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[PCM2013] Pedalar p'ra vencer

Publicações recomendadas

NetApp - Endura no caminho de Frodo Zarco

 

Vencedor da Volta poderá emigrar para a Alemanha

 

A NetApp - Endura poderá ser o destino de Frodo Zarco para a temporada 2015, indicam-nos fontes próximas do corredor. A equipa alemã juntou-se à corrida pelo jovem trepador e nos últimos dias terá avançado com uma proposta concreta pelos seus serviços, tendo a prestação de Frodo Zarco na Volta a Portugal dado o empurrão que faltava para convencer o director da equipa, Ralph Denk.

 

Do escalão Profissional Continental, imediatamente acima do Continental onde se encontram as equipas nacionais, a NetApp - Endura foi formada em 2010 fruto da junção das equipas NetApp e Endura Racing e está desde então no escalão mais elevado do ciclismo europeu, tendo registado alguns resultados de relevo em provas continentais e participações em várias corridas World Tour.

 

A confirmar-se a transferência, Frodo Zarco contará com nomes de relevo do ciclismo internacional como Jens Voigt e Linus Gerdemann como colegas de equipa.

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Bom upgrade que seria para a NetApp, perdem José Mendes, um ano depois ficam com o Frodo.

 

Mas ainda acho que não é para lá que vais...

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Enquanto isso, no Facebook...

 

Boas, pessoal!

 

Depois de muitas notícias e rumores, alguns disparates também, cheguei hoje a acordo com a minha futura equipa. Antes de mais deixar claro que saio triste de Tavira. É a minha casa, a minha família, e aprendi muito nestes dois anos em que cá estive. Estarei para sempre em dívida para com todos do Clube de Ciclismo de Tavira.

 

Se saio é porque chegou a hora de o fazer, de ir em busca de outras corridas e adversários, para evoluir mais como ciclista. Infelizmente a crise que afecta Portugal afastou muitos patrocinadores do ciclismo e as equipas nacionais não têm força para dar o salto, obrigando-nos, portugueses, a ter de procurar a sorte no estrangeiro para chegar mais longe e conseguir correr nas grandes provas World Tour, que é no fundo o sonho de qualquer ciclista.

 

Já devem também ter percebido que aquele disparate de ir para a Zon é isso mesmo, um disparate, como se eu fosse trocar o meu Tavira por outra equipa nacional.

 

Posto tudo isto, hoje assinei contrato por dois anos com a Team NetApp - Endura. Havia várias possibilidades em cima da mesa, mas esta pareceu-me a melhor em termos de futuro. É uma equipa alemã que está há vários anos nestas andanças, participando em corridas importantes e que aposta forte na juventude. Gosto do modo de pensar da equipa e do projecto de desenvolvimento que me foi apresentado.

 

A NetApp - Endura está actualmente no escalão Profissional Continental, tendo acesso a todas as principais corridas desse escalão e a algumas World Tour. Ainda é cedo para estar a escolher objectivos para 2015, até porque sou ciclista do Banco BIC - Carmim e tenho provas para disputar antes do final do ano, mas já estou ansioso para saber que provas vou correr para o ano!

 

Agora vou-me, que há o Tour da Grã-Bretanha para preparar e queremos que o nosso Tavira brilhe alto em Terras de Sua Majestade.

 

Abraço a todos!

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Banco BIC - Carmim reforça-se para a próxima época

 

Terminada que está a temporada velocipédica nacional - apesar de a equipa de Tavira ainda disputar neste mês de Setembro a Volta à Grã-Bretanha - e confirmada a saída de Frodo Zarco, a formação liderada por Vidal Fitas anunciou o reforço do plantel com vista ao ano 2015 e a defesa do título conquistado na Volta a Portugal.

 

Numa informação publicada no seu site oficial, a equipa apresenta quatro caras novas: os portugueses da Efapel, Sérgio Sousa e Filipe Cardoso; o italiano da Team Bardiani Stefano Pirazzi; e o francês Romain Sicard, antigo campeão do mundo sub23 e vencedor da Volta à França do Futuro.

 

Com estes reforços, a equipa de Tavira apresenta uma plantel ambicioso com vista à repetição da vitória na Volta a Portugal. Relembre-se que a equipa já havia garantido a manutenção de José Mendes e Ricardo Vilela nas suas fileiras, apesar da especulação gerada sobre eventuais saídas de ambos.

 

E assim saio tranquilo da Banco BIC - Carmim. Perdem o Frodo Zarco, mas ganham mais quatro ciclistas que vão acrescentar qualidade ao plantel e se o Romain Sicard é uma eterna promessa que não está ao nível dele, já o Stefano Pirazzi não deve muito ao nosso rapaz. Com o Stefano Pirazzi e o José Mendes, mais Romain Sicard, Ricardo Vilela, Sérgio Sousa, David Livramento e Henrique Casimiro, a equipa vai ficar mais forte que nunca. Além disso, o Filipe Cardoso junta-se a Bruno Lima e Bruno Sancho para as etapas planas. Vão dar-se bem na próxima época de certeza.

 

Mas ainda há uma prova, a última do Frodo Zarco pelo Tavira. E para isso, rumemos à Grã-Bretanha!

 

Tour of Britain

 

Apesar de ter um ranking semelhante ao da Volta a Portugal ou da Vuelta Asturias - categoria 2.1 - o Tour of Britain tem um impacto mediático e uma projecção internacional incomparavelmente superior. Será a primeira corrida em que Frodo Zarco participará transmitida em directo para todo o mundo por um canal desportivo internacional - chamemos-lhe EuroDesporto :mrgreen: - e portanto a primeira grande oportunidade para o nosso menino brilhar aos olhos de todos os fãs da modalidade.

 

Mesmo recebendo anualmente alguns nomes importantes do pelotão internacional, a vitória é habitualmente disputada por ciclistas de segunda linha da Europa, desde gregários de equipas maiores a jovens à procura de reconhecimento. A lista de vencedores das últimas cinco edições comprova-o: Edvald Boasson Hagen (na altura com 22 anos), Michael Albasini, Lars Boom, Jonathan Tiernan-Locke e o italiano Franco Pellizotti que regressou às grandes conquistas aqui, em 2013.

 

A equipa portuguesa vai para brilhar: participar em fugas, atacar a corrida, tentar ganhar uma etapa e conseguir pelo menos um top10. Os objectivos da temporada foram na sua maioria atingidos, os patrocinadores estão satisfeitíssimos com os resultados desportivos - e daí o investimento que possibilitou as quatro contratações anunciadas - e esta será uma corrida onde não haverá qualquer pressão sobre os ciclistas. As instruções são claras: vão e divirtam-se!

 

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Pelotão alongado, uma constante ao longo de toda a prova

 

O Tour of Britain tem oito dias de prova. Ao contrário de anos anteriores, a corrida não apresenta qualquer contra-relógio ou prólogo, reservando-se as decisões da prova para duas ou três etapas onde o perfil acidentado pode fazer estragos - apesar de não haver montanha.

 

Os primeiros dias não apresentaram grandes motivos para a narrativa. Vários foram os ciclistas do Tavira a entrar em fugas mas as equipas dos sprinters dominaram a corrida e encaminharam sempre o pelotão para o inferno de chegadas caóticas a alta velocidade, em estradas estreitas e por vezes com chuva. Registaram-se algumas quedas, nenhuma grave para a equipa portuguesa.

 

Na etapa 5 surgiu a primeira surpresa. O perfil da etapa chamava por um sprint, porém a fuga do dia tinha vários elementos de equipas diferentes e chegaria ao final com perto de 2 minutos de vantagem para o pelotão. Por esta altura ainda não se sabia, mas esta etapa acabou por se tornar decisiva para a corrida. Já lá vamos.

 

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Etapa 6

 

A etapa 6 era aguardada com ansiedade; trata-se da etapa-rainha da corrida, com um final num circuito de duas voltas cujo ponto alto é a escalada a Caerphilly. A subida é curta, porém duríssima, favorecendo um ciclista mais explosivo.

 

Dada a importância da etapa, o pelotão não permitiu qualquer veleidade às fugas que se formaram. Na aproximação à primeira escalada do Caerphilly anulou-se a última tentativa e o ritmo elevado imposto pela australiana Huon Salmon - talvez em prol de Thomas Dekker - impediu qualquer iniciativa. E, assim, os ciclistas completaram a primeira volta e iniciaram a segunda e última passagem.

 

O pelotão - ainda era numeroso o suficiente para o ser - chegou rapidamente à base da "parede" de asfalto que se erguia à sua frente. A subida começou e a Huon Salmon desapareceu, não aparecendo ninguém para lhe suceder. Frodo Zarco não aguentou mais e acelerou, imprimindo uma explosão de ritmo que os portugueses bem conhecem mas que surpreendeu os estrangeiros. "Quem é este miúdo?", era a questão que se colocava em vários carros de apoio.

 

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O ataque permitiu a Frodo um rápido avanço sobre o pelotão

 

A vantagem cresceu imenso, tanto graças à força do ataque como à passividade e descoordenação da perseguição. Não havendo uma equipa a pegar na corrida ou um favorito à vitória, ninguém queria tomar a iniciativa de perseguir o português - nem o próprio camisola amarela, Lukasz Bodnar. Enquanto no pelotão se continuava a troca de olhares, Frodo Zarco construiu rapidamente um espaço que se tornava demasiado grande para ser anulado; quando finalmente alguém se decidiu a tentar apanhar-lhe a roda já era tarde demais.

 

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Foi o jovem Nathan Brown quem se lançou atrás de Frodo Zarco, sob o olhar atento de José Mendes

 

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Era porém demasiado tarde - Frodo Zarco vence na Grã-Bretanha!

 

Teve de ser outro jovem e impetuoso ciclista a lançar a perseguição. Pouco dado a estudos das caras adversárias e estratégias, o norte-americano liderou a perseguição a Frodo Zarco e levou consigo Lukasz Bodnar, José Mendes e Jonathan Hivert.

 

Entretanto, Frodo Zarco passava no alto e iniciava a descida até à meta. Salvo qualquer azar de última hora a vitória estava garantida, mas apesar disso deu tudo até ao final e só celebrou bem em cima da meta. Braços no ar, uma grande vitória: para si, para a equipa e para o ciclismo nacional.

 

Pouco depois chegava o primeiro grupo perseguidor, que perdera o camisola amarela na descida. José Mendes chegou neste grupo mas fora das bonificações, já não tendo forças para disputar o sprint com dois ciclistas com boa ponta final.

 

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Lembram-se de ter sido referido que aquela fuga se tornaria importante? Pois bem, nela chegou Jonathan Hivert, que graças ao tempo aí conquistado conseguiu subir à liderança da corrida. Sem mais nenhuma etapa com final a seu jeito, Frodo Zarco dificilmente conseguiria bater o francês da Saur - Sojasun. Pelo menos a camisola da montanha parecia garantida, bem como a da juventude.

 

A última oportunidade seria na penúltima etapa. Longe de ser uma etapa de montanha, tinha porém uma pequena inclinação a 5 km do final que, quem sabe, com muita, muita, muita sorte, poderá dar para uma gracinha...

 

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Frodo Zarco na sua camisola da montanha

 

Ricardo Vilela fez parte da fuga do dia, com o objectivo de colocar a equipa a jogar em duas frentes, obrigando a Saur - Sojasun a trabalhar imenso ao longo do dia. Ele chegou a ser virtual camisola amarela e já na fase final, na tal inclinação final, atacou em busca da vitória na etapa. Sim, a fuga resultou, embora ficasse longe de importunar Jonathan Hivert.

 

O francês tinha outras preocupações. A maior vestia uma camisola em tons verdes, símbolo da liderança na classificação da montanha. Frodo Zarco seguia bem colocado e todos aguardavam o momento do ataque, que surgiu no mesmo local onde Ricardo Vilela o fizera. A diferença é que Frodo Zarco atacou com uma impetuosidade impressionante, ganhando vários metros de avanço em pouquíssimo tempo.

 

Jonathan Hivert não lhe conseguiu responder mas também não entrou em pânico.

 

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O momento de todas as decisões

 

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Jonathan Hivert não conseguiu seguir Frodo Zarco mas a sua equipa estava lá para o apoiar

 

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O ataque de Frodo Zarco seria neutralizado já sobre a meta

 

A subida que antecedia a meta não era tão selectiva e mesmo com a violência do ataque, nada havia que Frodo Zarco pudesse fazer. Resta-lhe a consolação de saber que tudo fez para vencer a corrida.

 

Ricardo Vilela, já agora, também não foi bem sucedido no ataque, terminando a etapa na 4ª posição.

 

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Como apontamento final, a Banco BIC - Carmim termina o Tour of Britain em grande, conseguindo colocar três homens no top10, uma vitória de etapa e duas camisolas. Em termos individuais, Frodo Zarco apresenta-se à Europa como uma jovem promessa de imenso talento, ainda desconhecido até esta data. E, de repente, muita gente começou a perguntar por ele apenas para saber que a NetApp - Endura já se antecipou e o segurou para os próximos anos.

 

Campeonatos do Mundo - Ponferrada

 

O contra-relógio abre o Campeonato do Mundo. Como o Frodo Zarco não entra nestas contas, passemos desde logo aos surpreendentes resultados.

 

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Da minha parte, realce para a grande 9ª posição do Alejandro Marque Porto.

 

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Os campeonatos do mundo em 2014 disputam-se então em Espanha. A equipa portuguesa, reforçada com Frodo Zarco, reúne-se em volta de Rui Costa para dar a possibilidade ao homem da Movistar de um inédito título mundial para Portugal.

 

O objectivo de Frodo Zarco era então ajudar Rui Costa no que lhe fosse possível. A nível individual, sejamos francos, a pouco poderia aspirar, tratando-se ainda de um jovem sem experiência a este nível e sem pernas para estas andanças.

 

A corrida foi dura, mais dura do que qualquer outra em que Frodo Zarco já tenha participado. Não apenas os 257 km eram uma distância incomparavelmente superior a qualquer outra que já percorrera em competição, como a qualidade do pelotão e a tempestade que sobre ele se abateu durante grande parte do dia tornaram a experiência num tormento. Quando os principais candidatos iniciaram os ataques, Frodo Zarco não tinha nada no "tanque" para reagir, acabando por se conformar em chegar englobado no grande pelotão que cortou a meta tranquilamente em ritmo de passeio.

 

Rui Costa conseguiu integrar o grupo que discutiu a vitória, porém não foi além de um modesto 15º lugar.

 

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Apesar de não se ter dado por ele, Frodo Zarco saboreou a sensação única de envergar a camisola da selecção nacional

 

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O grupo principal já na última volta com Rui Costa bem colocado

 

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Joaquin Rodriguez vence ao sprint para gáudio dos milhares de espanhóis presentes

 

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E assim termina a temporada 2014 para Frodo Zarco. A passagem pelo Tavira foi proveitosa: duas vitórias em provas por etapas; quatro vitórias de etapa; vários pódios e top10s. Passou de jovem promessa a certeza do ciclismo nacional, tendo-se estreado pela selecção nacional.

 

Agora na NetApp - Endura aproxima-se novo período de adaptação. A exigência agora é superior, vão haver participações em corridas HC (escalão máximo Continental, acima da Volta a Portugal) e eventualmente World Tour (escalão máximo do ciclismo mundial, acima do HC). Vai ser preciso ir com calma, ganhar experiência, dar os passos certos. É pouco provável que o Frodo Zarco vá a algum GT - nem sei se a NetApp - Endura conseguirá algum Wild Card para neles participar - portanto o objectivo passará provavelmente por metê-lo a fazer corridas HC para evoluir mais como ciclista. As corridas escolhidas dependerão dos objectivos dos patrocinadores.

 

Para o ano Frodo Zarco terá de fazer na Europa aquilo que fez nas duas temporadas anteriores em Portugal, isto é, mostrar que não se trata apenas de uma jovem promessa e evoluir, conseguindo integrar o "crème de la crème" do pelotão. Conseguiu-o em Portugal, se conseguirá na Europa... se verá nas próximas actualizações.

 

:cool:

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Excelente Tour of Britain. Foi realmente pena a etapa da fuga que deu a vitória ao francês, mas um segundo lugar e duas camisolas é excelente.

 

Ansioso pela aventura na NetApp!

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Bom Tour of Britain, conseguiste 2 camisolas e ainda top 3. Destacar a grande 1º temporada por parte do Frodo.

 

Boa sorte para essa 3 º época. E que seja melhor que a 1º a nivel de vitórias.

Editado por Wacko_Jacko

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Bom Tour of Britain, conseguiste 2 camisolas e ainda top 3. Destacar a grande 1º temporada por parte do Frodo.

 

Boa sorte para essa 2 º época. E que seja melhor que a 1º a nivel de vitórias.

 

Esta foi a segunda época :mrgreen:

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Mais um jovem tuga a emigrar para a Alemanha. A culpa é do Passos.

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Pois é, apesar de o seu maior patrocinador ser norte-americano e o secundário escocês, a NetApp é uma equipa alemã :lol:

 

A ver se o líder no futuro será português.

 

Avancei no jogo até Janeiro 2015 para ver como são as corridas e os objectivos dos patrocinadores. Primeiro de tudo apanhei uma surpresa do caraças com a equipa NetApp - Endura. A equipa foi fundada em 2010, tornou-se parte integrante Profissional Continental no ano seguinte e tinha já o objectivo de ser World Tour em três anos - objectivo falhado, pois em 2015 ainda estão um escalão abaixo. Em 2013 fundiu-se com a equipa Endura Racing, assumindo a sua actual estrutura, sendo que o contrato de patrocínio vai até final desta temporada.

 

O "modus operandi" da equipa agrada-me. A aposta em jovens valores tem sido uma constante e gente como Jan Barta, Leopold Konig, Marcel Wiss, Matthias Brandle, Daniel Schorn e Michael Schwarzmann por lá passaram na fase inicial das suas carreiras internacionais (o Daniel Schorn ainda está na equipa). Outros nomes, como Daryl Impey que foi o primeiro africano a vestir a camisola amarela no Tour de France em 2013 (na altura pela equipa Orica - GreenEdge), também por lá passaram para relançar a carreira.

 

Para 2015, a NetApp - Endura continua a apostar na juventude para chegar ao World Tour, porém desta vez procura aliar a irreverência da juventude à experiência: jovens valores como Frodo Zarco, Arnaud Démare, Daniel Schorn e David De La Cruz Melgarejo terão o apoio de ciclistas mais experientes como Sylvester Szmyd, Russell Downing, Gert Steegmans, Bartosz Huzarski, Linus Gerdemann, Frantisek Rabon e Zdenek Stybar.

 

Há que ter em conta que é uma equipa alemã, pelo que os objectivos são um pouco distintos do que é habitual encontrar-se em equipas de países mediterrânicos. Corridas como Vattenfall Cyclassics, Omloop Het Newsblad, German Meisterschaft (a prova em linha dos Campeonatos Nacionais da Alemanha), Rund um den Finanzplatz Eschborn - Frankfurt (ufff...), Bayern Rundfahrt e Belgium Tour são as escolhas dos patrocinadores, sendo que todas excepto as duas últimas são clássicas direccionadas para sprinters (carrega Arnaud Démare!), e mesmo a Bayern Rundfahrt e o Belgium Tour são provas mais viradas para corredores como o Zdenek Stybar ou o Linus Gerdemann.

 

Para o nosso Frodo Zarco já é mais complicado, mas há duas provas na lista dos patrocinadores que se lhe adaptam bem: o Österreich Rundfahrt (Tour of Austria, para simplificar) e o Tour de Wallonie. O primeiro é mesmo para trepadores, com três chegadas em alto e apenas um contra-relógio de 24 km para chatear; o outro tem apenas cinco dias e apesar de não ter alta montanha, há colinas e zero contra-relógios. O mais interessante é que são ambos em Julho, portanto dá para acertar o pico de forma e fazer as duas provas.

 

Ainda não pensei bem no que será o resto da temporada do Frodo Zarco. Não sei se terei convites para o Paris - Nice ou o Tirreno - Adriatico, gostava de o levar a uma dessas provas mas se não for terei de o apontar para outro tipo de corridas, talvez o Giro del Trentino ou o Tour of California, ambos de categoria HC e com muita montanha. Certa é a ausência da Volta a Portugal. No mesmo período existe Vuelta a Burgos e USA Pro Cycling Challenge, ambos de ranking superior e com menos dias de corrida, portanto se o Zarco correr nesse período, será numa dessas provas ou em ambas, não em Portugal - quanto muito irá à Volta ao Algarve, dependendo se houver convites para o Paris - Nice ou o Tirreno - Adriatico.

 

PS: Fiz também uns acréscimos ao primeiro post.

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Puro, o Démare de certeza que não corre nos campeonatos nacionais da Alemanha. :mrgreen:

Bela equipa tem a NetApp e acredito que limpes o Tour of Austria e depois fazes transição à Zoidl, passando para a Trek. :p

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Está de férias esta semana. ;)

 

E que bem souberam :)

 

Não foi nada atropelado, já anda a correr! Joguei até Abril e tenho uma actualização quase completa, não tenho é tido tempo para mais.

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Voltemos então à história. A temporada 2015 trouxe consigo algumas novidades, as principais relativas a saídas de patrocinadores e ao esforço das equipas em busca de novos mecenas. Deixo-as em spoiler para quem quiser acompanhar a história na sua plenitude :p

 

 

A mudança mais mediática terá sido a que levou a Cofidis a abandonar a modalidade após 19 anos de patrocínio. Os seus directores batalharam para evitar o fim do projecto iniciado em 1996 por Cyrille Guimard e encontraram na multinacional de produtos de bricolage Truffaut um novo parceiro e no basco Samuel Sánchez um novo líder.

 

Inesperada foi a entrada da Calvé na modalidade, substituindo a Vacansoleil no patrocínio e naming da equipa holandesa. Foi porém em Itália que se processaram maiores alterações: a Ceramica Flaminia mudou de nome para Scarpa e a Cannondale, antiga Liquigas, tornou-se a Team Bontrager - e o norte-americano Tejay Van Garderen o líder da equipa.

 

No pelotão nacional apenas se regista a mudança do patrocinador do Boavista, entrando a já anunciada e esperada Zon para o naming da equipa.

 

Entre as várias transferências de ciclistas, a maior e mais mediática pertenceu a Mark Cavendish, não só por ser o melhor sprinter do mundo mas por ter também passado da belga OmegaPharma - QuickStep para a rival holandesa Belkin - tendo sido acompanhado na mudança por Janez Brajkovic. Já o seu adversário alemão Marcel Kittel tornou-se ciclista da RadioShack.

 

Em Espanha, a Movistar mudou de rumo em relação ao passado recente e decidiu focar-se em Nairo Quintana (já tinha contratado Sergio Henao há um ano); como tal, Alejandro Valverde foi "convidado" a sair e juntou-se a Joaquin Rodriguez na Katusha. Para o seu lugar, Eusebio Unzué contratou Tony Martin, cuja qualidade enquanto rolador e contra-relogista será certamente aproveitada no apoio ao líder colombiano.

 

Para finalizar, só de referir que Andy Schleck já não corre com o irmão. É agora corredor da Sky, embora já o seja há um ano e me tenha escapado esse facto. Gregário do Chris Froome, portanto...

 

 

Calendário

 

Fevereiro

Tour of Qatar - 2.HC

Volta ao Algarve - 2.1

Clasica de Almeria - 1.HC

 

Março

Strade Bianche - 1.1

Roma Maxima - 1.1

Tirreno - Adriatico - WT (???)

Settimana Internazionale Coppi e Bartali - 2.1 (???)

 

Abril

Klasika Primavera de Amorebieta - 1.1

GP de Denain Porte du Hainaut - 1.1

Giro dell'Appennino - 1.1

Giro del Trentino - 2.HC

 

Maio

Tour de Picardie - 2.1

Bayern Rundfahrt - 2.HC

 

Junho

Critérium du Dauphiné - WT (???)

Skoda Tour de Luxembourg - 2.HC

 

Julho

Österreich Rundfahrt - Tour of Austria - 2.HC

Tour de Wallonie - 2.HC

Tour de Pologne - WT (???)

 

Este é o calendário provisório de Frodo Zarco para 2015. Digo provisório porque a NetApp - Endura pretende participar em provas World Tour mas não tem a garantia de receber convites para nelas participar. Nesse sentido, o objectivo de Frodo Zarco em Março tanto podia passar pelo Tirreno - Adriatico como pela Settimana Internazionale Coppi e Bartali - só participaria numa delas, com primazia para o Tirreno - Adriatico. O mesmo se aplica para os meses de Junho e Julho: se houver convites, Frodo Zarco irá ao Critérium du Dauphiné e ao Tour de Pologne. A participação nestas provas decidirá o calendário para Agosto, Setembro e Outubro: participando nelas, o pico de forma será antecipado para elas; caso contrário, será prolongado para os meses referidos.

 

A equipa é forte e pode abarcar vários objectivos em simultâneo. Uma boa parte deles destinam-se para ciclistas como Arnaud Démare, Gert Steegmans e Zdenek Stybar; o primeiro para os sprints, os restantes para o pavé. A restante equipa teriam outros objectivos que dependeriam dos convites, ou falta deles, para provas World Tour.

 

Eles não chegaram ou, pelo menos, não na quantidade que se esperava: a aposta em ciclistas jovens como Frodo Zarco e David de la Cruz, e noutros experientes mas pouco badalados como Sylvester Szmyd e Linus Gerdemann, não convenceram os organizadores das primeiras provas por etapas, apenas chegando convite para a Volta Ciclista a Catalunya. Já nas clássicas World Tour a história foi outra: ter Zdenek Stybar na equipa abre perspectivas e os convites chegaram em abundância: E3 Prijs Vlaanderen - Harelbeke, Gent - Wevelgem, Ronde van Vlaanderen (Tour of Flanders) e, principalmente, Paris - Roubaix. Por fim, o nome de Arnaud Démare terá sido essencial para convencer a RCS Sport a convidar a equipa para a Milano - San Remo.

 

Os resultados tardaram a chegar. A equipa abriu a temporada na La Tropicale Amissa Bongo e no Etoile de Bessèges, mas os ciclistas acusaram falta de ritmo. A primeira prova mais "a sério", de categoria HC, onde se esperavam resultados, foi no Tour of Qatar em inícios de Fevereiro. Arnaud Démare é, apesar dos 23 anos, um dos melhores sprinters da actualidade e possivelmente o melhor das equipas Continentais, podendo contribuir com muitas vitórias em clássicas e corridas do género do Tour of Qatar, totalmente planos.

 

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NetApp - Endura no contra-relógio colectivo do Tour of Qatar; aqui Frodo Zarco a impor ritmo à frente dos seus colegas

 

A prova marcou a estreia de Frodo Zarco pela equipa alemã. Como seria de esperar, o português passou despercebido num terreno plano que não o favorecia. Inesperadas foram as fragilidades demonstradas por Arnaud Démare, apenas conseguindo um 2º lugar numa etapa.

 

As vitórias, aliás, demoraram a chegar. Foi preciso esperar até finais de Março para a equipa lhe tomar o gosto. Já lá iremos.

 

Regresso ao Algarve

 

Frodo Zarco participou no Qatar para ganhar ritmo competitivo antecipando a Volta ao Algarve. A Algarvia tinha, como sempre, duas etapas planas, uma de média montanha - Alto do Malhão -, e o contra-relógio final.

 

Frodo Zarco foi umas das figuras na etapa do Alto do Malhão; apesar de se notar que não tinha ainda a capacidade de explosão que faz as delícias dos fãs, geriu bem os seus esforços e arrancou um excelente 6º lugar, ficando a apenas 28'' do vencedor Vincenzo Nibali (Astana). A falta de ritmo era óbvia e se na montanha ainda deu para compensar - afinal de contas é o terreno onde melhor se sente - no contra-relógio não teve qualquer possibilidade e foi uma hecatombe, ficando fora até do top20: 34º lugar. A honra da equipa acabou lavada pelos 8º e 9º lugares de Russel Downing e Linus Gerdemann.

 

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Frodo Zarco nas suas novas cores com o ex-colega e amigo José Mendes

 

Ainda no mês de Fevereiro, a NetApp participou em duas competições: a Omloop Het Newsblad e a Clasica de Almeria. Nesta última participou Frodo Zarco, sem qualquer chance perante os sprinters presentes; na outra, que constituia um importante objectivo para os patrocinadores, entravam em acção Gert Steegmans e Zdenek Stybar, especialistas no pavé.

 

Os patrocinadores exigiam uma vitória na prova belga de categoria HC mas a concorrência era forte demais: Philippe Gilbert, Filippo Pozzato e Sylvain Chavanel fizeram o pódio; Zdenek Stybar foi 4º classificado, uma excelente posição apesar de termos falhado o objectivo.

 

Clássicas italianas

 

No início de Março, Frodo Zarco participava em duas clássicas italianas que seriam para preparar o Tirreno - Adriatico, caso a equipa tivesse obtido um Wild Card para nela entrar. Como não recebeu, tornaram-se provas cujo objectivo era o melhor resultado possível, a estreia em provas em solo italiano e preparação para a Settimana Internazionale Coppi e Bartali. Falo da Strade Bianche e Roma Maxima.

 

A Strade Bianche é uma prova especial, conjugando aspectos das clássicas das Ardenas com pavé e sterrato. Julien Simon (Truffaut) atacou de longe e aproveitou a descoordenação das equipas perseguidoras para conseguir uma grande vitória. A 2ª posição foi discutida num sprint apertado, vencido por Fabio Aru (Androni Giocattoli) à frente de Frodo Zarco. Um pódio na primeira corrida em solo italiano que constitui um excelente resultado.

 

A Roma Maxima é uma prova recente com um traçado belíssimo pelas colinas da capital italiana e passagens pelo pavé da Via Ápia. O trajecto favorecia menos Frodo Zarco do que o da Strade Bianche, resultando numa corrida muito complicada para o português. Na altura dos ataques Frodo Zarco até seguiu os restantes, porém a aproximação à meta foi um sacrifício e no final não havia forças para sprints.

 

Ainda assim, o 8º lugar foi bastante satisfatório. Francesco Failli (Team Italo) foi o vencedor.

 

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Uma das secções de sterrato da Strade Bianche; Frodo Zarco é o segundo a contar da direita

 

Vitórias!

 

Como referi, foi preciso esperar até finais de Março para as primeiras vitórias da equipa. E que vitória! Gert Steegmans venceu isolado na Dwars door Vlaanderen, uma clássica com pavé de preparação para o Ronde van Vlaanderen e o Paris - Roubaix - ainda assim, uma prova de categoria HC. Para complementar a grande vitória do belga, Zdenek Stybar foi o mais forte do grupo perseguidor e fez a dobradinha para a NetApp - Endura.

 

Realce para o facto de esta ser uma prova em que os patrocinadores exigiam a vitória.

 

Nas clássicas World Tour de Março, a equipa obteve resultados modestos: na Milano - San Remo, Arnaud Démare não foi além de um desapontante 18º lugar (vitória de Mark Cavendish da Belkin); na E3 Prijs Vlaanderen - Harelbeke, Zdenek Stybar foi 10º classificado (os sectores de pavé estão longe da meta e isso prejudicou-o, mas ajudou Peter Sagan da Bontrager a vencer); na Gent - Wevelgem, o mesmo Zdenek Stybar ficou fora do top20 (vitória de Fabian Cancellara da RadioShack); foi preciso esperar até ao último dia de Março para que surgisse um resultado mais digno, com Zdenek Stybar a conseguir um 6º lugar na Ronde van Vlaanderen, apenas batido por Fabian Cancellara (RadioShack), Sébastian Turgot (OmegaPharma), Philippe Gilbert (BMC), Edvald Boasson Hagen (Sky) e Juan Antonio Flecha (Calvé).

 

Melhores notícias chegaram das provas por etapas. A NetApp - Endura recebeu um convite para uma prova World Tour, a Volta Ciclista a Catalunya e, se Sylvester Szmyd desiludiu com uma prestação bastante abaixo do expectável, Arnaud Démare deu à sua equipa uma vitória de etapa, a primeira do ano numa prova da elite do ciclismo mundial.

 

Enquanto isso, Zdenek Stybar correu a VDK - Driedaagse De Panne - Koksijde (disputada em quatro dias entre a Gent - Wevelgem e a Ronde van Vlaanderen). A prova é totalmente plana mas contém vários troços de pavé que todos os anos complicam a tarefa das equipas dos sprinters, além de um contra-relógio no último dia que praticamente todos os anos decide a corrida.

 

O checo foi regular, tendo chegado sempre bem colocado nas três primeiras etapas, evitando perder tempo em cortes. No último dia fez um contra-relógio consistente e assegurou a vitória na competição - mais importante ainda por se tratar de uma prova da categoria máxima Continental, ou seja, HC.

 

O que se segue...

 

Com o mês de Abril vem a clássica mais espectacular do calendário: o Paris - Roubaix. Zdenek Stybar tentará obter um resultado que dignifique a equipa, sendo que um top5 seria capaz de deixar os patrocinadores radiantes.

 

O outro grande objectivo é o Giro del Trentino, uma prova italiana repleta de montanha bem ao jeito de Sylvester Szmyd, Frodo Zarco e David de la Cruz Melgajero.

 

Antes, porém, ainda há a Settimana Internazionale Coppi e Bartali, com a participação de Frodo Zarco, ainda em Março mas que não cabe nesta actualização porque já vai longa. Fica para amanhã :mrgreen:

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Settimana Internazionale Coppi e Bartali

 

Entre as vitórias de Gert Steegmans e Zdenek Stybar na Dwars door Vlaanderen e na VDK - Driedaagse De Panne - Koksijde, respectivamente, e enquanto Arnaud Démare vencia uma etapa na Volta Ciclista a Catalunya, Frodo Zarco corria em Itália a Settimana Internazionale Coppi e Bartali. A corrida italiana é uma interessante e das mais importantes provas por etapas italianas, correndo-se poucos dias após o término da Tirreno - Adriatico e reunindo regularmente um lote de grandes nomes do pelotão continental. O seu nome honra dois dos maiores ciclistas italianos de sempre, Fausto Coppi e Gino Bartali, protagonistas de uma terrível rivalidade que ainda assim não evitou um dos momentos mais míticos do ciclismo mundial quando, em 1952, na subida ao Col d'Izoard durante o Tour de France, partilharam uma garrafa de água quando seguiam ambos já no limite da desidratação.

 

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Fausto Coppi e Gino Bartali demonstraram que a rivalidade não tem de atropelar o fair-play

 

Regressando à corrida, Frodo Zarco partiu com Linus Gerdemann e Russel Downing como os melhores colocados a obter um bom resultado. A corrida italiana tem uma lista de vencedores pomposa, englobando nomes como Paolo Bettini, Francesco Casagrande, Damiano Cunego, Michele Scarponi, Cadel Evans ou... Jan Bárta, checo que em 2012 venceu quando era ciclista da NetApp - Endura! Um bom resultado, portanto, seria voltar a colocar a NetApp - Endura no topo do pódio final. Para isso, a equipa iria reunir-se em torno de Linus Gerdemann, líder da equipa ao longo do ano 2014 - e que foi dos ciclistas que mais pontos acumulou na categoria Continental durante a época anterior.

 

É uma prova eclética - tenho de concordar: um contra-relógio colectivo, outro individual, uma etapa de alta montanha, duas de média e até uma etapa para disputar ao sprint. O vencedor terá de ser, obrigatoriamente, consistente em todos os terrenos e ainda ter uma boa equipa. Um excelente teste às capacidades de Frodo Zarco e sua equipa.

 

Limitar as perdas

 

A primeira etapa disputou-se ao sprint e trouxe memórias consigo. Com apenas uma etapa para o sprint, o pelotão tinha poucos nomes para o disputar, porém o eterno Alessandro Petacchi estava lá e venceu com as cores da Bam (não me perguntem que equipa é esta, só sei que apesar de ser parecido ao nome da banda, nada tem que ver com o filho do Major Valentão!).

 

Foi o segundo dia que fez o primeiro shuffle no pelotão. O contra-relógio colectivo (segundo da NetApp - Endura e de Frodo Zarco que já o tinham corrido no Tour of Qatar) não é uma das especialidades da equipa alemã mas, ainda assim, a NetApp - Endura conseguiu defender-se bem, ficando no top10 do mesmo; perdeu 48'' nos 11 km da etapa. Os vencedores foram os homens da norte-americana UnitedHealthCare, seguidos da polaca CCC Polsat e da tal Bam de Alessandro Petacchi.

 

Após um sprint e um contra-relógio, chegava finalmente o terreno predilecto de Frodo Zarco: a montanha. Não era alta montanha, mas as quatro passagens pelo Mercato Saraceno com contagens de terceira categoria seriam autênticos parte-pernas antes da chegada ao Sogliano al Rubicone.

 

Foi apenas na última que surgiram as movimentações decisivas. Tiago Machado, português da Vini Fantini, acelerou montanha acima com resposta de outro português, este da NetApp - Endura. Aos dois juntaram-se posteriormente Diego Rosa (Androni Giocattoli) e Cameron Meyer (UnitedHealthCare), formando-se um quarteto que se foi embora e deixou ciclistas como Linus Gerdemann, Valerio Agnoli, Ivan Basso, Franco Pellizotti e Ivan Santaromita pregados à estrada. A vitória, porém, seria decidida entre dois fugitivos que encontraram forças para resistir aos avanços dos candidatos: Federico Rocchetti (Utensildnord) e Chun Kai Feng (Blue Water Cycling).

 

O ciclista de Taiwan tornou-se o líder da corrida com apenas um segundo de avanço para Cameron Meyer. Frodo Zarco saltou para a 5ª posição, a 46'', liderando ainda a classificação da juventude.

 

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Portugueses em grande: Tiago Machado ao ataque, Frodo Zarco na resposta

 

Assumir as rédeas da corrida

 

Ao quarto dia era então a hora de atacar. Seria o dia do terreno predilecto de Frodo Zarco, com a ascensão ao Piane di Mocogno, e essencial fazer diferenças para se antecipar o contra-relógio do dia seguinte.

 

A equipa de Chun Kai Feng geriu a corrida, apesar de o seu homem dificilmente estar apto a manter a amarela após esta etapa. Isso notou-se, principalmente, quando Tiago Machado atacou, tal como havia feito anteriormente.

 

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Tiago Machado ataca, com resposta de Chun Kai Feng

 

O líder da corrida precipitou-se na resposta, tentando seguir o português, porém o seu ritmo era forte demais. Digo que se precipitou porque o ataque foi lançado a quase 30 km da meta, na penúltima contagem de montanha e a sua equipa ainda estava bem representada no grupo - e Tiago Machado estava a mais de 1'30'' na classificação. Depois a factura desta resposta seria paga nos últimos kms.

 

Frodo Zarco não respondeu, mantendo-se no grupo perseguidor. A UnitedHealthCare de Cameron Meyer assumiu as despesas da perseguição e a vantagem de Tiago Machado nunca foi significativa em função disso.

 

Logo nas primeiras rampas da ascensão final da etapa, com uma diferença a rondar 45'' para Tiago Machado, Frodo Zarco decidiu fazer pela vida. Lançou um ataque, desta vez já mais próximo daquilo que se viu na Volta a Portugal no ano passado, e partiu em busca de Tiago Machado.

 

Estranha situação: dois portugueses de duas equipas estrangeiras a lutar pela vitória numa corrida italiana! E mais importante, esta situação demonstra uma interessante evolução de Frodo Zarco, tendo já chegado ao ponto de estar a disputar uma etapa de montanha com aquele que será, provavelmente, o segundo melhor ciclista português da actualidade, atrás de Rui Costa.

 

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Zarco arranca!

 

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Já à vista! Frodo Zarco na perseguição a Tiago Machado

 

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Porém a vantagem do homem da Vini Fantini prevaleceu

 

Tiago Machado obteve uma grande vitória, naquilo que se pode designar uma "vitória à Machado": ataque de longe e vitória na garra e determinação. Frodo Zarco aproximou-se bastante, batendo toda a concorrência excepto Ivan Rovny (Scarpa); chegaram ambos a 14'' de Tiago Machado.

 

No fundo foi um bom dia para ambos os portugueses: um venceu a etapa, o outro chegou à liderança da corrida!

 

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Cameron Meyer teve um péssima etapa e perdeu imenso tempo, ficando fora da luta pela vitória, e o camisola amarela pagou nos últimos kms pela confiança com que respondeu a Tiago Machado.

 

Gestão da liderança

 

Após vestir a camisola amarela, restavam duas etapas: um contra-relógio e uma etapa de média montanha.

 

O contra-relógio seria o principal problema. A vantagem era curta e a distância -perto de 15 km - do contra-relógio poderia ser fatal.

 

Frodo Zarco lutou mas não foi além de um 17º lugar a 38'' do vencedor Chad Haga (Optum). Tiago Machado, melhor contra-relogista que Frodo Zarco, ameaçou a camisola amarela mas falhou por meros 6'', enquanto Diego Rosa era agora terceiro a 30''.

 

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O nosso rapaz sobreviveu a mais um dia. E já só faltava uma etapa, cujo perfil não parecia dar grandes problemas a Frodo Zarco, com algumas colinas mas nada de muito pronunciado. Frodo Zarco sabia de onde vinha o perigo: Tiago Machado, ele que atacou em todas as etapas.

 

Tendo isso presente, Frodo Zarco manteve-se na sua roda durante grande parte da etapa, esperando pelo ataque que surgiria já na penúltima colina, a pouco mais de 20 kms da meta.

 

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Mais um duelo Tiago Machado vs. Frodo Zarco

 

Quando o português da Vini Fantini atacou, Frodo Zarco respondeu. Os dois portugueses anularam-se e fizeram jogo de gato e rato... e esqueceram-se de Diego Rosa. O italiano da Androni Giocattoli arrancou e não obteve resposta. Passou no alto isolado, iniciou a descida para a última colina e quando Frodo Zarco se apercebeu que estava já a quase 1'00'' do italiano, lembrou-se que a diferença entre ambos na classificação geral era de apenas 30''.

 

Foi nessa fase que Frodo Zarco se esqueceu de Tiago Machado. Lançou-se na perseguição, deixou Tiago Machado para trás e deu tudo o que tinha. Diego Rosa fez o mesmo. Frodo Zarco nunca alcançou o italiano, mas conseguiu de alguma forma reduzir a diferença para 24'', de forma que salvou a camisola amarela por apenas alguns segundos!

 

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Esta vitória é a primeira de Frodo Zarco na NetApp - Endura e constitui uma afirmação da sua qualidade, tanto para dentro da sua equipa, como para o pelotão internacional.

 

Os bons resultados recentes da equipa também trouxeram uma evolução nas classificações da divisão Continental: 3º lugar na classificação colectiva, atrás das francesas Truffaut e FdJ (sendo que o objectivo é vencer este ranking); e top5 para Zdenek Stybar na classificação individual, enquanto Frodo Zarco entra no top10.

 

:cool:

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Quero ver é o Dauphiné e o Tour do Picardia. :mrgreen:

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Muy bien, muy bien. Mas o Diego Rosa ia assustando!

 

Se ia assustando? Assustou e não foi pouco, quando dei por ele até fiquei azul! A sério, estava eu tranquilo a policiar o Tiago Machado (e na altura juro que nem sabia quem era o Diego Rosa nem que era o 3º classificado) e de repente... alerta vermelho :lol:

 

Quero ver é o Dauphiné e o Tour do Picardia. :mrgreen:

 

Olha, por acaso já sei que a equipa foi convidada para o Dauphiné. Só falta o Tour de Pologne.

 

Máquina este tal de Zarco. Consta que já tem uma Volta no currículo.

 

E uma Volta às Asturias e tudo. Maquinão :prayer:

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