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Pablo Escobar

Polémico: presidente do Marítimo defende extinção da Liga

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Citação do site "Maisfutebol"

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Carlos Pereira veio a público avançar com a possibilidade de extinção da Liga Portuguesa de Futebol Profissional. O presidente do Marítimo considera que poderá ser melhor criar um departamento profissional na Federação.

«As decisões que estão a ser tomadas pela Liga obrigam-me a pensar que, face aos custos inerentes anuais e os aumentos significativos que a Liga tem tido anualmente, vou tomar a iniciativa de arranjar uma comissão para a liquidação da Liga», começou por dizer.

O dirigente salienta o trabalho realizado pela Federação Portuguesa de Futebol: «Com certeza que terá outras condições e, da forma que está a trabalhar, a Federação Portuguesa de Futebol vai abafar completamente, e, antes que todo aquele custo vá sobrar para os clubes, é bom pensarmos atempadamente naquilo que é a extinção da própria Liga.»

«Não faz sentido nenhum haver a Liga contra aquilo que foi uma das expetativas criadas e que eu próprio ajudei a criar, mas o melhor é emendar o erro em vez de persistir nesse mesmo erro. O Marítimo está na linha da frente para alterar o paradigma da Liga e vai também pensar seriamente estar na linha da frente para um departamento profissional na FPF», rematou Carlos Pereira.

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Grande tacho que o querido arranjou. O futebol português a arder e ele estilo no pasa nada.

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O querido está a fazer um excelente trabalho. Recuperou financeiramente a instituição,está a distribuir mais dinheiro pelos clubes mais pequenos. Mais é difícil fazer.

 

Isto mesmo sendo ele uma pessoa execrável.

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A Liga tem o poder para expropriar?

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Era para ontem. Já de há muito que a Liga está ferida de morte, com cada clube a puxar para o seu lado. Mas não vai acontecer.

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Já o tinha dito no topico das criticas do Benfica à FPF, que se estavam a juntar para arranjar maneira de acaberem com a liga.

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Se o Proença está a fazer um bom trabalho na Liga, isto levando em conta o que o Hans disse, porque é que surge uma proposta destas nesta altura?

 

Há alguma questão política que me esteja a escapar?

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O problema não está no bom ou mau trabalho do Proença, é mais os custos que a liga está a imputar aos clubes e juntando a isso a não existência de receitas próprias, que não os pagamentos efetuados pelos clubes, há muita gente com vontade acabar com a liga.

 

E se ainda por cima, dia sim dia não, sai uma notícia a tentar evidenciar que existem critérios diferentes para as penas a aplicar aos clubes, faz com que ainda mais mal estar se gere.

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Se o Proença está a fazer um bom trabalho na Liga, isto levando em conta o que o Hans disse, porque é que surge uma proposta destas nesta altura?

 

Há alguma questão política que me esteja a escapar?

Para todos os efeitos, a Liga tem uma estrutura pesada (muita gente, salários elevados, etc) e os apoios que a Liga conseguiu, a FPF também tem capacidade para os conseguir.

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A liga só tem de centralizar os direitos será a salvação de todos. Este Carlos Pereira é mais um burro que deambula no dirigismo português.

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Estou a ver.

 

Não estás nada, Vaart... O Tio e o Bazuka só afloraram a questão superficial que não é determinante.

 

A primeira coisa que precisas de saber é que o Carlos Pereira não passa de um "testa de ferro". Isto para ser simpático porque na verdade é um mero fantoche. Quem está por trás destas movimentações são, como sempre, os Grandes. Um deles, dois deles ou os três em conjunto, isso é irrelevante.

 

A segunda coisa que deves conhecer é o enquadramento histórico. A Federação já teve a seu cargo a gestão do futebol profissional. Aliás, a maior parte do tempo desde que há Futebol em Portugal foi a Federação quem teve a responsabilidade de o gerir. A década de 80 foi uma altura muito importante para o Futebol. Em Portugal e no Mundo. Foi a altura em que o Futebol passou a ser um negócio rentável. E foi a altura em que, em Portugal, o FC Porto começou a deter a hegemonia. Foi a altura também em que os clubes decidiram organizar-se numa Liga começando a pressionar o Governo no sentido de se autonomizarem da Federação e passarem a gerir o seu próprio negócio. Esse movimento foi bem sucedido e na primeira metade dos Anos 90 houve alterações legislativas que consagraram a Liga como responsável pela organização do futebol profissional.

 

Foi uma situação win-win para todos os interessados. Benfica e Sporting porque se viam livres das decisões tomadas em Assembleia Geral da Federação controlada pelo já falecido Adriano Pinto e seus famosos "xitos". Para os clubes lisboetas essa era, na altura, a principal causa do sucesso portista: as manobras de bastidores diligentemente orquestradas pelo presidente da Associação de Futebol do Porto que se tinha tornado, nos Anos 80, a mais importante do país. Para o FC Porto porque lhe seria mais fácil controlar a Liga e alargar os horizontes na árdua tarefa de dominar o futebol português utilizando meios mais ou menos confessáveis. A história é conhecida. Os clubes lisboetas foram, como diz o povo, "comidos de cebolada". Manifestando grande boa-vontade o FC Porto apoiou a eleição de Manuel Damásio (mais conhecido como marionete de Pinto da Costa) como Presidente da Liga na época de transição. No entanto, e tendo como pressuposto uma lógica de alternância, foi o próprio Pinto da Costa o presidente da Liga na 1ª época a sério organizada pela Liga. Na época seguinte a alternância terminou e foi eleito para reinar um tal de Valentim Loureiro, homem de caráter e apreciado por todos os clubes (os 3 que importam para a história, claro). Entretanto já Pinto da Costa punha e dispunha no que queria e não queria em termos do futebol português. O Apito Dourado não passou da ponta do icebergue.

 

Tudo funcionava perfeitamente. A Liga era o palco da batalha. Luís Filipe Vieira surge como conquistador e, a reboque do Apito Dourado, substitui Pinto da Costa como personagem mais influente no futebol português. Surgem figuras na ribalta como o juíz Ricardo Costa. Valentim Loureiro, no palanque, aplaudia e recolhia as sobras para o seu Boavistão. O Sporting, em guerras intestinas, com os bancos à perna, esperava a sua vez.

 

E de repente tudo mudou. Em 2011 é tomada a decisão de fazer regressar à esfera da Federação as áreas da arbitragem e da disciplina. Os clubes posicionam-se perante o novo cenário. O FC Porto avança, pela calada, com Fernando Gomes (na altura já presidente da Liga) para a presidência da Federação. O Benfica, aberta e publicamente, manifesta apoio a essa candidatura. O Sporting satisfaz-se com o facto do seu confessado adepto Vítor Pereira seguir com Fernando Gomes para a Federação continuando a exercer o lugar de Presidente do Conselho de Arbitragem. E para a Liga, que deixava de ter importância, elegeram um boneco qualquer... um tal de Mário Figueiredo. A Liga deixou de ter qualquer relevância para os clubes. Não era por ali que poderiam pressionar, controlar, condicionar os árbitros e os conselheiros que administram a disciplina e a justiça. A Liga foi-se esvaziando e ficou apenas como um sorvedouro de custos que os clubes têm que alimentar. Vai fazendo essa coisa sem qualquer importância que é organizar o campeonato. Mas os clubes (os 3 de que falo) não querem saber disso. Querem é o número de telefone do gajo que nomeia os árbitros. Querem conhecer os observadores dos árbitros. Querem ter acesso direto aos árbitros. Querem encontrar nos corredores o jurista relator que tem em mãos aquele processo disciplinar que lhes diz respeito. Por isso a Liga tende a acabar. Mas não vão ser os clubes Grandes quem lança a semente. Não, porque, na verdade, o fim da Liga é a suprema manifestação de incompetência dos próprios clubes. Quem começa a soltar umas opiniões que, aos poucos, vão fazendo o seu caminho são os oficiais menos graduados. Os Carlos Pereiras que por aí andam à esmola de empréstimos de jogadores, contactos com empresários e outros favores. Que se sujeitam à abjeta vassalagem e subserviência. Esses é que vão aparecer como os grandes ideólogos do fim da Liga.

Editado por Descartes

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Ainda bem que escrevi aquele post ontem à noite. Assim não posso ser acusado de me ter inspirado no que li hoje de manhã.

 

A quem se interessa sobre estas coisas de como funciona o futebol português aconselho vivamente a leitura do editorial de hoje do Vítor Serpa n'A Bola. Uma metáfora brilhante. E podem aproveitar, viram a página, e deleitem-se com o artigo do Duarte Gomes.

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