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Professor Neca deixa de ser treinador

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Citação do jornal "Record" online

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Professor Neca deixa de ser treinador

Manuel Gonçalves Gomes, conhecido no mundo do futebol por Professor Neca, colocou um ponto final na carreira de treinador aos 63 anos e ao cabo de mais de 30 anos dedicados à função de técnico. Neca vai agora dedicar-se ao dirigismo desportivo.

"Estou focalizado e a preparar-me, há cerca de um ano, para a próxima etapa, que é de dirigente desportivo, de director-técnico ou de director-geral. Ao longo de 34 anos de experiência, sempre senti que era um espaço importante a preencher com alguém com competência e experiência para ser o suporte dos treinadores e da direção dos clubes", referiu em entrevista à Rádio Renascença.

Neca começou a carreira ao serviço do GD Prado, em 1980/81, e o Atlético foi o último emblema orientado. Pelo meio, o treinador português esteve ao serviço de diversos clubes portugueses, com referência ainda à passagem por Moçambique, pelas Maldivas, por Angola e pela Índia.

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Será lembrado sempre. Um dos melhores da história :handclap:

Editado por jmiguel25

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34 anos de carreira e diz no 00 que tem um título da 2ª divisão.

 

Parabéns, Professor.

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Já era deprimente vê-lo a treinar. Sem ideias, sem fio de jogo, sem nada. E com declarações de m*rda, mama 5 do Porto e ainda tem a coragem de dizer que foi um bom resultado.

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Lembro-me de há uns anos atrás quando ainda se via o CC, o Alvim a ligar para ele em directo para pedir a su opinião sobre bola e ele alinhar sem perceber que era alta tanga.

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Lembro-me de há uns anos atrás quando ainda se via o CC, o Alvim a ligar para ele em directo para pedir a su opinião sobre bola e ele alinhar sem perceber que era alta tanga.

 

Vídeo disso? :lol:

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Vídeo disso? :lol:

 

Não sei se há. Já foi há uns bons anos mesmo, sem exagerar uns 10 anos talvez.

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Perdemos mais um dos representantes do mitíco treinador português de bigode. Infelizmente começa a ser uma espécie em vias de extinção. :|

Lembrei-me também agora de algo que vi num blog e postei no núcleo do Atlético no tempo em que andava por lá.

Professor Neca. Indissocíavel o Homem do Mito.

 

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Responsável pelo golpe de estado de 1966 nos Barbados (onde ainda é reconhecido como O Grande Líder Calvo), Professor Neca é sobretudo relembrado por ter orientado o reputado Hamilton Thunder, conquistando o título de vencedor da Conferência Oeste da Liga Profissional Canadiana, perante uma assistência recorde de 14 espectadores (contando com o gajo dos tremoços, que de vez em quando dava uma espreitadela para o relvado).

Qual Cruzado da Era Moderna, espalhando as boas novas do Catenaccio pelos povos bárbaros e incultos, este globetrotter com penteado inspirado no artista do esférico Caccioli também atingiu notoriedade noutro recanto especial do planeta azul: as Maldivas. Missão cumprida, após ter desinteressado uma geração inteira de Maldivensianos pela bola. A frase "chuta prá frente e fé no Mahmoon Abdul Galoum" ainda é recordada com nostalgia nos confins do Oceano Índico.

Ah sim, também treinou em Portugal. Aliás, ainda treina. Mas como gostamos de recordar apenas coisas minimamente positivas, fica a memória da sua performance como actor na 13ª película da saga 007, Octopussy, onde interpretou o vilão careca de bigode fininho e pala no olho esquerdo, ou "Bald Villan With An Extremely Gay Looking Moustache And A Cheap Pirate Thing Over The Left Eye", como veio no genérico. Para os detentores da nova versão em DVD, podem vê-lo no genérico final como "Villan #2".

Como um singelo "até já", deixamo-vos com duas pérolazitas, pescadas de uma conferência desinteressante qualquer pelo site "maisfutebol".

"(...) O professor Neca, treinador do Desportivo das Aves, que se apresentou como «um tipo do norte no meio da mouraria», encerrou o debate com a defesa do «4x3x3 dos pobres». «Quando não se pode ter lagosta, tem que se dar mobilidade ao carapau», destacou."

E não fui eu que fiz aquela imagem. :mrgreen:

Editado por Serpa Pinto

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Professor Neca."O Ben-Hur fazia festinhas à bola, era como o Ricardo Gomes"

 

Na entrevista de despedida como treinador, o futuro dirigente fala dos oito penáltis marcados numa só época pelo Santa Maria e da indicação de Barroso para o Benfica de Artur Jorge até o Porto se atravessar. Mas há mais, muito mais.

 

É um ícone do futebol português, com quatro subidas de divisão e, mais impressionante ainda, três presenças na 1.a com o Aves - curiosamente (ou não), as três do Aves. Incrível, magnífico, soberbo. Tudo isto é Neca, o único treinador do mundo com o prefixo de professor. Pois bem, despeçam-se do professor Neca, o único homem com mais empates (dois) que derrotas (uma) vs. Benfica de Sven-Goran Eriksson nos jogos em casa para o campeonato. Dizíamos nós, despeçam--se do prof Neca. Ele está de saída ao fim de 34 anos. Segue-se o dirigismo. Antes de se abalançar na terceira fase da carreira, o i curva-se perante a figura.

 

Manuel Gonçalves Gomes. Porquê professor Neca?

 

Como bom minhoto, e sou de Galegos, na zona de Barcelos, há a tendência para entrecortar o nome próprio. Ora bem, no Minho Manuel é Neca. E porquê o professor? Porque era isso mesmo, um professor. De Educação Física.

 

Uiii, então imagino as bocas dos seus alunos à segunda-feira.

 

Eheheh, nunca entraram a pés juntos e sempre a tentar acertar na bola.

 

Antes de ser treinador foi jogador?

 

Fui, pois. Médio. Defensivo. Pensava o jogo. E marcava os penáltis.

 

Com ou sem paradinha?

 

Sem paradinha, mas com muito jeito. Aliás, fui ver um jogo do Santa Maria desta época para a Taça de Portugal e o meu irmão perguntou-me: "Lembras-te daquele ano em que marcaste oito golos de penálti? Nem falhaste um." E eu nem me lembrava disso.

 

Como treinador é que chega à 1 .a, não é?

 

Sem dúvida. Subi três vezes da 2.a para a 1.a com o Aves e uma com o Tirsense.

 

Três vezes com o Aves. Mas o Aves só tem três presenças na 1.a ! Todas com o professor Neca, é isso?

 

Isso mesmo, é uma honra no meu currículo. Você sabia que o Aves é a única equipa da 2.a Liga que só jogou na 1.a e na 2.a? A única! É um feito tremendo, só ao alcance de pessoas preocupadas, que estimam o clube. Cada subida de divisão implicava um esforço financeiro considerável. Lembro-me que subimos pela primeira vez em 1985. O dinheiro da subida foi aproveitado para meter um novo relvado, aumentar o balneário, mudar aqui e ali aspectos do estádio. Repare, a nossa estreia em casa é com o Sporting e jogámos na Póvoa de Varzim. Perdemos 2-1, mas marcámos primeiro [golo de Ruca, reacção de Sousa e Manuel Fernandes]. Com o Porto repetimos esse feito e o insucesso [Alain, Futre e Gomes].

 

Esse Aves tinha o Silvino, não era?

 

Sim, o Silvino Louro. Fomos buscá-lo ao Benfica.

 

Mas como?

 

Ele incompatibilizara-se com o Pal Csernai, então o treinador do Benfica, e raramente jogaria com o Bento. Por isso fizemos um esforço suplementar para o ter. Falei com o presidente e disse-lhe que o queria porque a base de qualquer equipa é o guarda-redes. É ali que se começa a defender qualquer resultado. Havia era um problema. Os nossos jogadores ganhavam 600 euros em média e o Silvino era ligeiramente mais caro. Foi feito um esforço e a verdade é que nos ajudou e a ele também. Tanto assim é que o Silvino foi um dos pré-convocados para o Mundial-86.

 

Na sua carreira também treinou outros grandes. Como Ben-Hur, esse ícone da cultura pop.

 

Eheheheh, posso dizer-lhe que era um central incrível, com um toque de bola sensacional e uma postura fora do normal. Ele fazia festinhas à bola, era um herói. Comparo-o muito com o Ricardo Gomes.

 

Ao lado de Ben-Hur, um tal Lula?

 

Eish, esse era tipo o Mozer. Ainda jogou no Porto

 

E o Tanta?

 

Era mais lateral-esquerdo. Boa gente, mas era preciso psicologia para o levar.

 

Também treinou o Jaime Pacheco. E em dois clubes.

 

Não, isso não. Só o treinei no Braga. A história é esta: eu entrei para o lugar do António Oliveira no Braga, então um clube com muitas dificuldades financeiras. Aí encontrei o Jaime Pacheco, com quem ainda hoje jogo umas peladas na Riba d'Ave. Às vezes somos companheiros de equipa, outras adversários. Mas sempre amigos. Cultivamos essa amizade há anos e anos. É um caso apaixonante, o Jaime. Campeão europeu e mundial pelo Porto, não se entregou à reforma tão cedo como se julgaria e ainda jogou no Vitória de Setúbal, no Braga, comigo a treinar, e depois no Paços como jogador-treinador. Um caso de longevidade respeitável. É preciso categoria, talento e força de vontade. No futebol e na vida. Dizia-lhe, treinei o Jaime no Braga mas não no Paços, porque ele é que me substituiu no Paços como treinador. Tudo bem, amigos como dantes [ri-se imenso].

 

No Braga também tem a sorte de encontrar Karoglan e Barroso.

 

Dois belos jogadores, sem dúvida. O Karoglan era um poço de elegância, o Barroso é aquilo que toda a gente sabe. Golos e mais golos de livre directo, indirecto, de perto, de longe, frontal, descaído. Sabia bater na bola como ninguém e era um rapaz muito tranquilo. Sabe uma coisa? Quando cheguei ao Benfica, uma das primeiras coisas que disse ao Artur Jorge foi avisá-lo do Barroso no Braga, que devíamos contratá-lo. O Artur Jorge aceitou e falámos com o Barroso mas o Porto antecipou-se e lá foi ele para as Antas. Ainda há dias encontrei-o e disse-lhe "ó meu maroto, então foste para o Porto?". Digo-lhe outra coisa.

 

O quê?

 

Também falei no guarda-redes Quim ao Artur Jorge. Na altura ele tinha 18 anos mas já dava para perceber que era um fenómeno, mas ele continuou no Braga. E bem. Depois ainda foi para o Benfica, a tempo de ser campeão nacional em 2010. Fica-lhe bem esse título. Assenta- -lhe que nem uma luva.

 

Benfica, ainda bem que me fala disso. Como foi esse período?

 

Compensador, claro. O Benfica é o Benfica, o clube do povo. Tem tudo: alma, paixão, coração e efervescência. Nos dois anos lá passados ganhámos uma Taça de Portugal.

 

A do very-light?

 

Essa mesmo. No meio daquela tragédia ganhámos 3-1 ao Sporting. Nem levantámos o troféu nessa tarde.

 

Artur Jorge fez um bom trabalho nesse Benfica?

 

O Toni acabara de ser campeão nacional, num ano em que todos apostavam num outro clube, talvez o Sporting de Queiroz, Figo, Balakov, Paulo Sousa. Mas não, o Toni foi o campeão com uma ajuda extraordinária desse génio que é o João Vieira Pinto, autor de três golos em Alvalade. E nós sabemos bem que o Toni é o melhor treinador para o Benfica. Hoje e sempre. É uma figura ímpar, que merece a maior das considerações pela cultura desportiva. Ora bem, ele é campeão e sai para ceder o lugar ao Artur Jorge. A transferência de poderes não é nada pacífica porque os adeptos é que ditam leis e modas. Desde o início que Artur Jorge é mal visto e ele tem o azar de sofrer um grave problema de saúde que o afasta dos relvados. A este propósito quero dizer-lhe outra coisa: ofereceram--me o seu lugar naquele período de convalescença mas não aceitei. O futuro imediato teria de passar pelos dois adjuntos, eu e o Filipovic. Por isso ficámos juntos até ao seu regresso.

 

E...?

 

E a verdade é que ficámos em segundo lugar no início da caminhada do penta por parte do Porto e atingimos os quartos-de-final da Liga dos Campeões. No ano seguinte, já sem Artur Jorge mas com Mário Wilson, ganhámos a Taça de Portugal. Sim, foi uma boa experiência. Até porque conheci figuras inesquecíveis. Como o Valdo. Uma vez disse-lhe: "Importante na vida não é ganhar muito dinheiro, é ganhar dinheiro durante muito tempo. É sinal que as pessoas gostam de nós." E também conheci o Preud'homme. Ele absorvia o jogo como ninguém. Lá está, guarda-redes.

 

Quase uma década depois, o professor Neca aparece na selecção como adjunto de António Oliveira. De quem partiu o convite?

 

Do próprio António Oliveira. Já com Portugal qualificado, ligou-me e perguntou--me se me queria juntar. Claro que sim, seria uma honra, disse-lhe eu. Conhecia o Oliveira dos tempos de futebolista: eu no Riopele, ele no Penafiel.

 

Qual era o seu trabalho?

 

Ver os nossos adversários e fazer relatórios. Quando chegámos ao Mundial sabíamos que os EUA entravam sempre forte nos jogos e a verdade é que estava 3-0 aos 30 e tal minutos. Sabíamos também que o Dudek era o melhor guarda-redes a atirar-se para a esquerda. A este propósito digo-lhe uma coisa: na qualificação para o Mundial-1998 eu era treinador de Angola e jogámos com o Zimbabué. Estava 1-1 quando fomos beneficiados com um penálti. O Paulo Silva mete a bola na marca e o Grobbelaar, aquele guarda-redes famoso do Liverpool, encosta-se quase ao poste direito e oferece o lado esquerdo ao Paulo. Mal vi isto, disse para mim mesmo "ai Jesus". Adivinhava que ele fosse falhar. O Paulo remata para a esquerda e o Grobbelaar defende. O Dudek, da Polónia, era igual. Não havia ninguém como ele a cair para a esquerda. Fosse o que fosse: bolas rasteiras, bolas altas ou a meia altura. Por isso tínhamos de rematar para a direita. Alertei o Pauleta para isso mesmo e o resultado foi um hat-trick. Com a Coreia teríamos empatado com 11 e até com 10. Com nove é que não deu, e mesmo assim faltou-nos um pouco de sorte naquele remate ao poste do Nuno Gomes.

 

Mas essa selecção estava dividida ou...?

 

Ponto prévio: o grupo em si queria ganhar. Não há grupo que não queira isso. Todos queriam ganhar. Mas há condicionantes: o Figo, por exemplo, vinha de lesão. E havia aqueles que queriam o Baía no onze e aqueles que preferiam o Ricardo.

 

Para o Mundial seguinte, o de 2006, agarra nas Maldivas. Não se qualifica mas empata 0-0 com a Coreia do Sul. Que coincidência.

 

Foi um dia memorável para as Maldivas. Empatámos em casa com a Coreia e fomos eleitos selecção do mês. E eu o treinador do mês. De toda a Ásia. Mas foi um resultado que me entristeceu porque significou a saída de um grande amigo, o Humberto Coelho. Esse resultado ditou a saída dele da Coreia do Sul. Eu ainda hoje recebo sms de pessoas do governo e da Federação das Maldivas a lembrarem-me desse feito.

 

Ficou lá até quando?

 

Assinei por dois anos. No meio fui de férias para Portugal. Dois dias depois foi o tsunami e nunca mais voltei às Maldivas. Um dia, quem sabe...?

 

E ao futebol, quando volta?

 

Como treinador em Portugal não volto. Estou satisfeito com a carreira e é o fim da linha. Já abracei a carreira de jogador e a de treinador. A partir de agora abraço a de dirigente desportivo.

 

Obrigado e boa sorte.

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Qual era o seu trabalho?

 

Ver os nossos adversários e fazer relatórios. Quando chegámos ao Mundial sabíamos que os EUA entravam sempre forte nos jogos e a verdade é que estava 3-0 aos 30 e tal minutos

E mesmo assim os portugueses entraram a dormir. :lol:

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É estranho porque supostamente quem passeava à noite pela praia em Macau era a equipa técnica e não os jogadores.

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Lembro-me de há uns anos atrás quando ainda se via o CC, o Alvim a ligar para ele em directo para pedir a su opinião sobre bola e ele alinhar sem perceber que era alta tanga.

Também me lembro disso :lol:

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