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Tópico da Política e Economia

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Há mais coisas positivas, a nível de regulamentação, flexibilidade no mercado de trabalho, juros da dívida, rating da dívida portuguesa, exportações, etc. Claro que dá sempre mais jeito olhar para os cortes e ver o impacto negativo que tiveram na sociedade, e eu compreendo esse ponto de vista, mas dizer que não houve nada positivo.

 

Regulamentação do quê? Coisas positivas na flexibilidade do mercado de trabalho? Gostava de ver onde. A baixa nos juros da dívida teve muito mais "mérito" do BCE do que propriamente da acção governativa, não me esqueço dos juros a ir acima dos 8 % aquando do irrevogável do Paulinho das Feiras. Rating da dívida concedo, mas também não diz assim tanto sobre o mérito da acção governativa. Exportações também concedo mas também cresceu mais por imperativos de sobrevivência das empresas.

 

A taxa de desemprego oficial não é real, há muita situação de sub-emprego ou estágios que não entram nas contas e o crescimento económico que se tem verificado nos últimos trimestres tem pouco de mudança estrutural, tem sido o consumo interno a puxar por isto, mais que as exportações ou o investimento. Os níveis de dívida estão fora do suportável, o país não tem grande capacidade de resposta com a dívida nos 130 %. A economia europeia não recuperou totalmente, continuam a existir alguns problemas (basta analisar os elevados níveis de desemprego em algumas das maiores economias europeias) e se tivermos o azar de levar com outra crise ou um arrefecimento do parco crescimento europeu, não tão distante assim se o Fed começar a subir a taxa de juro no fim do ano e a situação na China e até nos BRICS continuar assim, voltamos a ficar na m*rda.

Editado por Peplin

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Isto é que é a verdadeira mão cheia de nada. Concretamente o que é que está melhor?

Essa pergunta, da forma que está colocada, até é capaz de ter resposta. O verdadeiro problema seria se, após a fazeres, acrescentasses: "não vale números!".

 

E antes que seja mal interpretado, não, não estou a dizer que os números não contam a história. Mas só contam uma parte dela. Como o Vítor Gaspar descobriu de forma abrupta, por exemplo.

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Isto vai ser é uma chatice para o Cavaco se calha de haver um empate no número de deputados eleitos por PS e PSD/CDS. O homem vai ter de acordar do coma

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Vi todos os debates e entrevistas em TV e rádio e tento acompanhar ao máximo a imprensa escrita. Tanto dos partidos com representação parlamentar como os outros que estão a concorrer.

 

Tenta outra vez no próximo clone.

 

Não me respondeste à pergunta.

Confesso que não me dei ao trabalho de seguir os debates porque já sabia que aquilo foge sempre à essência de um debate é pouco ou nada dizem de relevante. Por sorte ou azar, do pouco que ia vendo nas notícias ia apanhando aqui e ali partes do programa.

Explica lá isso do clone.

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essa frase por acaso tem a ver com tudo, uma coligação / partido que não ambiciona realmente ser poder pode fazer uma abordagem "ideia a ideia" sem nunca ser apanhado na incoerência (a menos que seja exagerado como o BE) porque nunca irá colocar nada em prática. Daí terem 2 records, o partido que mais projectos de lei levou à assembleia nos últimos 30 anos, e o partido que menos conseguiu colocar em prática (até menos que o PSN ou PRD).btw, lembrei-me: quantos deputados teriam os verdes sem a coligação com o PCP?

Isso do não querer ser governo é algo relativo e certamente que simpatizantes do partido te dirão o contrário.

 

Por causa dessa mentalidade é que fomos parar ao charco. "Ai ui, estamos falidos, mas temos melhores escolas, e autoestradas também!"Há mais coisas positivas, a nível de regulamentação, flexibilidade no mercado de trabalho, juros da dívida, rating da dívida portuguesa, exportações, etc. Claro que dá sempre mais jeito olhar para os cortes e ver o impacto negativo que tiveram na sociedade, e eu compreendo esse ponto de vista, mas dizer que não houve nada positivo. E desde que nos vimos livres da troika, as medidas de contenção (e não cortes) têm permitido evoluções positivas em todos os indicadores económicos. Juro que não consigo perceber o porquê do receio de que caso a PAF ganhe, que vamos voltar a 2011 e seja tudo cortado a direito de novo :lol:Mais uma vez, houve maior criação de emprego em Portugal do que destruição desde que saímos do programa de ajustamento. Podes ir consultar os números do INE ;)

As escolas precisavam (e precisam) e muito de ser reabilitadas e é pena não terem sido todas. O Sócrates nesse aspecto fez o que devia ser feito, fez foi muito mal.

 

Aliás, o ensino precisa de uma reforma profunda. Mas não é a ornamentar as escolas a ouro ou a tornar o ensino privado a primeira opção para parecer que está tudo bem... Mais uma vez vamos chegar a essa conclusão já tarde de mais.

Editado por Mayday

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A taxa de desemprego oficial não é real, há muita situação de sub-emprego ou estágios que não entram nas contas e o crescimento económico que se tem verificado nos últimos trimestres tem pouco de mudança estrutural, tem sido o consumo interno a puxar por isto, mais que as exportações ou o investimento. Os níveis de dívida estão fora do suportável, o país não tem grande capacidade de resposta com a dívida nos 130 %. A economia europeia não recuperou totalmente, continuam a existir alguns problemas (basta analisar os elevados níveis de desemprego em algumas das maiores economias europeias) e se tivermos o azar de levar com outra crise ou um arrefecimento do parco crescimento europeu, não tão distante assim se o Fed começar a subir a taxa de juro no fim do ano e a situação na China e até nos BRICS continuar assim, voltamos a ficar na m*rda.

Sem tirar nem pôr. E este é que é o grande problema. Mas alguém acredita mesmo que este governo fez com que as exportações aumentassem? Se não fosse o mercado interno a contrair com a crise (mandando para a fossa milhares de empresas que se alimentavam do mesmo para gerir uma tesouraria ranhosa e onde a estrutura pouco ou nada contava) e a fazer com que as empresas tivessem que dar um salto qualitativo na sua modernização e não se virassem lá para fora para vender... Mais, se não fosse a UE com os fundos europeus de apoio à internacionalização, nem 10% do tecido empresarial português tinha condições de cash flow suficientes para conseguir ir lá fora vender - ainda para mais estando o crédito como estava (e está!)...

 

Aliás, se há coisa que eu critico neste governo é o facto de ter aumentado impostos e cortado apenas nos apoios sociais. Reformas estruturais, aposta na planificação da economia ou, pelo menos, algumas guidelines orientadoras? É que eu não me esqueço do milagroso documento feito pelo Paulo Portas da "REFORMA DO ESTADO", anunciado aos 7 ventos e que era o santo graal da direita cá em PT, que afinal era um PDF de 150 paginas sem conteúdo algum...

 

Ah, espera! Afinal reformou-se sim, sorry. Mudámos as freguesias e autarquias... :lol: Sinceramente, neste mandato só vejo uma coisa realmente de positiva: a aposta no Turismo. Porquê? Porque finalmente meteram um gajo à frente do Turismo de Portugal que tem visão, que criou orientação para o sector através de medidas estratégicas, reformulando o PENT e cagando na estupidez absoluta de irmos a milhares de feiras mundiais pagarmos balúrdios por stands todos XPTO... Investiu tudo em Marketing Digital, e agora vivemos num paradigma onde 40% dos turistas de longa duração que recebemos cá em PT reserva tudo pela internet.

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Visitante

Regulamentação do quê? Coisas positivas na flexibilidade do mercado de trabalho? Gostava de ver onde. A baixa nos juros da dívida teve muito mais "mérito" do BCE do que propriamente da acção governativa, não me esqueço dos juros a ir acima dos 8 % aquando do irrevogável do Paulinho das Feiras. Rating da dívida concedo, mas também não diz assim tanto sobre o mérito da acção governativa. Exportações também concedo mas também cresceu mais por imperativos de sobrevivência das empresas.

 

A taxa de desemprego oficial não é real, há muita situação de sub-emprego ou estágios que não entram nas contas e o crescimento económico que se tem verificado nos últimos trimestres tem pouco de mudança estrutural, tem sido o consumo interno a puxar por isto, mais que as exportações ou o investimento. Os níveis de dívida estão fora do suportável, o país não tem grande capacidade de resposta com a dívida nos 130 %. A economia europeia não recuperou totalmente, continuam a existir alguns problemas (basta analisar os elevados níveis de desemprego em algumas das maiores economias europeias) e se tivermos o azar de levar com outra crise ou um arrefecimento do parco crescimento europeu, não tão distante assim se o Fed começar a subir a taxa de juro no fim do ano e a situação na China e até nos BRICS continuar assim, voltamos a ficar na m*rda.

 

Regulamentação de quê? De praticamente tudo! Eu não sei as medidas de cor obviamente, mas posso pegar no tal livro do ASP quando me for possível, e fazer uma síntese das coisas que mudaram para melhor. Despedimento facilitado, entre outras medidas, podem ser impopulares, mas a verdade é que para empresas em reestruturação é essencial, e pode significar maior segurança na hora de contratar por parte destas. O resto do primeiro parágrafo é a total desvalorização da importância do trabalho do governo no contexto económico nacional, nem sei o que te diga. A verdade é que os cortes na despesa pública (menos) e aumento da receita fiscal (mais) ajudaram ao controlo das contas do Estado, que por sua vez geraram confiança nos mercados de que o país tomaria as medidas necessárias para mudar o rumo passado e cumprir com os seus compromissos (algo que não poderia ter feito sem o empréstimo da troika e consequente plano de ajustamento), levando inevitavelmente à redução considerável das taxas de juros para níveis historicamente baixos. E essa das exportações, não compreendo. Os empresarios vão sempre procurar vender onde lhes for possível, tiveram de se fazer à vida, sair da zona de conforto e procurar novos mercados. Não percebo como é possível ver algo de negativo no aumento das exportações, a sério, é daquelas coisas que não me cabe na cabeça.

 

A taxa de desemprego não é real, mas a criação de emprego tem sido superior à destruição desde o final do programa de ajustamento. E este não acabou assim há tanto tempo, pelo que seja razoável dizer que a tendência é para que a taxa de desemprego baixe considerávelmente durante os próximos 2 anos, mesmo sem ter em conta a migração e as desistências e os estágios. Quanto ao facto de ser o consumo interno a puxar por isto, também é positivo - para já. É sinal de que há confiança por parte das pessoas na recuperação da economia, e que estas estão a aumentar o seu consumo e ajudar ao arranque da economia. A juntar a isto o aumento das exportações e cortes na despesa pública, acho que é bastante positivo nesta primeira fase. É provável que dentro de alguns meses, com maior movimentação do BCE nos mercados, a chegada dos fundos comunitários, o final da reestruturação bancária por imposição da UE e a criação do banco de fomento, o capital comece a chegar fluidamente às PME, aumentando assim o investimento que ajudará a alavancar o crescimento económico do país, até aí puxado pelo consumo privado.

Quanto ao resto, a divida é insustentável de facto, e eu sou apologista a uma reestruturação a nível dos prazos e taxas de juro - nunca a favor de haircuts. O governo não é da mesma opinião. É um dos motivos que me leva a dizer que eles estão muito longe de serem o governo ideal que o país precisa, mas não me impede de dar a minha opinião de que, no cômputo geral, o caminho é o mais correcto na situação em que estávamos. Se de facto houver outro estouro lá fora, é normal que voltemos à mesma situação, mas isso aconteceria fosse qual fosse o novo governo (independentemente dos partidos eleitos) e fosse qual fosse o caminho escolhido em 2011.

 

 

 

Mas havia alguma maneira de evitar a contracção brutal do consumo interno após 2011? Qual é o problema de as empresas fazerem uma reavaliação dos seus mercados alvo? Aumentaram-se as exportações por causa dos apoios e porque foram obrigados, mas o sector exportador que mais contribuiu para esse aumento foi alvo da maior aposta do governo e porque passou a ser dinamizado por alguém com visão e não o tipico boy?

São todas perguntas sinceras.

Editado por Visitante

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Sem tirar nem pôr. E este é que é o grande problema. Mas alguém acredita mesmo que este governo fez com que as exportações aumentassem? Se não fosse o mercado interno a contrair com a crise (mandando para a fossa milhares de empresas que se alimentavam do mesmo para gerir uma tesouraria ranhosa e onde a estrutura pouco ou nada contava) e a fazer com que as empresas tivessem que dar um salto qualitativo na sua modernização e não se virassem lá para fora para vender... Mais, se não fosse a UE com os fundos europeus de apoio à internacionalização, nem 10% do tecido empresarial português tinha condições de cash flow suficientes para conseguir ir lá fora vender - ainda para mais estando o crédito como estava (e está!)...

 

Aliás, se há coisa que eu critico neste governo é o facto de ter aumentado impostos e cortado apenas nos apoios sociais. Reformas estruturais, aposta na planificação da economia ou, pelo menos, algumas guidelines orientadoras? É que eu não me esqueço do milagroso documento feito pelo Paulo Portas da "REFORMA DO ESTADO", anunciado aos 7 ventos e que era o santo graal da direita cá em PT, que afinal era um PDF de 150 paginas sem conteúdo algum...

 

Ah, espera! Afinal reformou-se sim, sorry. Mudámos as freguesias e autarquias... :lol: Sinceramente, neste mandato só vejo uma coisa realmente de positiva: a aposta no Turismo. Porquê? Porque finalmente meteram um gajo à frente do Turismo de Portugal que tem visão, que criou orientação para o sector através de medidas estratégicas, reformulando o PENT e cagando na estupidez absoluta de irmos a milhares de feiras mundiais pagarmos balúrdios por stands todos XPTO... Investiu tudo em Marketing Digital, e agora vivemos num paradigma onde 40% dos turistas de longa duração que recebemos cá em PT reserva tudo pela internet.

 

Peguemos por exemplo na baixa do IRC. Ando a tocar neste ponto há eternidades, o principal problema das empresas portuguesas são os custos de crédito e energia, mais do que os impostos. Uma pequena/média empresa pouco ou nada ganha em capacidade de investimento, crescimento e expansão com o IRC 3 ou 4 p.p. mais baixo, mas são estas empresas o principal motor da nossa economia, é aí que está concentrado boa parte do emprego em Portugal. IRC 3 ou 4 p.p. está bom é para uma Sonae ou uma EDP que ganham uns quantos milhões sem precisarem de mexer uma palha.

 

E concordo contigo na questão do turismo, é dos pouquíssimos pontos positivos que consigo apontar a este Governo.

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As escolas precisavam (e precisam) e muito de ser reabilitadas e é pena não terem sido todas. O Sócrates nesse aspecto fez o que devia ser feito, fez foi muito mal.

 

Aliás, o ensino precisa de uma reforma profunda. Mas não é a ornamentar as escolas a ouro ou a tornar o ensino privado a primeira opção para parecer que está tudo bem... Mais uma vez vamos chegar a essa conclusão já tarde de mais.

Quantas e quantas ainda resistem porque, enquanto não houver grandes buracos nas salas e o tecto se aguentar, está bom, serve e toca a andar. E mesmo quando cai o tecto, ou um quadro em cima de um professor, ou quando existem salas na escola que já não têm acesso, porque as escadas estão todas esburacadas e em risco de derrocada (aconteceu tudo isto na Secundária onde andei, que é só uma das mais antigas do Porto e está localizada quase no centro da cidade), fecha-se a sala, alteram-se alguns horários para acomodar toda a gente e siga pra bingo.

 

Quando, neste tempo todo em que as Legislativas já vêm ocupando um plano de destaque na Comunicação Social, mal se ouve falar no tema da Educação, que é só o tema-base de qualquer sociedade, está tudo dito em relação à importância que os governantes e futuros governantes do país dão a essa matéria.

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Regulamentação de quê? De praticamente tudo! Eu não sei as medidas de cor obviamente, mas posso pegar no tal livro do ASP quando me for possível, e fazer uma síntese das coisas que mudaram para melhor. Despedimento facilitado, entre outras medidas, podem ser impopulares, mas a verdade é que para empresas em reestruturação é essencial, e pode significar maior segurança na hora de contratar por parte destas. O resto do primeiro parágrafo é a total desvalorização da importância do trabalho do governo no contexto económico nacional, nem sei o que te diga. A verdade é que os cortes na despesa pública (menos) e aumento da receita fiscal (mais) ajudaram ao controlo das contas do Estado, que por sua vez geraram confiança nos mercados de que o país tomaria as medidas necessárias para mudar o rumo passado e cumprir com os seus compromissos (algo que não poderia ter feito sem o empréstimo da troika e consequente plano de ajustamento), levando inevitavelmente à redução considerável das taxas de juros para níveis historicamente baixos. E essa das exportações, não compreendo. Os empresarios vão sempre procurar vender onde lhes for possível, tiveram de se fazer à vida, sair da zona de conforto e procurar novos mercados. Não percebo como é possível ver algo de negativo no aumento das exportações, a sério, é daquelas coisas que não me cabe na cabeça.

ASP = Álvaro Santos Pereira? Se sim, o teu post começa logo por não ter coerência alguma. O ASP foi dos gajos que bem quis regulamentar alguma coisinha e tentar ver o futuro das políticas, por isso é que foi logo corrido à vassourada :lol:

 

uma outra pergunta: onde é que facilitar um despedimento significa maior segurança na hora de contratar?

Gostava que me esclarecesses também noutro ponto: Qual foi a empresa portuguesa que, na sua reestruturação nestes últimos 4 anos, despediu trabalhadores e conseguiu realmente recuperar? Se possível, dá-me 3 exemplos.

 

Não sei se foste a tempo de ler o meu post, mas pegando até no teu: referes bem que os empresários tiveram que se fazer à vida e sair da zona de conforto e procurar novos mercados. Esta nova atitude, conjugada com o aumento das exportações não tem nada de negativo. O que tu anteriormente referiste é que as exportações aumentaram devido à acção governamental. O que não corresponde à verdade.

 

A taxa de desemprego não é real, mas a criação de emprego tem sido superior à destruição desde o final do programa de ajustamento. E este não acabou assim há tanto tempo, pelo que seja razoável dizer que a tendência é para que a taxa de desemprego baixe considerávelmente durante os próximos 2 anos, mesmo sem ter em conta a migração e as desistências e os estágios. Quanto ao facto de ser o consumo interno a puxar por isto, também é positivo - para já. É sinal de que há confiança por parte das pessoas na recuperação da economia, e que estas estão a aumentar o seu consumo e ajudar ao arranque da economia. A juntar a isto o aumento das exportações e cortes na despesa pública, acho que é bastante positivo nesta primeira fase. É provável que dentro de alguns meses, com maior movimentação do BCE nos mercados, a chegada dos fundos comunitários, o final da reestruturação bancária por imposição da UE e a criação do banco de fomento, o capital comece a chegar fluidamente às PME, aumentando assim o investimento que ajudará a alavancar o crescimento económico do país, até aí puxado pelo consumo privado.

Quanto ao resto, a divida é insustentável de facto, e eu sou apologista a uma reestruturação a nível dos prazos e taxas de juro - nunca a favor de haircuts. O governo não é da mesma opinião. É um dos motivos que me leva a dizer que eles estão muito longe de serem o governo ideal que o país precisa, mas não me impede de dar a minha opinião de que, no cômputo geral, o caminho é o mais correcto na situação em que estávamos. Se de facto houver outro estouro lá fora, é normal que voltemos à mesma situação, mas isso aconteceria fosse qual fosse o novo governo (independentemente dos partidos eleitos) e fosse qual fosse o caminho escolhido em 2011.

 

Sabes qual é o salário médio por cada emprego criado? E a duração do mesmo? Vou gostar de ver a taxa de criação de emprego agora em Outubro e Novembro quando saírmos de época alta...

 

PS: Advérbios de modo não levam acentos.

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Visitante

Peguemos por exemplo na baixa do IRC. Ando a tocar neste ponto há eternidades, o principal problema das empresas portuguesas são os custos de crédito e energia, mais do que os impostos. Uma pequena/média empresa pouco ou nada ganha em capacidade de investimento, crescimento e expansão com o IRC 3 ou 4 p.p. mais baixo, mas são estas empresas o principal motor da nossa economia, é aí que está concentrado boa parte do emprego em Portugal. IRC 3 ou 4 p.p. está bom é para uma Sonae ou uma EDP que ganham uns quantos milhões sem precisarem de mexer uma palha.

 

E concordo contigo na questão do turismo, é dos pouquíssimos pontos positivos que consigo apontar a este Governo.

 

Também concordo com esse ponto do IRC. Acho que a criação de escalões seria o ideal, se fosse possível, como temos com o IRS. De qualquer forma, não concordo muito com o facto de apenas servir para as grandes empresas. A Holanda e a Irlanda, países com o IRC mais baixo na Europa, têm centenas e centenas de multinacionais com sede fiscal lá. Por exemplo, a Jerónimo Martins. O que deixam de ganhar com as grandes empresas que lá tinham, passaram a ganhar com as que se foram fixar lá em busca de maiores poupanças fiscais ;)

 

ASP = Álvaro Santos Pereira? Se sim, o teu post começa logo por não ter coerência alguma. O ASP foi dos gajos que bem quis regulamentar alguma coisinha e tentar ver o futuro das políticas, por isso é que foi logo corrido à vassourada :lol:

 

uma outra pergunta: onde é que facilitar um despedimento significa maior segurança na hora de contratar?

Gostava que me esclarecesses também noutro ponto: Qual foi a empresa portuguesa que, na sua reestruturação nestes últimos 4 anos, despediu trabalhadores e conseguiu realmente recuperar? Se possível, dá-me 3 exemplos.

 

Não sei se foste a tempo de ler o meu post, mas pegando até no teu: referes bem que os empresários tiveram que se fazer à vida e sair da zona de conforto e procurar novos mercados. Esta nova atitude, conjugada com o aumento das exportações não tem nada de negativo. O que tu anteriormente referiste é que as exportações aumentaram devido à acção governamental. O que não corresponde à verdade.

 

 

 

Sabes qual é o salário médio por cada emprego criado? E a duração do mesmo? Vou gostar de ver a taxa de criação de emprego agora em Outubro e Novembro quando saírmos de época alta...

 

PS: Advérbios de modo não levam acentos.

 

Coerência nenhuma? Deve ser gozo. Corrido ou não (e foi, graças ao Portas), a verdade é que fez um enorme trabalho, que até pode parecer invisível, mas terá imensa importância nos próximos anos. Não foi uma tentativa, conseguiu mesmo implementar imensas mudanças estruturais.

Empresas cuja actividade está largamente relacionada com sazonalidade e/ou contexto económico, necessitam de flexibilidade no despedimento para poderem adaptar a força de trabalho às suas necessidades. Se o despedimento for extremamente custoso para uma fábrica, em teoria, esta deixará de arriscar a contratação de mais pessoas para fazer face à procura, já que em caso de uma redução no número de encomendas, o downsizing é impossível.

Exemplos de despedimentos de empresas que tenham recuperado? Eu respondo-te com outra pergunta. Dá-me quatro exemplos de empresas portuguesas que tenham recuperado e que não tenham despedido ninguém ;)

As exportações aumentaram devido ao esforço governamental... também. Tu próprio deste o exemplo do turismo, que por acaso foi o maior impulsionador do aumento das exportações. Tens também os sucessivos acordos internacionais assinados com diversos estados do Médio Oriente, na China e no Norte de África, para além dos PALOP, nas várias tours do MNE com os empresários.

 

Não sei, mas se tiveres dados, adoraria ver! Faço mesmo questão de estar sempre bem, ou pelo menos, suficientemente informado!

E obrigado pela dica dos advérbios, é difícil ser-se bom a tudo :fixe:

Editado por Visitante

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Mas havia alguma maneira de evitar a contracção brutal do consumo interno após 2011? Qual é o problema de as empresas fazerem uma reavaliação dos seus mercados alvo? Aumentaram-se as exportações por causa dos apoios e porque foram obrigados, mas o sector exportador que mais contribuiu para esse aumento foi alvo da maior aposta do governo e porque passou a ser dinamizado por alguém com visão e não o tipico boy?

São todas perguntas sinceras.

Não há problema algum nas exportações aumentarem. É bom. Mas isso não foi culpa do governo, foi mérito dos privados. Esse sector exportador estás a falar do Turismo & Hotelaria?

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Análise das Sondagens nas últimas duas eleições (2009, 2011) em comparação com as eleições da atualidade (2015).

 

Média das últimas sondagens de cada instituto (Eurosondagem, Aximage, Intercampus, UCP, Marktest), compreendidas entre 01-01-2009 a 26-09-2009.

 

PS = 37.94% nas Sondagens, 36.56% na realidade, 1.38% a favorecer o PS.

PSD = 30.44% nas Sondagens, 29.11% na realidade, 1.33% a favorecer o PSD.

CDS-PP = 7.88% nas Sondagens, 10.43% na realidade, 2.55% a prejudicar o CDS-PP.

BE = 9.80% nas Sondagens, 9.81%, 0.01% a favorecer o BE.

CDU = 9.82% nas Sondagens, 7.86% na realidade, 1.96% a favorecer a CDU.

 

Esquerda Representativa = 1.16% favorecida em média por partido.

Direita Representativa = 0.66% prejudicada em média por partido.

 

Média das últimas sondagens de cada instituto (Eurosondagem, Aximage, Intercampus, UCP, Marktest), compreendidas entre 01-01-2011 a 04-06-2011.

 

PS = 30.66% nas Sondagens, 28.05% na realidade, 2.61% a favorecer o PS.

PSD = 36.56% nas Sondagens, 38.66% na realidade, 2.10% a prejudicar o PSD.

CDS-PP = 11.54% nas Sondagens, 11.71% na realidade, 0.17% a prejudicar o CDS-PP.

BE = 6.08% nas Sondagens, 5.17% na realidade, 0.91% a prejudicar o BE.

CDU = 8.04% nas Sondagens, 7.90% na realidade, 0.14% a favorecer a CDU.

 

Esquerda Representativa = 1.22% favorecida em média por partido.

Direita Representativa = 1.14% prejudicada em média por partido.

 

Média das últimas sondagens de cada instituto (Eurosondagem, Aximage, Intercampus, UCP, Pitagórica), compreendidas entre 01-01-2015 e 18-09-2015.

 

PS = 34.40%, é de prever 2.00% a prejudicar o PS, logo o resultado previsto é 32.40%

PAF = 35.88%, é de prever 0.90% a beneficiar o PAF, logo o resultado previsto é 36.78%

CDU = 9.33%, é de prever 1.05% a beneficiar a CDU, logo o resultado previsto é 8.28%

BE = 5.72%, é de prever 0.45% a beneficiar o BE, logo o resultado previsto é 6.17%

Outros = 16.37% de previsão

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E o Bloco aumenta o número de deputados.

Embora eu não goste nada dela a Catarina Martins está-se a safar muito bem (os debates e as entrevistas em que participou foram os mais vistos, p.e) e têm o trunfo Mariana Mortágua.

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Regulamentação de quê? De praticamente tudo! Eu não sei as medidas de cor obviamente, mas posso pegar no tal livro do ASP quando me for possível, e fazer uma síntese das coisas que mudaram para melhor. Despedimento facilitado, entre outras medidas, podem ser impopulares, mas a verdade é que para empresas em reestruturação é essencial, e pode significar maior segurança na hora de contratar por parte destas. O resto do primeiro parágrafo é a total desvalorização da importância do trabalho do governo no contexto económico nacional, nem sei o que te diga. A verdade é que os cortes na despesa pública (menos) e aumento da receita fiscal (mais) ajudaram ao controlo das contas do Estado, que por sua vez geraram confiança nos mercados de que o país tomaria as medidas necessárias para mudar o rumo passado e cumprir com os seus compromissos (algo que não poderia ter feito sem o empréstimo da troika e consequente plano de ajustamento), levando inevitavelmente à redução considerável das taxas de juros para níveis historicamente baixos. E essa das exportações, não compreendo. Os empresarios vão sempre procurar vender onde lhes for possível, tiveram de se fazer à vida, sair da zona de conforto e procurar novos mercados. Não percebo como é possível ver algo de negativo no aumento das exportações, a sério, é daquelas coisas que não me cabe na cabeça.

 

A taxa de desemprego não é real, mas a criação de emprego tem sido superior à destruição desde o final do programa de ajustamento. E este não acabou assim há tanto tempo, pelo que seja razoável dizer que a tendência é para que a taxa de desemprego baixe considerávelmente durante os próximos 2 anos, mesmo sem ter em conta a migração e as desistências e os estágios. Quanto ao facto de ser o consumo interno a puxar por isto, também é positivo - para já. É sinal de que há confiança por parte das pessoas na recuperação da economia, e que estas estão a aumentar o seu consumo e ajudar ao arranque da economia. A juntar a isto o aumento das exportações e cortes na despesa pública, acho que é bastante positivo nesta primeira fase. É provável que dentro de alguns meses, com maior movimentação do BCE nos mercados, a chegada dos fundos comunitários, o final da reestruturação bancária por imposição da UE e a criação do banco de fomento, o capital comece a chegar fluidamente às PME, aumentando assim o investimento que ajudará a alavancar o crescimento económico do país, até aí puxado pelo consumo privado.

Quanto ao resto, a divida é insustentável de facto, e eu sou apologista a uma reestruturação a nível dos prazos e taxas de juro - nunca a favor de haircuts. O governo não é da mesma opinião. É um dos motivos que me leva a dizer que eles estão muito longe de serem o governo ideal que o país precisa, mas não me impede de dar a minha opinião de que, no cômputo geral, o caminho é o mais correcto na situação em que estávamos. Se de facto houver outro estouro lá fora, é normal que voltemos à mesma situação, mas isso aconteceria fosse qual fosse o novo governo (independentemente dos partidos eleitos) e fosse qual fosse o caminho escolhido em 2011.

 

Agradeço se o fizeres, porque não me lembro de pontos positivos em regulamentações de matérias diversas.

 

Como é que facilitar despedimentos em empresas em reestruturação ajuda a economia a crescer? Quanto muito ajuda as empresas a definhar um pouco menos, nada mais. A relação laboral em Portugal está completamente enviesada para o lado do patronato, não me parece que a flexibilização dos despedimentos seja uma grande ajuda seja a que nível for.

 

Nem tu acreditas no que dizes, desculpa. A baixa nos juros da dívida teve muito da célebre frase do Draghi e do que o BCE começou a fazer em matéria de quantitative easing. Até a Grécia andou com os juros da dívida a 10 anos abaixo dos 6 % e não me parece que tenha sido à conta da boa governação da Nova Democracia.

 

A questão das exportações foi basicamente o que o Boo disse. Obviamente que o seu aumento não é negativo, o Governo não teve foi a influência que anda a apregoar nessa matéria. Foi, como referiste e bem, à custa dos empresários se terem feito à vida, arriscando.

 

E que criação de emprego tem sido essa? Tem sido, como sempre, à custa de baixos salários. O nosso modelo económico não se pode basear em baixos salários. É muito bonito poder-se dizer que houve criação de emprego mas depois verificamos que a esmagadora maioria dela está assente em salários abaixo dos 600 €, as pessoas e a economia não têm como sair da cepa torta.

 

A questão é que temos que puxar mais pela importância das exportações e investimento nos níveis de crescimento da economia e não vejo este Governo a tomar medidas que vão nesse sentido. O banco de fomento foi outra banhada deste Governo. Foi criado há mais de um ano e tem-se visto alguma coisa? Não.

 

Também não sou propriamente a favor de haircuts, apesar de até ser favorável a uma auditoria à nossa dívida.

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Estou confiante em como a CDU chega aos 10% este ano.

 

Nada os impede...há uma margem de erro de 5%, onde os resultados podem fugir ao previsto, se eu contar a margem de erro em 95% dos casos, segundo a previsão obtida de cada partido, teremos:

 

PS - 29.16% a 35.64%

PAF - 33.10% a 40.46%

CDU - 7.45% a 9.11%

BE - 5.55% a 6.79%

 

Há segundo estes dados: 22.48% de hipóteses do PS ganhar, 77.52% de hipóteses do PAF ganhar.

A previsão contempla um aumento de deputados do BE, que ocorre em mais de 98% dos casos ( o BE obteve 5.17% nas últimas eleições ).

Claro que isto pode mudar nos próximos dias, é preciso acompanhar as tendências.

Editado por Ticampos

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Gostava de poder votar por duas vezes. A Catarina Martins pelo que tem feito nesta campanha merece ver o Bloco recompensado nas urnas.

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Nada os impede...há uma margem de erro de 5%, onde os resultados podem fugir ao previsto

Onde é que foste buscar estes 5%?

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Isso do não querer ser governo é algo relativo e certamente que simpatizantes do partido te dirão o contrário.

Até já sei os argumentos de cor, tantas vezes que os ouvi. Não alteram a realidade, não são governo há quase 40 anos, e não o serão nos próximos 20. Vivem bem com isso, são opções, mas como partido político e abordagem às questões, o que escrevi mantêm-se.

 

-

 

Btw, quando se tem que escrever 30 linhas para explicar o aumento das exportações não vos ocorre que a explicação seja mais simples? Estão a cair um pouco no erro da Catarina no debate com o Portas (a calinada da balança comercial), não há que ignorar o que foi feito de bom, ou mentir para dizer que foi mau, isso só lhes dá mais votos porque é rebatido com facilidade.

 

Tem é que se criticar o que foi mal feito, ou no caso das exportações, dizer "sim senhor, correu bem" mas... quais foram as consequências, e o que podia ter sido feito melhor.

 

A diferença vai ser nestes pormenores porque espalhada por toda a oposição há exemplos de gente bem intencionada que mostra impreparação, e na coligação há dois tecnocratas puros que explicam "muito bem" e com coerência todas as más ideias que têm. Quando digo muito bem, estou a referir-me a conseguir passar a mensagem, não propriamente a explicar verdadeiramente o que querem dizer as medidas :mrgreen:

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Coerência nenhuma? Deve ser gozo. Corrido ou não (e foi, graças ao Portas), a verdade é que fez um enorme trabalho, que até pode parecer invisível, mas terá imensa importância nos próximos anos. Não foi uma tentativa, conseguiu mesmo implementar imensas mudanças estruturais.

Empresas cuja actividade está largamente relacionada com sazonalidade e/ou contexto económico, necessitam de flexibilidade no despedimento para poderem adaptar a força de trabalho às suas necessidades. Se o despedimento for extremamente custoso para uma fábrica, em teoria, esta deixará de arriscar a contratação de mais pessoas para fazer face à procura, já que em caso de uma redução no número de encomendas, o downsizing é impossível.

Exemplos de despedimentos de empresas que tenham recuperado? Eu respondo-te com outra pergunta. Dá-me quatro exemplos de empresas portuguesas que tenham recuperado e que não tenham despedido ninguém ;)

As exportações aumentaram devido ao esforço governamental... também. Tu próprio deste o exemplo do turismo, que por acaso foi o maior impulsionador do aumento das exportações. Tens também os sucessivos acordos internacionais assinados com diversos estados do Médio Oriente, na China e no Norte de África, para além dos PALOP, nas várias tours do MNE com os empresários.

 

Não sei, mas se tiveres dados, adoraria ver! Faço mesmo questão de estar sempre bem, ou pelo menos, suficientemente informado!

E obrigado pela dica dos advérbios, é difícil ser-se bom a tudo :fixe:

Estamos a ter uma conversa normalíssima e um debate saudável, não precisas de ficar já crispado e inseguro. Basta dizeres "obrigado" e deixares as tentativas de boquinhas para outros tópicos do fórum.

Coerência nenhuma sim, porque estás a elogiar o ASP que queria fazer um trabalho ao nível da regulamentação e que não o deixaram... Ou seja, tu dizes que o Governo teve bem na regulamentação e dás o exemplo do ASP. E aí que existe a incoerência: porque das poucas pessoas a preocupar-se com isso foi demitida à bruta precisamente por essa razão: querer regulamentar e trabalhar um bocadinho mais na base do futuro e de uma visão a médio-longo prazo.

Essas empresas que referes que se baseiam na sazonalidade (que existe, obviamente, em Portugal) não são empresas com as quais o Estado pode contar numa óptica de sustentabilidade. Nem o Estado, nem os trabalhadores... Não são um bom exemplo do que uma economia pode e deve ter para conseguir apresentar bons resultados. Aliás, até porque falando na sazonalidade mais óbvia que existe em Portugal (hotelaria no Algarve), muitos dos hóteis tinham condições para continuar a ter trabalhadores o ano todo, quanto mais não seja numa óptica de lay-off... Pelo contrário, preferem despedir as pessoas, enviar para o centro de emprego, e 6 meses depois ir lá buscá-las e aproveitando apoios estatais (ainda por cima!).

 

Exemplos de 4 empresas que se reajustaram e não tiveram que despedir trabalhadores - pelo contrário, procuraram ter uma boa gestão corrente e renovaram a vertente comercial da empresa: Mármores Galrão, ETMA, Solubema (sector das pedras naturais) e, por exemplo, também a Portucel/Semapa.

 

Tenho mais exemplos que te posso dar. O despedimento dos trabalhadores é sempre o "mais fácil" de ser feito, principalmente com empresários com pouca visão e que assim que saem da reunião com os colaboradores entram no seu Range Rover comprado há meses... Na região do Vale do Ave é onde existe mais desemprego e onde existe a maior taxa de carros de luxo. Paradoxal, não?

Esta crise também veio acabar com algumas empresas dessas de vão de escada... Nasceu uma nova vertente de empresários e de pessoas mais capazes de tentar lançar o seu próprio negócio de uma forma eficaz. Ao menos isso.

 

Btw, quando se tem que escrever 30 linhas para explicar o aumento das exportações não vos ocorre que a explicação seja mais simples? Estão a cair um pouco no erro da Catarina no debate com o Portas (a calinada da balança comercial), não há que ignorar o que foi feito de bom, ou mentir para dizer que foi mau, isso só lhes dá mais votos porque é rebatido com facilidade.

 

Tem é que se criticar o que foi mal feito, ou no caso das exportações, dizer "sim senhor, correu bem" mas... quais foram as consequências, e o que podia ter sido feito melhor.

 

A diferença vai ser nestes pormenores porque espalhada por toda a oposição há exemplos de gente bem intencionada que mostra impreparação, e na coligação há dois tecnocratas puros que explicam "muito bem" e com coerência todas as más ideias que têm. Quando digo muito bem, estou a referir-me a conseguir passar a mensagem, não propriamente a explicar verdadeiramente o que querem dizer as medidas :mrgreen:

Não se está a discutir se o aumento das exportações foram boas ou más. Acho que ao fim de 4 posts já dá para entender isso.

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Tenho mais exemplos que te posso dar. O despedimento dos trabalhadores é sempre o "mais fácil" de ser feito, principalmente com empresários com pouca visão e que assim que saem da reunião com os colaboradores entram no seu Range Rover comprado há meses...

Mentira. Despedem pessoas, vendem o range rover e compram um série 7. mas só passado uns meses para não dar bandeira.

 

Não se está a discutir se o aumento das exportações foram boas ou más. Acho que ao fim de 4 posts já dá para entender isso.

Foi bom mas foi conseguido com o aumento do IVA, que é uma desvalorização da moeda encapotada. E isso teve consequências. Era a discussão que gostava de ver nos média, se fosse forçada pela oposição era daquelas coisas que dava uma discussão win-win e matavam um dos poucos argumentos da coligação que parece "inquestionável".

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Visitante

Estamos a ter uma conversa normalíssima e um debate saudável, não precisas de ficar já crispado e inseguro. Basta dizeres "obrigado" e deixares as tentativas de boquinhas para outros tópicos do fórum.

 

 

Deves estar a gozar comigo. Eu não estou crispado nem inseguro, sei que temos opiniões diferentes e que não te vou convencer da minha, mas isso não me impede de achar que são ambas válidas e não me sinto minimamente inibido em a expor. Tu estás habituado às posturas mais agressivas e ao gozo permanente de alguns users, e portanto pode parecer-te natural que toda a gente tente mandar as suas boquinhas, mas estou perfeitamente tranquilo, podes confiar. ;)

Eu vou responder ao teu post (e ao do Peplin) assim que possível, não pensem que caguei nisto.

 

Agradeço se o fizeres, porque não me lembro de pontos positivos em regulamentações de matérias diversas.

 

Como é que facilitar despedimentos em empresas em reestruturação ajuda a economia a crescer? Quanto muito ajuda as empresas a definhar um pouco menos, nada mais. A relação laboral em Portugal está completamente enviesada para o lado do patronato, não me parece que a flexibilização dos despedimentos seja uma grande ajuda seja a que nível for.

 

Nem tu acreditas no que dizes, desculpa. A baixa nos juros da dívida teve muito da célebre frase do Draghi e do que o BCE começou a fazer em matéria de quantitative easing. Até a Grécia andou com os juros da dívida a 10 anos abaixo dos 6 % e não me parece que tenha sido à conta da boa governação da Nova Democracia.

 

A questão das exportações foi basicamente o que o Boo disse. Obviamente que o seu aumento não é negativo, o Governo não teve foi a influência que anda a apregoar nessa matéria. Foi, como referiste e bem, à custa dos empresários se terem feito à vida, arriscando.

 

E que criação de emprego tem sido essa? Tem sido, como sempre, à custa de baixos salários. O nosso modelo económico não se pode basear em baixos salários. É muito bonito poder-se dizer que houve criação de emprego mas depois verificamos que a esmagadora maioria dela está assente em salários abaixo dos 600 €, as pessoas e a economia não têm como sair da cepa torta.

 

A questão é que temos que puxar mais pela importância das exportações e investimento nos níveis de crescimento da economia e não vejo este Governo a tomar medidas que vão nesse sentido. O banco de fomento foi outra banhada deste Governo. Foi criado há mais de um ano e tem-se visto alguma coisa? Não.

 

Também não sou propriamente a favor de haircuts, apesar de até ser favorável a uma auditoria à nossa dívida.

 

Lembras-te do conceito de produto potencial? O nível de produto que uma economia pode atingir se afetar todos os seus recursos disponíveis à criação de riqueza? Tal como nos EUA, onde o mercado laboral é extremamente flexível, o facto de as empresas poderem contratar mais para fazer face a um maior aumento da procura irá permitir que estas gerem mais output. O que a nível agregado, pode ter efeitos brutais. Com um mercado algo inflexível, como seria o nosso, as empresas não serão capazes de aproveitar esse aumento da procura pois estarão a aumentar os seus gastos com pessoal de forma mais ou menos definitiva, já que o despedimento é muito caro e significaria a falência da empresa no caso do contexto económico deixar de ser tão favorável. Resumindo, uma maior flexibilização do mercado de trabalho permitiria maximizar a eficiência das empresas e gerar mais riqueza num contexto económico favorável, e diminuiria as falências num contexto não tão favorável.

 

Eu não disse que as medidas do BCE não tiveram importância, porque tiveram. O que eu digo é que não é o único motivo. Não acho que se possa rejeitar que a tomada de medidas de consolidação orçamental leva a um maior sentimento de confiança por parte dos mercados. Tudo bem que os efeitos foram amplificados pelas medidas do BCE, mas não acho que se possa resumir a subida de rating e descida brutal dos juros apenas com base nesse argumento. Se o BCE continuar com as medidas de quantative easing, ou até aumentá-las, e se por exemplo, o PS ganha e começa a esbanjar, achas que não teremos de novo um aumento das taxas de juro insustentáveis?

 

Se o Governo teve muita influência ou não, não te sei dizer. Mas teve alguma e sei reconhecer que foram feitos esforços nesse sentido. Se tiveres o hábito de ir lendo os jornais económicos, percebes que à parte do financiamento das empresas, tudo foi feito para que estas aproveitassem as oportunidades lá fora. Sinceramente, não sei o que mais poderia ter sido feito...

 

A criação de emprego é à custa de baixos salários, mas esse é um problema estrutural, que apenas tem sido agravado com os cortes que têm sido feitos, e com a falta de capital ao dispor das PME. Também concordo que a única maneira de sermos competitivos a nivel internacional é se vendermos produtos de grande valor acrescentado, e não através da competição de preços, já que qualquer país do Bloco de Leste ou do Sudeste Asiático conseguirá facilmente dar-nos um bigode por aí. Acho o desinvestimento na Educação, sobretudo o Ensino Superior, muito grave e um dos grandes defeitos da última legislatura, e que pode agravar o problema da fuga de cérebros e prática de baixos salários no país.

 

Quanto ao último parágrafo, eu acredito sinceramente que está para breve o aumento dos níveis de investimento em Portugal. Os bancos estão na fase final da reestruturação para satisfazer os rácios de depósitos e respectiva desalavancagem, os fundos europeus vão começar a chegar e, apesar de até agora não ter saído do papel, o Banco de Fomento deverá ser implementado definitivamente, o que irá levar a um maior acesso a capital por parte das PMEs, que até agora estavam asfixiadas e não tinham como crescer (ou, muitas vezes, sobreviver). Adicionalmente, Portugal tem sido capaz de captar cada vez mais IDE, e essa tendência é bastante provável de ser mantida, penso que isso é inegável.

 

Para concluir, espero que não me interpretes mal e que não penses que sou fanboy do Governo, que não tenho sensibilidade para os problemas do país, ou que não estou nada informado. Simplesmente recuso-me a abraçar a ideia de que são todos uns chulos e que não foi feito nada de positivo, e foi aí que a minha participação começou, ao explicar o que houve de positivo, e o porquê de eu achar que a Coligação se apresenta como uma alternativa menos má quando comparada com o PS, que a meu ver, vem por em causa todos os sacrifícios que foram feitos até agora em troca de uma boa dose de populismo e aumento de gastos injustificado. Também acredito que os próximos anos serão um desafio totalmente diferente daquele que tinham pela frente em 2011 e que não vamos assistir aos cortes cegos que foram feitos desde então (vejo a situação actual do país como um ponto de partida e não como ponto intermédio do ainda maior emagrecimento do estado e da população), e tendo já a experiência de liderança, acredito sinceramente que menos erros venham a ser cometidos. :)

Editado por Visitante

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Onde é que foste buscar estes 5%?

 

À página anterior, à média das 5 sondagens.

As sondagens fazem uma margem de erro, normalmente com uma previsão de acerto de 95%, logo há 5% de hipótese de erro.

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