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Leipzig, o clube mais odiado da Alemanha

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Citação do jornal "Expresso" online

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Leipzig, o clube mais odiado da Alemanha

Há um clube que só existe há sete anos e chegou esta época à Bundesliga. Todos os alemães o parecem odiar, menos a gente de Leipzig. Porque foi preciso a Red Bull comprar a licença de um clube, mudar-lhe o nome, investir, contornar as regras que dão os clubes aos sócios, "ocupar" um estádio e devolver o futebol ao leste da Alemanha. Esta é, até agora, a história do RB Leipzig.

Os protestos, uns atrás dos outros, eram certos. Apenas variava a originalidade. Há dois anos, em Berlim, milhares de adeptos taparam-se com túnicas de plástico preto, negros da cabeça aos pés, e mantiveram-se em silêncio durante os primeiros 15 minutos do jogo. Na época passada, em Dresden, uma cabeça de porco, cortada de fresco, foi atirada para perto da baliza dos visitantes. Este mês, o Borussia, que é de Dortmund e se orgulha de ser o clube mais fiel à tradição que pode haver, recusou que o seu símbolo aparecesse em cachecóis alusivos ao jogo, ao lado do emblema adversário. Uma semana antes, os adeptos do Hoffenheim, mais jocosos, escreveram numa tarja: “Queremos o trono de volta: o clube mais odiado da Alemanha”.

E os adeptos do RB Leipzig terão encolhido os ombros, assobiado para o lado e feito os demais gestos de quem tem, como única solução, não se importar com o que dizem sobre o seu clube.

Habituaram-se a ouvir, ver e ler este tipo de coisas nos últimos sete anos, quando começou a história que tem de ser contada para se perceber tudo isto. Em 2009, existia um clube chamado SSV Markranstädt. Era pobre, modesto, jogava pouco e mal, não encantava vivalma. Andava pelas divisões distritais do futebol alemão e, para piorar o contexto, era um clube de Leipzig. O que não era bom e, para o entendermos, esta história tem que ser partida em duas.

Leipzig é uma cidade que está no que até 1990 foi conhecido como a Alemanha de Leste. Até aí, o futebol dava alegrias à cidade, porque havia craques, ainda havia dinheiro e durante muito tempo houve vitórias e títulos. Mas, três anos depois da queda do muro e dois após a unificação da Alemanha, quem mandava no futebol do país decidiu criar um campeonato como deve ser. Fundiram as duas ligas que existiam - a ocidental e de leste - e apareceu a Bundesliga, que teve problemas de crescimento, aprendeu mal a ganhar equilíbrio e sempre tendeu mais para o lado ocidental. A Europa e o Mundo queriam democracias e capitalismo e a antiga costela comunista da Alemanha sofreu os danos colaterais.

As fábricas, a indústria, as grandes empresas (a Volkswagen, a Bayer ou a SAP, uma gigante da tecnologia) estavam do outro lado. Ou seja, era aí que estava o dinheiro. Os clubes do leste, sem investimento local, sofreram por estarem no lado alemão com menos população, os menores salários e o mais reduzido poder de compra mais baixos. Foram caindo. Os jogadores nasciam lá e fugiam para os clubes ocidentais - como Michael Ballack, criado em Görlitz, ou Matthias Sammer, nascido em Dresden, antes dele. O sucesso passou a ser mentira. Os clubes, aos trambolhões, foram caindo pelo futebol germânico.

O Dinamo de Dresden, matulão que, enquanto houve muro, venceu nove campeonatos do leste, está na terceira divisão. O Magdeburgo, que ganhou quatro, está ainda mais a baixo. Em 2009, o leste sai de vez da Bundesliga, quando o Energie Cottbus foi despromovido.

Um bom investidor, com olho prudente e alergia ao risco, ter-se-ia afastado desta parte da Alemanha se quisesse saciar a fome de sucesso. Era lógico. Aqui voltamos à primeira metade desta história, à parte em que Dietrich Mateschitz não quis saber de todas as probabilidades que estavam contra ele. Porque ele, farto em dinheiro, virou-se para o tal SSV Markranstädt e comprou-o no ano em que a Bundesliga passou a ser um campeonato inteiramente virado para o ocidente alemão.

Mateschitz tinha dinheiro, muito, e queria usá-lo: é o dono da empresa que é dona da bebida que diz dar asas a quem a bebe, a Red Bull, que em 2015 faturou qualquer coisa como 6,5 mil milhões de euros só em vendas.

Antes de, pela calada e escondido na sétima divisão do país, usar pequenas amostras do dinheiro que tem para puxar pelo clube, mexeu-lhe no nome. Queria chamar-lhe Red Bull Leipzig, mas a federação alemã não achou piada, nem permite que os clubes tenham o nome de patrocinadores. Logo, foi obrigado a batizá-lo de Rasenballsport Leipzig. Traduzido, fica “Desportos de Relva de Leipzig”, o que em alemão lhe deu para usar as iniciais que pretendia: RB Leipzig. Mudado o nome, ainda alterou o símbolo, as cores, o equipamento. Depois, arranjou maneira de o clube se mudar para o estádio de Leipzig, construído em 2006, para o Mundial, e com mais de 44 mil lugares. Montava as fundações.

Mas os alemães gostam de regras e, por lá, elas existem para garantir que o futebol não foge muito do que era nas suas origens - feito pelas pessoas e para as pessoas. Daí a regra do 50+1, que obriga qualquer clube a ser detido, na sua maioria, por sócios e nunca por um investidor único.

Isto faz com que os adeptos, por exemplo, tenham uma palavra a dizer no preço dos bilhetes, num país onde ir ao futebol ainda é barato. O RB Leipzig foi obrigado a respeitar a regra, e fê-lo, embora com curvas num caminho que todos os outros clubes fizeram em linha reta.

Ser membro do Bayern de Munique, custa entre 30 e 60 euros por ano. Os bávaros têm mais de 270 mil, o Borussia Dortmund conta à volta de 139 mil, mas o clube da Red Bull regista à volta de 300, porque custa quase 1000 euros ser sócio.

O The Guardian já escreveu que quase todos são empresários ligados, de alguma forma, à Red Bull, e que não têm poder de veto sobre qualquer matéria, como acontece nos restantes clubes alemães. Nem o Wolfsburgo (Volkswagen), o Leverkusen (Bayer) ou o Hoffenheim (SAP) fazem o mesmo, em parte, por serem clubes fundados pelas populações locais e a uma história de décadas.

É daqui que brota a toda a aversão e protesto contra este projeto, que o ano passado até levou à criança de uma campanha (com site e tudo) anti-RB Leipzig. Cartazes com “Nein zu RB (Não à Red Bull)” apareceram nos estádios e vários clubes recusaram jogar amigáveis de pré-época. Mas o clube fechou os ouvidos e foi-se aguentando. Gastou quase 100 milhões de euros a contratar jogadores desde 2009 até chegar onde está agora: na Bundesliga. “Também queremos entrar na Liga dos Campeões e ter sucesso lá, que é algo que apenas consegues se jogares numa das ligas de topo”, disse, em 2011, o dono da Reb Bull.

Pelos vistos, para lá caminham. Mesmo que milhares de adeptos do Dortmund, na segunda jornada da Bundesliga, tenham preferido assistir ao jogo das reservas em de se deslocarem à casa do ódio de estimação, o RB Leipzig venceu (1-0) o Borussia. Surpresa. Está no sétimo lugar, ainda não perdeu e, pela maneira como tem feito as coisas, parece estar ali para ficar. E melhorar. O clube também gastou milhões em construir um centro de treinos e infraestruturas de topo.

Tem a política de contratar apenas jogadores até aos 24 anos e Ralf Rangnick, o diretor desportivo, até tem uma história engraçada para contar sobre isso: “Queríamos o Joe Gomez, do Charlton, que acabou por escolher o Liverpool. Estava a regressar de Londres e o seu agente disse-me, no avião: ‘É uma pena seres tão radical e só assinares com jogadores com menos de 24 anos, porque tenho alguém que seria perfeito para ti. Chama-se Jamie Vardy”. Aconteceu há duas épocas e Rangnick mandou-o à fava - “Não, ele tem 27, não o vamos fazer”.

Para compensar isto, faz outras coisas. Como contratar miúdos com talento e potencial de outros clubes, bem cedo. Ou aproveitar o que vai aparecendo em São Paulo, Nova Iorque, Sogakope (no Gana) ou em Salzburgo, cidades, onde a Red Bull já investira em outros clubes. Tudo funcionada como uma grande franchise, em que o manda-chuva mexe nas peças conforme o clube onde mais jeito podem dar. O próprio Ralf Rangnick já foi diretor desportivo, em simultâneo, do Red Bull Salzburgo e do RB Leipzig. E Bernardo Junior, um brasileiro, foi formado no Red Bull São Paulo antes de jogar na Áustria e ter chegado, esta época, à Alemanha.

O país tem, de novo, um clube do leste a jogar no alto do seu futebol. Teve-o à custa de um preço, chamado Red Bull. Mas é a marca do touro vermelho que, tantos anos passados, deu vida a um sítio que é mais importante do que parece: Leipzig teve o primeiro campeão alemão da história, é a cidade onde foi fundada a Federação Alemã de Futebol (DFB) e foi o palco do jogo que juntou mais pessoas no país (cerca de 110 mil, em 1957, num Alemanha-Checoslováquia). Os adeptos, que aprenderam a gostar do novo clube, agradecem. A Red Bull tem mesmo olho para o negócio.

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O Bayern é da Audi e ninguém se queixa. Deixem a RedBull dar um ar da sua graça.

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Ser membro do Bayern de Munique, custa entre 30 e 60 euros por ano. Os bávaros têm mais de 270 mil, o Borussia Dortmund conta à volta de 139 mil, mas o clube da Red Bull regista à volta de 300, porque custa quase 1000 euros ser sócio.

 

:blink:

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Guest fiasco

Não gosto, mas não consigo censurar.

Sempre é melhor que agarrar num historico cá em cima e afundar com ele, e depois tirar bilhete.

 

Não me chateava que pegassem em clubes do Alentejo e Beiras e lhes dessem alento...e por associação...adeptos.

 

Mas é verdade, o Leste Alemao ainda é olhado como o parente pobre, um pais dentro dum pais.

Se os Bavaros ja sao racistas com o resto da Alemanha, com a de leste ainda pior é.

 

O Bayern é da Audi e ninguém se queixa. Deixem a RedBull dar um ar da sua graça.

 

N é bem assim.

90% é o clube e 10% a Adidas

 

 

Depois ha outras ao barulho no conselho de administracao

É Adidas, VW, Bayer...

The supervisory board of nine consists mostly of managers of big German corporations. Besides the club's president and the board's chairman Karl Hopfner, they are Herbert Hainer (Adidas), Rupert Stadler (Audi), Werner Zedelius (Allianz), Timotheus Höttges (Deutsche Telekom), Rudolf Schels, Edmund Stoiber, Theodor Weimer (UniCredit Bank), and Martin Winterkorn (Volkswagen).[118][119]

Editado por fiasco

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Não gosto, mas não consigo censurar.

Sempre é melhor que agarrar num historico cá em cima e afundar com ele, e depois tirar bilhete.

 

Não me chateava que pegassem em clubes do Alentejo e Beiras e lhes dessem alento...e por associação...adeptos.

 

Mas é verdade, o Leste Alemao ainda é olhado como o parente pobre, um pais dentro dum pais.

Se os Bavaros ja sao racistas com o resto da Alemanha, com a de leste ainda pior é.

 

 

 

N é bem assim.

90% é o clube e 10% a Adidas

 

 

Depois ha outras ao barulho no conselho de administracao

É Adidas, VW, Bayer...

 

O Lusitano de Évora foi comprado por um grupo Chinês que quer meter a equipa na 1ª Liga no período de 7/8 anos. Tiveram este ano um investimento avultado.

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Guest fiasco

Bora então!

A ultima vez que la fui foi contra o Campo Maiorense quando fomos campeoes. :(

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Faz gerir o campeonato alemão e em especial uma zona.

Não vejo nada de mais que não se faça noutros sitios

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O que me faz mais confusão nisto tudo é o preço de sócio para o Bayern. 60 paus na Alemanha quando cá pagas mais de 100 para ser sócio de um dos três estarolas.

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Guest fiasco

O que me faz mais confusão nisto tudo é o preço de sócio para o Bayern. 60 paus na Alemanha quando cá pagas mais de 100 para ser sócio de um dos três estarolas.

 

Eles vão buscar o resto do guito aos "consumiveis". Toda a gente compra camisola da epoca. Merch diverso. Toda a gente bebe e come dentro do estádio. Estádio cheio = mais entra de Publicidade. Os direitos televisivos pagam tanto que nao ha necessidade de ir buscar $$ á bilheteira.

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Guest fiasco

Podia ter havido um Red Bull aqui, felizmente passou por cima.

 

Red Bull dá asas

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Eles vão buscar o resto do guito aos "consumiveis". Toda a gente compra camisola da epoca. Merch diverso. Toda a gente bebe e come dentro do estádio. Estádio cheio = mais entra de Publicidade. Os direitos televisivos pagam tanto que nao ha necessidade de ir buscar $$ á bilheteira.

Para o Bayern não pagam assim tanto, recebe tanto como o último classificado da Premier lol

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Podia ter havido um Red Bull aqui, felizmente passou ao lado.

Que hipster que sou! Dei essa inside no tempo em que as insides ainda não estavam na moda :mrgreen:

 

A "única" coisa que fez com que o negócio cair foi eles exigirem a mudança do nome do clube.

 

Ainda quero levar a canalha a celebrar um campeonato do Boavista e não do RB Boavista

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Não gosto, mas não consigo censurar.

Sempre é melhor que agarrar num historico cá em cima e afundar com ele, e depois tirar bilhete.

 

Não me chateava que pegassem em clubes do Alentejo e Beiras e lhes dessem alento...e por associação...adeptos.

 

Mas é verdade, o Leste Alemao ainda é olhado como o parente pobre, um pais dentro dum pais.

Se os Bavaros ja sao racistas com o resto da Alemanha, com a de leste ainda pior é.

 

 

 

N é bem assim.

90% é o clube e 10% a Adidas

 

 

Depois ha outras ao barulho no conselho de administracao

É Adidas, VW, Bayer...

 

É a tal questão, o que pesa mais, 1% de milhares de milhões de euros ou 90% de milhões de euros?

 

Se eu tivesse um trilião, bastava-me 1% do Benfica para trazer o Aguero, o Messi e o Ronaldo. E depois de os trazer, ai de quem me olhasse de lado, tenho 1% mas quem mete comida na mesa sou eu.

Editado por Fidel Castro

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O que me faz mais confusão nisto tudo é o preço de sócio para o Bayern. 60 paus na Alemanha quando cá pagas mais de 100 para ser sócio de um dos três estarolas.

12 euros * 14 meses = 168 euros. Quase 3 vezes mais.

 

Isto aliado ao vencimento (médio) dos Alemães vs. vencimento (médio) dos Portugueses e está tudo dito.

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12 euros * 14 meses = 168 euros. Quase 3 vezes mais.

 

Isto aliado ao vencimento (médio) dos Alemães vs. vencimento (médio) dos Portugueses e está tudo dito.

 

x14? Pagas subsídio de férias? :mrgreen:

 

Eu sei que supera os 100 no caso do Benfica, só não sei ao certo como é no Porto e Sporting, principalmente com a questão de sócio efectivo e correspondente. 100 pareceu-me um número redondinho.

 

E sim, é a proporção entre as possibilidades financeiras dos adeptos de cá e lá que faz isto especialmente ridículo.

 

Se formos pelo ordenado mínimo:

O normal do Benfica seria 144 se não me engano. Corresponde a 27% do salário mínimo nacional de 530e. Contra os 60 paus do Bayern com um ordenado de 1474. São 4%.

 

Em proporção o Zé paga 6,75x mais que o Hans. :lol:

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Citação do jornal "Expresso" online

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Bernardo Júnior, o homem a quem a Red Bull deu realmente asas

Bernardo Júnior tem 21 anos, é brasileiro, canhoto e parece ser bom de bola, mas não é isto que nos levou a falar com ele. Foi mais o facto de ser o primeiro jogador a representar, consecutivamente, três clubes da mesma empresa, a Red Bull. Agora está no Leipzig, a equipa mais odiada da Bundesliga, e diz que “há chingamento em todos os jogos”.

É preciso um valente trampolim para se pular da terceira divisão brasileira para o principal campeonato da Áustria. É do dia para a noite, em tudo. Neste caso, não terá sido preciso um olheiro com um toque de Midas nos olhos para detetar Bernardo Júnior. Ele estava nas catacumbas do futebol brasileiro, só que jogava no melhor sítio para se estar nessa situação – no clube que é da empresa que tem outros três clubes. A Red Bull tirou-o de São Paulo, deu-lhe asas até Salzburgo e, quando os austríacos falharam a qualificação para a Liga dos Campeões, em agosto, colocou-o em Leipzig.

O brasileiro é agora o canhoto que joga a lateral direito na equipa mais odiada da Bundesliga. Ele diz-nos que sente “o chingamento” em todos os jogos, porque os alemães não gostam de empresas a tomar conta de clubes, apesar de haverem uns quantos que funcionam assim há anos. Mesmo a ler e ouvir críticas, protestos, tarjas e cânticos, Bernardo Júnior acha que isto é bom, porque dará mais competitividade ao futebol germânico. Mesmo que esteja a custar um pouco para que toda a gente se habitue à ideia - “Sabem que daqui a alguns anos o Leipzig pode tornar-se numa potência, para bater de frente com eles. Por isso eles têm essa preocupação”.

P.S. A Red Bull ainda tem mais dois clubes, em Nova Iorque e em Sogakope, no Gana. Vamos ver se Bernardo não acaba por jogar em todos.

Podes resumir a tua aventura no futebol, até chegares ao Leipzig?

Bom, eu comecei no Brasil, no Coritiba. Daí fui para o Ponte Preta, onde depois fui emprestado ao Red Bull Brasil. Aí joguei na terceira divisão do campeonato brasileiro e o Red Bull Salzburg gostou de mim. Compraram-me ao Ponte Preta. Fiquei uns oito meses na Áustria e, depois, vim para aqui, para o Reb Bull Leipzig. No fim, acabei por passar pelos três.

Exato. Sabias que és o primeiro a ter jogado nos três clubes, assim de seguida?

Sim, é curioso. Até brinco com o pessoal, dizendo que daqui a uns anos ainda posso ir para Nova Iorque!

E depois falta o Gana.

É verdade [ri-se].

Mas como foi o processo quando teve de trocar de clube?

Bom, então, do Red Bull Brasil para o Salzburgo foi a mudança mais difícil. Vi no clube uma oportunidade de jogar numa competição europeia, numa liga maior, e dar um passo em frente na minha carreira. Depois, para o Leipzig, já foi tranquilo. Era o que eu queria, jogar num campeonato mais competitivo.

Não é estranho jogar por três clubes que pertencem à mesma empresa?

Acho que não, até é mais fácil. Os clubes têm uma mentalidade muito parecida: no trabalho sério, no estilo de jogo, na pressão, no toque de bola. Isso facilitou. Quando cheguei ao Salzburgo comecei a jogar muito rápido. No Leipzig também. Acho que facilitou a minha adaptação.

Nunca sentiste que pertences a uma empresa em vez de pertenceres a um clube?

Não, porque, no fim das contas, a escolha sempre foi minha. Se a empresa determinar que tenho de ir para outro clube e eu não pudesse fazer nada, aí sim, teria outro pensamento. Mas eles apenas me deram uma oportunidade e eu tive de dizer ou sim, ou não. Encarei tudo como uma mudança de clube, sempre.

Agora, na Alemanha, parece estar na moda que os adeptos de outras equipas odeiem o Leipzig, certo?

Sim, sim, há protesto e chingamento em todos os jogos. É o time da moda. Tem um patrocinador forte por trás e os outros clubes, que se consideram tradicionais, sabem que daqui a alguns anos o Leipzig pode tornar-se numa potência, para bater de frente com eles. Por isso eles têm essa preocupação. Mas eu não vejo isso como um problema. Há outros times na Bundesliga que têm apoios de empresas: como o Hoffenheim, o Wolfsburgo, o Bayern de Munique, todos eles são apoiados.

Porque achas que a mesma coisa não acontece com esses clubes?

Acho que vai ser assim durante o primeiro. Eles vão mesmo encher o saco. Acredito que, nos próximos anos, quando se acostumarem à ideia, vão parar com isso. Esses times tiveram e têm apoio, mas são clubes com 80 anos, já existem há muito tempo. Já é algo normal. Mas nós, por sermos um clube novo, somos vistos de forma negativa.

Acontecia o mesmo na Áustria e no Brasil?

No Brasil não, porque era um time que não oferecia muito risco, é um clube pequeno. Mas na Áustria sim, por ser um campeão nacional. O Salzburgo é um clube com 10 anos que tem oito títulos nacionais, é muito. Eles chegaram e acabaram com tudo.

Sentes os assobios e a aversão quando estás em campo, durante os jogos?

Sim, eles chingam e você percebe. Há faixas no estádio e ouvem-se músicas sobre o tema. Mas, quando você está jogando, não ouve nada. Tanto é que o Salzburgo foi oito vezes campeão nacional. Mas sim, claro que se percebe. Mas eu penso assim: se fizer as coisas de maneira correta e limpa, mesmo com um grande patrocinador, isso é bom para o futebol.

Porque o Leipzig vai tornar a Bundesliga mais competitiva?

Isso, concordo.

O que achas da política do clube de só contratar jogadores até aos 24 anos?

É muito interessante. Primeiro, você não gasta dinheiro em jogadores mais velhos que não te vão render nada no futuro. Um clube como o Leipzig, que ainda não é uma equipa grande, tem de pegar nos jogadores quando eles são novos para fazer um time de alto nível. E, com toda a estrutura que têm aqui - alimentação, academia, treino e tudo o que você imaginar -, vai conseguir formar uma boa equipa. É ideia mais inteligente e, também, a mais barata.

E os adeptos do Leipzig?

Sinceramente, fiquei surpreso. Não imaginava que a torcida aqui fosse tão fanática. Porque acho que o Leipzig é o primeiro clube da Alemanha de Leste a estar na primeira divisão, em muito tempo. Estão muito empolgados. Então, toda a região está apoiando o clube. Em casa, como são a maioria, não dá para notar o chingamento. Mas, fora de casa, vão ter conviver com isso, pelo menos durante a primeira temporada.

Há muitos anos, o teu pai jogou no Bayern de Munique [em 1990/91, de seu nome Bernardo Silva]. Pediste-lhe conselhos?

Sim, já quando fui para a Áustria falei com ele, porque são culturas parecidas. Quando o meu pai veio para a Alemanha, ele teve algumas dificuldades. Antigamente, os alemães eram um povo muito mais fechado, muitas vezes viam o estrangeiro como um concorrente e não como um colega de equipa, entende? Ou seja, muita coisa que o meu pai viveu no passado eu não vivi aqui. Somos todos muito amigos, as pessoas são generosas e o ambiente é muito, muito bom. Não tenho nada a reclamar do povo alemão, só tenho a agradecer.

Já falas alemão?

Cara, eu entendo bastante, mas é muito difícil. Não tem nada a ver com o português. Mas falo um bom inglês.

O que esperas que o Leipzig faça esta época?

O nosso primeiro objetivo é ficar na Bundesliga, acho que isso é muito importante. Mas, depois de algumas rodadas, e com a forma como o time vem jogando, podemos pensar em algo um pouco maior. Com calma, é lógico. Talvez pensar em ficar na parte de cima da tabela, isso seria ótimo. Daí para cima será maravilhoso.

E chegar à seleção brasileira?

Ah, é o meu objetivo. Sou novo, tenho 21 anos. Se vou chegar ou não, não sei, mas vou trabalhar ao máximo.

Muita gente diz que és parecido com o Luiz Gustavo, que já lá foi muitas vezes.

É, na Áustria joguei muito de volante. Aqui estou a jogar improvisado, como lateral direito. Mas sim, vejo algumas semelhanças entre nós. O porte físico é parecido, a entrega na marcação, na parte defensiva, também.

Mas tu és canhoto e jogas na direita?

Pois, é muito raro, não é? A gente até vê o pé direito na esquerda, mas o contrário é difícil.

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Adorava trabalhar no scouting destes gajos. Projecto super interessante, e com vastos recursos.

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