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Sr. Inácio

Literatura | Discussão Geral

Publicações recomendadas

Há livros intraduziveis (para Português). Não se apanha a essência, o estilo, por mais que se tente, aquilo sobrevive tudo na lingua em que foi escrito. E por vezes a tradução só atrapalha.

 

É o que acontece com À Espera no Centeio do J.D. Salinger, editado pela Quetzal.

 

Um autêntico pastelão. Com termos que à medida que a leitura avança se tornam risiveis e maçadores porque sabemos que ninguém fala assim, que aqueles termos não são usados (problemas também de estar a ler isto no sec. XXI) por nenhum jovem. Mas como não têm uma tradução directa ou o tradutor não encontrou nada mais condizente, quase que os inventou. Como é o caso da palavra Armantes para designar pessoas que têm a mania.

 

Depois é um livro que tem uma acção muito limitada. Estórias, lembranças, devaneios, mais histórias, mais lembranças, mais devaneios; e o crl do puto vai a todo o lado mas parece que não vai a lado nenhum. Depois, o grande problema para poder levar este jovem a sério é que ele é de classe alta (e é isso que lhe permite andar a passear por Nova York durante aquele tempo todo) e isto é tudo um não problema de um puto mimado. É isso que transparece no fim do livro. Como é que eu posso levar a sério os tormentos de um adolescente que sabe que tem a vida segura aconteça o que lhe acontecer? E que se calhar é por isso que faz com que lhe aconteçam as coisas e não se importa com as consequências.

 

Sobre esta temática já se escreveu e reescreveu e este não é de todo o livro que melhor a retrata. A tradução distrai-nos mas arrisco dizer que também não está assim tão bem escrito.

 

Enfim, um clássico que sabe a pouco.

A Quetzal também tem umas traduções horrorosa e é pena que sejam eles a reaparecer com muitos clássicos. Muitos erros, frases que nao fazem sentido, ordens trocadas. Horroroso.

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A propósito dessa discussão. Acho que é mesmo na poesia que mais me faz confusão a tradução. Embora ya, há que ter bom senso, sei que não vou aprender alemão só para poder apreciar a poesia do Rilke, por exemplo.

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Eu não tenho problemas com a tradução e aquilo que se perde ou se ganha. Mas há livros que traduzidos para a nossa lingua perdem muito daquilo que têm de bom na lingua original.

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A Visão com o livro "Apelo da Selva" de Jack London já está nas bancas.

 

No entanto, ao contrário da última vez, não há nenhuma informação no interior da revista a dizer qual vai ser o próximo livro.

 

Cândido ou o Optimismo de Voltaire. Saiu hoje.

 

O próximo é a Metamorfose do Kafka no dia 6 de Abril.

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Livro para expandir o meu "cérebro", que ensine algo e seja algo original, (com isto quero dizer que não procuro fantasias) que podem aconselhar? (Peço desculpa pela fraca maneira de como me expressei mas não consigo dizer melhor, um dos pontos que devo melhorar)

Editado por Scurvy

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Porque é que os romances não te podem ensinar algo e 'expandir o teu cérebro'?

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Esquece. Já editei.

Editado por Scurvy

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Mas o que é que entendes por fantasia? Não tenho dúvidas nenhumas de que não faltam fantasias incríveis para o que tu pretendes.

 

Aliás, de forma geral eu acho que toda a leitura faz muito parecido ao que tu queres. O que é que já leste ou gostas de ler?

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Bem, com fantasia entendo que são histórias "inventadas", algo que não seria realístico, por exemplo, livros como GoT, Harry Potter, etc... Não me importo de receber algumas recomendações do género fantasia mas penso que não seja o que pretendo. Eu sou muito pobre em leitura, a maioria dos livros que li são por acaso de fantasia: Comics, BD... Mas eu quero entrar em algo diferente, algo que como referi " original".

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Resumindo queres ler romances e não fantástico, ie, Tolkien ou até mesmo Murakami. Começa pelo Eça, pe.

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Eça.

 

:lol: Ed

Editado por Magno

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Eu acho que isso já depende um bocado de como abordas a leitura do livro, comic ou o que quer que seja na realidade. No geral acho que qualquer livro tem alguma moral, algo educativo e que te possa fazer pensar, incluindo em livros de fantasia. Indo pela tua descrição de fantasia e utilizando o Principezinho como exemplo, é um livro muito diferente quando és criança e quando és adulto exactamente por isso, porque com outra maturidade consegues entender outras reflexões da história.

 

Eu recomendo sempre Murakami porque a mim enche-me completamente as medidas no que procuro num livro. Quase sempre, digo.

Editado por Shaftsuke

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Moby Dick.

Se não aprenderes algo neste livro, não aprendes em mais livro nenhum.

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Livro para expandir o meu "cérebro", que ensine algo e seja algo original, (com isto quero dizer que não procuro fantasias) que podem aconselhar? (Peço desculpa pela fraca maneira de como me expressei mas não consigo dizer melhor, um dos pontos que devo melhorar)

Bem, com fantasia entendo que são histórias "inventadas", algo que não seria realístico, por exemplo, livros como GoT, Harry Potter, etc... Não me importo de receber algumas recomendações do género fantasia mas penso que não seja o que pretendo. Eu sou muito pobre em leitura, a maioria dos livros que li são por acaso de fantasia: Comics, BD... Mas eu quero entrar em algo diferente, algo que como referi " original".

"Lord of the Flies", de William Golding; "A Relíquia", de Eça de Queirós (muito mais acessível do que "Os Maias"), mas este já tem traços de fantasia, embora não seja daquelas que deste como exemplos; "Felizmente Há Luar!", de Luís de Sttau Monteiro; "The Thin Red Line", de James Jones.

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Pá, nunca enviaria alguém com pouca experiência de leitura para um autor tão do século XIX, cronologicamente e estilisticamente falando, como o Eça.

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"A Relíquia" está perfeitamente ao alcance de qualquer adolescente com um mínimo de instrução; a linguagem é perfeitamente acessível, pois o próprio protagonista é alguém mais simples, até vulgar em certa medida, do que um Carlos da Maia. Trata-se essencialmente de uma simples sátira, capaz de providenciar valentes gargalhadas, com laivos de fantasia pelo meio. Para além de que se a pessoa tiver a impressão de o Eça ser um autor pesado, sério e de difícil digestão, há o potencial de encontrar n'"A Relíquia" uma experiência subversiva. Encontrar-se-á, aqui e ali, palavras e expressões de outros tempos, mas isso faz parte da aprendizagem e é, em parte, o que ele procura.

 

 

Eu considero "Os Maias" superior em qualidade, mas "A Relíquia" é aquele que mais apetece reler de forma descontraída.

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Eu conheço a Relíquia, sei bem que nem todas as obras do Eça são bem o Realismo aborrecido patente, por exemplo, n'O Primo Basílio.

 

No entanto, a ideia é ele gostar do que vai ler, não é só ser capaz de entender o que lê. Meter-se no realismo do século XIX não me parece grande opção para alguém com olhos e pés em 2017 e sem grande experiência de leitura, honestamente.

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Agora perdeste-me. Se há coisa que “A Relíquia” faz bem, é delinear e explicar o contexto social em que os personagens se inserem, tal como as suas motivações, de forma leve e cómica, sem que seja necessário um profundo conhecimento daquela época; e assim que a história se move para fora de Portugal, ainda menos relevante se torna esse aspeto, pois tanto o leitor como o protagonista estão a explorar uma nova realidade, que a certa altura até entra no surrealismo (tornando-se de certa forma intemporal), com um protagonista presente e a acompanhar muito bem o leitor a cada passo. Acaba por ser um livro que segura bem a mão do leitor, sem que tal se torne óbvio.

 

A questão de gostar, considero ser irrelevante, pois isso é relativo e cabe a ele descobrir se lhe agrada ou não; não farei esse julgamento de valor por ele, potencialmente privando-o de um livro interessante e divertido.

 

Outra recomendação, Scurvy: "Ensaio Sobre a Cegueira", de José Saramago.

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Obrigado a todos pelas recomendações. :compinchas:

 

1984.

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Agora perdeste-me. Se há coisa que “A Relíquia” faz bem, é delinear e explicar o contexto social em que os personagens se inserem, tal como as suas motivações, de forma leve e cómica, sem que seja necessário um profundo conhecimento daquela época; e assim que a história se move para fora de Portugal, ainda menos relevante se torna esse aspeto, pois tanto o leitor como o protagonista estão a explorar uma nova realidade, que a certa altura até entra no surrealismo (tornando-se de certa forma intemporal), com um protagonista presente e a acompanhar muito bem o leitor a cada passo. Acaba por ser um livro que segura bem a mão do leitor, sem que tal se torne óbvio.

 

A questão de gostar, considero ser irrelevante, pois isso é relativo e cabe a ele descobrir se lhe agrada ou não; não farei esse julgamento de valor por ele, potencialmente privando-o de um livro interessante e divertido.

 

Outra recomendação, Scurvy: "Ensaio Sobre a Cegueira", de José Saramago.

Mas onde é que eu disse alguma coisa contra isso? Eu não disse que o problema era precisar de um conhecimento profundo da época, disse que o problema se prende com o quão interessante poderá ser a obra para um leitor dela distante. É um problema premente, e não é por ser um clássico que ele se anula. Desafio-te a encontrares leitores atentos do Menina e Moça do Bernardim Ribeiro, ou d'A Primavera do Rodrigues Lobo, talvez os primeiros clássicos da literatura portuguesa. Pelo menos fora do meio académico.

 

Lógico que os interessados no Eça não estão só na academia, longe disso, mas é preciso enquadrar as coisas. A probabilidade de um leitor pouco preparado ou de um não-leitor, como parece ser mesmo o caso dele, repelir o que encontra no Eça é relativamente alta. Aliás, é dos principais motivos pelos quais acho que as obras escolhidas para estudo no secundário são um disparate, mas nem entro por aí.

 

Também me parece muito ambicioso colocar o Eça no surrealismo, que deve surgir pelo menos vinte anos depois da morte dele na viragem do século. Talvez a primeira obra de relevo surrealista em Portugal seja mesmo o Húmus do Raúl Brandão, coincidente temporalmente com o Manifesto do Breton e com traços completamente demarcados do romantismo e do realismo do século XIX. Nem Garrett, nem Camilo, nem Eça nem nada do género se assemelham a Húmus, é um verdadeiro marco.

 

E, curiosamente, o Húmus que para mim mete quase todas as obras do Eça num chinelo, também não é um livro para toda a gente, muito menos para um leitor inexperiente. É uma questão de sensibilidade, não é nenhuma assumpção ambiciosa por aí além.

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Mas onde é que eu disse alguma coisa contra isso? Eu não disse que o problema era precisar de um conhecimento profundo da época, disse que o problema se prende com o quão interessante poderá ser a obra para um leitor dela distante. É um problema premente, e não é por ser um clássico que ele se anula. Desafio-te a encontrares leitores atentos do Menina e Moça do Bernardim Ribeiro, ou d'A Primavera do Rodrigues Lobo, talvez os primeiros clássicos da literatura portuguesa. Pelo menos fora do meio académico.

 

Lógico que os interessados no Eça não estão só na academia, longe disso, mas é preciso enquadrar as coisas. A probabilidade de um leitor pouco preparado ou de um não-leitor, como parece ser mesmo o caso dele, repelir o que encontra no Eça é relativamente alta. Aliás, é dos principais motivos pelos quais acho que as obras escolhidas para estudo no secundário são um disparate, mas nem entro por aí.

 

Também me parece muito ambicioso colocar o Eça no surrealismo, que deve surgir pelo menos vinte anos depois da morte dele na viragem do século. Talvez a primeira obra de relevo surrealista em Portugal seja mesmo o Húmus do Raúl Brandão, coincidente temporalmente com o Manifesto do Breton e com traços completamente demarcados do romantismo e do realismo do século XIX. Nem Garrett, nem Camilo, nem Eça nem nada do género se assemelham a Húmus, é um verdadeiro marco.

 

E, curiosamente, o Húmus que para mim mete quase todas as obras do Eça num chinelo, também não é um livro para toda a gente, muito menos para um leitor inexperiente. É uma questão de sensibilidade, não é nenhuma assumpção ambiciosa por aí além.

Peço desculpa, devo ter percebido mal.

 

Eu não coloquei o Eça no movimento do surrealismo, eu apenas estou a analisar um livro, não estou a analisar um autor. E quando num livro um personagem é transportado no tempo vários séculos para testemunhar eventos em primeira pessoa, acho que é perfeitamente justo adjetivar essa parte integral da história como surreal e intemporal.

 

Eu juro que não percebo esta discussão de academia, romantismo, realismo e que tais, pois o livro não é nada demais. Eu li, largando todos os preconceitos que tinha em relação ao Eça, e senti que o autor escreveu algo descomplicado, mais para experimentar e se divertir do que outra coisa, e eu diverti-me com ele, é nesse contexto que eu recomendo o livro e se alguém ler o primeiro capítulo e achar que aquilo não é atraente, paciência; eu achei piada, outros não acharão.

 

 

Odiei a adaptação que fizeram desse livro.

Eu lembro-me de ter gostado.

Editado por bmfpcdm

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Eu lembro-me de ter gostado.

 

 

É difícil de passar uma mensagem tão forte como aquela quando a execução é medíocre. Não consegui não revirar os olhos em certas situações de tão absurdas que eram.

 

Editado por Rōnin

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Consigo entender esse ponto de vista. Eu vi quando saiu, por isso já lá vai quase uma década, mas lembro-me de ter gostado, particularmente, da maneira como certas passagens do livro foram integradas, complementando as imagens.

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