Poeira Publicado 15 Fevereiro 2019 Citação de Thierry Henry, há 1 hora: Eu acho é que não é preciso um ano zero no Sporting, no estado a que deixaram chegar as coisas. Era preciso um ano menos três ou qualquer coisa do género, reestruturar o futebol de uma ponta à outra, mentalizar os adeptos disto e levar um projeto com pés e cabeça até ao fim. Há que assumir isso, faz parte da história quase de qualquer clube e só traria benefícios no futuro. O problema é mesmo convencer grande parte dos adeptos disso, porque pelo que vejo aqui e de alguns sportinguistas que conheço, não há ninguém com paciência para fazer algo desse género e isso só gera mais confusão dentro do próprio clube. Falando em nomes concretos, para mim, a cara ideal para um projeto desses seria o Luís Castro. Menos vinte. Vou parafrasear o meu amigo @AndreSCP7, que ele gosta do termo que vou usar a seguir, e dizer que o Sporting é a associação mais autofágica que alguma vez vi. Neste momento, é um clube que tem a sua massa adepta completamente fracturada e dividida, em vários grupos. Que tem as claques em guerra +/- aberta com a direcção, pela falta de apoios financeiros (foram cortados). Que tem uma grande falange de adeptos, principalmente mais jovens, dinâmicos e activos na vida do clube, completamente contra tudo o que esta direcção (e, arrisco dizer, qualquer outra que não tenha o Bruno de Carvalho como presidente) faça, seja qual for o sucesso ou insucesso dessa acção. Que tem uma direcção inexperiente e que, apesar de me parecer ter boa vontade e algumas boas ideias (principalmente na área financeira), abana que nem varas verdes com qualquer obstáculo que surja no caminho. Que tem a pairar sobre si o fantasma de um presidente que levou o clube a tal ponto, que para nos livrarmos desta maldição e de resquícios da sua presença, vamos precisar de anos e anos e mais anos. Que viveu em Maio talvez o pior momento da sua história, e que sofreu depois a humilhação expectável na imprensa e a nível social, consequência desse mesmo momento. Que tem a tal massa adepta, para além de fracturada e dividida, a ter de suportar isto tudo há umas duas décadas (para não dizer mais), o que provoca a impaciência e a irracionalidade a que se assiste no estádio, no dia-a-dia, na comunicação social, nos fóruns e redes sociais... em todo o lado. Já no futebol, é um clube que parou completamente no tempo. A estrutura é amadora e incompetente, e exceptuando meia dúzia de nomes, é difícil dizer se haverá algo mais que se possa aproveitar ao nível da preparação física, da prevenção de lesões, do departamento médico, do scouting e das restantes áreas desportivas directamente ligadas ao futebol. Na formação, há no máximo um par de treinadores para aproveitar, a rede de detecção e captação de talentos degrada-se e é ultrapassada por outros clubes a cada ano que passa, as próprias infra-estruturas já estiveram mais próximas do ideal, a ausência de uma ideia e de um fio condutor faz com que a gestão de centenas de miúdos, muitos deles promissores e com futuro no clube, seja altamente deficiente (não há nenhum clube em Portugal que estrague tanto talento como nós, é surreal), acabou-se com a equipa B (felizmente, parece que há intenções de reverter essa loucura já na próxima época) para se criar uma equipa sub-23 numa competição que não interessa nem ao menino Jesus e que não traz absolutamente nada de bom para os nossos jovens, e a grande maioria dos jovens talentosos que ainda temos para aproveitar no plantel principal estão, ou estagnados nos sub-23, ou emprestados a contextos que não fazem sentido nenhum para eles (se eu me importasse a sério com isto, cortava os pulsos por ver que temos Pedro Ferreira no Mafra e Daniel Bragança no Farense, só para pegar nos exemplos mais gritantes). Transversal a isto tudo, e com correlação directa com o que (não) se faz, a mentalidade da maioria dos dinossauros que pululam no clube é aquela que deveria a norma de um clube grande português... em 1970. Quanto ao plantel principal, é difícil saber por onde começar. Não temos um único GR decente para assumir a baliza (e só o Renan serve como alternativa directa a um titular). Temos um lateral (sim, contando com ambos os lados), que é o Ristovski, e que mesmo assim não tem lá muita qualidade para ser titular num Sporting que pretenda chegar ao título. Temos 3 centrais, sendo que um está a chegar ao fim do prazo de validade fisicamente (Mathieu), o outro continua a ter as paragens cerebrais que sempre teve (Ilori) e o outro encaixa pouco nas (supostas) ideias do treinador (Coates). No ataque, temos dois extremos (Raphinha e Nani), temos um outro que pode ser útil em alguns contextos (Diaby) e temos o Dost. Sobra o meio-campo, que é bom mas que não chega para tudo, sobretudo quando tirar o Bruno Fernandes da equipa, neste momento, é quase suicídio. Portanto, sendo optimista, aproveita-se meio plantel. Só falta a outra metade. Sendo que, da metade que se aproveita, poucos são aqueles que estão ao mesmo nível ou num nível distintivo, em relação aos competidores directos (Porto e Benfica). No meio disto tudo, o treinador. Que entrou bem, com ideias positivas e bem definidas, agradou ao grupo e galvanizou os adeptos (até eu me entusiasmei, e eu já não espero quase nada do Sporting). Depois, encontrou o primeiro obstáculo e caiu que nem um castelo de cartas. Abandonou progressivamente todas as suas ideias. A saída de bola invariável pelos centrais, a paciência nas primeiras fases de construção, a circulação pelo corredor central como forma de atrair oposição para depois procurar as costas da linha defensiva adversária ou o espaço para a entrada dos laterais, o posicionamento constante de médios e extremos entre linhas, a reacção imediata à perda da bola, a intenção de pressionar no meio-campo adversário de forma constante e invariável... foi-se tudo. Depois de Guimarães, o bloco baixou, de forma intencional, uns 10 metros no terreno, provavelmente numa tentativa estapafúrdia de tentar conferir maior "equilíbrio" e "consistência defensiva" à equipa. A linha defensiva deixou de jogar praticamente na linha de meio-campo, como fazia nos primeiros jogos. A equipa deixou de reagir à perda com qualidade, e passamos a pressionar, intencionalmente, apenas na zona do círculo central, quando dantes colocávamos 6/7 jogadores no meio-campo adversário, em qualquer situação defensiva, para recuperar a bola. O espaço entre sectores, com e sem bola, cresceu cada vez mais, afectando gravemente a forma como os centrais ligam com o resto da equipa, forçando um dos médios (quando não são mesmo os dois) a baixar para pegar no jogo, dado que o 6 (Gudelj) é incapaz de o fazer, isolando o avançado (que, ainda por cima, está mal fisicamente) entre os centrais adversários, conferindo maior risco às subidas dos laterais (que, consequentemente, deixaram de ir em todos os lances e já vão mais a medo) e, consequentemente, obrigando os extremos a colarem-se mais à linha, porque esse espaço deixa de estar ocupado pelos laterais e porque sentem (e bem) que é aí que mais facilmente poderão ter espaço para receber a bola. Sem bola, a equipa começou por pressionar alto e em bloco, depois baixou o bloco para se tentar organizar um pouco melhor (o que falhou, porque a nossa organização defensiva foi sempre péssima, desde o início) e, já depois do descalabro, voltou-se a subir um pouco a linha média para tentar reagir à perda em zonas mais avançadas, mas mantendo a linha defensiva mais baixa (que estupidez colossal...). Isso, aliado ao cansaço dos interiores e a alguma burrice do Gudelj no que toca a interpretar os momentos em que pode saltar na pressão e tentar jogar na antecipação, levaram a que o Sporting pareça hoje, na transição defensiva, o Benfica do Jesus e da famosa "táctica do buraco"... elevado ao expoente máximo. Estas mudanças radicais de identidade provocaram total desconfiança num balneário que já não estaria muito saudável de início, quer pelo que aconteceu em Maio e as repercussões que se seguiram (com as rescisões e posteriores regressos de alguns jogadores, como o Bruno Fernandes e o Dost), quer pela forma como existe ali uma "disputa de poder" entre o Bruno Fernandes e o Nani (algo que o Peseiro fez questão de instigar, como belo forcado que é), que só não é mais notória agora em campo porque o Nani está lesionado; quer pelo estatuto de alguns jogadores, que deixaram claramente de acreditar no trabalho feito mal o treinador abdicou disso à primeira contrariedade. O futebol praticado baixou de qualidade, os resultados deixaram de aparecer, a confiança dos jogadores foi-se esvaziando até atingir o ponto actual, o treinador deixou de ter confiança para trocar os jogadores que lhe tinham dado sucessos nos primeiros jogos pelas respectivas alternativas no plantel... é tudo uma bola de neve já muitas (demasiadas) vezes vista por Alvalade. Portanto, é um pouco por todas estas razões que se torna difícil definir por onde deve o Sporting começar a mexer. Porque o problema está... em todo o lado. Isto já nem se muda, significativamente, num mandato de uma direcção. Precisam até de mais tempo do que isso. Esta direcção ou qualquer outra. Tempo que, deixem-me já dizer, não vão ter. E cada vez se torna mais difícil sair deste ciclo vicioso. P.S: agora só volto a fazer um destes em 2020. 10 1 Compartilhar este post Link para o post
Black Hawk Publicado 15 Fevereiro 2019 (editado) Só para dizer que se mais alguma alminha tiver coragem para chegar ao pé de mim a perguntar se tive conhecimento do alerta amarelo, vou-lhe ao focinho de tal forma que nem a maezinha o há de reconhecer Editado 15 Fevereiro 2019 por Black Hawk Compartilhar este post Link para o post
JonasThern Publicado 15 Fevereiro 2019 Poeira, acabaste de descrever aquele clube que muitos de nós gostam de pegar no FM. Aquele histórico, que anda adormecido e que necessita da nossa intervenção para voltar a ser o que era. Compartilhar este post Link para o post
Jardel_ Publicado 16 Fevereiro 2019 Citação de Hammerfall, Em 14/02/2019 at 22:27: Tu só apareces nestas alturas também. Pá eu sei que querias ver a malta a jogar bem a bola, no teu clube isso está escasso. Vai-te contentando com o LAGEBALL. Eu vou não te preocupes. Lageball esse que te deu duas vezes seguidas na boca sem ter pena de vós e que perdeu contra os que "está escasso" jogar bem à bola. Enquanto os jogos se decidirem por penaltis lá vão ganhar umas tacitas. Ah, e bom jogo amanhã na luta pela permanência no 4° lugar. Os que está escasso jogar à bola continuarão a lutar pelo título com o Benfica e o Braga. Só acho piada que há uns tempos metia nojo cá vir porque era KEIZERBALL em tudo o que era tópico e quem dizia que não via nada do outro mundo era atacado e agora não vejo isso em lado nenhum. Compartilhar este post Link para o post
AndreSCP7 Publicado 17 Fevereiro 2019 Citação de Poeira, Em 15/02/2019 at 15:58: Menos vinte. Vou parafrasear o meu amigo @AndreSCP7, que ele gosta do termo que vou usar a seguir, e dizer que o Sporting é a associação mais autofágica que alguma vez vi. Neste momento, é um clube que tem a sua massa adepta completamente fracturada e dividida, em vários grupos. Que tem as claques em guerra +/- aberta com a direcção, pela falta de apoios financeiros (foram cortados). Que tem uma grande falange de adeptos, principalmente mais jovens, dinâmicos e activos na vida do clube, completamente contra tudo o que esta direcção (e, arrisco dizer, qualquer outra que não tenha o Bruno de Carvalho como presidente) faça, seja qual for o sucesso ou insucesso dessa acção. Que tem uma direcção inexperiente e que, apesar de me parecer ter boa vontade e algumas boas ideias (principalmente na área financeira), abana que nem varas verdes com qualquer obstáculo que surja no caminho. Que tem a pairar sobre si o fantasma de um presidente que levou o clube a tal ponto, que para nos livrarmos desta maldição e de resquícios da sua presença, vamos precisar de anos e anos e mais anos. Que viveu em Maio talvez o pior momento da sua história, e que sofreu depois a humilhação expectável na imprensa e a nível social, consequência desse mesmo momento. Que tem a tal massa adepta, para além de fracturada e dividida, a ter de suportar isto tudo há umas duas décadas (para não dizer mais), o que provoca a impaciência e a irracionalidade a que se assiste no estádio, no dia-a-dia, na comunicação social, nos fóruns e redes sociais... em todo o lado. Já no futebol, é um clube que parou completamente no tempo. A estrutura é amadora e incompetente, e exceptuando meia dúzia de nomes, é difícil dizer se haverá algo mais que se possa aproveitar ao nível da preparação física, da prevenção de lesões, do departamento médico, do scouting e das restantes áreas desportivas directamente ligadas ao futebol. Na formação, há no máximo um par de treinadores para aproveitar, a rede de detecção e captação de talentos degrada-se e é ultrapassada por outros clubes a cada ano que passa, as próprias infra-estruturas já estiveram mais próximas do ideal, a ausência de uma ideia e de um fio condutor faz com que a gestão de centenas de miúdos, muitos deles promissores e com futuro no clube, seja altamente deficiente (não há nenhum clube em Portugal que estrague tanto talento como nós, é surreal), acabou-se com a equipa B (felizmente, parece que há intenções de reverter essa loucura já na próxima época) para se criar uma equipa sub-23 numa competição que não interessa nem ao menino Jesus e que não traz absolutamente nada de bom para os nossos jovens, e a grande maioria dos jovens talentosos que ainda temos para aproveitar no plantel principal estão, ou estagnados nos sub-23, ou emprestados a contextos que não fazem sentido nenhum para eles (se eu me importasse a sério com isto, cortava os pulsos por ver que temos Pedro Ferreira no Mafra e Daniel Bragança no Farense, só para pegar nos exemplos mais gritantes). Transversal a isto tudo, e com correlação directa com o que (não) se faz, a mentalidade da maioria dos dinossauros que pululam no clube é aquela que deveria a norma de um clube grande português... em 1970. Quanto ao plantel principal, é difícil saber por onde começar. Não temos um único GR decente para assumir a baliza (e só o Renan serve como alternativa directa a um titular). Temos um lateral (sim, contando com ambos os lados), que é o Ristovski, e que mesmo assim não tem lá muita qualidade para ser titular num Sporting que pretenda chegar ao título. Temos 3 centrais, sendo que um está a chegar ao fim do prazo de validade fisicamente (Mathieu), o outro continua a ter as paragens cerebrais que sempre teve (Ilori) e o outro encaixa pouco nas (supostas) ideias do treinador (Coates). No ataque, temos dois extremos (Raphinha e Nani), temos um outro que pode ser útil em alguns contextos (Diaby) e temos o Dost. Sobra o meio-campo, que é bom mas que não chega para tudo, sobretudo quando tirar o Bruno Fernandes da equipa, neste momento, é quase suicídio. Portanto, sendo optimista, aproveita-se meio plantel. Só falta a outra metade. Sendo que, da metade que se aproveita, poucos são aqueles que estão ao mesmo nível ou num nível distintivo, em relação aos competidores directos (Porto e Benfica). No meio disto tudo, o treinador. Que entrou bem, com ideias positivas e bem definidas, agradou ao grupo e galvanizou os adeptos (até eu me entusiasmei, e eu já não espero quase nada do Sporting). Depois, encontrou o primeiro obstáculo e caiu que nem um castelo de cartas. Abandonou progressivamente todas as suas ideias. A saída de bola invariável pelos centrais, a paciência nas primeiras fases de construção, a circulação pelo corredor central como forma de atrair oposição para depois procurar as costas da linha defensiva adversária ou o espaço para a entrada dos laterais, o posicionamento constante de médios e extremos entre linhas, a reacção imediata à perda da bola, a intenção de pressionar no meio-campo adversário de forma constante e invariável... foi-se tudo. Depois de Guimarães, o bloco baixou, de forma intencional, uns 10 metros no terreno, provavelmente numa tentativa estapafúrdia de tentar conferir maior "equilíbrio" e "consistência defensiva" à equipa. A linha defensiva deixou de jogar praticamente na linha de meio-campo, como fazia nos primeiros jogos. A equipa deixou de reagir à perda com qualidade, e passamos a pressionar, intencionalmente, apenas na zona do círculo central, quando dantes colocávamos 6/7 jogadores no meio-campo adversário, em qualquer situação defensiva, para recuperar a bola. O espaço entre sectores, com e sem bola, cresceu cada vez mais, afectando gravemente a forma como os centrais ligam com o resto da equipa, forçando um dos médios (quando não são mesmo os dois) a baixar para pegar no jogo, dado que o 6 (Gudelj) é incapaz de o fazer, isolando o avançado (que, ainda por cima, está mal fisicamente) entre os centrais adversários, conferindo maior risco às subidas dos laterais (que, consequentemente, deixaram de ir em todos os lances e já vão mais a medo) e, consequentemente, obrigando os extremos a colarem-se mais à linha, porque esse espaço deixa de estar ocupado pelos laterais e porque sentem (e bem) que é aí que mais facilmente poderão ter espaço para receber a bola. Sem bola, a equipa começou por pressionar alto e em bloco, depois baixou o bloco para se tentar organizar um pouco melhor (o que falhou, porque a nossa organização defensiva foi sempre péssima, desde o início) e, já depois do descalabro, voltou-se a subir um pouco a linha média para tentar reagir à perda em zonas mais avançadas, mas mantendo a linha defensiva mais baixa (que estupidez colossal...). Isso, aliado ao cansaço dos interiores e a alguma burrice do Gudelj no que toca a interpretar os momentos em que pode saltar na pressão e tentar jogar na antecipação, levaram a que o Sporting pareça hoje, na transição defensiva, o Benfica do Jesus e da famosa "táctica do buraco"... elevado ao expoente máximo. Estas mudanças radicais de identidade provocaram total desconfiança num balneário que já não estaria muito saudável de início, quer pelo que aconteceu em Maio e as repercussões que se seguiram (com as rescisões e posteriores regressos de alguns jogadores, como o Bruno Fernandes e o Dost), quer pela forma como existe ali uma "disputa de poder" entre o Bruno Fernandes e o Nani (algo que o Peseiro fez questão de instigar, como belo forcado que é), que só não é mais notória agora em campo porque o Nani está lesionado; quer pelo estatuto de alguns jogadores, que deixaram claramente de acreditar no trabalho feito mal o treinador abdicou disso à primeira contrariedade. O futebol praticado baixou de qualidade, os resultados deixaram de aparecer, a confiança dos jogadores foi-se esvaziando até atingir o ponto actual, o treinador deixou de ter confiança para trocar os jogadores que lhe tinham dado sucessos nos primeiros jogos pelas respectivas alternativas no plantel... é tudo uma bola de neve já muitas (demasiadas) vezes vista por Alvalade. Portanto, é um pouco por todas estas razões que se torna difícil definir por onde deve o Sporting começar a mexer. Porque o problema está... em todo o lado. Isto já nem se muda, significativamente, num mandato de uma direcção. Precisam até de mais tempo do que isso. Esta direcção ou qualquer outra. Tempo que, deixem-me já dizer, não vão ter. E cada vez se torna mais difícil sair deste ciclo vicioso. P.S: agora só volto a fazer um destes em 2020. Sim, é basicamente isto. E essa desmobilização da massa associativa nota-se de forma especialmente clara indo ao estádio, sendo que até na fase em que os adeptos estavam a gostar do Keizer se notava um bocado isso. Eu sinceramente só vejo 2 formas claras de mudar tudo o que disseste: ter um presidente que seja basicamente um 10/10 - ou seja alguém com a capacidade de mover massas e criar expectativa nos adeptos como o melhor BdC, mas que tenha um projecto de alta qualidade para o futebol (eu raramente me lembro de ver neste clube coisas dignas de serem chamadas de "projecto" sequer) e que tenha uma inteligência emocional fantástica também. Ou seja, um Unicórnio. E a outra, que é a que eu sempre rejeitei veementemente em todo o meu tempo de apoio a este clube, que é vender isto a um gajo cheio de papel, tirar o poder de decisão aos sócios e ver se despejam aqui o suficiente para se fazer alguma coisa daqui (se viessem com um projecto à City melhor, claro). O que no fundo é outro Unicórnio, se formos a ver bem... Depois há formas menos claras, mas que podem resultar a curto-médio prazo. Como ter um treinador fantástico o suficiente para disfarçar as insuficiências de quem lidera e o contexto absolutamente caótico que caracteriza este clube. Porque o problema maior, para mim, nem é a situação do clube em si. Essa é mais ou menos contornável - em 2013 estávamos numa situação, no máximo, equivalente e conseguimos ultrapassar mais ou menos a coisa. O problema é que a autofagia deste clube é tão real que não são só as condicionantes da situação do clube a complicar o resto, é mesmo toda a envolvência. Em que há muitos caminhos e facções, mas nenhuma é propriamente boa. Pode ser que nos caia um título do céu num destes anos para eu ir ao Marquês uma vez na minha vida, já nem peço mais, de resto todo o entretenimento que esta casa de malucos provoca terá de me chegar. Desculpem lá o texto absolutamente desconexo, mas são quase 7 da manhã e ainda não fui dormir Compartilhar este post Link para o post