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Tópico da Política, Ambiente e Economia

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Citação de Pavel, há 5 minutos:

spoiler alert ele vai já preparado para fazer essa figurinha, é a única forma de aparentarem ter um mínimo de sucesso 

Eu só vou ter uma opinião quando vir as pontuações do expresso

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Citação de Sandes., há 8 minutos:

Eu só vou ter uma opinião quando vir as pontuações do expresso

fazes bem, isso já demonstra o trabalho feito no networking 

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Juro que não percebo como é que o Chega ainda pode conseguir 17%.

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Citação de Hidden, há 1 minuto:

Juro que não percebo como é que o Chega ainda pode conseguir 17%.

Se tem menos de 18 é ideal para o chega

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As caravelas voltam a partir

A minha geração, no ressalto da revolução, não tinha muito dinheiro. Tinha esperança

“Quer saber a minha opinião sobre a crise política? Tenho 28 anos e digo-lhe já o que penso. É uma crise estúpida, da responsabilidade de gente estúpida. Nem consigo interessar-me pelo miolo disto, não há miolo. Os dois partidos, o PS e o PSD são iguais, com uns pozinhos mais à esquerda e mais à direita, têm lá dentro os mesmos trepadores, burocratas e inúteis que tudo o que fazem é sociedades familiares para poderem aproveitar as informações privilegiadas. Estão por dentro, podem ganhar dinheiro. O PRR serve para isso, empresas amigas e algum por fora para os familiares ficarem empregados. E nas empresas é igual, já passei por duas, encontramos sempre a mulher, a filha ou o filho, a sobrinha ou o sobrinho, mais uns familiares afastados, o primo, a prima, que por ali circulam sem precisarem de mostrar serviço. Estão protegidos. Não têm de aturar os chefes, nem de ser avaliados e chamados porque são do círculo íntimo. O ordenado é baixo, o respeito mais baixo. Recuperação e Resiliência? Estão a brincar.”

“Quem quer saber a minha opinião? Ninguém! Vocês falam do Ventura, mas o Ventura é o único que fala com os jovens e para os jovens, que os interpela. Não votaria nele. Nem nos outros. Pelo menos interessa-se, talvez porque é mais novo do que os outros. Vocês passam o dia nas televisões e não dizem nada de jeito, todos a dizerem as mesmas coisas. A Ucrânia para aqui, a Ucrânia para ali, parece que vivemos lá. E pedem-nos que paguemos tudo. Pois não estarei cá para pagar. Quero ir para Macau, Hong Kong, a China. É isto ou o Brasil. Aqui não fico. Mais inclinado para a China, a Ásia. Era o que me faltava ter de vestir uma farda e ir combater no Leste. E pagar impostos para isso. Devem estar doidos. Se fôssemos invadidos, gostava de saber o que é que os Bálticos faziam por nós. Ou se a Polónia vinha salvar-nos.”

“Vivo em casa da minha mãe ou dormia no banco do jardim, e aos 30 anos ninguém me apanha aqui, a aturar esta situação, esta falta de futuro. Trabalho em Lisboa, mas não posso viver independente em Lisboa. O melhor que arranjei para ser independente foi um quarto em Odivelas. Era deprimente, sem luz, desisti. A minha geração anda nos antidepressivos, ninguém quer saber de nós. O sonho de ir para Inglaterra foi-se. A América acabou. O Canadá e a Austrália também. Não nos querem, é difícil emigrar. Temos de mudar de continente.”

Esta longa frase que não cabe num parágrafo está entre aspas. Discurso direto. De vez em quando, vale a pena ouvir pessoas fora da “bolha”. Levantam-se cedo e vão trabalhar, lutando com as asperezas de uma vida em Portugal. A falta de casa, a falta de dinheiro, os insuficientes transportes públicos, os insuficientes serviços de saúde, a falta de respeito. Este jovem, ao qual fiz perguntas, diz que foi um bom aluno. Um ramo de Engenharia. Trabalha na área da informática, em trabalho remoto, para uma multinacional situada noutro continente. A mãe trabalha num cabeleireiro, muitas horas de pé, sustentada por gorjetas. O pai fundou outra família, noutro lugar, ausente a maior parte da adolescência. A mãe e a avó criaram-no sozinhas, e a casa da mãe é a casa da avó, no tempo em que em certos bairros de Lisboa ainda havia casas portuguesas. A mãe e a avó dormem num quarto, e ele fica com o quarto maior, que serve para dormir e serve de escritório, onde se senta ao computador horas a fio. A avó cozinha para ele e para a mãe, e ocupa-se da casa, não parece haver grandes esperanças nesta família.

A avó precisa de cuidados médicos, mas os serviços públicos de saúde degradaram-se tanto que é ele que envia um e-mail em nome da avó à médica de família e ela envia as receitas dos medicamentos, sem consulta presencial. Ele não precisa de médicos, é jovem, mas acha que se ficasse cá tinha de ter um seguro de saúde. Preocupa-se com a mãe, que começa a ter as penas da idade. Uma consulta médica no centro de saúde é um dia perdido, meses de espera. A namorada vive também com os pais, nos subúrbios. Vive numa casa grande porque o pai dela é empreiteiro de obras e tem trabalho, capataz de imigrantes. Para a construção civil está bom tempo. A namorada tem um carro, oferecido pelo pai, tem um emprego mal remunerado numa grande empresa de retalho, onde é uma espécie de supervisora supervisionada por outra supervisora. Passa horas no carro para vir para o emprego, o pai paga a gasolina. Quando se for embora, vai com a namorada.

Já decidiram que partirão juntos para um lugar distante daqui, e aperfeiçoam o inglês que receberam na escola na internet. Têm progredido para um nível onde possam controlar o mundo a partir da linguagem. Ele começou a aprender mandarim online, aulas pagas. É muito duro, muitos caracteres, pensava que o facto de ter sido bom a matemática o ajudaria mais. A inclinação para emigrar, nota-se, é mais para a Ásia do que para a América do Sul. O Brasil parece-lhe uma imensa trapalhada, igual a Portugal numa escala superior, corrupção e troca de favores. Teve um período em que estava disposto a ir para a Alemanha, a indústria, talvez a Siemens, mas o estado de guerra na Europa leva-o a desistir. A situação europeia é tão fluida que não dá para fazer planos. Ele diz que cada vez que abre a televisão só vê gente cheia de certezas sobre o que vai acontecer. O que ele vê é um ponto de interrogação e sacrifícios.

“A vossa geração ficou com tudo, os recursos económicos, a riqueza, os benefícios europeus, as pensões, e não deixam nada para nós a não ser a guerra, dívidas, e a conta das alterações climáticas. É o que eu digo aos meus amigos. Isto não dá para todos, para nós vai ficar a terra seca. Nada cresce aqui. A Comporta é uma espécie de Caraíbas dos ricos, Odemira é a Ásia dos pobres, é o Nepal, é o Paquistão, é a Índia. E para esses países não quero emigrar. Já os tenho em Portugal. Já os tenho no bairro onde vivo, uma selva. Estas eleições não vão resolver nada, fica tudo na mesma, andam enrolados uns com os outros, a insultarem-se. Um país sem eira nem beira que passa o tempo em eleições, não sei se chamam a isto democracia, mas se é a vossa ideia de democracia podem ficar com ela. Não faz nada por mim.”

“Há uma canção de um Zeca Afonso, um daqueles poetas do tempo do Salazar, que diz que os vampiros comem tudo e não deixam nada. Nem gosto da canção, não é o meu género de música, a letra está certa. Sempre que ligo a televisão, ou apanho um ministro ou levo com a Ucrânia e o Trump em cima. São um emprego. Antes de me pedirem para arrumar a casa dos outros, deviam arrumar a casa onde vivo. E no país onde vivo nem casa tenho. Diz-se que agora vêm para cá os americanos cheios de dólares comprar mais casas, juntam-se aos russos e aos ucranianos que já cá estão. Os brutos carros com as matrículas a passearem na Marginal, as casas junto ao mar. E nem pagam impostos. Boa sorte para todos. Já estou na porta da rua. E quando for, só volto para tirar a minha mãe de cá, não a quero sozinha. Votar? Não voto. Não fico e não voto. Estou com o pé na porta da rua.”

Não conheço este jovem, escutei-o com atenção. Estávamos num café histórico da cidade, onde não entrava há anos. Agora assombrado por turistas. Ele veio falar comigo. Falámos durante algum tempo, a conversa não caberia toda aqui. Muita gente vem falar comigo, efeitos colaterais da televisão. “Quer ouvir a minha opinião? Posso falar? Ouço-a falar de vez em quando, vocês nunca me ouvem. Nunca ouvem pessoas vulgares, pessoas como eu, que não andam nas televisões.”

Estava meio zangado. Muito mais zangado do que a minha geração estava naquela idade. A minha geração, no ressalto da revolução, não tinha muito dinheiro, tinha esperança. O país pertencia-lhe, o futuro também. Um futuro que ajudávamos a moldar, e que seria infinitamente melhor do que o passado.

Acredito que este jovem irá embora. Partirá. Acredito que ele possa ser mais feliz no lugar que escolher do que aqui. Tem iniciativa, tem discurso, tem ambição. Tem inteligência. Não se conforma. As caravelas voltam a partir.

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Citação de Lebohang, há 15 minutos:

As caravelas voltam a partir

A minha geração, no ressalto da revolução, não tinha muito dinheiro. Tinha esperança

“Quer saber a minha opinião sobre a crise política? Tenho 28 anos e digo-lhe já o que penso. É uma crise estúpida, da responsabilidade de gente estúpida. Nem consigo interessar-me pelo miolo disto, não há miolo. Os dois partidos, o PS e o PSD são iguais, com uns pozinhos mais à esquerda e mais à direita, têm lá dentro os mesmos trepadores, burocratas e inúteis que tudo o que fazem é sociedades familiares para poderem aproveitar as informações privilegiadas. Estão por dentro, podem ganhar dinheiro. O PRR serve para isso, empresas amigas e algum por fora para os familiares ficarem empregados. E nas empresas é igual, já passei por duas, encontramos sempre a mulher, a filha ou o filho, a sobrinha ou o sobrinho, mais uns familiares afastados, o primo, a prima, que por ali circulam sem precisarem de mostrar serviço. Estão protegidos. Não têm de aturar os chefes, nem de ser avaliados e chamados porque são do círculo íntimo. O ordenado é baixo, o respeito mais baixo. Recuperação e Resiliência? Estão a brincar.”

“Quem quer saber a minha opinião? Ninguém! Vocês falam do Ventura, mas o Ventura é o único que fala com os jovens e para os jovens, que os interpela. Não votaria nele. Nem nos outros. Pelo menos interessa-se, talvez porque é mais novo do que os outros. Vocês passam o dia nas televisões e não dizem nada de jeito, todos a dizerem as mesmas coisas. A Ucrânia para aqui, a Ucrânia para ali, parece que vivemos lá. E pedem-nos que paguemos tudo. Pois não estarei cá para pagar. Quero ir para Macau, Hong Kong, a China. É isto ou o Brasil. Aqui não fico. Mais inclinado para a China, a Ásia. Era o que me faltava ter de vestir uma farda e ir combater no Leste. E pagar impostos para isso. Devem estar doidos. Se fôssemos invadidos, gostava de saber o que é que os Bálticos faziam por nós. Ou se a Polónia vinha salvar-nos.”

“Vivo em casa da minha mãe ou dormia no banco do jardim, e aos 30 anos ninguém me apanha aqui, a aturar esta situação, esta falta de futuro. Trabalho em Lisboa, mas não posso viver independente em Lisboa. O melhor que arranjei para ser independente foi um quarto em Odivelas. Era deprimente, sem luz, desisti. A minha geração anda nos antidepressivos, ninguém quer saber de nós. O sonho de ir para Inglaterra foi-se. A América acabou. O Canadá e a Austrália também. Não nos querem, é difícil emigrar. Temos de mudar de continente.”

Esta longa frase que não cabe num parágrafo está entre aspas. Discurso direto. De vez em quando, vale a pena ouvir pessoas fora da “bolha”. Levantam-se cedo e vão trabalhar, lutando com as asperezas de uma vida em Portugal. A falta de casa, a falta de dinheiro, os insuficientes transportes públicos, os insuficientes serviços de saúde, a falta de respeito. Este jovem, ao qual fiz perguntas, diz que foi um bom aluno. Um ramo de Engenharia. Trabalha na área da informática, em trabalho remoto, para uma multinacional situada noutro continente. A mãe trabalha num cabeleireiro, muitas horas de pé, sustentada por gorjetas. O pai fundou outra família, noutro lugar, ausente a maior parte da adolescência. A mãe e a avó criaram-no sozinhas, e a casa da mãe é a casa da avó, no tempo em que em certos bairros de Lisboa ainda havia casas portuguesas. A mãe e a avó dormem num quarto, e ele fica com o quarto maior, que serve para dormir e serve de escritório, onde se senta ao computador horas a fio. A avó cozinha para ele e para a mãe, e ocupa-se da casa, não parece haver grandes esperanças nesta família.

A avó precisa de cuidados médicos, mas os serviços públicos de saúde degradaram-se tanto que é ele que envia um e-mail em nome da avó à médica de família e ela envia as receitas dos medicamentos, sem consulta presencial. Ele não precisa de médicos, é jovem, mas acha que se ficasse cá tinha de ter um seguro de saúde. Preocupa-se com a mãe, que começa a ter as penas da idade. Uma consulta médica no centro de saúde é um dia perdido, meses de espera. A namorada vive também com os pais, nos subúrbios. Vive numa casa grande porque o pai dela é empreiteiro de obras e tem trabalho, capataz de imigrantes. Para a construção civil está bom tempo. A namorada tem um carro, oferecido pelo pai, tem um emprego mal remunerado numa grande empresa de retalho, onde é uma espécie de supervisora supervisionada por outra supervisora. Passa horas no carro para vir para o emprego, o pai paga a gasolina. Quando se for embora, vai com a namorada.

Já decidiram que partirão juntos para um lugar distante daqui, e aperfeiçoam o inglês que receberam na escola na internet. Têm progredido para um nível onde possam controlar o mundo a partir da linguagem. Ele começou a aprender mandarim online, aulas pagas. É muito duro, muitos caracteres, pensava que o facto de ter sido bom a matemática o ajudaria mais. A inclinação para emigrar, nota-se, é mais para a Ásia do que para a América do Sul. O Brasil parece-lhe uma imensa trapalhada, igual a Portugal numa escala superior, corrupção e troca de favores. Teve um período em que estava disposto a ir para a Alemanha, a indústria, talvez a Siemens, mas o estado de guerra na Europa leva-o a desistir. A situação europeia é tão fluida que não dá para fazer planos. Ele diz que cada vez que abre a televisão só vê gente cheia de certezas sobre o que vai acontecer. O que ele vê é um ponto de interrogação e sacrifícios.

“A vossa geração ficou com tudo, os recursos económicos, a riqueza, os benefícios europeus, as pensões, e não deixam nada para nós a não ser a guerra, dívidas, e a conta das alterações climáticas. É o que eu digo aos meus amigos. Isto não dá para todos, para nós vai ficar a terra seca. Nada cresce aqui. A Comporta é uma espécie de Caraíbas dos ricos, Odemira é a Ásia dos pobres, é o Nepal, é o Paquistão, é a Índia. E para esses países não quero emigrar. Já os tenho em Portugal. Já os tenho no bairro onde vivo, uma selva. Estas eleições não vão resolver nada, fica tudo na mesma, andam enrolados uns com os outros, a insultarem-se. Um país sem eira nem beira que passa o tempo em eleições, não sei se chamam a isto democracia, mas se é a vossa ideia de democracia podem ficar com ela. Não faz nada por mim.”

“Há uma canção de um Zeca Afonso, um daqueles poetas do tempo do Salazar, que diz que os vampiros comem tudo e não deixam nada. Nem gosto da canção, não é o meu género de música, a letra está certa. Sempre que ligo a televisão, ou apanho um ministro ou levo com a Ucrânia e o Trump em cima. São um emprego. Antes de me pedirem para arrumar a casa dos outros, deviam arrumar a casa onde vivo. E no país onde vivo nem casa tenho. Diz-se que agora vêm para cá os americanos cheios de dólares comprar mais casas, juntam-se aos russos e aos ucranianos que já cá estão. Os brutos carros com as matrículas a passearem na Marginal, as casas junto ao mar. E nem pagam impostos. Boa sorte para todos. Já estou na porta da rua. E quando for, só volto para tirar a minha mãe de cá, não a quero sozinha. Votar? Não voto. Não fico e não voto. Estou com o pé na porta da rua.”

Não conheço este jovem, escutei-o com atenção. Estávamos num café histórico da cidade, onde não entrava há anos. Agora assombrado por turistas. Ele veio falar comigo. Falámos durante algum tempo, a conversa não caberia toda aqui. Muita gente vem falar comigo, efeitos colaterais da televisão. “Quer ouvir a minha opinião? Posso falar? Ouço-a falar de vez em quando, vocês nunca me ouvem. Nunca ouvem pessoas vulgares, pessoas como eu, que não andam nas televisões.”

Estava meio zangado. Muito mais zangado do que a minha geração estava naquela idade. A minha geração, no ressalto da revolução, não tinha muito dinheiro, tinha esperança. O país pertencia-lhe, o futuro também. Um futuro que ajudávamos a moldar, e que seria infinitamente melhor do que o passado.

Acredito que este jovem irá embora. Partirá. Acredito que ele possa ser mais feliz no lugar que escolher do que aqui. Tem iniciativa, tem discurso, tem ambição. Tem inteligência. Não se conforma. As caravelas voltam a partir.

Gostei de ler a parte em que ele diz que o bairro dele é uma selva porque tem lá muitos indianos, nepaleses e paquistaneses. Deve ser um bom moço 🙂 muito bem a Clara Ferreira Alves a dar um megafone a esse tipo de discurso 🙂

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ainda bem que esse jovem partirá, faz tanta falta como a fome

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Bem burro esse jovem não querer ir pro Brasil,  ainda por cima nem há classe média, é só ricos e pobres, e ele é engenheiro. Dizia à empresa quer relocar-se pro brasil,  se calhar nem precisava de dizer nada dependendo do contexto,  e tratava de tudo.  Vivia lá como um rei com a namorada. Isso se quiser ser egoísta e deixar a mãe e a avó sozinhas e deixar de sair com os amigos

Editado por Plagio o Original

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Citação de Lebohang, há 46 minutos:

As caravelas voltam a partir

A minha geração, no ressalto da revolução, não tinha muito dinheiro. Tinha esperança

“Quer saber a minha opinião sobre a crise política? Tenho 28 anos e digo-lhe já o que penso. É uma crise estúpida, da responsabilidade de gente estúpida. Nem consigo interessar-me pelo miolo disto, não há miolo. Os dois partidos, o PS e o PSD são iguais, com uns pozinhos mais à esquerda e mais à direita, têm lá dentro os mesmos trepadores, burocratas e inúteis que tudo o que fazem é sociedades familiares para poderem aproveitar as informações privilegiadas. Estão por dentro, podem ganhar dinheiro. O PRR serve para isso, empresas amigas e algum por fora para os familiares ficarem empregados. E nas empresas é igual, já passei por duas, encontramos sempre a mulher, a filha ou o filho, a sobrinha ou o sobrinho, mais uns familiares afastados, o primo, a prima, que por ali circulam sem precisarem de mostrar serviço. Estão protegidos. Não têm de aturar os chefes, nem de ser avaliados e chamados porque são do círculo íntimo. O ordenado é baixo, o respeito mais baixo. Recuperação e Resiliência? Estão a brincar.”

“Quem quer saber a minha opinião? Ninguém! Vocês falam do Ventura, mas o Ventura é o único que fala com os jovens e para os jovens, que os interpela. Não votaria nele. Nem nos outros. Pelo menos interessa-se, talvez porque é mais novo do que os outros. Vocês passam o dia nas televisões e não dizem nada de jeito, todos a dizerem as mesmas coisas. A Ucrânia para aqui, a Ucrânia para ali, parece que vivemos lá. E pedem-nos que paguemos tudo. Pois não estarei cá para pagar. Quero ir para Macau, Hong Kong, a China. É isto ou o Brasil. Aqui não fico. Mais inclinado para a China, a Ásia. Era o que me faltava ter de vestir uma farda e ir combater no Leste. E pagar impostos para isso. Devem estar doidos. Se fôssemos invadidos, gostava de saber o que é que os Bálticos faziam por nós. Ou se a Polónia vinha salvar-nos.”

“Vivo em casa da minha mãe ou dormia no banco do jardim, e aos 30 anos ninguém me apanha aqui, a aturar esta situação, esta falta de futuro. Trabalho em Lisboa, mas não posso viver independente em Lisboa. O melhor que arranjei para ser independente foi um quarto em Odivelas. Era deprimente, sem luz, desisti. A minha geração anda nos antidepressivos, ninguém quer saber de nós. O sonho de ir para Inglaterra foi-se. A América acabou. O Canadá e a Austrália também. Não nos querem, é difícil emigrar. Temos de mudar de continente.”

Esta longa frase que não cabe num parágrafo está entre aspas. Discurso direto. De vez em quando, vale a pena ouvir pessoas fora da “bolha”. Levantam-se cedo e vão trabalhar, lutando com as asperezas de uma vida em Portugal. A falta de casa, a falta de dinheiro, os insuficientes transportes públicos, os insuficientes serviços de saúde, a falta de respeito. Este jovem, ao qual fiz perguntas, diz que foi um bom aluno. Um ramo de Engenharia. Trabalha na área da informática, em trabalho remoto, para uma multinacional situada noutro continente. A mãe trabalha num cabeleireiro, muitas horas de pé, sustentada por gorjetas. O pai fundou outra família, noutro lugar, ausente a maior parte da adolescência. A mãe e a avó criaram-no sozinhas, e a casa da mãe é a casa da avó, no tempo em que em certos bairros de Lisboa ainda havia casas portuguesas. A mãe e a avó dormem num quarto, e ele fica com o quarto maior, que serve para dormir e serve de escritório, onde se senta ao computador horas a fio. A avó cozinha para ele e para a mãe, e ocupa-se da casa, não parece haver grandes esperanças nesta família.

A avó precisa de cuidados médicos, mas os serviços públicos de saúde degradaram-se tanto que é ele que envia um e-mail em nome da avó à médica de família e ela envia as receitas dos medicamentos, sem consulta presencial. Ele não precisa de médicos, é jovem, mas acha que se ficasse cá tinha de ter um seguro de saúde. Preocupa-se com a mãe, que começa a ter as penas da idade. Uma consulta médica no centro de saúde é um dia perdido, meses de espera. A namorada vive também com os pais, nos subúrbios. Vive numa casa grande porque o pai dela é empreiteiro de obras e tem trabalho, capataz de imigrantes. Para a construção civil está bom tempo. A namorada tem um carro, oferecido pelo pai, tem um emprego mal remunerado numa grande empresa de retalho, onde é uma espécie de supervisora supervisionada por outra supervisora. Passa horas no carro para vir para o emprego, o pai paga a gasolina. Quando se for embora, vai com a namorada.

Já decidiram que partirão juntos para um lugar distante daqui, e aperfeiçoam o inglês que receberam na escola na internet. Têm progredido para um nível onde possam controlar o mundo a partir da linguagem. Ele começou a aprender mandarim online, aulas pagas. É muito duro, muitos caracteres, pensava que o facto de ter sido bom a matemática o ajudaria mais. A inclinação para emigrar, nota-se, é mais para a Ásia do que para a América do Sul. O Brasil parece-lhe uma imensa trapalhada, igual a Portugal numa escala superior, corrupção e troca de favores. Teve um período em que estava disposto a ir para a Alemanha, a indústria, talvez a Siemens, mas o estado de guerra na Europa leva-o a desistir. A situação europeia é tão fluida que não dá para fazer planos. Ele diz que cada vez que abre a televisão só vê gente cheia de certezas sobre o que vai acontecer. O que ele vê é um ponto de interrogação e sacrifícios.

“A vossa geração ficou com tudo, os recursos económicos, a riqueza, os benefícios europeus, as pensões, e não deixam nada para nós a não ser a guerra, dívidas, e a conta das alterações climáticas. É o que eu digo aos meus amigos. Isto não dá para todos, para nós vai ficar a terra seca. Nada cresce aqui. A Comporta é uma espécie de Caraíbas dos ricos, Odemira é a Ásia dos pobres, é o Nepal, é o Paquistão, é a Índia. E para esses países não quero emigrar. Já os tenho em Portugal. Já os tenho no bairro onde vivo, uma selva. Estas eleições não vão resolver nada, fica tudo na mesma, andam enrolados uns com os outros, a insultarem-se. Um país sem eira nem beira que passa o tempo em eleições, não sei se chamam a isto democracia, mas se é a vossa ideia de democracia podem ficar com ela. Não faz nada por mim.”

“Há uma canção de um Zeca Afonso, um daqueles poetas do tempo do Salazar, que diz que os vampiros comem tudo e não deixam nada. Nem gosto da canção, não é o meu género de música, a letra está certa. Sempre que ligo a televisão, ou apanho um ministro ou levo com a Ucrânia e o Trump em cima. São um emprego. Antes de me pedirem para arrumar a casa dos outros, deviam arrumar a casa onde vivo. E no país onde vivo nem casa tenho. Diz-se que agora vêm para cá os americanos cheios de dólares comprar mais casas, juntam-se aos russos e aos ucranianos que já cá estão. Os brutos carros com as matrículas a passearem na Marginal, as casas junto ao mar. E nem pagam impostos. Boa sorte para todos. Já estou na porta da rua. E quando for, só volto para tirar a minha mãe de cá, não a quero sozinha. Votar? Não voto. Não fico e não voto. Estou com o pé na porta da rua.”

Não conheço este jovem, escutei-o com atenção. Estávamos num café histórico da cidade, onde não entrava há anos. Agora assombrado por turistas. Ele veio falar comigo. Falámos durante algum tempo, a conversa não caberia toda aqui. Muita gente vem falar comigo, efeitos colaterais da televisão. “Quer ouvir a minha opinião? Posso falar? Ouço-a falar de vez em quando, vocês nunca me ouvem. Nunca ouvem pessoas vulgares, pessoas como eu, que não andam nas televisões.”

Estava meio zangado. Muito mais zangado do que a minha geração estava naquela idade. A minha geração, no ressalto da revolução, não tinha muito dinheiro, tinha esperança. O país pertencia-lhe, o futuro também. Um futuro que ajudávamos a moldar, e que seria infinitamente melhor do que o passado.

Acredito que este jovem irá embora. Partirá. Acredito que ele possa ser mais feliz no lugar que escolher do que aqui. Tem iniciativa, tem discurso, tem ambição. Tem inteligência. Não se conforma. As caravelas voltam a partir.

Tenho a mesma idade desse "jovem" que deve existir tanto como o monstro do Lago Ness, e não conheço ninguém da minha idade que ambicione emigrar para a China.

O melhor que a opinião da Clara Ferreira Alves traz semanalmente à discussão televisiva é a sua visão globalista da "big picture" da geopolítica internacional, que muito falta por cá. Mas parece-me que essa é, simultaneamente, a sua maior lacuna: tem tanto mundo, tanto Washington Post, tanto New York Times, que está completamente alheada da realidade nacional. E de forma caricata, insiste em apontar esse defeito à classe política.

Editado por Snytram97

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Citação de HappyKing, há 1 hora:

Eu não percebo esta questão de ser suposto o PNS retroceder no voto da moção.

O homem disse logo a seguir ao resultado eleitoral que votaria sempre contra uma moção de confiança.

Disse-o nas duas moções de censura.

Era suposto mostrar que a palavra dele, que repetiu várias vezes, não valia nada?

A questão não é antes a razão do PM depois do Ministro das Finanças dizer que não seria necessário ao serem rejeitadas 2 moções de censura e sabendo de que o PNS disse que nunca a aprovaria a ter apresentado ainda assim?  

São todos uns garotos, a verdade é essa. Ridículo andarem a brincar às eleições e mais preocupados com o umbigo do que com o país. O Montenegro e o PNS são ambos uns bananas, incapazes de se sentar e falar para o bem do país. Brincam com eleições e com 20 milhões como se nada fosse.

O Governo anterior caiu com uma acusação aparentemente infundada. Este vai cair sem haver provas, nem arguídos, nada. Meio parvo.

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Citação de Ghelthon, há 12 minutos:

São todos uns garotos, a verdade é essa. Ridículo andarem a brincar às eleições e mais preocupados com o umbigo do que com o país. O Montenegro e o PNS são ambos uns bananas, incapazes de se sentar e falar para o bem do país. Brincam com eleições e com 20 milhões como se nada fosse.

O Governo anterior caiu com uma acusação aparentemente infundada. Este vai cair sem haver provas, nem arguídos, nada. Meio parvo.

Portanto o Pedro Nuno Santos para "não brincar às eleições" deveria permitir que este circo continue e votar favoravelmente ou abster-se de uma moção de confiança?

Com que cara seria líder da oposição dai em diante? 

E ser necessário haver arguidos para um PM não ter condições para continuar no cargo também é giro. Sobre um PM não recaem apenas deveres de cumprir a lei. Há mínimos olímpicos no que diz respeito à ética. Achar que essa ética não foi colocada em causa neste caso não é sério. 

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Citação de HappyKing, há 2 minutos:

Portanto o Pedro Nuno Santos para "não brincar às eleições" deveria permitir que este circo continue e votar favoravelmente ou abster-se de uma moção de confiança?

Com que cara seria líder da oposição dai em diante? 

E ser necessário haver arguidos para um PM não ter condições para continuar no cargo também é giro. Sobre um PM não recaem apenas deveres de cumprir a lei. Há mínimos olímpicos no que diz respeito à ética. Achar que essa ética não foi colocada em causa neste caso não é sério. 

Gosto tanto de um como do outro. Juntos não fazem um.

Acho é que isto não é motivo para cair um Governo, 1 ano e 1 dia depois de eleito. Especialmente quando o PNS pode mandar o Governo abaixo daqui a uns meses, na votação do próximo OE.

Do outro lado, o Montenegro é um cagão sobranceiro que acha que tem isto controlado, mas vou rir-me se perder as eleições.

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Citação de Ghelthon, Agora:

Gosto tanto de um como do outro. Juntos não fazem um.

Acho é que isto não é motivo para cair um Governo, 1 ano e 1 dia depois de eleito. Especialmente quando o PNS pode mandar o Governo abaixo daqui a uns meses, na votação do próximo OE.

Do outro lado, o Montenegro é um cagão sobranceiro que acha que tem isto controlado, mas vou rir-me se perder as eleições.

Isso não é inviável porque o PR já não podia dissolver?

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Citação de Ghelthon, há 2 minutos:

Acho é que isto não é motivo para cair um Governo, 1 ano e 1 dia depois de eleito. Especialmente quando o PNS pode mandar o Governo abaixo daqui a uns meses, na votação do próximo OE.

Não é, obviamente, verdade.

Já nem vou ao facto de usares gostos pessoais para discutir uma situação concreta e posições tomadas perante essa situação.

Editado por HappyKing

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Citação de Sandes., há 1 minuto:

Isso não é inviável porque o PR já não podia dissolver?

Citação de HappyKing, Agora:

Não é, obviamente, verdade.

Mas podia sempre lançar outra moção de censura aí, por exemplo. Isto é oportunismo político puro, de ambos os lados.

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Citação de Ghelthon, Agora:

Mas podia sempre lançar outra moção de censura aí, por exemplo. Isto é oportunismo político puro, de ambos os lados.

Qual seria a consequência prática dessa moção de censura tendo em conta que o parlamento não podia ser dissolvido? 

Oh Ghelton ...

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Citação de Ghelthon, há 7 minutos:

Gosto tanto de um como do outro. Juntos não fazem um.

Acho é que isto não é motivo para cair um Governo, 1 ano e 1 dia depois de eleito. Especialmente quando o PNS pode mandar o Governo abaixo daqui a uns meses, na votação do próximo OE.

Do outro lado, o Montenegro é um cagão sobranceiro que acha que tem isto controlado, mas vou rir-me se perder as eleições.

Como assim não é motivo para cair um governo? Estamos a falar de algo que saem noticias novas todos os dias onde podes colocar a integridade do primeiro ministro em causa. 

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Citação de antifa, há 4 minutos:

Vão despachar isto a tempo do Benfica?

Ainda deve apanhar parte. Supostamente em termos de debate são 2 horas e meia com os tempos supostos. Mais apartes e votação deve terminar lá para as 6. 

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Citação de El Colosso, Agora:

Como assim não é motivo para cair um governo? Estamos a falar de algo que saem noticias novas todos os dias onde podes colocar a integridade do primeiro ministro em causa. 

Para mim não é. Não há evidências claras de nenhum crime. Suspeito? Muito. Mas estas suspeições podem vir de lado nenhum, sobre qualquer pessoa.

Repito que estou-me cagando para o Montenegro, portanto não estou obviamente a defendê-lo, mas imaginemos que ele está a falar verdade. Voltamos a mandar um Governo abaixo por nada?

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Citação de Ghelthon, há 35 minutos:

São todos uns garotos, a verdade é essa. Ridículo andarem a brincar às eleições e mais preocupados com o umbigo do que com o país. O Montenegro e o PNS são ambos uns bananas, incapazes de se sentar e falar para o bem do país. Brincam com eleições e com 20 milhões como se nada fosse.

O Governo anterior caiu com uma acusação aparentemente infundada. Este vai cair sem haver provas, nem arguídos, nada. Meio parvo.

Eu recordo-me de ter escrito aqui, aquando das últimas legislativas, que o melhor dos líderes partidários da direita era o Nuno Melo. O Nuno Melo, lol. Não mudei de opinião, e também o acho melhor que o PNS.

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Citação de Tio Hans, Agora:

Eu recordo-me de ter escrito aqui, aquando das últimas legislativas, que o melhor dos líderes partidários da direita era o Nuno Melo. O Nuno Melo, lol. Não mudei de opinião, e também o acho melhor que o PNS.

Bem ó Tio, também não exageremos. Não queria o Nuno Melo nem como porteiro da AR.

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Citação de Lebohang, há 1 hora:

As caravelas voltam a partir

A minha geração, no ressalto da revolução, não tinha muito dinheiro. Tinha esperança

“Quer saber a minha opinião sobre a crise política? Tenho 28 anos e digo-lhe já o que penso. É uma crise estúpida, da responsabilidade de gente estúpida. Nem consigo interessar-me pelo miolo disto, não há miolo. Os dois partidos, o PS e o PSD são iguais, com uns pozinhos mais à esquerda e mais à direita, têm lá dentro os mesmos trepadores, burocratas e inúteis que tudo o que fazem é sociedades familiares para poderem aproveitar as informações privilegiadas. Estão por dentro, podem ganhar dinheiro. O PRR serve para isso, empresas amigas e algum por fora para os familiares ficarem empregados. E nas empresas é igual, já passei por duas, encontramos sempre a mulher, a filha ou o filho, a sobrinha ou o sobrinho, mais uns familiares afastados, o primo, a prima, que por ali circulam sem precisarem de mostrar serviço. Estão protegidos. Não têm de aturar os chefes, nem de ser avaliados e chamados porque são do círculo íntimo. O ordenado é baixo, o respeito mais baixo. Recuperação e Resiliência? Estão a brincar.”

“Quem quer saber a minha opinião? Ninguém! Vocês falam do Ventura, mas o Ventura é o único que fala com os jovens e para os jovens, que os interpela. Não votaria nele. Nem nos outros. Pelo menos interessa-se, talvez porque é mais novo do que os outros. Vocês passam o dia nas televisões e não dizem nada de jeito, todos a dizerem as mesmas coisas. A Ucrânia para aqui, a Ucrânia para ali, parece que vivemos lá. E pedem-nos que paguemos tudo. Pois não estarei cá para pagar. Quero ir para Macau, Hong Kong, a China. É isto ou o Brasil. Aqui não fico. Mais inclinado para a China, a Ásia. Era o que me faltava ter de vestir uma farda e ir combater no Leste. E pagar impostos para isso. Devem estar doidos. Se fôssemos invadidos, gostava de saber o que é que os Bálticos faziam por nós. Ou se a Polónia vinha salvar-nos.”

“Vivo em casa da minha mãe ou dormia no banco do jardim, e aos 30 anos ninguém me apanha aqui, a aturar esta situação, esta falta de futuro. Trabalho em Lisboa, mas não posso viver independente em Lisboa. O melhor que arranjei para ser independente foi um quarto em Odivelas. Era deprimente, sem luz, desisti. A minha geração anda nos antidepressivos, ninguém quer saber de nós. O sonho de ir para Inglaterra foi-se. A América acabou. O Canadá e a Austrália também. Não nos querem, é difícil emigrar. Temos de mudar de continente.”

Esta longa frase que não cabe num parágrafo está entre aspas. Discurso direto. De vez em quando, vale a pena ouvir pessoas fora da “bolha”. Levantam-se cedo e vão trabalhar, lutando com as asperezas de uma vida em Portugal. A falta de casa, a falta de dinheiro, os insuficientes transportes públicos, os insuficientes serviços de saúde, a falta de respeito. Este jovem, ao qual fiz perguntas, diz que foi um bom aluno. Um ramo de Engenharia. Trabalha na área da informática, em trabalho remoto, para uma multinacional situada noutro continente. A mãe trabalha num cabeleireiro, muitas horas de pé, sustentada por gorjetas. O pai fundou outra família, noutro lugar, ausente a maior parte da adolescência. A mãe e a avó criaram-no sozinhas, e a casa da mãe é a casa da avó, no tempo em que em certos bairros de Lisboa ainda havia casas portuguesas. A mãe e a avó dormem num quarto, e ele fica com o quarto maior, que serve para dormir e serve de escritório, onde se senta ao computador horas a fio. A avó cozinha para ele e para a mãe, e ocupa-se da casa, não parece haver grandes esperanças nesta família.

A avó precisa de cuidados médicos, mas os serviços públicos de saúde degradaram-se tanto que é ele que envia um e-mail em nome da avó à médica de família e ela envia as receitas dos medicamentos, sem consulta presencial. Ele não precisa de médicos, é jovem, mas acha que se ficasse cá tinha de ter um seguro de saúde. Preocupa-se com a mãe, que começa a ter as penas da idade. Uma consulta médica no centro de saúde é um dia perdido, meses de espera. A namorada vive também com os pais, nos subúrbios. Vive numa casa grande porque o pai dela é empreiteiro de obras e tem trabalho, capataz de imigrantes. Para a construção civil está bom tempo. A namorada tem um carro, oferecido pelo pai, tem um emprego mal remunerado numa grande empresa de retalho, onde é uma espécie de supervisora supervisionada por outra supervisora. Passa horas no carro para vir para o emprego, o pai paga a gasolina. Quando se for embora, vai com a namorada.

Já decidiram que partirão juntos para um lugar distante daqui, e aperfeiçoam o inglês que receberam na escola na internet. Têm progredido para um nível onde possam controlar o mundo a partir da linguagem. Ele começou a aprender mandarim online, aulas pagas. É muito duro, muitos caracteres, pensava que o facto de ter sido bom a matemática o ajudaria mais. A inclinação para emigrar, nota-se, é mais para a Ásia do que para a América do Sul. O Brasil parece-lhe uma imensa trapalhada, igual a Portugal numa escala superior, corrupção e troca de favores. Teve um período em que estava disposto a ir para a Alemanha, a indústria, talvez a Siemens, mas o estado de guerra na Europa leva-o a desistir. A situação europeia é tão fluida que não dá para fazer planos. Ele diz que cada vez que abre a televisão só vê gente cheia de certezas sobre o que vai acontecer. O que ele vê é um ponto de interrogação e sacrifícios.

“A vossa geração ficou com tudo, os recursos económicos, a riqueza, os benefícios europeus, as pensões, e não deixam nada para nós a não ser a guerra, dívidas, e a conta das alterações climáticas. É o que eu digo aos meus amigos. Isto não dá para todos, para nós vai ficar a terra seca. Nada cresce aqui. A Comporta é uma espécie de Caraíbas dos ricos, Odemira é a Ásia dos pobres, é o Nepal, é o Paquistão, é a Índia. E para esses países não quero emigrar. Já os tenho em Portugal. Já os tenho no bairro onde vivo, uma selva. Estas eleições não vão resolver nada, fica tudo na mesma, andam enrolados uns com os outros, a insultarem-se. Um país sem eira nem beira que passa o tempo em eleições, não sei se chamam a isto democracia, mas se é a vossa ideia de democracia podem ficar com ela. Não faz nada por mim.”

“Há uma canção de um Zeca Afonso, um daqueles poetas do tempo do Salazar, que diz que os vampiros comem tudo e não deixam nada. Nem gosto da canção, não é o meu género de música, a letra está certa. Sempre que ligo a televisão, ou apanho um ministro ou levo com a Ucrânia e o Trump em cima. São um emprego. Antes de me pedirem para arrumar a casa dos outros, deviam arrumar a casa onde vivo. E no país onde vivo nem casa tenho. Diz-se que agora vêm para cá os americanos cheios de dólares comprar mais casas, juntam-se aos russos e aos ucranianos que já cá estão. Os brutos carros com as matrículas a passearem na Marginal, as casas junto ao mar. E nem pagam impostos. Boa sorte para todos. Já estou na porta da rua. E quando for, só volto para tirar a minha mãe de cá, não a quero sozinha. Votar? Não voto. Não fico e não voto. Estou com o pé na porta da rua.”

Não conheço este jovem, escutei-o com atenção. Estávamos num café histórico da cidade, onde não entrava há anos. Agora assombrado por turistas. Ele veio falar comigo. Falámos durante algum tempo, a conversa não caberia toda aqui. Muita gente vem falar comigo, efeitos colaterais da televisão. “Quer ouvir a minha opinião? Posso falar? Ouço-a falar de vez em quando, vocês nunca me ouvem. Nunca ouvem pessoas vulgares, pessoas como eu, que não andam nas televisões.”

Estava meio zangado. Muito mais zangado do que a minha geração estava naquela idade. A minha geração, no ressalto da revolução, não tinha muito dinheiro, tinha esperança. O país pertencia-lhe, o futuro também. Um futuro que ajudávamos a moldar, e que seria infinitamente melhor do que o passado.

Acredito que este jovem irá embora. Partirá. Acredito que ele possa ser mais feliz no lugar que escolher do que aqui. Tem iniciativa, tem discurso, tem ambição. Tem inteligência. Não se conforma. As caravelas voltam a partir.

Bom exercício de imaginação lol. Ou então mandou o chat gpt responder como se fosse um jovem revoltado de IT shitposter do r/portugueses

 

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Citação de Ghelthon, há 1 minuto:

Bem ó Tio, também não exageremos. Não queria o Nuno Melo nem como porteiro da AR.

Eu nunca disse que o Nuno Melo era bom.

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