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Dobrar ou legendar? Portugueses preferem as legendas, mas tudo começou com uma imposição da censura no Estado Novo

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Dobrar ou legendar? Portugueses preferem as legendas, mas tudo começou com uma imposição da censura no Estado Novo

Dobrar ou legendar? Portugueses preferem as legendas, mas tudo começou com uma imposição da censura no Estado Novo

Entre as legendas e a dobragem, a UE divide-se. Os países mais habituados ao primeiro método estão associados a maiores níveis de proficiência de línguas estrangeiras, nomeadamente o inglês. Como os hábitos de visionamento ajudam a contar o passado de um país

“Dobrar é mutilar uma obra de arte”, diz um internauta. “Dobrar é uma arte!”, retorque alguém abaixo. Os sentimentos face à forma de consumir filmes dividem-se nos comentários de uma publicação da página “Europe Magazine”, que divulga visualizações coloridas de vários conjuntos de dados estatísticos. Os ânimos perante a dobragem são intensos e polarizados: ou se ama ou se odeia a sobreposição das falas originais, numa peça audiovisual, por outros atores, noutra língua. Nesta caixa de comentários há ainda espaço para confissões: “Uma amiga minha, alemã (inteligente, mas muito jovem), achava que todos os atores de Hollywood falavam alemão perfeito. Ficou chocada ao saber que os filmes eram dobrados”; e desabafos: “A parte mais irritante das dobragens são as pessoas que não conseguem parar de se queixar das dobragens.”

Os europeus estão praticamente divididos quanto à eterna batalha da legenda versus dobragem, com uma ligeira vantagem para a primeira. Num inquérito do Eurobarómetro que recolheu mais de 26 mil entrevistas pela UE (cerca de mil em Portugal) no final de 2023, 53% dos inquiridos expressou que prefere ver filmes e programas estrangeiros com legendas, em vez de dobrados — 29% concorda totalmente e 24% tende a concordar — enquanto 43% toma o partido das dobragens — 27% com certeza e 16% tende para esta opção. Os restantes 4% não expressaram opinião. Desde a última vez que o mesmo inquérito foi executado, em 2012, as posições reforçaram ligeiramente a preferência pela legendagem.

A lei manda dobrar

Os países nórdicos lideram a inclinação para as legendas, com o Chipre, Eslovénia e Portugal logo atrás. 85% dos inquiridos portugueses opta pelas legendas na altura de ver um filme, mas na análise mais fina, 50% apenas tende a optar por essa opção, enquanto os outros 35% a assumem vincadamente (opinião que decresceu 2% desde o último inquérito). Do outro lado surgem a Alemanha, Áustria, Eslováquia, Chéquia e Espanha, países com uma cultura mais favorecedora da dobragem (em Espanha, há 9971 atores dobradores registados profissionalmente). Em países como a Polónia ou a Rússia, é comum uma terceira opção, o voiceover, no qual apenas uma voz traduz as falas por cima do som original. É uma alternativa mais barata à indústria da dobragem, que movimenta 4,3 mil milhões de dólares (3,7 mil milhões de euros) atualmente e que a Business Research Insights prevê que quase duplique em 2033. Dado o custo acrescido de pós-produção, que muitas vezes significa o atraso na estreia de filmes e séries nestes países, tendem a ser as línguas com maior número de falantes que mais têm filmes dobrados, como o espanhol, francês, italiano e alemão. No Brasil a dobragem para português é preferível às legendas, embora em Portugal a tendência seja a contrária. E isso tem uma motivação histórica com origem no Estado Novo.

Os hábitos de visionamento nos vários países não se alteraram estruturalmente ao longo das últimas décadas — mesmo com o advento do streaming —, hábitos esses que foram implementados, direta ou indiretamente, pelos sistemas políticos autocráticos que os dominaram no século XX. Em Portugal, em 1948, foi passada uma lei que proibia “a exibição de filmes estrangeiros dobrados em língua portuguesa, salvo os produzidos em regime de reciprocidade, superiormente reconhecida”, “para garantir a genuinidade do espetáculo cinematográfico nacional”. A legendagem era não só a opção mais em conta como uma oportunidade para a Comissão de Censura do Estado Novo de controlar a informação através da censura prévia dos conteúdos provenientes de outros países. Em Espanha, Franco optou pela abordagem contrária, tornando a dobragem obrigatória para filmes estrangeiros e proibindo produções nas línguas regionais, como o basco ou o catalão, no início dos anos 40. Também no Brasil, em 1952, o Presidente Jânio Quadros decretou a dobragem de todas as produções estrangeiras (quando, até então, boa parte do cinema e da televisão no Brasil eram exibidos com legendas em português), o que motivou o grande crescimento da indústria de dobragem no país.

Nos anos 60, as dobragens em Portugal passaram a ser autorizadas para publicidade e programas infanto-juvenis, mas a regra da legendagem nunca perdeu o domínio. Atualmente, os serviços de streaming deixam a escolha para o freguês, oferecendo as duas opções. Em abril deste ano, a Netflix passou a disponibilizar as várias opções de línguas (em legenda ou dobragem) para os espectadores que utilizam a televisão, uma possibilidade que já existia no formato web ou mobile. As produções em línguas que não o inglês (mais de 30) representam um terço das visualizações na Netflix. Também a inteligência artificial chega a esta área, estando a ser desenvolvidas tecnologias que utilizam deteção facial para criar dobragens mais fiéis à versão original. Uma associação de atores alemães recolheu mais de 75 mil assinaturas para uma petição que apela a legisladores alemães e europeus a pressionarem as empresas de IA a obter consentimento explícito ao treinar a sua tecnologia com as vozes dos artistas e a compensá-los de forma justa.

A dobragem torna o conteúdo acessível para todas as idades e grupos sociais, incluindo crianças e pessoas com dificuldades de leitura, enquanto as legendas são essenciais para pessoas com incapacidade auditiva. Há mesmo quem opte, em serviços de streaming, pelas duas opções, nomeadamente quem usa o cinema e a televisão para a aprendizagem de outras línguas. No mesmo inquérito do Eurobarómetro, “Os Europeus e as Suas Línguas”, a maioria dos inquiridos respondeu ter aprendido mais eficazmente uma língua estrangeira através do ensino e formação vocacional, seja na escola (34%) ou em cursos de línguas (11%), e 10% (contra 7% em Portugal) listou como método mais eficaz a aprendizagem autodidata, através da televisão, filmes ou rádio. A realidade é semelhante em Portugal e na UE: seis em cada dez pessoas afirmam conseguir ter uma conversa numa língua estrangeira, principalmente o inglês — seguido do francês e do alemão, no caso europeu, e o francês e o espanhol, a nível nacional. Quando se fala nos mais jovens, dos 15 aos 24 anos, são oito em dez europeus os que dominam mais de uma língua.

Estudos que comparam a aprendizagem da língua inglesa (que domina nos conteúdos audiovisuais a nível mundial) com o formato do visionamento comprovam que a legendagem tem um efeito positivo inegável na aprendizagem de línguas. O estudo de 2016 “TV or not TV? The Impact of Subtitling on English Skills” (O impacto da legendagem nas competências da língua inglesa), assinado por várias entidades académicas, calculou que o inglês melhora em 28,4% nos países onde o cinema e a televisão são legendados, em comparação ao nível médio da UE. Um artigo publicado no National Bureau of Economic Research, em julho deste ano, constata um “grande efeito positivo da legendagem nas competências linguísticas em inglês”, principalmente na compreensão e expressão oral.

A Education First (EF), a maior empresa privada de educação do mundo, realiza um relatório anual de proficiência na língua inglesa. Na edição de 2024 do “English Proficiency Index”, que analisou dados de 2,1 milhões de adultos que realizaram o teste de competências da instituição em 2023, mostrou que os países europeus foram os que obtiveram melhores resultados, com classificações entre a “proficiência moderada”, “alta” ou “muito alta”. Portugal ficou no sexto lugar a nível mundial, com a classificação “muito alta” de 605 pontos, enquanto o top 10 é ocupado (tendo em conta os dados sobre a legendagem, sem surpresas) pelos Países Baixos, Noruega, Suécia e Dinamarca. Das únicas exceções à regra estará a Alemanha, que apresenta um nível de proficiência alto, embora tenha uma cultura bem vincada de dobragem.

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Citação de Tio Hans, há 1 hora:

Versão portuguesa, Herbert e Richards.

É tudo junto 

 

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Citação de Hammerfall, há 7 horas:

dobrado é m*rda

Normal, é uma indústria merdosa com salários asquerosos e pejada de isto é literalmente networking.

Eu até percebo o sentimento, mas dizer que é merda é um exagero do pior, principalmente o produto que provavelmente teve presente na maioria da infância dos users mais frequentes aqui. Não estou a falar do Dragon Ball, evidentemente, estou a falar de coisas como o Rei Leão, Toy Story, O Corcunda de Notre Dame, Anastasia, O Príncipe do Egípto e por aí fora.

Mesmo hoje em dia está muito longe de ser mau, especialmente no que toca aos estúdios grandes.

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Citação de bmfpcdm, há 30 minutos:

Cartoon Network sem dobragem, nem legendas, foi o meu Everest.

Agradeço sempre a este canal por nunca ter tido de estudar um minuto sequer para inglês na escola.

e sempre com boas notas

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Citação de El Shafto, há 1 hora:

Normal, é uma indústria merdosa com salários asquerosos e pejada de isto é literalmente networking.

Eu até percebo o sentimento, mas dizer que é m*rda é um exagero do pior, principalmente o produto que provavelmente teve presente na maioria da infância dos users mais frequentes aqui. Não estou a falar do Dragon Ball, evidentemente, estou a falar de coisas como o Rei Leão, Toy Story, O Corcunda de Notre Dame, Anastasia, O Príncipe do Egípto e por aí fora.

Mesmo hoje em dia está muito longe de ser mau, especialmente no que toca aos estúdios grandes.

Acho que em animação infantil ( e mesmo graúda na maior parte dos casos) a dobragem é fixe. Em live action é uma m*rda independentemente da língua

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Citação de Sandes., há 33 minutos:

Acho que em animação infantil ( e mesmo graúda na maior parte dos casos) a dobragem é fixe. Em live action é uma m*rda independentemente da língua

É, nunca vai parecer fixe, mas também é uma questão de acessibilidade.

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Eu lembro-me de ter começado a ver "Avatar: the last Airbender" na Nickelodeon dobrado em português e me ter custado imenso adaptar-me às vozes originais quando vi o resto da série "online". Ainda hoje acho que o Zuko tuga dá 10-0 ao original.

Também me lembro de gostar muito do trabalho realizado em "Gárgulas" por exemplo.

Isto para dizer que, apesar de preferir sempre as vozes originais, é preciso reconhecer que, pelo menos em animação, as dobragens são sobretudo de muito boa qualidade e conseguem a maioria das vezes passar o estilo do original.

Outra que é top, top: Gumball.

Editado por John Bonifácio

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A Bluey é muito mais engraçada dobrada do que original, de longe.

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Citação de bmfpcdm, Em 30/10/2025 at 23:06:

Cartoon Network sem dobragem, nem legendas, foi o meu Everest.

Fita K7 Magic English Pacote 4 Fitas K7 | MercadoLivre

CC era o Everest e Magic English era o nirvana!

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Relativamente ao Cartoon Network, ainda não havia tv por cabo cá em Portugal, (ou estava a começar), e os meus avós resolveram, ainda hoje não entendo o motivo, meter uma antena parabólica, que era uma coisa absolutamente inútil e que eles nunca usaram. Não me recordo ao certo que canais aquilo transmitia, mas andava à volta das "RTP" europeias, BBC, RAI, TVE, etc. Mas tinha dois canais que para mim eram incríveis, a Eurosport e o Cartoon Network, todo em inglês, obviamente. Mas era um Cartoon Network que, com a excepção do Johnny Bravo, transmitia apenas os desenhos animados que eu estava habituado a ver, Looney Tunes, Tom & Jerry, Scooby-Doo, Flintstones, Jetsons, Dastardly and Mutley. Era um sonho. A única pessoa que deu uso àquela parabólica fui eu.

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Citação de bmfpcdm, Em 30/10/2025 at 23:06:

Cartoon Network sem dobragem, nem legendas, foi o meu Everest.

E à noite passava para o TCM com filmes clássicos

Velhos tempos

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Citação de Apocalypse Now, há 42 minutos:

E à noite passava para o TCM com filmes clássicos

Velhos tempos

Ao início ficava triste por acabarem os desenhos animados, mas com o tempo fui aprendendo a apreciar a coisa.

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Citação de doom_master, há 12 minutos:

Ao início ficava triste por acabarem os desenhos animados, mas com o tempo fui aprendendo a apreciar a coisa.

A mim acontecia isso com a RTL e o canal Vivir/Viver

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