Red Publicado 12 Abril 2012 Homossexuais contestatários por José António Saraiva À minha frente, no elevador, está um rapaz dos seus 16 ou 17 anos. Pelo modo como coloca os pés no chão, cruza as mãos uma sobre a outra e inclina ligeiramente a cabeça, percebo que é gay.Estamos no edifício da FNAC do Chiado. Trabalho naquela zona e, pelo menos duas vezes por dia, subo e desço a Rua Garrett. Frequentemente, por comodidade, utilizo o elevador da FNAC: é uma forma prática de ir da Baixa para o Chiado e vice-versa. Em todas as grandes cidades do mundo há lugares preferidos pelas comunidades gay. Não sei as razões que conduzem a essas escolhas, mas muitos guias turísticos já as referem. O Chiado é, em Lisboa, uma dessas zonas – e, de facto, cruzamo-nos aí constantemente com 'casais' de mulheres e sobretudo 'casais' de homens de todas as idades. Julgo ser um facto notório que a comunidade gay está a crescer. Há quem afirme que não é assim – e o que se passa é que os gays têm cada vez menos receio de se assumirem, cada vez menos receio de revelarem as suas inclinações, tendo orgulho (e não vergonha) de serem como são. Talvez esta explicação seja parcialmente verdadeira. Mas, se for assim, é natural que o número de gays esteja mesmo a crescer. O assumir da homossexualidade por parte de figuras públicas acabará forçosamente por ter um efeito multiplicador, pois funciona como propaganda. Até há duas gerações a homossexualidade era reprimida socialmente, pelo que muitos jovens com inclinações homossexuais teriam pejo de se assumir – acabando alguns por constituir família para afastar eventuais suspeitas. Conheço vários exemplos desses: casos de homens e mulheres que se casaram, vindo mais tarde a trocar o parceiro ou a parceira por uma pessoa do mesmo sexo. Ora hoje passa-se o contrário: alguns jovens que não têm inclinações evidentes acabam por ser atraídos pelo mistério que ainda rodeia a homossexualidade e pelo fenómeno de moda que ela assumiu em determinados sectores. Não duvido de que há gays que nascem gays. Mas também há gays que se tornam gays – por influência de amigos, por pressão do meio em que se movem (no ambiente da moda isso é claro), e por outra razão que explicarei adiante e me levou a escrever este artigo. Ao olhar esse jovem que ia à minha frente no elevador, pensei: será que há 20 anos ou 30 anos ele teria a mesma atitude, assumiria tão ostensivamente a sua inclinação? E, indo mais longe, se ele tivesse sido jovem nessa altura seria gay? Tive dúvidas. Ao observar aquele rapaz tive a percepção clara de que a sua forma de estar, assumindo tão evidentemente a homossexualidade, correspondia a uma atitude de revolta. Durante séculos, os filhos seguiram submissamente as orientações dos pais em matéria de profissão e casamento. Às vezes contrariados, mas seguiam. Havia famílias de diplomatas, de advogados, de arquitectos, de empresários, de comerciantes, de carpinteiros, de padeiros, de trabalhadores rurais. Mas nos anos 60 dá-se na sociedade ocidental uma revolução que mudaria o mundo. É a geração dos Beatles, de Woodstock, do Maio de 68, da droga, do sexo livre e da contestação à guerra do Vietname – 'Make love, not war' –, da contestação em geral. O termo 'contestatário' entrou na linguagem comum. As palavras 'irreverente', 'insubmisso', 'rebelde', etc. deixaram de ter uma conotação negativa e passaram a ser vistas como elogios. E não se tratava apenas de um fenómeno europeu. Uns anos antes, do lado de lá do Atlântico, filmes como Rebel Without a Cause (Fúria de Viver), de Nicholas Ray, faziam furor – e James Dean, o protagonista, tornava-se o ícone de uma geração 'rebelde' sem uma 'causa' bem definida. Nessa época, um jovem que não fosse contestatário não estava bem dentro do seu tempo. Pertenci a essa geração em que muitos jovens da minha idade estavam em guerra aberta com a família. Eu tinha amigos revolucionários, que andavam a pintar paredes com frases contra Salazar e a guerra colonial, ou em reuniões clandestinas contra a ditadura, cujos pais tinham lugares de confiança no regime salazarista. Houve conflitos tremendos entre pais e filhos. Os pais, funcionários exemplares, presidentes de Câmara, directores-gerais, militares de elevada patente, etc., sofriam horrores com a irreverência dos filhos que andavam em manifestações, entravam em conflito com a Polícia e às vezes eram presos. Em 1969, era o meu tio José Hermano Saraiva ministro da Educação Nacional, eu estava envolvido na luta académica contra o Governo na Escola de Belas-Artes. E pouco depois o meu irmão mais velho foi preso e julgado por 'actividades subversivas' – e quem o defendeu, num acto de grande coragem e dignidade, foi ainda o meu tio José Hermano, que era então deputado. Acrescente-se que muitos dos políticos que hoje estão no activo andaram envolvidos em lutas estudantis e em movimentos revolucionários. O caso de Durão Barroso, que militou no MRPP, é o mais conhecido mas não é o único. Nos dias que correm, todas essas ilusões revolucionárias morreram ou estão em vias de extinção. O fim da União Soviética e a queda do Muro de Berlim, a evolução da China para uma economia capitalista, a morte política de Fidel, tudo isso fez com que certos mitos desabassem e nascessem outras formas de recusa do modelo de sociedade em que vivemos. Ora uma delas é a homossexualidade. Para alguns jovens, a homossexualidade surge como uma forma de mostrar a sua 'diferença', de manifestar a sua recusa de uma sociedade convencional, de lutar contra a hipocrisia daqueles que não têm coragem de se mostrar como são, de demonstrar solidariedade com aqueles que são discriminados ou perseguidos pelas suas opções. Ser homossexual, para muitos jovens, é tudo isto. É uma forma de insubmissão. E, está claro, é um desafio aos pais. Se antes os jovens desafiavam os pais tornando-se 'de esquerda', hoje desafiam-nos recusando a 'família burguesa' e mostrando-lhes que há outras formas de relacionamento e até de constituir família. Aliás, assumir-se como homossexual talvez seja, por muitas razões, o maior desafio que um filho pode fazer aos pais. Todas as gerações, desde esses idos de 60, tiveram os seus sinais exteriores de revolta. Foram os cabelos compridos, as drogas, as calças à boca-de-sino, as barbas à Fidel Castro, os posters de Che Guevara colados na parede do quarto. Ora a exposição da homossexualidade é hoje uma delas. E a opção gay é uma forma de negação radical: porque rejeita a relação homem-mulher, ou seja, o acto que assegura a reprodução da espécie. Nas relações homossexuais há um niilismo assumido, uma ausência de utilidade, uma recusa do futuro. Impera a ideia de que tudo se consome numa geração – e que o amanhã não existe. De resto, o uso de roupas pretas, a fuga da cor, vão no mesmo sentido em direcção ao nada. O fenómeno da homossexualidade como forma de contestação deste modelo de sociedade em que vivemos, de afirmação radical de uma diferença – enquadrada num fenómeno contestatário iniciado nos anos 60 –, nunca foi abordado. Mas olhando para aquele adolescente que ia à minha frente no elevador da FNAC, percebi que era isso que o movia quando fazia uma pose ostensivamente feminina. Ele dizia aos companheiros de elevador: «Eu sou diferente, eu não sou como vocês, eu recuso esta sociedade hipócrita, eu assumo-me». Entretanto, Tubo de Ensaio da TSF, por Bruno Nogueira e João Quadros: http://www.tsf.pt/Pr...udio_id=2415161 Vale a pena ler e depois ouvir. Compartilhar este post Link para o post
Petar Musa Publicado 12 Abril 2012 Esta família Saraiva :facepalm: :facepalm: Nogueira :prayer: Compartilhar este post Link para o post
Black Hawk Publicado 12 Abril 2012 (editado) "Pelo modo como coloca os pés no chão, cruza as mãos uma sobre a outra e inclina ligeiramente a cabeça, percebo que é gay" Tipo... PS: Depois li o resto. E essa frase é um mal menor. Editado 12 Abril 2012 por BlackHawk Compartilhar este post Link para o post
Carmelo Anthony Publicado 12 Abril 2012 "Pelo modo como coloca os pés no chão, cruza as mãos uma sobre a outra e inclina ligeiramente a cabeça, percebo que é gay" Tipo... Parei de ler logo aí. Que jornalismo baixo. Compartilhar este post Link para o post
André Publicado 12 Abril 2012 Ia a meio do texto e já me estava a preparar para parar de ler e dizer que aquilo é um atentado à inteligência das pessoas. Felizmente, li até ao fim, ouvi a crónica e ainda deu para dar umas gargalhadas :lol: Bruno Nogueira sempre em altas :prayer: Compartilhar este post Link para o post
scout Publicado 12 Abril 2012 (editado) Ia comentar a mesma coisa, mas depois ouvi o Bruno Nogueira e acho que está tudo dito. Fadista de botas ortopédicas :lol: Editado 12 Abril 2012 por scout Compartilhar este post Link para o post
Kendrick Lmao Publicado 12 Abril 2012 LOL q rei o Nogueira ele anda como uma chinesa :lol: :lol: Compartilhar este post Link para o post
Gentle Giant Publicado 12 Abril 2012 Ler esta coluna é ficar mais estúpido! Compartilhar este post Link para o post
Puto Perdiz Publicado 12 Abril 2012 "Pelo modo como coloca os pés no chão, cruza as mãos uma sobre a outra e inclina ligeiramente a cabeça, percebo que é gay" Tipo... o maior engatatão que conheci tinha esse estilo. Compartilhar este post Link para o post
Someone Publicado 12 Abril 2012 (editado) f*da-se que animal :lol: como é possível alguém tão ignorante escrever essa m*rda? Editado 12 Abril 2012 por Someone Compartilhar este post Link para o post
PRFA47 Publicado 12 Abril 2012 Tu respondes à tua pergunta :mrgreen: Compartilhar este post Link para o post
Victarion Publicado 12 Abril 2012 https://twitter.com/#!/omalestafeito/status/189430081817559043 dass :lol: Compartilhar este post Link para o post
Red Publicado 12 Abril 2012 https://twitter.com/...430081817559043 dass :lol: Essa line está no podcast por acaso :lol: Compartilhar este post Link para o post
Victarion Publicado 12 Abril 2012 Essa line está no podcast por acaso :lol: só li o artigo. onde tou não posso ouvir. Compartilhar este post Link para o post
6nario Publicado 12 Abril 2012 (editado) Que grande idiota este gajo :lol: É que isto vai além de qualquer ideia que se possa ter ou não sobre os gays, é simplesmente estupidez pura! Editado 12 Abril 2012 por Landry Compartilhar este post Link para o post
Inkie Publicado 12 Abril 2012 A teoria de um caro amigo maluco chamado Vítor aqui de Paio Pires que diz que a Irina só está com o Ronaldo por causa dos espiões soviéticos que querem aproximar-se de Espanha faz mais sentido que o artigo deste arquitecto. Fds, como é possível haver tamanha ignorância no mesmo jornal... Compartilhar este post Link para o post
_Nikon_ Publicado 12 Abril 2012 (editado) A teoria de um caro amigo maluco chamado Vítor aqui de Paio Pires que diz que a Irina só está com o Ronaldo por causa dos espiões soviéticos que querem aproximar-se de Espanha faz mais sentido que o artigo deste arquitecto. Fds, como é possível haver tamanha ignorância no mesmo jornal... Oi? Onde está isso que quero ver. :funny: Estas duas e aquela do canal Al-Jazeera sobre o Barcelona são fantásticas! Editado 12 Abril 2012 por padeiro Compartilhar este post Link para o post
Inkie Publicado 12 Abril 2012 (editado) Oi? Onde está isso que quero ver. Não está em lado nenhum, ele diz isso ás pessoas que encontra na rua :mrgreen: Editado 12 Abril 2012 por Inkie™ Compartilhar este post Link para o post
OntheRadio Publicado 12 Abril 2012 O Nogueira tem muita razão, pela forma como ele faz a descrição parece que estava a olhar o rapaz de cima a baixo, a galá-lo :lol: Compartilhar este post Link para o post
Gaberlunzie Publicado 12 Abril 2012 Que coisa mais ridícula. A parte dos pés no chão e das mãos então é ridícula mesmo. Compartilhar este post Link para o post
htc Publicado 12 Abril 2012 Fui o único que reparei no título? Homessexuais. :mrgreen: Compartilhar este post Link para o post
w0 Publicado 12 Abril 2012 Que texto mais retardado..o que vale é que o Bruno Nogueira fez uma entrada mesmo forte..fds que cacete :funny: Compartilhar este post Link para o post