bmfpcdm Publicado 17 Agosto 2018 "Noisy Requiem" Bem marado. Um pouco ao estilo de David Lynch. Compartilhar este post Link para o post
Rōnin Publicado 19 Agosto 2018 (editado) Sei que boa parte da experiência de ver o Dunkirk se perde ao não vê-lo no cinema, mas nunca pensei ser aborrecido ver um filme da segunda guerra mundial. É excelente a nível técnico mas...um filme é muito mais do que isto. Chega a ser inconsistente pois tenta ser extremamente realista, mas esconde-se da violência gráfica. Para não falar das diferentes timelines, que cortam o ritmo e por vezes tornam a experiência algo confusa. meh/10 Editado 19 Agosto 2018 por Rōnin Compartilhar este post Link para o post
HappyKing Publicado 19 Agosto 2018 Já agora, já alguém viu o "A Quiet Place" ? Viu-o hoje e gostei bastante. Compartilhar este post Link para o post
Bashir Publicado 19 Agosto 2018 34 minutos atrás, Rōnin disse: Dundirk meu corassaum.. Compartilhar este post Link para o post
Rōnin Publicado 19 Agosto 2018 8 minutos atrás, Bashir disse: meu corassaum.. Compartilhar este post Link para o post
Mayday Publicado 19 Agosto 2018 (editado) 1 hora atrás, Rōnin disse: Sei que boa parte da experiência de ver o Dunkirk se perde ao não vê-lo no cinema, mas nunca pensei ser aborrecido ver um filme da segunda guerra mundial. É excelente a nível técnico mas...um filme é muito mais do que isto. Chega a ser inconsistente pois tenta ser extremamente realista, mas esconde-se da violência gráfica. Para não falar das diferentes timelines, que cortam o ritmo e por vezes tornam a experiência algo confusa. meh/10 É um filme do Nolan. O filme nunca pretendeu ser um retrato gráfico sobre a WWII, o filme é, como são todos os filmes do Nolan, sobre o tempo e o espaço, sobre a relação tempo-espaço, a sua envoltura no contexto (um episódio especifico da WWII), sempre numa inception thing idea. Perdes parte da experiência ao não conhecer a estética e as ideias de um realizador, se vais ver uma coisa à espera de outra... As timelines são essenciais no cinema do Nolan. Podes não ter gostado, mas acho que não sabias ao que ias e agora gostavas de ter visto outra coisa. Mas, pá, é um filme do Nolan. À partida tudo o que disseste está certo. Mas há uma coisa que não percebo, se tenta ser extremamente realista como é que se esconde da violência gráfica? Se a realidade é aquela, querias mais tiros e explosões só para ficares entretido? Editado 19 Agosto 2018 por Mayday 3 Compartilhar este post Link para o post
bmfpcdm Publicado 19 Agosto 2018 3 horas atrás, Mayday disse: É um filme do Nolan. O filme nunca pretendeu ser um retrato gráfico sobre a WWII, o filme é, como são todos os filmes do Nolan, sobre o tempo e o espaço, sobre a relação tempo-espaço, a sua envoltura no contexto (um episódio especifico da WWII), sempre numa inception thing idea. Perdes parte da experiência ao não conhecer a estética e as ideias de um realizador, se vais ver uma coisa à espera de outra... As timelines são essenciais no cinema do Nolan. Podes não ter gostado, mas acho que não sabias ao que ias e agora gostavas de ter visto outra coisa. Mas, pá, é um filme do Nolan. À partida tudo o que disseste está certo. Mas há uma coisa que não percebo, se tenta ser extremamente realista como é que se esconde da violência gráfica? Se a realidade é aquela, querias mais tiros e explosões só para ficares entretido? Julgo que a questão do realismo se prende com as consequências práticas dos tiros e explosões (sangue, desmembramentos, etc.), em que para conseguir o rating PG-13, optou-se por não representar esse aspeto brutal da guerra. Só porque é a estética (nesta altura já começa a parecer 'gimmick') do Nolan, não quer dizer que esteja livre de críticas, logo se alguém considera que a aplicação dessa estética não foi bem conseguida, por cortar o ritmo e criar confusão, é perfeitamente legítimo criticar. Eu gostei dos filmes que vi dele em que essa quebra de linearidade é usada ("Memento", "The Prestige" e até "Inception"), mas percebo quem critica essa opção num filme como "Dunkirk", pois os primeiros filmes como que pedem esse jogo com o tempo, já o último filme, sobre um evento histórico desenrolado num contexto de realismo, pede exatidão narrativa. Eu preferia que o Nolan tentasse a adaptação de "Slaughterhouse-Five", pois enquadrar-se-ia mais ao estilo dele (com um contexto de ficção científica, em que a natureza da história incentiva, exige até, a tal quebra de linearidade que é a imagem de marca dele), ao mesmo tempo que seria também um desafio, devido há falta de humor que eu denoto nele. 1 Compartilhar este post Link para o post
Rōnin Publicado 19 Agosto 2018 (editado) 2 horas atrás, Mayday disse: É um filme do Nolan. O filme nunca pretendeu ser um retrato gráfico sobre a WWII, o filme é, como são todos os filmes do Nolan, sobre o tempo e o espaço, sobre a relação tempo-espaço, a sua envoltura no contexto (um episódio especifico da WWII), sempre numa inception thing idea. Perdes parte da experiência ao não conhecer a estética e as ideias de um realizador, se vais ver uma coisa à espera de outra... As timelines são essenciais no cinema do Nolan. Podes não ter gostado, mas acho que não sabias ao que ias e agora gostavas de ter visto outra coisa. Mas, pá, é um filme do Nolan. À partida tudo o que disseste está certo. Mas há uma coisa que não percebo, se tenta ser extremamente realista como é que se esconde da violência gráfica? Se a realidade é aquela, querias mais tiros e explosões só para ficares entretido? De todos os filmes que ele já realizou, só não vi dois ou três. Reduzir a colecção de filmes do Nolan a apenas isso é crime, porque não faltam filmes com narrativa lineares e com personagens principais e secundárias, com desenvolvimento propriamente dito. Além de que nos filmes como Memento, Inception ou Interstellar os elementos de espaço e espaço contribuem e adicionam consideravelmente tanto à narrativa como à própria experiência do filme. As timelines no Dunkirk adicionam o quê mesmo? Isso do não saber ao que vinha, que esperava outra coisa é um não-argumento. Se eu estivesse à espera do mesmo do Interstellar, então provavelmente não teria ficado desiludido, mas sim resignado. Se o filme era para ser apenas isto, então para quê ter Tom Hardy e Cilian Murphy no elenco? O estilo não seria mais claro, se os actores fossem desconhecidos? Não tenho nada contra este tipo de filmes, mas acaba por ser contraditório. Fui explícito ao categorizar a violência como gráfica. Expandindo o meu raciocínio diria que o Dunkirk é demasiado clean. A incoerência prende-se no investimento que é feito em reproduzir de forma extenuante todos os detalhes técnicos (que eu adoro), mas o resto é posto de lado. A guerra é fria, cruel e horrível. Pegando numa das minhas séries preferidas, Band of Brothers, esta sabe pactuar o horror da violência gráfica com momentos onde praticamente não vês sangue ou desmembramento, apesar da violência ser gratuita: O oposto: Porque o contraste dita a narrativa. Nos momentos de triunfo, a violência gráfica não existe e quando as coisas correm para o torto, ela aparece para te dar um valente murro no estômago. Sei que parte do problema é meu, porque estou um bocado dessensibilizado para este tipo de coisas, mas já não é a primeira vez que fico com esta sensação num filme do Nolan. O The Dark Knight Rises, a meu ver, sofre do mesmo problema, apesar de serem filmes completamente diferentes. Editado 19 Agosto 2018 por Rōnin Compartilhar este post Link para o post
Mayday Publicado 20 Agosto 2018 2 minutos atrás, bmfpcdm disse: Julgo que a questão do realismo se prende com as consequências práticas dos tiros e explosões (sangue, desmembramentos, etc.), em que para conseguir o rating PG-13, optou-se por não representar esse aspeto brutal da guerra. Só porque é a estética (nesta altura já começa a parecer 'gimmick') do Nolan, não quer dizer que esteja livre de críticas, logo se alguém considera que a aplicação dessa estética não foi bem conseguida, por cortar o ritmo e criar confusão, é perfeitamente legítimo criticar. Eu gostei dos filmes que vi dele em que essa quebra de linearidade é usada ("Memento", "The Prestige" e até "Inception"), mas percebo quem critica essa opção num filme como "Dunkirk", pois os primeiros filmes como que pedem esse jogo com o tempo, já o último filme, sobre um evento histórico desenrolado num contexto de realismo, pede exatidão narrativa. Eu preferia que o Nolan tentasse a adaptação de "Slaughterhouse-Five", pois enquadrar-se-ia mais ao estilo dele (com um contexto de ficção científica, em que a natureza da história incentiva, exige até, a tal quebra de linearidade que é a imagem de marca dele), ao mesmo tempo que seria também um desafio, devido há falta de humor que eu denoto nele. Vamos evitar o coitadinho que não pode criticar. Tanto pode que fê-lo, eu contrapus com outra argumentação. A contra-argumentação não é um ataque. Move on. O Tarantino oferecia-te essa violência gráfica, o Nolan conta-te a história de outra forma. Isso é bastante óbvio só ao falar nos dois nomes. Portanto, se vais ver um filme do Nolan, não podes esperar uma estética Tarantinesca. À parte toda a sua estética e estruturas narrativas muito próprias, o Dunkirk do Nolan é sobre sobrevivência. O filme é todo ele momentos de sobrevivência, dessa angustia de quem está no fio da navalha, abandonado, sem saída. A história de Dunkirk não é sobre os que morreram, mas sim sobre os que sobreviveram. É esse o grande êxito de Dunkirk. Quando Churchill previu 45.000, embarcaram 350.000. Se fosse para falar dos que morreram, não tinha interesse. Essa é uma história comum na WWII. Se o grande busílis é não saber como morreram, se foram esburacados na testa, mutilados ou esventrados, também não tem interesse. Isso eu já sei como é, é igual em todo o cinema. É a coisa mais corriqueira no cinema. Agora, como é que aquela gente toda sobreviveu, naquela situação, isso é o grande evento do real e do filme. Contar Dunkirk para falar dos mortos, é contar a parte mais desinteressante da história. Dunkirk não é um filme sobre a brutalidade da WWII é sobre como se sobreviveu naquela praia. É a história de Dunkirk, daquela situação especifica, não podemos esperar mais. A exactidão narrativa vai depender de como tu queres contar a história. A única exactidão que eu espero de uma história é a forma de a contar. Quero que essa forma seja exacta e para mim foi. Eu odeio exatidões e hiper realismos na ficção (histórica). São um contra senso. Principalmente porque são uma mentira, já quando a ficção é isso mesmo. O plano ficcional é sempre uma mentira. E se não for mentira, no caso da ficção histórica, é uma falsa memória. Nem percebo como é que exibir a violência gráfica equilibrava o filme dessa forma. Não há nada menos exacto no cinema do que a violência gráfica. Compartilhar este post Link para o post
bmfpcdm Publicado 20 Agosto 2018 1 hora atrás, Mayday disse: Vamos evitar o coitadinho que não pode criticar. Tanto pode que fê-lo, eu contrapus com outra argumentação. A contra-argumentação não é um ataque. Move on. O Tarantino oferecia-te essa violência gráfica, o Nolan conta-te a história de outra forma. Isso é bastante óbvio só ao falar nos dois nomes. Portanto, se vais ver um filme do Nolan, não podes esperar uma estética Tarantinesca. À parte toda a sua estética e estruturas narrativas muito próprias, o Dunkirk do Nolan é sobre sobrevivência. O filme é todo ele momentos de sobrevivência, dessa angustia de quem está no fio da navalha, abandonado, sem saída. A história de Dunkirk não é sobre os que morreram, mas sim sobre os que sobreviveram. É esse o grande êxito de Dunkirk. Quando Churchill previu 45.000, embarcaram 350.000. Se fosse para falar dos que morreram, não tinha interesse. Essa é uma história comum na WWII. Se o grande busílis é não saber como morreram, se foram esburacados na testa, mutilados ou esventrados, também não tem interesse. Isso eu já sei como é, é igual em todo o cinema. É a coisa mais corriqueira no cinema. Agora, como é que aquela gente toda sobreviveu, naquela situação, isso é o grande evento do real e do filme. Contar Dunkirk para falar dos mortos, é contar a parte mais desinteressante da história. Dunkirk não é um filme sobre a brutalidade da WWII é sobre como se sobreviveu naquela praia. É a história de Dunkirk, daquela situação especifica, não podemos esperar mais. A exactidão narrativa vai depender de como tu queres contar a história. A única exactidão que eu espero de uma história é a forma de a contar. Quero que essa forma seja exacta e para mim foi. Eu odeio exatidões e hiper realismos na ficção (histórica). São um contra senso. Principalmente porque são uma mentira, já quando a ficção é isso mesmo. O plano ficcional é sempre uma mentira. E se não for mentira, no caso da ficção histórica, é uma falsa memória. Nem percebo como é que exibir a violência gráfica equilibrava o filme dessa forma. Não há nada menos exacto no cinema do que a violência gráfica. Desculpa, mas acusar alguém de não saber ao que ia não é contra-argumentação. Explicar o porquê da quebra de linearidade fazer sentido no contexto daquele filme teria sido contra-argumentação, mas tu somente afirmaste que é um filme do Nolan e portanto tem de se esperar que essa quebra narrativa exista (o que por si só não é necessariamente verdade). A estética do Tarantino é a de excesso. Não é isso a que eu me refiro. Eu estou a falar da realidade da guerra, em que certas explosões não projetam, meramente, soldados pelo ar intactos. Por o plano ficcional ser sempre um mentira, espera-se que num contexto histórico tão relevante, onde se representam vidas, (tanto as que ficaram, como as que escaparam) não se confuda ainda mais esse plano com inexatidões narrativas que possam promover confusão. Compartilhar este post Link para o post
Mayday Publicado 20 Agosto 2018 30 minutos atrás, Rōnin disse: De todos os filmes que ele já realizou, só não vi dois ou três. Reduzir a colecção de filmes do Nolan a apenas isso é crime, porque não faltam filmes com narrativa lineares e com personagens principais e secundárias, com desenvolvimento propriamente dito. Além de que nos filmes como Memento, Inception ou Interstellar os elementos de espaço e espaço contribuem e adicionam consideravelmente tanto à narrativa como à própria experiência do filme. As timelines no Dunkirk adicionam o quê mesmo? Isso do não saber ao que vinha, que esperava outra coisa é um não-argumento. Se eu estivesse à espera do mesmo do Interstellar, então provavelmente não teria ficado desiludido, mas sim resignado. Se o filme era para ser apenas isto, então para quê ter Tom Hardy e Cilian Murphy no elenco? O estilo não seria mais claro, se os actores fossem desconhecidos? Não tenho nada contra este tipo de filmes, mas acaba por ser contraditório. Fui explícito ao categorizar a violência como gráfica. Expandindo o meu raciocínio diria que o Dunkirk é demasiado clean. A incoerência prende-se no investimento que é feito em reproduzir de forma extenuante todos os detalhes técnicos (que eu adoro), mas o resto é posto de lado. A guerra é fria, cruel e horrível. Pegando numa das minhas séries preferidas, Band of Brothers, esta sabe pactuar o horror da violência gráfica com momentos onde praticamente não vês sangue ou desmembramento, apesar da violência ser gratuita: O oposto: Porque o contraste dita a narrativa. Nos momentos de triunfo, a violência gráfica não existe e quando as coisas correm para o torto, ela aparece para te dar um valente murro no estômago. Sei que parte do problema é meu, porque estou um bocado dessensibilizado para este tipo de coisas, mas já não é a primeira vez que fico com esta sensação num filme do Nolan. O The Dark Knight Rises, a meu ver, sofre do mesmo problema, apesar de serem filmes completamente diferentes. Eu não reduzi o cinema do Nolan a nada, disse que algumas das ideias que mencionaste são essenciais no cinema dele. Dunkirk tem a cronologia narrativa do(s) evento(s) dividida num plano menos ficcional, isto é, menos cinematográfico, desse ponto de vista. Mais pegado ao acontecimento narrativo. O tempo de Dunkirk corre com a acção, embora mais fragmentado, e não com o tempo do cinema. Se em Interstelar, quando se tenta salvar o mundo, ainda há tempo para olhar e para perceber o passado, em Dunkirk, não. Em Dunkirk há o tempo da acção: utar, sobreviver e resgatar. Cada acção tem tempos diferente. As timleines dividem os planos narrativos em três: Praia, Mar e Ar, e cada plano tem o seu ponto de vista. Dunkirk é sempre contado a partir da perspectiva do tempo e não do personagem. E mesmo cada timeline é um ponto de vista. Coisas a que não estamos habituados. Nós nunca estamos à espera da decisão do personagem para encontrar o rumo narrativo da história, estamos à espera que o tempo passe e com ele traga, ou não, o que estamos à espera. Band of Brothers tem 10h, Dunkirk tem 2h... Qual é o termo de comparação possível? Contar um história em 10h e outra em 2h é, no plano do argumento, da filmagem e da pós produção completamente injusto. Compartilhar este post Link para o post
Mayday Publicado 20 Agosto 2018 6 minutos atrás, bmfpcdm disse: Desculpa, mas acusar alguém de não saber ao que ia não é contra-argumentação. Explicar o porquê da quebra de linearidade fazer sentido no contexto daquele filme teria sido contra-argumentação, mas tu somente afirmaste que é um filme do Nolan e portanto tem de se esperar que essa quebra narrativa exista (o que por si só não é necessariamente verdade). A estética do Tarantino é a de excesso. Não é isso a que eu me refiro. Eu estou a falar da realidade da guerra, em que certas explosões não projetam, meramente, soldados pelo ar intactos. Por o plano ficcional ser sempre um mentira, espera-se que num contexto histórico tão relevante, onde se representam vidas, (tanto as que ficaram, como as que escaparam) não se confuda ainda mais esse plano com inexatidões narrativas que possam promover confusão. Não é uma acusação. É a minha leitura da opinião que ele deu. Eu não sou juiz, nem tenho nada contra o Ronin. O meu post é muito mais ligeiro e pronto a abrir uma discussão. Tu é que estás sempre numa posição de defesa a achar que os outros estão a acusar e a ofender. É uma forma muito cansativa de ver as coisas, desculpa lá. Nem ninguém, nem nenhuma obra tem a obrigatoriedade de ir ao encontro da exactidão, se partirmos do principio que é uma obra de ficção. Se assim fosse era impossível trazer a história para o cinema. Ou sequer um momento da vida do quotidiano. Mas volto a insistir, de que forma é que mostrar violência gráfica aproximava o filme da verdade e o tornava mais historicamente relevante? Como é que mostrar um tipo esventrado tornava o filme mais exacto? Se quiseres continuar essa linha de pensamento, é possível saber onde caiu cada bomba? E quantos soldados matou ou feriu? E os que ficaram feridos, em que parte do corpo foi? E os que morreram, só voaram, dividiram-se ou morreram de susto? De forma a representá-los bem? O melhor é nem fazer filmes sobre Alcácer-Quibir, não sabemos nada sobre a batalha, as vidas nunca vão ficar bem representadas e os acontecimentos nunca serão exactos. Como é inútil, a ficção, descobrimos agora. Quando estamos a falar de Cinema e achamos que se fizermos um filme temos que representar as vidas e ser exactos... é levar isto para o plano do novo mundo. Compartilhar este post Link para o post
Rōnin Publicado 20 Agosto 2018 (editado) 35 minutos atrás, Mayday disse: Eu não reduzi o cinema do Nolan a nada, disse que algumas das ideias que mencionaste são essenciais no cinema dele. Dunkirk tem a cronologia narrativa do(s) evento(s) dividida num plano menos ficcional, isto é, menos cinematográfico, desse ponto de vista. Mais pegado ao acontecimento narrativo. O tempo de Dunkirk corre com a acção, embora mais fragmentado, e não com o tempo do cinema. Se em Interstelar, quando se tenta salvar o mundo, ainda há tempo para olhar e para perceber o passado, em Dunkirk, não. Em Dunkirk há o tempo da acção: utar, sobreviver e resgatar. Cada acção tem tempos diferente. As timleines dividem os planos narrativos em três: Praia, Mar e Ar, e cada plano tem o seu ponto de vista. Dunkirk é sempre contado a partir da perspectiva do tempo e não do personagem. E mesmo cada timeline é um ponto de vista. Coisas a que não estamos habituados. Nós nunca estamos à espera da decisão do personagem para encontrar o rumo narrativo da história, estamos à espera que o tempo passe e com ele traga, ou não, o que estamos à espera. Band of Brothers tem 10h, Dunkirk tem 2h... Qual é o termo de comparação possível? Contar um história em 10h e outra em 2h é, no plano do argumento, da filmagem e da pós produção completamente injusto. Ser essencial não é sinónimo de ser positivo. Não faltam realizadores com vícios e manias que acabam por prejudicar os filmes. Se eu gostasse de Dunkirk, não seria por causa das timelines, mas seria apesar de as ter. São curiosas, talvez interessantes, mas não adicionam nada em concreto ao filme. Não estava a comparar. Estava a esclarecer que violência gráfica não é excessiva. Que pode estar directamente ligada à narrativa de um filme ou de uma série. Que podia muito bem coexistir em Dunkirk. 1 hora atrás, Mayday disse: Vamos evitar o coitadinho que não pode criticar. Tanto pode que fê-lo, eu contrapus com outra argumentação. A contra-argumentação não é um ataque. Move on. O Tarantino oferecia-te essa violência gráfica, o Nolan conta-te a história de outra forma. Isso é bastante óbvio só ao falar nos dois nomes. Portanto, se vais ver um filme do Nolan, não podes esperar uma estética Tarantinesca. À parte toda a sua estética e estruturas narrativas muito próprias, o Dunkirk do Nolan é sobre sobrevivência. O filme é todo ele momentos de sobrevivência, dessa angustia de quem está no fio da navalha, abandonado, sem saída. A história de Dunkirk não é sobre os que morreram, mas sim sobre os que sobreviveram. É esse o grande êxito de Dunkirk. Quando Churchill previu 45.000, embarcaram 350.000. Se fosse para falar dos que morreram, não tinha interesse. Essa é uma história comum na WWII. Se o grande busílis é não saber como morreram, se foram esburacados na testa, mutilados ou esventrados, também não tem interesse. Isso eu já sei como é, é igual em todo o cinema. É a coisa mais corriqueira no cinema. Agora, como é que aquela gente toda sobreviveu, naquela situação, isso é o grande evento do real e do filme. Contar Dunkirk para falar dos mortos, é contar a parte mais desinteressante da história. Dunkirk não é um filme sobre a brutalidade da WWII é sobre como se sobreviveu naquela praia. É a história de Dunkirk, daquela situação especifica, não podemos esperar mais. A exactidão narrativa vai depender de como tu queres contar a história. A única exactidão que eu espero de uma história é a forma de a contar. Quero que essa forma seja exacta e para mim foi. Eu odeio exatidões e hiper realismos na ficção (histórica). São um contra senso. Principalmente porque são uma mentira, já quando a ficção é isso mesmo. O plano ficcional é sempre uma mentira. E se não for mentira, no caso da ficção histórica, é uma falsa memória. Nem percebo como é que exibir a violência gráfica equilibrava o filme dessa forma. Não há nada menos exacto no cinema do que a violência gráfica. Violência gráfica e excessiva são coisas diferentes. A história de Dunkirk também é só sobre os que morreram, porque dezenas de milhares deram as suas vidas protegendo aquela praia. O milagre devia-lhes ser também atribuído. Com isto quero dizer que um conto pode ser contado de diferentes formas e obter a perspectiva de quem estava do outro lado a defender a investida alemã teria contribuído também para o elemento de angústia e sobrevivência. O sentimento de escala também perdeu-se, pois só no fim, é que sabemos que mais de 300 mil foram evacuados. Em nenhum momento do filme, tens a sensação da dimensão da evacuação. A violência gráfica não equilibraria o que fosse. É apenas um detalhe. Editado 20 Agosto 2018 por Rōnin Compartilhar este post Link para o post
bmfpcdm Publicado 20 Agosto 2018 59 minutos atrás, Mayday disse: Não é uma acusação. É a minha leitura da opinião que ele deu. Eu não sou juiz, nem tenho nada contra o Ronin. O meu post é muito mais ligeiro e pronto a abrir uma discussão. Tu é que estás sempre numa posição de defesa a achar que os outros estão a acusar e a ofender. É uma forma muito cansativa de ver as coisas, desculpa lá. Nem ninguém, nem nenhuma obra tem a obrigatoriedade de ir ao encontro da exactidão, se partirmos do principio que é uma obra de ficção. Se assim fosse era impossível trazer a história para o cinema. Ou sequer um momento da vida do quotidiano. Mas volto a insistir, de que forma é que mostrar violência gráfica aproximava o filme da verdade e o tornava mais historicamente relevante? Como é que mostrar um tipo esventrado tornava o filme mais exacto? Se quiseres continuar essa linha de pensamento, é possível saber onde caiu cada bomba? E quantos soldados matou ou feriu? E os que ficaram feridos, em que parte do corpo foi? E os que morreram, só voaram, dividiram-se ou morreram de susto? De forma a representá-los bem? O melhor é nem fazer filmes sobre Alcácer-Quibir, não sabemos nada sobre a batalha, as vidas nunca vão ficar bem representadas e os acontecimentos nunca serão exactos. Como é inútil, a ficção, descobrimos agora. Quando estamos a falar de Cinema e achamos que se fizermos um filme temos que representar as vidas e ser exactos... é levar isto para o plano do novo mundo. Perdão, claramente estou a exprimir-me mal. Nunca foi a minha intenção de estar numa posição de defesa. O meu intuito foi o de guiar o teu diálogo com o Ronin para algo mais construtivo, e considero muito positivo que tenhas começado a explicar o porquê de considerares a não-linearidade do filme um aspeto importante. Agradeço-te isso e desculpo-me mais uma vez. Há certas explosões que devido à proximidade te vão imediatamente levar uma perna, não há volta a dar. Se o filme não tem o intuíto de representar essa realidade, mais vale não encenar esse tipo de cena. Só isso. Dou-te o exemplo de "Barefoot Gen": Este filme não minimiza a consequência daquela explosão, o que é representado é aquilo que aconteceu. Adiciono que o faz de uma forma única, emotiva, respeituosa e nunca gratuita. Compartilhar este post Link para o post
Mayday Publicado 20 Agosto 2018 3 minutos atrás, Rōnin disse: Ser essencial não é sinónimo de ser positivo. Não faltam realizadores com vícios e manias que acabam por prejudicar os filmes. Se eu gostasse de Dunkirk, não seria por causa das timelines, mas seria apesar de as ter. São curiosas, talvez interessantes, mas não adicionam nada em concreto ao filme. Não estava a comparar. Estava a esclarecer que violência gráfica não é excessiva. Que pode estar directamente ligada à narrativa de um filme ou de uma série. Que podia muito bem coexistir em Dunkirk. Violência gráfica e excessiva são coisas diferentes. A história de Dunkirk também é só sobre os que morreram, porque dezenas de milhares deram as suas vidas protegendo aquela praia. O milagre devia-lhes ser também atribuído. Com isto quero dizer que um conto pode ser contado de diferentes formas e obter a perspectiva de quem estava do outro lado a defender a investida alemã teria contribuído também para o elemento de angústia e sobrevivência. A violência gráfica não equilibraria o que fosse. É apenas um detalhe. Para mim, é positivo. Para ti, se calhar não é. Mas isso entra naquele plano inútil da subjectividade. Daí ter dito apenas que é essencial e não bom ou mau. É o que determina muito do cinema dele, só isso. É como o cinema do Hitchcock, o suspense é essencial. Mas devia-lhes ser atribuído, porquê? Se o Nolan quis contar uma história de sobrevivência, a partir destes pontos de vista, que obrigatoriedade tem ele em homenagear os mortos? Isto não é uma comissão de honra. É um filme. Que raio. A história de Dunkirk também é sobre os que morreram, mas o filme do Nolan não é tanto sobre eles. E o Nolan não é obrigado a contar a história exacta, de todos e de cada momento. Ele não é historiador, é realizador. Gosta de contar as histórias de determinada forma, tem 2h horas de filme, não sei quantos meses de filmagem, tem um budget... É um detalhe que parece ter bastante importância. Compartilhar este post Link para o post
Mayday Publicado 20 Agosto 2018 9 minutos atrás, bmfpcdm disse: Perdão, claramente estou a exprimir-me mal. Nunca foi a minha intenção de estar numa posição de defesa. O meu intuito foi o de guiar o teu diálogo com o Ronin para algo mais construtivo, e considero muito positivo que tenhas começado a explicar o porquê de considerares a não-linearidade do filme um aspeto importante. Agradeço-te isso e desculpo-me mais uma vez. Há certas explosões que devido à proximidade te vão imediatamente levar uma perna, não há volta a dar. Se o filme não tem o intuíto de representar essa realidade, mais vale não encenar esse tipo de cena. Só isso. Dou-te o exemplo de "Barefoot Gen": Este filme não minimiza a consequência daquela explosão, o que é representado é aquilo que aconteceu. Adiciono que o faz de uma forma única, emotiva, respeituosa e nunca gratuita. Na boa. Tu reduzes o cinema a perspectivas muito simples e pragmáticas ao mesmo tempo de impossibilidade. Não há centímetro cúbico naquele rectângulo que não seja analisado ao milímetro antes do Acção. Não haver violência gráfica eu acredito que seja uma opção, porque o primeiro plano é outro e o ponto de vista também. O realizador pode querer que aconteça uma explosão para dar continuidade àquele ponto de vista, sem interessar o que acontece ao pobre coitado que ficou no meio da explosão. É um acontecimento em segundo plano que precisa existir, na ideia do realizador, e acho que no contexto da história também, mas não tem que ganhar visibilidade, nem se explicar. Mas representar ao pormenor aquilo que aconteceu pode ser uma opção de arte, pode ser uma opção de budget, pode-se achar que não é importante, e aqui, em Dunkirk, claramente foi uma opção, julgo eu. O filme não é sobre isso. Há outras camadas. Pronto, ele diz tudo: Compartilhar este post Link para o post
Mayday Publicado 20 Agosto 2018 Outra coisa de que gosto imenso em Dunkirk e que senti bastante o impacto enquanto via o filme: 1 Compartilhar este post Link para o post
bmfpcdm Publicado 20 Agosto 2018 1 hora atrás, Mayday disse: Tu reduzes o cinema a perspectivas muito simples e pragmáticas ao mesmo tempo de impossibilidade. Não há centímetro cúbico naquele rectângulo que não seja analisado ao milímetro antes do Acção. Não haver violência gráfica eu acredito que seja uma opção, porque o primeiro plano é outro e o ponto de vista também. O realizador pode querer que aconteça uma explosão para dar continuidade àquele ponto de vista, sem interessar o que acontece ao pobre coitado que ficou no meio da explosão. É um acontecimento em segundo plano que precisa existir, na ideia do realizador, e acho que no contexto da história também, mas não tem que ganhar visibilidade, nem se explicar. Mas representar ao pormenor aquilo que aconteceu pode ser uma opção de arte, pode ser uma opção de budget, pode-se achar que não é importante, e aqui, em Dunkirk, claramente foi uma opção, julgo eu. O filme não é sobre isso. Há outras camadas. Eu aceito que tenha sido uma opção, eu até afirmei que foi uma opção para manter o rating PG-13 (aqui talvez seja cinismo da minha parte, mas julgo que não). Eu não procuro reduzir o cinema. Simplesmente expressei um ponto de vista que considero ter valor neste contexto específico. Tanto aceito a tua visão, como a oposta, mas com a tal adenda de que não considero positivo encenar uma falsa representação deste tipo de realidade, quando há valor a ganhar na verdadeira representação, mais valendo não encenar. Já agora, para mim, filmes de guerra são cada vez menos interessantes e começo mesmo a ganhar aversão, prefiro ler sobre os eventos. Compartilhar este post Link para o post
Rōnin Publicado 20 Agosto 2018 10 horas atrás, Mayday disse: Para mim, é positivo. Para ti, se calhar não é. Mas isso entra naquele plano inútil da subjectividade. Daí ter dito apenas que é essencial e não bom ou mau. É o que determina muito do cinema dele, só isso. É como o cinema do Hitchcock, o suspense é essencial. Mas devia-lhes ser atribuído, porquê? Se o Nolan quis contar uma história de sobrevivência, a partir destes pontos de vista, que obrigatoriedade tem ele em homenagear os mortos? Isto não é uma comissão de honra. É um filme. Que raio. A história de Dunkirk também é sobre os que morreram, mas o filme do Nolan não é tanto sobre eles. E o Nolan não é obrigado a contar a história exacta, de todos e de cada momento. Ele não é historiador, é realizador. Gosta de contar as histórias de determinada forma, tem 2h horas de filme, não sei quantos meses de filmagem, tem um budget... É um detalhe que parece ter bastante importância. Toda esta discussão é extremamente subjectiva e por vezes mal interpretada. Podia, devia...é apenas semântica. A questão é que havia possibilidade de contar mais sobre o que se passou naquela praia que poderia ter ajudado a criar uma narrativa mais coesa. Porque tudo aquilo que mencionaste sobre a angústia e sobrevivência, eu não senti. Só lendo e conhecendo afinco a situação deles é que se ganha a noção da escala e da dimensão da situação. E isso não é boa escrita. O filme é demasiado minimalista e limpo para o meu gosto. E nada tem a ver com realismo, mas sim com a narrativa. 10 horas atrás, Mayday disse: Outra coisa de que gosto imenso em Dunkirk e que senti bastante o impacto enquanto via o filme: É muito bom nesse aspecto. Foi porreiro ouvir as sirenes dos Junkers: Compartilhar este post Link para o post
bmfpcdm Publicado 20 Agosto 2018 Já agora, para quem gosta ou anda à procura de podcasts, recentemente comecei a ouvir "Unspooled" com a Amy Nicholson e o Paul Scheer. O objetivo é verem todos os filmes do top 100 da AFI, discutir os seus méritos e desméritos, e em todos os episódios conversam um pouco com convidados especiais que trabalham em várias áreas da profissão. Tenho gostado bastante, eles formam um ótimo par. Compartilhar este post Link para o post
Scurvy Publicado 21 Agosto 2018 (editado) Não gostar de Dunkirk é crime e dizer que o filme é aborrecido é motivo para prisão perpétua sdds de ficar sem ar lá na sala Editado 21 Agosto 2018 por Scurvy Compartilhar este post Link para o post
jean-luc godard Publicado 21 Agosto 2018 Nunca vi o Dunkirk mas também não aprecio particularmente os outros filmes do Nolan. Compartilhar este post Link para o post