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Black Hawk

[FM Mobile 2022] Um oásis no deserto da Margem Sul

Publicações recomendadas

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Introdução

 

Catorze anos haviam passado desde as infames declarações de Mário Lino. Há catorze anos, o então ministro das Obras Públicas opôs-se ferozmente à construção de um aeroporto na Margem Sul do Tejo, referindo que na mesma "não há gente, não há escolas, não há hotéis, não há cidades, não há comércio" e que "seria necessário deslocar milhões de pessoas" para lá pois "um aeroporto não se faz num deserto".

"Catorze anos", refletiu Frodo Zarco, remexendo-se na cadeira, incomodado. Catorze anos e ainda se sentia incomodado com aquelas afirmações. Não tanto como na altura; não, catorze anos foi tempo suficiente para a raiva atenuar e diluir-se numa leve irritação. Ou teria essa raiva sido recalcada?

Não que importasse muito, agora. Catorze anos tinham passado e Frodo Zarco ainda se sentia incomodado.

Aparte a tecnicalidade de ter nascido em Lisboa, na Maternidade Alfredo da Costa como quase todos os recém-nascidos da região da sua geração, Frodo Zarco considerava-se nascido e criado na Margem Sul. Enquanto criança, jogara às escondidas e à apanhada nas ruelas da Cruz de Pau, dando os primeiros pontapés na bola em parques de estacionamento, os joelhos constantemente esfolados das quedas no alcatrão ou de tirar bolas presas debaixo dos carros estacionados. Frequentara a Escola Paulo da Gama, fugindo dos professores para jogar à bola no recreio. Dera o primeiro beijo e outras primeiras vezes às escondidas no circuito do Parque do Serrado, apanhara as primeiras bebedeiras durante concertos na Festa do Avante ou no ambiente eletrizante do Hacienda Klub e passara tardes no convívio com amigos no areal das praias da Fonte da Telha até o sol começar a declinar na linha do horizonte, desenhando longas fileiras alaranjadas na superfície pacífica do oceano.

Era um dos filhos da Margem Sul. Aí dera os primeiros passos. Aí conhecera o amor da sua vida. Aí construíra uma família. Aí firmara amizades para a vida.

Uma dessas amizades era Bilbo. Bilbo Himura. Esse mesmo em que estão a pensar. Conheceram-se enquanto miúdos, cresceram juntos e começaram a jogar à bola nas camadas jovens do Amora Futebol Clube. Claro que enquanto Frodo Zarco nunca chegou a ser mais do que um jogador mediano que passou sem particular brilho por vários clubes nacionais, Bilbo Himura rapidamente deu nas vistas e cresceu para tornar-se num dos melhores jogadores portugueses de sempre, o globalmente idolatrado "Battosai", como ficaria conhecido. Apesar da distância provocada pela epopeia de Bilbo Himura por equipas de Inglaterra, Itália, Alemanha e Espanha, mantiveram sempre o contacto próximo e a amizade que sempre os ligou.

O mesmo não se poderá dizer de muitos dos restantes amigos de ambos.

A Margem Sul viveu um crescimento desmedido durante a infância de Frodo Zarco. Foi nas margens da baía do Seixal que milhares de famílias encontraram um refúgio para lutar por melhores condições de vida, vindas de lugares tão díspares como regiões do interior do país, antigas colónias ou até imigrantes que procuravam em Portugal as perspetivas de futuro que não encontravam nos seus países. O mercado imobiliário fervilhava com novos prédios e bairros inteiros a crescer espontaneamente como cogumelos, movimentando grandes quantidades de dinheiro que serviam para alimentar os clubes da Margem Sul, os quais viviam por esta altura autênticas épocas de ouro nas suas existências.

O círculo de amigos de Frodo Zarco e Bilbo Himura refletia este cenário na perfeição. Nas escola, no futebol ou nas ruas, fizeram amizade com outros como eles - filhos de humildes trabalhadores da classe operária -, mas também com crianças cujos pais vinham das antigas colónias, de origem étnica africana, brasileira ou até de leste europeu.

E que regalo era vê-los a jogar à bola até serem altas horas da noite, enquanto os seus pais conviviam animadamente nas esplanadas, discutindo as habilidades do Balakov, os golos do Jardel ou a seca de títulos que atormentava os sportinguistas naquela década de 90.

Estas recordações eram invariavelmente revisitadas todos os verões quando Frodo Zarco e Bilbo Himura passavam férias juntos com as respetivas famílias. E, a cada ano, davam-se conta que a lista de amigos desses tempos diminuía à medida que tomavam conhecimento de mais um que se tinha perdido.

Frodo Zarco foi um dos afortunados que não se perdeu. Embora com dificuldades, os seus pais construíram uma vida relativamente estável dentro do que se convencionou chamar "classe média"; o que significa que embora sem luxo, teve a base familiar e económica para investir na sua formação escolar e académica, formando-se na área do desporto e conciliando os estudos com a carreira no futebol.

Muitos dos seus amigos, porém, não tiveram essa sorte. Oriundos de famílias de classes sociais mais desfavorecidas, muitas delas de bairros sociais ou que viviam em condições precárias, viam-se desde cedo obrigados a abandonar a escola, quer para ajudar a sustentar as suas famílias, quer pela nefasta influência de amigos mais velhos que os desencaminhavam com promessas de dinheiro fácil por outros meios.

E assim, a cada ano que passava, tomavam conhecimentos de mais casos de amigos que, muitas vezes vítimas das circunstâncias, das más companhias e do próprio meio social que os pressionava a seguir por caminhos menos recomendáveis, se tinham perdido para a criminalidade, os vícios ou, no extremo, haviam perdido a vida.

A cada nova notícia destas, Frodo Zarco recordava-se deles, outrora jovens cheios de vida, com jeito para a bola ou capacidades atléticas para outras modalidades, e lamentava-se pela falta de oportunidades que tiveram na sua vida. Sabia que noutro contexto mais favorável, esses jovens poderiam ter sido alguém, ter tido uma vida condigna, uma família, um futuro.

A muitos deles faltou apenas isso: um propósito para lutar pelo seu futuro e os afastasse das ruas e de caminhos duvidosos. Uma esperança de futuro que os levasse a evitar os caminhos tortuosos da criminalidade, muitas vezes a única alternativa que estes jovens encontravam para conseguirem um meio de sair da pobreza a que os seus pais se viram votados.

Frodo Zarco bateu a várias portas para obter apoios de forma a implementar as suas ideias: promover o desporto enquanto meio para tirar estes jovens das ruas e do ócio que tão facilmente os levava por maus caminhos. Infelizmente, porém, foi nesse período que o mercado imobiliário começou a implodir e, com ele, a grande quantidade de dinheiro que alimentava os vários clubes da Margem Sul. Clubes como o Amora atravessavam extremas dificuldades financeiras que ameaçaram a sua própria existência, enquanto outros como o Seixal simplesmente fecharam portas.

Ironicamente, Mário Lino tivera de certa forma razão no que dissera há catorze anos: não na falta de gente ou de escolas; mas, de facto, a Margem Sul tornara-se um deserto no que a oportunidades para estes jovens mais carenciados, no geral, e no desporto, em particular, dizia respeito.

Até que apareceu Bilbo Himura.

O seu velho amigo partilhava da sua visão e, tal como ele, ansiava por ajudar a dar aos seus um futuro mais risonho. O desporto como salvação de uma geração. E uma ideia germinou.

Naquele dia, Frodo Zarco sentava-se ao lado de Bilbo Himura na conferência de imprensa em que este anunciava ao mundo a compra do Amora Futebol Clube, perante uma multidão entusiasmada de populares e de atarefados jornalistas que recolhiam avidamente as declarações daquela estrela global.

Enquanto Bilbo Himura explicava que o seu objetivo seria investir não na equipa sénior, mas em infraestruturas desportivas para várias modalidades dedicadas à formação de jovens talentos com o objetivo de tirar os jovens das ruas, Frodo Zarco sonhava com as vidas que poderiam ajudar a mudar.

Já não iriam a tempo de ajudar os seus velhos amigos, mas poderiam ajudar toda uma nova geração de jovens, dando-lhes a formação apropriada, tanto desportiva como escolar, para construírem as bases de um futuro promissor.

Tirá-los da rua, das más companhias e de opções que os levariam à desgraça. E, quem sabe, se fossem realmente bons e trabalhassem por isso, tornarem-se atletas profissionais de excelência como o ídolo Bilbo Himura.

Dar-lhes um futuro, uma perspetiva viável e realista de poderem ser alguém, um motivo para lutarem diariamente. Uma esperança e um rumo.

Fazer do Amora Futebol Clube um oásis no deserto da Margem Sul.

* infelizmente baseado em factos verídicos...

** infelizmente, também, a parte de ser baseada em factos verídicos não é a do bem sucedido Bilbo Himura... 🙂

 

Objetivos do save:

- Convencer a direção do Amora Futebol Clube a investir fortemente nas infraestruturas de formação e de treino.

- Desenvolver o velhinho Estádio da Medideira para condições mais condignas para os padrões do século XXI (não faço ideia se isto é viável na versão Mobile do jogo).

- Apostar fortemente (embora não exclusivamente) em jovens jogadores, preferencialmente formados no clube ou contratados a custo zero até um máximo de 18 anos de idade (simulando assim que são jovens locais recrutados para a academia do clube).

- Não cortar as pernas a nenhum jogador; se o objetivo é dar um futuro aos jovens, quando e se quiserem sair para equipas mais fortes, essa alternativa ser-lhes-á facultada.

- Ser campeão nacional com uma equipa composta maioritariamente por jogadores formados no clube.

 

Notas:

- Embora o objetivo seja apostar na formação, poder-se-á ocasionalmente contratar jogadores que não se enquadrem nesse perfil, embora apenas se a formação não conseguir colmatar lacunas do plantel.

- O save na versão mobile parece ter uma limitação de 30 anos, pelo que esse é o limite para alcançar o objetivo derradeiro de alcançar o título.

- O FM Mobile parece ser uma versão Lite até dos Championship Manager de há vinte anos, pelo que sou capaz de ter de tomar algumas liberdades criativas “offgame” para criar a história.

 

Capítulos

 

- Primeira Temporada - 2021/22

Capítulo I - Frodo Zarco

Capítulo II - O capitão Joca

Capítulo III - O matador renascido

Capítulo IV - O Estádio da Medideira

Capítulo V - Espírito Azul, parte 1

Capítulo V - Espírito Azul, parte 2

Capítulo VI - Uma torrada e um galão

 

- Segunda Temporada - 2022/23

Capítulo VII - A revelação de Bilbo

Capítulo VIII - Memorial da Medideira

Capítulo IX - É tudo contra o Amora

Capítulo X - O afroastro

Capítulo XI - Rivalidades revisitadas

Capítulo XII - A guitarrada nostálgica

Capítulo XIII - Dores de crescimento

 

- Terceira Temporada - 2023/24

Capítulo XIV - O filho pródigo

Capítulo XV - Gabriel, o capixaba

Capítulo XVI - O próximo passo

Capítulo XVII - Unidade de Potência

Capítulo XVIII - O quarto grande

Capítulo XIX - O centésimo jogo

Capítulo XX - O capitão Mareta

Capítulo XXI - Um último livre

 

- Quarta Temporada - 2024/25

Capítulo XXII - Um oásis no deserto da Margem Sul

Capítulo XXIII - O viveiro das trutas

Capítulo XXIV - O lago dos tubarões

Capítulo XXV - O mundo sabe que...

Capítulo XXVI - O Cavaleiro da Bola Redonda

Capítulo XXVII - A Luz do farol

Capítulo XXVIII - O avançado móvel

Capítulo XXIX - Sinais de terra

Capítulo XXX - O fim de um ciclo

 

- Quinta Temporada - 2025/26

Capítulo XXXI - O Complexo da Medideira

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
- Sexta Temporada - 2026/27
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
- Sétima Temporada - 2027/28
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Resultados Temporada a Temporada

Obviamente, spoiler gigantesco se quiserem acompanhar a história capítulo a capítulo; no final consta também o Palmarés

 

Temporada 2021/22

- Liga 3: Campeão

- Taça de Portugal: Oitavos-de-Final

 

Temporada 2022/23

- Segunda Liga: 8° lugar

- Taça de Portugal: 32avos-de-Final

- Taça da Liga: 1ª Eliminatória

 

Temporada 2023/24

- Segunda Liga: Campeão

- Taça de Portugal: Quartos-de-Final

- Taça da Liga: 1ª Eliminatória

 

Temporada 2024/25

- Primeira Liga: 9° lugar

- Taça de Portugal: Quartos-de-Final

- Taça da Liga: Meias-Finais

 

Temporada 2025/26

- Primeira Liga: 4º lugar

- Taça de Portugal: Vencedor

- Taça da Liga: Finalista vencido

 

Temporada 2026/27

- Primeira Liga: 3º lugar

- Supertaça Cândido de Oliveira: Finalista vencido

- UEFA Europa League: Oitavos-de-Final

- Taça de Portugal: Vencedor

- Taça da Liga: Vencedor

 

Temporada 2027/28

- Primeira Liga: Vencedor

- Supertaça Cândido de Oliveira: Vencedor

- UEFA Champions League: Fase de Grupos

- Taça de Portugal: Vencedor

- Taça da Liga: Finalista vencido

 

Palmarés (a bold as conquistas deste save)

- Primeira Liga (1): 2027/28

- Taça de Portugal (2): 2025/26; 2026/27; 2027/28

- Supertaça Cândido de Oliveira (1): 2027

- Taça da Liga (1): 2026/27

- Segunda Liga (2): 1979/80; 2023/24

- Liga 3 (1): 2021/22

- Segunda Divisão B - competição extinta que correspondia ao escalão da atual Liga 3 (1): 1993/94

- Terceira Divisão - competição extinta que correspondia ao escalão do atual Campeonato de Portugal (1): 2000/01

- Campeão Distrital AF Setúbal (4): 1961/62, 1962/63, 1968/69, 2017/18

- Taça AF Setúbal (3): 2013/14, 2015/16, 2016/17

Editado por Black Hawk
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Não li a introdução, ainda...

Mas passo para desejar boa sorte neste save que faço questão de acompanhar!

Força 👍

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Obrigado, pessoal.

A versão mobile é básica e não acontece grande coisa além dos jogos propriamente ditos, e a vertente táctica é bastante simples, dá apenas para definir funções individuais padronizadas e pouco mais.

Ainda não percebi se as funções têm grande impacto no motor de jogo, as cenas parecem-me meio aleatórias, mas vou descobrindo à medida que for jogando.

A cena fixe é que em meia hora livre se fazem logo uns três ou quatro jogos, é virar frangos. Também é aquilo que se procura, passar um bocadito a torcer por caricas virtuais como se fosse um assunto de vida ou morte; uma ode aos tempos em que dava pulos em frente a um computador quando uma carica metia uma bola pixelizada num retângulo virtual.

E sempre dá mais tempo para escrever umas historietas ficcionadas, sempre foi a parte que mais gostei em todos os saves que fiz e partilhei por cá.

Estou é com dificuldades em arranjar uma imagem de jeito para servir de banner, tenho de perder uns tempitos a vasculhar umas páginas nas redes sociais para encontrar alguma coisa.

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Boa sorte no Amora, companheiro 😉 Será, com toda a certeza, um trabalho duro e que te trará dificuldades. Eu acredito que tudo vai correr bem! 

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Bonita introdução! 

Boa sorte no Amora! 30 anos para levar o clube ao topo! 

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Olha quem está de volta, bem-vindo companheiro 😉 

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Mais um no mobile, boa sorte! Relativamente á questão do estário consegues expandir o mesmo e mais tarde no jogo a direção provavelmente propõe te a construção de um novo. As funções a meu ver têm impacto numa fase inicial do jogo, mas depois quando chegares a um ponto em que domines por exemplo a liga portuguesa já pouco importa a tactica que uses.

 

Deixo-te a dica para expreitares o fmvibe, lá é que estão os especialistas do fm mobile

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Citação de Martini Branco, Em 22/01/2022 at 09:17:

Boa sorte no Amora, companheiro 😉 Será, com toda a certeza, um trabalho duro e que te trará dificuldades. Eu acredito que tudo vai correr bem! 

 

Citação de LUIZ CESAR, Em 22/01/2022 at 18:41:

Boa sorte.

 

Citação de Tuckius, Em 22/01/2022 at 19:36:

Bonita introdução! 

Boa sorte no Amora! 30 anos para levar o clube ao topo! 

 

Citação de Fajo, há 4 horas:

Olha quem está de volta, bem-vindo companheiro 😉 

Obrigado, malta 🙂

Citação de Lavrador, há 4 horas:

Mais um no mobile, boa sorte! Relativamente á questão do estário consegues expandir o mesmo e mais tarde no jogo a direção provavelmente propõe te a construção de um novo. As funções a meu ver têm impacto numa fase inicial do jogo, mas depois quando chegares a um ponto em que domines por exemplo a liga portuguesa já pouco importa a tactica que uses.

 

Deixo-te a dica para expreitares o fmvibe, lá é que estão os especialistas do fm mobile

Vai demorar algum tempo a habituar-me às diferenças na abordagem táctica em relação ao que estava habituado. Fiz alguns jogos e a fluidez de jogo parece-me sempre a mesma jogue com que temporização ou instruções jogar.

Devo começar a apanhar os pormenores eventualmente, mas hei de passar por aí para cuscar truques e dicas.

Obrigado a todos, em breve já posto o primeiro capítulo.

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Capítulo I - Frodo Zarco

 

A bola foi aliviada para perto da zona técnica. Dois jogadores digladiaram-se para ganhar o ressalto e foi o da equipa da casa o mais rápido, disparando em velocidade ao longo da linha lateral. Do outro lado da linha, à distância de um braço, o seu treinador corria com ele, gritando palavras de incentivo e erguendo um punho cerrado, como se tentasse transferir-lhe a sua própria energia.

Seria provavelmente o último lance do jogo e era a derradeira hipótese de resolver já a eliminatória.

Frodo Zarco teve uma modesta carreira enquanto futebolista, não se destacando em campo por ser agressivo ou expansivo; pelo contrário, era algo reservado e discreto em campo, destacando-se mais pela sua acção no balneário, onde era uma voz influente, ponderada e respeitada.

Por esse motivo, a sua acção enquanto treinador deixou perplexos quem o conhecia. Ele era um espectáculo à parte: gritava instruções para dentro de campo, pontuando-as com gestos no ar; ele corria de um lado ao outro da sua zona técnica acompanhando os seus jogadores, excedendo-a com regularidade; reagia ostensivamente a cada decisão da equipa de arbitragem contra a sua equipa e comemorava efusivamente cada golo, dando saltos ou virando-se para a bancada para festejar com os adeptos.

Nessa tarde, Frodo Zarco estava especialmente agitado. Era jogo da Taça de Portugal e estava a travar-se uma autêntica batalha em campo - uma derrota ditaria a eliminação do Amora logo na primeira ronda em que entrou em competição. Mas nem era esse o principal motivo. Não, todos os intervenientes, dos jogadores aos adeptos, tinham a noção que o Amora não tinha ambições na prova além de dignificar o símbolo que traziam ao peito; o verdadeiro motivo era a rotação que Zarco promovera na equipa, dando oportunidade a diversos jogadores pouco (ou nada) utilizados nos jogos anteriores.

Era fulcral que a equipa obtivesse um bom resultado para lhes dar motivação para lutarem pela titularidade - e também para colocar em sentido os habituais titulares, para não se acomodarem depois do bom arranque de temporada.

O Verão foi atribulado para os lados da Margem Sul. Os anteriores proprietários do Amora Futebol Clube deixaram de investir na equipa e a preparação para a nova temporada ficou em suspenso até à entrada em cena de Bilbo Himura, que apenas aconteceu uma semana antes do primeiro jogo oficial da temporada. Isso deixou Frodo Zarco, escolha pessoal de Bilbo Himura para treinador, identificado com o projeto desportivo e com formação em Desporto, com meia dúzia de treinos e dois jogos amigáveis para preparar a equipa.

 

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A inadequada preparação para a nova temporada deixou a equipa limitada em várias posições

 

Apesar de tudo, as coisas estavam a sair. Uma vitória surpreendente em Leiria marcou a estreia do novo Amora, e, apesar de alguns revesses nas jornadas seguintes, a equipa rapidamente recuperou o rumo das vitórias e subiu na classificação, confundindo os analistas que profetizavam um arranque penoso, e uma época algures a meio da tabela, para os amorenses.

 

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Uma estreia decente na competitiva Liga 3...

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... lançou o Amora para os lugares de acesso ao Playoff de Promoção

 

A ausência de preparação obrigou Frodo Zarco a prucurar criar durantes os jogos as rotinas e mecanização que não pôde criar no Verão, levando-o a insistir quase sempre no mesmo onze. Novas nuances tácticas era testadas a cada jogo, criando-se ligações entre os jogadores que aos poucos se iam coordenando entre si.

Esta abordagem prejudicava vários jogadores talentosos, como o sólido central Jéferson Bahia, o incansável médio Hélio Cruz ou o espalha-brasas extremo Gildo, que poucos minutos somavam na equipa.

No entanto, era uma abordagem que dava frutos, especialmente na defesa. Juary e Rony Fernandes mostravam cada vez maior ligação, funcionando como um só e garantindo segurança no sector mais recuado. Claro, muito desse sucesso era fruto da coordenação de uma das estrelas da equipa, o guarda-redes David Grilo, que ocasionalmente com um ou dois berros os colocava em sentido.

 

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David Grilo promete ser um esteio na baliza...

 

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... enquanto Juary oferece capacidade com bola...

 

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... e Rony Fernandes presença física

 
 
O trio no meio-campo era um processo mais complexo. Apesar da presença sempre serena, com e sem bola, do médio defensivo Martim Maia e da criatividade de Léléco, que conferiam variadade de opções com bola à equipa, o meio-campo ainda não funcionava como um todo, abrindo espaços que os adversários exploraram em rápidas transições.
 
 
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A capacidade com bola do pêndulo Martim Maia...
 
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... como contraponto à criatividade do médio Léléco
 
 
O ataque era uma questão à parte. Embora jogando com dois extremos, o habilidoso Gabriel Capixaba e o capitão Joca, estes procuravam muitas vezes terrenos interiores, explorando os espaços que a movimentação do dinâmico Juancho originava, e abrindo espaços à progressão dos laterais, em especial do promissor Lucas Silva.
 
 
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O lateral Lucas Silva, aqui representado no ataque por ser um lateral bastante ofensivo...

 

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... explorando os espaços vagos pelas deambulações do veloz Gabriel Capixaba...
 
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... enquanto o capitão Joca oferece a sua superior capacidade técnica à equipa...
 
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... e a dinâmica de Juancho deixa os defesas em apuros
 
 
No entanto, naquela tarde amena de finais de Setembro, Frodo Zarco decidiu defrontar o Anadia, uma das boas equipas da zona norte da Liga 3, recorrendo a vários dos habituais suplentes, exortando-os a aproveitar a oportunidade para ganhar voz na luta pela titularidade.
 
Este era o jogo deles. Lutem! Ataquem cada bola como se fosse uma situação de vida ou de morte! Deixem a pele em campo!
 
A equipa correspondeu. Bem demais.
 
O Amora entrou agressivo nas disputas de bola, não deixando o Anadia respirar. Os adeptos nas bancadas da Medideira, uma moldura humana de cerca de 1600 adeptos que preenchiam a maioria dos 2500 lugares disponíveis, com muita juventude à mistura que aproveitavam as entradas gratuitas para menores de 18 anos, correspondiam com incessante apoio, celebrando cada recuperação de bola e animando-se a cada aproximação à área adversária. Quando o Amora criou a sua primeira ocasião de golo, num remate que embateu nas malhas laterais, um rugido emergiu perante a ilusão de um golo que não o foi.
 
Mas o jogo estava a tornar-se perigoso. Os jogadores de ambas as equipas discutiam entre si, e ambas com o árbitro, que tentava, sem sucesso, segurar um jogo rasgadinho e intenso nas disputas a meio-campo
 
Aproximava-se o cronómetro da meia-hora de jogo quando mais um ressalto a meio-campo sobrou para ninguém e dois jogadores acorreram para a recuperar. O jogador do Anadia chegou milésimos de segundo antes do talentoso Gildo, que naquela tarde dava tudo o que tinha para poder ganhar a titularidade a Gabriel Capixaba.
 
Ouviu-se um grito. Viu-se um jogador a rebolar pelo relvado fora. Um estrépito de ansiedade soou em uníssono no estádio.
 
O cartão vermelho exibido pelo árbitro nem merecia contestação.
 
Frodo Zarco quis arrastar Gildo do campo por uma orelha, furioso, mas ao vê-lo sair de campo escondendo a cara com a camisola, a segurar as lágrimas enquanto os colegas de equipa o confortavam e debaixo de um aplauso dos adeptos, não teve coragem para tal. Deu-lhe um abraço e uma palmadinha nas costas e começou a dar instruções.
 
Toda a dinâmica do jogo mudou a partir daí. Com mais um jogador em campo, o Anadia começou a ter a bola que o Amora lhe tirara até aí, obrigando os bravos amorenses a trabalhos reforçados para suster o adversário. Nenhum jogador se poupou a esforços, em momento algum se viu um amorense em inferioridade no terreno. Se o Anadia irrompesse pela direita, havia quem desse cobertura ao lateral; se mudassem o flanco de jogo, rapidamente a equipa fechava do outro. O que faltava em números, sobrava em abnegação no terreno e em apoio das bancadas.
 
O jogo arrastou-se penosamente. O Anadia revelou-se incapaz de contrariar o espírito guerreiro do Amora, não transformando a superioridade numérica em criação de lances perigosos, mas em contrapartida o Amora, encolhido na sua defensiva, também não conseguia depois levar a bola até à área adversária. Inicialmente a equipa ainda teve algumas iniciativas, explorando o contra-ataque e galvanizando os adeptos de cada vez que passavam a linha de meio-campo, mas o desgaste acumulado começou a pesar e cada vez eram menos os lances ofensivos da equipa.
 
A entrada de vários habituais titulares durante a segunda parte ainda mexeu com o jogo durante alguns minutos, mas rapidamente o Anadia os obrigou a retornar a tarefas mais defensivas e a baliza do outro lado do campo começou a parecer uma miragem.
 
O tempo regulamentar esgotou-se e depois dele veio o prolongamento, sem que o cenário mudasse muito. Vários jogadores caíram após disputas de bola ou piques, os músculos a darem sinal de estarem já para além dos seus limites.
 
Estavam disputados mais de 120 minutos quando a defesa do Amora aliviou a bola para perto da zona técnica de Frodo Zarco. Dois jogadores digladiaram-se para ganhar o ressalto e foi o da equipa da casa o mais rápido, disparando em velocidade ao longo da linha lateral.
 
Os adeptos levantaram-se e puxavam por ele, Frodo Zarco corria ao seu lado de punho cerrado e erguido no ar, incitando-o a explorar o espaço livre que havia até à baliza adversária. Ele sprintou, passou a linha de meio-campo, levantou os olhos e... ainda faltavam mais 50 metros. Corria de forma estranha, pedindo a uma perna permissão para mexer a outra. Era demasiado para o que ainda tinha para dar.
 
Um adversário alcançou-o e entrou de carrinho, varrendo bola, relva e adversário para fora do campo. O pobre rapaz ficou estendido junto ao muro do lado de fora do relvado e já só saiu de lá com ajuda.
 
O árbitro apitou e a maioria dos jogadores cairam no relvado, exaustos.
 
A equipa médica afadigou-se na recuperação dos jogadores, correndo de um para outro como abelhas de flor em flor, procurando recuperá-los o melhor possivel para a marcação de grandes penalidades. Frodo Zarco, por seu turno, tentava dar-lhes ânimo, abraçando os seus jogadores que naquela tarde foram heróis e dedicando tempo especial ao jovem Guilherme Fernandes, habitualmente o guarda-redes suplente de David Grilo, mas que neste jogo fora titular. Muito do sucesso da equipa no jogo passaria pela sua acção nos próximos minutos.
 
Para a marcação das grandes penalidades, os principais nomes da equipa, que foram entrando no jogo durante a segunda parte, assumiram a responsabilidade. Seguiram-se minutos de tensão máxima a cada grande penalidade, seguindo-se de forma intercalada festejos a cada concretização do Amora e manifestações de frustração às do Anadia.
 
Ninguém queria falhar e ninguém falhava. Três vezes o Anadia encontrou as redes, três vezes o Amora respondeu na mesma moeda. Até que o veterano Fausto Lourenço, jogador experimentado e com escola do FC Porto, bateu para uma defesa portentosa do miúdo Guilherme Fernandes.
 
Não estava ganho, mas era um passo quase decisivo.
 
Gabriel Capixaba colocou o Amora em vantagem logo de seguida, batendo com classe e enganando o guarda-redes. Vinicius, do Anadia, avançou para bater a última penalidade da sua equipa, sabendo que se falhasse, perdia.
 
Não falhou.
 
Estava tudo nos pés de Jéferson Bahia. Experiente, com 29 anos e com rodagem de outros escalões - está no Amora emprestado pelo Portimonense - viu-se remetido ao banco por Frodo Zarco e ainda não tinha sido utilizado até este jogo. Mas quis assumir a responsabilidade. Pegou na bola e encaminhou-se para a área.
 
Deu balanço. Correu para a bola. Ainda não tinha batido na rede e já o vulcão da Medideira entrava em erupção, o estrondo de 1600 vozes a difundir-se pela baía do Seixal como uma onda de choque, ouvindo-se do outro lado das águas pachorrentas.
 
Os jogadores esqueceram o cansaço e correram em direcção a Jéferson Bahia que esperava por eles de braços abertos, alguns a coxear, outros aos saltos. Pessoas abraçaram-se nas bancadas, agitando cachecóis. Frodo Zarco quase podia jurar ter visto Bilbo Himura a saltar do camarote para o meio dos adeptos debaixo de si.
 
 
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Depois da explosão de alegria, Frodo Zarco recuperou a consciência de si e afastou-se dos festejos. Cumprimentou o treinador do Anadia, compreensivelmente frustrado, e aguardou pelos seus jogadores, cumprimentando-os um a um e dando um abraço especial a Gildo, que estava notoriamente aliviado e agradecido por a sua expulsão não ter consequências para a participação da equipa na prova.
 
Estava orgulhoso dos seus jogadores menos utilizados e do esforço e empenho que tinham colocado em campo. Estava orgulhoso dos seus jogadores mais utilizados que entraram e encarnaram o espírito de luta dos que já lá estavam. Estava orgulhoso de ver uma massa adepta novamente reunido em torno da equipa e com bastante juventude entre ela.
 
O Amora estava na fase seguinte da Taça de Portugal.
 
Editado por Black Hawk
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Coisa boa para se ler logo de manhã! Mergulhamos na história e queremos ler o próximo capítulo para saber mais do futuro deste clube!

Começaste bem no campeonato, que é bastante equilibrado. Surpresa ver o Sporting B lá em cima, no meu save acabaram por descer de divisão. Os últimos dois jogos com muitos golos marcados, será sinal do crescimento da equipa?

O Capixaba saltou-me a vista no meu save mas vejo que temos mais jogadores interessantes!

Na Taça, muito boa essa vitória, a jogar com as segundas linhas, frente a um adversário complicado!

Venha o próximo episódio!

EDIT: Em termos salariais, que diferença em relação ao que apanhei no Leiria. Os meus melhores jogadores recebiam 2m/3m. 

Editado por Kluivert

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Bem comeco por dizer que calhaste numa serie nada simpatica, diria que assim á primeira vista só o União de Santarem teria uma equipa inferior á tua, no entanto tiveste um inicio de época muito positivo!

Quanto ao plantel, o David Grilo parece me ser um guarda redes bem razoavel para uma liga 3, e depois tens dois centrais que se complementam muito bem, sendo um mais fixo e outro mais movel, mas tanto um como outro são algo fracos no desarme. O Martim Maia sinceramente não me parece nada de especial, mas com 23 anos e sendo aposta talvez ainda evolua para um jogador decente. Já o Leleco parece-me ser um jogador com bastante qualidade. A nivel de extremos acho que estas muito bem servido do lado esquerdo, já do lado direito não me parece uma equipa tão forte, embora razoavel para a liga onde estás. Acabei foi por não perceber quem são os laterais e os avancados, mas calculo que estejas a jogar num 4-3-3 certo? 

Entretanto na taça, um jogo com apenas 6 remates conseguiste transforma-lo num relato bem entusiasmante 😀

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Foi uma boa pré-época.

Tiveste uma entrada positiva na liga 3 numa série com alguns nomes pesados mas é jogo a jogo e acreditar que é possível.

Acredito que a expulsão tão cedo complicou as coisas mas conseguiste passar uma fase da taça de portugal num jogo sem grande história além da expulsão.

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Citação de Kluivert, há 3 horas:

Coisa boa para se ler logo de manhã! Mergulhamos na história e queremos ler o próximo capítulo para saber mais do futuro deste clube!

Começaste bem no campeonato, que é bastante equilibrado. Surpresa ver o Sporting B lá em cima, no meu save acabaram por descer de divisão. Os últimos dois jogos com muitos golos marcados, será sinal do crescimento da equipa?

O Capixaba saltou-me a vista no meu save mas vejo que temos mais jogadores interessantes!

Na Taça, muito boa essa vitória, a jogar com as segundas linhas, frente a um adversário complicado!

Venha o próximo episódio!

EDIT: Em termos salariais, que diferença em relação ao que apanhei no Leiria. Os meus melhores jogadores recebiam 2m/3m. 

Grazie!

O Sporting B é estranho. Lembro-me de ter visto no teu save que eles a certa altura já nem apareciam no print da classificação (e até pensei "porque é que ele só tirou o print dos primeiros nove classificados?" e quando fui tirar o print para este capítulo percebi o motivo lol), mas quando fui ver a equipa pareceram-me bem fortes. Pelo menos para já, parecem estar a corresponder.

Ainda não estou totalmente seguro quanto ao crescimento da equipa, pareceu-me mais circunstancial, Caldas e Oriental Dragon são relativamente acessíveis.

Btw, eu não expliquei, mas o salário que aparece nos prints é anual, é mais fácil para mim gerir dessa forma o orçamento da equipa. Em termos de orçamento mensal não há de andar longe dos valores que referiste, talvez um pouco abaixo. Os que ali estão são os principais jogadores da equipa, o resto do plantel ganha muito menos, tenho jogadores a 5/6 mil euros anuais, ganham menos que o salário mínimo... pobres almas.

Aliás, mais lá para a frente vou ter um problema com as renovações, a maioria não quer renovar porque o contrato deles é recente e acabam todos contrato no final da época. Espero rer orçamento para cobrir as exigências e não perder alguns dos principais jogadores.

Citação de Lavrador, há 2 horas:

Bem comeco por dizer que calhaste numa serie nada simpatica, diria que assim á primeira vista só o União de Santarem teria uma equipa inferior á tua, no entanto tiveste um inicio de época muito positivo!

Quanto ao plantel, o David Grilo parece me ser um guarda redes bem razoavel para uma liga 3, e depois tens dois centrais que se complementam muito bem, sendo um mais fixo e outro mais movel, mas tanto um como outro são algo fracos no desarme. O Martim Maia sinceramente não me parece nada de especial, mas com 23 anos e sendo aposta talvez ainda evolua para um jogador decente. Já o Leleco parece-me ser um jogador com bastante qualidade. A nivel de extremos acho que estas muito bem servido do lado esquerdo, já do lado direito não me parece uma equipa tão forte, embora razoavel para a liga onde estás. Acabei foi por não perceber quem são os laterais e os avancados, mas calculo que estejas a jogar num 4-3-3 certo? 

Entretanto na taça, um jogo com apenas 6 remates conseguiste transforma-lo num relato bem entusiasmante 😀

Jogo em 41221, agora não tenho um print da equipa que utilizo, mas no início do jogo tirei à sugestão do treinador adjunto (aqui) e dá para perceber o esquema táctico, apesar de ter rejeitado algumas das escolhas dele para a equipa titular.

O Martim Maia é muito cotado pela equipa técnica no potencial e tenho esperança de o ver crescer. Tem bons atributos com bola, que é o que procuro mais num médio defensivo, para dar sempre uma linha de passe segura atrás quando os médios ou os extremos estiverem apertados pelos adversários.

Globalmente, a equipa é desequilibrada. Tenho alguns jogadores muito bons para esta realidade (Capixaba, Lucas Silva, Léléco, Joca, David Grilo), mas depois tenho posições onde ninguém me convence (a lateral direita ou o terceiro médio, por exemplo). Com isto, imagino que os resultados podem ir de um extremo ao outro, conforme os melhores estejam inspirados ou os piores façam porcaria.

Meh, mais material para o drama na narrativa ihih

Citação de Banks29, há 1 hora:

Foi uma boa pré-época.

Tiveste uma entrada positiva na liga 3 numa série com alguns nomes pesados mas é jogo a jogo e acreditar que é possível.

Acredito que a expulsão tão cedo complicou as coisas mas conseguiste passar uma fase da taça de portugal num jogo sem grande história além da expulsão.

Foram seis remates em 120 minutos. A marcação de grandes penalidades demorou mais tempo no motor de jogo que o resto do jogo todo!

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Esta série é a mais forte do Campeonato de Portugal (mas assim à vontade mesmo). Tem aí um palmo de equipas que lutam por subir de divisão e que tem argumentos para fazê-lo. As coisas ficam ainda mais complicadas, quando (como tu referes) a preparação da época foi demasiado curta, não dando aso a que o tempo fosse maior. São apenas dois amigáveis realizados. Basicamente obriga o nosso Frodo Zarco a fazer experiências nos próprios jogos oficiais. Mas é o que é e há que arregaçar as mangas!

Gosto particularmente do Capixaba e do Lucas Silva. Parecem-me dois jogadores que serão fulcrais no teu percurso.

Nos cinco jogos realizados para a tua série do CPP, obtiveste 10 pontos. Não é brilhante, mas também está longe de ser mau. Perdeste pontos em Massamá e em casa com o Cova. Acho que acaba por aceitar-se. Acho que terás aí um bico de obra com o Sporting B, tudo depende do tipo de jogadores que utilizarem contra ti. Esta questão das equipas B's desvirtua (muito sinceramente) as competições.

Na Taça de Portugal, muito bem fizeste em rodar a equipa. Grande alegria perante uma equipa forte da Liga 3. 

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Citação de six_strings, Em 25/01/2022 at 19:03:

Boa sorte. E como dizia o outro: É tudo contra o Amora

Para já segues com uma boa prestação

PEACE

Eish, já não ouvia essa expressão há uns anitos! Boa recordação. Obrigado 🙂

Citação de Martini Branco, Em 26/01/2022 at 13:34:

Esta série é a mais forte do Campeonato de Portugal (mas assim à vontade mesmo). Tem aí um palmo de equipas que lutam por subir de divisão e que tem argumentos para fazê-lo. As coisas ficam ainda mais complicadas, quando (como tu referes) a preparação da época foi demasiado curta, não dando aso a que o tempo fosse maior. São apenas dois amigáveis realizados. Basicamente obriga o nosso Frodo Zarco a fazer experiências nos próprios jogos oficiais. Mas é o que é e há que arregaçar as mangas!

Gosto particularmente do Capixaba e do Lucas Silva. Parecem-me dois jogadores que serão fulcrais no teu percurso.

Nos cinco jogos realizados para a tua série do CPP, obtiveste 10 pontos. Não é brilhante, mas também está longe de ser mau. Perdeste pontos em Massamá e em casa com o Cova. Acho que acaba por aceitar-se. Acho que terás aí um bico de obra com o Sporting B, tudo depende do tipo de jogadores que utilizarem contra ti. Esta questão das equipas B's desvirtua (muito sinceramente) as competições.

Na Taça de Portugal, muito bem fizeste em rodar a equipa. Grande alegria perante uma equipa forte da Liga 3. 

É verdade, a zona sul é muito competitiva, há várias equipas num nível aproximado e qualquer uma pode perder contra qualquer outra.

Tenho avançado no jogo desde o último capítulo e há equipas que chegam ao topo, depois caem para meio da tabela, de repente estão lá em cima outra vez.

Pelo menos é divertido.

Citação de Tuckius, há 18 horas:

Deliciosa a tua narração do jogo! Os meus parabéns! 

Obrigado. Gosto de escrever e inventar cenários, e claro que é bom saber que há quem goste de os ler. A versão mobile não dá muito material para isso, terei de inventar algumas coisas lol

Obrigado a todos, tenho um capítulo novo quase pronto para sair, falta redimensionar os prints.

Ainda não tenho é um banner que me satisfaça, depois quando o tiver atualizo os posts também.

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Epa estou rendido a forma como descreves as emocoes do Frodo e como quase nos transportaste para dentro dessa sofrida passagem a proxima fase da Taca, mesmo reduzido em numero de jogadores por tanto tempo.

BS para  proxima eliminatoria, mas sobretduo enorme neste save que apesar de ainda ter agora comecado, ja é o que mais me da gosto ler!

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Citação de Burkina2008, há 3 horas:

Epa estou rendido a forma como descreves as emocoes do Frodo e como quase nos transportaste para dentro dessa sofrida passagem a proxima fase da Taca, mesmo reduzido em numero de jogadores por tanto tempo.

BS para  proxima eliminatoria, mas sobretduo enorme neste save que apesar de ainda ter agora comecado, ja é o que mais me da gosto ler!

Obrigado, Burkina. Palavras boas vindas de quem tem nome nesta secção, como de mais malta que tem comentado 🙂

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Capítulo II - O capitão Joca

 

A porta abriu-se e os jogadores começaram a jorrar para o túnel de acesso ao relvado, bradando palavras de ordem e incitando-se mutuamente, dando palmadas nas costas e apertos de mão. O capitão aguardou que todos saíssem antes de ele próprio se disponibilizar para transpor a ombreira da porta quando uma mão pousou sobre o seu ombro. Virou-se e deparou com o treinador a encará-lo directamente nos olhos, sério.

 
"Joca, preciso de ti. A equipa precisa de ti."
 
O capitão Joca escutou em silêncio as palavras que Frodo Zarco lhe dirigiu em seguida. Absorveu-as, acenando com a cabeça em sinal de concordância. Ele próprio sabia que tinha de dar mais pelos seus colegas.
 
A vitória sofrida na eliminatória com o Anadia era já uma memória distante quando naquela tarde fria, embora ensolarada, de 02 de Janeiro, a comitiva viajou os poucos mais de 30 quilómetros que separavam as cidades de Amora e Setúbal. Era o derby da região; ou pelo menos o derby possível de uma região sob um agressivo processo de desertificação das suas entidades desportivas. Vários clubes caíam em desgraça, como o Vitória, enquanto outros mais modestos corriam risco de extinção... isto quando não tinham já fechado portas.
 
À entrada do ano 2022, o Vitória sadino e o Amora eram provavelmente os dois maiores representantes da região e tinham uma rivalidade muito peculiar. Ninguém na cidade de Amora tinha ilusões quanto à diferença de estatuto entre os dois clubes: o Amora era um clube modesto que vivera os seus anos dourados há muito tempo, com a última presença no escalão maior do futebol português a remontar aos inícios da já distante década de 1980; já o Vitória tinha uma massa adepta mais volumosa, fora presença habitual no topo da hierarquia do futebol português até 2020 e tinha títulos conquistados para relembrar.
 
No entanto, a queda em desgraça do Vitória trouxe-os para o patamar competitivo do Amora e fez crescer uma espécie de sentimento bairrista entre os amorenses, que viam o clube sadino como alvo a abater - um rival a destronar do estatuto que tinham como maior potência regional. Já do lado do Vitória, embora o Amora fosse visto como um clube menor cuja dimensão não era suficientemente relevante para sequer ser encarado como rival, não havia como negar que existia um certo prazer em derrotá-los.
 
Quem não sentiria um prazer perverso em espezinhar um clubezeco de bairro que tinha a audácia de se agigantar para além da sua dimensão e rivalizar com um clube histórico como o Vitória, indubitavelmente, é?
 
Esta peculiar rivalidade fora evidente no jogo disputado na Medideira, logo após a eliminatória da Taça de Portugal, quando os dois clubes se defrontaram numa tarde chuvosa à qual, mesmo assim, os adeptos do Amora compareceram em bom número. O relvado pesado rapidamente se degradou e tornou quase impossível a prática de futebol; não que os jogadores de ambas as equipas estivessem interessados nisso, tendo o jogo arrastado-se em confrontos e quezílias constantes até terminar num sensaborão empate a zero.
 
Três meses volvidos, o reencontro entre as equipas no Estádio do Bonfim ia pelo mesmo caminho, tendo chegado ao intervalo com um empate a zero num desafio repleto de drama.
 
A prova de que os jogos entre as duas equipas se revestiam agora de uma mística especial estava no facto de aquela não ser a bitola habitual de nenhuma das equipas. Com dezasseis jornadas já disputadas, ambas praticavam bom futebol, futebol positivo, marcando golos com regularidade: o Vitória tinha 35 golos marcados, o Amora já concretizara 30 vezes. Eram dois dos três melhores ataques da série e ambos ocupavam posições de acesso ao playoff de promoção.
 
 
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Embora não sendo uma competição de topo, a Liga 3 revelava-se uma série bastante competitiva. Com várias equipas num nível bastante semelhante, qualquer dos candidatos aos primeiros lugares podia ser apanhado em contrapé por oponentes que se esperavam presa fácil e as surpresas sucediam-se.
 
Além disso, o nível individual dos executantes variava entre o muito bom - para o nível do escalão, entenda-se - e o sofrível, pelo que os resultados soavam estranhos ao olhar mais incauto. Bastava um jogo em que dois ou três dos melhores executantes estivessem inspirados ou, pelo contrário, alguns dos menos abonados tecnicamente estivessem desinspirados, e subitamente surgiam resultados absurdos.
 
O Amora sofreu ambos na pele. Poucos adeptos conseguiram adormecer cedo após a excitante tarde passada na Medideira quando a sua equipa atropelou um dos mais sérios candidatos à subida, o Leiria, num jogo em que aos 13 minutos já venciam por 4-0 e cujo marcador só parou nos 6-1. Por outro lado, foi um desafio suportar a frustração após a copiosa derrota nas Caldas da Rainha face a uma equipa que não vencia há mais de dez jogos.
 
 
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Uma inspirada goleada sobre o Leiria deixou os adeptos em êxtase...
 
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... mas a derrota nas Caldas da Rainha foi um balde de água gelada
 
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A campanha na Taça de Portugal terminou de forma digna na Madeira depois de o Amora ter vencido três eliminatórias
 
 
Aquele jogo em Setúbal não era decisivo, mas o vencedor daria um passo importante para o acesso ao playoff de promoção, garantindo uma vantagem de vários pontos para o quinto classificado (primeira posição fora dos lugares de apuramento) a uma distância de apenas cinco jogos do final da fase regular.
 
Joca compreendia a importância daquele jogo. Mas, para ele, o jogo significava algo mais profundo.
 
Jorge Monteiro, Joca para os amigos e no mundo do futebol, tinha 29 anos e era o capitão de equipa. Poucos jogadores no mundo mereciam tanto a honra de envergar uma braçadeira de capitão como ele. Nascido na região, entrou para o clube com apenas seis anos de idade e cumpriu toda a sua formação no Amora, jogando no peladão em que a formação disputava os seus jogos nesse tempo, apenas com uma estrada a separá-lo do Estádio da Medideira. Assistira a jogos do seu tio, antigo jogador do clube, vibrando nas bancadas de cimento frio da Medideira. Fora apanha-bolas em alguns jogos, sonhando em um dia ser futebolista profissional.
 
Estreou-se na equipa principal do Amora logo aos 18 anos, mas os seus primeiros anos de carreira estiveram longe de ser um sonho. Esteve com a equipa em alguns dos momentos mais negros da sua história, quando as dificuldades financeiras levaram os amorenses a cair até ao inferno das Distritais. A crise foi tal que o clube nem conseguia fornecer equipamentos aos jogadores, tendo estes de trabalhar de noite para poder treinar de dia quando havia luz natural, pois o clube não tinha dinheiro para pagar electricidade que lhes permitisse treinar à noite, como é habitual em clubes amadores.
 
Mas Joca perseverou. Continuou no Amora mesmo quando outras oportunidades lhe surgiram, e teria sido fácil sair quando o clube parecia um barco à deriva prestes a naufragar numa borrasca violenta. Foi ficando, mesmo que à custo de muito sofrimento e prejuízo pessoal. Estava lá quando o clube se reencontrou e voltou a fixar-se no antigo Campeonato Nacional de Seniores. E lá continua agora na Liga 3, alimentando a esperança de jogar finalmente numa liga profissional - e de preferência pelo seu Amora.
 
Joca tornou-se um ídolo respeitado do clube e conquistou a sua braçadeira de capitão por direito próprio. Os amorenses não esquecem quem sempre os representou com dedicação, nem mesmo quando as coisas não correm bem. Como Joca podia comprovar nesta temporada.
 
Embora o Amora estivesse a surpreender, Joca estava abaixo das expectativas. Dono de uma inegável qualidade técnica fora do comum para o nível competitivo da Liga 3, não estava, porém, a ser capaz de ser o elemento desequilibrador como era seu apanágio. Com dezasseis jornadas disputadas na Liga 3 e após várias eliminatórias da Taça de Portugal, o capitão tinha apenas um golo e, mais surpreendentemente, nenhuma assistência registada; as fintas não lhe saíam, os cruzamentos não eram certeiros e salvo alguns fogachos do Joca que todos conheciam, genericamente passava ao lado dos jogos.
 
Como um mal nunca vem só, lesionou-se com alguma gravidade e perdeu cinco jogos da equipa, tendo alguma dificuldade em reentrar na equipa após regressar aos treinos.
 
Mas os amorenses não esquecem os seus e Frodo Zarco também não. Os adeptos continuavam a apoiá-lo e merecia a confiança do treinador. Naquela tarde, quando lhe pousou a mão no ombro, Frodo Zarco olhou-o de forma franca e séria.
 
"Joca, preciso de ti. A equipa precisa de ti."
 
O cenário não parecia famoso. Lucas Silva lesionou-se nas vésperas da deslocação a Setúbal, no que constituiu um rude golpe para a equipa, tantas vezes dependente das cavalgadas e propensão ofensiva do lateral esquerdo brasileiro. O habitual suplente João Varudo foi chamado a substituí-lo; extremo-esquerdo de formação e diversas vezes lançado a partir do banco para substituir Gabriel Capixaba ou Gildo durante os jogos, era a única alternativa válida no plantel para a posição de lateral-esquerdo, a qual assegurava com competência.
 
Nessa tarde, porém, nunca chegou a entrar verdadeiramente no jogo. Alguns passes transviados e erros de posicionamento deram o primeiro sinal do que estava para vir, e a meio da primeira parte entrou mal sobre um adversário e foi expulso de imediato.
 
Pela cabeça de todos os amorenses passou o fantasma do jogo contra o Anadia, em que o Amora se viu remetido à defesa durante largos períodos de tempo e raramente conseguiu atacar. E, no entanto, agora com Gabriel Capixaba a lateral, dado não haver mais jogadores de raiz para a posição, e jogando em 432 com dois extremos bem abertos e sem referência na área, a equipa continuou a disputar o jogo de igual para igual, olhos nos olhos, mostrando solidez defensiva e colocando o Vitória em respeito com lances bem definidos.
 
Fosse por efeito da rivalidade recém-criada com o Vitória ou por melhoria dos processos de jogo do Amora, isso não era claro, mas o jogo chegou ao intervalo sem que se notasse a desvantagem numérica em campo.
 
A palestra ao intervalo deve ter sido inspiradora, pois a equipa da casa reapareceu com vontade de resolver rapidamente o jogo, atacando com intensidade e colocando vários jogadores em zonas de finalização para responder aos cruzamentos que saíam em catadupa para a área, onde David Grilo controlava a sua defensiva e distribuía instruções. Joca tentava orientar os seus colegas, percorrendo livremente várias zonas no centro do terreno partindo da direita. Inteligente, percebeu que a subida dos jogadores do Vitória deixava espaço para explorar e permitia-lhe receber a bola de forma segura nas costas do meio-campo sadino, onde contemporizava até surgir apoio.
 
Estavam decorridos 51 minutos de jogo quando Joca voltou a deambular para essa zona do terreno na expectativa de receber um passe de Gabriel Capixaba, que ganhara um ressalto à saída da sua área, junto à linha lateral. Os centrais do Vitória, reconhecendo o padrão das últimas jogadas, subiram para pressionar Joca de imediato quando este recebesse o passe rasteiro.
 
Só que, desta vez, Gabriel Capixaba saiu em velocidade em vez de endereçar a bola ao seu capitão, galgando metros de terreno numa movimentação que a equipa reconhecia bem e que era tão típica de Lucas Silva. Joca, sempre sagaz na leitura de jogo, viu a movimentação do seu colega e antecipou o que ele pretendia fazer. Tendo os centrais adversários perto de si, demasiado subidos, arrancou em velocidade e passou por entre a dupla que, surpreendida, não foi lesta na reacção.
 
O passe longo de Gabriel Capixaba foi efetuado no exacto momento em que Joca ultrapassava os centrais, batendo a armadilha do fora-de-jogo e deixando o capitão amorense isolado na cara do guardião sadino, Willy Caballero.
 
"A equipa precisa de ti", dissera-lhe Frodo Zarco há breves minutos. "A equipa precisa de mim", repetira mentalmente Jorge Monteiro, Joca para os amigos e no mundo do futebol, enquanto percorria o túnel de acesso ao relvado acariciando inconscientemente a braçadeira de capitão que trazia no braço.
 
Esperou que Willy Caballero saísse da baliza. Simulou o remate uma primeira vez, desequilibrando-o, e puxou ao de leve a bola com a sola do pé esquerdo para o lado direito, o do seu pé dominante. Rematou rasteiro com a parte interior do mesmo.
 
Honra seja feita a Willy Caballero, que mesmo desequilibrado teve a agilidade para protagonizar um golpe de rins digno de qualquer guarda-redes de classe mundial e estirar-se para a bola. Quase a defendeu.
 
Quase.
 
Joca apagou naquele momento e voltou a ter consciência de si momentos depois, envolvido num novelo humano, mãos e pés aleatórios a envolverem-no. Alguém lhe esfregou a cabeça com vigor deixando-lhe o cabelo em desalinho e momentos depois sentiu uma pancada forte na nuca que o deixou meio zonzo. Nunca descobriu quem lhe deu aquela palmada.
 
Faltavam ainda perto de 40 minutos para o final, mas o Amora respirava confiança, trocava a bola e enervava os jogadores do Vitória. As dezenas de amorenses que tinham acompanhado a equipa até Setúbal produziam o ruído de milhares e os da equipa da casa iam impacientando-se com o rumo do jogo.
 
Só já na recta final o Vitória começou a empurrar o Amora para a sua defesa, recorrendo a todos os truques que vêm nos livros: tiraram defesas e médios para lançar avançados, despejaram lançamentos de linha lateral directamente na área, até centrais se fixaram no ataque, mas os amorenses sentiam-se confiantes e coesos - tanto que Frodo Zarco não teve coragem de fazer alterações para não estragar.
 
Nos últimos minutos do jogo choveram bolas na área do Amora como um bombardeamento de artilharia numa cidade cercada, mas os escudos antiaéreos da defesa amorense deflectiam-nos de todas as vezes, evitando danos.
 
O árbitro apitou, por fim, pela última vez, e o banco do Amora, já incapaz de permanecer sentado, invadiu o terreno de jogo de braços no ar, numa ruidosa manifestação de alegria.
 
Tinham conseguido. Aqueles sacanas de azul tinham conseguido.
 

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A comitiva do Amora prolongou a sua estadia no relvado do Bonfim muito para além do apito final, celebrando a vitória entre si e com os exultantes adeptos na bancada. Não era uma vitória decisiva, mas deixava a equipa com pé e meio no playoff de promoção, com seis pontos de avanço para o Leiria e apenas cinco jogos para disputar.

 
Mais do que isso, era a primeira vitória de sempre de uma equipa sénior do Amora contra o Vitória em mais de cem anos de história do clube - conseguida em terreno alheio e jogando durante grande parte do jogo com menos um elemento. Marcava uma afirmação do clube na peculiar rivalidade que ia nascendo na Margem Sul. Um aviso que o Amora já não era clubezeco de bairro que se espezinhe sem pensar duas vezes.
 
O capitão Joca era a cara do entusiamo amorense. Toda a frustração acumulada de uma época aquém do esperado; a dor que sentiu vendo os colegas treinar e jogar enquanto ele ficava de fora, lesionado e em sofrimento; os sacrifícios por que passou nos momentos mais negros da história do Amora, retribuindo com dedicação a um clube que nada tinha para lhe dar em troca; tudo isso se transformou naquele momento em êxtase e alegria.
 
 
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Joca ficou radiante com a sua exibição, pontuada com o golo da vitória
 
 
Tinha vinte anos de casa e o clube começava a retribuir-lhe. Nunca duvidaram dele. Frodo Zarco confiou sempre nele. Os colegas acreditaram sempre nele. Os adeptos apoiaram-no sempre com amor e carinho. Estava em casa. Aquela era a sua casa e o futuro parecia-lhe brilhante.
 
Viu Frodo Zarco aproximar-se sorridente e não fez qualquer gesto para o impedir de lhe agarrar e prender a cabeça debaixo do braço, dando-lhe palmadinhas ao de leve na nuca.
 
"Bem-vindo de volta, capitão Joca. Bem-vindo de volta."
Editado por Black Hawk
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Adorei esta actualização!

Desta actualização diria que só mesmo o resultado diante do Caldas deveria ter sido evitado pela má forma que o adversário enfrentava, embora estejamos a falar de uma equipa que ainda na época passada estava no playoff de promoção de acesso á 2ª liga portanto qualidade de jogadores deve ter.

Entretanto grande jogo diante dos rivais do Setubal, com menos 1 a equipa mostrou uma grande capacidade em conseguir os 3 pontos, onde acabar por ter um sabor especial pelo marcador do golo ter sido o capitão.

Uma nota positiva ainda para o jogo da taça diante do Maritimo onde fica a sensação que ainda deste bastante trabalho á equipa da Madeira

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