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Varela

[Discussão] Taticamente falando

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Agora pede-se jogadores mais completos. Os afectados são os jogadores que apenas consegue cumprir uma função em campo, os 10 puros, os trincos destruidores, os pontas de lança fixos. Agora pede-se o maior número de jogadores possíveis de pensar o jogo e participar na construção.

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Verdade. Acima de tudo, acho que cada vez mais se pedem é jogadores que, tendo um mínimo de capacidades físicas e técnicas, sejam evoluídos do ponto de vista "mental". Jogadores inteligentes, evoluídos ao nível da decisão, que tenham uma leitura e um entendimento do jogo acima da média, que sejam objectivos. Jogadores que saibam o que fazer, e quando o fazer, no maior número possível de situações de jogo.

 

Daí eu achar que, entre os três exemplos que referes, o 10 puro é aquele que mais próximo está de continuar a existir no futebol moderno (naquele que é bem jogado, entenda-se). Porque, generalizando (é óbvio que há sempre excepções, mas toda a gente terá, por certo, esta noção), é aquele que será mais evoluído nos aspectos que referi acima. E que a esses ainda juntará, provavelmente, a qualidade técnica, a imprevisibilidade e a criatividade. Já o trinco destruidor de jogo, ou o "homem de área", pelas suas características típicas, têm mais dificuldades a adaptar-se a este tipo de futebol, porque normalmente têm falhas graves numa ou noutra vertente do jogo (genericamente, o trinco mais na capacidade técnica, o avançado mais na capacidade física).

 

E o que é que está a acontecer, afinal, ao 10 puro no futebol actual? Aos fantasistas do corredor central? Estão a ser deslocados para duas posições: ou para extremos, para jogarem a partir dos corredores laterais, naquela que é a solução mais comum; ou estão a aparecer numa posição que nos últimos anos ganhou relevo, e que se denomina como o "falso 9".

 

No primeiro caso, e naquele que encaixa mais facilmente na maioria dos modelos de jogo (daí ser a solução mais comum), a explicação é relativamente simples. O futebol moderno evoluiu bastante a nível táctico, e mais especificamente, ao nível da ocupação de espaços. Nos últimos anos, não faltam exemplos de jogos entre duas equipas de top mundial, em que a distância que vai desde a linha defensiva da equipa A até à linha defensiva da equipa B é de 40/50 metros. Por vezes até menos. O jogo desenrola-se quase em meio campo, e a capacidade que essas equipas têm de reajustar posicionamento e de fechar espaço de forma constante é fantástica. São jogos em que a intensidade é brutal, e onde os próprios treinadores até evitam fazer substituições cedo no jogo, porque o jogador que entra quase nunca está preparado para entrar nesse ritmo diabólico. Ora, com tamanha intensidade e tamanho ritmo de jogo, é muito complicado para o 10 puro jogar no corredor central, porque não é tão forte fisicamente como os restantes jogadores que aparecem naquela zona, e corre o risco de ser engolido pela intensidade do jogo. Além disso, defensivamente, jogar com um 10 puro é desde logo prejudicar um pouco a consistência defensiva naquela zona do terreno, porque são jogadores que normalmente não defendem, nem muito, nem bem.

 

Daí ele aparecer a partir do corredor lateral. Onde tem mais espaço para pensar e executar, onde está menos pressionado, e onde não prejudica tanto a equipa defensivamente. Porque o corredor central é um corredor mais "valioso" que os corredores laterais. Quanto mais não seja, porque é lá que está a baliza. O corredor lateral dá ao 10 puro uma liberdade de movimentos que o corredor central por vezes não lhe consegue dar, no futebol actual.

 

Quanto à segunda opção, esta mais complexa e vista em menos modelos de jogo, ocorre um pouco pelas mesmas razões da primeira. No entanto, a ideia aqui não é tanto soltar o 10 para o jogo, mas sim usá-lo como um elemento extra na construção e que parte já de dentro do bloco adversário para procurar a bola entre linhas, para cair nos corredores laterais ou até mesmo para vir pegar no jogo bem atrás. A jogar ali, é um jogador que, até pela sua própria natureza criativa e de constante contacto com a bola, baralha marcações com grande eficácia. Retira totalmente aos centrais adversário a referência que normalmente lá têm. Normalmente, em modelos de jogo onde o 10 actua como "falso 9", são os extremos que procuram declaradamente o corredor central, e usam o corredor lateral mais como "ponto de partida" para ganhar liberdade de movimentos. E normalmente, também estamos a falar de modelos de jogo que se baseiam claramente na posse e no controlo do jogo com bola.

 

Se eu concordo com estas ideias? Com algumas, sim. Com outras, nem por isso. Continuo a achar que o 10 puro pode existir no futebol moderno, desde que inserido num modelo de jogo adequado (e agora os modelos que se apresentam em 4x2x3x1, com o duplo pivot e o médio ofensivo mais à frente deles, até estão relativamente "na moda"). Não o 10 puro de antigamente, mas o 10 puro "de agora", com algumas adaptações em termos do que é o seu perfil de jogo (nomeadamente, uma maior predisposição para as tarefas defensivas e uma maior velocidade de processos).

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Agora o jogador mais valioso é o jogador inteligente. Um jogador que tenha um cérebro já é meio caminho andado para vingar no futebol.

 

O maior exemplo dessa modernização é este Real do Ancelotti. Todos defendem, todos atacam. Todos os jogadores são no mínimo razoavelmente criativos e são inteligentes. Pelo menos do meio campo para a frente.

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Muitos dos apontamentos do Poeira têm razão de ser, mas não podemos incorrer no erro de achar que o futebol de alta competição são só as melhores equipas presentes no mesmo.

 

Se olharmos para o espetro geral das várias boas primeiras ligas e todas as suas equipas o que não faltam são especialistas.

 

Estas questões prendem-se e prender-se-ão sempre com 3 ou 4 coisas: O treinador e as suas ideias, o jogador e as suas características, o contexto competitivo onde se insira e sobretudo o contexto global do futebol num capítulo que sempre foi essencial para a evolução do jogo: As tendências de sucesso.

 

Jogadores universalmente capazes sempre existiram. Não tem de ver com o jogo ser assim ou assado ou ter mais ou menos espaço. Como são usados depende das tais tendências de sucesso. Além do mais especialistas com características para serem usados de forma mais universalista também sempre existiram, mas acabou, mais uma vez por depender de como foram utilizados.

 

O Makelele sempre foi dado como um exemplo clássico de um 6 puro, mas isso não significa que ele não tivesse grande competência técnica ou que não percebesse o jogo ofensivamente. Por exemplo.

 

Os 10 puros ou os 6 puros ou seja o que for vão tão deixar de existir como vão sempre estar presentes, mediante a tendência de sucesso do momento.

 

Se uma grande equipa a jogar em 4x4x2, com dois médios dominadores fisicamente, "x" características, etc, ganhar tudo com relevo, a tendência de sucesso vai-se tornar essa e vão aparecer mais treinadores a apostar nesse tipo de futebol. Se for um Barcelona com falso 9 e muito universalismo vai apostar-se mais nisso. Se for um Real de contra-ataque puro, um Dortmund de couter-pressing ou um Bayern de ataque continuado, vão ser essas as tendências. E por aí fora.

 

Não vai existir só uma tendência. Dificilmente. Por vezes, existe uma que pelos resultados que obteve vai ganhar um grande impacto naquele momento ainda assim.

 

Neste momento vivemos as tendências da posse do Guardiola ou do contra-ataque altamente criativo do Madrid. Alguns resticios do counter-press e do ataque continuado do Bayern do Jupp também. Até o pragmatismo do Atleti ou do Chelsea são exemplos.

 

Em Portugal também se vêm algumas equipas com ideias parecidas com o Benfica, ou com o Porto. Outras são exemplos clássicos de abordagens que fogem das tendências de sucesso.

 

O 10 puro não existe nas tendências atuais. As estrelas são os falsos 9, os avançados soltos, os playmakers recuados, os centrais com futebol de médio, os laterais altamente ofensivos, os médios motor, completos e fisicamente imponentes, etc...

 

As tendências mostram os 4x2x3x1 dos Bayerns, dos Chelseas, dos Dortmunds como referências. Os 4x3x3 dos Barcelonas. Os 4x4x2 dos Madrids (e 4x2x3x1) e dos Atletis...

 

As dinâmicas do futebol do Guardiola ou do Ancelotti são incriveis e há posições novas a aparecer. Novas formas de jogar uma posição digamos assim.

 

Outros futebois são mais clássicos como o do Chelsea ou do Atleti.

 

Nenhum deles se serve de um 10 puro, porque as que usam 10 são normalmente equipas de incisão e as que não usam são as que normalmente optam pelo futebol mais controlado. Há exemplos de futebol bem jogado das mais variadas formas. Não há um que esteja certo.

 

As que usam 6 declarados não precisam deles para destruir tanto quanto precisam para construir e as que usam dois médios, precisam de mais amplitude nas ações de cada um, de gajos mais completos.

 

Mas continuam a existir equipas que usam 6 puros, ou 10 puros.

 

Se agora aparecer aí alguém a ganhar duas Champions a jogar em 3x2x1x4, com um 10 puro e um guarda-redes avançado, vai-se passar a ver mais 10 puros e mais guarda-redes avançados...

 

É natural...

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Visitante

Tentando ressuscitar este tópico, deixo aqui uma questão. Alguém sabe de sites que apresentem análises tácticas/plantel mais ou menos detalhadas sobre diversas equipas? Do género do Think Football, mas mais direccionado para os aspectos tácticos e, de preferência, com análises mais generalizadas e não tão focadas em jogos específicos :)

 

EDIT: Já vi que o link que o Fajo colocou anteriormente dá para um site do género, bem porreiro :)

Editado por Visitante

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É uma pena este tópico andar abandonado...Podiam existir muitas discussões interessantes, por aqui.

 

Se quiserem responder, que diferenças notam entre as equipas do Mourinho pré-Real e pós-Real?

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que diferenças notam entre as equipas do Mourinho pré-Real e pós-Real?

 

Parece-me que a grande diferença está na paixão com que ele encara a profissão. O estilo dele sempre passou por um futebol mais pragmático com muita ênfase no contra-ataque, não num "park the bus" total mas num "contra-ataque à grande", só que antes havia qualquer coisa nas equipas dele que as tornavam diferentes (num bom sentido) e eu acho que isso era a paixão que Mourinho tinha pelo futebol, por treinar, a forma como ele via as coisas diferente dos outros, mas no Real todas essas qualidades foram sendo desgastadas pela forma como o estavam a tratar e se depois da sua saída de lá a emoção que o regresso a uma "casa especial" lhe trouxe reacendeu a chama, ela foi-se apagando denovo e tornou-o no hoje conhecido "Boring One".

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Bergkamp não era 10

Editado por kareca

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Artigo bastante interessante. Hoje em dia o médio-ofensivo mais puro tende sempre em ser adaptado a extremo.

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10.Inteligência de Jogo e Tomada de Decisão

 

“Mas será que os jogadores entendem essa história de losango, linha, quadrado…?“, questionam os céticos e detratores da análise tática, no comum afã humano por atacar e diminuir aqueles/aquilo que não se compreende. A resposta está no campo, quando qualquer observador capaz (não basta ver, mas saber ver, como já foi dito) consegue identificar não apenas os desenhos proporcionados pelo posicionamento inicial dos jogadores, mas também os complexos movimentos e comportamentos que caracterizam o modelo de jogo das equipes.

 

Obviamente, a base de tudo é o treinamento. Os jogadores são diariamente estimulados a compreender as regras concernentes ao modelo de jogo em todas as suas fases – o que fazer nas mais diversas situações de posse, transições, posse do adversário ou bolas paradas. Com este acervo de informações, também são estimulados a tomar as melhores decisões, a cada fração de segundo, em sintonia com os companheiros e em confronto com os adversários.

 

O professor argentino Pablo Juan Greco bem definiu esta relação entre jogadores, treinamento e tomada de decisão:

 

“Do ponto de vista dos jogos esportivos coletivos, toda a decisão é uma decisão tática e pressupõe uma atitude cognitiva do jogador, que lhe possibilita reconhecer, orientar-se e regular suas ações motoras. Portanto, observa-se a necessidade de se compreender a importância do desenvolvimento do conhecimento através dos processos de ensino-aprendizagem-treinamento.”

 

Por isso o papel do treinador e de sua comissão técnica, cada vez mais multidisciplinar, é tão importante. Esta equipe de trabalho precisa construir um modelo de jogo ao mesmo tempo complexo e claro, criar atividades que transmitam este conteúdo nos treinamentos aos jogadores, analisar seus comportamentos nas partidas e buscar soluções constantemente. Fica evidente a necessidade de haver um modelo de jogo e um microciclo de treinos em mais alto nível.

 

Segundo o professor/treinador Jorge Castelo, “os princípios de jogo estabelecem um quadro de referências para os jogadores, orientando o pensamento tático dos mesmos e, consequentemente, o comportamento tático-técnico com vista à resolução eficiente das diversas situações que a competição em si encerra.”

 

É evidente que dentro de campo “quem decide” é o jogador. Mas esta decisão, em cada lance, precisa estar amparada no acervo de referências adquiridas nos treinamentos, análises de vídeos, palestras e demais meios de estímulo ao jogador. Cria-se, desta forma, um pensamento coletivo, interligando as decisões de todos os jogadores entre si, fazendo com que o time mova-se como um organismo vivo, com as decisões de cada um sendo não apenas assimiladas, mas antecipadas pelos companheiros.

 

O professor-doutor Júlio Garganta produziu diversos artigos sobre inteligência de jogo e tomada de decisão, dos quais recortei muitos trechos para esclarecer este aspecto importantíssimo do desenvolvimento do jogo de futebol: a capacidade que o jogador tem de saber o que fazer, onde fazer, quando fazer, e como fazer.

 

Garganta, embora grande estudioso das complexidades táticas dos jogos desportivos coletivos, não ignora a presença de aleatoriedade e da imprevisibilidade no desenvolvimento das partidas, em especial do futebol. Mas, ao contrário do que se poderia pensar, o ingrediente do aleatório não isenta os jogadores do conhecimento tático. Na verdade, isso exige ainda mais inteligência de jogo, estimulando-os a prever até mesmo o imprevisível:

 

“O futebol é considerado o jogo desportivo coletivo mais imprevisível e aleatório, características que resultam do envolvimento aberto, do elevado número de jogadores e da dimensão do espaço de jogo, bem como da duração do tempo de jogo. Neste sentido o jogo de futebol reclama dos praticantes uma elevada capacidade perceptiva e maiores exigências relativamente à componente visual que os restantes jogos desportivos coletivos.”

 

Seguindo o caminho dos ensinamentos do professor Garganta, ele reitera a necessidade de desenvolvimento desta “inteligência de jogo” para que o atleta tome as decisões certas:

 

“O sucesso nos jogos táticos depende largamente do nível de desenvolvimento das faculdades perceptivas e intelectuais dos atletas, especialmente em associação com outros fatores que determinam a performance. Em cada ação o jogador avalia as possibilidades de êxito e prepara mentalmente a ação a realizar em função da antecipação do comportamento dos adversários e da ação que os companheiros preveem realizar-se nesse contexto, exigindo-se decisões inteligentes através de processos cognitivos.”

 

Os pesquisadores J.E Rink, K.E French e B.L Tjeerdsma descreveram em um artigo sobre o aprendizado nos esportes e jogos, relacionando traços cognitivos e motores que levam a se identificar o jogador mais capaz de tomar boas decisões – e executá-las – devido à sua inteligência de jogo e refino técnico:

 

Conhecimento declarativo e processual mais organizado

e estruturado;

Processo de captação de informação mais eficiente;

Processo decisional mais rápido e preciso;

Mais rápido e preciso reconhecimento dos padrões de jogo (sinais pertinentes);

Superior conhecimento tático;

Maior capacidade de antecipação dos eventos do jogo

e das respostas do oponente;

Superior conhecimento das probabilidades situacionais (evolução

do jogo);

Elevada taxa de sucesso na execução das técnicas durante o

jogo;

Maior consistência e adaptabilidade nos padrões de movimento;

Movimentos automatizados, executados com superior economia de esforço;

Superior capacidade de detecção de erros e de correção de execução.

Estas informações nos permitem estabelecer um paralelo com aqueles que ironizam a capacidade de um jogador assimilar instruções que eles próprios (jornalistas formados em curso superior, por exemplo) não conseguem. Recorro a mais uma citação do professor Júlio Garganta para que se compreenda essa diferença:

 

“O indivíduo que sabe jogar é um indivíduo conhecedor, não no que diz respeito a conhecimentos acadêmicos, mas no que se refere a convenções interativas, nas quais saber fazer, e saber quando fazer, são o mesmo saber.”

 

Com o desenvolvimento desta inteligência de jogo, através dos estímulos transmitidos em elaborados treinamentos e demais meios de levar a informação ao grupo de atletas, os jogadores precisam tomar as decisões certas durante a partida. Segundo Garganta, este aspecto é um dos mais importantes para o êxito da equipe.

 

Como já foi dito, estes estímulos táticos de forma alguma agem no sentido de desconstruir a criatividade. Pelo contrário, a técnica e a habilidade estão a serviço deste processo, auxiliando o jogador a encontrar soluções favoráveis mesmo que em momentos imprevisíveis. Ou seja, até o improviso pode ser treinador e estimulado, permitindo que o jogador tome boas decisões mesmo frente a situações inesperadas. É como escreveu Garganta no longo trecho abaixo:

 

“Os comportamentos dos jogadores e das equipes, embora repousando sobre uma organização sustentada numa isonomia de princípios (os mesmos princípios valem para todos) movem-se entre dois pólos: o vínculo, ou seja, o estabelecido, as regras; e a possibilidade, a inovação. O jogo existe, portanto, na confluência de uma dimensão mais previsível, induzida pelas leis e princípios do jogo, com outra menos previsível, materializada a partir da autonomia dos jogadores, que fomentam a diversidade e a singularidade dos acontecimentos, a partir do confronto entre sistemas concorrentes, caracterizados pela alternância de circunstâncias de ordem e desordem, estabilidade e instabilidade, uniformidade e variedade.”

 

Integrante das equipes multidisciplinares vinculadas às comissões técnicas, o setor de Análise de Desempenho tem papel importante na difusão do conhecimento sobre o modelo de jogo do próprio time e dos adversários, oferecendo conteúdo relevante aos jogadores. Com mais informações, observando vídeos e recebendo feedbacks, ele consegue agregar mais elementos para auxiliar nas tomadas de decisão, desenvolvendo seu entendimento sobre o jogo.

 

Garganta ressalta a importância não apenas dos treinamentos, mas como deste fluxo de informação sobre o jogo, para incrementar o conhecimento e estimular os jogadores a tomar as melhores decisões – de acordo com o modelo de jogo, em sintonia com os companheiros, nos momentos e espaços certos, com execução técnica e em confronto com as vulnerabilidades do oponente:

 

“Outra tendência que se perfila prende-se com o incremento da informação sobre a performance, de modo a facilitar e a tornar mais eficaz a tomada de decisão sobre as táticas de jogo e os modelos de preparação para os operacionalizar. Por isso, a análise dos comportamentos dos jogadores e das equipas estende-se, cada vez mais, aos processos de treino, procurando-se avaliar a efetividade de programas, no que respeita à respectiva congruência com as ideias/conceitos de jogo que se pretende implementar.”

 

No futebol esta inteligência de jogo – fortemente vinculada ao entendimento do que se deve fazer, como e quando fazer – foi durante muito tempo subestimada. No Brasil, em especial, o senso comum ainda acredita que o jogo é um sucessão de aleatoriedades, e que cabe exclusivamente ao instinto dos jogadores impulsioná-los à vitória. Mas em outros esportes coletivos, com destaque para o futebol americano, a compreensão sobre a importância dos treinos e da análise de desempenho para estabelecer um fluxo de informações e de estímulos elaborados é enorme, e evidente.

 

É bastante comum nas transmissões da NFL percebermos à beira do campo, enquanto a equipe ofensiva tenta marcar pontos, os jogadores de defesa analisando fotos impressas ou em tablets, para identificar eventuais erros, pontos vulneráveis ou virtudes do adversário, e assim preparar-se para tomar boas decisões.

 

Existem inclusive o termo “read option”, conceito aplicado fortemente nas ações ofensivas, mas também nas defensivas, em jogadas que exigem dos jogadores leituras instantâneas do comportamento adversário, para que a decisão seja tomada em uma fração de segundos sob o cruzamento das duas ou três alternativas treinadas e previstas frente aos movimentos revelados pelos oponentes.

 

Digo isso para citar, no desfecho deste capítulo, o treinador de futebol americano Howard Schnellenberger, que também escreveu sobre inteligência de jogo e tomada de decisão nos esportes coletivos:

 

“A tomada de decisão consiste na capacidade de tomar decisões rápidas e taticamente exatas, constituindo uma das mais importantes capacidades do atleta. Ela determina muitas vezes o sucesso dos jogos técnico-táticos e é frequentemente responsável pelas diferenças na performance individual.“

 

 

https://eduardocecconi.wordpress.com/2015/12/04/10-inteligencia-de-jogo-e-tomada-de-decisao/

 

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Site que faça análises de jogos da liga inglesa por favor?

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Site que faça análises de jogos da liga inglesa por favor?

 

Da liga inglesa especificamente não, mas para mim os melhores sites que sigo de análises tácticas:

 

Zonal Marking

Spielverlagerung

 

Infelizmente o Michael Cox que é quem escreve o Zonal Marking, cagou no blog e só faz análises de jogos agora de tempos a tempos, desta última época os únicos jogos da liga inglesa que vejo lá são o City-Leicester e o Arsenal-City. O site dos alemães tá muito mais activo hoje em dia e faz mais ou menos a mesma coisa.

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Boas obrigado, O Spielverlagerung já acompanhava como já tinham referido antes, mas como não tem feito análises da pré-temporada estava à procura do outro, esse Zonal Marking acabei de o pôr na minha lista de favoritos para futuras análises de jogos, a mim tanto me faz a língua deles desde que escrevam inglês xD Não conheces nenhum que faça análises atualmente da pré época?

 

Edit: E quando dizes de tempos a tempos dizes de ano a ano, pelo menos recentemente. :mrgreen:

Editado por TheGod10

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Sorry, não conheço mais nenhum blog/site do género dedicado mesmo a tácticas...

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Na boa, se entretanto aparecer alguém que saiba, por favor avise :compinchas:

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A nível tático, quem é o melhor treinador de sempre, na vossa opinião? Porquê? E o melhor líder?

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