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Vinte anos da estreia de Messi, quando um extraterrestre aterrou na inauguração do Dragão e “levou umas porradas para dar jogador”

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Vinte anos da estreia de Messi, quando um extraterrestre aterrou na inauguração do Dragão e “levou umas porradas para dar jogador”

A 16 de novembro de 2003, a nova casa do FC Porto foi inaugurada com o Barcelona como convidado. Luís de Matos abrilhantou a noite com truques de magia, arte que já era mostrada por um argentino de 16 anos cujas fintas pareciam só travadas por Ricardo Carvalho. A Tribuna Expresso puxou pela memória — nem sempre afinada — dos protagonistas da noite em que Leo debutou pelos catalães.

“Onde estavas quando [inserir momento histórico importante]?” Toda a gente sabe onde se encontrava e o que fazia aquando dos grandes acontecimentos da humanidade: na chegada à lua, no 25 de Abril, na queda do Muro de Berlim, no 11 de setembro, quando Batatinha e Companhia andaram à pancada, no golo de Éder.

Incomum será ter estado presente num dia em que se começou a escrever uma das mais gloriosas narrativas do desporto e garantir que lá não se esteve. Dia 16 de novembro de 2003, Porto. Inauguração do Estádio do Dragão, estreia de Lionel Messi na equipa principal do Barcelona.

Quando a Tribuna Expresso pega no telefone e pergunta a Edgaras Jankauskas, o lituano mais português do futebol, se podemos conversar sobre aquela noite, o agora selecionador do país do Báltico dá uma resposta inesperada. “Pedro, eu já não estava no FC Porto nessa altura”. Respondemos com a ficha do jogo, no qual o então avançado entrou no segundo tempo, e estávamos prontos para enviar um vídeo da partida em que aparece o corpulento camisola n.º 9 da equipa de José Mourinho.

“Não me lembro desse jogo, ahaha”, diz o sempre simpático Jankauskas. “Ele é mais velho, por isso é que não tem memória”, graceça Bruno Moraes, titular na partida, quando lhe contamos que o homem que o substituiu no segundo tempo não se recorda do encontro.

Naquela noite, a inauguração do Estádio do Dragão era o facto histórico que os presentes sabiam que contariam a filhos e netos. Mas “ninguém imaginava que estivesse ali a estreia de um craque que ganharia oito bolas de ouro”, assume Paulo Machado, que entrou na segunda parte. Um acontecimento histórico inesperado dentro de outro mais previsível.

O FC Porto-Barcelona, amigável em período de pausa para seleções agendado para estrear o recinto, estava nos 75', com o 2-0 que seria final no marcador, quando se viu na linha lateral um menino de 16 anos pronto para entrar. Franzino e de cabelo quase a tapar os olhos, tinha o 14 de Cruijff nas costas, ainda que Johan nos culés tenha usado quase sempre a 9.

“É o tal canhoto que na Catalunha dizem que faz lembrar Maradona”, comentou Rui Cerqueira, narrador do jogo na RTP. Pelos megafones do estádio ouviu-se: “Alteração no Barcelona: saída de Fernando para a entrada de Messi”. E, assim, os mais de 50.000 presentes — ainda que alguns nem se recordem — testemunharam um momento eterno, a primeira vez do pibe de Rosario com a equipa principal dos blaugrana.

Em noite de gala, o prólogo do jogo foi de magia, como se o universo já soubesse que algures naquele estádio estava um pé esquerdo imortal capaz de desafiar o impossível. Depois de 150 figurantes terem descido, fazendo rapel, do topo do estádio para o relvado, e do “Filhos do Dragão”, tão ligado à chuva de êxitos daquele FC Porto de Mourinho, ter sido cantado em uníssono, Luís de Matos entrou em ação.

Chegou de helicóptero, aterrando como se vindo de outro planeta. Umas duas horas depois, também chegaria ao relvado um extra-terrestre, um talento de outra dimensão. Após aquele amigável, Messi embarcaria para uma viagem impensável, uma epopeia de 778 jogos, 672 golos e 34 títulos pelo Barça.

O ADOLESCENTE PAULO MACHADO QUE CUMPRIU AS ORDENS DE DECO E JORGE COSTA

Ao ser um embate amigável, em plena pausa de seleções, as equipas apresentaram-se com um misto de titulares e suplentes. Por exemplo, Deco, o grande mago do momento, não jogou, mas teve autorização da seleção nacional para estar na cerimónia, mesmo não se equipando. Do outro lado, Ronaldinho Gaúcho, que juntamente com Deco seria “padrinho” de Leo, estava ao serviço do Brasil, por exemplo.

A ficha de jogo (via ZeroZero), não isenta de erros

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Num pré-jogo em que também se ouviu Pedro Burmester ao piano, Luís de Matos tinha um truque na manga. Durante toda a cerimónia de inauguração, cheia de luzes e espelhos, havia um palco no centro do relvado. Debaixo dele, escondida, estava a equipa de José Mourinho, uma coleção de craques já vencedora da Taça UEFA e a meses de erguer a Liga dos Campeões.

A dado momento, com as luzes do estádio apagadas, os futebolistas subiram por uma espécie de alçapão, a iluminação regressou e, voilà, eis os jogadores ali, no relvado, como se tivessem aparecido por artes ocultas.

A magia entusiasmou todos mas, para um jovem de 17 anos, a cerimónia foi passada a cumprir tarefas. Paulo Machado, que não ainda se estreara pela equipa principal do seu clube do coração, foi um dos jovens chamados por Mourinho para o serão histórico.

Ora, conta à Tribuna Expresso o ex-internacional português e campeão grego e croata, havia uma pequena televisão debaixo do palco, no local onde se esconderam os jogadores, para que estes fossem seguindo a cerimónia. No entanto, o aparelho não funcionava e as feras daquele balneário puxaram pelo miúdo.

“O Jorge Costa e o Deco mandaram-me meter o dedo na antena e a televisão, assim, funcionava, desligando-se quando eu tirava o dedo. Eu garanti-lhes que não ia ficar ali a noite toda, mas eles diziam que eu tinha uma energia positiva que fazia aquilo ligar-se. Então tive de ficar com o dedo na antena durante uma hora e tal, enquanto estávamos ali debaixo, para que eles vissem a festa”, relata, bem-disposto, o médio.

Nos dias antes do jogo “sentia-se a ansiedade e envolvência em torno da ocasião”, lembra Tiago, dono de uma carreira com 282 partidas na I Liga e 260 no 2.º escalão. Havia “expectativa e responsabilidade”, descreve Bruno Moraes, então com 19 anos e vivendo os primeiros meses em Portugal depois ser descoberto pelo FC Porto no Brasil. “Não se falava de nada mais no Porto”, garante Paulo Machado, que teve “o bairro do Cerco em peso nas bancadas” para assistir ao jogo que lhe provocou “lágrimas e tudo”.

OPERAÇÃO TRIUNFO E LEO

Terminadas as cerimónias, chegou o encontro. Derlei, o ‘ninja’, foi o mais insistente no primeiro tempo. Semanas depois, lesionar-se-ia com gravidade em Alverca e, apesar de ter apontado o histórico golo na Corunha ou de ter rendido a bom nível no Sporting, nunca regressaria à sua melhor versão.

Jorge Costa evitou um remate perigoso no primeiro tempo, Maniche acertou na barra, mas o nulo ia-se mantendo. Nas bancadas, João Loureiro fumava charuto perto de Pinto da Costa. Os dois presidentes dos principais clubes do Porto tinham, duas semanas antes, protagonizado um encontro que foi uma espécie de acordo de paz entre ambos.

A transmissão da RTP empenhou-se em passar, em rodapé, uma mensagem. “Grande gala da Operação Triunfo. As grandes canções de todos os tempos, dos Beatles a Michael Jackson, de Amália Rodrigues a Elis Regina”.

De rajada, aos 55' e 68', surgiram os dois golos do duelo. Primeiro foi Derlei — era sempre ele naquele tempo — a apontar o 1-0, de penálti. Depois apareceu Hugo Almeida, então projeto de panzer de fabrico nacional, 1,91 metros de ponta-de-lança num país ainda pouco habituado a dianteiros fortes e altos. Cruzamento de Maniche, cabeçada do jovem de Buarcos.

Até que, aos 75', chegou a substituição que faria da história do Barcelona um relato dividido em dois. A.M e d.M.. Antes de Messi e depois de Messi.

O primeiro toque na bola, visto em 2003, foi como um prenúncio do futuro, uma porta para viajar no tempo, um aviso honesto. Recebeu na meia-direita, acelerou como se as pernas tivessem caixa de velocidades, saiu da marcação, só foi travado em falta por Pedro Mendes.

Assistir a isto é anormalmente familiar, só que, na inauguração do Dragão, estamos perante um adolescente que até para os padrões de um rapaz de 16 anos era franzino. Toda a fragilidade que a primeira vista denunciava era esquecida ao ver a bola nos pés.

Uns três anos antes, Leo tinha 13 e acabava de chegar à Catalunha. Num dos primeiros treinos, havia um exercício de um contra um e o treinador da equipa colocou Cesc Fàbregas (sim, esse) em parelha com o argentino para disputarem o tal duelo. O técnico disse, baixinho, ao futuro campeão do mundo que este “tinha de dar-lhe forte” e Cesc pensou para si mesmo: “Ele é tão pequenino, não deve ser nada de especial, vou com calma”.

Messi começou a conduzir a bola supersonicamente, encarando Fàbregas. Subitamente, driblou Cesc, que caiu ao chão, atónito. “O que é isto que contratámos?”, pensou o catalão.

Poderá ter acontecido algo semelhante com alguns jogadores do FC Porto a 16 de novembro de 2003. “Mal ele entrou, lembro-me que numa jogada fintou logo seis ou sete. Imagine-se, um miúdo de 16 anos a entortar seis ou sete de uma equipa com o FC Porto”, lembra Paulo Machado sobre “o fenómeno”.

A jogada em questão será a segunda que Leo protagoniza na partida. Saiu de um grupo de jogadores e só foi travado por Ricardo Carvalho, que por aqueles anos era o patrão silencioso das defesas europeias. A contenda entre o argentino e o português repetir-se-ia nos anos seguintes, fosse nos Barça-Chelsea ou nos Barça-Real, sempre com Mourinho do lado de Carvalho.

Em três ocasiões daqueles minutos só Carvalho parou Messi, fosse em jogadas individuais ou evitando que Luis Enrique o isolasse. Em todas elas o central saiu a jogar, de cabeça levantada e elegante, qual Beckenbauer de Amarante, um dos melhores defesas do começo do século no auge do seu futebol imponentemente suave.

Um dos parceiros de ataque de Messi no ocaso do desafio, Oriol Riera, sofre do síndrome Jankauskas. Com simpatia, o já retirado ponta-de-lança, ex-Osasuna, Celta de Vigo ou Wigan, diz que “não tem lembranças” daquele dia.

“Vamos ver se daqui a uns anos este jogador aparece”, ouviu-se a dado momento na transmissão da RTP. Tiago sofreu logo com Leo, que o superou numa ocasião com uma finta de corpo e, noutra, foi parado em falta pelo português.

Tiago, logo ali, apercebeu-se do extra-terrestre que descera ao nosso planeta e, ironicamente, puxa a si mérito do que viria. “Tinha uma personalidade para assumir o jogo fantástica. Costumo dizer que o Messi só chegou a melhor do mundo porque a estreia foi contra mim, levou umas porradas para dar jogador. Não é para qualquer um, com aquela idade, querer a bola e criar desequilíbrios”.

Não só o argentino sentiu que para Tiago “não havia amigáveis”. Ao longo do desafio, o jogador do FC Porto e Luis Enrique, outro animal competitivo, foram trocando carícias em forma de faltas, ao ponto de o árbitro, Martins dos Santos, ter pedido calma a ambos. O atual técnico do PSG terminou a noite visivelmente chateado com o português, levando mesmo ao humor de José Mourinho.

O técnico, que trabalhara com Enrique quando era adjunto do Barcelona, entrou no corredor dos balneários após o apito final e gritou: “Oh Tiago, o Luis Enrique está aqui e quer trocar de camisola contigo”, lembra o então jogador dos dragões, como se a dupla tivesse feito amizade no relvado.

Paulo Machado, um dos meninos daquele FC Porto, lembra a boa relação com José Mourinho, forjada porque o ainda júnior chegava cedo aos treinos, porque, ao não ter carta, ia à boleia dos roupeiros. Quando Machado aparecia, já o técnico estava sentado a ler os jornais do dia. E, assim, quando Mou lhe disse que iria jogar 20 minutos, o portuense protestou “oh mister, só?”. O atrevimento teve prémio, porque Paulo foi o miúdo que mais tempo jogou nos azuis e brancos, entrando antes do que Vierinha ou Hélder Barbosa.

ACORDO ENTRE LUÍS DE MATOS E MESSI

Os minutos finais do FC Porto-Barcelona foram marcados pelo mau estado do relvado. Os problemas levaram a que aquela noite não marcasse um corte definitivo com as Antas, que ainda seria palco dos jogos contra Boavista, uma semana depois, Partizan (26 de novembro), Gil Vicente (30 de novembro), Beira-Mar (14 de dezembro), Maia (17 de dezembro), Rio Ave (5 de janeiro), Vilafranquense (21 de janeiro) e Estrela da Amadora (24 de janeiro). Já em fevereiro, a receção à União de Leiria seria o arranque definitivo do Dragão como casa do FC Porto.

Com Luis Enrique e Tiago sempre às turras e Martins dos Santos a escorregar devido ao mau estado do terreno, a propaganda à “Operação Triunfo” não parava.

Perto dos 90', o Barcelona teve um livre à entrada da área, descaído sobre a direita. Sim, na zona Messi, pensamos nós em 2023. Ainda assim não era em 2003 e Óscar López, atual técnico dos sub-19 culés, estatelou a bola na barreira.

Entre simulações de corpo, um par de correrias com bola e um golo tirado por Nuno Espírito Santo após passe de Luis Enrique, com o qual ganharia o triplete em 2014/15, Messi teve, também em cima do apito final, uma grande oportunidade para o 2-1. Astuto, roubou a bola ao guardião do FC Porto dentro da área. Parecia em boa posição para atirar para a baliza deserta, mas preferiu tentar assistir Riera, que estava numa posição mais central. Mário Silva intrometeu-se e a hipótese do 2-1 perdeu-se.

Uma semana antes do jogo, Luís de Matos escondera um papel com o resultado final num cofre. Este foi selado com código e chave, que ficou na posse de Pinto da Costa. Após a conclusão do encontro, Pinto da Costa deu a chave a Reinaldo Teles, que por sua vez a entregou a José Mourinho.

O técnico abriu o cofre, tirou um papel e lá estava o resultado final escrito. FC Porto 2-0 Barcelona. Naquele instante em que teve a baliza aberta e não quis marcar na noite da sua estreia, talvez Messi estivesse, secretamente, a fazer um pacto com Luís de Matos, um acordo com os mágicos. Leo desperdiçaria aquele golo, Matos teria o seu número feito com êxito e, em troca, Messi beberia da poção do impossível durante 20 anos. O futebol agradece que o negócio se tenha efetivado.

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Citação de Luís Silvares, há 2 minutos:

Bicampeão Europeu.

De que desporto?

  • Haha 3

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Citação de Luís Silvares, há 43 minutos:

Bicampeão Europeu.

Não jogou na Champions 😛

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O secretário ficou marcado pelo caso Paula, não devia ter chegado ao Real, mas era um jogador bastante razoável. Foi o sucessor do João Pinto e fez boas épocas no FCP

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Citação de RAG, há 18 minutos:

O secretário ficou marcado pelo caso Paula, não devia ter chegado ao Real, mas era um jogador bastante razoável. Foi o sucessor do João Pinto e fez boas épocas no FCP

E pelo passe errado ao Acosta

Era bem competente, como ponta e depois como lateral 

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Citação de Diogo_CFB, há 49 minutos:

E pelo passe errado ao Acosta

Era bem competente, como ponta e depois como lateral 

Melhor momento da sua carreira 😎

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Citação de Diogo_CFB, há 2 horas:

E pelo passe errado ao Acosta

Está na memória dos portistas como o falhanço do Bryan Ruiz para os sportinguistas

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Editado por Ego Sum

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Citação de Diogo_CFB, há 2 horas:

E pelo passe errado ao Acosta

Era bem competente, como ponta e depois como lateral 

E o passe errado, se a memória não me trai, deu o 2.0 ao SCP

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O que me lembro vagamente do Secretário (eu era criança, as memórias não são muito vivas) era mais de jogar bem antes de ir para o Real e ter voltado um pouco marcado por essa experiência falhada...

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Citação de RAG, há 19 horas:

E o passe errado, se a memória não me trai, deu o 2.0 ao SCP

yup, o 1º foi um golaço de livre ao ângulo do André Cruz.

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