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O Jornal I viveu uma semana sem tecnologia e �diz-lhe como foi

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O Jornal I viveu uma semana sem tecnologia e diz-lhe como foi

 

Dois telemóveis, duas televisões, um computador portátil e um tablet. De um momento para o outro, quando passavam quatro minutos da meia-noite de 27 de Dezembro, todos ficaram inacessíveis. O objectivo começou por ser recuar no tempo e perceber como seria possível sobreviver sem os aparelhos que moldaram a nossa forma de viver e evoluiu para um corte de vícios. No mundo do jornalismo, em que o acesso à informação é uma sede insaciável, apenas o rádio e os jornais impressos continuariam disponíveis. No final até foi fácil...

 

A ideia germinava há mais de um mês e partilhá-la com os outros ajudou a ganhar motivação, mas o mais importante era sentir a responsabilidade. Esta consegue dar a mesma força de vontade que falta no momento em que se hesita entre ver um jogo pela televisão e ir ao estádio, entre programar algo que nos obrigue a sair e ficar em casa, afundados no sofá a ver filmes num ciclo interminável. “Não vais conseguir”, “Mas por que é que vais fazer isso?” e “És maluco” foram algumas das reacções ouvidas. A maioria, ainda assim, demonstrava, além de entusiasmo, curiosidade. “Já tinha pensado fazer isso mas um mês. Depois diz-me como correu para ver.” Acima de tudo, havia um interesse quase mórbido por saber se era possível, porque parece faltar a coragem para sair da zona de conforto e assumir que se consegue cortar com uma relação de dependência.

 

Anular recursos que hoje damos como garantidos cria dificuldades e faz-nos perceber como a noção daquilo que é necessário se transformou. O acesso ao telefone fixo não era vedado, mas não há nenhum em casa. Para quê, se o telemóvel viaja sempre no bolso e a única obrigação é mantê-lo com bateria? Além do mais, para várias gerações, usá-lo para falar com amigos implicava passar por uma conversa intimidante: “Estou, é a mãe do Fred? Posso falar com ele?” Nesta fase, o problema nem seria só esse, já que as agendas telefónicas têm cada vez menos números fixos e ligar para telemóveis também estava vedado. Ou seja, não se podia tirar proveito directo ou indirecto. Não se podia saber de notícias ou tirar teimas através de recursos que outros mantinham e podiam facilmente partilhar. Se era para ser, era mesmo.

 

Ter uma forma de ver as horas e arranjar um despertador foram dois problemas. Nos últimos seis anos, o telemóvel desempenhou os dois papéis sem dividir protagonismos. Agora, sem ele, encontrar uma alternativa era complicado. O abandono dos relógios de pulso fez com que todos tivessem ficado sem pilha, pelo que um empréstimo de uma semana foi a melhor possibilidade. Mas elevar o braço para consultar o relógio deixara de ser um movimento natural e no primeiro dia foi mais comum procurar inconscientemente o telemóvel no bolso esquerdo para ver as horas. De resto, uma velha aparelhagem coberta de pó deixada ao abandono na varanda foi recuperada e trazida para o quarto.

 

Compromisso selado

 

As horas que antecederam o início foram intensas. Era preciso avisar família, amigos e agilizar uma reportagem que estava pendente e que não teria forma de avançar durante aquela semana. Pelo meio ficaram logo estabelecidos compromissos para os dias seguintes, em momentos em que as primeiras dificuldades começaram a surgir. Havia um jantar de reencontro de equipa de juniores marcado para esse sábado e o local estava definido, mas a hora só seria decidida no sábado. “Não faz mal. Eu chego lá às 20h00. Se for mais tarde, espero.” Felizmente, foi às 20h15.

 

Combinar uma hora tornou-se fulcral porque a maior parte das vezes não havia forma de alterá-la. Se no dia-a-dia é fácil chegar cinco ou dez minutos atrasado desde que se envie uma mensagem a avisar, naquele momento o compromisso era selado. Se estava combinado ir correr às 18h00, era às 18h00 que se ia correr. Se estava combinado um encontro numa casa de chá às 22h30, era bom que se estivesse lá a essa hora. Sem a facilidade de flexibilizar o acordado em tempo real, os atrasos – sempre curtos mas sempre existentes – desapareceram. O mais interessante foi perceber que chegar a horas não é um desafio hercúleo e não há grande justificação que o impeça na maior parte das vezes, mesmo quando há telemóveis. Apenas o desleixo.

 

Novas rotinas

 

Criar uma forma diferente de passar os dias era o desafio mais temível. Trabalhar estava fora de questão – fazer jornalismo sem computador hoje em dia é uma miragem – e a semana até era de férias. Se fosse no Verão, a praia estaria a apenas cinco minutos de distância. Mas não, era no Inverno, na semana da passagem de ano e havia um sábado, um domingo, um feriado e quatro dias úteis para preencher.

 

O mês que serviu para ganhar coragem e responsabilidade também deu azo à procura constante de alternativas. E, como se a vida dependesse disso, a lista de possibilidades acumulou-se como se o mundo estivesse para acabar. Subitamente, a autobiografia de Alex Ferguson tornou-se uma prioridade. No início do ano era imprescindível tê-la sem esperar pela versão portuguesa mas quase 365 dias depois ali se mantinha o livro, sem uma única página lida. Mas havia mais, muito mais. Houve outras leituras a considerar, saídas para correr frequentes, uma limpeza da casa como nunca antes e até uma aventura de fazer Cascais-Jamor pela Marginal a andar. O estado de espírito era apocalíptico: a vida como a conhecíamos ia alterar-se radicalmente e nada seria como antes. A montanha pariu um rato. Tirando as corridas no paredão de Oeiras e o livro de Ferguson, nada aconteceu.

 

Em sentido contrário, houve expectativas que bateram certo. Sem televisão e acesso à internet para ver séries, filmes e acompanhar os desportos norte- -americanos até de madrugada, ir para a cama mais cedo era quase obrigatório. Sem a possibilidade de ver as capas dos jornais às três da manhã, acordar mais cedo e ir ao quiosque mais próximo também se confirmou. E o rádio tornou-se essencial. A noção das horas passou a ser fundamental para acompanhar os blocos noticiosos e, em dias de jogos, acompanhar os relatos. Ou mesmo só como forma de passar o tempo, com o bónus de ser acompanhado por vozes conhecidas na universidade.

 

Trapézio sem rede

 

Sábado e domingo foram fáceis. Havia programas combinados desde sexta-feira e não houve dificuldade em concretizá-los. A partir de segunda-feira tudo mudou. Com telemóvel é demasiado simples jogar apenas pelo seguro. “Posso ir aí a casa agora? Tenho dois sacos de tangerinas acabadas de apanhar para te dar” era uma mensagem fácil e que demorava segundos a enviar. Mas não era possível. E é assim que se bate com o nariz na porta de um primo (duas vezes, na verdade) em poucos minutos. Em casa não estava ninguém (isso já era de esperar), no trabalho também não. “Acho que está de férias e nem deve voltar mais esta semana.” Os mais de dez quilos de fruta fresca voltaram à origem sem passar pela casa de partida.

 

Em sentido inverso, o toque da campainha de casa recupera significado. Noutro momento qualquer, nem merece grande reacção. Tirando os antigos proprietários a pedirem para ir ao correio ou a empresa de gás para fazer contabilidade, normalmente não são mais que testemunhas de algo a quererem impingir as novas e velhas maravilhas do mundo. Mas sem ter telemóvel pode ser qualquer pessoa que sabe que aquela é a única forma de contacto imprevisto.

 

É muito difícil construir uma cápsula que garanta o corte total. A contagem decrescente na passagem de ano provou-o. Numa cave com cerca de 30 pessoas, em que jogar ténis de mesa foi o único recurso disponível além da conversa para passar o tempo, quase 30 pessoas assistiram eufóricas à contagem decrescente na televisão. O ângulo morto impedia o contacto directo, mas é impossível negar a vantagem indirecta quando se ouve “DEZ, NOVE, OITO, SETE, SEIS, CINCO, QUATRO, TRÊS, DOIS, UM...” aos gritos. E depois também não há direito aos telefonemas da praxe para a família com votos de bom ano.

 

Ideias que ficam

 

Não é difícil perceber que estamos dependentes, de forma mais ou menos agressiva, dos aparelhos electrónicos. Em alguns momentos tornámo-nos preguiçosos e incapazes de recorrer à memória para resolver diferendos. Como com quem calhou o Monaco no sorteio. A dúvida persistiu durante minutos até que alguém soltou uma pergunta: “Porra, estamos aqui dez gajos e não há um que saque do telemóvel?” É a tendência actual. As teimas tiram-se no momento. Saber quem marcou aquele golo ou em que outro filme entra um actor deixou de ser um exercício de persistência que chegava a durar dias. Basta um aparelho portátil com internet. Estamos cada vez mais impacientes quando se trata de saciar dúvidas.

 

Também é claro que nos tornámos muito mais exigentes no acesso à informação. A internet ajudou a eliminar intermediários, retirou força aos jornais e permitiu que os interesses de cada um mudassem de caso para caso. Fazer um jornal que agrade a todos é cada vez mais difícil e os problemas no acompanhamento das últimas notícias sobre desportos norte-americanos foram os piores durante esta semana. Poder publicá--los apenas 30 horas depois de acontecerem é o primeiro obstáculo, o grau de aprofundamento é o segundo.

 

A tranquilidade marcou a semana mas a última meia hora fez renascer a irrequietude, com perguntas sucessivas para saber as horas. O prazo estava a acabar e a prova tinha sido superada. Foi o suficiente para perceber que mais que viver sem elas é importante saber moderá-las. Por outro lado, há lições que não se aprendem à primeira. Ir para a cama depois das três da manhã voltou a ser frequente e a aparelhagem ainda não foi ligada desde então. Só mesmo o hábito de ir correr se manteve.

 

Jornal I

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Atirava-me da ponte ao 4º dia. No máximo.

 

Se há bem que considero essencial na minha vida, é, sem dúvida, a informação.

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Visitante

Cheguei a fazer, mas só com o PC (porque se tinha avariado), durante 3 semanas. Caí no ridiculo de dormir 12h por dia, ver o programa do Goucha quando não tinha aulas de manhã, e comprava às 10 revistas por semana. Não vai ser para repetir :mrgreen:

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Eu bem que me precisava de desintoxicar uma semana, estou sempre ligado fds :lol:

 

E só à noite é que venho um bocado mais ao pc, mas tou sempre ligado e checkar a net de 5 em 5 minutos no telemóvel, em qualquer lado, já ponderei tentar fazer um exercício parecido de tentar viver uns dias sem nada disto, pode ser que um dia destes tente.

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Guest Dpitz

desligo me com muita facilidade das tecnologias.

aliás, qdo vou de férias pra vila real é certinho que não toco em pcs/tablets e raramente uso o telemóvel (tanto que a bateria do telemóvel dura uns 6-7 dias, qdo normalmente dura 2, no máximo dos máximos 3)

 

TV já estou habituado a não ver lol

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Não é difícil perceber que estamos dependentes, de forma mais ou menos agressiva, dos aparelhos electrónicos. Em alguns momentos tornámo-nos preguiçosos e incapazes de recorrer à memória para resolver diferendos. Como com quem calhou o Monaco no sorteio. A dúvida persistiu durante minutos até que alguém soltou uma pergunta: “Porra, estamos aqui dez gajos e não há um que saque do telemóvel?” É a tendência actual. As teimas tiram-se no momento. Saber quem marcou aquele golo ou em que outro filme entra um actor deixou de ser um exercício de persistência que chegava a durar dias. Basta um aparelho portátil com internet. Estamos cada vez mais impacientes quando se trata de saciar dúvidas.

 

 

Isto tornou-se super comum com o aparecimento dos smartphones com net. As próprias conversas entre amigos num café ou algo do género têm contornos completamente diferentes de vez em quando, fruto da acessibilidade a qualquer tipo de informação.

 

 

Não sei se me custava assim tanto..

Hoje em dia não vejo tv. Talvez se for a casa no fim de semana veja o telejornal durante o jantar, mas regra geral devo ver umas 3 horas de tv por mês.

 

A internet já custa mais um bocado e agora achava impensável se não pudesse aceder à net sempre que quisesse. Mas a verdade é que quando cheguei à Universidade não tinha net numa das casas onde morei e não me fazia assim tanta falta. Agora talvez seja mais dificíl que com o smartphone cria-se o hábito de estar ligado em qualquer local, seja no trabalho/escola, casa, rua etc...

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Não é difícil perceber que estamos dependentes, de forma mais ou menos agressiva, dos aparelhos electrónicos. Em alguns momentos tornámo-nos preguiçosos e incapazes de recorrer à memória para resolver diferendos. Como com quem calhou o Monaco no sorteio. A dúvida persistiu durante minutos até que alguém soltou uma pergunta: “Porra, estamos aqui dez gajos e não há um que saque do telemóvel?” É a tendência actual. As teimas tiram-se no momento. Saber quem marcou aquele golo ou em que outro filme entra um actor deixou de ser um exercício de persistência que chegava a durar dias. Basta um aparelho portátil com internet. Estamos cada vez mais impacientes quando se trata de saciar dúvidas.

 

 

Isto tornou-se super comum com o aparecimento dos smartphones com net. As próprias conversas entre amigos num café ou algo do género têm contornos completamente diferentes de vez em quando, fruto da acessibilidade a qualquer tipo de informação.

 

 

Não sei se me custava assim tanto..

Hoje em dia não vejo tv. Talvez se for a casa no fim de semana veja o telejornal durante o jantar, mas regra geral devo ver umas 3 horas de tv por mês.

 

A internet já custa mais um bocado e agora achava impensável se não pudesse aceder à net sempre que quisesse. Mas a verdade é que quando cheguei à Universidade não tinha net numa das casas onde morei e não me fazia assim tanta falta. Agora talvez seja mais dificíl que com o smartphone cria-se o hábito de estar ligado em qualquer local, seja no trabalho/escola, casa, rua etc...

 

Tv aqui também é irrelevante, e não sei se é uma ideia só minha, mas na "nossa geração", diria que malta até aos 30 anos, a tv nos últimos 15 anos perdeu uma importância tremenda.

 

E isso das conversas com amigos, é muito verdade, o raio do aparelho é gerador de conversa e é "interveniente" na mesma, quantas vezes alguém calha checkar o telemóvel inocentemente, alguma rede social, e aparece logo algum conteúdo que a malta começa a discutir, seja uma notícia ou uma gaja boa que apareça, é irrelevante, simplesmente gera conteúdo passível de ser discutido, a informação é cada vez mais imediata. Quer se queira quer não estes aparelhos estão cada vez mais nas nossas vidas, para o bem e para o mal.

Editado por Qwerty Tartarino

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Tv aqui também é irrelevante, e não sei se é uma ideia só minha, mas na "nossa geração", diria que malta até aos 30 anos, a tv nos últimos 15 anos perdeu uma importância tremenda.

 

E isso das conversas com amigos, é muito verdade, o raio do aparelho é gerador de conversa e é "interveniente" na mesma, quantas vezes alguém calha checkar o telemóvel inocentemente, alguma rede social, e aparece logo algum conteúdo que a malta começa a discutir, seja uma notícia ou uma gaja boa que apareça, é irrelevante, simplesmente gera conteúdo passível de ser discutido, a informação é cada vez mais imediata. Quer se queira quer não estes aparelhos estão cada vez mais nas nossas vidas, para o bem e para o mal.

True. Também mal vejo televisão. Basicamente só para futebol quando estou no café ou assim e é raro porque normalmente vejo no PC.

Editado por Eden Hazard

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Não acho que me fosse assim tão complicado quanto isso. Sou um bocado dependente, mas não seria difícil afastar-me durante uma semana (até porque já o fiz no passado).

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do meu 10 ao 12 mal mexia no pc e telemovel

 

telemovel fui sempre de deixar no bolso e so usar em chamadas e pc era mesmo so a noite

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Telemovel só mexo para ir ao fb quando vou almoçar sozinho.

Pc é sempre. Eu ligo o pc de manha para ir lendo m*rda enquanto tomo o pequeno almoço.

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Eu praticamente já não utilizo o PC, faço tudo no Telemovel/tablet, desde ver mails a series e filmes, o pc, é só mesmo para ir procurar algum documento de que precise e não encontre do dropbox.

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