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O “Sarriball” que o Chelsea (e Abramovich) queria está em crise e pode ter o tempo contado

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O “Sarriball” que o Chelsea (e Abramovich) queria está em crise e pode ter o tempo contado

Nos últimos 16 jogos, o Chelsea perdeu seis, incluindo duas goleadas e a eliminação da Taça. O Chelsea queria uma filosofia com base em Maurizio Sarri mas os problemas persistem. Os porquês da crise.

Antonio Conte foi despedido do comando técnico do Chelsea em julho de 2018 depois de falhar a qualificação para a Liga dos Campeões da temporada seguinte, tendo terminado a Premier League na quinta posição. Para o substituir, Roman Abramovich escolheu Maurizio Sarri, outro italiano, que ao serviço do Nápoles tinha acabado de discutir a conquista da Serie A com a Juventus quase até à última jornada. A saída de Sarri dos azzurri, além de criar ondas de choque que afastaram Rui Patrício do clube (Carlo Ancelotti, o substituto, preferiu David Ospina), significava que Abramovich queria criar uma espécie de dinastia no Chelsea: recuperar os tempos de José Mourinho e colocar os blues a jogar à imagem e semelhança do seu treinador.

Tudo correu bem nos primeiros 16 jogos. Maurizio Sarri não perdeu durante 16 partidas e as bancadas de Stamford Bridge pareciam aprovar o italiano de 60 anos que se aventurava pela primeira vez fora de Itália. Nos últimos 16 jogos, porém, o Chelsea leva nove vitórias, um empate e seis derrotas, incluindo resultados pesados fora de portas, como o 4-0 com o Bournemouth ou o 6-0 com o Manchester City, a goleada mais pesada que os blues sofreram em 28 anos. A coluna das vitórias, contudo, também merece escrutínio: dos nove resultados positivos, dois foram com equipas do Championship (o segundo escalão do futebol inglês), em jogos a contar para a Taça de Inglaterra, outro contra o Huddersfield, que está enterrado no último lugar da Premier League, e ainda outro perante o modesto Malmö, para a Liga Europa. A gota de água terá chegado esta segunda-feira, com a derrota em casa com o Manchester United, que ditou a eliminação da Taça — que o Chelsea conquistou na época passada.

Os golos de Ander Herrera e Paul Pogba valeram a vitória dos red devils perante um Chelsea apático, com mais posse de bola mas com apenas dois remates enquadrados durante 90 minutos. A previsibilidade de Maurizio Sarri — o treinador tem sido acusado de realizar sempre as mesmas substituições, sempre à volta do mesmo tempo de jogo e sem nenhuma alteração tática, apenas simples troca por troca — não foi poupada pelas exigentes bancadas do estádio dos blues, que entoaram “tu não sabes o que estás a fazer” quando o técnico italiano decidiu lançar o lateral Davide Zappacosta a oito minutos do final e a perder por dois golos em casa, quando tinha o jovem Callum Hudson-Odoi no banco de suplentes. Muitos dos comentadores televisivos foram rápidos e apressados a garantir que Sarri, tendo em conta o historial de Abramovich, não sobreviveria a esta terça-feira. A verdade é que, até agora, nada se sabe sobre uma eventual saída do treinador. Mas o que é que falhou na aposta do magnata russo?

Tal como Simeone no Atl. Madrid e Guardiola no Manchester City, Sarri chegou a Londres para impor o Sarriball e ressuscitar uma equipa que havia perdido o fôlego do primeiro ano de Antonio Conte. O treinador italiano, com a preferência pelo fato de treino ao invés da camisa e da gravata e o hábito pouco comum de passar os jogos com beatas na boca, para resistir à tentação de fumar, alterou o 3x4x3 de Conte para o seu 4x1x2x3 e depositou em Jorginho, médio que se mudou de Nápoles para Stamford Bridge com ele, grande parte da responsabilidade do jogo de posse, controlo e autoritarismo que tinha sido bem sucedido em Itália. Jorginho, italiano de 27 anos que custou 60 milhões de euros aos cofres do Chelsea, precisou de pouco mais de dois meses de Premier League para bater o recorde de passes bem executados num só jogo (completou 180 contra o West Ham em outubro): mas a chegada e indiscutível titularidade do médio tem tido mais pontos negativos do que positivos.

Sarri não abdica de Jorginho no eixo do meio-campo dos blues, enquanto maestro criativo de transições que não têm funcionado, e para isso desposicionou N’Golo Kanté para tarefas mais relacionadas com o corredor e de menor entrosamento com a defesa, perdendo a ponte entre o setor mais recuado e o intermédio. Kanté, francês que a par de Eden Hazard foi nas últimas duas temporadas um dos melhores jogadores do Chelsea, tem estado em claro subrendimento e deixou de ter a influência que sempre teve nas equipas montadas por Antonio Conte. A recusa de Maurizio Sarri em mudar táticas, organizações e até elementos, com Kanté a servir como todo-o-terreno que joga mais à esquerda ou mais à direita mas nunca ao meio, para deixar espaço para Jorginho, tem deixado os adeptos do Chelsea descontentes. Mas há mais.

Quando chegou a Londres, o treinador tinha no plantel dois avançados de raiz: um, acabado de conquistar o Mundial da Rússia com a seleção francesa; outro, um internacional espanhol que já jogou finais da Liga dos Campeões tanto ao serviço da Juventus como do Real Madrid. Com Olivier Giroud e Álvaro Morata à disposição, Maurizio Sarri preferiu apostar em Hazard enquanto falso ‘9’ e colocar o belga como elemento mais ofensivo da equipa. Morata saiu para o Atl. Madrid em janeiro, Giroud não é titular desde dezembro e o Chelsea decidiu conseguiu finalmente contratar Gonzalo Higuaín, numa transferência há muito aguardada e há muito arrastada. O avançado argentino estreou-se com dois golos frente ao Huddersfield mas rapidamente caiu no vácuo sem ideias onde a restante equipa está atualmente enterrada — desapareceu totalmente na derrocada no Etihad com o City, não jogou contra o Malmö e pouco ou nada fez na derrota frente ao Manchester United. Com o meio-campo assente em Jorginho e o ataque praticamente entregue a Hazard, seria de esperar que Sarri não abdicasse também do belga. Mas não é bem assim.

Noutra afirmação que muito desagrado trouxe à massa associativa do Chelsea, o treinador italiano disse nos últimos dias do mercado de inverno que Hazard deveria deixar o clube “se quisesse”. “A situação do Eden é diferente. O Eden tem 28 anos. Se ele quer ir, acho que tem de ir. Claro que espero o contrário, espero que queira ficar aqui. Tem o potencial para ser o melhor a jogar na Europa neste momento”, disse Sarri quando questionado numa conferência de imprensa sobre a eventual saída do médio para o Real Madrid, uma transferência que há muito faz capas de jornal em Espanha e Inglaterra. Hazard não saiu e caiu entretanto para uma posição mais junto ao corredor, abrindo espaço para a integração de Higuaín na equipa, continuando a ser a esperança dos adeptos quando tudo corre mal — algo que se tem tornado cada vez mais habitual. O Sarriball está a falhar mas nem tudo é culpa do homem que lhe deu nome.

Olhando para os factos de forma mais institucional, a verdade é que Roman Abramovich contratou Maurizio Sarri para criar uma dinastia semelhante àquela que Simeone vai deixar no Atl. Madrid e à que Guardiola vai cada vez mais enraizando no Manchester City mas não lhe deu as ferramentas de que o argentino e o espanhol usufruem nas respetivas equipas. Quando os citizens decidiram assentar a equipa numa filosofia e fundar o estilo que hoje em dia é a imagem espelhada do treinador, contrataram igualmente Ferran Soriano e Txiki Begiristain, duas pessoas com quem Guardiola já havia trabalhado no Barcelona e em quem confiava, para serem respetivamente CEO e diretor para o futebol. A dupla preparou terreno, construiu uma nova fórmula de treino e contratou os jogadores certos para o modelo do técnico. O Chelsea quis em toda a linha tirar a papel químico aquilo que o Manchester City fez em 2016 com Pep Guardiola: mas esqueceu-se da primeira fase da transição e preocupou-se apenas com a entrada desta em prática.

O Chelsea está atualmente na sexta posição da Premier League, em igualdade pontual com o Arsenal, a 15 pontos do líder Liverpool e afastado dos lugares que dão acesso à Liga dos Campeões. No próximo domingo, os blues voltam a enfrentar o Manchester City numa das primeiras decisões da temporada e discutem com a equipa de Bernardo Silva a conquista da Taça da Liga. Maurizio Sarri sobreviveu à goleada frente ao Bournemouth, à goleada no Etihad e à eliminação da Taça de Inglaterra. Mas dificilmente resistirá a uma derrota por números expressivos na final de uma competição interna.

Observador

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Tenham juízo. Despedir sarri seria um erro apocalíptico.

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Citação de Lebohang, há 6 minutos:

Jorge Jesus já deve estar a estudar a lei fiscal inglesa para emigrantes.

Jorge Jesus seria um argumento forte para o Remain. 

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Parece-me um erro. Tal como o Liverpool e o City fizeram, o Chelsea devia ter tido alguma paciência. O Sarri começou bem e mostrou muita competência em Itália. Esperava-se mais, portanto, percebo a decisão, mas não concordo.

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Tal como disse há umas semanas, seria só parvoíce. Mas não digo que não vá acabar por acontecer. Até porque a personalidade do Sarri é mais propícia a um extremar de posições, que levem ao despedimento. Enquanto que o Guardiola e o Klopp estabelecem uma relação próxima com a imprensa e os adeptos mais facilmente, o Sarri não é propriamente a pessoa mais bem encarada ou com o feitio mais fácil do mundo. E acredito que o mesmo esteja a acontecer com o próprio balneário, dado que os resultados não têm aparecido, os jogadores não parecem confiar totalmente nas suas ideias e a qualidade de jogo, obviamente, tem-se ressentido.

Sinceramente, acho que vai mesmo ser despedido. Está praticamente toda a gente contra ele. E não considero que isso belisque, em nada, o valor que tem enquanto treinador.

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Citação de Lebohang, há 3 horas:

Jorge Jesus escreve "Remain" mas lê "Remei"

🤯 Da fuck you talk 'bout?

Eu estava a achar que o Che estava a fazer uma referência ao Roman, mas já devia saber melhor do que tentar acompanhar a pedalada dele. 😅

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Citação de John Reverend, há 2 minutos:

🤯 Da fuck you talk 'bout?

Velha piada da net dos tempos do Jorge Jesus no Benfica.

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O Jorge Jesus é contratado pelo Manchester. Chegado a Inglaterra vai ao supermercado e para praticar escreve em Inglês a lista das compras:

- Pay She;

- Mac Caron;

- My on easy;

- All face;

- Car need boy (may you kill);

- Spare get;

- Her villas;

- Ok Joe (parm soon);

- Cow view floor;

- Pee men too;

- Better rub;

- Bear in gel;

Regressando a casa bate com a mão na testa e diz: "Food ace! Is key see me do too mate! Put a keep are you!"

 

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Tenho poucas dúvidas...deve acabar a ser despedido.
A qualidade dele é inegável mas a mensagem já não deve estar a chegar aos jogadores. E quando assim é, até podes ser o Guardiola.
Se bem que acredito que o problema do Chelsea seja outra. A verdade é que passam treinadores e a mensagem nunca chega aos jogadores.

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O precoce e inesperado definhar de “Sarri-ball”

Chegou ao Chelsea com a promessa de um futebol de posse atrativo, rápido e vistoso, o mesmo que tinha mostrado em Nápoles nas três épocas anteriores. E se o arranque foi bom, 2019 tem sido um pesadelo para Maurizio Sarri, o homem que se estreou na divisão principal de Itália já com quase 60 anos e trouxe um novo estilo, com nome e tudo. O problema é que em Inglaterra o "Sarri-ball" parece não estar a funcionar e o ex-bancário está na porta de saída.

Ele era um bancário, com ar de bancário, dos sérios, que é como quem diz aquele ar de pessoa pragmática e confiável, a quem podemos entregar as nossas economias sem perder o sono à noite.

Mas no meio das contas-ordenado, dos depósitos e das taxas de juro, Maurizio Sarri tinha outro sonho: ser treinador de futebol a tempo inteiro, deixar de ir de manhã para o Monte dei Paschi di Siena de Florença e só pensar nas táticas à noite para passar a pensar nelas a toda a hora.

Só aos 40 anos Sarri conseguiu trocar o banco pelo banco de suplentes, os números da Euribor pelas estatísticas de remates, cruzamentos e quejandos. Rapou o tacho às divisões inferiores italianas até chegarem as primeiras oportunidades na Serie B, que só agarrou verdadeiramente com o convite do Empoli, já então um senhor de 53 anos.

À segunda época subiu à Serie A, à terceira manteve-se entre os grandes e à quarta já não ficou para ver, porque o Nápoles, enamorado daquele futebol de ataque, foi buscá-lo para substituir Rafa Benítez, para desconfiança de muitos, Dios incluído. “É boa pessoa, mas não é suficiente para o Nápoles”, disse Maradona na primavera de 2015, quando Sarri foi apresentado no San Paolo, estádio da equipa da cidade que o viu nascer em 1959.

Maradona é cabeça dura, mas até nisto foi obrigado a retratar-se. E fê-lo porque com Sarri o Nápoles voltou a lutar pelo título com o crónico campeão Juventus. Em três épocas, foi 2.º, 3.º e novamente 2.º, com um futebol que encantou meia Europa, cheio de golo, fluido, feito de passes curtos e rápidos, assassinos na hora de contra-atacar, mas também com ordem na defesa: o “Sarri-ball”, como foi cunhado, como marca registada para aquilo que os adeptos adoram.

O “Sarri-ball”, colocado em prática por um plantel onde, principalmente depois da saída de Higuaín, não havia estrelas, mas sim operários fiáveis e apaixonados, um pouco como o bancário Sarri, fez escola. A Europa conheceu a destreza de Koulibaly na defesa, de Jorginho a comandar as tropas a meio-campo e confirmou o faro de golo de Mertens, extremo-feito-falso-nove, que rapidamente fez esquecer a traição que foi ver Higuaín partir para a Juventus.

E, de repente, já havia gigantes europeus interessados naquele senhor de quase 60 anos (fê-los em janeiro), no seu atrativo futebol que parecia cair como uma luva na voragem da Premier League. O Chelsea, cansado de um compatriota seu, bem teve de lutar para o ter: Antonio Conte não facilitou a saída, esta aconteceu já na pré-temporada e quando Sarri chegou já o comboio ia a caminho.

Consigo de Nápoles trouxe Jorginho, o brasileiro que joga pela seleção de Itália, que serviria de maestro do meio-campo, essencial para que Sarri colocasse ali em marcha o plano de passar do 3-4-3 de Conte para o seu 4-3-3.

E tudo começou bem, muito bem, com futebol bonito e 18 jogos seguidos sem perder. Mas, de repente, chegamos a 2019 e o “Sarri-ball” desmoronou-se: num estalar de dedos, Sarri passou de Messias a um quase condenado, com as bancadas de Stamford Bridge contra si, a mandar o seu “Sarri-ball” para sítios feios, tão feios que não podemos sequer descrevê-los aqui.

ESCALAR E CAIR, A GRANDE VELOCIDADE

Depois de um arranque auspicioso, em que o novo Chelsea esteve sempre entre os primeiros da Premier League, a lutar com Liverpool e Manchester City pela liderança, aconteceu 2019. E desde o início do ano que o Chelsea veio por aí abaixo. Em 12 jogos em todas as competições, os londrinos perderam cinco vezes e, mais do que perder, o que está agora em causa, ou melhor, aquilo que coloca Sarri e a sua filosofia em causa, é a magnitude das derrotas.

A última aconteceu na segunda-feira, 2-0 frente ao Manchester United, nos oitavos-de-final da Taça de Inglaterra, que fez os adeptos perderem definitivamente a paciência com o “Sarri-ball”. Antes do Manchester United, uma vitória assética frente ao Malmö na Liga Europa (2-1) e ainda antes o maior vexame em 28 anos para o Chelsea: derrota por 6-0 em casa do Manchester City para o campeonato, que se juntou a outra não menos humilhante, o 4-0 frente ao Bournemouth, também para a Premier League.

E como é que, de repente, o Chelsea passa de ser uma equipa candidata ao título, de futebol rápido e atraente, para uma equipa que sofre 10 golos em apenas dois jogos? A chave parece estar na rapidez com que na Premier League se descobriu o segredo de Sarri. Porque eles descobrem-se sempre, mas quase nunca em seis meses.

O inventivo 3-4-3 de Antonio Conte, por exemplo, deixou marca na primeira época do italiano, que acabou em título. Na temporada seguinte a novidade acabou e os resultados foram pífios. Com Sarri, os rivais perceberam com facilidade que a chave talvez estivesse em secar Jorginho, o jogador-fetiche do italiano, o rei do pass accuracy – Ole Gunnar Solskjaer, por exemplo, no jogo com o Man. United, colocou Mata como cão-de-fila do médio e o que se viu foi uma equipa com bola, mas sem saber o que fazer com ela.

E essa tem sido a imagem de marca do Chelsea desde o início do ano.

Outros dos segredos para a queda foi auto-infligido: ao colocar N’Golo Kanté, talvez o melhor médio defensivo do Mundo, a jogar fora de posição para dar protagonismo a Jorginho, Sarri anulou, bem, isso mesmo: a oportunidade de ter a jogar para a equipa o melhor médio defensivo do Mundo. Se o Chelsea de Conte se podia dar ao luxo de jogar em 3-4-3 era porque tinha um bulldog à frente dos centrais.

Entre os adeptos também não faltam críticas àquilo que parece ser a casmurrice do treinador, que não abdica do seu sistema, da sua ideia, mesmo quando tudo parece estar a correr mal. As substituições são quase sempre as mesmas e Sarri também não parece ter grande vontade de mudar. Até porque, diz o italiano, isto que o Chelsea está a jogar não é o seu futebol, é outra coisa qualquer. “No início da temporada, a minha ideia funcionou. Agora o que precisamos de perceber são as razões para que, neste momento, ela não esteja a funcionar. O meu objetivo é jogar o meu futebol, não mudar para outro futebol. E neste momento nós estamos a jogar outro futebol”, disse após a derrota frente ao City.

O afastamento da Taça de Inglaterra na segunda-feira veio tornar essa janela de tempo para perceber o que está mal mais curta: a final da Taça da Liga inglesa, no domingo, frente ao City, de novo o City, poderá ser o limite para o Chelsea versão Sarri, que esta quinta-feira tem ainda de garantir um lugar nos oitavos-de-final da Liga Europa frente ao Malmö.

Sem líder, sem projeto

Em Inglaterra não falta quem se questione se o processo revolucionário que esteve em curso e agora parece moribundo de implementação do “Sarri-ball” vai definhando por inadaptação dos jogadores às ideias ou, simplesmente, porque estes não estão para aí virados.

O certo é que para Sarri há muitos elogios do plantel. Depois da derrota histórica frente ao City por 6-0, Pedro garantiu que os jogadores estão com a filosofia do treinador. “Todos seguimos a ideia do Maurizio. Às vezes é difícil jogar desta forma, mas eu prefiro jogar assim, a pressionar, do que estar 90 minutos à espera da bola e depois correr 60 metros e marcar”.

Até Eden Hazard, que anda há várias temporadas às turras com o Chelsea à conta de um desejo antigo de jogar no Real Madrid, não tem dúvidas que Sarri é o treinador que lhe convém. “Todos os treinadores me deram coisas boas. Mourinho era especial, mas a maneira como o Rudi Garcia e o Sarri jogam tem mais que ver com a forma como olho para o futebol”, disse o belga numa entrevista ao site dos londrinos.

Do outro lado do Canal da Mancha fala-se também do apoio que Sarri não tem ou não teve e que talvez nunca virá a ter. Para lá de ter chegado a Londres já com a pré-época a rolar, o treinador italiano tem de lidar com um dono ausente: depois de ter tido problemas com o visto de residente no verão passado, Roman Abramovich parece ter-se desinteressado do clube que comprou em 2003 e esta temporada ainda não assistiu sequer a um jogo do Chelsea.

“Se o presidente me ligasse ficava feliz. Isto tendo em conta que nunca sei nada dele”, disse Sarri após a derrota em Manchester quando questionado se temia receber guia de marcha de Abramovich.

Numa recente crónica no “The Guardian”, o colunista Jonathan Wilson lembra também que a Sarri falta aquilo que, por exemplo, Pep Guardiola teve no City: um líder, um projeto e, coisa que também é importante, tempo.

“Um projeto desta natureza requer fé”, escreve o repórter desportivo. “Se a ideia é transformar um clube através de uma filosofia, tens de estar seguro dos seus méritos. E tens de estar comprometido. E mesmo que haja questões sobre os métodos de Sarri, o certo é que o Chelsea não o fez. Quando o City decidiu fundar a sua república guardiolista, contratou Ferran Soriano e Txiki Begiristain, duas pessoas em quem Guardiola confia e conhece, para CEO e diretor para o futebol. Estes prepararam o caminho, construíram um novo centro de treinos e contrataram jogadores que se adaptavam ao modelo de Guardiola”, escreve, apelidando a tentativa do Chelsea implementar o Sarrismo de “meia cozinhada”.

Já Sarri continua a acreditar que é possível fazer as pazes com a sua filosofia e com os adeptos fartos. "É fácil: precisamos de ganhar três ou quatro jogos seguidos". A seguir à derrota de segunda-feira com o United, no seu estilo sereno e impassível, não se mostrou pressionado. "Se estou preocupado com o meu lugar? Preocupava-me muito quando treinava na Serie C em Itália. Agora não".

Expresso

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Citação de jmopborba, Em 20/02/2019 at 00:34:

Tenho poucas dúvidas...deve acabar a ser despedido.
A qualidade dele é inegável mas a mensagem já não deve estar a chegar aos jogadores. E quando assim é, até podes ser o Guardiola.
Se bem que acredito que o problema do Chelsea seja outra. A verdade é que passam treinadores e a mensagem nunca chega aos jogadores.

O problema do Chelsea é um, falta de projecto, é um clube que funciona no curto prazo, porém, a sua capacidade financeira para comprar os melhores jogadores e melhores treinadores do mundo tapa isso, das primeiras coisas que eu e secalhar muita gente pensou após o Sarri ser anunciado no Chelsea foi "Se algo corre mal, já foste!" .

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Maior vergonha que anda por aí, mandava metade da equipa embora e era pouco, a começar pelo Hazard e pelo Willian e agora com esta interdição para contratar jogadores coitado do homem...

Que vá para o Milan levantar de vez aquilo.

 

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