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Noah Monteiro: filho de peixe sabe guiar e quer chegar à Fórmula 1

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Noah Monteiro: filho de peixe sabe guiar e quer chegar à Fórmula 1

Desde 2006 que não há portugueses na Formula 1. O último foi Tiago Monteiro. Aos 16 anos, o seu filho Noah sonha seguir as pisadas paternas e percorrer a longa via-sacra que começa nos karts, passa pelas diversas fórmulas e termina com a ascensão ao Grande Circo

Nikki Lauda chegou à Fórmula 1 em 1972, aos 23 anos. Ayrton Senna fê-lo em 1984, aos 24. Duas décadas antes, Juan Manuel Fangio estreara-se pela Alfa Romeo aos 39 anos, mas esses eram outros tempos.

No restrito lote de portugueses que passaram pela disciplina máxima do desporto automóvel, o padrão etário pouco diverge. Nicha Cabral pilotou um Cooper Maserati no Grande Prémio de Portugal (Circuito de Monsanto) em 1959. Tinha 25 anos. Em 1991, Pedro Matos Chaves passou pela equipa Coloni aos 26, nunca se conseguindo qualificar para qualquer corrida. Dois anos depois, Pedro Lamy (21 anos) foi mais bem-sucedido e haveria de conquistar os primeiros pontos (em rigor, um ponto, correspondente a um 6º lugar) em 1995. Seria preciso esperar por 2005 para haver um pódio luso: 3º lugar de Tiago Monteiro (29 anos) no Grande Prémio dos EUA. Ainda que obtido em condições especialíssimas (greve de parte dos pilotos devido a imposições regulamentares nos pneus), não deixou de ficar para a história.

Duas décadas depois, Noah Monteiro sonha seguir as pisadas do pai e chegar até onde for possível. Aos 16 anos, depois de passar pelos diversos escalões dos karts, corre no campeonato espanhol de Fórmula 4. Das corridas recentemente disputadas no Autódromo Internacional no Algarve trouxe boas e más notícias: bons resultados nas qualificações (de terceiro a primeiro) e sortes diversas em pista, alternando entre um 9º e um terceiro lugar. Atirado para fora de pista por um adversário na derradeira corrida, ficou aquém do objetivo: sair de Portimão na liderança do campeonato, algo que viria a conseguir na semana seguinte, em Aragão.

A luta pelo acesso à Formula 1 é renhida e disputada de faca nos dentes em cada curva ou travagem, lembrando a banda desenhada de Jean Graton “Os Jovens Lobos”, quando a audácia insensata dos recém-chegados aos grandes prémios surpreende o campeoníssimo Michel Vaillant. É também uma longa marcha, encetada desde idades muito baixas.

Captações de valores desde a infância

Nisso, o desporto automóvel começa a parecer-se com o futebol: as captações de jovens valores começam logo na infância. Nos karts, os olheiros das grandes equipas andam por ali à caça de futuros talentos. Disto mesmo falava o autor destas linhas como ex-seleccionador nacional Fernando Santos, que na box da equipa de Noah Monteiro também assistia às corridas. “Quantos [no futebol] se revelaram aos 16 anos e quantos se perderam pelo caminho”, dizia-me Santos. Isto enquanto os monolugares pilotados por jovens de 16 anos, ou seja, sem habilitação legal para conduzir na via pública, chegavam ao fundo da reta da meta a pouco menos de 270 km/h. São capazes de fazer coisas com que um condutor de domingo nem sonha, mas para irem do hotel para o circuito têm que ser levados por um motorista…

Concentração antes da prova, em Portimão
Concentração antes da prova, em Portimão

A primeira vez que Noah Monteiro se sentou num kart terá sido por volta dos três anos… com o pai Monteiro a correr atrás, segurando uma corda, não fosse a máquina embalar. Depois foi um nunca acabar de corridas nas sucessivas categorias até ascender à Fórmula 4. Conta que, pelo meio, outras vertentes do desporto motorizado nunca o seduziram. Nem ralis, nem TT, motocross talvez. Ou skate e snowboard que, mesmo não tendo motor, sempre lhe disseram alguma coisa.

Numa época em que a língua franca é o inglês, Noah Monteiro fala também francês, resultado das corridas de kart na Europa durante dois anos. “Aprendi tudo, a começar pelos palavrões”, conta sorridente. Os karts foram uma grande escola de corrida. “Tivemos provas na Bélgica em que de uma manga para a outra chovia, depois parava de chover e voltava e era preciso saber escolher os pneus e afinações adequados.”

A carreira desportiva, maioritariamente feita em kart, deu-lhe cinco títulos nacionais e internacionais e 25 vitórias em 100 corridas disputadas. Foram 2138 horas a correr ao longo de nove anos. Se fossem horas de voo, quase chegavam para concorrer a comandante da TAP. Em março deste ano tornou-se no primeiro português a vencer o campeonato espanhol de inverno de Fórmula 4 ao volante de um monolugar Griffin Core, também usado em Portimão.

Entrar nas corridas na perspetiva de um dia chegar à Formula 1 condiciona tudo. É preciso treinar afincadamente. Tratar da preparação física. Passar tempo no simulador para tomar contacto, mesmo que virtual, com os circuitos. E estudar? Já lá vai o tempo em que os jovens atletas se contentavam com a quarta classe (que Eusébio teve que tirar já em Lisboa para poder ser atleta federado). Mesmo no futebol, como me dizia Fernando Santos, há toda uma geração que aspira, pelo menos, ao 12º ano. Já Noah Monteiro quer ir mais além. Engenharia mecânica? Seria a escolha mais óbvia, mas prefere a gestão. Tempo para estudar? Lá se vai arranjando e há professores domésticos para o apoiar sempre que é necessário recuperar aulas perdidas.

Tiago e Noah Monteiro: duas gerações, um projeto comum: a Formula 1
Tiago e Noah Monteiro: duas gerações, um projeto comum: a Formula 1

Na equipa Campos da Fórmula 4 espanhola em que se integra, tem um engenheiro, um mecânico e um chefe de equipa a trabalhar diretamente com ele, mais sete elementos indiretos, a que se juntam um terapeuta e um preparador físico. É obra!

Horizonte 2030

Num mundo em que tudo parece contaminado pelo vírus do imediatismo Noah Monteiro evidencia uma qualidade: visivelmente, pensa antes de falar e nunca diz a primeira coisa que lhe vem à cabeça. O oposto do que fazem alguns líderes mundiais que nos enchem o ecrã da televisão de manhã à noite. Se tivesse que escolher entre Senna e Schumacher, provavelmente teria que deitar moeda ao ar pois aprecia ambos. Tal como Jim Clark. “Para mim tem alguma coisa especial”. E acrescenta: “Uma vez no autódromo do Estoril conduzi um Caterham. Com aquele volante de madeira senti-me o Fangio…“

E futuro, caso os deuses da Fórmula 4 lhe sejam favoráveis em outubro deste ano, quando termina o campeonato que está a disputar? FREC? Eurocup 3? Depende e aí entra a experiência de Tiago Monteiro. “Só depende de uma coisa: para onde as equipas da Fórmula 1 estejam a espreitar na altura porque varia de ano para ano… Uma coisa é certa, ao passar dos karts para as fórmulas entram novos fatores em jogo como a aerodinâmica. “Há sempre muito para aprender”. À medida que se sobe nos monolugares a caminho da Fórmula 1 tudo muda, até por imposições regulamentares: menos testes privados, logo menos tempo de adaptação ao carro.

Se tudo correr bem, o horizonte é 2030. Há que contar com o limite de idade, agora elevado para os 18 anos. Max Verstappen chegou à Formula 1 com 17 anos, mas foi, provavelmente, o último dos sobredotados a beneficiar de o ser.

 

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Tive a ver os resultados deste miúdo e não me parece que chegue lá, mas..

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Demasiada publicidade. Tem qualidade, até acredito que posso chegar a uma Formula 3/2, mas não o vejo a chegar à Fórmula 1. Mas com os patrocinios que tem, e tendo o pai que tem, nunca se sabe.

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99% de certezas que não chega à F1, mas será seguramente um bom piloto português, mesmo que não seja nos fórmulas. Com o WEC e tantas provas de GT, há muito por onde prosseguir.

Se bem que a F1 já há muito que não é uma questão de talento, mas também do valor financeiro que um piloto pode trazer para as equipas, portanto nunca se sabe. Mas duvido.

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Citação de Bashir, há 13 horas:

@Rumpas é melhor que o teu amigo ou é só paitrocinio?

Não sigo o Noah. Sei que o hype é grande.

Vou perguntar ao Ivan o que acha dele. Sei que recentemente estiveram juntos.

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Citação de Ghelthon, há 4 horas:

99% de certezas que não chega à F1, mas será seguramente um bom piloto português, mesmo que não seja nos fórmulas. Com o WEC e tantas provas de GT, há muito por onde prosseguir.

Se bem que a F1 já há muito que não é uma questão de talento, mas também do valor financeiro que um piloto pode trazer para as equipas, portanto nunca se sabe. Mas duvido.

Sinceramente, já foi bem pior. Olha para a grid atual e só encontras um piloto pagante, Colapinto?

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Citação de Alonso., há 44 minutos:

Sinceramente, já foi bem pior. Olha para a grid atual e só encontras um piloto pagante, Colapinto?

Entendo o que dizes, não há ninguém que seja propriamente um Latifi. Mas muitos deles andam lá pelo que aportam financeiramente.

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Publicado (editado)
Citação de Ghelthon, há 59 minutos:

Entendo o que dizes, não há ninguém que seja propriamente um Latifi. Mas muitos deles andam lá pelo que aportam financeiramente.

Podes ter talento e ter dinheiro. 

Eu percebo o que dizes mas o automobilismo nunca foi para pobres, a não ser que sejam um completo fora de serie, precisas sempre de ter algum capital nem que seja para começar.

O Max que é o mais talentoso desta geração, também é o que é porque teve uma facilidade em iniciar no automobilismo que muitos não tiveram.

Alonso, Hamilton os pais tiveram que sacrificar bastante numa fase inicial da carreira para que pudessem iniciar nos karts... o Ocon os pais a venderam a casa e moravam numa caravana.
 

 

Filho de mecânico, o francês viu seus pais abrirem mão até da própria casa em que moravam para sustentar o sonho do jovem Esteban ainda no kart. E onde eles foram viver? Em uma van.

“Meus pais deram tudo o que podiam, não sobrou mais nada. Não moramos mais na casa na garagem para financiar minha carreira. Morávamos numa van”, disse Ocón, ao podcast oficial da F1.

“Eu terminava um fim de semana de corrida, meu pai parava a van na frente da escola, eu dormia, ouvia o sino tocar, acordava e ia para a escola. Eu tinha 11 ou 12 anos, eu era feliz vivendo numa van”, afirmou à agência Reuters.

 

Editado por Alonso.

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Publicado (editado)
Citação de Alonso., há 8 minutos:

Podes ter talento e ter dinheiro. 

Eu percebo o que dizes mas o automobilismo nunca foi para pobres, a não ser que sejam um completo fora de serie, precisas sempre de ter algum capital nem que seja para começar.

O Max que é o mais talentoso desta geração, também é o que é porque teve uma facilidade em iniciar no automobilismo que muitos não tiveram.

Alonso, Hamilton os pais tiveram que sacrificar bastante numa fase inicial da carreira para que pudessem iniciar nos karts... o Ocon os pais a venderam a casa e moravam numa caravana.
 

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Filho de mecânico, o francês viu seus pais abrirem mão até da própria casa em que moravam para sustentar o sonho do jovem Esteban ainda no kart. E onde eles foram viver? Em uma van.

“Meus pais deram tudo o que podiam, não sobrou mais nada. Não moramos mais na casa na garagem para financiar minha carreira. Morávamos numa van”, disse Ocón, ao podcast oficial da F1.

“Eu terminava um fim de semana de corrida, meu pai parava a van na frente da escola, eu dormia, ouvia o sino tocar, acordava e ia para a escola. Eu tinha 11 ou 12 anos, eu era feliz vivendo numa van”, afirmou à agência Reuters.

 

A questão é apenas esta: se fores o maior talento de sempre e vieres de um país pobre, e portanto não tiveres apoios/patrocínios/paitrocínios, chegas à F1? Não vale falar de programas de equipas, tipo Junior Red Bull (ou lá como se chama).

Editado por Ghelthon

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O pódio do Tiago Monteiro naquela corrida na América com seis carros ainda vive rent free na minha cabeça. 

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