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Mayday

Autoridades confirmam dois mortos e pelo menos quatro desaparecidos em Borba

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Uma retroescavadora e dois automóveis foram arrastados para o interior de uma pedreira, na zona de Borba, no distrito de Évora, devido a um aluimento de terras. Numa declaração feita ás 20h45, a Protecção Civil avançou que existem pelo menos duas vítimas mortais e quatro desaparecidos. Numa primeira informação ao PÚBLICO, fonte da Protecção Civil admitiu que poderiam ser “quatro a cinco vítimas” que estão “submersas” na pedreira que terá cerca de 50 metros de profundidade.

O comandante operacional da Protecção Civil diz que as operações de socorro "são muito difíceis, extremamente morosas e complexas" e "exigem muita paciência e ponderação". Também o secretário-geral da Protecção Civil, José Artur Neves, sublinha a "grande complexidade" e à exigência de uma operação cuidada que continuará "às primeiras horas" de amanhã de manhã. 

António Anselmo, presidente da Câmara Municipal de Borba garante que as equipas de socorro foram rápidas. "Queremos sobretudo que aqueles que estão vivos e vão resgatar quem lá está com toda a segurança. Já basta os que já morreram, que foram pelo menos dois", disse. O autarca diz estar de "consciência tranquila" e, apesar dos testemunhos que davam conta da fragilidade da estrada, António Anselmo garante que a situação estava "perfeitamente segura". 

Numa notícia de 2014, a Rádio Campanário dava conta da falta de segurança da estrada há pelo menos quatro anos. No entanto, o autarca diz agora que falou com a Direcção Regional de Economia "as coisas estavam encaminhadas no sentido de ser seguro", mas que não sabia "de nada em concreto".

De acordo com o INEM, o alerta foi recebido às 15h45. Ao que o PÚBLICO apurou, a antiga Estrada Nacional 255, que passa no meio de duas pedreiras, desabou numa extensão entre os 150 e os 200 metros.

Segundo o Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Évora estarão soterradas uma viatura ligeira e uma máquina na pedreira que está em exploração, onde poderiam estar a trabalhar duas pessoas. A outra pedreira que está desactivada pertence à empresa Plácido José Simões S.A.

O CDOS admite que o desabamento possa ter provocado quatro ou cinco vítimas mortais. As operações de resgate ainda não começaram porque continua a verificar-se movimento de terras.

Foram chamados ao local bombeiros, GNR, Protecção Civil, EDP e Infra-estruturas de Portugal (IP). As operações estão a mobilizar 13 veículos, 37 operacionais e um helicóptero.

Fonte do INEM adiantou ao PÚBLICO que o aluimento da estrada provocou a queda de dois veículos, um ligeiro e uma carrinha de caixa aberta, para uma zona dentro da pedreira que tem 50 metros de profundidade.

A terra e a água da pedreira, adiantou a mesma fonte, arrastaram uma retroescavadora, onde estavam duas pessoas: o maquinista e um auxiliar. As autoridades conseguem visualizar a retroescavadores e uma das vítimas, mas por dificuldades no acesso não conseguem chegar ao local para determinar a situação clínica da pessoa.

A IP diz que foi ao local para apoiar as outras entidades. “Quando estes acidentes acontecem, colaboramos todos”, diz fonte oficial da IP ao PÚBLICO. O troço em que aconteceu o incidente foi da responsabilidade da Infra-estruturas de Portugal até 2005, altura em que foi municipalizada. “Já não integra a rede nacional e já não é a 255”, diz a fonte da IP.

Estrada já teria sido sinalizada

Em declarações ao PÚBLICO, Vera Calado, habitante de Borba, conta que a estrada já estava sinalizada. "Não consigo precisar há quanto tempo, mas já tinham saído notícias nos jornais locais de que aquela estrada iria ter a circulação restrita apenas aos trabalhadores das pedreiras devido a problemas de segurança", conta a habitante. 

"Já andava a evitar passar por esta zona justamente pela falta de condições de segurança, mas hoje acabei por fazê-lo", acrescenta Vera Calado, que seguia num carro quando se deu a queda do troço. "O carro à minha frente fez sinal e percebemos que a estrada tinha ruído e já não avançámos mais."

Numa notícia de 2014, a Rádio Campanário refere que estava a ser equacionado o encerramento da estrada. “A Direcção Regional da Economia tem acompanhado em questões de segurança as pedreiras devido à fracturação existente no anticlinal desta zona da estrada e por uma questão de segurança está equacionada essa hipótese”, de extinção, afirmou Luís Sotto Mayor, administrador da Marmetal. E acrescentava: "Há uma série de estudos que metem em perigo a estrada."

Habitantes contactados pelo PÚBLICO dizem que a estrada estava interdita ao trânsito pesado e que terá sido mesmo alvo de uma inspecção, pela Câmara de Borba.

Ilídio Gila, primo de um trabalhador da pedreira, confirma que “há anos se fala da insegurança da estrada” onde ocorreu a derrocada e que continuavam a circular por ela “muitas viaturas pesadas”, apesar dos alertas de que era uma estrada muito insegura. “Passava lá tudo”, acrescenta. Se a derrocada tivesse ocorrido depois das 17h, “haveria muito mais mortes” por ser um local onde circulava muita gente junto da estrada.

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E agora eu pergunto, como é que crl deixam construir uma pedreira em "cima" de uma estrada?

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Editado por diazevedo7

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Citação de diazevedo7, há 6 minutos:
 

E agora eu pergunto, como é que crl deixam construir uma pedreira em "cima" de uma estrada?

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portugal e demasiados €€€ envolvidos

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Passei lá o ano passado durante o meu tour pelo Alentejo.

Passando na estrada, percebe-se que existem os buracos das pedreiras, mas não dá para ter bem noção da dimensão.

Agora é fácil dizer "já se previa", mas de facto nesta exploração houve muito pouca prudência. 

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É pena que estas situações caiam no esquecimento. Esta noticia devia servir para, finalmente, o poder local e o Governo (independentemente das cores políticas, aqui a responsabilidade é de todos ao longo dos anos) meterem a mão na consciência e, de uma vez por todas, procederem às necessárias inspeções, vistorias, revisões, o que lhe quiserem chamar. 

Tomando como verdade o que o OP dessa thread diz, é lamentável que tanto a CMB como a CMVV nada tenham feito. Tem de haver consequências para este tipo de situações. Ademais, é, no mínimo, estranho que a primeira preocupação do presidente da CMB seja afirmar, a plenos pulmões, que está limpo e de consciência tranquila

Com tanta m*rda que uma pessoa se pode indignar, anda tudo entretido a discutir o IVA das Touradas, as medidas de coação do BdC e outras anormalidades, quando os verdadeiros dramas passam ao lado de muita gente. Os fogos foi o que foi. O pós-fogos então nem se fala. Entre-os-Rios já lá vai. Há uns tempos dizia-me um amigo, quando acontecer algo grave em Lisboa (e falava da Ponte 25 de Abril) é que as pessoas se começam a mexer. Até lá é coitadinhos dos tipos de Pedrogrão, de Entre-os-Rios, das cheias na Madeira, e afins. E isso, enquanto Português revolta-me. Essa forma de olharmos para tudo o que não é Lisboa. Parece aquele discurso de só acontece aos outros. Enfim.

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Tem que acontecer na nossa casa e o mais próximo da nossa pele possível. O nosso espírito é esse.

E se a ponte 25 de Abril caísse chateavam-se os da margem sul. Os de Lisboa praticavam esse espírito.  

Editado por Mayday

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Citação de w0, há 6 minutos:

Os fogos foi o que foi. O pós-fogos então nem se fala. Entre-os-Rios já lá vai. Há uns tempos dizia-me um amigo, quando acontecer algo grave em Lisboa (e falava da Ponte 25 de Abril) é que as pessoas se começam a mexer. Até lá é coitadinhos dos tipos de Pedrogrão, de Entre-os-Rios, das cheias na Madeira, e afins. E isso, enquanto Português revolta-me. Essa forma de olharmos para tudo o que não é Lisboa. Parece aquele discurso de só acontece aos outros. Enfim.

E aquele viaduto lá para os lados de Campolide. Quem anda de Fertagus, já viu como estão aqueles pilares. 

@Mayday, infelizmente essa é a mentalidade vigente no nosso País, especialmente nas estruturas de poder. 

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Citação de Mayday, há 9 minutos:

Tem que acontecer na nossa casa e o mais próximo da nossa pele possível. O nosso espírito é esse.

E se a ponte 25 de Abril caísse chateavam-se os da margem sul. Os de Lisboa praticavam esse espírito.  

Os lisboetas já não moram em Lisboa, portanto o exercício leva a um final feliz: se a ponte cair, os lisboetas importam-se.

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Quanto a este tema quero só partilhar o drama deste senhor que, mal a notícia saiu, se apressou em deixar o seguinte comentário - e posterior rectificação - no site do JN:

 

Não sei porquê, mas fez-me lembrar um eleitor do Brexit: ambos foram, com muita sede ao pote, fazer um coisa estúpida sem conhecerem os factos todos, e mal o fizeram, aperceberam-se que afinal o caso era sério, arrependeram-se e com grande pânico perguntaram se dava para apagar o erro...

Editado por IlidioMA

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Citação de IlidioMA, há 9 minutos:

Quanto a este tema quero só partilhar o drama deste senhor que, mal a notícia saiu, se apressou em deixar o seguinte comentário - e posterior rectificação - no site do JN:

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Não sei porquê, mas fez-me lembrar um eleitor do Brexit: ambos foram, com muita sede ao pote, fazer um coisa estúpida sem conhecerem os factos todos, e mal o fizeram, aperceberam-se que afinal o caso era sério, arrependeram-se e com grande pânico perguntaram se dava para apagar o erro...

Uma coisa é o Sr José, outra são as tentativas de invalidação de um referendo democrático que não estando de acordo com as agendas de determinadas instituições não será aceite. 

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Citação de Che, há 53 minutos:

Uma coisa é o Sr José, outra são as tentativas de invalidação de um referendo democrático que não estando de acordo com as agendas de determinadas instituições não será aceite. 

eu disse o eleitor. o eleitor. e esse ao que tudo indica arrependeu-se (uma parte vá) logo a seguir ao voto.

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E agora de quem é a culpa? Sabendo que a estrada tava em risco e novamente continuaram a assobiar para o lado como se nada passasse. 

Editado por Maregol

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Citação de Maregol, há 11 minutos:

E agora de quem é a culpa? Sabendo que a estrada tava em risco e novamente continuaram a assobiar para o lado como se nada passasse. 

Em Portugal ninguém tem a culpa. Aconteceu e agora até à próxima.

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A foto da estrada, vista de cima, metia medo. Inqualificável ninguém ter mexido uma palha nos últimos anos, mas enfim, é só mais um dia normal neste país à beira-mar plantado.

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Citação de Mayday, há 5 horas:

Em Portugal ninguém tem a culpa. Aconteceu e agora até à próxima.

Como sempre. 

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O Presidente da Câmara não só mentiu para se demarcar de responsabilidades como ainda se apressou  a dizer que estava de consciência tranquila. 

Mas se bem percebo o Presidente da Câmara achava que acabar com a estrada beneficiava um determinado grupo (os empresários, permitindo o alargamento da exploração ou coisa assim) e afectava a população que usava aquela estrada, mesmo havendo uma alternativa muito mais segura.

Editado por Mayday

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