Augusto Publicado 29 Agosto 2018 Citação de Bashir, há 35 minutos: E com quem tem uma filha de 4 meses. Anunciada ao mundo em pleno estádio 😂 A criança não tem culpa, mas fica aqui para lembrar algumas mentes mais esquecidas. http://www.tvi24.iol.pt/videos/desporto/bruno-de-carvalho-anuncia-em-video-que-vai-ser-pai/59c266540cf2f1738a49d091/123 Compartilhar este post Link para o post
Genzo Publicado 29 Agosto 2018 E acho que era o CM a dizer hoje que o Bruno em processos e providências já gastou um balbúrdio. Compartilhar este post Link para o post
Longineu Publicado 29 Agosto 2018 tenho pena das filhas dele. Compartilhar este post Link para o post
JonasThern Publicado 29 Agosto 2018 Tanta gente inocente e sem maldade a morrer no mundo. Compartilhar este post Link para o post
El Shafto Publicado 29 Agosto 2018 Citação de JonasThern, há 30 minutos: Tanta gente inocente e sem maldade a morrer no mundo. mesmo, deus é bué injusto Compartilhar este post Link para o post
Visitante Publicado 29 Agosto 2018 Então a Ornelas avançou para rescisão por justa causa? Será que também vai meter o advogado-maravilha a tratar do processo? Compartilhar este post Link para o post
Cabeça de giz Publicado 29 Agosto 2018 Citação de Inkie, Em 27/08/2018 at 14:33: Nem me lembrei dele. Também gosto do "formação / bdc". Muito bom. a nossa formação está resumida a 1 brasileiro que não sabe ver horários dos voos. já suspeitava. Compartilhar este post Link para o post
1906 Publicado 29 Agosto 2018 Citação de ElliotReid13, há 50 minutos: Então a Ornelas avançou para rescisão por justa causa? Será que também vai meter o advogado-maravilha a tratar do processo? E com cláusula anti-rivais. 2 Compartilhar este post Link para o post
Longineu Publicado 30 Agosto 2018 Não percebo o objectivo desse post lol Compartilhar este post Link para o post
Genzo Publicado 30 Agosto 2018 Está certo, o homem ainda não era presidente, alias, na altura ninguém falava dele. Que no sense do camandro. Compartilhar este post Link para o post
me_and_no_more_ Publicado 30 Agosto 2018 Portanto, devia ter tido gratidão por ter tido a oportunidade de assinar uma camisola para uma criança que o tinha como ídolo? Compartilhar este post Link para o post
Pickle Rick Publicado 30 Agosto 2018 Mais uma vez a expor a filha... Compartilhar este post Link para o post
Longineu Publicado 30 Agosto 2018 Citação de Pickle Rick, há 1 minuto: Mais uma vez a expor a filha... Ja tem praí umas 4 fotos no insta das filhas. Já vi lá vários comentários a criticá-lo por isso. Compartilhar este post Link para o post
jean-luc godard Publicado 1 Setembro 2018 Citar O ESTADO DA NAÇÃO SPORTINGUISTA Do elitismo do croquete ao populismo, sempre no fio da navalha. E o que se segue não é prometedor TEXTOS RUI SANTOS Há 31 anos e picos, a escassos dias do Natal de 1986, o Sporting registou o resultado mais impactante da sua história, quando Manuel Fernandes marcou por quatro vezes ao Benfica e os ‘leões’ venceram por 7-1. Os ‘encarnados’ contavam com Mortimore a comandar a equipa, tinham Silvino na baliza, Veloso e Álvaro Magalhães na defesa, Shéu, Carlos Manuel e Diamantino no meio-campo e Rui Águas no ataque — e lideravam com 5 pontos de vantagem sobre o Sporting, que era, no momento, à 14ª jornada, o 4º classificado do Campeonato Nacional da I Divisão. Os ‘leões’ tinham Vítor Damas na baliza, Oceano, Litos e Mário Jorge (2 golos) no ‘miolo’ e o mestre goleador Manuel Fernandes no ataque, com Manuel José a liderar a equipa verde e branca, impagável no segundo tempo, ao passar de 1-0 (intervalo) para 2-1 e depois para... 7-1. Sete passou a ser um número mágico para os adeptos sportinguistas, que nessa época de 1986-87 não conseguiram melhor do que o 4º lugar, à frente do Chaves e atrás do Vitória de Guimarães, sendo a única equipa que, nessa temporada, venceria o Benfica, não evitando que os ‘encarnados’ se sagrassem campeões nacionais, com mais três pontos em relação ao FC Porto. À data desse dia histórico para os verde e brancos, o Sporting já não conquistava o título desde 81-82 (quatro para cinco épocas) e só viria a consegui-lo 13 anos mais tarde, em 1999-2000. Quer dizer: já nessa altura, o clube de Alvalade revelava muitas dificuldades em não perder o comboio em relação ao Benfica, e o FC Porto iniciava, precisamente, o seu ciclo de grande afirmação no futebol em Portugal, com algumas importantes conquistas no espaço internacional (1986-87). Sete volta a ser, agora, no momento mais conturbado da história do Sporting, no contexto eleitoral, um algarismo invulgar. Foram sete os candidatos que se apresentaram disponíveis para a sucessão de Bruno de Carvalho, e a uma semana, precisamente, da eleição do próximo presidente do Sporting Clube de Portugal e depois de se conhecerem as caras, os programas, os perfis, as dialéticas, em entrevistas ou debates, a conclusão a que se pode chegar é que “estamos de volta” aos... “7 a 1”. Com efeito, sete candidatos não fazem um presidente. Esta talvez seja uma conclusão a que os sportinguistas não querem chegar. Muitos já terão feito a sua escolha. Muitos tê-la-ão feito ainda Bruno de Carvalho não tinha conhecido a suspensão por um ano, imposta pela Comissão de Fiscalização. Muitos já tinham identificação pelo menos por alguns dos candidatos. Haverá outros, mais divididos ou menos informados, que deixarão a sua escolha para a última hora. Nestas eleições, e de acordo com aquilo que preceituam os estatutos, não haverá segunda volta. Por um voto se ganha, por um voto se perde, e sete candidatos convidam à fragmentação do eleitorado. Dificilmente, e apesar das mais recentes aproximações, o novo presidente do Sporting conseguirá uma votação superior a 40%, embora esta última semana possa ser determinante na mudança da tendência de voto, quando estiver ainda mais nítida a separação entre os ‘candidatos mais candidatos’ e os ‘candidatos menos candidatos’, que começou, aliás, em termos de perceção, muito antes da publicação das primeiras sondagens, que davam Frederico Varandas e João Benedito como os grandes favoritos à vitória final. O CONFLITO GERACIONAL O estado da nação sportinguista comporta um conflito geracional que saltou à vista no momento dos primeiros debates e entrevistas. O Sporting tem uma característica distintiva em relação a todos os outros clubes, designadamente os rivais: abre-se à discussão como mais nenhum. Por um fio de cabelo, os sócios e adeptos do Sporting lançam-se na discussão. Só muito recentemente, no FC Porto, por força do muito recente ‘tetra’ do Benfica e do inusitado aumento de horas de debate, com um reforçado aumento de ‘comentadores’ afetos às cores dos ‘grandes’ do futebol português, houve abertura à discussão sobre temas mais ou menos proibidos, mas mesmo assim em pequena escala, uma vez que o epifenómeno do debate à alternativa a Pinto da Costa nunca saiu do adro da nomenclatura portista e nem Vítor Baía, nem António Oliveira, nem mesmo Rui Moreira se acharam em condições de dar um definitivo passo em direção à mudança. “Pinto da Costa forever”, até à data da sua partida, parece cada vez mais o cenário para o FC Porto, e esse “forever” ficará para sempre associado à memória e ao futuro do FC Porto, mesmo quando o presidente for outro, porque, por muitas discordâncias que alguns adeptos e sócios azuis e brancos possam ter em relação ao líder, nunca vão esquecer o facto de ter sido Pinto da Costa o fautor e o dínamo da grandeza que o FC Porto alcançou, nacional e internacionalmente. No Benfica, embora os processos sob investigação judicial e judiciária tenham concorrido para o desgaste da imagem de Luís Filipe Vieira, foi o próprio presidente do clube da Luz quem, ao longo dos anos, estrategicamente, com mudança de estatutos e com atitudes concretas no sentido da tentativa de capturar as vozes críticas, tomou a iniciativa de não deixar que se formasse uma oposição, neste momento concentrada na representação pública protagonizada por Gomes da Silva e alguns dos seus apêndices. Na tal raiz de uma ponta de cabelo, o Sporting começou a discutir o conflito geracional, talvez porque, antes das ‘fusões’ e entre os sete candidatos iniciais à presidência do Sporting, houve muita vontade em discutir experiência e falta dela, em função da dicotomia etária que cedo se estabeleceu entre ‘mais velhos’ (Dias Ferreira, 70 anos; José Maria Riccardi, 63; Fernando Tavares Pereira, 61) e ‘mais novos’ (Frederico Varandas, 38; João Benedito, 39), ficando Pedro Madeira Rodrigues (47) e Rui Jorge Rego (46) entre as duas faixas etárias. Não é a idade, só por ela, que motiva a conclusão segundo a qual sete candidatos não fazem um presidente. A experiência é um dado importante, mas a frescura e a energia para inovar e fazer coisas novas também podem ter enorme relevância. O Sporting já perdeu muito tempo a discutir esse tema. Aliás, o Sporting tem perdido muito tempo a discutir todo o tipo de minudências, e isso parece fazer parte de um ADN que precisa de ser combatido. Diz-se que é ‘cultural’. E, se é ‘cultural’, é porque ninguém, entre todos os presidentes que o Sporting conheceu, no período pós-João Rocha, fundamentalmente a partir da fundação das SAD, em cujo processo José Roquette desempenhou um papel crucial, teve a capacidade de identificar e resolver o problema. Não há nenhuma sociedade, organização ou estrutura que resistam muito tempo se não houver capacidade de manter níveis mínimos de coesão e solidariedade. No futebol, a resiliência é maior, e foi possível esticá-la, junto da banca, até ao limite, porque o ‘mercado’ conhece uma elasticidade, do ponto de vista do valor dos ativos, que tem sido possível considerar. Mas até essa ‘elasticidade’ tem os seus limites, e a banca, hoje, já olha para o futebol com uma desconfiança que não existia antes e já não lhe tolera megalomanias. A carne está toda comida e o osso não tem mais nada para rapar. O ‘FANTASMA’ DE BRUNO DE CARVALHO Antes de chegarmos aos fundamentos que levam à conclusão de que sete candidatos não fazem um presidente, da mesma maneira que sete paus não fazem uma canoa, é importante não passar por cima de um facto inelutável, embora incómodo: o presidente destituído Bruno de Carvalho não se conforma com a destituição, não se conforma com a suspensão e não se conforma com a inevitabilidade de deixar o Sporting à mercê de outra liderança. Recupero o que escrevi, nestas mesmas colunas, em destaque, há pouco mais de três anos, para dar a perceber que, já nessa altura, em 2015, quando Marco Silva foi ‘chicoteado’ e Jorge Jesus contratado para diminuir o impacto de uma indecência que não se faz a nenhum treinador — isto é, arranjar desculpas artificiais para o despedimento e para não pagar o que fora acordado em forma de contrato —, Bruno de Carvalho já tinha o seu perfil bem definido e o destino mais ou menos traçado: “O revolucionário Bruno de Carvalho ou faz explodir o edifício do futebol português, atingindo seriamente Benfica e FC Porto, ou faz-se explodir a ele próprio.” É preciso recordar que, nesse momento, Bruno de Carvalho ainda gozava da imagem de um revolucionário, que se apresentava para combater as entorses e os miasmas do futebol português, embora numa fase em que, apesar de um grande apoio e de um evidente deslumbramento, começava a dar sinais de desmesurado autoritarismo. Não foi por acaso que passou de uma votação de 36,15% em 2011 para 53,63% em 2013 e 86,13% em 2017. O valor alcançado em 2017, batendo amplamente Pedro Madeira Rodrigues, que não chegou aos 10% (9,46%, em concreto), foi o mote para o que restava da transformação de Bruno de Carvalho num presidente autoproclamadamente omnipotente. A partir daí foi um ‘vê se te avias’ de acusações, como se se sentisse legitimado a atingir tudo e todos, enquanto criava as condições para, estatutariamente, tomar conta do Sporting e fazer dele a sua ‘alegre casinha’ (“tão modesta quanto eu”), dando Xutos & Pontapés à esquerda e à direita. Bruno de Carvalho já estava em queda livre, e aquela entrevista à Sporting TV em 5 de setembro de 2017, na qual tentou recriar o caso do túnel, pedindo à realização um zoom para melhor expressar o momento de expelir o fumo e utilizando o moderador para ‘fazer de Carlos Pinho’, presidente do Arouca, apenas demonstrou que Bruno de Carvalho tinha não só uma acentuada tendência para a representação como exteriorizava sinais de que ‘precisava de ajuda’, muito para lá do burnout que, mais tarde, Eduardo Barroso lhe chegou a diagnosticar, depois dos posts publicados no Facebook pelo então presidente do Sporting após o jogo com o Atlético de Madrid e antes da partida com o Paços de Ferreira. Um mês depois das críticas públicas aos jogadores do plantel aconteceu a invasão da Academia. E aí, perante a ausência de uma resposta concludente além do ‘chato’ que aquilo foi, começou a desenhar-se o cenário da destituição. Estávamos em maio de 2018, mas em novembro de 2017, seis meses antes, não havia dúvidas de que Bruno de Carvalho “não precisa de ser empurrado: vai cair por ele próprio”. Dirão os mais cautelosos que Bruno de Carvalho só cairá quando for expulso da sua condição de sócio e quando os tribunais não derem provimento a nenhuma das providências cautelares que interpôs. Já se viu que ele tem uma capacidade ilimitada para a prestidigitação, como se verificou há dias quando apareceu em Alvalade a reclamar que o tribunal lhe dera razão e que, por isso, se achava na posse das suas competências como efetivo presidente do Sporting. Bruno de Carvalho renega a Mesa da Assembleia-Geral do clube, como antes já renegara o Conselho de Disciplina da FPF e outros órgãos e outras instituições. Renega a imprensa, fazendo-lhe um dos mais ferozes ataques do pós-25 de Abril, e depois serve-se dela, mesmo que as luzes se apaguem. Quem renega por desporto acaba por ser renegado. O problema já não é Bruno de Carvalho nem a imagem antissocial que projeta, a partir do momento em que 71% dos sócios do Sporting optaram pela sua destituição, retirando-lhe o apoio maciço que lhe haviam concedido um ano antes. O problema é o bloqueio que, durante um tempo já determinado, lhe impôs e as consequências da sua presidência no clube e na SAD. Em poucos meses, e depois de ter realizado algumas ‘operações’ meritórias, atirou outra vez o Sporting para a incerteza e para uma espécie de poço sem fundo. Com o seu descabelado ataque aos jogadores, muitos destes só queriam estar o mais longe possível de Alvalade, e Jorge Jesus, que fez os possíveis e os impossíveis para gerir a situação, não teve outra alternativa senão fazer aquilo que não queria, isto é, ir trabalhar para o estrangeiro, no caso vertente a Arábia Saudita. Não foi apenas a violência usada no ataque à Academia. Foi também a violência psicológica utilizada contra os jogadores e o treinador e contra as respetivas famílias. Se os sócios não votassem a destituição, na AG mais escrutinada da vida dos ‘leões’, na qual Bruno de Carvalho — cometendo uma série de irregularidades — estava especialmente acordado para qualquer deslize que a Mesa da AG pudesse cometer (ironia das ironias), o Sporting, com Sinisa Mihajlovic, entraria num túnel de incontáveis perigos. Não teriam regressado, nunca, nem Bruno Fernandes, nem Battaglia, nem Bas Dost, a dinâmica destrutiva de perda de valor continuaria, o quadro de perseguições e de caça às bruxas manter-se-ia com grande dose de certeza, o cenário de desconfiança aumentaria, fugiriam os investidores e os patrocinadores, e o Sporting mais tarde ou mais cedo entraria em colapso. A destituição e a entrada em cena da Comissão de Fiscalização e da Comissão de Gestão permitiram ao Sporting desanuviar a visão do caos, mas o mal que está feito vai levar muito tempo a reparar. Não serão dias nem meses, serão anos, por maior que seja o esforço do novo presidente e de quem o acompanhar. O Sporting não fez uma pré-época em condições, não conseguiu realizar uma venda capaz (nem Rui Patrício, nem Gelson, e mesmo William Carvalho poderia ter rendido mais 10 milhões de euros), perdeu um dos jogadores mais prometedores da formação (Rafael Leão) e ainda tem o ‘fantasma’ de Bruno de Carvalho a esvoaçar sobre Alvalade e Alcochete. A resiliência pode ser grande, e também o otimismo de Sousa Cintra, mas os 400 milhões de euros de passivo, as obrigações de curto prazo e a necessidade de, neste contexto, concretizar reestruturações, atrair parceiros de negócio, reorganizar, estabilizar e dar estrutura ao futebol não são coisas de curto e médio prazo, por muitas que sejam as ideias e as esperanças dos candidatos. O Sporting tem uma endemia crónica que nenhuma presidência resolveu (João Rocha, com 13 anos de liderança, foi a exceção a confirmar a regra) e que se acentuou com o advento das SAD: Nos últimos 15 anos, enquanto Benfica e FC Porto tiveram apenas um presidente, o Sporting teve seis, em clima de permanente convulsão. E tudo leva a crer que, perante o atual número de candidatos à presidência (mesmo que fiquem menos de sete, algo nunca visto), o próximo ciclo também seja curto, pelo menos até à marcação de outro ato eleitoral. O novo presidente do Sporting, eleito no próximo sábado, não vai ter grande fôlego enquanto não for relegitimado, embora a experiência mais recente prove que, no caso concreto dos clubes de futebol, as maiorias esmagadoras podem ter um pavio muito curto. Seja como for, talvez não seja de desprezar quem entendeu não estarem reunidas neste momento as melhores condições para uma candidatura presidencial, como foram os casos de Miguel Poiares Maduro e Luís Figo — e isso pode ser uma vantagem, quando ainda não estão contabilizados os danos e a ‘respiração’ do ‘fantasma’ de Bruno. Não se sabe o que vai acontecer, em sede da FIFA e do TAS (Tribunal Arbitral do Desporto), com os jogadores que abandonaram o Sporting e não se dispuseram a encetar negociações para o regresso. Apesar de ser tangível o trauma suscitado a todos os que se viram envolvidos no ‘ataque a Alcochete’, não parece comparável, por exemplo, o caso de Rui Patrício com os casos de Podence e de Rafael Leão. O Sporting até pode encaixar alguns milhões no desfecho destes casos (inclusive, na situação que envolveu Gelson), mas não são fáceis de contabilizar os danos resultantes da dinâmica destrutiva que Bruno de Carvalho desenvolveu junto do treinador e dos jogadores. Não são apenas os custos de não haver ‘encaixes’ de vendas — algo essencial na vida das SAD e cuja tendência foi invertida com Bruno de Carvalho e Jorge Jesus, embora no caso de William Carvalho o começo da valorização tenha acontecido com Leonardo Jardim. Não são apenas os custos de imagem e de toda a instabilidade criada. Apesar do bom começo de campeonato (três jogos sem derrotas, um dos quais na Luz), as dificuldades na preparação da época e a pré-temporada (em termos técnico-desportivos) podem corresponder a uma pesada fatura durante a temporada. Tudo o que o Sporting possa fazer para contrariar uma conjuntura extremamente desfavorável deve ser creditado na conta de José Peseiro, dos jogadores e da Comissão de Gestão — autêntica corporação de bombeiros que fez os impossíveis para apagar os fogos ateados em Alvalade e em Alcochete. A Comissão de Gestão, cujos principais rostos são Artur Torres Pereira, Sousa Cintra e Luís Marques, foi confrontada com uma realidade brutal (exaustão financeira, número de sócios e sócios pagantes muito inferior ao propagandeado, funcionários pressionados e temerosos, futebol num caos), fez o que pôde, mas em tudo o que envolveu, direta ou indiretamente, Jorge Mendes foi-lhe impossível negociar. A questão da relação com os agentes de futebol e, concretamente, com Jorge Mendes é algo que tem perturbado o crescimento do Sporting, em comparação, por exemplo, com o que acontece no Benfica... A Comissão de Fiscalização, constituída por Henrique Monteiro, João Duque, António Paulo Santos, Luís Pinto de Sousa e Rita Garcia Pereira e nomeada por Jaime Marta Soares para desempenhar as funções do demissionário Conselho Fiscal e Disciplinar, com uma tarefa muito espinhosa — pois teve de analisar as participações disciplinares de sócios a visar essencialmente o ex-presidente e, ao mesmo tempo, suportar a campanha de descredibilização que lhe foi movida por Bruno de Carvalho, ao ponto de ter de assistir às pirotecnias de Elsa Judas e, mais tarde, às suas contradições e arrependimentos (tudo o que de mais mirabolante se poderia imaginar aconteceu, efetivamente, ao Sporting) —, optou por um ano de suspensão a Bruno de Carvalho, mas tudo leva a crer que, com a acumulação dos processos e com a gravidade das imputações após a entrada da primeira participação, subscrita designadamente por Manuel Moura dos Santos, a expulsão seja promovida pelo novo Conselho Fiscal e Disciplinar que sairá das eleições do próximo sábado. Regressando a Bruno de Carvalho: estamos a falar do presidente que gerou maior impacto na vida do Sporting. Tirando o caso de João Rocha, que fez a transição do clube para o ‘Portugal democrático’, crucial na valorização do princípio do ecletismo, nenhum outro — nem Brás Medeiros nem Jorge Gonçalves, este uma espécie de ‘meteorito’ que caiu em Alvalade, fazendo estremecer as fundações do clube — gerou tanta atenção, tanta mobilização, tanta discussão, tanta convulsão e tanta indignação como Bruno de Carvalho. Trata-se de um ‘fenómeno’ sobre o qual importa refletir, sem subestimações. A partir do momento em que, nos anos 80, o Sporting passou a ser um eterno candidato ao título, não conseguindo ser campeão, desde essa década, por mais de quatro (!) vezes (1980, 1982, 2000 e 2002) e por força de um ciclo relativamente longo em que se falava mais de património, PDM e afins do que propriamente de futebol, projetando-se a imagem de um elitismo (sem pitons), muitos adeptos e sócios do Sporting, com a promoção gratuita dos rivais, consentiram o rótulo: o ‘clube dos viscondes’ e o ‘clube dos croquetes’. E o rótulo entranhou-se, por razões históricas (umas) e demagógicas (outras). Era a ligação óbvia com o fundador, denominado visconde de Alvalade, e também com o serviço de salgadinhos que rolava na tribuna do velho estádio: parecia que estava sempre tudo bem, mesmo que a bola não entrasse na baliza dos adversários. Bruno de Carvalho explorou o ‘croquetismo’, uma designação mais chã e prosaica de elitismo. Apareceu com mensagens de contraste, com garbo q.b. (em contraponto com o que havia de acontecer mais tarde, mesmo antes da destituição, quando sentiu o clube na mão e aparentemente controlado/domado), para fazer o Sporting regressar à terra. À terra que se amanha, que se mexe e remexe e na qual se podem encontrar vermes e bicharocos. A transição (mais uma...) da tribuna para o banco de suplentes, para ficar mais perto da terra (e da relva), parecia um impulso juvenil. Afinal, considerando todos os impulsos e a matriz de comportamento que se foi consolidando, essa transição não foi mais do que um assomo de populismo — o tal populismo que vemos repetido, como fenómeno sociopolítico, um pouco por todo o mundo, seja na Europa, na América do Sul ou na América do Norte, em que Donald Trump se assumiu como um dos seus expoentes máximos... A ‘fama de maluco’ que o próprio Bruno de Carvalho promoveu e os excessos em toda a linha, no carril do ‘politicamente incorreto’, enquadram-se na mastigação desse populismo. A emoção a transbordar em todas as representações cénicas, nos pavilhões e no estádio, a ligação com as claques, das quais, aliás, fez parte, a hiperbolização da ideia de exército, com as botas cardadas em passada mais ou menos coordenada rumo à Academia, a utilização das redes sociais no uso da palavra e da imagem, como se fossem balas de um revólver permanentemente carregado, a provocação, a escolha do alvo, a insídia, a manipulação (como no momento em que apareceu em Alvalade a dizer que o tribunal o legitimava como presidente do Sporting) não são manifestações isoladas de um contexto ou de uma estratégia, não são apenas a tradução de um determinado perfil psicológico — são a expressão de uma certa forma de populismo, assente naquilo que mais estimula a rebelião e a revolta. A introdução do antibenfiquismo e a multiplicação da ideia dos ‘inimigos do Sporting’, dentro e fora do Sporting, com a publicitação da sentença de que a Comissão de Fiscalização e a Comissão de Gestão são uma espécie de ‘infiéis’ (antisportinguistas), inscrevem-se no objetivo de reforçar as bases de apoio contra o ‘assalto ao Sporting’. É bom não esquecer que Bruno de Carvalho preparou, com algum método, a sua chegada à presidência dos ‘leões’. Foi uma aproximação racional. Não foi obra do acaso. Deveu-se muito aos erros cometidos pelo seu antecessor, Godinho Lopes, vítima de uma conjuntura destrutiva que não conseguiu contrariar, mas também à exploração das lacunas de um Sporting excessivamente acomodado e conservador. O Sporting estava cansado de inêxitos, de contratações falhadas e de um futebol gerido sem competência. Bruno de Carvalho explorou esse cansaço, mas cometeu dois erros fatais: esqueceu-se de que o Sporting conservador é uma extensão do Portugal conservador e de que a automitificação no futebol não é compatível com a destruição de valor, no balneário, no espaço (muito sensível) compreendido entre jogadores e treinadores. Bruno de Carvalho perdeu a parte vital do benefício da dúvida e de muitos dos seus apoios, entre sócios, quando bateu com estrondo à porta da cabina. Quando achou que podia urdir um plano de esvaziamento de um treinador ‘duro de roer’, Jorge Jesus (mais ‘duro de roer’ comparativamente a Marco Silva), e que podia reconstruir o plantel à sua medida e à sua ideia de liderança (totalitária), mesmo que isso tivesse como consequência ficar sem Rui Patrício, William Carvalho, Bruno Fernandes, Bas Dost, Battaglia, Acuña e todos aqueles que não o aceitassem como presidente-mito e sofrer um incalculável prejuízo de imagem/reputação, além dos custos de natureza financeira. O desgaste que impõe a si próprio nem sequer é desproporcional ao desgaste que impõe ao Sporting e, por isso, é uma luta cujo fim não tem data marcada. Entre o ‘croquetismo’ (elite do croquete) e o populismo, o Sporting tem muito terreno para desbravar, embora na campanha eleitoral, e entre os candidatos à presidência, fique muito difícil de compreender (para cada qual) a matriz da ideologia sportinguista. PRIMEIRO PASSO DE UMA MARATONA Voltando aos candidatos e à corrida para a presidência. Do ponto de vista dos principais requisitos que são necessários a uma boa presidência, há a perceção de que a cada um deles falta ‘alguma coisa’. E as lacunas que cada qual apresentam até poderiam ser complementadas por alguns dos concorrentes. Os sete candidatos poderiam formar um Governo para o Sporting. Um mais forte na pasta das Finanças, outro na da Saúde, outro na dos Negócios Estrangeiros, outro na da Administração Interna, outro na da Justiça, outro na do Desporto e outro na da Educação. Podiam formar, de facto, um bom Governo para o Sporting, se houvesse um ‘primeiro-ministro’ que merecesse o respeito e o reconhecimento dos ministros. Isso já vimos que não há, não obstante as aproximações e as tentativas de ‘fusão’. José Maria Ricciardi introduziu a importante questão da liderança. Um presidente precisa de saber ouvir, mas liderar é, fundamentalmente, decidir. E, não obstante as valências e o conhecimento na área financeira, houve uma decisão essencial que Ricciardi não ponderou como devia, talvez por ‘falta de tempo’, talvez por não ter a informação completa. A gestão do futebol, como sabemos, é determinante. Ricciardi abandonou o campo de Bruno de Carvalho mais cedo do que José Eduardo (o seu escolhido para liderar o futebol), e talvez tenha sido decisivo — com a ajuda de outros parceiros bem preparados em termos de definição e execução de estratégias comunicacionais — para que José Eduardo deixasse de teimar em defender e apoiar Bruno de Carvalho. Esta precipitação vai-lhe ser fatal, apesar da agressividade crescente que José Maria Ricciardi colocou na campanha, no sentido de desgastar a imagem dos outros concorrentes, sobretudo a de Frederico Varandas e a de Dias Ferreira. Só quem se ‘está nas tintas’ para os croquetes, como Ricciardi confessou estar, é que vai no encalço do principal... vendedor de croquetes. Com esta coisa que nenhum sócio — sem outro interesse senão o de ver a sua equipa ganhar — tolera: que se misturem negócios e receitas (não as de Pantagruel, já se vê) com afirmações de sportinguismo ou pretensões à categoria de ideólogo. A fatura vai ser elevada. Dias Ferreira talvez seja o candidato ‘mais completo’. Pela proximidade ao futebol, pela vivência no movimento associativo, pelo conhecimento que tem dos protagonistas e do funcionamento do ‘sistema’. Começou tarde na preparação da sua lista e talvez não tenha recolhido os apoios necessários. Dias Ferreira falhou o seu tempo de ser presidente, talvez demasiado empenhado a ‘salvar a face’ de outros, que nem sequer fizeram por merecer esse empenhamento. Pedro Madeira Rodrigues cometeu um erro fatal, agravado com os resultados conseguidos por José Peseiro durante o pequeno ciclo em que se encontrava sob exame: anunciar Claudio Ranieri para substituir Peseiro se ganhasse as eleições. É evidente que, em caso de um bom começo de época, como está a acontecer, reforçado com o empate na Luz frente ao Benfica, ninguém compreenderia a substituição do treinador. Madeira Rodrigues quis ‘mostrar serviço’, mas precipitou-se e, com isso, comprometeu a possibilidade de ser presidente. E tentar emendar a mão, querendo fazer de Peseiro adjunto de Ranieiri, ainda é pior do que o soneto. Madeira Rodrigues aceitou ser a ‘lebre’ que ajudou a desgastar e a denunciar Bruno de Carvalho — e esse papel não lhe tem sido reconhecido nem parece que lhe seja creditado nas urnas no próximo sábado. Rui Rego, que jogou a ‘cartada’ Roberto Carlos, consegue fazer passar a mensagem de que tem investidores e, no momento em que escrevemos este artigo, ainda não era certo se resistiria à investida de José Maria Ricciardi no sentido de integrar a lista do banqueiro. Teve um começo de campanha muito frouxo, até em termos de imagem, mas melhorou, não se vislumbrando, contudo, que possa saltar para o terreno dos favoritos. Fernando Tavares Pereira tem mundo e obra feitos na sua vida de empresário, respira ‘sportinguismo puro’, mas tinha de fazer uma campanha mais agressiva (no bom sentido) para se colocar numa potencial posição de winner. Restam Frederico Varandas e João Benedito, curiosamente os mais jovens entre os candidatos. João Benedito vem preparando a ambição de chegar à presidência há um bom par de anos. Trabalhou muito na sombra, tentando arrumar ideias e atrair apoios. Tem a seu favor o modelo assente na experiência de um ex-praticante com uma visão abrangente do que deve ser um clube desportivo. Reagiu mal às acusações que lhe fizeram por não lhe ouvirem uma palavra crítica quando o clube era atirado para as profundezas do populismo com Bruno de Carvalho. Preferiu ficar na sombra, de luvas brancas calçadas. Frederico Varandas, pela sua proximidade em relação a treinadores e a jogadores, está em boa posição para compreender o que é vital para o sucesso no futebol. O sucesso de um projeto desportivo, no futebol, não se pode resumir à gestão da equipa principal. É este o erro que, por exemplo, o Benfica está a saber não cometer. A Academia tem de funcionar com outra dinâmica, com outros recursos, com mais organização. Um clube de futebol, para ter êxito no curto prazo, não pode facilitar um minuto na área da formação. Se a roda gigante da formação não está sempre em movimento, debaixo de uma orientação específica, direcionada para o fornecimento de valores à equipa mais representativa, e da sua rentabilização financeira no momento próprio (o mercado define o timing), o insucesso está garantido. É difícil compreender como é que o Sporting formou alguns dos melhores jogadores do mundo (como Cristiano Ronaldo e Luís Figo, ambos Bola de Ouro) e tem a formação num estádio de desenvolvimento muito aquém do desejado, na ótica do seu interesse. Falta saber se Frederico Varandas tem a dimensão presidencial, isto é, a capacidade de gerir todas as necessidades e complexidades do Sporting, o que também vale para João Benedito. O Sporting, se quer sobreviver, tem de perceber a(s) realidade(s). Acabar com a megalomania do papa-todos e do papa-tolos. Hoje vive mais uma transição. O ‘leão’ das transições talvez viva a transição mais difícil de sempre. O presidente achado no próximo sábado terá o estofo necessário para essa transição? Os sócios do Sporting têm a palavra. Esta escolha é apenas o primeiro passo de um longo caminho. Não consegui colocar dois quotes no mesmo post, desculpem. Citar VASCO PULIDO VALENTE SOBRE BRUNO DE CARVALHO “A ÚNICA SAÍDA PARA ALGUÉM COMO ELE ERA DESTRUIR O SPORTING” O que o fez interessar-se pelo caso Bruno de Carvalho? Nunca me interessei por futebol. Achei-o sempre uma grande maçada. Mas tive curiosidade por esta história toda e acompanhei-a ao milímetro, porque me pareceu o modelo exato de um movimento populista. O que aconteceu no Sporting só podia ter acontecido no Sporting. É típico de um certo regime político. Há os notáveis de um lado e o povo do outro. No Sporting, ainda por cima, os notáveis estavam representados nos órgãos sociais. Até há pouco tempo, o Conselho Leonino era eleito quando era eleito o presidente e tinha poderes que, embora diminutos, eram poderes. Nenhum outro clube tem uma espécie de Câmara dos Pares que vigie o que querem fazer o executivo e o povo, por assim dizer. Além do Grupo Stromp e do grupo dos cinquentenários, aos quais o chefe tem de mostrar deferência. Nessa situação, havia condições ideais para o populismo? Havia. Bruno de Carvalho é o resultado da sua aliança com o povo e contra os notáveis. Como a maioria dos chefes populistas, ele vem de baixo, entre aspas. Era uma parte do povo que subiu até presidente do Sporting. Foi acusado de não ter passado, a mesma acusação feita a outros chefes populistas. O Hitler não tinha passado, o Mussolini tinha algum, o Perón não tinha, por aí fora... Está a fazer grandes comparações. Não. Estou a dizer que ele é um modelo em ponto pequeno. Não o comparo a Hitler nem a Perón. Mas se eu fosse professor de Ciência Política tinha filmado tudo o que se passou para ensinar aos meus alunos. As acusações feitas a Bruno de Carvalho são típicas das que se faziam aos chefes populistas: vem de baixo, não tem passado, falhou a carreira profissional... Isso pode dizer-se palavra a palavra sobre o Hitler. Os populistas assumem-se sempre como porta-vozes de determinadas queixas. Quais eram elas, neste caso? As queixas eram que o Sporting não tinha ganho o campeonato. Ele era o presidente adepto que queria isso. Acusavam-no pelo estilo que tinha, mas esse era o estilo do adepto, da bancada do Sporting. Não o dos notáveis. Exatamente por causa do estilo que eles condenavam é que ele tinha o apoio popular. Do povo ou da nação, como se diz nas entrevistas. O povo sportinguista... Sim. É uma coisa que me agride sempre. Povo e nação são palavras sérias, que não devem ser usadas dessa maneira. Mas, de facto, aquilo é o povo e a nação sportinguista. E a nação inteira esteve com o líder populista. Os notáveis discordavam dos métodos, mas concordavam com os fins. Estavam ali numa posição pouco confortável, como acontece sempre com as Câmaras dos Pares. Acha que era inevitável Bruno de Carvalho acabar mal? Não sei se era inevitável. O que correu mal a Bruno de Carvalho foi estar cinco anos sem ganhar. Tinha entrado com esse objetivo. O povo votara nele para isso e acreditava que ele ia conseguir. Ganhou praticamente tudo nas modalidades. Mas, para a grande massa dos adeptos — não dos associados, que são uma coisa diferente —, o que conta é o futebol. Depois de tudo o que ele gastou, perder um quinto campeonato foi importante. Ainda por cima, não percebeu que a partir de certa idade jogadores como Rui Patrício, William Carvalho e Adrien Silva tinham todo o direito de sair do Sporting e que as carreiras e a fortuna deles dependiam disso. Houve uma enorme resistência à saída primeiro de Adrien Silva e depois dos outros dois. Nessa altura, as relações começaram a azedar com os jogadores. Ele tinha de ter algum título. Ou o Campeonato ou a Liga Europa, porque a Taça de Portugal era um título secundário. Após a derrota em Madrid, quando se começou a anunciar que iam perder a Liga Europa, ele reagiu. E como? Passando a culpa aos jogadores e, implicitamente, ao treinador. Porque ele próprio não podia ser o culpado. Foi por isso que fez aqueles posts no Facebook, e a guerra começou. A agressão de Bruno de Carvalho aos jogadores e ao balneário foi um sinal para as tropas agredirem os jogadores. Se o presidente agredia os jogadores, a associação mais ou menos paramilitar das claques também podia agredi-los. Ele não precisou de falar com ninguém. E, se falou, erro dele. Bastou-lhe permitir. Com um post e uma atitude pública, designava as vítimas. Disse quem era responsável por o Sporting não ter ganho o campeonato. Era Jorge Jesus e os jogadores, e entre estes, em especial, os que se queriam ir embora. Muita gente não sabia isso. Eles estavam ali há cinco anos, o que é imenso tempo na carreira deles. Ainda por cima, o clube pagava-lhes mal. Alguns acabaram por ir para equipas menores do campeonato inglês, embora sejam grandes jogadores, porque ganham mais lá. Aquela entrevista que Bruno de Carvalho deu ao Expresso uma ou duas semanas antes... A entrevista em que pretende que é louco... Ele não é nada louco. É uma pessoa que compreende bem o poder e é muito calculista. Mas identificava-se de facto com o Sporting, e para ele não era possível recuar. Porque um líder populista não pode descer do seu lugar único na vida da nação ou do povo. A única saída para alguém como ele era destruir o Sporting. A seguir a Alcochete, nem ele nem as tropas viram que aquilo que se tinha feito ia desencadear um escândalo internacional, com a cabeça partida do Bas Dost em todas as televisões da Europa. Daí em diante, os notáveis — que sempre o tinham odiado, como é evidente — perceberam que tinha chegado a altura de o remover. E o chefe dos bombeiros, que era presidente da Mesa da Assembleia-Geral, demitiu-se porque julgava que ia arrastar a demissão de Bruno de Carvalho. Depois verificou-se que não arrastava, e ele, como só se tinha demitido verbalmente e não por escrito, convocou uma Assembleia-Geral por pressão dos outros notáveis. O chefe dos bombeiros não era um notável capaz de resistir à pressão dos outros notáveis. O problema dos notáveis foi sempre o mesmo. Eles podem unir-se contra o chefe populista, mas se ganham dividem-se. Já aconteceu. Há sete candidaturas. Desde Ricciardi, que trata todos como se fossem criados dele, desde os outros candidatos aos funcionários do Sporting... Onde é que vê isso? Não reparou? Ele porta-se como os velhos senhores do antigamente. “Faça-se um homenzinho”, diz ele a outro candidato. “O senhor não tem altura, ou lá o que é, para me chamar mentiroso.” Deve ser como ele trata o chofer. Há outros notáveis que se candidataram, como Dias Ferreira, que é a pessoa em Portugal capaz de dizer menos em mais palavras. Depois há uns arrivistas, que querem dirigir o Sporting porque é uma grande empresa. Dividiram-se todos outra vez. Bruno de Carvalho foi até ao fim. Conseguiu destruir o Sporting. Destruiu a equipa que tinha feito, que era uma grande equipa, e destruiu o resto. A Assembleia-Geral de destituição, onde perdeu em todas as mesas, provavelmente tê-lo-ia destituído de qualquer maneira. Mas o facto é que o Sporting não é uma democracia, com andam a dizer. Setenta por cento dos sócios votaram a demissão de Bruno de Carvalho. Não é verdade. Os notáveis têm muito mais votos do que os outros. O que Bruno de Carvalho devia ter feito, se fosse inteligente, e se calhar é, era esperar calado que o Sporting perca um campeonato. Se calhar aí voltam-se outra vez contra os notáveis. O que ele está a fazer agora não são figuras tristes, ao contrário do que se diz, mas atos que tem de fazer para impedir que o Sporting funcione normalmente. E dizer aos apoiantes dele: os notáveis andam a dizer que está tudo unido, mas não é assim tão simples. Ele foi derrotado pela oligarquia. Não foi uma eleição limpa. Teve três televisões a dizer mal dele quatro horas por dia. Aquelas eleições foram de uma legalidade duvidosa. Não significam muito. Hoje, quando aparece um notável na televisão, toda a gente pede estabilidade. Mas depois os notáveis insultam-se uns aos outros de uma maneira incrível. Acha que um presidente como Bruno de Carvalho tem viabilidade no Sporting? Com certeza. Se não perder o campeonato cinco vezes seguidas. Compartilhar este post Link para o post
jean-luc godard Publicado 2 Setembro 2018 Citação de ElliotReid13, há 23 minutos: Fdx Syn, e o resumo? 😂 Desculpa 😢 Compartilhar este post Link para o post
El Shaarawy Publicado 2 Setembro 2018 É preciso ser-se mesmo desonesto, pqp. Compartilhar este post Link para o post
Casual 1904 Publicado 2 Setembro 2018 Geraldes e Matheus, essas apostas do BdC! Compartilhar este post Link para o post