Ir para conteúdo

Black Hawk

Membro da Comunidade
  • Total de itens

    36.624
  • Registo em

  • Última visita

Tudo que Black Hawk publicou

  1. Capítulo 09: "Dançando com o Diabo" Olá, malta! Mais três meses passaram desde a última vez que vos escrevi. Hoje é dia 03 de Fevereiro de 2028 e muita coisa aconteceu desde a minha última carta. Oh!, se aconteceu! Desde logo saiu o terceiro episódio do documentário "Any Given Wednesday - Next Chapter", da LetFlix, que acompanha esta nossa temporada de regresso à Premier League. Intitulado "Ups and Downs", acompanhou a fase intermédia da nossa temporada e, bem, pelo título escolhido podem imaginar mais ou menos o que se passou. O ambiente no balneário está bom e recomenda-se. Até adoptámos uma música como banda sonora oficial da nossa equipa. Conhecem a música "Ace of Spades", de uma banda chamada Motörhead? Pois, também a maioria dos meus jogadores não conhecia. "Mister! Isso é uma banda do século passado. Isso é Rock & Roll dos nossos avós!" Nem imaginam a pontada no coração que senti quando os ouvi dizerem isto. "Rock & Roll dos nossos avós"?!? Como assim? Bem, é verdade que já eram uma banda sucedida antes de eu próprio ter emergido neste mundo a berrar como protesto por me tirarem do confortável ventre da minha mãe, mas bolas, isto foi uma das bandas sonoras da minha infância! O tempo passa, bolas... Bem, deixemo-nos de conversas. Já irão perceber o porquê de esta música se ter tornado a nossa banda sonora. Dançando com o Diabo: parte 1 Como vos disse da última vez que vos escrevi, o nosso ciclo entre inícios de Novembro e finais de Dezembro seria terrível. Manchester United, Tottenham, Arsenal, Brighton, Chelsea, Liverpool, Aston Villa, entre muitos outros adversários difíceis esperavam-nos para colocar à prova a nossa equipa, a qual conseguiu sair de Outubro com um incrível 4º lugar na tabela. Isto foi o que aconteceu. Começámos com um empate caseiro na recepção ao Man Utd. Foi um jogo equilibrado em que entrámos fortes, mas fomos apanhados de surpresa com um golaço de livre direto do Bruno Fernandes no primeiro remate dos Red Devils. Passámos o resto do jogo a tentar empatar, mas apenas o conseguimos aos 80 minutos - ironicamente, graças a um contra-ataque em que o Beto finalizou na cara do André Onana. Ao empate perante o Man Utd seguiu-se uma vitória justa sobre o aflito Ipswich Town que antecedeu a recepção ao Tottenham. Os Spurs não estão a ter uma boa temporada. Estão perdidos a meio da tabela, mas o plantel deles é muito bom e não lhes falta qualidade individual, pelo que antecipava dificuldades para conquistarmos os três pontos. Não vale a pena estar a descrever o rumo do marcador porque isso vocês podem ver pela imagem. O que quero destacar é que o Tottenham empatou aos 64 minutos e, como um azar nunca vem só, logo depois o Beto ficou estendido no chão, agarrado a uma das suas pernas. O grito de dor que saiu da sua garganta não deixou dúvidas quanto à gravidade da lesão. Entrou para o seu lugar o Rafiu Durosinmi e, pelo menos por uma vez, a sorte bafejou-nos: foi ele a dar a cabeçada certeira que confirmou a nossa vitória já na reta final do jogo. A vitória foi tangencial, num jogo muito equilibrado, mas mais relevante do que os três pontos em si foram os acontecimentos que se deram como consequência desta partida. Desde logo porque confirmou-se após a partida que a lesão do Beto era grave. O rapaz teve um início de temporada algo discreto, mas apontou três golos nos dois últimos jogos - um ao Man Utd e dois ao Ipswich Town - e, quando parecia estar em brasa para mostrar a sua veia goleadora, lesiona-se com gravidade... pouca sorte! Por outro lado, lembram-se de vos ter dito que o Tottenham está a ter uma temporada abaixo do esperado? Esta imagino que ninguém previu! A derrota em Hillsborough ditou o despedimento do treinador Igor Tudor. Para surpresa geral, dias depois foi anunciado como novo treinador dos Spurs... Cristiano Ronaldo! Nunca na minha cabeça imaginei esta lenda do futebol, que se reformou há poucos meses, no banco de suplentes de uma equipa da Premier League, mas aqui estamos. Isto vai ser divertido. Mas passemos de volta aos nossos jogos. O calendário era difícil e isso ficou provado quando sofremos duas derrotas consecutivas perante Arsenal e Brighton. Em ambos isto foi decidido nos detalhes. No Emirates sofremos o 1-2 num remate de fora da área do Mikel Merino aos 83 minutos; contra o Brighton estivemos a perder 1-3, reduzimos também na fase final e ainda tivemos duas ocasiões escandalosas para empatar, mas falhámos ambas. Estava preocupado pois, após estas duas derrotas, defrontaríamos de seguida Chelsea e Liverpool. Isto tinha todo o potencial para dar em mais dois jogos sem vitórias, aumentando a contagem para quatro sem vencer, mas... ... a resiliência da coruja foi colocada à prova e confirmou-se que temos capacidade para mudar o rumo dos acontecimentos. A vitória em Stamford Bridge foi brilhante. O resultado não faz jus ao nosso domínio. Chegámos aos 3-0 aos 80 minutos do jogo, período durante o qual fomos tão dominadores que os adeptos do Chelsea já estavam a abandonar o estádio... mas depois os "Blues" transfiguraram-se e, nos últimos 10 minutos do jogo, pareciam possuídos! Foi nesses 10 minutos finais, com o resultado em 3-0, que o Chelsea fez praticamente todos os seus remates. Marcaram em dois deles, o que nos levou a entrar em pânico na fase final da partida. Felizmente a reação deles foi tardia e não ameaçou a nossa vitória - caso não tivéssemos vencido, isto teria sido extremamente injusto. A vitória na recepção ao Liverpool foi mais tranquila do que parece pelas estatísticas. Foi até bastante parecida à vitória sobre o Man City de que vos falei da última vez que vos escrevi: dominámos a primeira parte, chegámos ao intervalo a vencer 2-0 e, na segunda parte, recuámos, defendemos e não permitimos ao Liverpool grandes oportunidades para reentrarem na discussão do resultado. Depois destas duas vitórias perdemos quatro jogadores: Boris Mamuzah Lum, Mohamed Belloumi, Rafiu Durosinmi e Francis Okoronkwo, todos eles convocados para a African Cup of Nations. Isto foi especialmente problemático no ataque, pois com a lesão do Beto e a perda do Rafiu Durosinmi e do Francis Okoronkwo (este acabado de regressar da lesão grave que sofreu na pré-temporada e que só jogou um jogo por nós, contra o West Brom para a League Cup), fiquei com apenas um ponta-de-lança disponível no plantel para uma fase em que temos uma exigente sobrecarga de jogos. Certo é que empatámos os dois últimos jogos do ano. Em ambos fiquei com a sensação de que merecíamos mais. Bournemouth e Aston Villa basicamente marcaram todas as ocasiões de golo que criaram. Não há muito que se possa fazer quando os adversários marcam cinco golos em sete ou oito remates... Este ciclo era crítico. Os adversários eram difíceis, a pressão sobre os nossos jogadores quase insuportável, mas não só sobrevivemos como mantínhamos a 4ª posição na tabela que já ocupávamos no final de Outubro. E, com isto, entrámos no novo ano 2028. Ano Novo, Vida Nova Não tinha previsto mudanças no plantel no mercado de Inverno, mas surgiu uma boa oportunidade, que aproveitei, e uma lesão inesperada que me obrigou a uma contratação inicial. Começando pela boa oportunidade... ... esta foi a única contratação que preparei para reforçar o plantel neste mercado de Inverno. O Matteo Pérez Vinlöf foi-me recomendado por um observador em Setembro, logo após o fecho do mercado de Verão. Deu-lhe 3,5 estrelas de qualidade e 4,5 de potencial. O Dinamo Zagreb pediu-me €17M por ele e não hesitei - e em boa hora o fiz, pois ele valorizou imenso desde Setembro e se tivesse esperado mais tempo não o teria conseguido contratar por estes valores. É um óptimo reforço para uma posição em que só tinha dois jogadores. Tanto o Jamal Lewis como o Max Lowe não vão para novos e precisava mesmo de alguém mais jovem para assegurar o futuro da ala esquerda da nossa defesa. E passando para a necessidade inesperada... ... o nosso guarda-redes Victor Rongier lesionou-se durante um treino logo no segundo dia de Janeiro; uma paragem de um mês que me obrigou a ir ao mercado. Na verdade, isto acabou por ser caricato. Já devem ter notado que referi imensas vezes que sofremos muitos golos em poucas oportunidades concedidas aos adversários. Pois, em muitos desses golos ficou a sensação de que o Victor Rongier poderia ter feito mais para os evitar. O francês foi aposta pessoal minha e, teimoso como sou, estava disposto a morrer nesta colina por ele... mas os deuses do futebol abriram-me uma autoestrada para corrigir o meu erro com esta lesão. Reuni os relatórios que os meus observadores me foram dando ao longo dos últimos meses e a opção recaiu neste craque. O Carl Rushworth dispensa grandes apresentações. Veio do Brighton, onde era suplente porque os "The Seagulls" têm um tipo chamado Bart Verbruggen, e custou-nos apenas €4.5M. Foi uma pechincha! Para financiar estas contratações, saíram dois jogadores: o guarda-redes suplente Joe Walsh, que é bom rapaz, mas não tinha confiança nele para assumir a titularidade (rendeu-nos €8.5M); e o médio Amine Bassi, com muita pena minha pois foi titular na nossa campanha da época passada no Championship, mas claramente não tem andamento para a Premier League e pouco jogou (saiu por €15.75M). Ficámos melhor do que estávamos e ainda fizemos lucro suficiente para trazer também, pela bagatela de €1M, um jovem jogador que foi o primeiro a merecer 5 estrelas de avaliação quanto ao seu potencial - o primeiro relatório que recebi de um observador a dar avaliação máxima a um jogador! Este jovem médio bósnio não vai fazer parte do plantel. Foi emprestado ao Burnley para ter utilização regular e no final da temporada veremos se cresceu o suficiente para integrar o plantel para a próxima temporada. Só vos falei dele porque tenho imensa esperança de que nos próximos tempos vos venha a falar imenso dele! Dançando com o Diabo: Parte 2 Ora bem, voltando aos jogos. Devem ter notado que derrotámos o West Brom nos Quartos-de-Final da League Cup e, com isso, avançámos para as Meias-Finais da prova. Estavam ainda em competição, além de nós, Man City, Man Utd e o surpreendente Oxford United. Todos queriam estes últimos, mas o sorteio colocou-nos pela frente os Red Devils de Manchester. Ironicamente, o sorteio da FA Cup também os colocou no nosso caminho, o que significa que, depois de os termos defrontado em Novembro, os teríamos de defrontar mais três vezes em Janeiro. Já estão a perceber o porquê de a música "Ace of Spades", dos Motörhead, se ter tornado a banda sonora oficial do nosso balneário, não? "The pleasure is to play Makes no difference what you say I don't share your greed The only card I need Is the Ace of Spades The Ace of Spades Playing for the high one Dancing with the devil Going with the flow It's all a game to me" Ora, depois de termos empatado na nossa primeira dança com os (Red) Devils em Novembro, voltámos a medir forças três vezes com Bruno Fernandes e companhia. O primeiro destes três jogos foi a primeira mão da Meia-Final da League Cup, em pleno Old Trafford. O desfecho desta segunda dança com os (Red) Devils foi basicamente o mesmo da primeira dança. Mais uma vez entrámos a perder com um golo de Bruno Fernandes, e mais uma vez o astro português, meu querido compatriota, marcou no primeiro remate do Man Utd no jogo. A única diferença é que desta vez marcou de grande penalidade em vez de o fazer de livre direto. Empatámos no primeiro lance da segunda parte pelo nosso Mitoma da Temu, Yuki Soma. A ironia disto é que o Kaoru Mitoma estava a jogar do outro lado, ele foi contratado pelo Man Utd na época passada. Fomos globalmente superiores, mas não conseguimos marcar o segundo golo e tivemos de nos contentar com um empate que, bem vistas as coisas, até não foi um mau resultado pois permite-nos decidir a eliminatória em Hillsborough. Dançando com o Diabo: Parte 3 O terceiro confronto... errr... dança com o Diabo deu-se apenas onze dias depois, de novo em Old Trafford, mas desta vez a contar para a 4ª Ronda da FA Cup. O objetivo da Direção na FA Cup era chegar à 5ª Ronda, pelo que vencer era imperioso para atingir esse objetivo - se bem que com a nossa campanha na Premier League e a chegada às Meias-Finais da League Cup, não me parece que eles se chateassem demasiado caso falhássemos algum passo desta dança. Seja como for, no Wednesday todos os jogos são para ganhar e foi com esse espírito que entrámos no relvado de Old Trafford! ... Oh, por amor de Deus! Pelo terceiro jogo... errr... dança consecutiva, fomos superiores ao Man Utd, rematámos mais, tivemos mais posse de bola, e voltámos a não vencer. Aliás, desta vez até perdemos. Este jogo foi caricato. O Benjamin Sesko marcou dois golos nos dois únicos remates que o Man Utd fez em toda a primeira parte - nestes primeiros 45 minutos nós fizemos 13 remates... Até final ainda pressionámos em busca de pelo menos um golo que reabrisse o jogo, mas o tempo foi passando sem que o conseguíssemos e fomos perdendo a esperança aos poucos. Por esta altura já não sabia ao certo o que mais fazer para vencer o Man Utd. Três jogos em que fomos superiores, mas em que eles marcaram sempre nos primeiros remates que fizeram. A sério, os quatro golos que eles nos apontaram nestes três jogos foram nos primeiros quatro remates dos três jogos! Enfim... Por entre estes jogos, tivemos, claro, outros compromissos para a Premier League. Que até começaram bem, com três goleadas logo a abrir este novo ano de 2028 - e duas delas para a Premier League. Depois empatámos a zero em Newcastle, num jogo em que rodei consideravelmente a equipa para estar na máxima força nos compromissos contra o Man Utd e em que fomos uma sombra de nós próprios. Reagimos à derrota na FA Cup com uma goleada sobre o Wolves, mas fomos perder a Liverpool frente ao Everton num jogo em que, adivinharam, rodei a equipa para a dança com o Diabo que faltava e que teria lugar apenas quatro dias depois. No início de Fevereiro de 2028 mantemos a 4ª posição com que terminámos o ano de 2027. Por esta altura parece-me altamente provável conseguirmos o apuramento para as competições europeias. Temos 6 pontos de avanço sobre o 8º lugar a apenas 13 jogos do final da Premier League, só mesmo uma hecatombe de proporções bíblicas nos impedirá de conseguir esse feito. Em Sheffield isso já nem se discute; o que se fala é de Champions League. É que o 4º lugar dá acesso à maior competição de clubes do planeta e, se mantivermos o ritmo atual, subitamente isso pode muito bem estar ao nosso alcance! Mas, para já, vamos à dança que falta. Dançando com o Diabo: parte 4 E, pela quarta vez esta temporada, a terceira em vinte dias, defrontámos os Diabos Vermelhos - era a segunda mão das Meias-Finais da League Cup. Depois do empate 1-1 em Old Trafford, teríamos o apoio massivo dos adeptos em Hillsborough para nos empurrar para a primeira vitória da temporada sobre o Man Utd, o qual valeria a presença na final da competição em Wembley. A acontecer, seria a primeira vez que o Wednesday iria a uma final da League Cup nos últimos 35 anos - em 1993 os "The Howls" foram pela última vez à final da League Cup e, curiosamente, também da FA Cup. Estávamos furiosos com o desfecho das danças anteriores e isso refletiu-se num golo madrugador do Xisco González Martínez. A vencer pela primeira vez o Man Utd esta temporada, poderíamos ter embalado para uma vitória tranquila, mas... o Joshua Zirkzee marcou no primeiro remate do Man Utd no jogo... Cada vez mais furiosos, voltámos à carga e o Ilyas Ansah repos a nossa vantagem no marcador à passagem da meia hora do jogo. Ao intervalo vencíamos, dominávamos claramente a partida e nem essa pausa no jogo mudou o rumo dos acontecimentos, pois aos 61 minutos o Beto, recentemente regressado da tal lesão de dois meses e na primeira vez que tocou na bola depois de entrar aos 59 minutos, fez o 3-1 - e ainda fez o 4-1 logo a seguir, mas o VAR descortinou um fora-de-jogo ao nosso Betinho. Vencíamos 3-1, o Man Utd só tinha feito um remate em 70 minutos - que até deu golo -, desta vez a dança com o Diabo correu a nosso favor. Certo? Errado! O Bruno Fernandes voltou a marcar, o seu terceiro golo em quatro jogos contra nós esta época, e em cima do minuto 90 um tal Diego Rossi empatou o jogo. Eles marcaram três golos em três remates! Quando o árbitro apitou para o final do tempo regular e os meus jogadores se reuniram para recuperar forças para o prolongamento, nem sequer sabia o que lhes haveria de dizer. Era a quarta vez que dominávamos o Man Utd, mas pela quarta vez não vencíamos porque eles insistem em marcar golos em todos os remates que fazem! Nessa altura lembrei-me da nossa música oficial. "I see it in your eyes Take one look and die The only thing you see You know it's gonna be The Ace of Spades The Ace of Spades" O Às de Espadas. Da última vez que vos escrevi, contei-vos da nossa vitória sobre o Man City. Na altura, o jogo estava completamente fechado, nenhuma das equipas conseguiu fazer um único remate nos primeiros 35 minutos do jogo, certo? O nosso Às de Espadas nesse jogo foi o defesa central Daniele Ghilardi, que desbloqueou o jogo com uma cabeçada imponente após um pontapé de canto, abrindo caminho para uma vitória 2-1. Pois bem... ... volvidos todos estes meses, o nosso Às de Espadas voltou a ser o Daniele Ghilardi. O defesa central italiano foi à área contrária e matou o Diabo à cabeçada, fazendo o 4-3 e, por uma vez, o Man Utd conseguiu fazer um remate que não deu golo - foi o único remate que fizeram em todo o prolongamento, sinal inequívoco da nossa superioridade em campo. Estava feito! À quarta dança com o Diabo, derrotámos o Man Utd e avançámos para a final da League Cup. Seria a nossa primeira presença na final desta prova em 35 anos! Claro está que, na final, vamos encontrar... ... o Man City, que despacharam facilmente o Oxford United. Grande jogo em perspectiva e excelente material para o documentário da LetFlix, que certamente não esperava poderem acompanhar-nos até uma final em Wembley quando nos abordaram para realizar este documentário! Any Given Wednesday: Ups and Downs Então, depois destas peripécias todas saiu o terceiro episódio do documentário, que como já vos contei chama-se "Ups and Downs". O episódio teve uma recepção maioritariamente positiva, embora as audiências não tenham impressionado. O mais caricato disto é que a sinopse do episódio fala em "resultados irregulares" e em como os adeptos esperam que eu "empurre a equipa para lugares mais acima na tabela na fase final da temporada". Ora, nós estamos em 4º lugar na Premier League com um Sheffield Wednesday acabado de subir do Championship, o que raio querem eles, que vença a Premier League? Acho honestamente que os adeptos não me pedem nada disso e que isto são apenas os produtores da LetFlix a tentarem criar drama para aumentar as audiências do documentário. Ou estarei enganado? Enfim, por este andar o único insatisfeito com este documentário ainda acabo por ser eu. Deixo-vos, para finalizar, as estatísticas individuais dos jogadores até este ponto da temporada. Destaco o crescimento dos golos apontados pelo Beto, apesar da lesão grave que sofreu e que o afastou durante dois meses, e do Ilyas Ansah, que aproveitou bem a ausência dele e do Rafiu Durosinmi para ganhar espaço no plantel. Além deles, o Xisquito continua a dar cartas no meio-campo e o Riku Yamane também começa a mostrar o seu valor como alternativa ao Patrick Osterhage. Faltam agora pouco mais de três meses para o final da temporada. Temos pela frente 14 jogos: 13 para a Premier League e a final da League Cup. É verdade que temos a possibilidade de conquistar um lugar na Champions League do próximo ano, mas é difícil não estar já com a cabeça em Wembley, no dia 12 de Março de 2028, quando defrontaremos o Man City na final da League Cup. Falta mais de um mês para esse jogo, mas é dele que toda a gente fala. Acho que a parte mais difícil do meu trabalho nas próximas semanas vai ser manter a cabeça dos jogadores focada nos jogos que teremos para a Premier League. Mas, diga-se, também não os posso censurar. Eu próprio dou por mim a imaginar como será disputar essa final. É que também será a primeira final de uma grande competição na minha carreira. Volto em breve para vos contar como correu. Desejem-me sorte! "Hi Ho Sheffield Wednesday!"
  2. Dar 25M por um jogador de 30 anos era o negócio do século.
  3. Não, mas por motivos profissionais tenho andado a dividir o meu tempo por Coimbra e Cernache nos últimos meses. É um local simpático, tranquilo, as pessoas são porreiras. Não fosse o facto de estar preso a Coimbra por motivos profissionais e familiares, bem que não me importava minimamente de me fixar na zona de Cernache.
  4. Falaram aí atrás de insensibilidade (foste tu, Tio?). Não é que não perceba o contexto em que foi dito, mas se é para entrar no campo da insensibilidade e das trincheiras isto dá para os dois lados. Sabem o que ajuda imenso a que se cavem trincheiras? É a insensibilidade de as pessoas ganharem o salário mínimo, que mal dá para arrendar um T0 numa cidade e mesmo nos arredores destas já começa a ser incomportável, para depois ouvir quem se arrisque a dizer que o problema é delas porque o salário mínimo está a subir depressa demais (não estou a apontar a ninguém daqui) e as empresas não têm meios para aumentar o salário médio, mediano ou whatever, de quem ganha ligeiramente mais do que o salário mínimo, na mesma proporção. É a insensibilidade daquele discurso que defende a lei do mais forte - sim, aquele discurso de que os fortes sobrevivem e os mais fracos morrem, que há 20 anos era sempre proferido pelos vilões de filmes e animes, mas hoje em dia é corriqueiro -, segundo o qual quem não consegue comprar casa ou arrendar que se mude para o carai mais velho, ou se o salário miserável que aufere não der dinheiro para comprar um par de calças ou material escolar ao filho, ou sequer meter comida na mesa, que vá para um segundo trabalho em part-time que a culpa da sua miséria é dele. É a insensibilidade de quem olha para o fenómeno da economia como se o nosso objetivo enquanto espécie for apenas gerar dinheiro, esse conceito natural que existe na natureza em abundância e que deve crescer em alguma árvore da Amazónia ou nos arbustos das savanas do Serengueti. Ah, desculpem, não é dinheiro; é valor!, esse eufemismo usado por quem ainda tem um resquício de dignidade para tentar camuflar uma total ausência de empatia e sensibilidade. Não sei em que ponto da nossa evolução enquanto espécie passámos de avaliar a mais-valia dos indivíduos pelo que acrescentavam à Humanidade, para passar a ser avaliada pela riqueza material que geram, como se o nosso objetivo enquanto espécie fosse gerar dinheiro, servindo o ser humano como escravo da economia em vez de ser a economia a servir o ser humano. Aliás, na História ensina-se precisamente isso. Gajos como o Van Gogh, Mozart ou Oscar Wilde ficaram na História pela riqueza material que geraram e pelo dinheiro que fizeram, não pelos seus contributos para a cultura da sociedade humana e o crescimento intelectual da humanidade. Mas deixemos este último devaneio de lado. Voltemos à insensibilidade. Se é da insensibilidade de que os mais fracos têm mais é de morrer (no sentido figurado... pelo menos por enquanto), de se sujeitar à sua miséria porque é sua culpa, de passar fome e de viver na rua porque o mercado é soberano e nós somos meros escravos dele. Então passemos à insensibilidade para com os outros também. Se têm uma pequena e média empresa e não conseguem suportar o aumento dos salários na mesma proporção do aumento do salário mínimo, o mercado dita que morram, não é? Não literalmente, claro. Mas se a vossa empresa não consegue suportar o aumento do salário mínimo, ou o do salário ligeiramente superior ao mínimo, mas ainda assim miserável que pagam como se estivessem a ser magnânimos, então o mercado dita que fechem portas porque são fracos e os fracos têm é de morrer. Se é de insensibilidade de que se fala, quem não consegue suportar salários condignos não deveria ter empresas em funcionamento. Fechem portas e vão bater punho em vez de pedirem subsídios como se fossem ciganos, ou imigrantes ou lá o que é que os palermas dizem. Ou então assumimos que a economia funciona nos dois sentidos. Que se é para haver sensibilidade para com os negócios mais frágeis - que precisamos deles também para gerar emprego, independentemente de ser mal pago ou não - então também tem de haver sensibilidade para se ajudar as pessoas que já auferem miseravelmente sem as culpar por estarem a ser exploradas por uma economia que apenas visa o lucro pelo lucro, sem que esse seja aplicado no crescimento da humanidade e apenas sirva para que uma pequena elite seja cada vez mais rica. Agora, um sem o outro, não. Não podem pedir a compreensão de quem ganha 920 euros, e ainda são acusados de não gerarem riqueza aos seus patrões, pelo drama destes últimos e das suas empresas que não conseguem sequer pagar mais 50 euros por mês aos seus trabalhadores. Tenham lá paciência. Depois falam em trincheiras. As trincheiras surgiram historicamente como um mecanismo de defesa perante a ofensiva cerrada de que se era alvo por outrém. Se elas existem hoje em dia como eufemismo para algo, foi porque alguém se sentiu atacado nos seus direitos e dignidade. Imaginem quem, porquê e por quem.
  5. E até é uma bela rasteira. A vila chamava-se Sernache do Bomjardim e o clube foi fundado nessa altura. Com o tempo, o nome da vila mudou para Cernache do Bonjardim, mas o clube manteve a grafia original. É um caso meio caricato 😅 Acho que foi a vila toda ao Jamor, foi incrível. Não havia uma alminha na rua durante quase todo o dia, o nível de entusiasmo foi inacreditável. É um gajo da terra que ganhou uma pequena fortuna no Totobola, ou Totoloto ou lá o que foi. É ele quem está a meter dinheiro no clube. Está basicamente a fazer o mesmo que eu farei no Amora quando me sair o EuroMilhões.
  6. Capítulo 08: "Desafiar as probabilidades" Olá, malta! Escrevo-vos mais cedo do que é habitual. Hoje é dia 05 de Novembro de 2027 - data em que foi lançado o segundo episódio do documentário "Any Given Wednesday - The Next Chapter", o qual acompanha esta nossa temporada de regresso à Premier League depois de uma ausência de 27 anos dos "The Howls" nestas lides. Já viram o episódio na LetFlix? Sim? Não? Não se preocupem, cá estou para vos falar deste nosso regresso à Premier League. Da última vez que vos escrevi, estávamos a poucos dias do primeiro jogo na Premier League. Falei-vos principalmente das entradas e saídas do plantel durante o mercado de Verão e das nossas expectativas para esta temporada 2027/28. E, como os deuses do futebol gostam de uma boa ironia, o nosso primeiro jogo foi precisamente contra um adversário que conhecíamos muito bem. O regresso da Premier League a Hillsborough O primeiro bloco de jogos oficiais desta temporada estendeu-se por cerca de mês e meio, terminando em meados de Setembro para dar lugar a uma pausa para compromissos das seleções nacionais que, nesta fase, disputavam a fase final do apuramento para as respetivas competições continentais - principalmente o Euro 2028 e a Copa Africana das Nações 2028. Tivemos alguma sorte com o sorteio. A maioria dos nossos adversários nesta fase não eram demasiado exigentes, embora a este nível dificilmente existam adversários fáceis. Seja como for, poderia ter sido pior. O nosso regresso à Premier League foi em Hillsborough e com a recepção ao Newcastle. Sim, a mesma equipa que nos eliminou na meia-final da FA Cup em Wembley, no final da época passada. A cidade de Sheffield entrou em polvorosa na semana que antecedeu o jogo. Era o regresso do Wednesday à Premier League depois de 27 dolorosos anos de ausência e, claro, os adeptos dos "The Howls" estavam em pulgas. O jogo foi o tema de todas as conversas, nos bares, nas ruas, no trabalho, nas escolas. Cartazes anunciavam o jogo. Tarjas foram espalhadas pela cidade com mensagens de apoio aos jogadores. Uma loucura! No dia do jogo, a azáfama começou cedo. Camisolas oficiais do clube, cachecóis e outros adereços foram surgindo desde que o sol se levantou no horizonte. Grupos cada vez maiores iam animando o ambiente com cânticos espontâneos de apoio ao Wednesday pelas ruas de Sheffield. A onda azul cresceu até à hora do jogo e os adeptos encheram totalmente Hillsborough, proporcionando um ambiente infernal aos nossos adversários e empurrando a nossa equipa para um bom resultado. O último desafio para a Premier League em Hillsborough foi a 14 de Maio de 2000, em jogo disputado para a última jornada da Premier League perante o Leicester City. Na altura, o Wednesday venceu por 4-0 e o último golo dessa goleada com que os "The Howls" se despediram da Premier League foi apontado pelo avançado belga Gilles De Bilde. Volvidos 27 anos, o nosso objetivo era voltar a marcar na Premier League e, com o apoio extraordinário dos nossos adeptos a embalar-nos, demorámos apenas 30 minutos a quebrar o jejum... ... cabendo ao Yuki Soma, o nosso japonês favorito, voltar a apontar um golo do Wednesday para a Premier League em Hillsborough! E foi um belíssimo golo. Nasceu de um lance coletivo que envolveu todo o nosso flanco esquerdo, a bola passando por Arthur Theate (o defesa central descaído para a esquerda), Jamal Lewis (lateral esquerdo), Yuki Soma (extremo esquerdo), Xisco González Martínez (médio centro descaído para a esquerda), Beto (ponta-de-lança) e pelo nosso novo capitão Patrick Osterhage (médio defensivo), até este descobrir uma linha de passe mortífera para a penetração do Yuki Soma. O nosso Mitoma da Temu não desperdiçou a oportunidade e colocou-nos a vencer para gáudio dos adeptos que enchiam o Hillsborough. Infelizmente, não estava destinado vencermos no nosso regresso à Premier League. O defesa Kacper Potulski marcou um raro golaço ao rematar de fora da área, empatando o jogo. Ainda hoje acho que o nosso guarda-redes Victor Rongier poderia ter feito bem melhor, mas em sua defesa diga-se que foi traído por um desvio involuntário na trajetória da bola causado pelo nosso defesa Erick Noriega. A meio da segunda parte tivemos uma grande penalidade a nosso favor, mas o jovem Xisco González Martínez, que nos treinos não falha uma, permitiu a defesa ao guarda-redes adversário... A sério, estão a ver aqueles exercícios em que se colocam uns aros no canto da baliza para os jogadores acertarem? O Xisquito não falha uma nos treinos, mete sempre a bola lá no canto onde dorme a coruja, mas neste dia acertou mal na bola. Azar do carai! Até final ainda tivemos alguns lances promissores, mas o resultado não mexeria mais. Acho que a injustiça do empate foi consensual entre os comentadores televisivos e adeptos em geral, mas também foi apenas a primeira jornada e haveria mais do que tempo para começar a somar vitórias. Metemos mãos à obra e somámos três vitórias consecutivas depois do empate na estreia contra o Newcastle. A primeira foi uma delícia, em pleno Elland Road no famoso "Yorkshire Derby" contra os nossos rivais regionais, o Leeds, que no ano passado foram também rivais na luta pelo título do Championship. A segunda, muito suada, embora inteiramente justa, na recepção ao Aston Villa. E a terceira, muito tranquila e em que aproveitei para rodar a maior parte da equipa, em jogo a contar para a League Cup perante o Lincoln City da League One. Este arranque de temporada surpreendeu muita gente - eu incluído! -, mas a realidade não tardou a relembrar-nos que somos uma equipa recém-promovida à Premier League com óbvias limitações em vários dos nossos jogadores. O primeiro sinal disso surgiu em Craven Cottage. Perdemos 0-2 perante o Fulham num jogo em que até dominámos, mas não conseguimos ultrapassar uma barreira chamada Pierce Charles - sim, o nosso guarda-redes nas duas últimas temporadas que este ano quis sair. Enquanto isso, o nosso novo guarda-redes Victor Rongier não conseguiu evitar dois golos fortuitos aos "The Cottagers" e, com isso, sofremos a primeira derrota da temporada. A partir daí, e até final deste primeiro ciclo de jogos, os resultados foram mais instáveis. As deslocações a Wolverhampton e a Londres saldaram-se em dois empates que, devo confessar, devem ter sido jogos emocionantes na perspectiva dos adeptos, mas terríveis para os treinadores tantas foram as vezes em que as equipas perderam a sua coesão defensiva. Em ambos houve reviravoltas: contra os Wolves estivemos a vencer 1-0 e sofremos o 1-2 antes de voltarmos a empatar; contra o West Ham estivemos a perder 0-1, virámos para 2-1 a nosso favor, mas sofremos o 2-2 durante a segunda parte. Fomos estatisticamente superiores nos dois jogos e fiquei com a sensação de que os golos que sofremos nem sequer foram ocasiões de golo indefensáveis, mas as bolas entraram e isso é que contou. Pelo meio goleámos o Everton em Hillsborough, equipa que à data do jogo estava em 3º lugar na tabela e que derrotámos com inesperada facilidade. Estes resultados saldaram-se num inesperado 7º lugar na tabela após sete jogos disputados. Era um óptimo arranque de temporada e, se me oferecessem a possibilidade de a época acabar logo ali connosco na 7ª posição, eu assinava de imediato por baixo. Mas ainda nem 20% da temporada estava disputada, pelo que esta posição nesta fase era totalmente precária. Até porque após a pausa para compromissos de seleções que se seguiu ao empate perante o West Ham, o nosso adversário seria o campeão inglês em título: o Man City. Desafiar as probabilidades O Man City não teve um bom arranque de temporada, tendo somado apenas 1 ponto nos dois primeiros jogos da temporada, mas vinha recuperando posições com quatro vitórias consecutivas quando chegou a vez de visitarem o inferno de Hillsborough. Eles são os campeões em título depois de dominarem de tal forma a Premier League na época passada que a concluíram com incríveis 95 pontos. Seria sempre um jogo difícil. Eu sabia-o, eles sabiam-no, todos o sabiam. Mas fomos à luta e demos o nosso melhor. A verdade é que o Pep Guardiola, tal como eu, montou a equipa em 4123 e isso resultou num jogo trancado, com as equipas a encaixarem uma na outra e os jogadores a travarem duelos individuais em todo o campo. O resultado disto? Apesar da superior qualidade individual dos campeões ingleses em título - e nem sequer era por pouco; todos os jogadores do Man City seriam estrelas no nosso Wednesday! - o jogo arrastou-se ao longo da primeira meia-hora sem que ninguém conseguisse desatar o nó górdio, de tal forma que em 35 minutos de futebol não houve sequer um remate por parte de qualquer uma das equipas. A única forma disso acontecer seria num lance individual ou numa bola parada... e foi numa destas últimas, no caso num pontapé de canto, que o Daniele Ghilardi saltou mais alto do que toda a gente e cabeceou para o fundo das redes. A reação do Man City não se fez esperar. Adiantaram os seus jogadores no terreno em busca do empate, mas não adivinharam que nós mantivéssemos a pressão alta em vez de descer linhas para o nosso meio-campo defensivo. Logo após o nosso golo, recuperámos uma bola no meio-campo defensivo deles e lançámos um contra-ataque rápido. A bola foi lançada em profundidade, a defesa do Man City foi apanhada desposicionada e o nosso extremo direito Mohamed Belloumi surgiu na cara do Gianluigi Donnarumma, atirando fora do seu alcance e deixando Hillsborough em delírio. O intervalo chegou logo depois connosco a vencer 2-0 e este era um resultado justo. Tínhamos o dobro dos remates, embora isso significasse que tínhamos dois remates contra apenas um deles, mas estávamos a bater-nos de igual para igual contra o campeão inglês em título. Tenho anos suficientes disto para saber que depois de uma boa primeira parte contra um adversário de classe mundial segue-se uma segunda parte em que somos massacrados... pelo que não tive qualquer receio em recuar linhas, baixar a intensidade do jogo e privilegiar a nossa coesão defensiva, ficando satisfeitos em deixar o tempo passar sem correr qualquer risco. A verdade é que o tempo foi passando sem que o Man City criasse perigo. Vi algumas bolas atravessarem a nossa grande área mesmo em frente à nossa baliza, mas sem que alguém encostasse para o fundo das redes. O Bernardo Silva ainda atirou uma bola ao poste num remate de longe, mas fomos mantendo a nossa baliza inviolada. A nossa estratégia apenas sofreu um revés quando os nossos defesas centrais se desconcentraram e deixaram o Erling Haaland sozinho no meio da grande área. O gigante norueguês não desperdiçou a oportunidade, mas por essa altura já estávamos no tempo de compensação e a nossa vitória já não escapou. Vencemos o campeão em título, o todo-poderoso Man City! A vitória sobre a equipa do carismático Pep Guardiola deu-nos a confiança para vencer os três jogos seguintes. E atenção!, não foram jogos fáceis! O Brentford era 2º classificado quando os visitámos e o Crystal Palace estava em 3º lugar quando os recebemos em Hillsborough. Vencemos ambos os jogos por 1-0 em partidas duríssimas, equilibradas e que poderiam ter caído para qualquer um dos lados, mas felizmente fomos ligeiramente superiores e isso foi suficiente para somarmos os 3 pontos pela margem mínima. Esta série de seis jogos sem perder, iniciada após a derrota contra o Fulham, foi quebrada com uma derrota no The City Ground, em Nottingham. Não houve motivos para vergonhas, até porque... ... o Forest é o surpreendente líder da Premier League quando estão disputadas 11 jornadas da competição! Mais importante, estamos numa incrível 4ª posição nesta fase da prova. É uma posição assente principalmente em alguma coesão defensiva - temos a terceira melhor defesa da Premier League. Já ofensivamente estamos a render menos, com apenas 15 golos em 11 jogos. Os números ofensivos não impressionam, mas não me preocupam para já. A equipa cria ocasiões de golo, mas sinto que a maioria dos jogadores está a acusar a pressão de jogar na Premier League. A sério! Não é desculpa! Por vezes os nossos jogadores surgem em boa posição para rematar, mas hesitam e preferem passar para o lado em vez de encher o pé e disparar para o fundo das redes - e quando o fazem, falham muitas vezes a baliza. Julgo ser um misto entre o peso da pressão e alguma falta de estaleca para o nível da Premier League. Com o tempo, os jogadores vão ganhar confiança neles próprios e os golos vão surgir. Eu acredito! Destaques Individuais Falando então nos jogadores... ... o destaque máximo vai para o Arthur Theate. O nosso defesa central está a confirmar ter sido uma pechincha por apenas €21M. Não só tem sido o líder da defesa, como já leva três golos apontados em cantos ofensivos. Que máquina! De resto, como é habitual nas minhas equipas são os extremos quem se destacam na manobra ofensiva. O Mohamed Belloumi está a revelar-se um excelente jogador e o Yuki Soma... isto é difícil de explicar. O nosso Mitoma da Temu fez a maior parte das suas assistências na cobrança de pontapés de canto. Em jogo corrido, tem revelado algumas dificuldades na definição dos lances e falhado alguns golos escandalosos. Talvez a Premier League seja um nível demasiado elevado para o Yuki Soma? Vamos ver como lhe corre o resto da temporada, mas apesar dos números tem sido uma pequena desilusão depois de nos ter carregado na época passada. Entre as desilusões até ao momento estão o Thimotée Pembélé, o Erick Noriega e o Pelle Mattsson. Os dois primeiros têm cometido erros defensivos inesperados e o último tem falhado em fazer a diferença no meio-campo. Quem tem impressionado sempre que é lançado em campo é o menino Boris Mamuzah Lum. Apesar de ser suplente tem já dois golos e a dinâmica que acrescenta ao meio-campo não passa despercebida. Se o Pelle Mattsson não acordar, o menino ainda lhe rouba o lugar! No ataque, o Beto tem poucos golos, mas gosto da dinâmica ofensiva que dá ao nosso ataque. Ele também não teve utilização regular nas últimas temporadas no Everton, por isso tenho esperança que com o tempo comece a acertar mais vezes na baliza. Any Given Wednesday: Newcomers not daunted by the Premier League! O segundo episódio do documentário da LetFlix foi intitulado "Newcomers not daunted by the Premier League". Um nome estranho, eu sei, mas que reflete bem aquilo que tem acontecido até aqui. Estamos a surpreender toda a gente - eu incluído. Ninguém esperava que chegássemos a Novembro em posição de qualificação para as competições europeias, e isto ainda numa fase em que a maioria dos jogadores está a tentar habituar-se ao ritmo da Premier League. A recepção ao episódio foi positiva e a audiência até aumentou (passou de Niche para Regional), mesmo que ainda não esteja num patamar que torne este documentário num autêntico sucesso da LetFlix. Tanto eu como os jogadores ainda estamos a tentar habituar-nos a ter câmaras sempre apontadas às nossas fronhas. Eles têm filmado tudo! Palestras, conversas minhas particulares com alguns jogadores, um certo dia até tive de trancar a porta da casa de banho para poder fazer aquilo que estão a pensar sem ser filmado! Felizmente, a maioria dos jogadores está a reagir bem à presença das câmaras. Tirando um punhado de jogadores que ocasionalmente reclamam da falta de privacidade no balneário, o plantel está satisfeito com a visibilidade que têm tido e alguns até queriam maior protagonismo no documentário. Foi-me pedido que desse permissão para que os produtores entrevistassem dois jogadores durante este período: o Thimotée Pembélé após uma má exibição e o Mohamed Belloumi após o golaço que marcou e que garantiu a vitória frente ao Man City. Eu dei essa permissão e nenhum deles ficou insatisfeito com isso. Eu também fui requisitado para uma entrevista, que teve destaque durante este episódio, em que me pediram para confirmar se esperava que mantivéssemos este ritmo ao longo de toda a temporada. Isto surgiu na sequência dos bons resultados após o jogo contra o Man City, que levaram os adeptos a sonhar com uma presença na Champions League na próxima época. Aqui tive de meter um travão na euforia. A época vai ser longa e a nossa equipa, convém não esquecer, acabou de subir do Championship e não tem as mesmas armas da maioria dos nossos adversários. Basta uma série de maus resultados e caímos para meio da tabela, pelo que convém mantermos os pés bem assentes na terra. E digo isto com toda a propriedade. É que estamos em 4º lugar, é verdade, mas até aqui o calendário não foi muito duro connosco. Ora vejam o que se segue até final de 2027... ... começando pelo Man Utd, passando pelas recepções a Tottenham, Brighton e Liverpool, e as deslocações aos terrenos do Arsenal, Chelsea, Bournemouth e Aston Villa, não vamos ter um minuto de descanso até final de Dezembro! Está aqui o caldo para um ciclo terrível que vai colocar à prova as nossas qualidades e resiliência para o elevado patamar competitivo da Premier League. Se sairmos vivos deste ciclo e evitarmos uma hecatombe, talvez possamos sonhar em devolver o Wednesday aos palcos da Europa. Mas isso dependerá do que fizermos nos próximos meses. Voltarei a escrever-vos logo após a saída do terceiro episódio do nosso documentário, o qual está previsto para o início de Fevereiro de 2028. Desejem-nos sorte pois bem vamos precisar! "Hi Ho Sheffield Wednesday!"
  7. Pela amostra da coisa, às tantas mais vale usar o Bruno Fernandes a central. A qualidade de passe está lá e dá tanta luta aos adversários como qualquer defesa desta seleção.
  8. O Inácio e o Dalot agora pareciam os gajos do Dumb & Dumber. Meu Deus do céu.
  9. O Diogo Dalot também é outro que estar ali e no Man Utd é um autêntico mistério. O gajo não é bom em exatamente nada. Eu nem sequer o queria no Sporting e no entanto ele continua a jogar regularmente por clube e seleção...
  10. O Vitória bateu-se bem, mas pareceu-me evidente que o Leça tem mais e melhores jogadores enquanto os de Cernache valem-se mais pelo coletivo. Foi pena, teria sido incrível terem vencido o Campeonato de Portugal.
  11. Expliquem-me só uma coisa: o que raio ainda está a seleção a fazer em território nacional e por que motivo só vão para as Américas na sexta-feira, começando a preparação para as condições climáticas muito próprias de lá a apenas cinco dias do primeiro jogo? Estou mesmo a ver depois queixarem-se do calor e de não ter havido tempo para se habituarem, tipo o que aconteceu na Coreia do Sul. (e sim, eu sei que os climas da Coreia do Sul, de Macau, de Portugal e da América do Norte são diferentes)
  12. Capítulo 07: "O próximo capítulo" Olá, malta! Pensavam que já não voltaria a escrever-vos agora que sou famoso? Enganam-se! Nunca me esqueço daqueles que me acompanharam quando era um "Zé Ninguém" desconhecido do mundo. Esperem!, vocês sabem do que falo, certo? O motivo de subitamente ser famoso? Não? Ah!, que falha a minha, assumi que soubessem! É verdade; a LetFlix [nota: escrito assim para não usar o nome real] abordou a Direção do Wednesday para fazerem um documentário neste nosso regresso à Premier League após uma ausência de 27 anos. Brutal, não é? A Direção pediu a minha opinião. Eles avisaram que poderia ser importante para o clube, contribuindo para o aumento de visibilidade do Wednesday e consequente aumento de receitas, patrocinadores e atractividade do clube. Eu lá aceitei e, pronto, durante toda a nossa pré-temporada tivemos câmaras a seguir cada passo dado por mim e pelos jogadores - algo que vai acontecer ao longo de toda a temporada. Aliás, no momento em que escrevo, na tranquilidade do meu escritório, tenho uma câmara apontada à minha rezingona fronha. Talvez até possa acontecer que num episódio futuro possam ver-me a escrever-vos esta mesma carta que estão a ler, quem sabe? Mas deixemos a LetFlix de lado e passemos ao que importa. O regresso à Premier League Regressámos à Premier League depois de vencermos o Championship. A Premier League é uma máquina de fazer dinheiro e, sem surpresas, entrou bastante dinheiro nos cofres de Hillsborough. No total, foi-me dado um orçamento com que nunca sonhei: algo a rondar os €65M ou €70M. Ponto prévio: sempre vivi toda a minha vida a contar cada tostão. Nunca fui rico e nunca treinei uma equipa com bolsos largos. Há hábitos que custa mudar e isto de andar a contar cada cêntimo está de tal forma entranhado na minha forma de ser que não fui capaz de rebentar o orçamento todo em contratações. Além disso, continuo a seguir a regra de apenas avançar para a contratação de jogadores que os meus observadores me indicam. Eles vão em missões de observação, enviam-me os relatórios e normalmente avanço pelos jogadores que mereceram melhores avaliações da parte deles. Obviamente que avalio os jogadores, vejo o que os observadores me dizem quanto ao potencial de evolução dos jogadores, as suas características pessoas (são profissionais, jogadores de equipa, determinados?) e se os seus atributos encaixam no que procuro na minha equipa. Tenho a certeza que os meus observadores hão de ter falhado em identificar excelentes jogadores, ou se calhar até os viram mas deram-lhes baixa recomendação e passaram-me ao lado. Mas é esse o trabalho deles e tenho de confiar na minha equipa técnica, não é? [E dá um toque de realismo à carreira apenas avançar por jogadores que os meus observadores indicam, caso contrário isto tornava-se demasiado fácil] Saídas Entradas Então, começando pelo início. O nosso guarda-redes Pierce Charles foi dono e senhor da nossa baliza nas duas últimas temporadas, mas em início de Julho surpreendeu-me com um pedido para sair. Disse-me que o baixo nível das nossas infraestruturas de treino o estavam a impedir de atingir todo o seu potencial. Não lhe dificultei a saída. O Fulham avançou com uma proposta um pouco abaixo do seu valor, renegociei para um valor mais aceitável e ele lá foi. Para o seu lugar, avaliei mais de uma dezena de recomendações dos meus observadores e acabei por trazer o Victor Rongier, um guarda-redes (regen) de 24 anos do Rennes. O relatório garantia que é tão bom quanto o Pierce Charles (3,0 estrelas de qualidade), mas que tem potencial para ser ainda melhor (4,0 estrelas de potencial), e por €5M vale a pena o investimento. Tenho algum receio, devo confessá-lo, porque chegou com apenas 12 pontos de Aerial e 10 de Agility - o que é pouco para a Premier League. É um risco elevado o que estou a correr, pois se não evolui rapidamente nos primeiros meses vou ter um guarda-redes que vai sofrer golos que não deveria... A ver vamos como corre esta aposta. Passando para a defesa, saíram três jogadores: o lateral direito Yan Valery e os defesas centrais George Pratt e Seydou Sano. Todos eles eram habituais suplentes e não serão grandes perdas. Para os seus lugares trouxe dois reforços: o lateral direito Marco Palestra, da Atalanta, e o defesa central Arthur Theate. O Marco Palestra tem apenas 22 anos e já é tão bom quanto o Thimotée Pembélé. Tenho alguma esperança que cresça um pouco mais, mas mesmo que isso não aconteça já tenho dois laterais direitos mais ou menos do mesmo nível. O Arthur Theate foi uma de três contratações que realço como tendo sido um achado. [Nunca é demais recordar que os salários que aparecem nas imagens são anuais!] As características do jogador falam por si. É um defesa central forte, agressivo e exímio no jogo aéreo, mas tem qualidade com a bola no pé. Só peca um pouco na velocidade, mas por €21M foi um achado. A sério, nem queria acreditar quando abordei o Frankfurt para saber quanto queriam pelo jogador e pediram perto de €23M. Acabou por vir por €21M e não tenho dúvidas que vai aumentar o nível da nossa defesa e ter um papel de destaque na equipa durante os próximos anos. No meio-campo também houve umas quantas mudanças. Saíram Finley Barbrook e Jarvis Thornton. Ambos bons jogadores, mas nenhum deles impressionou dentro de campo - e se não impressionaram no Championship, dificilmente o fariam na Premier League. Para os seus lugares trouxe quatro jogadores: o japonês Riku Yamane (médio defensivo Roaming Playmaker); e os médios Box-to-Box Franco Tongya (a custo zero), Boris Mamuzah Lum e Xisco González Martínez. Os dois últimos indicados merecem algum destaque. O Boris Mamuzah Lum recebeu apenas 2,5 estrelas de qualidade atual do observador que o descobriu (o que o coloca num patamar atual ligeiramente inferior ao resto do plantel), mas este deu-lhe 4,5 estrelas de potencial (numa escala de 0 a 5), o que significa que o avalia como tendo potencial para ser muitíssimo melhor do que qualquer jogador do meu plantel. Paguei os €30M a pensar no futuro, e é bom que ele realmente se torne num grande jogador pois caso contrário será o observador a devolver-me esse dinheiro! No entanto, destes quatro jogadores é o espanhol que quero realçar. Este Xisco González Martínez é um achado. O observador indicou-mo em Fevereiro. Eu olhei para o relatório, depois para o perfil do jogador e só pensei "sim, claro, que eu consigo mesmo contratar este jogador ao Barcelona, vão pedir-me alguns €50M...". Para minha surpresa, quando os abordei pediram-me... €4M! O rapaz tem 21 anos (é regen, como poderão perceber), é veloz, tem enorme capacidade de liderança, e uma qualidade técnica e de passe impressionante. Tem ali umas arestas para limar (baixo Teamwork, Dribbling e Shooting), mas deuses!, por €4M isto é uma autêntica pérola! Aliás, não sei o que se passou na Catalunha, mas o Barcelona tinha quatro ou cinco jovens jogadores à venda por valores baixos como o que pediram pelo Xisco González Martínez. Eu cheguei a ter tudo acertado para trazer mais dois deles, mas como não receberam visto de trabalho não os pude integrar na equipa. Foi uma pena. No que respeita ao ataque, o destaque vai para a perda do Serginho. No início de Julho, o Everton avançou com uma proposta por ele. O meu primeiro instinto foi rejeitá-la, mas notei que o jogador estava desesperado para que o negócio se concretizasse... não queria um jogador insatisfeito, por isso acabei por aceitar. Ele foi embora, o que me deixou triste, mas para o seu lugar já tinha assegurado o Arijon Ibrahimovic, um promissor extremo esquerdo de 21 anos vindo do Bayern a custo zero, pelo que não fiquei muito preocupado. Para a posição de ponta-de-lança, consegui despachar o Marcus Forss. Marcou 13 golos no Championship, mas não tinha a mínima confiança que fizesse o mesmo na Premier League e difícilmente valorizaria mais do que aquilo que valorizou na época passada. Para o seu lugar, juntando-se ao nosso goleador da época passada Francis Okoronkwo, trouxe o Beto e o Rafiu Durosinmi. Ambos têm as características perfeitas para o que procuro num ponta-de-lança na nossa forma de jogar. O Beto estava na lista de transferências do Everton. Já tem 29 anos, mas veio por um valor irrisório que faz com que valha a pena o risco - se não correr bem, não será um rombo nas nossas contas. Já o Rafiu Durosinmi estava no... como se chama aquela cidade da torre torta? Ah, já sei! Pisa! Estava no Pisa, onde marcou 36 golos na Série B italiana na época passada. Por mim, o plantel estava feito com estas contratações, mas depois o Francis Okoronkwo lesionou-se na pré-temporada. Será uma ausência de três meses que me deixava com apenas seis jogadores para as três posições do ataque (dois extremos direitos, dois extremos esquerdos e dois ponta-de-lança), o que significa que uma eventual lesão adicional me deixaria limitado. Por isso procurei um novo reforço e, com a ajuda dos relatórios dos meus observadores, acabei por trazer o Ilyas Ansah. É um avançado alemão de 22 anos que pode jogar como ponta-de-lança e como extremo esquerdo, polivalência que pode ajudar imenso ao longo da temporada. Além disso, o observador que mo indicou garantiu enorme margem de progressão, pelo que mais uma vez estou a apostar mais numa possível evolução do jogador do que em impacto imediato. Aliás, isto foi a norma em quase todas as contratações. A maioria dos reforços têm, mais do que qualidade para terem impacto imediato, boas avaliações de potencial - pelo menos nos relatórios dos observadores. O risco disto é que poderemos sofrer um pouco nos primeiros meses na Premier League até os jogadores ganharem rodagem e crescerem um pouco mais, mas estamos já a pensar no futuro. Foi por esse motivo que vieram muitos mais jogadores, que aparecem visíveis na imagem das contratações, além daqueles de que vos falei. Se não vos falei deles é porque são jovens recomendados pelos observadores, mas que vão jogar na equipa de Reservas ou serão emprestados para, espero eu, crescerem e poderem vir a integrar o nosso plantel nos próximos anos. O saldo final das movimentações no mercado de transferências saldou-se num prejuízo de €20,5M, o qual só aconteceu devido à lesão do Francis Okoronkwo. Não fosse isso e teríamos feito lucro, que era o meu objetivo, mas com a necessidade inesperada de trazer o Ilyas Ansah para compensar a lesão do Okoronkwo... Por outro lado, não só continuamos totalmente no verde no que respeita ao cumprimento das regras financeiras da Premier League como conseguimos convencer o Doncaster Rovers, da League One, a ser clube afiliado dos Wednesday - foi por isso que lhes emprestámos vários jovens talentos com a expectativa de que cresçam com utilização regular. O balanço deste mercado é positivo. É verdade que tenho aqui imensas incógnitas. Muitos jogadores têm alegadamente potencial para crescer, mas poderão sofrer para terem rendimento imediato. Em contrapartida, pelo menos tenho opções para rodar a equipa a qualquer altura sem grandes variações de qualidade, pelo que acredito que poderemos ser consistentes ao longo da temporada. Ah, e claro... ... aproveitei algum do orçamento para promover novas melhorias nas infraestruturas, tanto de treino como da Academia das camadas jovens, o que resultou num aumento da avaliação de 3,0 para 3,5 estrelas em ambas. A ver se evitamos novas ocorrências de jogadores insatisfeitos com a ausência de condições, como aconteceu com o Pierce Charles. É certo que 3,5 estrelas ainda é baixo para o nível de uma equipa da Premier League, mas estamos a melhorá-lhas ao ritmo que nos é possível. Em breve haveremos de ter condições de topo. Objetivos e pré-temporada A Direção voltou a surpreender-me. Lembram-se há dois anos, no primeiro ano em que assumi o comando técnico dos "The Howls", quando começámos com 18 pontos negativos e um plantel horrível, mas mesmo assim a Direção exigia uma posição tranquila a meio da tabela? Pois, mais uma vez... ... a Direção exige uma posição tranquila a meio da tabela neste nosso regresso à Premier League. Eu esperava que fossem mais modestos e pedissem para evitarmos a despromoção, mas não!, querem já uma posição tranquila a meio da tabela! Não é que eu ache que seja irrealista, pois quem faz 110 pontos no Championship pode e deve garantir a manutenção na Premier League, mas isto é uma pressão desnecessária que nos colocam depois de 27 anos de ausência na Premier League! Também não ajudou que nos jogos de preparação para esta temporada... ... tenhamos somado tudo por vitórias e sem qualquer golo sofrido. É certo que os adversários não foram exigentes, mas conseguir uma sequência de sete jogos sem qualquer golo concedido, mesmo contra adversários mais modestos, não é nada comum. Este será o onze inicial para o primeiro jogo oficial da temporada. As escolhas refletem as prestações nos jogos de pré-temporada e, como podem ver, a equipa é a mesma que jogou no Championship no ano passado com apenas quatro alterações. A primeira é na baliza. O Victor Rongier assume o lugar do Pierce Charles. E, aqui que ninguém nos ouve, não acho que o Victor Rongier seja melhor do que o Pierce Charles - pelo menos enquanto não evoluir um pouco mais. Na defesa temos o Arthur Theate, aqui sim um claro upgrade em relação ao que tínhamos na época passada. No meio-campo a entrada do Xisco González Martínez para o lugar do Amine Bassi é uma incógnita. Em teoria será um upgrade, mas a ver vamos se o menino tem andamento para jogar na Premier League. No ataque apenas trocamos o ponta-de-lança. O Francis Okoronkwo lesionou-se, como já vos contei, e o Beto foi quem esteve melhor na pré-temporada, mas conseguirá render regularmente? São muitas incógnitas para avaliar. O certo é que vamos para a Premier League com a base da equipa que jogou o ano passado no Championship, a mesma que impressionou com a conquista do título, mas que todos apontavam para voos mais baixos. Conseguiremos surpreender de novo num patamar mais elevado ou a realidade vai atingir-nos em cheio e acabaremos a sofrer para garantir a manutenção na Premier League? Any Given Wednesday: Early Signals O primeiro episódio do nosso documentário, intitulado "Early Signals", foi lançado imediatamente antes da primeira jornada da Premier League. Focou-se nas movimentações no mercado de transferências e na percepção de jogadores e adeptos para a nova temporada, no orgulho pela promoção à Premier League e nas expectativas este nosso regresso à elite do futebol inglês. A maioria dos jogadores reagiu bem à pressão de terem câmaras a acompanhá-los. Vários revelaram a sua satisfação pela visibilidade de que estão a ser alvo e alguns até reclamaram por não terem tanta visibilidade como alguns dos seus colegas! A recepção foi boa, embora as audiências tenham sido modestas. Se tivermos um bom arranque na temporada talvez consigamos atrair suficiente interesse para que o próximo episódio deste documentário seja um sucesso. Quanto a mim, tenho uma equipa para preparar para a Premier League. Volto em breve com mais novidades. Até já! "Hi Ho Sheffield Wednesday!"
  13. Como neste fórum há sempre defensores dos treinadores mesmo quando eles só fazem m*rda, e isto é assim desde sempre, nesse ano também havia quem defendesse o Marco Silva e visse coisas que não existiam. Vai daí, um dia para provar que o Sporting não jogava um real carai contei o número de cruzamentos num jogo aleatório em Alvalade para postar no tópico do jogo. Parei pouco depois do minuto 80 quando já íamos em mais de 70 cruzamentos. Sim.
  14. Não é esse o objetivo? Quão mais miseráveis as pessoas forem, menos armas terão para reivindicar direitos e lutarem por melhores condições porque ficam sem margem para arriscar perder o pouco que já tiverem. Olha, hoje é dia de greve geral e conheço ainda bastante gente que me disse "não faço greve porque não posso perder um dia de trabalho". Estão a conseguir tornar as pessoas suficientemente pobres para estas não poderem sequer fazer um dia de greve em luta pelos seus direitos.
  15. Ias sentir-te em casa em Coimbra. Houve uma altura em que eu e uma colega de trabalho contávamos quantos víamos no caminho para o trabalho para ver quem "ganhava". Muito raramente alguém chegava a zeros. Deves ser demasiado novo para saberes quem é o Deco.
  16. Capítulo 06: "A estrada para Wembley" Olá, malta! Estamos em Maio de 2027. Cumpriram-se quase duas voltas completas desta adorável bola azul em torno do rei sol desde que me tornei treinador principal do Sheffield Wednesday. Foram dois anos difíceis e stressantes. Tivemos muito trabalho para lutar contra as adversidades. Aquele plantel inicial que me foi dado em Julho de 2025 exigiu muito esforço para o transformar numa equipa de futebol funcional. Foi necessário todo um exaustivo trabalho de investigação e análise no Verão de 2026 para encontrar os reforços apropriados para tornar o plantel mais condizente com os elevados padrões dos "The Howls". Mas isto vocês já sabiam, pois eu já vos contei tudo isto. O que ainda não vos contei foi aquilo que aconteceu na privacidade de Hillsborough durante o mês de Janeiro de 2027. Da última vez que vos escrevi, estávamos inesperadamente na liderança do Championship com 27 de 46 jogos já disputados. Isto foi tão inesperado que me obrigou a mudar radicalmente a nossa estratégia a curto/médio prazo. Como talvez se recordarão, da primeira vez que vos escrevi referi que o objetivo seria colocar o Wednesday na Premier League em três temporadas. Neste plano, esta segunda temporada serviria para iniciar a construção do plantel que serviria de base para uma candidatura à subida de divisão na nossa terceira temporada - daí pouco termos investido em contratações, optando antes por jogadores a custo zero que garantissem o nível suficiente para fazermos uma temporada tranquila. No entanto, chegámos ao final de Dezembro de 2026 na liderança do Championship. Isso não poderia ser ignorado. De repente, qualquer resultado final que não a promoção à Premier League seria invariavelmente visto como uma catástrofe, pelo que tivemos de antecipar em seis meses o investimento no nosso plantel tendo em vista a promoção à divisão principal do futebol inglês. O objetivo, claro está, passou a ser a promoção direta ou, na pior das hipóteses, garantir um lugar de acesso aos playoffs que nos permitisse ir até Wembley disputar a promoção à Premier League. Em Janeiro de 2027 começámos o trabalho que, esperávamos nós, garantiria pelo menos o início da viagem pelas estradas que levariam até Wembley. Revolução no plantel A equipa estava a render bem, não sendo por acaso que ocupávamos o topo da tabela do Championship. Ainda assim não conseguia afastar a sensação de que estávamos em "overperformance", ou seja, a conseguir resultados acima do esperado. Por mais paradoxal que possa parecer, isto era um problema. Significava que mesmo a fazer mais do que era suposto conseguirmos, isso não era suficiente para nos afastarmos de adversários mais fortes como o Leeds United, o Sunderland ou o Southampton - estávamos todos separados por cinco pontos. Caso a equipa baixasse um pouco o nível para mais perto da real qualidade dos meus jogadores, poderíamos ver a promoção direta para a Premier League fugir-nos por entre os dedos. E isso nem era assim tão improvável quanto isso, pois ultrapassado o efeito surpresa, os nossos adversários já não iriam defrontar-nos com a mesma sobranceria com que talvez o tenham feito na primeira metade da temporada. A isto juntou-se outro detalhe: perdemos dois titulares para o início de 2027. O George Pratt, um de apenas dois defesas centrais em que confiava, lesionou-se com gravidade; e o Serginho, um dos meus extremos titulares, iria disputar a AFC Asian Cup pelos Emirados Árabes Unidos, competição que duraria todo o mês de Janeiro e talvez mais uma semana em Fevereiro. Assim, enquanto todo o resto do mundo preparava os festejos para a passagem de ano, eu passei o último dia de Dezembro de 2026 a analisar os relatórios dos meus observadores e a fazer contas ao nosso orçamento para decidir quais os jogadores que tentaríamos contratar no mercado de Inverno durante o mês de Janeiro. Esta foi a lista de reforços que trouxemos neste mercado de Inverno (todos excepto o Christ Makosso, que foi contratado no Verão). As posições que sentia mais carenciadas eram o centro da defesa e o meio-campo. Só tinha um bom defesa central (Christ Makosso) e um que ia desenrascado (George Pratt). Com a lesão deste último, decidi trazer dois novos defesas centrais: Daniele Ghilardi e Erik Noriega. No meio-campo tinha dois bons jogadores (Finley Barbrook e Amine Bassi). Os restantes iam desenrascando, mas nenhum deles me dava confiança para ser titular de forma regular. Assim, trouxe dois novos jogadores: o alemão Patrick Osterhage e o dinamarquês Pelle Mattsson. Dada a perda do Serginho durante pelo menos um mês, contratei o esquerdino Mohamed Belloumi para reforçar a extrema direita do nosso ataque. Por fim, trouxe também o Thimotée Pembélé. Não estava propriamente à procura de um lateral direito, mas um dos meus observadores recomendou-o vivamente dizendo que era tão bom quanto os meus jogadores, mas com potencial para ser bastante melhor. Sondei o Sunderland e pediram um valor tão irrisório, tão abaixo do seu valor de mercado, que optei por avançar pela sua contratação. Aliás, isto foi o padrão das minhas contratações. Todos eles estavam listados para transferência pelos seus clubes e foram recomendados pelos meus observadores como sendo tão bons quanto os meus atuais jogadores, mas com potencial para serem melhores do que eles. Além disso, tive o cuidado de apenas avançar por jogadores que os meus observadores referiram serem profissionais, jogadores de equipa ou determinados - alguns deles com pelo menos uma destas características, outros com algumas, no caso do Patrick Osterhage com todas elas. E se dúvidas houvesse quanto ao sucesso deste mercado de Inverno, a reação dos meus próprios jogadores à chegada dos novos reforços descansou-me de imediato. O meu guarda-redes Pierce Charles e o meu defesa central Dominic Iorfa, ambos ainda resistentes do plantel da primeira temporada, deram voz à satisfação do plantel com o reforço da qualidade da equipa com as novas entradas. Curiosamente, nenhum deles se manifestou quanto à que considero a contratação mais crítica e audaz deste mercado de Inverno. O meu observador deve ter aproveitado a tarefa de prospecção que lhe dei para passar umas férias no Perú, pois mandou-me relatórios de mais de dez jogadores peruanos. Um deles foi Erick Noriega, que por acaso até jogava no Brasil. O Noriega é médio defensivo de raiz, mas quando olhei para as características do jogador vi nele o defesa central que precisava: jogo aéreo, velocidade e desarme quanto baste para o Championship (todos em 14). Peca um pouco na agressividade, mas isso é algo em que poderemos trabalhar para ele melhorar. O que ele tem de bom é a capacidade de passe, o que é uma melhoria considerável em relação a todos os meus defesas centrais que têm em comum bons atributos defensivos, mas são frágeis com a bola nos pés; o Noriega vem dar aquilo que nenhum deles é capaz de dar quando temos a posse de bola. Agora é apenas esperar que se habitue a jogar no centro da defesa e, se evoluir um pouco com rodagem regular no futebol europeu, pode ser que venha a ser um bom defesa central até para o nível da Premier League quando lá chegarmos. De uma forma global, o padrão nestes reforços foi o facto de já serem bons jogadores, mais ou menos ao nível dos meus titulares, mas com potencial para evoluirem um pouco mais além com utilização regular - pelo menos foi essa a garantia dos meus observadores. Ah, claro, trouxe ainda dois jovens, o Stephen Chirishungu e o Kitt Bunting, ambos com elevada avaliação dos observadores quanto aos seus potenciais de evolução. Pelo preço que me pediram, valeram a pena o risco e para já vão jogar na minha equipa de reservas. E agora perguntam vocês "mas oh Black Hawk, onde raio foste buscar os 25 milhões de euros que gastaste com esses reforços todos?". É uma excelente pergunta e a resposta está aqui. Fizemos 26 milhões de euros em vendas (são os valores sublinhados a azul). De todos eles, apenas fiquei com pena da saída do Thierry Correia. Ele é português tal como eu e sei, por conhecer o jogador desde que apareceu como promessa das camadas jovens do Sporting, que tem potencial para ser muito bom, mas ele não estava a render. Cometia demasiados erros defensivos, não estava a dar a preponderância esperada no ataque, foi inconsistente nestes meses que cá esteve e com a entrada do Thimotée Pembélé iria perder espaço, pelo que mais valia deixá-lo sair - e acabou por render um bom lucro já que veio a custo zero no último Verão. De resto, o Svante Ingelsson e o Fanis Bakoulas eram médios habitualmente suplentes que com regularidade sentiam-se nervosos antes dos jogos; e os outros três ainda eram restos do nosso plantel original da primeira temporada que pouco ou nada jogaram este época. Acabámos por fazer lucro, o que ainda permitiu investir para melhorar um pouco as nossas condições de treino e da Academia... ... que estavam numas miseráveis 2,5 estrelas e passaram agora para 3 estrelas de condições. Ainda estão distantes do nível expectável para um clube com a história e a reputação do Sheffield Wednesday, mas lá chegaremos. Passo a passo. As nossas condições financeiras estão seguras. Estamos abaixo do limite do orçamento salarial, sobraram 11,755 milhões de euros do orçamento para transferências e estamos a cumprir totalmente as exigências da FA no que respeita às regulações financeiras - mal seria se não estivéssemos, fizemos 14 milhões de euros de lucro nos dois mercados de transferências desta temporada! Com o plantel reforçado, e com maior profundidade tanto em opções como em qualidade, avançámos então para a segunda metade da temporada com a confiança de que tínhamos mais e melhores armas para atacar a subida à Premier League. A consolidação Os reforços não entraram diretos na equipa, como poderão imaginar. Dado o volume de jogos, foram sendo utilizados aos poucos, ora um, ora outro, à medida que foi sendo necessário rodar os meus jogadores para gerir a condição física ou por indisponibilidade de alguém. Alguns deles viriam a terminar a temporada como titulares, casos do Thimotée Pembélé, Erick Noriega e Patrick Osterhage, mas nos primeiros dois meses eles foram mais vezes suplentes utilizados do que titulares. Ainda assim, o acréscimo de qualidade que trouxeram foi desde logo evidente nos resultados obtidos em Janeiro e Fevereiro. Não há muito a dizer, fomos quase brilhantes nestes dois meses. Falhámos apenas em três jogos que tiveram algo em comum: em todos eles sofremos o golo do empate no tempo de compensação da partida. O pressing final dos nossos adversários foi algo que inicialmente tivemos imensa dificuldade em gerir em alguns jogos e isso custou-nos seis pontos nesta fase. Um desses empates foi especialmente doloroso: foi no "Steel City Derby". Dominámos esse jogo de alto a baixo, poderíamos ter construído uma goleada, mas acabámos por sofrer o empate literalmente no último lance do jogo quando a minha defesa achou boa ideia ir contra as minhas ordens (que eram para defender mais atrás) e subiu linhas, permitindo ao Sheffield United lançar um contra-ataque que resultou no empate. Em compensação, tivemos este fantástico resultado. O Southampton vinha numa fase incrível de resultados e veio a Hillsborough disputar os três pontos que, se os tivessem conseguido, lhes teria permitido ascender a lugares de promoção direta. A primeira parte do jogo foi terrível para nós. O Southampton entrou com ímpeto e criou várias ocasiões flagrantes de golo. Só por milagre (sendo que o milagreiro foi o nosso guarda-redes Pierce Charles) resistimos até ao intervalo sem sofrer golos. A segunda parte foi completamente diferente e tudo começou com o primeiro golo do Erick Noriega pelo Wednesday logo nos minutos iniciais. O ímpeto do Southampton quebrou, nós fomos para cima deles e construímos uma goleada que talvez não merecessemos, mas que foi fulcral. É que o Southampton quebrou depois de perderem em Hillsborough e caíram na tabela, de tal forma que em finais de Fevereiro, inícios de Março... Aumentámos dramaticamente a nossa vantagem sobre eles (e sobre o Sunderland) para 12 pontos, isto numa altura em que apenas havia mais 9 jogos para disputar. A promoção direta estava quase garantida e apenas o Leeds United nos ameaçava - e ameaçava o título do Championship, não a promoção direta, pois essa nessa altura já só uma catástrofe poderia impedir. Por outro lado, talvez tenham notado os jogos para a FA Cup por entre os compromissos do Championship. A Direção tinha como objetivo atingir a 4ª Eliminatória da competição e facilmente atingimos esse objetivo com uma vitória tranquila sobre o Northampton, da League One. A partir daí, o que viesse era lucro. O sorteio colocou-nos no caminho de dois adversários da Premier League: primeiro o Ipswich Town... ... e depois o Birmingham... ... e o que é certo é que os eliminámos a ambos, o que mostra o crescimento da nossa equipa que, por esta altura, consegue já disputar eliminatórias contra adversários de um escalão superior. Nenhum dos jogos foi propriamente fácil, não exercemos um domínio avassalador sobre eles, mas fomos ligeiramente superiores e merecemos o apuramento para os Quartos-de-Final da FA Cup. E ficávamos a apenas uma eliminatória de conquistar o direito de irmos a Wembley disputar o acesso à final da FA Cup! Um último esforço À entrada de Março estávamos então com 12 pontos de vantagem sobre Southampton e Sunderland. Estavam ainda em disputa 27 pontos, pelo que nada estava garantido - e todos sabem como por vezes os deuses do futebol (cof cof o motor de jogo cof cof) adoram destruir uma equipa com várias derrotas consecutivas sem qualquer razão aparente. Por isso o melhor era não entrar em gestões: cada jogo foi encarado como uma final, procurando somar todos os pontos possíveis para fechar as contas da promoção à Premier League antes de qualquer potencial catástrofe que o motor de jog... errr os deuses do futebol, os deuses do futebol!... nos atirassem ao caminho. Não vou negar que a equipa sentiu a pressão. Quase todas as semanas tive de acalmar os jogadores antes dos jogos pois estes estavam nervosos, temendo que um mau resultado pudesse deitar por terra a promoção à Premier League. O medo era palpável no balneário! Não me admirou por isso que a equipa tenha somado vitórias bem mais tangenciais do que vinha fazendo até aqui. Falhámos mais golos, o que atribuo à pressão a que os jogadores estavam sujeitos, foi mais difícil chegar à vantagem nestes jogos e, claro, uma vez conseguida essa vantagem recuámos no terreno mais vezes e mais cedo para a segurar. Apanhámos alguns sustos, mas as vitórias continuaram a cair para nós e fomo-nos aproximando do grande objetivo que tínhamos na nossa mente. Pelo meio disputámos ainda os Quartos-de-Final da FA Cup. Estavam ainda em prova várias equipas da Premier League, mas por sorte saiu-nos ao caminho o West Brom, que são do nosso escalão. Este foi, de resto, um excelente exemplo daquilo que foram os nossos jogos nesta fase da temporada. Desperdiçámos vários golos que nos permitiriam gerir tranquilamente o jogo até final, o que nos obrigou nos últimos minutos a sofrer o intenso assédio do adversário que procurava o empate. Descemos linhas, demos a bola ao adversário e privilegiámos a ocupação dos espaços em frente à nossa baliza ao invés de pressionar alto e gerir o jogo em posse. O West Brom acabou por não ameaçar a nossa vitória, mas o jogo terminou com a possibilidade sempre presente de um golo inesperado que forçasse o prolongamento. E, com esta vitória, carimbámos o passaporte para as meias-finais da FA Cup, a disputar em Wembley! Mas deixemos isso para depois, pois nessa fase a nossa prioridade era o Championship e havia uma promoção e um título para disputar. As vitórias sobre Hull City, Derby County e Leicester - todas elas sem sofrer golos! - deixaram-nos numa posição em que até poderíamos garantir a promoção na recepção ao Swansea. Era improvável, pois tal só aconteceria com uma improvável combinação de resultados em que nós vencessemos, o Sunderland não vencesse o seu jogo e o Southampton perdesse. Nós fizemos a nossa parte vencendo o Swansea tranquilamente por 3-1 - eles apenas marcaram já no tempo de compensação quando já estava 3-0 a nosso favor. Mas querem saber o que aconteceu? A improvável combinação de resultados que nos garantia a promoção logo ali, em inícios de Abril, ainda a um mês de terminar o Championship, aconteceu mesmo! A promoção à Premier League estava confirmada. Vinte e sete anos depois, o Sheffield Wednesday garantia o regresso à Premier League! Os festejos foram efusivos em Sheffield, como poderão imaginar. Dei até aos meus jogadores um dia de folga para poderem recuperar das celebrações que se prolongaram durante toda essa noite - e para recuperarem da ressaca com que todos eles decerto estariam a sofrer no dia seguinte. Depois da festa, voltámos ao trabalho porque ainda havia um título para decidir. Defrontámos o Watford quatro dias depois, um jogo que tínhamos em atraso e que vencemos com naturalidade, o que nos deixou a apenas uma vitória de garantir o título de campeão do Championship. A festa ficou marcada para o dia 10 de Abril de 2027. Recebíamos o Charlton em Hillsborough e uma vitória valia o título. Teria sido bonito conquistá-lo com uma vitória perante os nossos adeptos, num Hillsborough cheio de adeptos a criarem um ambiente festivo, numa comunhão entre adeptos e equipa. Mas os deuses do futebol trocaram-nos as voltas. O Leeds United jogou na véspera no terreno do Leicester... ... e empatou! Ficaram matematicamente impossibilitados de nos alcançar, pelo que o título foi celebrado 24 horas antes de entrarmos em campo. Estava feito! O Sheffield Wednesday era campeão do Championship 68 anos depois da última conquista desta competição! Se me perguntarem se esperava este feito quando a temporada começou? Não! Não o esperava de todo! No Verão de 2026 sabia que tinha à minha disposição uma boa equipa e, tal como vos escrevi na altura, acreditava que poderíamos intrometer-nos na luta pelo acesso aos playoffs. Agora, promoção direta? Isso não me passava pela cabeça, e muito menos vencer o próprio Championship! Mas aqui estamos, com uma cidade em festa e os adeptos ansiosos por voltar a defrontar as maiores equipas inglesas nessa exigente competição que é a Premier League. Mas antes ainda havia uma ida a Wembley. Todos os caminhos vão dar a Wembley O Sheffield Wednesday já venceu a FA Cup e a League Cup no passado. Ir a Wembley não é nada de novo para os "The Howls" - ainda em 2023 lá fomos, na altura disputar a final do playoff de promoção ao Championship. Agora, ir a Wembley disputar o acesso à final da FA Cup era algo que não acontecia desde 1993, altura em que o Wednesday defrontou e venceu o seu maior rival Sheffield United. Por isso imaginam a loucura que foi a corrida aos bilhetes para marcar presença neste momento marcante da história recente do nosso Wednesday! O adversário que nos saiu em sorte foi o Newcastle United. Um adversário com bolsos fundos e uma equipa milionária - para terem uma noção, só o Bruno Guimarães e o Tonali recebem mais do que toda a minha equipa junta! Fomos a Wembley na máxima força. Tinha toda a equipa disponível. Chegámos aqui de forma algo inesperada, tendo eliminado dois adversários da Premier League. Poderia ter ido com mil cuidados. O Newcastle é um adversário muito mais forte do que nós. Toda a lógica ditava que fôssemos defender, tentar segurar o nulo no marcador o máximo de tempo que pudéssemos e tentar surpreender num contra-ataque ou num pontapé de canto ou algo assim. Em vez disso, fomos jogar como jogámos a época toda: disputar todos os lances, tentar ter a bola e dominar o adversário. Estávamos de volta a uma meia-final da FA Cup 34 anos depois da nossa última presença nesta fase da prova; iríamos a jogo sem medo, mostrar o nosso orgulho e a valentia das nossas gentes. O que acontecesse, aconteceria. Este foi o onze inicial apresentado pelo Newcastle. É uma equipa de luxo, pelo menos comparada com a nossa modesta formação. Todos os onze jogadores deles entravam diretos para o nosso onze inicial, mas o contrário não aconteceria. Enfim, é o que é. Essa desproporção fez logo diferença nos minutos iniciais quando o Newcastle entrou a vencer com um golaço do Bruno Guimarães num remate de longe. A bola bateu no poste direito na nossa baliza antes de entrar, não dando qualquer hipótese de defesa ao nosso guarda-redes Pierce Charles. Criámos pelo menos duas boas ocasiões de golo para empatar o jogo antes de apanharmos um susto com um golo do Woltemade, mas felizmente o golo foi anulado por fora-de-jogo. Infelizmente, porém, o mesmo Woltemade marcaria a meio da primeira parte e desta vez contou. A perder por dois golos, fomos para cima do Newcastle e em cima do intervalo reduzimos para 1-2 graças a uma boa finalização do nosso ponta-de-lança Francis Okoronkwo, que concluiu um excelente lance coletivo do nosso ataque. E, ao intervalo... ... perdíamos 1-2 num jogo em que o todo-poderoso Newcastle apenas tinha feito dois remates - ambos resultando em golos. Era injusto? Oh!, se era!, mas o que conta é o resultado e eles marcaram mais do que nós. Na segunda parte continuámos por cima até que, ao quarto remate do Newcastle no jogo, o Tonali marcou - e acertaram, foi em mais um remate de longe. Ainda devolvemos a esperança aos adeptos do Wednesday que enchiam a sua curva de Wembley quando o Serginho reduziu para 2-3 na reta final do jogo, mas no lance seguinte o Woltemade decidiu mandar um tomahawk a 30 metros da baliza que só parou no fundo das redes, garantindo a vitória do Newcastle. Feitas as contas: fizemos mais remates, criámos mais ocasiões de golo, mas perdemos. Voltámos a Sheffield com uma derrota, mas orgulhosos tanto da nossa campanha na FA Cup, como da nossa prestação nesta meia-final. E, acima de tudo, com a certeza de que afinal já conseguimos defrontar adversários mais fortes sem sermos dominados em campo, o que é um excelente indicador para a próxima temporada. Afinal de contas, isto de os nossos adversários marcarem três golos de remates de longe num só jogo não vai acontecer todos os dias, pelo que a jogar assim temos confiança que os resultados hão de aparecer. Cai o pano sobre o Championship A derrota em Wembley marcou basicamente o final da temporada para nós. Com a promoção à Premier League assegurada e o título de campeão do Championship no bolso, restou-nos cumprir calendário para podermos ir de férias. E que merecidas seriam! Aproveitei esta fase final para dar oportunidade a jogadores habitualmente menos utilizados e alguma rodagem aos reforços do mercado de Inverno que não se assumiram no onze inicial até aqui, mas mesmo assim continuámos a vencer. A temporada viria mesmo a terminar com uma impressionante vitória sobre o Leeds United no conhecido "Yorkshire Derby". Depois de perdermos em casa há meio ano, fomos a Elland Road goleá-los num jogo que se tivesse acontecido ao contrário teria sido coisa para me deixar furioso. Eles fizeram mais do que o suficiente para não perderem, se calhar até para ganhar, mas nós marcámos três vezes nas quatro vezes que atacámos a baliza. Bem, calha a todos, contra o Newcastle perdemos assim, desta vez fomos nós os felizardos. Os adeptos do Leeds também não terão levado muito a peito esta derrota, pois mesmo perdendo confirmaram a promoção à Premier League graças ao empate do Sunderland na última jornada. Os azarados de serviço acabaram mesmo por ser o Sunderland. Se tivessem vencido na última jornada teriam ascendido ao segundo lugar e subido à Premier League; tendo empatado, tiveram de ir aos playoffs onde perderam na final contra os Wolves. Da nossa parte, não há muito a dizer relativamente aos números finais: 110 pontos, melhor ataque com mais de 100 golos apontados, e melhor defesa. Sem surpresas, ganhei o prémio de treinador do ano do Championship. Não sou muito de dar valor a prémios individuais, mas sabe sempre bem ser reconhecido pelo nosso trabalho. Estatísticas individuais Com uma temporada repleta de sucessos coletivos, não será de estranhar que a maioria dos meus jogadores também tenham estado em grande plano no capítulo individual. Estes foram os dez jogadores de campo mais utilizados ao longo da temporada. A maioria mostrou qualidade. Talvez o lateral esquerdo Jamal Lewis e o médio defensivo Finley Barbrook tenham sido os menos impressionantes, mas de resto fiquei satisfeito com todos eles. Há três destaques individuais que tenho de dar. O primeiro vai para o extremo esquerdo, o japonês Yuki Soma. Foi o nosso melhor jogador. Fez 32 contribuições diretas para golo, isto sem contar com as indiretas, e muitas delas em momentos-chave em que realmente estávamos a precisar. O segundo vai para o extremo direito Akinkunmi Amoo. O nigeriano começou a temporada a suplente e pouco esperava dele, mas o que é certo é que aproveitou bem a ausência do Serginho (que, como se recordarão, esteve ausente um mês para disputar a AFC Asian Cup) para se assumir e nunca mais perdeu a titularidade. O terceiro vai para o ponta-de-lança Francis Okoronkwo. E este é difícil de explicar. O Okoronkwo começou a temporada como suplente do Marcus Forss, marcou inicialmente alguns golos a sair do banco de suplentes, mas quando era titular raramente marcava. Durante o mês de Janeiro marcou dois golos num jogo em que foi titular. Mantive-o para o jogo seguinte e marcou de novo dois golos. Nunca mais perdeu o estatuto de titular e ainda foi a tempo de terminar a temporada com 26 golos. Agora, o que é engraçado... ... é como raio ele marcou 26 golos no Championship com estes atributos. A performance do Francis Okoronkwo é o exemplo perfeito de como os números não são absolutos. Ele não é rápido, não é forte no jogo aéreo, não é agressivo e nem sequer tem boa capacidade de remate. Na verdade, não tem nenhum atributo em que se destaque. Mas marcou 26 golos. Como? Não sei. Mas eles contaram. A única conclusão a que posso chegar é que um jogador é bem mais do que a soma dos seus atributos. Estes são os jogadores de campo que tendo iniciado a temporada em Hillsborough, não tiveram estatuto de titular. Como dá para perceber, a maioria não apresentou grande performance, daí que tenha sentido necessidade de reforçar a equipa no mercado de Inverno. As duas excepções são o Serginho e o Marcus Forss. O Serginho não foi propriamente suplente ao longo do ano. Na primeira metade da temporada foi titularíssimo na direita do nosso ataque e apenas perdeu a titularidade pelo motivo que já expliquei, porque a sua qualidade é inegável e os números, neste caso, não mentem. O ponta-de-lança Marcus Forss acabou por perder a titularidade na frente do ataque para o Francis Okoronkwo, mas ainda marcou 13 golos, o que é a melhor temporada da sua carreira. O que lhe falta em qualidade compensa em esforço e sacrifício, mas é provável que não chegue para a Premier League - e por isso talvez venha a ser vendido no Verão. E estes são os reforços do mercado de Inverno de que vos falei no início. O Erick Noriega, o Patrick Osterhage e o Mohamed Belloumi integraram-se muito bem e têm estatísticas consideráveis para o tempo que estiveram connosco. O Thimotée Pembélé também acabou a temporada a titular, mas foi um pouco mais modesto, enquanto do Daniele Ghilardi e do Pelle Mattsson gostei do que vi mesmo que os números não impressionem. De uma forma geral, acho que todos eles mostraram qualidade e mal posso esperar para os ver em ação com uma pré-temporada na equipa e já adaptados aos colegas e à nossa forma de jogar. Isso acontecerá na próxima temporada com o regresso do Sheffield Wednesday à Premier League 27 anos depois da última presença dos "The Howls". Estou ansioso para testar a nossa qualidade perante algumas das melhores equipas do mundo. Iremos dar boa conta de nós? Conseguiremos garantir a manutenção de forma tranquila ou vamos passar um ano inteiro em sofrimento? Será esse o tema para os próximos capítulos. "Hi Ho Sheffield Wednesday!"
  17. Pode perfeitamente terminar no top8 caso amanhã não aconteça uma catástrofe.
  18. Mais um anito ou dois e talvez já dê para fazer bingo.
  19. Cala-te antes que também venha o Gelson Martins.
  20. Pois eu vejo ciclismo desde os anos 90 e até há bem pouco tempo ninguém queria saber disso para nada. Ou achas que "os adeptos terem de andar a rebobinar transmissões" é por coincidência? O Contador quando destruía a concorrência no Tour, a notícia era a sua vitória e o tempo ganho à concorrência, que raio importava se tinha demorado mais 30 ou menos 30 segundos do que o Pantani dez anos antes dele?
  21. Ver o Van Dijk ser comido de cebolada aí pelo Bernardo faz-me lembrar que houve um período em que corria o mito que ninguém driblava o Van Dijk há mais de um ano. Na altura até via uns jogos da Premier League, via o Van Dijk a ser comido de vez em quando como qualquer defesa de vez em quando o é, mas de alguma forma a estatística de não ser driblado continuava a crescer. Ah, bons tempos 🤣
  22. Talvez o treinador. 👀
  23. Um dia hei de perceber a recente relevância dada aos "tempos de subida" e aos recordes de subida. Como se houvesse duas etapas iguais em dureza e distância mesmo que a meta esteja no mesmo local. Até cronómetros metem na transmissão televisiva como se aquilo fosse algum dado relevante para o desenrolar da corrida.
  24. O homem a certa altura disse (e espero não ter percebido mal) que a altura das substituições quase no minuto 90 não foi problema porque quem entrou ainda teve meia hora para mudar o jogo. O desgraçado a jogar contra uma equipa da Segunda Liga e a ideia dele era mexer na equipa a pensar no prolongamento em vez de querer resolver a questão no tempo regulamentar. Por amor de Deus, é este idiota que tem gente aqui a defendê-lo? É por esta colina que estão dispostos a morrer, como se costuma dizer? Seven Hells...
×
×
  • Criar Novo...