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bobzz

103rd Giro d'Italia

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Citação de bobzz, há 8 minutos:

daqui abocado os gregários estão lá só para fazer número. o Hincapie, o Azevedo, o Porte, o Froome a puxar pelo Wiggins uma volta inteira, e para o mesmo efeito qualquer gregário da Sky, ...

Curiosamente só citas nomes que não tiveram quebras e que estavam mais fortes que os adversários de equipas diferentes. A verdade é esta, quando estás bem, ter uma equipa a teu lado é ótimo e dá uma ajuda enorme. Quando estás em quebra, nem que fiquem os 7 gajos contigo, tu consegues dar a volta por cima, está comprovado. A única vez que vi um gregário ser realmente eficiente quando o líder quebrou, foi o Porte a carregar o Froome frente ao Quintana. De resto, não há. Já ao contrário, tens n situações, Rodríguez agarrado ao Losado enquanto perdia a Vuelta, Dumoulin parado numa descida à espera do Sam Oomen enquanto o Froome lhe roubava o Giro. 

 

Na mesma etapa em que o Hindley não esperou pelo Kelderman até tens dois exemplos da ineficiência de um gregário quando estás mal numa etapa de alta montanha... De que valeu ao João ter o Masnada ao seu lado? De que valeu ao Majka ter o Konrad ao seu lado? Nada. Aliás hipotecaram a hipótese de Top-5 do Konrad. 

Um ciclista que perde 4 minutos em dois dias, ainda teve de alterações de percurso que o favoreciam, acham que dá garantias e a fiabilidade à equipa? No sofá é fácil. Para além de que no momento em que o Kelderman deixa de seguir ao ritmo do Dennis, ninguém sabe o que vai acontecer. O Kelderman até podia perder 5/10 minutos nessa etapa, como já aconteceu imensas vezes, Yates, Voeckler, Alaphilippe, Arroyo, Frank Schleck, Dumoulin (Vuelta 2015), Evans podia estar aqui o dia todo. 

 

Concluindo, a história do ciclismo legítima a táctica da Sunweb e continua a ser o certo a fazer. Não li a discussão toda, mas fica a minha opinião, que ainda não está constrangida por outras leituras.

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Citação de Aiden, há 4 minutos:

Curiosamente só citas nomes que não tiveram quebras e que estavam mais fortes que os adversários de equipas diferentes. A verdade é esta, quando estás bem, ter uma equipa a teu lado é ótimo e dá uma ajuda enorme. Quando estás em quebra, nem que fiquem os 7 gajos contigo, tu consegues dar a volta por cima, está comprovado. A única vez que vi um gregário ser realmente eficiente quando o líder quebrou, foi o Porte a carregar o Froome frente ao Quintana. De resto, não há. Já ao contrário, tens n situações, Rodríguez agarrado ao Losado enquanto perdia a Vuelta, Dumoulin parado numa descida à espera do Sam Oomen enquanto o Froome lhe roubava o Giro. 

 

Na mesma etapa em que o Hindley não esperou pelo Kelderman até tens dois exemplos da ineficiência de um gregário quando estás mal numa etapa de alta montanha... De que valeu ao João ter o Masnada ao seu lado? De que valeu ao Majka ter o Konrad ao seu lado? Nada. Aliás hipotecaram a hipótese de Top-5 do Konrad. 

Um ciclista que perde 4 minutos em dois dias, ainda teve de alterações de percurso que o favoreciam, acham que dá garantias e a fiabilidade à equipa? No sofá é fácil. Para além de que no momento em que o Kelderman deixa de seguir ao ritmo do Dennis, ninguém sabe o que vai acontecer. O Kelderman até podia perder 5/10 minutos nessa etapa, como já aconteceu imensas vezes, Yates, Voeckler, Alaphilippe, Arroyo, Frank Schleck, Dumoulin (Vuelta 2015), Evans podia estar aqui o dia todo. 

 

Concluindo, a história do ciclismo legítima a táctica da Sunweb e continua a ser o certo a fazer. Não li a discussão toda, mas fica a minha opinião, que ainda não está constrangida por outras leituras.

não estava propriamente a tomar partido do outro lado da discussão, apenas a fazer notar que o gregário existe para ajudar a ganhar nem que sejam 5 segundos. um Froome era mais forte que um Wiggins, mas certamente ninguém dirá que o Armstrong era mais fraco que qualquer gregário que tenha tido. no entanto, tanto num caso como no outro, o líder beneficia da sua existência.

mas sim, pessoalmente também considero que foi um erro da Sunweb. não defendo que o Kelderman tivesse ganho, mas no meio da discussão há argumentos de que o Kelderman nem 10 segundos tinha beneficiado com isso, o que é estúpido.

aposto que em Piancavallo ninguém chamou nomes ao Hindley por estar a rebocar o Kelderman. e também aposto que antes do Stelvio também todos achavam que o Dennis ia fazer o que fez.

a verdade é que o ciclismo tem tantas nuances que qualquer ponto de vista pode ser defendido dependendo da posição inicial que se tem.

tudo o resto é hindsight, e valida tudo menos o vosso argumento, que não é nenhum argumento, é a constatação do que se passou - o Kelderman teve o pior resultado possível dentro dos dois cenários, não podia ter tido pior porque foi o que efetivamente aconteceu. ninguém sabe qual seria o resultado se a corrida tivesse sido corrida de outra forma. 

e a história do ciclismo não legitima nada. cada corrida é uma corrida, cada etapa é uma etapa. e desta decisão não resultou história nenhuma. nesta versão dos acontecimentos, a Sunweb perdeu. ficou com o 2º e o 3º lugar, ... que eram os lugares que tinham conseguido alcançar caso a estratégia fosse a contrário.

não estou a discutir com ninguém, mas alguém que vê ciclismo não pode achar que qualquer decisão não tem consequências, e que qualquer cenário não pode ser discutido. se há desporto onde não há certezas é este.

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Os nomes foram maus porque Majka, Nibali e Fulgusang não têm pernas para a concorrência 😂

 

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Tiago Machado, esse génio da táctica 😁

Cada vez que me lembro de o ver a atacar no início de etapas planas da Volta e o Marca Chagas acabava sempre a dizer "o Tiago é o homem mais forte do pelotão, mas desgasta-se sempre a atacar nos sítios errados" lol

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qq quer uma das tácticas com a força que o Tao tinha ia dar buraco, mas agora é fácil ver isso. Eu teria apostado em apoiar o Kelderman por uma questão de ser o líder da volta, o chefe de fila da equipa e porque quando descolou no Stelvio não foi aquele grande estoiro que alguns costumam dar. Ele foi perdendo a pouco e pouco e porque ia sozinho, com o outro bacano talvez perdesse menos.

O DD apostou em manter um ciclista, que até estava melhor classificado que os outros, na frente e a aguentar. Arriscou em apostar nele em detrimento do camisola rosa e aguentou até ao cri final, não resultou e pronto. Mas há uma questão de mensagem que passa para o exterior da forma como o DD aposta e mantém o apoio ao líder da equipa e 1º classificado da prova.

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Eu continuo com a mesma posição. De facto, agora falar é fácil, e o mais provavél era a Sunweb perder a rosa de qualquer das maneiras, mas nenhuma equipa, naquelas condições, deve fazer o que a Sunweb fez. Ponto. Óbvio que foi uma estratégia rebuscada, mas pah o Kelderman tinha vários minutos de vantagem sobre o Tao...Foi tudo menos racional. 

Agora, embora não concorde com a estratégia, é preciso admitir que circunstâncias destas foram únicas (ou raras) em grandes voltas. Onde é que já se viu ter um líder durante duas semanas e meia, ele estar sempre a corresponder, ter um gregário que parece não passar disso e, depois, de repente, o gregário vê-se em bem melhor forma que o líder e começam a ver um gajo que nem top-10 era a aproximar-se? E o mais absurdo até é que, sem o Dennis, a Ineos não ganhava isto. 

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Citação de bobzz, há 4 horas:

não estava propriamente a tomar partido do outro lado da discussão, apenas a fazer notar que o gregário existe para ajudar a ganhar nem que sejam 5 segundos. um Froome era mais forte que um Wiggins, mas certamente ninguém dirá que o Armstrong era mais fraco que qualquer gregário que tenha tido. no entanto, tanto num caso como no outro, o líder beneficia da sua existência.

mas sim, pessoalmente também considero que foi um erro da Sunweb. não defendo que o Kelderman tivesse ganho, mas no meio da discussão há argumentos de que o Kelderman nem 10 segundos tinha beneficiado com isso, o que é estúpido.

aposto que em Piancavallo ninguém chamou nomes ao Hindley por estar a rebocar o Kelderman. e também aposto que antes do Stelvio também todos achavam que o Dennis ia fazer o que fez.

a verdade é que o ciclismo tem tantas nuances que qualquer ponto de vista pode ser defendido dependendo da posição inicial que se tem.

tudo o resto é hindsight, e valida tudo menos o vosso argumento, que não é nenhum argumento, é a constatação do que se passou - o Kelderman teve o pior resultado possível dentro dos dois cenários, não podia ter tido pior porque foi o que efetivamente aconteceu. ninguém sabe qual seria o resultado se a corrida tivesse sido corrida de outra forma. 

e a história do ciclismo não legitima nada. cada corrida é uma corrida, cada etapa é uma etapa. e desta decisão não resultou história nenhuma. nesta versão dos acontecimentos, a Sunweb perdeu. ficou com o 2º e o 3º lugar, ... que eram os lugares que tinham conseguido alcançar caso a estratégia fosse a contrário.

não estou a discutir com ninguém, mas alguém que vê ciclismo não pode achar que qualquer decisão não tem consequências, e que qualquer cenário não pode ser discutido. se há desporto onde não há certezas é este.

Mas o Kelderman até podia ter recuperado um minuto com a ajuda do Hindley, teria perdido o Giro na mesma. O Kelderman desperdiçou uma vantagem de 4 minutos e meio, não estamos a falar de meros segundos. Caso, o Hindley o tivesse ajudado até poderia ter perdido menos um minuto, um minuto e meio. Resultado final? Perdiam na mesma. Isto é tudo feito de suposições mas não parece líquido uma melhoria tão grande para um ciclista com défice físico. O psicológico ganha corridas, mas se não tens pernas nem com a melhor cabeça vais lá. 

A história é importante ser estuda porque acaba por repetir-se e é necessário analisar os erros para futuras correções, pelo que é importante analisar que ao longo osnúltimos 10 anos da modalidade, que são o pós-Saunier Duval/Sella/Gerolsteiner em que o ciclismo mudou imenso, há imensos casos em que a equipa não consegue ajudar um ciclista em quebra. 

Por fim, não entendi esse último parágrafo, eu nunca disse que algo não tem consequências, aliás, eu tenho precisamente este pensamento por colocar tudo na equação e pensar o que faria no momento em que o Kelderman não foi capaz de seguir ao ritmo do Dennis e não com todos os dados que têm neste momento. 

Por fim, o Kelderman teve duas alterações no percurso que o favoreceram, o encurtar da etapa 250km e a retirada do Izoard e do Agnello e mesmo assim perde um minuto e meio, não é um problema psicológico, é um problema de pernas pesadas. Mesmo na melhor grande vola da sua carreira, o Kelderman perdeu o pódio no penúltimo dia. É um ciclista de enorme valia mas tem uma terceira semana tradicionalmente mais fraca, ao contrário do seu compatriota Kruijswijk. Isto tudo pesa e a decisão da Sunweb foi globalmente correta.

Por fim, analisam a performance do Kelderman como gestão de esforço no Stelvio. E se não foi gestão de esforço e sim dar o tudo por tudo numa subida a 40km do fim? Ainda havia mais uma subida no final, onde aí sim ele perdeu imenso tempo. Pode perfeitamente ter dado tudo no Stelvio e ficar vazio. Afinal, ele nem seguiu com o Bilbao nem com o Fuglsang e isto não se justifica com fatores psicológicos mas sim com falta de pernas e não seria o Hindley que lhe as daria.  

Editado por Aiden

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Um quarto só dele onde cabemos todos

Bruno Vieira Amaral escreve como um rapaz de 21 anos das Caldas da Rainha conquistou a gratidão de um povo inteiro e reconciliou muita gente amargurada com o ciclismo

Há três semanas quase ninguém tinha ouvido falar de João Almeida. Hoje, sobretudo para os fãs de ciclismo, ele é um herói, o homem que reconciliou muitos adeptos amargurados com a modalidade.

O ciclismo sobreviveu aos grandes escândalos de doping, sobreviveu ao batoteiro-mor Lance Armstrong, sobreviveu a uma cultura de batota disseminada por quase todo o pelotão, mas a paixão dos adeptos esmoreceu. O hábito do engano deu cabo do fascínio de muita gente pelo mais nobre dos desportos, aquele que suscita uma admiração genufletida pelos sacrifícios e pela dureza. Noutros desportos pode-se apreciar a beleza, a elegância, a graciosidade, a inteligência. No ciclismo venera-se, acima de tudo, a capacidade de sofrimento, o ciclista que parece estar nas últimas e vai buscar forças ao fundo do poço e chega exausto à meta no cimo de uma montanha, a morada olímpica dos deuses, depois de quilómetros e quilómetros de estradas empinadas, de chuva, vento ou sol.

É certo que se pode valorizar a inteligência estratégica de um ciclista ou de uma equipa, a forma como poupam as forças para desferir um ataque ou como desgastam os adversários, mas no final tudo se reduz ao que cada um tem para dar, ao coração do indivíduo, à sua ambição e resistência. E os verdadeiros adeptos do ciclismo sabem reconhecê-lo. Quando jogam limpo, todos os ciclistas são dignos de admiração. A multidão no Tourmalet, nos Lagos de Covadonga, na Senhora da Graça, aplaude os que vão à frente, mas não vira as costas aos que vêm mais atrás. Vê a dureza da montanha “estampada nos rostos”, como dizem os comentadores, e respeita-os por isso. Quando se dá tudo, não há derrotados. Não há assobios, não há apupos, não há vilões. Não há clubismo. Quem acompanha as etapas mais difíceis e encontra os familiares de um dos ciclistas, sabe que prevalece o respeito entre todos. Não há inimigos. É essa a beleza do ciclismo e é por isso que a batota aqui dói mais do que aos adeptos de outras modalidades. É uma traição tão dolorosa que é difícil, quase impossível, restaurar a confiança.

Foi esse o grande mérito de João Almeida nestas três semanas de Giro: trazer de volta ao ciclismo muitos adeptos portugueses que se tinham afastado da modalidade. Haveria alguns adeptos ocasionais, dos que desligaram a partir do momento em que perceberam que o ciclista português não ia chegar à Milão com a camisola rosa, mas esses, arrisco dizer, são uma minoria. Os verdadeiros devotos do ciclismo seguiram com mais fervor as etapas em que João Almeida teve mais dificuldades, como a do Stelvio, em que perdeu a liderança mas conquistou o respeito dos adversários, o apreço dos companheiros e o coração dos adeptos com a sua tenacidade e, deve sublinhar-se, sangue frio. Outros ciclistas, na iminência de perderem a camisola rosa, teriam ido ao fundo, sentindo que já tinham feito muito. João Almeida aguentou, encontrou o seu ritmo, cerrou os dentes e deu tudo. Acabou a etapa em 7º, mas à campeão. No conforto almofadado da minha sala, aplaudi aquele rapaz e acompanhei os últimos dias do Giro ainda com mais entusiasmo.

Valeu a pena. Na penúltima etapa, com a tripla subida no Sestriere, João Almeida foi gigante e aquele momento em que arrancou e deixou para trás Pello Bilbao e Wilco Kelderman, conquistando segundos preciosos ao espanhol para o ultrapassar na derradeira etapa, fica como um dos pontos altos desta sua primeira aventura, uma daquelas ocasiões em que o ciclista de sofá salta em casa e o coração acelera como se fosse ele a pedalar montanha acima.

Ninguém sabe o que acontecerá daqui para a frente, se chegará o dia em que João Almeida será o primeiro português a triunfar numa grande volta, mas o que fez nestes 21 dias não pode ser apagado, nem dos registos, nem da memória dos adeptos. O rapaz das Caldas da Rainha conquistou um quarto só dele onde cabe a gratidão de um povo inteiro.

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