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Tópico da Política, Ambiente e Economia

Publicações recomendadas

Citação de Mayday, há 9 minutos:
Parabéns pelo recorde, mister coins.

Todos as semanas uma decisão grave nova. Tudo bem que agora existe um maior escrutinio até pela informação disponivel mas eu não me recordo do último presidente da câmara do Porto ou de Lisboa com esta regularidade em fazer m*rda. É impressionante. 

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O Costa está fortíssimo nos últimos dias. Há uns dias o CGP dizia que ele era o Orban, ontem o Montenegro equiparava o partido que ele(Costa) lidera à União Nacional, agora é o homem da mala de Macau. Esta última em particular roça a difamação.

Editado por HappyKing

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Citação de HappyKing, há 35 minutos:

Todos as semanas uma decisão grave nova. Tudo bem que agora existe um maior escrutinio até pela informação disponivel mas eu não me recordo do último presidente da câmara do Porto ou de Lisboa com esta regularidade em fazer m*rda. É impressionante. 

Os Lisboetas esperavam moedas de 2€ e levaram com moedas pretas que se lixaram.

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é preciso muita lata e sentido de impunidade para dar uma entrevista a dizer umas coisas dessas e para fazer uma publicação dessas nas redes sociais.

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Citação de Puto Perdiz, há 1 minuto:

eu sei que foi essa, perguntei lá atrás se alguém a podia colocar aqui.

Já trato disso, 2 min. Já coloco daqui a pouco neste comentário.

Spoiler

https://www.publico.pt/2022/07/30/politica/entrevista/magalhaes-silva-verdade-dinheiro-chegava-partidos-malas-vindas-macau-excepcao-pcp-gente-2015583
 

Entrevista

Magalhães e Silva: “É verdade que o dinheiro chegava aos partidos em malas vindas de Macau. Com a excepção do PCP toda a gente lá foi”

Magalhães e Silva conheceu Jorge Sampaio em 1969, no tempo em que ainda era monárquico. Trabalharam juntos no mesmo escritório de advogados. Criaram uma relação de irmãos. Foi dos poucos consultores de Belém que defendeu a nomeação de Santana Lopes, mas testemunhou o sacrifício pessoal de Jorge Sampaio, quando alguns amigos de sempre o abandonaram. Muitos faltaram à festa de anos do Presidente nesse Setembro de 2004. Magalhães e Silva, que gostava de ter sido governador de Macau, não tem dúvidas: era ali que os partidos iam buscar dinheiro em malas.

Quando Sampaio decide indigitar Santana Lopes (Sampaio chamava-lhe Flopes, como no Contra-Informação) o advogado Magalhães e Silva entra no Procópio e alguém diz: “Lá vem a santanete de Belém.” Escreveu, em conjunto com Miguel Galvão Teles, a declaração em que Jorge Sampaio explicaria ao país as razões da dissolução. Mas Sampaio não leu aquele discurso — e justificou a decisão apenas com “episódios”.


Foi para Direito porque os rapazes iam para Direito ou para o Técnico?
Fui para Direito porque era um curso que dava acesso ao corpo diplomático. O meu projecto de vida era ser diplomata. Depois desisti porque o meu pai convenceu-me – e tinha razão – ao dizer: “Olha, meu filho, a carreira diplomática é pobreza dourada. Se te apetece, muito bem. Se não te apetece a pobreza dourada, não vás para o corpo diplomático.” Os meus pais morrem, com a diferença de um ano, quando eu estava no 3.º ano da faculdade, eu não quis sobrecarregar os meus irmãos, passei para aluno voluntário e comecei a trabalhar.

E trabalhava onde?
Numa companhia de seguros de um subgrupo da CUF, que era de um avô de um amigo meu, a quem pedi se me arranjava emprego para ganhar a vida. Falei com o avô, ele gostou de mim. Passei a trabalhar na coordenação de sinistros da companhia de seguros Tagus.

Era muito novo na altura…
Tinha 20 anos. Mas acho que valeu a pena, foi uma experiência boa. E nesse percurso fui percebendo que havia outras coisas na vida além da carreira diplomática. E acabei por desistir mesmo.

Como é que conheceu Jorge Sampaio?
No Governo Civil de Lisboa, em Setembro de 1969. Eu era candidato pela comissão eleitoral monárquica às eleições…


Era monárquico?
Hoje já não tenho essa convicção. Mas era monárquico, efectivamente, de formação proudhoniana, não tinha a ver com as várias formas de conservadorismo. A minha perspectiva de sempre foi estar à esquerda. A minha casa era muito conservadora, hiper-conservadora, muito próxima do regime mesmo.

Os seus pais e os seus irmãos?
Sim, sim. E a minha mãe, percebendo muito bem onde é que eu funcionava – e foi das coisas pelas quais lhe fiquei sempre muito grato – assinou-me, sem dizer nada a ninguém, “O Tempo e o Modo”. Eu tinha 16, 17 anos e passei a ler “O Tempo e o Modo”. Fui monárquico até 1975. Mas conheci Jorge Sampaio quando fui candidato da Comissão Eleitoral Monárquica em 1969. Aquilo que eu pensava percebia-se porque fui o candidato menos votado. Dizia-se: “É um criptocomunista infiltrado entre os monárquicos”. Tudo isto era um disparate, eu não tinha nenhuma formação marxista ou qualquer ligação ao PCP. Mas era o tempo. Pensar de determinado modo e ter determinada linguagem era-se imediatamente comunista ou criptocomunista. Encontro-me com o dr. Jorge Sampaio, que não conhecia, em Setembro de 1969, no Governo Civil de Lisboa. Ele era o mandatário pela lista da CDE. Apresentámo-nos. Ele pergunta-me: “Você vem ao quê?”. Eu disse que vinha falar com o governador civil para me pôr à disposição para o que fosse necessário para que a campanha eleitoral decorresse com a ordem e dignidade próprias. “Olhe, eu venho para o mesmo”, disse Sampaio. “Então, vamos embora, vamos falar com o Marchueta”. Lá fomos falar com o Marchueta. E o Afonso Marchueta, de dedo em riste e com ar levemente ameaçador disse: “É bom que seja assim. Porque se não for assim tenho meios de os obrigar”. Foi como se tivéssemos uma mola. Levantámo-nos os dois, “muito bons dias senhor governador civil” e acabou a conversa. É o princípio de uma amizade que depois durou até à morte.

Depois, começaram a tomar café juntos?
Encontrávamo-nos pouco. Retomámos uma proximidade diária quando o pai, o dr. Arnaldo Sampaio, morre. Fui ao velório, encontrámo-nos e a partir daí… estas coisas às vezes temos dificuldade em explicar. Porque é que até aí não foi e depois passou a ser? Foi assim. E começámos a dar-nos até se transformar quase numa relação de irmãos.

Jorge Sampaio convidaria o irmão com que se identificava politicamente para seu consultor político em Belém…
Foi na noite da eleição que ele me diz: “Amanhã quero tomar o pequeno-almoço contigo mas não em casa, para podermos falar à vontade”. Fomos ao Méridien, que era próximo da casa dele. E ele diz-me: “Quero que tu venhas para Belém”. Respondi: “Isso nem penses. Sou advogado, vou continuar a ser advogado… Estou disponível para ir de manhã cedo a Belém, ir lá ao fim do dia e ao fim-de-semana, mas vou continuar a ser advogado. Com uma condição: faço tudo isso sem nenhuma remuneração, senão não faço”.

Nunca recebeu um tostão em Belém?
Nunca. A única coisa foi que Jorge Sampaio chegou um ano depois ao pé de mim e disse: “Podias aceitar um carro e motorista. Perdes imenso tempo no trânsito e aproveitavas esse tempo”. Eu disse: “Não é mal pensado, mas os teus carros não quero, porque são todos uma porcaria. Antes quero o meu. Agora um motorista dá-me jeito”. E passei a ter o senhor Gonçalves.

Dos 10 anos em Belém, o mais difícil foi mesmo a decisão de dar posse ao Governo de Santana Lopes?
Foi difícil pelo enorme sacrifício que isso comportou para o dr. Jorge Sampaio. O dr. Jorge Sampaio tinha um sentido ético da função que nunca abandonou. Falámos sobre esse tema no próprio dia em que Durão Barroso lhe comunicou a intenção de ir para a Europa. Houve uma reunião da Casa Civil. A quase totalidade da Casa Civil ia no sentido de que deviam ser convocadas eleições. Eu entendia que não porque, depois da revisão constitucional de 1982, era meu entendimento que o Presidente da República não tinha espaço político-institucional para recusar um Governo que lhe fosse proposto por uma maioria parlamentar consistente. Ao tempo, a maioria parlamentar era efectivamente consistente, salvo se fosse indicado alguém relativamente ao qual o Presidente da República tivesse razões políticas que pudesse partilhar com o país para recusar a indigitação. No final dessa reunião da Casa Civil, ele diz-me: “Anda almoçar comigo”. Almoçámos. “Como tu escreves muito bem (era a opinião dele) podia-se fazer já um textozinho em que isso ficasse muito claro”. Eu digo que não me parece mal. Tinha um bloco daqueles de bolso, escrevi, mostrei-lhe se era aquilo que queria. “É exactamente isso”. E chamou o major Branco: “Senhor major, ponha-me o primeiro-ministro em linha”. E o dr. Sampaio diz ao primeiro-ministro: “Primeiro-ministro, tem um lápis? O que lhe quero dizer é para o senhor escrever e pensar.” E ditou-lhe aquele texto, que não representava nenhum compromisso, ao contrário do que por várias vezes se quis fazer crer, de que teria havido compromissos entre o dr. Sampaio e o dr. Barroso. Eu conservo comigo esse papelinho. Houve todas as consultas que o país foi presenciando e no dia do Conselho de Estado eu entro no gabinete do dr. Sampaio já depois de terminado o Conselho de Estado. Ele está em mangas de camisa, branco como a cal, com um ar completamente destruído, sentando numa poltrona que havia num canto do gabinete e diz-me: “Tu não fazes ideia do que é que o “Plot” me disse!”.

O “Plot”?
O “Plot” era a alcunha do Luís Nunes de Almeida. Vinha de uma jornalista americana que tinha cá estado nos anos 70 achar que ele tinha ar de conspirador. Passou a ser o “Plot” [conspiração em inglês]. Mantínhamos o hábito do tempo da ditadura de falar das pessoas através de nomes diversos. O Nuno Brederode Santos era o “Bodero”, o Almeida Santos era a “Baronia”… E então Jorge Sampaio conta-me: “O Plot, à saída do Conselho de Estado, disse-me entredentes ‘vê lá se vais entregar o poder à direita’”. Eu disse: “Tu sabes o que eu penso sobre isto, mas o Presidente da República és tu, és tu quem tem de decidir. Penso que não tens espaço jurídico-constitucional para recusar a indigitação, mas podes ter razões políticas graves que possas partilhar com o país. E não são razões nocturnas, são razões políticas graves”.

Não se podia argumentar que naquela época o dr. Pedro Santana Lopes ainda gostava de ir a discotecas…
Isso não poderia estar em cima da mesa, há um mínimo de seriedade e de decoro nas coisas! E então ele levantou-se e disse: “Clara, prepare as coisas que eu vou falar ao país.” Tinha decidido. Foi este o contexto, mas um contexto de enorme sofrimento. Ele dizia-me: “Eu sei que isto vai ser dramático para grande parte dos nossos amigos”. “Oh Jorge, são as agruras de ser Presidente da República e ter um sentido ético da função. É da vida”.

É aí que Ferro Rodrigues se demite de secretário-geral do PS…
Houve várias atitudes que não me surpreenderam mas com as quais discordo. As pessoas tinham todo o direito de estarem em completo desacordo com a decisão do Presidente da República e tomarem atitudes práticas em consonância. Não tinham de ser desagradáveis. Não tinham que entrar num registo de linguagem, como por vezes se entrou, extremamente desagradável e injusto.

Por exemplo?
Preferia não estar a relembrar exemplos. Foi uma altura terrível. Mas houve quem tivesse uma atitude de grande proximidade. O caso mais exemplar é o de João Cravinho, que telefona ao dr. Sampaio a manifestar a sua mais completa discordância com a decisão mas diz: “Ó Jorge, amigos como sempre”. E a relação continuou exactamente nos mesmos termos. E a 18 de Setembro, o dia de anos de Jorge Sampaio, lá estava o João Cravinho, como se nada fosse.

Mas faltavam outros amigos?
Faltavam, faltavam. Foi o preço que Jorge Sampaio pagou por ter uma concepção própria da sua função. E foi tratado muito injustamente. Lembro-me de ter ido nessa noite ao Procópio e alguém ter dito “vem aí a santanete de Belém”. Vale a pena relembrar aquele tempo. Quem se opunha a Santana Lopes na São Caetano [sede do PSD] estava em pânico, diziam que o homem era um populista e em dois anos teria uma maioria absoluta. E no Rato [sede do PS] dizia-se a mesma coisa. Tudo em pânico. Repare o que é este estado de espírito existente quer no PS, quer no PSD… e posteriormente ainda se diz que o dr. Sampaio tinha malevolamente pensado nisto para abrir caminho para um primeiro-ministro do PS! Não foi efectivamente assim. E depois aconteceu o que aconteceu.

Porque é que o dr. Jorge Sampaio não explicou ao país as razões da dissolução, limitando-se a falar de “episódios”?
Nunca consegui nem quis saber exactamente porque é que foi assim. Entendi não dever averiguar, não quero especular. O que posso dizer é o seguinte. O discurso é a uma sexta-feira. Na quarta-feira, eu e o Miguel Galvão Teles estivemos a fazer um texto a quatro mãos, que era a comunicação de sexta. E que tinha o inventário de todos os factos que tinham ocorrido até ali e que permitiam, do nosso ponto de vista, ao país perceber porque é que o Presidente da República não tinha outra alternativa senão dissolver a Assembleia da República. Eu tinha um julgamento no Porto na sexta-feira e, no regresso, começo a ouvir no carro o discurso do dr. Sampaio… “Mas não era isto!”…

Quais eram os seus argumentos e de Miguel Galvão Teles?
Tudo o que se tinha passado desde Agosto até Novembro e que tinha culminado naquela cena verdadeiramente espantosa de que eu nunca me vou esquecer… quando Santana Lopes diz ‘o meu Governo é como um prematuro numa incubadora a quem os irmãos estão a dar pontapés”. Quando se chega a este ponto, no que toca à consistência da base política de um Governo, o que é que falta para dissolver o Parlamento? Havia apenas uma preocupação do dr. Sampaio, na noite de 28 de Novembro, que eram as consequências financeiras. Estivemos juntos nessa noite e eu que tinha defendido a nomeação do dr. Santana Lopes, defendi com toda a veemência a dissolução do Parlamento e a exoneração de Santana Lopes. E o dr. Sampaio a certa altura, com a vivacidade que às vezes as coisas acabavam por ter entre nós, acabou aos gritos a dizer-me: “Tu não sabes nada de finanças! Pode ser um desastre!”. Era para aí meia-noite, ou um bocadinho mais até. E eu disse-lhe: “És capaz de ter razão. Mas há uma maneira muito simples. Falas ao Vítor [Constâncio] e já vais perceber”. Sampaio dizia: “Eu não vou falar ao Vítor à meia-noite!”. Respondi: “O Presidente da República fala ao governador do Banco de Portugal a qualquer hora do dia ou da noite”. A resposta de Vítor Constâncio foi exactamente assim: “Ó Jorge, ainda até se pode economizar algum, não tem importância nenhuma”. Nessa altura, o dr. Sampaio diz-me: “Eu vou pensar”. Às 7h15 tocou o telefone na minha mesinha de cabeceira e ele diz-me: “Olha, vou mandar chamar o Flopes a Belém”. Flopes era aquela brincadeira dos bonecos [O nome de Santana Lopes no programa humorístico Contra-Informação era Santana Flopes]. Lá está, substituíamos sempre o nome das pessoas e o Santana Lopes era o Flopes.

Foi secretário de Estado da Justiça do Governo de Macau para onde levou um grupo de jovens juristas… Eduardo Cabrita, Pedro Siza Vieira, Diogo Lacerda Machado.
Quem mos indicou foi o dr. António Costa.

Que trabalhava consigo no escritório…
Trabalhava. Depois de tomar posse, eu disse-lhe: “Ó António, arranja-me gente nova e sem vícios, que sejam bons juristas, para levar para Macau”. Fico-lhe a dever essa, porque ele indicou-me três tipos excelentes que foram para Macau em Agosto de 1988. E devo dizer que foram absolutamente preciosos, até na maneira como encararam a função. Na primeira reunião com os assessores que tive, quando eu cheguei eles ainda não tinham chegado. Apareceram-me com aquele ar de quem acabou de tomar o duche. E eu disse-lhes: “Bom, os meninos ficam a saber que nestas reuniões vai ser como era em minha casa ao almoço e ao jantar. Nós estávamos de pé à mesa à espera que o pai e a mãe chegassem. Portanto, os meninos passam a estar aqui antes de mim e eu não volto a chegar e a ficar à vossa espera. Depois, há outra coisa que eu vos queria dizer. Não vale a pena virem com a fantasia das notas magníficas que tiveram na Faculdade. Eu também tive. Isso não me impressiona nada. O que vocês têm que fazer é uma coisa diferente e de que se calhar não gostam nada, que é durante os próximos dois, três meses entrarem em contacto com todos os mangas-de-alpaca do território que vocês desprezam para vos ensinarem como é que isto funciona. E a partir daí poderão ser-me úteis”. Os meninos que tinham efectivamente qualidade aprenderam tudo o que era necessário aprender! E foram preciosos nos dois anos que eu lá estive.

Há uns tempos disse que Macau “foi sempre uma espécie de cofre para os partidos portugueses”. Diz-se que o dinheiro chegava aos partidos em malas vindas de Macau. Qual é a veracidade?
É verdade.

As malas de dinheiro andavam de um lado para o outro?
Que eu saiba, com excepção do PC, toda a gente lá foi.

Mas como é que isso se processava?
Isso é outro caminho sobre o qual eu não gostaria de falar, porque põe em causa pessoas que já morreram. Não vou falar relativamente à conduta de A, de B ou de C, que já não está em condições de poder dizer se é assim ou não. Era assim. Dir-me-á: “E quando foi secretário adjunto da justiça o que é que fez?”. Nada.

E porque é que não fez nada?
Aquilo que era possível fazer em termos de criminalidade num território que estávamos a administrar era manter a criminalidade local num nível socialmente tolerável. Não se podia ter a fantasia de que se ia erradicar a corrupção, de que ia erradicar tudo o que era a malha das tríades em Macau. Não podia haver nenhum ultramontanismo na perspectiva do que se podia fazer na justiça.

O dinheiro para os partidos vinha do Stanley Ho, dos casinos?
Vinha de tudo. Havia várias fontes. As pessoas tinham contactos entre si. Havia vários contactos entre pessoas de cá e pessoas de lá. Com o nível de promiscuidade em que o território vivia, essas coisas floresciam sem grande dificuldade. Isto é o ponto número 1. Ponto número 2: sem condições para obstar, naquela cultura, para que se pudesse fazer diferente. Teve que haver prioridades.

As malas de dinheiro eram consideradas normais…
Tudo isso era considerado normal como a corrupção em Macau era uma coisa quase normal. Por volta do dia dos meus anos, 28 de Dezembro de 1988, fui passar uns dias à Tailândia. Quando voltei, a casa estava cheia de presentes da comunidade chinesa. E entre elas estava um jarrão muito bonito, com certificado, dinastia Chang, oferecido pelo senhor Stanley Ho e a mulher. Eu disse: “Pronto! Lá começa a chatice. Vou ter de recusar isto e vou criar um problema de todo o tamanho”. No dia seguinte de manhã, chamei o assessor local. “Ó dr. Xavier, está aqui esta certificação. Em colaboração com a Polícia Judiciária averigue-me discretamente em Hong-Kong onde isto foi comprado, saber quanto é que isto custou que eu quero perceber se posso aceitar ou não”. Passados uns dias, ele disse: “Já averiguámos. Custou 40 mil dólares de Hong-Kong”. Eram 800 contos. “Eu não posso aceitar um presente de 800 contos!”. Diz o dr. Xavier: “Ó sr. dr. páre um bocadinho. O sr. dr. está aqui há pouco tempo. Vou-lhe dizer o seguinte: o sr. dr. é a sétima figura do território. Depois, há os deputados à Assembleia Legislativa, os directores-gerais, os directores de serviço, os directores de departamento, os chefes de secção… Estamos a falar de centenas de pessoas. Vamos ao sector mais baixo, chefe de secção. O dr. sabe como é que se suborna um chefe de secção em Macau?”. “Não, dr. Xavier, não sei”. “Com um Rolex em ouro que custa 4500 contos. Como compreende, quando o sr. Stanley Ho lhe dá um jarrão que custa 800 contos nem lhe passa pela cabeça que está a subornar um secretário adjunto. Está a dizer ‘sou rico e tenho respeito pelo poder’. Recusar isso é uma ofensa pública ao sr. Stanley Ho. Não passa pela cabeça de ninguém que Stanley Ho quisesse subornar um secretário adjunto com um jarrão que custa 800 contos”. Isto é Macau. E eu aceitei o jarrão, está em minha casa.

Sempre se falou que poderia vir a ser governador de Macau. Por que é que isso nunca aconteceu e o general Rocha Vieira, com quem o Presidente da República teve relações complexas, ficou até ao fim?
Fevereiro de 1997, já lá vão 25 anos… [Magalhães e Silva recorda uma viagem oficial de Jorge Sampaio a Macau e também à China marcada por grandes polémicas com Rocha Vieira].

Na altura, pensávamos que Manuel Magalhães e Silva poderia ser o governador de Macau e substituir Rocha Vieira…
Eu opus-me sempre à recondução de Rocha Vieira, mas pouco mais gente se opôs. O Carlos Monjardino também se opôs. Carlos Gaspar também. A opinião que as dezenas de pessoas que o dr. Sampaio ouviu lhe foram dando era terrífica.

Porquê?
É capaz de ser uma má solução, mas também pode ser que não seja mau.

A recondução do general Rocha Vieira?
Sim. E o que é que se faz com esse conselho? O conselho dado assim dá sempre razão a quem o tenha dado. Correu bem? “Ó homem, eu bem te disse!” Correu mal? “Ó homem, eu avisei-o”. Quando o dr. Sampaio decide reconduzir o general Rocha Vieira diz-me: “Vou reconduzir o general”. Eu respondi: “Jorge, se vais reconduzir o general ele tem que regressar a Macau entronizado. Não há governadores fracos. Portanto, põe-lhe as mãos por cima e dá-lhe toda a protecção.” E ele diz: “Ah, isso depois se correr mal vais para lá tu.” Eu disse: “Estás completamente enganado, Jorge. Eu ou ia agora ou nunca mais irei porque eu não fico com restos.” Foi assim. É a vida.

Gostava de ter sido governador de Macau?
Gostava, gostava.

De ter feito a transição?
Gostava de ter sido governador de Macau, de ter tido uma intervenção mais alargada nos anos do fim… embora o modo como o dr. Sampaio estabeleceu as relações com Macau e eu funcionei na intermediação dessas relações me tenham permitido fazer várias coisas e isso valeu a pena.

Mas foi muito difícil a relação com Rocha Vieira?
Foi, até eu lhe contar esta história toda. Em Julho de 1997, contei-lhe tudo, começando por dizer “o senhor não gosta de mim, eu não gosto de si. O senhor acha que eu estou em Belém a conspirar para o vir substituir mas está completamente enganado. Numa linguagem militar que o senhor bem entende tenho a dizer-lhe o seguinte: o senhor vai aguentar esta m*rda até Dezembro de 1999. E sabe como? Comigo ao lado”. E a partir daí demo-nos como Deus com os anjos.

Isso foi em Julho de 97. A viagem presidencial em Fevereiro tinha corrido muito mal….
Mal é alcunha. Correu pessimamente. Aí o dr. Sampaio também teve alguma responsabilidade. Estou perfeitamente à vontade para falar disso porque foi coisa de que falámos mais do que uma vez. Ele estava irritadíssimo com o general Rocha Vieira. E isso acabou por levar a formas de dizer as coisas que não favoreciam as relações.

Nessa visita, o general Rocha Vieira faz um discurso muito duro contra Portugal…
E o dr. Sampaio não achou graça. Agora, do ponto de vista da relação política, o dr. Sampaio foi sempre de uma transparência inultrapassável com o general Rocha Vieira. Não há nada de que ele se possa queixar, incluindo o episódio final da fundação, que está relatado no livro do José Pedro Castanheira. O dr. Sampaio disse expressamente ao general Rocha Vieira: “Não há mais fundações”. E depois, à revelia das instruções expressas do Presidente da República, é criada a Fundação Jorge Álvares em 14 de Dezembro de 1999, à socapa.

As relações entre os dois que já eram difíceis ficaram péssimas…
Aí tive alguma intervenção. Fui da opinião – que mantenho – de que não se podia deixar cair o general. Porque não era o general Rocha Vieira, era o último governador português em Macau. O que estava em causa era o Estado português. E assim se fez, com diligências várias em Macau, em Pequim. E em Abril de 2000 telefona-me o Edmund Ho: “Tenho boas notícias para si. Pequim não quer nuvens nas relações com Portugal. Amanhã vou resolver isto.” Não perguntei mais nada. Ele no dia seguinte convoca uma conferência de imprensa e, com a presença da comissão de inquérito que ele tinha nomeado a estes factos, no final, bem à maneira chinesa, o Edmundo Ho diz: “Como vêem, há zonas cinzentas, zonas negras, zonas azuis e zonas brancas. Não podemos tirar conclusões.” E há jornalistas portugueses na sala que perguntam: “E o que pensa da actuação do general Rocha Vieira?” E o Edmundo Ho: “Eu penso que o general Rocha Vieira pensou que estava a actuar bem.” Outra pergunta: “E o que pensa da actuação do general Rocha Vieira como governador de Macau?” Resposta de Ho: “Ai isso não. Como governador de Macau, o senhor general Rocha Vieira só responde ao Presidente da República portuguesa.” E estava resolvido o incidente. Tipicamente chinês.

Uma última pergunta. De onde lhe vem o talento para a cozinha?
Nós somos nove irmãos, seis rapazes e três raparigas. Todos cozinhavam magnificamente e eu nem um ovo estrelado. Por Outubro de 2004 vou à [livraria] Europa-América, que era aqui ao pé do escritório, e vejo o livro das receitas da “Casa da Comida”. Achei o livro muito bonito e não me pergunte porque é que o comprei. Não sei, mas comprei-o. E nessa noite em casa estava com a Natália [Carvalho, a mulher, jornalista] a ver o livro e vejo a receita de caril de galinha, que é uma coisa que eu adoro. Comecei a olhar para aquilo e a pensar “não há aqui caril nenhum!” Cardamomo, pasta de tamarindo, curcuma… se calhar são os ingredientes com que é feito o caril. Telefonei ao Jorge Álvares que era o dono da Casa da Comida e disse: “Estou aqui a ver o livro do seu restaurante… onde é que eu posso arranjar estas coisas?” “Há uns indianos numa transversal da Almirante Reis, a rua Maria, há lá um supermercado, vai arranjar isso tudo.” Fui, fiz e calhou bem. Vamos à China em 2005. E no regresso de Xangai, um voo de 16 horas com stopover no Dubai, a senhora D. Maria José [Ritta, mulher de Jorge Sampaio] vem ter comigo e diz-me: “Estás a ver? Este gajo só faz coisas que não têm graça nenhuma. E se fizéssemos, também para ele descontrair, um curso de cozinha com um grupo de amigos?” Não é mal pensado, disse eu. E diz-me ela: “Ó menino, vamos já aqui fazer uma lista.” E fizemos uma lista dos 12 que iriam ao curso de cozinha com o Vítor Sobral. E assim se fez. Toda a gente achou muita graça, mas mais ninguém ligou nenhuma. E eu apanhei o vício. A partir de 2005 passei a ter como hobby de fim-de-semana a cozinhar. Acho a maior graça. E é uma excelente terapia! Enquanto se descasca batatas e se pica cebolas não há angústias nem ansiedades. Os meus amigos jogam golfe, eu cozinho.

 

Editado por HappyKing
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Citação de HappyKing, há 2 horas:

O Costa está fortíssimo nos últimos dias. Há uns dias o CGP dizia que ele era o Orban, ontem o Montenegro equiparava o partido que ele(Costa) lidera à União Nacional, agora é o homem da mala de Macau. Esta última em particular roça a difamação.

Roça?

Citação de Mayday, há 15 horas:

 

Era não era?

Citação de Hammerfall, há 22 horas:

Passei agora pela rotunda aep e vi o cartaz da IL. Lembrei-me logo do @Tio Hans 😂

Não que estejas errado, partilho da tua opinião, mas foi engraçado ter-me imediatamente lembrado de ti 😋

Estás a falar do da TAP?

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Citação de Tio Hans, há 21 minutos:

Estás a falar do da TAP?

Sim, esse mesmo.

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Citação de HappyKing, há 2 horas:

O Costa está fortíssimo nos últimos dias. Há uns dias o CGP dizia que ele era o Orban, ontem o Montenegro equiparava o partido que ele(Costa) lidera à União Nacional, agora é o homem da mala de Macau. Esta última em particular roça a difamação.

O que esta gente queria mesmo era que o Costa lhes metesse um processo mas era o que mereciam.

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Citação de Tio Hans, há 21 minutos:

Roça?

Foi para ser simpático. 

Citação de SAS_Robben, Agora:

O que esta gente queria mesmo era que o Costa lhes metesse um processo mas era o que mereciam.

Claro. Snowflakes, limitação de liberdade de expressão, etc, etc. É fácil de imaginar a narrativa.

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Citação de Hammerfall, há 2 minutos:

Sim, esse mesmo.

Tende a piorar. Já meteram um camião de rotas em promoção, grosso modo aquelas que a Easyjet anunciou devido aos slots com que ficou. Como as protecções aos slots estão a terminar, e como a TAP não vai conseguir manter todos os que tem, mais concorrência terá. O futuro, sendo realista, ditará que a TAP não tem qualquer hipótese de sobrevivência que não seja à custa do dinheiro dos contribuintes. Caberá aos contribuintes decidir o que lhe quererão fazer.

A propósito disto, também é engraçado constatar que o degradante estado de congestionamento do aeroporto de Lisboa tem contribuído para a sobrevivência da TAP.

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Citação de Tio Hans, há 39 minutos:

Tende a piorar. Já meteram um camião de rotas em promoção, grosso modo aquelas que a Easyjet anunciou devido aos slots com que ficou. Como as protecções aos slots estão a terminar, e como a TAP não vai conseguir manter todos os que tem, mais concorrência terá. O futuro, sendo realista, ditará que a TAP não tem qualquer hipótese de sobrevivência que não seja à custa do dinheiro dos contribuintes. Caberá aos contribuintes decidir o que lhe quererão fazer.

A propósito disto, também é engraçado constatar que o degradante estado de congestionamento do aeroporto de Lisboa tem contribuído para a sobrevivência da TAP.

Infelizmente, há 6 meses, a maioria dos contribuintes escolheu ficar com esse mono com asas 😞

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O pior desse circo dos lunáticos da IL é a normalização com que já se encara esse tipo de propaganda oficial. São os primeiros a berrar que é preciso uma nova forma de fazer política mas foram eles que normalizaram o insulto puro e simples com a desculpa infantil de "ahah é uma brincadeira". 

Se o Costa se preocupasse em mete-los em tribunal por isso já tinha era material para um megaprocesso.

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O Manuel Clemente pelos vistos pôs o lugar a disposição do Papa.

Agora era bonito era ser investigado por encobrir crimes.

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Citação de antifa, há 10 horas:

Se o Costa se preocupasse em mete-los em tribunal por isso já tinha era material para um megaprocesso.

Isso era ouro sobre azul para eles.

Exacerbavam ainda mais tudo isso. Nem sei se não é mesmo o que procuram. 

A direita, no geral, também parece nao querer muito mais do que isto para fazer "oposição". Só desbloqueia quando é para defender lucros e capital ou colocar travões a direitos de minorias. 

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Citação de antifa, há 11 horas:

O pior desse circo dos lunáticos da IL é a normalização com que já se encara esse tipo de propaganda oficial. São os primeiros a berrar que é preciso uma nova forma de fazer política mas foram eles que normalizaram o insulto puro e simples com a desculpa infantil de "ahah é uma brincadeira". 

Se o Costa se preocupasse em mete-los em tribunal por isso já tinha era material para um megaprocesso.

Testaram as águas com aquela rábula dos líderes partidários como alvos das setas. Ninguém fez nada, passou como uma brincadeira inocente que de inocente não tinha nada.

A água estava boa e afinal não é assim tão profunda, hora de entrar nela à grande e dar uns mergulhos. É um partido mais perigoso para a Democracia do que o Chega.

Estes últimos pelo menos são honestos no discurso e todos sabem o que pode vir dali. Os outros vêm com falinhas mansas e vão enchendo a piscina de lama, transformando-a numa pocilga sem ninguém se dar conta.

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Citação de Liberblue, há 1 hora:

Agora no CMPT a IL é um partido muito perigoso para a Democracia.

A IL não é um partido que ameace a Democracia, mas é um partido que ameaça a sã convivência política e o discurso político bem-educado. Mas enfim, querem-se afirmar pela via do meme edgy, é a escolha deles.

 

Mas pergunto-me se fosse o PCP com arco e flecha no Avante contra fotografias de líderes políticos de partidos de direita, se a reacção seria a de ¯\_(ツ)_/¯ como foi com a IL.

Editado por IlidioMA

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Citação de IlidioMA, há 13 minutos:

A IL não é um partido que ameace a Democracia, mas é um partido que ameaça a sã convivência política e o discurso político bem-educado. Mas enfim, querem-se afirmar pela via do meme edgy, é a escolha deles.

 

Mas pergunto-me se fosse o PCP com arco e flecha no Avante contra fotografias de líderes políticos de partidos de direita, se a reacção seria a de ¯\_(ツ)_/¯ como foi com a IL.

Os memes da IL faziam todo o sentido quando tinham 1 deputado.

Agora com 11 ou 12, são apenas cringe. Nisto isto de acordo contigo.

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Citação de Black Hawk, há 2 horas:

É um partido mais perigoso para a Democracia do que o Chega.

Estes últimos pelo menos são honestos no discurso

Percebo o que queres dizer mas opá não lol

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Citação de IlidioMA, há 56 minutos:

A IL não é um partido que ameace a Democracia, mas é um partido que ameaça a sã convivência política e o discurso político bem-educado

Ameaça aquilo que é uma das pedras basilares das instituições e espírito democrático, pelo que...

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