que iríamos ver Frodo Zarco associado ao cargo. É um grande treinador, está a fazer um trabalho brilhante na Medideira e era expectável que assim fosse. No entanto, ainda há mais a fazer pelo Amora e creio que isso vá acontecer.
Na Supertaça, defrontaram-se muito provavelmente aquelas que são as duas equipas que mais apostam na formação... o Sporting (tri-campeão e maior força nacional) e o Amora. Mais gente verde nas bancadas, mas nem assim o Amora se fez rogar...
Entraste mal no jogo e depois de um aviso aos oito minutos, Longo foi surpreendido nas suas costas e o Sporting inaugurou aos 10'... o que criou dificuldades! 
Ainda reagiste e aquele lance aos 89' podia ter-te dado uma nova vida... Infelizmente não deu! Cais, mas cais de pé. Nada mais havia a fazer!
No campeonato, começaste bem e palpita-me que continuarás forte e na luta pelos lugares europeus.

No sorteio europeu, tiveste azar. Mas para se ser bom, é preciso jogar contra os melhores. O resto é treta

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Apesar de ser aliciante quem tem dominado em Portugal nos últimos anos, o Amora é a tua casa. Tem o teu cunho pessoal. Seria sempre um risco dar esse salto. No Sporting tudo que não fosse limpar tudo seria uma desilusão. Já fizeram mais do que isso e há pouco tempo (tricampeão).

E a ideia do projeto é muito parecida à tua. Fizeste bem em ficar em casa. E pena a Supertaça mas os miúdos bateram-se bem. No campeonato está tudo em aberto, mas já jogaste contra o Sporting. Menos essa dor de cabeça.

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No geral não foi um mau arranque, ainda há um longo caminho e por isso até podes lutar pelo título. 

A supertaça foi pena mas notou-se que entraram na época com outro ritmo. 

Acho que podes dar bastante luta no grupo da Liga Europa

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Citação de F. Mota, Em 17/10/2022 at 11:01:

Supertaça normal, o Sporting teve o ascendente e chegou naturalmente ao golo. 1-0 no primeiro jogo oficial, com pouco entrosamento, contra o tricampeão, não dá vergonha nenhuma. E o arranque de temporada mostra isso mesmo, a miudagem não foi abaixo e a mensagem de que as coisas têm um projeto por trás e esse projeto tem pernas para andar passou: bela prestação no arranque do campeonato!

Grupo muito complicado de lutar seja com quem seja, mas ver jogos europeus na Medideira... nem nos sonhos mais fictícios da história.

Fizeste bem em recusar o Sporting porque para ires para uma equipa mais fraca não vale a pena 😎

 

Citação de Martini Branco, Em 17/10/2022 at 14:24:

Ronald Koeman retirou-se e com isso, ficou vaga uma enorme cadeira a nível nacional: a do Sporting. Obviamente que iríamos ver Frodo Zarco associado ao cargo. É um grande treinador, está a fazer um trabalho brilhante na Medideira e era expectável que assim fosse. No entanto, ainda há mais a fazer pelo Amora e creio que isso vá acontecer.
Na Supertaça, defrontaram-se muito provavelmente aquelas que são as duas equipas que mais apostam na formação... o Sporting (tri-campeão e maior força nacional) e o Amora. Mais gente verde nas bancadas, mas nem assim o Amora se fez rogar...
Entraste mal no jogo e depois de um aviso aos oito minutos, Longo foi surpreendido nas suas costas e o Sporting inaugurou aos 10'... o que criou dificuldades! 
Ainda reagiste e aquele lance aos 89' podia ter-te dado uma nova vida... Infelizmente não deu! Cais, mas cais de pé. Nada mais havia a fazer!
No campeonato, começaste bem e palpita-me que continuarás forte e na luta pelos lugares europeus.

No sorteio europeu, tiveste azar. Mas para se ser bom, é preciso jogar contra os melhores. O resto é treta

 

Citação de Biri Biri Jr, Em 17/10/2022 at 21:36:

Apesar de ser aliciante quem tem dominado em Portugal nos últimos anos, o Amora é a tua casa. Tem o teu cunho pessoal. Seria sempre um risco dar esse salto. No Sporting tudo que não fosse limpar tudo seria uma desilusão. Já fizeram mais do que isso e há pouco tempo (tricampeão).

E a ideia do projeto é muito parecida à tua. Fizeste bem em ficar em casa. E pena a Supertaça mas os miúdos bateram-se bem. No campeonato está tudo em aberto, mas já jogaste contra o Sporting. Menos essa dor de cabeça.

 

Citação de Banks29, Em 18/10/2022 at 10:49:

No geral não foi um mau arranque, ainda há um longo caminho e por isso até podes lutar pelo título. 

A supertaça foi pena mas notou-se que entraram na época com outro ritmo. 

Acho que podes dar bastante luta no grupo da Liga Europa

Respondendo a todos em simultâneo, até porque comentaram na mesma linha de ideias, claro que não trocaria o Amora por qualquer outra equipa e espero mesmo dar luta na Liga Europa. As fronteiras no Mobile são um pouco mais esbatidas, é mais comum ver equipas fortes a levar porrada de equipas mais modestas.

Aliás, espanta-me como os três grandes têm sido tão regulares neste save, do que fui vendo noutros é habitual equipas de topo terem anos muito maus, aqui ainda não aconteceu.

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Capítulo XLV - Flamenco e castanholas

 

Inseriu a mão direita na tômbola e rodou as bolas que a preenchiam. Deu algumas voltas antes de agarrar uma bola, tirando-a com gestos algo teatrais. Rodou as duas metades para revelar o papel oculto no seu interior, desdobrou-o e um sorriso de orelha a orelha iluminou-lhe a face.

Ergueu o papel para revelar ao mundo o nome que lá estava mencionado.

 

"Amora FC."

 

Bilbo Himura foi o convidado de honra para o sorteio fas Fases de Grupo da Liga dos Campeões, da Liga Europa e da Liga Conferência. Ainda sorria quando repetiu todo o procedimento para retirar nova bola, desta vez a que continha os grupos aos quais o Maior da Margem Sul poderia calhar em sorte. O sorriso desvaneceu-se tão depressa quanto tinha surgido.

Com um esgar que só poderia significar "estamos lixados", virou o papel para a plateia enquanto anunciava com voz grave: "Group F."

A memória do sorteio da Fase de Grupos da Liga Europa aflorou à memória de Frodo Zarco nos minutos finais daquele primeiro jogo na competição.

 

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Sevilla, Napoli e Hajduk eram os integrantes do grupo do Amora na Liga Europa

 

Muito se escreveu sobre o resultado do sorteio do Amora. Havia um consenso mais ou menos generalizado sobre como este havia sido adverso. Sevilla e Napoli eram prováveis candidatos à vitória na competição, donos de plantéis com vários jogadores de qualidade e experiência na alta roda do futebol europeu.

"É um grupo de nível Liga dos Campeões", diria Frodo Zarco quando questionado pelos jornalistas na primeira conferência de imprensa após o sorteio.

E não era exagero algum. O Sevilla era "apenas" o recordista de títulos da competição com nada menos do que seis Ligas Europas no palmarés; o Napoli podia não ter uma sala de troféus tão recheada, mas o clube onde brilhou Diego Maradona era presença habitual na Liga dos Campeões e tinha experiência nas andanças europeias.

Amora e Hajduk, da Croácia, surgiam neste grupo como os bombos da festa, opinião que era partilhada pela imprensa e, diga-se, com uma lógica impossível de contrariar - os números e a história eram arrebatadores.

 

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O belíssimo Ramón Sánchez-Pizjuán seria o palco da primeira vez do Amora nas competições europeias

 

O Amora jogaria lá fora, em Espanha, mas nem por isso estaria sozinho. Um multidão de centenas de amorenses fez uma esquadra de honra à saída do autocarro do Complexo Municipal da Medideira rumo ao aeroporto, relembrando a equipa que não estaria sozinha. Levavam com eles os sonhos e as esperanças de toda a Margem Sul, a qual estaria a sofrer e a apoiá-los à distância.

Dentro de campo seriam onze, mas com a força de meio milhão de pessoas - ou daqueles que entre esses quinhentos mil se sentissem representados pelo Maior da Margem Sul.

E se os jogadores se esquecessem desse apoio, a subida ao relvado trouxe uma boa surpresa: lá no alto, num dos cantos do Ramón Sánchez-Pizjuán, uma ruidosa mancha azul de algumas dezenas de adeptos manifestava-se, misturando gritos de apoio com batidas de tambor, gerando sorrisos entre a comitiva amorense.

 

"A-MO-RA!

Bum! Bum! Bum!

A-MO-RA!

Bum! Bum! Bum!"

 

Frodo Zarco fez questão de alargar o seu percurso até ao banco de suplentes para passar o mais próximo possível deles. Acenou-lhes com um sorriso e eles responderam gritando o seu nome.

Não o surpreendeu que alguns malucos ali estivessem. Recordou-se por momentos de quando certa vez, era ele um miúdo, o seu grupo de amigos decidiu ir apoiar o Amora numa deslocação ao Alto Alentejo. Eram nove ou dez e só tinham um Fiat Uno, mas nem isso os demoveu - encavalitaram-se como puderam no banco de trás e fizeram os 300 quilómetros de ida e volta em posição incómoda, sim, mas cheios de motivação.

Uma viagem atribulada que lhe valeu umas quantas nódoas negras. Não da viagem em si, bem entendido, mas da pancada que apanhou quando chegou a casa onde os seus desesperados pais, que não sabiam onde andava o menino Frodo, lhe distribuíram - educação à moda dos anos 90 [se tiverem curiosidade, mais sobre essa história em Capítulo V - Espírito Azul, parte 1].

A recordação fê-lo sorrir e quase o distraía do cenário no resto do estádio. Embora faltassem ainda alguns minutos para o início do jogo, o Ramón Sánchez-Pizjuán estava anormalmente despido. Fosse por ser uma quinta-feira ou por o adversário ser uma equipa desconhecida que não motivou os habitualmente fanáticos adeptos sevilhanos a irem à bola, os mais de 40 mil lugares estavam maioritariamente despidos - estariam uns dez mil?, talvez chegasse aos quinze mil?

 

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O Amora repetia o onze da final da Supertaça Cândido de Oliveira, disputada há mês e meio

 

As equipas já haviam entrado em campo e tinham sido cumpridas as habituais formalidades pré-jogo, com a apresentação da equipa ao som do hino da Liga Europa e a escolha de campo e bola por parte dos capitães de equipa. Diego Raposo aguardou pelo apito inicial do árbitro e mal este soou, fez um passe curto para Vítor Ferraz.

O Amora estreava-se oficialmente nas competições europeias.

Os primeiros minutos revelou um Sevilla mais impetuoso. Nem um minuto estava decorrido e os da casa já tinham ganho o primeiro pontapé de canto da partida. A equipa treinada pelo neerlandês Erik ten Hag tinha qualidade a rodos no onze e essa seria a sua responsabilidade perante uma modesta e anónima equipa do Amora.

Não se tratava de exagero. No Sevilla pontuavam nomes como os goleadores Rafa Mir e Youssef En-Nesyri, figuras maiores de uma equipa onde também atuavam os bem conhecidos Marcos Acuna - nesse dia suplente -, Gonçalo Inácio e Dário Essugo. Havia uma boa mistura de experiência com juventude às mãos de ten Hag, treinador conceituado que trocara há muito o Ajax pela Andaluzia [notem que isto é o FM Mobile 2022, o ten Hag aqui nunca foi para o Man Utd].

Do lado do Amora, também havia muita juventude, mas nenhuma experiência. Do onze inicial, apenas Roberto Longo já tinha disputado partidas das competições europeias, ainda no tempo em que integrava o plantel da AS Roma de José Mourinho. Mas mesmo esse poucos jogos fez e a maioria deles como suplente utilizado. O Amora ia à descoberta.

Não que Frodo Zarco estivesse preocupado. Jogavam sem pressão como equipa da qual nada se esperava. A maioria dos analistas julgava que o Amora iria ser trucidado por Sevilla e Napoli, e talvez até pelo Hajduk. Qualquer que fosse o resultado final, apenas havia margem para surpreender e foi essa a mensagem que procurou passar aos seus meninos: joguem sem pressão, divirtam-se em campo, aproveitem esta oportunidade pois não é todos os dias que um Amora chega a estes palcos.

Além disso, se o Amora era já capaz de ir a Alvalade, à Luz ou ao Dragão disputar os jogos de igual para igual e com alguma regularidade sair de lá com pontos, por que raio não poderia ser capaz de o fazer em Sevilla?

 

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O central Gonçalo Inácio era uma das estrelas do Sevilla...

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... na companhia do médio Dário Essugo

 

Os primeiros quatro minutos passaram com o Sevilla a ter maior domínio territorial, mas ainda numa fase muito indefinida do jogo em que as equipas pareciam estar a estudar-se.

Analisava Frodo Zarco o posicionamento do meio-campo do Sevilla quando Lucas Silva arrancou em velocidade pela esquerda, livrando-se da marcação de Idrissi. O lateral do Amora, um dos homens da casa já a cumprir a sua sexta temporada na Medideira, ganhou a linha de fundo e cruzou para a área.

O cruzamento procurava Diego Raposo, mas saiu com pouca altura e Diego Carlos, central sevilhano, afastou facilmente de cabeça. Papou Mendes foi mais lesto do que a concorrência e aproximou-se da bola antes dos demais.

Frodo Zarco ordenava-lhe mentalmente para jogar no apoio de Vítor Ferraz, que surgia ao seu lado livre de marcação. Fez um esgar de desaprovação quando o número 8 decidiu rematar de primeira, de fora da área, apesar de o Sevilla ter diversos jogadores plantados no interior da sua área.

De alguma forma, a bola atravessou a floresta de pernas, apanhando de surpresa Marko Dmitrovic. O guarda-redes seguiu a bola com os olhos, já que nada poderia fazer para a bloquear.

O treinador do Amora só acreditou no que os seus olhos viam quando os elementos do seu banco passaram por si a correr por ambos os lados, invadindo o campo em puro êxtase. Abriu a boca, estupefacto, com o golaço que o seu menino acabara de marcar.

Se dúvidas havia sobre a estaleca da sua miudagem, a resposta fora dada: aos 6' de jogo, o Amora vencia no Ramón Sánchez-Pizjuán.

 

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Uma obra de arte de Papou Mendes abria o ativo em Sevilla

 

A pequena, embora diligente, claque do Amora ouvia-se claramente em Sevilla. Os adeptos da casa estavam atónitos com o que viam e a equipa em campo não parecia menos surpreendida com a audácia do Amora, que jogava de peito aberto e dividia a posse de bola naquele primeiro quarto de hora do jogo.

Havia um espírito de entreajuda assinalável na equipa. Onde a bola estivesse, o Amora parecia sempre em superioridade numérica. Não era propriamente novidade no Maior da Margem Sul; desde o início desta aventura que se revelava um conjunto competitivo, muitas vezes compensando a diferença de talento individual com solidariedade em campo.

O Sevilla era uma equipa à Erik ten Hag. O conjunto sevilhano procurava construir desde trás em combinações e com futebol apoiado, mas perante a pressão exercida pelos azuis da Margem Sul viu-se muitas vezes obrigado a despejar a bola diretamente na frente. A dupla de centrais azul, Roberto Longo e Nélson Victor, agradecia, impondo-se no jogo aéreo e dando início a novo período de posse do Amora.

Um bom exemplo disso surgiu pelos 16'. A defesa da casa foi obrigada a aliviar a bola por ação da pressão de Diego Raposo. Roberto Longo antecipou-se ao marroquino En-Nesyri e deu de cabeça em Papou Mendes, que recebeu a bola livre de marcação para audível insatisfação dos adeptos da equipa da casa.

Outro bom exemplo da atuação do Amora foi a rápida transição que se seguiu. O luso-guineense do Amora saiu a jogar e encontrou Filipe Diogo entrelinhas já no último terço do terreno, o qual tinha fletido para o interior do terreno a partir da esquerda. O menino deu no apoio frontal de Diego Raposo já à entrada da meia lua da área adversária.

Frodo Zarco via com agrado a movimentação dos seus jogadores tal como era treinada diariamente: Gabriel Capixaba, nas costas de Diego Raposo, procurou surgir sorrateiramente em zonas de finalização, aproveitando a ruptura da linha defensiva do Sevilla; Filipe Diogo dava apoio atrasado a Diego Raposo, uma linha segura de passe à qual o rato de área amorense poderia recorrer.

Não que o menino precisasse de apoio. Perante o okhar embevecido de Frodo Zarco, rodopiou sobre o adversário, enquadrou a bola para o seu pé preferido e disparou de esquerda, cruzado. Não foi colocado, mas foi violento.

Desta vez Frodo Zarco foi o primeiro a invadir o relvado, erguendo um punho cerrado no ar enquanto saltava como uma criança. O silêncio sepulcral no Ramón Sánchez-Pizjuán só era quebrado pelos gritos dos jogadores e da mini-claque azul do outro lado do estádio.

Ninguém do lado do Sevilla acreditava no que estava a ver.

 

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Diego Raposo alargou a vantagem num assertivo ataque do Amora

 

Subitamente a perder por duas bolas em casa frente a um adversário que esperava vencer facilmente, o Sevilla subiu as suas linhas. O Amora, porém, vestiu o seu melhor fato-macaco e preparou-se para se suar, sujar e lutar.

A bola não foi nada bem tratada no que restava da primeira parte e o tempo foi passando, só se dando conta de o intervalo estar a chegar quando o quarto-árbitro subiu a placa que indicava dois minutos de compensação.

O Sevilla lançou uma última vaga para tentar reduzir o marcador antes do apito do árbitro. O lateral direito e capitão sevilhano, Montiel, progrediu com a bola ao longo da linha lateral, passando mesmo à frente de um exuberante Frodo Zarco que batia com um punho cerrado na palma da outra mão, sinal de que pretendia pressão sobre o portador da bola. Diogo Filipe fez-lhe a vontade e Lucas Silva chegou logo depois.

Perante a oposição de dois adversários, Montiel atrasou em Diego Carlos, e este foi rapidamente pressionado por Diego Raposo, sendo obrigado a dar no colega de setor, Gonçalo Inácio, a quem Gabriel Capixaba de imediato assediou. A pressão do Amora surtia efeito e obrigou o jovem formado pelo Sporting a despachar a bola para a frente. En-Nesyri ganhou nas alturas a Nélson Victor, mas em falta, segundo o árbitro.

Frodo Zarco suspirou de alívio. O Amora recuperava a bola e o jogo chegaria ao intervalo com uma vantagem de dois golos - bastaria não perder a posse até ao apito do árbitro. Virou costas ao jogo e foi ao banco de suplentes recolher o bloco de notas em que tirara apontamentos durante a primeira parte, certo de que nada de mais aconteceria.

O súbito frisson no estádio fê-lo rodar a cabeça. O próprio Nélson Victor que sofrera a falta também marcou o livre e a bola chegara de alguma forma à área do Sevilla enquanto ele estivera distraído. Gabriel Capixaba apareceu com espaço na marca de penalidade só com o guarda-redes pela frente - foi nesse momento que Frodo Zarco percebeu onde estava a bola.

Não teve tempo sequer de reagir; apenas de ver o capitão Gabriel Capixaba rematar para o poste direito, fora do alcance de Dmitrovic. As redes abanaram com convição ao embate da bola.

O bloco de notas foi atirado ao ar e folhas soltas esvoaçaram livremente em todas as direções. O seu dono, o que o atirara ao ar, corria desempestado sem rumo pelo relvado, aos ziguezagues. Mal parado, foi placado por um dos seus jogadores suplentes, caindo ambos no relvado.

Uma ensurdecedora assobiadela coletiva dos adeptos da casa ofereceu a banda sonora aos festejos do Amora no relvado e nas bancadas. Incrivelmente, o Amora chegava ao terceiro golo no Ramón Sánchez-Pizjuán ainda antes do intervalo, um cenário inimaginável antes do pontapé de saída.

 

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Gabriel Capixaba deu contornos de escândalo ao resultado ao apontar o terceiro golo do Amora

 

Um ofegante Frodo Zarco foi visto a recolher as folhas soltas do seu bloco de notas que estavam espalhadas pelo relvado enquanto o árbitro apitava para o intervalo.

O ambiente que encontrou no balneário era de euforia - nem outra coisa seria de esperar. O treinador procurou colocar-lhe um travão, alertando para os perigos de se considerar o jogo ganho. Estava, porém, mais receoso do que os seus jogadores. A segunda parte retomou com os seus meninos a pressionar com o dobro da vontade, claramente motivados com o seu desempenho até ali.

Isso não impediu Rafa Mir de reduzir a diferença no resultado durante o segundo tempo, animando os adeptos sevilhanos que voltaram à carga no apoio à sua equipa. Foi um momento de tensão; Frodo Zarco sabia que uma vantagem de dois golos é enganadora, bastando um golo sofrido para dar um rising rush a quem o marca e fazer tremer quem subitamente vê a sua vantagem em risco.

Mas o cronómetro foi avançando sem alterações. Os seus meninos iam mostrando-se à altura dos acontecimentos, retirando ímpeto ao adversário com inteligência e metendo gelo no jogo com circulação de bola lenta destinada a adormecer os andaluzes. O próprio Sevilla pareceu ir desistindo progressivamente à medida que o final da partida se aproximava.

Olhou para o ecrã gigante do estádio. Apontava 85' de jogo. O símbolo do Amora aparecia quase reluzente ao lado do número três, a quantidade de golos que marcara nessa noite. No relvado, Dino Leão, Papou Mendes, Nélson Victor e Roberto Longo trocavam a bola entre si com Rafa Mir a correr atrás dela, no que mais parecia um jogo de rabia como o que ele tantas vezes jogara com Bilbo Himura nas ruas da Cruz de Pau, na Cidade de Amora, quando eram dois meninos.

A recordação fê-lo lembrar-se do esgar preocupado que Bilbo Himura havia feito quando tirou a bola que colocava o Amora no Grupo F da Liga Europa, onde já estavam sorteados Sevilla e Napoli. Sorriu. Nem conseguia imaginar o estado de espírito em que estaria o seu amigo.

Afinal, aquele grupo da morte não era impossível. O Amora estava ali e tinha uma palavra a dizer nas contas do apuramento.

 

 

Quando foi revelado o grupo do Amora, os jornalistas consideraram que Sevilla e Napoli eram de outro patamar e que restaria a Amora e Hajduk lutarem entre si pelo lugar de repescagem para a Liga Conferência. Não fora descabido - Frodo Zarco pensou o mesmo.

No entanto, o resultado obtido em Sevilla alterava por completo as contas do grupo. O Amora fazia três pontos onde não era expectável que tal acontecesse. Mais, fê-lo com distinção, vencendo claramente um adversário que era apenas um dos favoritos a conquistar a competição.

E se o grupo parecia virado do avesso com a vitória do Amora, as notícias que chegavam de Nápoles apenas contribuíram para o tornar ainda mais surreal.

 

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Amora e Hajduk espantaram a Europa com duas vitórias inesperadas

 

Era apenas o primeiro jogo e muita água haveria de correr por debaixo desse moinho que é a Liga Europa, mas algo já ninguém retiraria ao Amora: na sua estreia nas competições europeias, na casa do recordista de títulos na competição, o Maior da Margem Sul causou impacto e deixou uma ótima primeira impressão.

Os seus meninos celebraram numa roda de alegria após o apito final do árbitro, juntando-se ao canto do estádio onde os adeptos cantavam "A-MO-RA!" com os tambores com os seus "Bum! Bum! Bum!" a apurar o ritmo dos cânticos.

Nessa noite não houve flamenco nem castanholas; aquela noite ficaria registada a letras douradas nos compêndios de glórias do futebol português e daí a muitos, muitos anos, um velhinho Frodo Zarco ainda falaria com olhos brilhantes da noite em que vergou o Sevilla.

 

*****

 

Caraaaai 🔥🔥🔥

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Grupo duríssimo, com a presença dos andaluzes (que são só o clube mais titulado da competição) e o Nápoles (uma das habituais equipas mais traiçoeiras na Europa). Mas a realidade é que se queres fazer parte da elite dos melhores clubes, tens que defrontá-los. Isso é evidente!

Que excelentíssima entrada no jogo e aos 16 minutos já os adeptos dançavam ao tom do maior da Margem Sul! Não foste em "sevilhanas" nem no diabo a quatro. Dividiste sempre o jogo e mostraste argumentos pressionando alto e dificultando a saída de bola dos comandados por Ten Hag. A segunda metade da primeira parte não foi tão agradável, ainda assim aumentaste para 0x3 em cima do apito para intervalo... INCRÍVEL!!!!

Na segunda parte foi gerir! Excelente vitória de estreia e teremos, com certeza, um Amora a lutar pela passagem à próxima fase.

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Grupo complicado mas entraste com uma bela vitória, que as tropas continuem assim animadas

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