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[FM Mobile 2022] Um oásis no deserto da Margem Sul

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Capítulo LXVII - Um pequeno passo para onze homens...

 

A multidão animou-se com a entrada do Amora na segunda parte e nem a chuva que caía a espaços, ensopando os adeptos que se tivessem esquecido de levar um impermeável, os incomodava.

Era um cenário nunca antes visto por aquelas paragens. Milhares de pessoas aglomeravam-se no Parque Urbano das Paivas, local escolhido pela Câmara Municipal do Seixal e pela Junta de Freguesia da Amora para a instalação de um ecrã gigante. O amplo espaço verde bem no centro da Cidade de Amora encheu como um ovo de pessoas entusiasmadas com a possibilidade de ver história ser feita: o Amora poderia ser campeão já naquela noite de 29 de Abril de 2028.

Não é que fosse impossível, embora também não fosse o mais provável dos desfechos. Na verdade, era até mais provável não acontecer: afinal, o Maior da Margem Sul jogava em Alvalade perante um Sporting em estado de graça, ao mesmo tempo que o Benfica disputava os três pontos em Tondela. Mas estava a ser um ano de impossíveis, pelo que a crença entre os amorenses era inabalável.

Para que se fizesse festa rija na Margem Sul, o Amora teria de alcançar um melhor resultado que o Benfica - vencendo os leões e o Benfica não fazendo melhor que um empate, ou pelo menos empatando caso as águias fossem derrotadas em Tondela.

 

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O Parque Urbano das Paivas encheu com amorenses desejosos de ver o Amora campeão...

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... o que até poderia acontecer já em Alvalade, em jogo a contar para a 33ª jornada da Primeira Liga

 

O Amora fizera uma primeira parte algo aquém do seu potencial. O Sporting surgiu mais assertivo e dominou os primeiros minutos, acabando por abrir o ativo num golo feliz de Tiago Tomás que viu a bola tabelar em Nélson Victor, o que alterou a sua trajetória e enganou o guarda-redes, embatendo ainda no poste antes de entrar na baliza de Manuel Baldé.

A reação algo tímida do Maior da Margem Sul demonstrava que talvez a miudagem estivesse a acusar a pressão do momento. Ou isso ou o Sporting estava num momento de forma em que tudo lhes corria bem. Não haveria de ser por acaso que os leões de Antoine Griezmann não perdiam há oito jogos, incluindo nesse ciclo vitórias sobre equipas como o PSG, o Red Bull Leipzig e o Manchester City.

Motivados pela vitória uns dias antes sobre o colosso de Manchester, que deu ao Sporting vantagem para a segunda mão da Meia-Final da Liga dos Campeões, os leões manietaram largamente o potencial ofensivo do Amora ao longo dos primeiros quarenta e cinco minutos. Um inofensivo disparo de Vítor Ferraz de fora da área e uma bomba de Gabriel Capixaba, que valeria três pontos se fosse num jogo de rugby, foram os únicos sinais de resposta dados pelos onze homens de Frodo Zarco.

Ao intervalo, o Amora perdia em Alvalade e o Benfica vencia em Tondela, o que fazia o Maior da Margem Sul cair provisoriamente para a 2ª posição da tabela. Havia alguma desilusão entre a multidão no Parque Urbano das Paivas, mas a esperança mantinha-se firme. Numa época de impossíveis, aquele era apenas mais um que Frodo Zarco e sua equipa teriam de alcançar.

 

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O Sporting vivia um dos momentos mais altos da sua história, tendo a final da Liga dos Campeões em linha de vista...

 

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... e talvez por tudo sair bem quando se está em estado de graça, chegou à vantagem numa carambola feliz...

 

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... a ténue reação do Amora até ao intervalo ficou-se por um remate algo inofensivo de Vítor Ferraz...

 

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... e um disparate de Gabriel Capixaba já em boa posição para finalizar

 

A mensagem passada por Frodo Zarco aos seus jogadores durante o intervalo ficou no segredo dos deuses, mas o Amora voltou bem mais dinâmico na segunda parte. Um par de combinações ofensivas causaram algum frisson entre os três mil amorenses que preenchiam a zona reservada a adeptos visitantes em Alvalade, embora não tenham resultado em ocasiões de golo. Eram, porém, um sinal que a equipa queria ir em busca do resultado de que precisava.

Quando aos 53' Filipe Diogo cruzou para a cabeça de Diego Raposo ao segundo poste, a multidão levantou-se de um só vez no Parque Urbano das Paivas, antevendo o golpe certeiro que daria o empate. A jovem raposa não falhava àquela distância! Infelizmente, um desvio subtil de Eduardo Quaresma desviou a bola o suficiente para o gesto técnico de Diego Raposo ser inconsequente, falhando o esférico.

Era canto para o Amora e ouviu-se um rugido de entusiasmo entre a multidão.

Gabriel Capixaba avançou para bater o pontapé de canto. Cruzou largo. A bola sobrevoou o molho de jogadores que se aglomeravam em frente à baliza e desceu abruptamente ao segundo poste. Manuel Díaz apanhou desprevenido o seu marcador direto, o ala Jonny, e saltou sozinho para atacar a bola na pequena área.

Gritou-se golo no Parque Urbano das Paivas e no setor visitante em Alvalade quando Manuel Díaz aplicou uma forte tolada na bola. A redondinha foi apontada ao segundo poste, fugindo ao alcance do guarda-redes Dragowski. Todos os pares de olhos acompanharam a trajetória imparável do esférico.

Frodo Zarco ergueu os braços e gritou-se golo quando a bola passou pelo guarda-redes. O embate nas redes da baliz... a bola não parou nas redes? Atónitos, os adeptos do Amora foram surpreendidos ao ver a bola prosseguir o seu rumo, não sendo interceptada pelas redes como seria normal. A bola continuou e saiu pela linha de fundo do outro lado da baliza, saltitando inofensivamente.

Gabriel Capixaba olhava para ela, estático e de mãos na cabeça, quando ela se imobilizou a poucos metros de si já do lado de fora do campo.

De alguma forma, a bola atravessou toda a baliza sem nela entrar, para desespero de todos os amorenses.

 

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O internacional espanhol Manuel Díaz esteve perto de fazer o empate no início do segundo tempo

 

O cabeceamento de Manuel Díaz não repôs a igualdade no marcador, mas teve o condão de incitar tanto a equipa, como os adeptos. Ajudou receber a notícia do empate do Tondela frente ao Benfica, resultado que deixava o Amora a uma vitória de garantir o título já naquela noite.

O Amora pressionava mais alto e recuperava a bola em zonas cada vez mais adiantadas do terreno. O Sporting encolheu-se um pouco. Era também notório em cada duelo individual que aquele jogo significava mais para o Maior da Margem Sul do que para os leões, os quais estavam compreensivelmente mais focados na segunda mão da Meia-Final da Liga dos Campeões.

Ainda assim, o Sporting tinha a sua reputação e amor-próprio em jogo e não iria facilitar a tarefa dos onze amorenses em campo. Sobrevivendo ao sufoco do Amora nos primeiros quinze minutos da segunda parte, o Sporting conquistou um canto por volta dos 62' de jogo.

O avançado Rodrigo Ribeiro avançou para o bater. Cinco homens do Sporting lutavam pela posição com os defensores amorenses. Era um lance crítico - num jogo tão disputado como aquele, um golo leonino praticamente resolveria a discussão. A tensão no banco de suplentes do Amora era quase palpável.

O jovem avançado cruzou para a molhada. Vários jogadores saltaram na disputa aérea e foi o baixote Lucas Silva o improvável vencedor, antecipando-se e projetando a bola para fora da área.

Para Filipe Diogo.

O miúdo-maravilha arrancou em velocidade ainda no seu meio-campo, correndo pelo relvado húmido da chuva. Bateu de imediato Tomás Souček, ganhando-lhe a frente. Invadiu o meio-campo leonino com o checo a correr atrás de si, qual Fiat Punto a tentar acompanhar um Ferrari, galgando quarenta metros até às imediações da área do Sporting sem ser interceptado. Frodo Zarco corria ao longo da linha lateral, já muito para além da sua área técnica e entrando na de um estupefacto Antoine Griezmann, surpreendido pela invasão do seu adversário.

Filipe Diogo puxou a bola para dentro à procura do melhor ângulo para visar a baliza. Estava na cara de Dragowski. O guardião polaco saiu da sua baliza quase até aos limites da área para fazer a mancha.

O prodígio do Amora viu-o e apontou ao poste mais próximo.

Frodo Zarco atirou-se para a frente e aterrou de joelhos no relvado.

Era o momento Filipomenal pelo qual todos os amorenses ansiavam.

O remate do herdeiro de Joca saiu colocado. Ia na direção certa, mas de alguma forma encontrou a mão de Dragowski pelo caminho. A bola ressaltou para o lado. Filipe Diogo lançou-se para a alcançar quando o Fiat Punto surgiu ao seu lado e aliviou para longe.

Tanto Filipe Diogo como Frodo Zarco taparam a cara com as mãos, ajoelhados no relvado em desespero, gesto repetido por muitos outros a 25 quilómetros dali, no Parque Urbano das Paivas.

 

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A primeira grande ocasião de golo do Amora saiu dos pés de Filipe Diogo

 

Refeitos do choque, os adeptos do Amora voltaram à carga no apoio à sua equipa. Aquele lance devolveu-lhes a sensação de ser possível reverter o resultado.

A equipa no terreno de jogo também parecia acreditar e lançou-se para cima do Sporting. Os leões sentiram o perigo e não estavam para inventar: bola interceptada era para aliviar para onde estivessem virados. O lance seguinte de João Carlos Miguel foi interceptado e Robson Casimiro chutou para longe - tão longe que deu pontapé de baliza para o Amora.

Manuel Baldé nem precisou do rugido dos adeptos atrás de si como motivação para rapidamente marcar o pontapé de baliza. Lucas Silva recebeu a bola e em menos de dois segundos já ela estava no meio-campo ofensivo do Amora.

Nos pés de Filipe Diogo.

O menino não hesitou em puxar a bola para zonas interiores, fugindo à oposição do lateral Gonçalo Esteves. Levantou a cabeça em busca de um momento Filipomenal. Descobriu uma linha de passe entre o central direito do Sporting, Le Normand, e o central do meio, Mannarino.

Diego Raposo nem precisou de um sinal. Assim que viu Filipe Diogo a arrancar numa diagonal a partir da linha, a jovem raposa entendeu a intenção do colega de equipa e iniciou a movimentação sem bola para a sua esquerda. A bola entrou entre os dois defesas do Sporting quando Diego Raposo já ia lançado, deixando Mannarino nas covas.

Um primeiro toque orientou a bola na direção da baliza. Dragowski voltou a sair para fazer a mancha. O segundo toque de Diego Raposo foi um remate rasteiro e cruzado do seu pé esquerdo. Dragowski esticou o seu também pé esquerdo, mas desta vez não alcançou a redondinha.

O esférico percorreu a relva na distância até à baliza, no que pareceu uma eternidade a Frodo Zarco, deixando um rasto de água projetada atrás de si. Encontrou as redes laterais e percorreu-as tranquilamente, aninhando-se no canto da baliza do Sporting.

Toda a equipa se precipitou na perseguição a Diego Raposo. O goleador do Amora corria tresloucado na direção da bandeirola de canto, os atroantes festejos dos adeptos do outro lado do campo servindo de banda sonora ao júbilo amorense - e nem imaginam o estado de sítio entre os adeptos junto ao ecrã gigante na Cidade de Amora.

O Amora empatava por fim em Alvalade e estava a um golo do título.

 

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A parceria Filipe Diogo / Diego Raposo rendia mais um golo, este um dos mais importantes da história do Amora

 

O árbitro Hugo Silva exigiu à equipa do Amora que retornasse ao seu meio-campo. Diego Raposo e Filipe Diogo foram os últimos a fazê-lo, caminhando abraçados e trocando algumas impressões.

A parceria Filipe Diogo / Diego Raposo.

Entendiam-se às mil maravilhas. Como gémeos siameses, os dois meninos nem precisavam de falar para se entenderem; falavam a mesma língua, a linguagem universal do futebol. Filipe Diogo a assistir e Diego Raposo a marcar era a imagem de marca do Maior da Margem Sul.

O Amora sentiu que tinha a vitória ao seu alcance. A pressão exercida sobre o Sporting intensificou-se e os leões passaram por momentos de aperto, mas a sua bem organizada defesa ia sobrevivendo às investidas do adversário. A espaços, a pressão era tanta que apenas quatro jogadores não estavam na área do Sporting ou nas suas imediações: o guardião Manuel Baldé, os dois centrais do Amora e o avançado leonino Tiago Tomás.

Deixar a sua defesa tão desguarnecida era um risco que o Amora corria e foram relembrados disso uns dez minutos depois do golo de Diego Raposo. Um lançamento rápido nas costas da defesa e Tiago Tomás saiu em velocidade pela esquerda, combinou com Skoglund e surgiu já na área, descaído para a esquerda, com espaço para visar a baliza de Manuel Baldé.

O remate saiu completamente desenquadrado e passou o perigo, mas o sinal fora dado: o Sporting queria mais do que o empate.

 

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O Amora apanhou um susto num rápido contra-ataque do Sporting

 

Alguns segundos depois do remate de Tiago Tomás, correu pelas bancadas a notícia do golo do Benfica. Ainda Frodo Zarco era informado disso quando se soube que tinham acabado de marcar outro. Dois golos em menos de um minuto que praticamente garantiam a vitória do Benfica em Tondela.

Frodo Zarco ponderou seriamente nos acontecimentos dos última sessenta segundos. O Benfica iria vencer o seu jogo e o Sporting ia marcando. Caso Tiago Tomás tivesse concretizado, o efeito prático teria sido a queda do Amora para o 2º lugar.

A vitória do Amora nessa noite já não poderia garantir a conquista do título. O empate deixaria o Maior da Margem Sul ainda em 1º lugar à partida para a última jornada, embora queimando a margem de erro que possuía. A derrota poderia significar a perda do título.

Valeria a pena manter o risco? Haveria mais a ganhar ou a perder?

O Amora não desistiria de procurar a vitória até ao apito final do árbitro Hugo Silva, mas Frodo Zarco instruiu os seus laterais para não subirem tanto e recuou um pouco a linha defensiva para evitar surpresas. Era melhor vencer, mas o empate mantinha o Amora a depender de si próprio enquanto a derrota seria catastrófica.

Não era bonito, mas havia mais a perder do que a ganhar em manter o risco.

O jogo terminaria empatado a uma bola apesar da superioridade global do Amora durante os noventa minutos.

 

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Relatório do jogo

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Apenas o confronto direto favorável ao Amora separava o Maior da Margem Sul do Benfica à entrada para a última jornada

 

A festa desejada no Parque Urbano das Paivas não se materializou, mas nem por isso os adeptos ficaram desalentados. O Amora sobreviveu em Alvalade, algo que recentemente equipas como o PSG ou o Red Bull Leipzig não poderiam dizer o mesmo, e ficava a depender de si próprio para "fazer o impossível".

E as contas eram simples de fazer: vencendo o Porto na Medideira, o Amora seria campeão. Sem necessidade de resultados noutros campos, sem contas ou calculadoras.

Ganhar e ser campeão.

O Amora continuava invencível e somava impensáveis 83 pontos na Primeira Liga, marca que em qualquer uma das últimas seis edições da competição já teria sido suficiente para alcançar o título. Só um super Benfica - a Gallardeta, como era conhecida em honra ao seu treinador Marcelo Gallardo - impedia que esse desfecho tivesse sido já alcançado.

Faltava vencer o Porto. O Porto de Toni Kroos. O Porto que tem sido uma pedra no sapato do Amora. O Porto que infligiu a única derrota do Amora em competições internas nesta temporada - na final da Taça da Liga, em Janeiro de 2028. [contando aqui a derrota na Luz para a Taça de Portugal como um resultado positivo pois deu o apuramento]

O jogo a disputar no Estádio da Medideira a 13 de Maio de 2028 seria uma autêntica final. O jogo mais importante da história do Amora Futebol Clube.

Um jogo em que o impossível poderia finalmente ser feito.

 

#MaiorDaMargemSul #CoracaoDeAmora #FazeroImpossivel

 

[O próximo capítulo com a última jornada do campeonato será postado no sábado, dia 21 de Janeiro. Passem por cá para cuscar, poderá ser o culminar de um ano de save... ou ser uma tremenda desilusão e responsável por ter de comprar um smartphone novo!]

 

[Em spoiler deixo dois prints apenas como curiosidade sobre a segunda mão das Meias-Finais das competições europeias]

 

Ora, falei brevemente da campanha do Sporting na Liga dos Campeões ao longo deste capítulo.

À data do jogo contra o Sporting, estes tinham acabado de eliminar PSG e Red Bull Leipzig (estes últimos venceram o nosso grupo na prova, recorde-se) e venceram a primeira mão das Meias-Finais no Etihad, em Manchester. Pois bem, a segunda mão disputou-se uns dias depois e...

 

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... o Sporting empatou com o Man City graças a um golo aos 89' de Skoglund, garantindo a presença inédita numa final da Liga dos Campeões onde defrontarão o Bayern.

O Sporting passou um mau bocado no início da época, como se recordarão, mas a partir daí fizeram uma temporada sensacional e esta campanha é a cereja no topo do bolo.

Só referir que é a segunda vez durante este save que uma equipa portuguesa chega à final da prova - o Porto chegou lá em 2023/24, mas perdeu com o Real Madrid.

Por outro lado, não está a ser apenas na Primeira Liga que a Gallardeta dá cartas. O Benfica não conseguiu o apuramento para os Oitavos-de-Final da Liga dos Campeões, acabando repescado para a Liga Europa.

Eliminaram Lazio, Valencia e Celtic até cruzar-se o Napoli com eles nas Meias-Finais, onde...

 

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... um bis de Gonçalo Guedes garantiu o apuramento para a final, onde defrontarão o Liverpool.

Um ano em grande para o futebol português. Esperemos que Sporting e Benfica vençam as duas finais e se juntem aos festejos do Amora na Primeira Liga ihih

Editado por Black Hawk
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Equipas portuguesas em grande nas competições europeias. Jogo emocionante contra um Sporting em forma e que permite que tenhas o queijo e a faca na mão para o jogo do título. Só falta tirar essa pedra do sapato, para não teres que comprar um smartphone novo.

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De tao poético que tem sido o save, este momento só podia acontecer desta forma: igualdade pontual à partida para a última jornada. Agora sim, vem aí o jogo mais importante da história do clube! Siga!

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Tenho falhado as últimas atualizações...

Este final de época é muito duro para a equipa do Amora. Com a oportunidade de fazer história o jogo decide colocar a equipa em prova de fogo, com um Benfica que não descola e com um calendário complicadíssimo.

No entanto, a equipa tem dado conta do recado e os dois meninos da frente têm sido o abono de família nesta caminhada! Epa, aquele primeiro print do Filipe Diogo, é o mesmo gajo?! Não pode! Depois do Levezinho, temos o Luís Figo da Medideira.

Tenho reparado imenso nos teus gifs e fui dar uma olhadela lá no ffmvibe sobre o teu post. Já discutimos isto por várias vezes e, apesar de sistemas diferentes, temos ideias idênticas. No entanto uma das minhas grandes dificuldades prende-se pelos Médios Área a Área (ou até outra função) que disparam para a frente quando a equipa está na primeira fase de construção. Concluindo, a bola se cai no meu lateral (e visto que jogo sem extremos) não há apoios e de vez em quando lá sai um chutão para a frente. No teu caso, tens sempre os extremos a dar apoio (ou profundidade) na linha. Já experimentei jogar com 2 médios centros (como função) mas depois falta gente a aparecer na frente. E tem sido esta a minha maior dor.

De facto, jogar em jogo prolongado dá-nos outra visão e por isso é que também se calhar demorei tanto a perceber algumas coisas e diria até, que aprendi mais contigo do que propriamente com a informação que o jogo nos dá.

Que venha esse final de época e que o Porto faça descansar alguns jogadores, já que não luta por nada. Que a data de aniversário do save seja motivo de festa aqui no nosso cantinho! 

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Empate em Alvalade que pode ter obviamente um sabor a vitória! "Apenas" estás à frente do Benfica devido ao confronto direto... As contas são boas de fazer: para ser campeão é vencer o Porto ou vencer o Porto! Não será fácil, até porque os dragões tem sido uma pedra no sapato para o clube. Eu acredito no título!

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Citação de cadete, Em 17/01/2023 at 09:10:

Equipas portuguesas em grande nas competições europeias. Jogo emocionante contra um Sporting em forma e que permite que tenhas o queijo e a faca na mão para o jogo do título. Só falta tirar essa pedra do sapato, para não teres que comprar um smartphone novo.

Até preciso, este coitado vai a caminho dos quatro anos de vida. Continua a bombar, ainda assim 😄

Citação de F. Mota, Em 17/01/2023 at 15:59:

De tao poético que tem sido o save, este momento só podia acontecer desta forma: igualdade pontual à partida para a última jornada. Agora sim, vem aí o jogo mais importante da história do clube! Siga!

E há algo ainda mais poético que não referi, mas deixo isso para a atualização. Agora, convém é ganhar lol

Citação de Kluivert, Em 18/01/2023 at 10:37:

Tenho falhado as últimas atualizações...

Este final de época é muito duro para a equipa do Amora. Com a oportunidade de fazer história o jogo decide colocar a equipa em prova de fogo, com um Benfica que não descola e com um calendário complicadíssimo.

No entanto, a equipa tem dado conta do recado e os dois meninos da frente têm sido o abono de família nesta caminhada! Epa, aquele primeiro print do Filipe Diogo, é o mesmo gajo?! Não pode! Depois do Levezinho, temos o Luís Figo da Medideira.

Tenho reparado imenso nos teus gifs e fui dar uma olhadela lá no ffmvibe sobre o teu post. Já discutimos isto por várias vezes e, apesar de sistemas diferentes, temos ideias idênticas. No entanto uma das minhas grandes dificuldades prende-se pelos Médios Área a Área (ou até outra função) que disparam para a frente quando a equipa está na primeira fase de construção. Concluindo, a bola se cai no meu lateral (e visto que jogo sem extremos) não há apoios e de vez em quando lá sai um chutão para a frente. No teu caso, tens sempre os extremos a dar apoio (ou profundidade) na linha. Já experimentei jogar com 2 médios centros (como função) mas depois falta gente a aparecer na frente. E tem sido esta a minha maior dor.

De facto, jogar em jogo prolongado dá-nos outra visão e por isso é que também se calhar demorei tanto a perceber algumas coisas e diria até, que aprendi mais contigo do que propriamente com a informação que o jogo nos dá.

Que venha esse final de época e que o Porto faça descansar alguns jogadores, já que não luta por nada. Que a data de aniversário do save seja motivo de festa aqui no nosso cantinho! 

Opa, até fui ver o primeiro print que postei quando o Filipe Diogo aterrou na Medideira. Logo na altura olhei para os atributos e pensei que com jeitinho até podia integrar o plantel. Tinha a certeza que ia dar bom jogador.

Só nunca imaginei que se tornasse nisto.

Já tive bons jogadores (Martim Watts, Leonardo Brandão, Isaac Monteiro...), mas são apenas bons jogadores, do género que terão carreiras tipo Podence e assim, bons mas sem serem craques do futebol mundial. O Filipe Diogo é o primeiro que acho honestamente que saindo daqui será titular em equipas de topo da Europa.

E acredito que pelo menos o Nélson Victor e o Dino Leão também o serão. O Vítor Ferraz talvez, mas ainda terá de melhorar um pouco mais. Agora o Filipe Diogo é dos melhores jovens jogadores que me lembro de treinar em qualquer FM.

O que referes é um dos motivos para não abdicar dos Avançados Interiores mesmo quando não estavam a funcionar bem no novo FM 23 Mobile. Quero dar alternativas de passe aos meus jogadores. Se estiver toda a gente por dentro, o jogo asfixia.

O que tenho andado a testar, no fundo, é uma ideia que faz com que a saída de jogo ideal seja pelo médio defensivo (Organizador Deambulante). Quando ele receber a bola, terá o apoio interior dos dois box-to-box por dentro; caso estejam marcados, tem uma segunda opção que é dada pelo ponta-de-lança (Avançado Pressionante); se está também não existir, temos os Alas a apoiar basicamente na mesma linha do médio defensivo. Três opções. Seja qual for a opção tomada aqui, quem receber a bola estará já dentro do meio-campo adversário, pelo que estará sob pressão.

Se tivermos conseguido meter a bola entrelinhas em zona central, o desequilíbrio está feito, é hora de ir para a área e aí terei os três avançados a surgir na área. Caso não surja linha de passe para eles, os Alas vão dar linha de passe segura por fora, e esse linha é segura porque os avançados interiores arrastaram a marcação para o interior e deixar o flanco livre.

Se a primeira opção tiver sido do médio defensivo para o ala, este vai subir e terá o apoio do box-to-box do lado dele e ainda do avançado interior, formando um triângulo na ala que a equipa pode explorar para criar desequilíbrio.

O que quero dizer com isto tudo é que os avançados interiores são fulcrais em todos estes processos. Mesmo quando não tocam na bola, a presença e movimentação deles criam os espaços para os colegas. Não posso abdicar deles.

Nos últimos testes que tenho feito e partilhei no FMMVibe, tenho conseguido ter óptimos resultados e metê-los a render golos e assistências, que era o problema principal no novo FM Mobile. Não tanto quanto antes, mas já os meto a fazer 50% de contribuição direta para golos da equipa, seja a marcar ou assistir.

Deuses, tenho saudades do Grêmio Táctico para discutir este tipo de assuntos...

Citação de Martini Branco, Em 18/01/2023 at 20:32:

Empate em Alvalade que pode ter obviamente um sabor a vitória! "Apenas" estás à frente do Benfica devido ao confronto direto... As contas são boas de fazer: para ser campeão é vencer o Porto ou vencer o Porto! Não será fácil, até porque os dragões tem sido uma pedra no sapato para o clube. Eu acredito no título!

É "Fazer o Impossível", nada que saber ahah

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Assinala-se hoje, dia 21 de janeiro, exatamente um ano que iniciei tanto este tópico como este save. A todos os que acompanharam, tenha sido desde o primeiro dia ou entrando já durante esta aventura, o meu muito obrigado.

Quanto a esta atualização, é a mais importante de todo o save e ironia do destino, calhou ser precisamente no seu dia de aniversário.

É longuinho, confesso, mas quis passar todas as sensações que fui tendo ao longo do jogo. Espero que leiam e se divirtam com as minhas patetices. Hoje até é sábado e tudo, aproveitem 🙂

Nota: o título deste Capítulo é estranho, mas vem na sequência do anterior que era chamado "Um pequeno passo para onze homens...".

 

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Capítulo LXVIII - ... mas um salto gigante para a Margem Sul

 

"O nosso treinador Frodo Zarco vai fazer uma curta declaração antes de darmos lugar à sessão de perguntas dos senhores jornalistas."

O diretor de comunicação fez o anúncio para uma sala tão cheia de jornalistas que havia alguns de pé. Era a última conferência de imprensa antes do decisivo jogo contra o Porto - os derradeiros noventa minutos em que se decidiria o novo campeão nacional. E a Medideira seria o epicentro de todas as decisões.

Frodo Zarco ajeitou a altura do microfone que tinha à sua frente. Olhou de relance para a sala antes de falar. Os jornalistas fitavam-no em silêncio, embora notasse alguma sofreguidão nas suas faces por ouvir o que ele teria para dizer. "É o culminar de um ano inteiro de conferências", refletiu Frodo Zarco enquanto procurava pelas palavras certas com que começar a sua intervenção.

Pigarreou a garganta e decidiu-se.

"Muito boa tarde a todos e obrigado por cá estarem. Responderei às vossas perguntas, mas antes de vos dar a palavra quero dizer aqui uma coisa, pois imagino qual será a primeira pergunta que me vão fazer. Se me permitirem, responderei já a essa pergunta: sim, somos candidatos ao título."

Um burburinho nervoso percorreu a sala. Ouviram-se murmúrios, folhas de papel manuseadas e teclas de computadores a serem batidas com solicitude. Aquela questão havia sido feita centenas de vezes ao longo dos últimos meses e de todas elas o treinador do Amora foi insistindo na resposta retirada do playbook de Rúben Amorim: o Amora não era candidato ao título; era apenas candidato a vencer o próximo jogo.

Era a primeira vez que Frodo Zarco admitia abertamente que o Amora era candidato. Em bom rigor, também não poderia dizer algo diferente. Em caso de vitória sobre o Porto, o Amora seria campeão. Não era exequível manter o discurso defensivo; era hora de o assumir frontalmente.

O Amora era candidato ao título.

 

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O Estádio da Medideira seria o palco de todas as decisões

 

A Cidade de Amora estava em polvorosa.

O jogo era o único tema de conversa um pouco por todo o lado. Em cafés, quiosques, nas ruas, todas as conversas escoavam invariavelmente no grande acontecimento desse sábado, dia 13 de Maio de 2028. Até aqueles amorenses que só tinham curiosidade de saber os resultados e pouco acompanhavam o Maior da Margem Sul no dia a dia, nessa semana vestiram o azul do Amora de alma e coração.

Historicamente, todos os campeões nacionais são oriundos de Lisboa ou Porto. O Amora poderia ser o primeiro de fora dos dois principais núcleos urbanos de Portugal a conquistar esse feito. Era uma vitória num campo de futebol que poderia ser apenas um pequeno passo para os onze intervenientes, mas poderia significar um salto gigantesco para toda a Margem Sul.

Não admirou ninguém que os bilhetes disponibilizados tivessem desaparecido quase instantaneamente e muito menos que um aglomerado de vários milhares de adeptos se tenha juntado nas imediações do Estádio da Medideira logo desde a manhã do dia do jogo.

 

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O Amora tentaria chegar a um inédito título de campeão nacional, tendo para tal de vencer perante o Porto de Toni Kroos

 

Ninguém quis esperar para entrar. Quando os jogadores subiram ao relvado para os exercícios de aquecimento foram surpreendidos com o cenário de bancadas já repletas de gente. O azul era a cor predominante - ou não fosse a cor de ambas as equipas, mesmo que o Porto nessa tarde entrasse em campo com o seu rosa alternativo - e os cânticos não tardaram a atroar os ares de um pacífico céu também ele azul.

Os jogadores recolheram ao balneário para equiparem-se e ouvirem uma última palestra de Frodo Zarco. Não tinha muito a dizer-lhes, na verdade. Eles sabiam o que tinham de fazer; treinavam há dois anos para aquele momento e conheciam de memória o adversário que tinham pela frente.

Sentiu entre os jogadores alguma ansiedade. Era uma percepção estranha, mas a sensação que teve foi de um misto de ansiedade por começar o jogo, como se estivessem determinados a alcançar o título, e simultaneamente de receio que algo corresse mal.

Da parte dele, apenas aproveitou para realçar o orgulho que tinha em todos os jogadores e no percurso que tinham percorrido até ali. Independentemente do que acontecesse, ele recordaria cada momento daquele fantástico ano para toda a vida.

Também presentes estavam Bilbo Himura e Joca, que não quiseram deixar de transmitir uma mensagem de encorajamento à miudagem. Bilbo Himura, em especial, tinha experiência a lidar com momentos tensos como aquele e partilhou algumas da sua experiência.

 

"Eu também joguei finais. Estive numa final de um Europeu, estive em finais de Ligas dos Campeões e de Mundiais de Clubes. Ganhei umas e perdi outras. Também tive medo de errar e falhar aos adeptos. Sabem o que ficou dessas finais que perdi?"

 

Houve uma intensa troca de olhares e sorrisos escondidos entre Gabriel Capixaba, Martim Maia, Lucas Silva, Papou Mendes, Joca e Frodo Zarco. Sorriram em silêncio ao ouvir aquelas palavras. Eles eram os últimos sobreviventes da final da Liga 3, disputada em 2022, e Bilbo Himura usara exatamente as mesmas palavras para dar motivação à equipa [ver Capítulo V - Espírito Azul, parte 2].

Ele era um futebolista, não um poeta, por isso ninguém lho levou a mal.

As equipas subiram ao relvado ao som da Marcha da Amora. A Medideira estava ao rubro. Se havia algumas dúvidas entre os jogadores, as mesmas não eram extensíveis aos adeptos - esses acreditavam incondicionalmente.

Os capitães escolheram campo e bola enquanto os restantes jogadores faziam uns últimos exercícios de ativação muscular. Os adeptos continuaram a cantar após a Marcha da Amora e entoavam outros cânticos de apoio.

 

"Força, Amora! Força, Amora!

Força, Amora, que ninguém te vai parar!"

 

Força, Amora! Força, Amora!

Força, Amora, com o Frodo vais ganhar!"

 

Quando Diego Raposo deu o pontapé de saída para o jogo, a Medideira estava em ebulição. O rugido produzido por quase quinze mil pessoas atroou os ares e foi audível do outro lado da Baía do Seixal.

Noventa minutos para a História. Teria o Amora o que era preciso para conquistar o título?

 

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Filipe Diogo teve a primeira oportunidade de abrir o ativo na Medideira

 

A emoção não tardou a marcar presença no jogo.

O Amora quis mostrar ao que vinha logo nos momentos iniciais da partida e conquistou um livre direto em zona frontal, já muito próximo da área do Porto. Filipe Diogo pegou na bola e todos sentiram a aproximação de mais um momento Filipomenal... que até esteve perto de acontecer. A bola passou próxima do poste da baliza de Caoimhím Kelleher, o qual se fiou no golpe de vista e nem se mexeu.

Poderia ter sido o lance catalisador para o rolo compressor amorense, mas do outro lado estava o Futebol Clube do Porto. Desde Setembro de 2027 que os dragões faziam um campeonato tão bom quanto os de Amora e Benfica - não fora os pontos perdidos em Agosto e poderia estar ali a disputar o título. Não havia passado muito mais de um minuto desde o livre do Filipe Diogo quando Yussuf Poulsen rematou cruzado com tanto perigo que se ouviram gritos de pânico entre os adeptos do Amora.

Estava dado o alerta quanto às intenções do Porto. Aquele jogo poderia não alterar em nada a sua classificação final na Primeira Liga, mas não estavam dispostos a ser os bombos da festa do Amora.

 

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Yussuf Poulsen respondeu ao repto de Filipe Diogo e esteve perto de faturar, falhando a baliza por um triz

 

Ao mesmo tempo, a uns vinte quilómetros dali, o Benfica também jogava. Os encarnados recebiam o Marítimo e sabiam que teriam de vencer e esperar pela ajuda os seus rivais nortenhos. Da sua parte, a Gallardeta cedo resolveu o que tinha a tratar - Morato aos 8' e o prodígio Dione Neves aos 18' deram uma vantagem madrugadora e tranquila ao Benfica.

De Lisboa, nada de novo. O Benfica marcava dois golos em rápida sucessão e tinha a sua tarefa cumprida. O Amora teria mesmo de vencer se pretendia ser campeão.

O que não estava a ser tarefa fácil. A tenacidade com que o Porto se opunha ao jogo do Amora dificultava a tarefa dos meninos do Maior da Margem Sul. Após vinte minutos de jogo, o Amora tinha 43% de posse de bola e apenas um remate - o livre de Filipe Diogo - contra três do Porto. Frodo Zarco dava instruções como um louco na linha lateral, parecendo possuído por algum demónio, mas a equipa não estava a ligar bem o jogo e perdia a bola com facilidade.

O espectro de um choke de dimensões épicas começava a pairar pela Medideira.

Não é que o Amora não tentasse. A pressão intensa do Porto é que ia frustrando as iniciativas da equipa de Frodo Zarco. Não havia dúvidas que Toni Kroos conhecia bem a forma de jogar do Maior da Margem Sul e preparara a sua equipa para lhes fazer frente.

Grandes momentos exigem grandes jogadores e foi dos pés do capitão Gabriel Capixaba que surgiu o primeiro desiquilíbrio. O que estava a falhar colectivamente foi resolvido com uma habilidade técnica do brasileiro. Recebeu a bola de Vítor Ferraz, de costas para a baliza e com a pressão imediata do central Pascal Struijk atrás de si. Com o calcanhar puxou a bola para o interior do terreno, surpreendendo o seu marcador e rodopiando sobre ele. O capitão olhou para a baliza e puxou a sua canhota atrás.

O passe apanhou toda a gente de surpresa - Frodo Zarco incluído.

A bola encontrou Diego Raposo na entrada da área. Um primeiro toque orientou a bola para a sua direita, fugindo à pressão exercida por Jonathan Tah e explorando o espaço deixado vago por Struijk. Olhou de relance para se enquadrar antes de tocar uma segunda vez na bola - e esse segundo toque foi um remate cruzado, de surpresa e com o seu pior pé, o direito.

O guarda-redes irlandês Kelleher estirou-se para a sua direita. Esticou-se o máximo que pôde. A bola foi fugindo ao seu alcance, fugindo, fugindo, fugindo...

O inevitável choque da bola com as redes laterais da baliza sul do Estádio da Medideira foi acolhido com um simultâneo estrondo semelhante à súbita explosão de um vulcão adormecido.

As bancadas pareciam vivas com adeptos aos saltos, outros a galgarem fileiras de bancadas na direção das primeiras filas. Aqui e além viam-se líquidos projetados de copos pelo ar. Pessoas abraçavam-se. Um cenário de emoção pura como só o futebol pode proporcionar.

Todo o banco do Amora invadiu o relvado e precipitaram-se sobre o pobre Diego Raposo. Soterrado algures debaixo do molho de gente que construiu uma pirâmide humana, não havia sinais dele.

O único que permaneceu no banco do Amora foi Frodo Zarco. O treinador conteve a custo o seu impulso de correr, gritar e festejar com os seus jogadores, ficando-se por um mero arranque, meia dúzia de passos com os braços no ar e um punho cerrado.

Havia muito jogo pela frente e alguém teria de manter os pés bem assentes na terra. Vida de treinador não é fácil.

 

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O golo acabaria por surgir pelos pés do inevitável Diego Raposo

 

O Amora vencia desde os 24' de jogo.

Era um resultado algo fortuito, pois o Maior da Margem Sul ia evidenciando algumas dificuldades em impor o seu jogo. Algo incomum, diga-se; a norma ao longo da temporada fora precisamente o contrário. O Amora tinha como uma das suas imagens de marca a posse de bola e o controlo do ritmo de jogo, mas até aos 24' andou mais tempo a correr atrás do esférico do que o contrário.

Mas era o Amora quem vencia. Por uma vez que fosse, eram os azuis da Margem Sul quem beneficiava de uma situação algo injusta dentro do terreno de jogo; habitualmente estavam do lado contrário dessa sensação.

O golo e o ambiente de euforia no estádio mudaram a face do desafio até ao intervalo. O Amora cresceu e o Porto sentiu a estocada de que foi alvo. A balança do jogo inclinou-se severamente para os azuis da Medideira. O Amora recuperava a bola em terrenos mais adiantados e aproveitava para a fazer rondar a área portista.

Por outro lado, o entusiasmo dos meninos deixava a defesa exposta. A ânsia de chegar ao segundo golo era tanta que por vezes toda a equipa subia no terreno, deixando apenas os dois centrais mais recuados e sem cobertura. De nada valiam os gritos de Frodo Zarco - a equipa sentiu que poderia resolver o jogo já na primeira parte e ninguém conseguiria parar aquele ímpeto.

Até que aos 39' levaram um choque de realidade.

A bola chegou aos pés de Kelleher e o guardião irlandês jogou longo e direto. O passe apanhou o lateral direito Rodrigo André desposicionado depois de uma subida e encontrou Pepê junto à linha lateral, já em zonas bem adiantadas do terreno.

O extremo brasileiro arrancou em velocidade, perseguido pelo desesperado Rodrigo André - que ainda tentou fazer falta, mas não conseguiu apanhá-lo. Pepê só tinha os dois centrais do Amora pela frente. Saiu-lhe Manuel Díaz ao caminho. Com a velocidade que trazia, Pepê puxou a bola para dentro e tirou o internacional espanhol da frente, chegando à entrada da área.

A aproximação de Nélson Victor e de Dino Leão convenceram-no a rematar logo dali. A bola saiu com força, um tiro na direção da baliza do Amora. Manuel Baldé foi apanhado de surpresa com a potência do remate e atirou uma das suas mãos ao ar, meio por reflexo, meio por esperança que por algum acaso a bola lhe acertasse.

Manuel Baldé nem viu a bola.

Sentiu apenas um baque no seu pulso direito e caiu de costas no relvado. No seu desespero, o guardião amorense deu um salto e olhou para a sua baliza.

A bola? Onde está a bola?

A bola saltitava junto à rede. Sentiu outro baque, este no coração, até ao momento em que percebeu que estava do lado de fora da baliza. O choque da bola com o seu pulso desviou-a por cima da barra - uma defesa milagrosa que nem ele saberia explicar como acontecera.

Foi um pequeno milagre que todos puderam presenciar naquele dia 13 de Maio - uma data bem apropriada para a sua ocorrência.

 

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Pepê aproveitou o balanceamento ofensivo do Amora para explorar o espaço e visar a baliza de Manuel Baldé

 

Não é que Manuel Baldé salvar a sua equipa fosse um cenário incomum. De todo! O guardião guineense já o fizera várias vezes e muitos foram os pontos que as suas intervenções valeram ao Amora. Não era por acaso que Manuel Baldé era sondado pelo Chelsea há vários meses, sendo até provável que aquele fosse o último jogo que fazia com o símbolo do Maior da Margem Sul ao peito [Porque o jogo que falta é a final da Taça de Portugal, competição em que Iuri Lourenço assume a baliza do Amora].

O Amora rapidamente recuperou o controlo do jogo. A primeira parte esgotava-se rapidamente e ambos os treinadores ansiavam pelo apito do árbitro para reunir as suas tropas. É verdade que a equipa da casa tinha agora maior percentagem de posse de bola, mas por outro lado as ganas com que iam para cima do adversário provocavam clareiras na defesa que o Porto ia explorando - não era por acaso que o Amora tinha menos remates, cinco, do que os seis do Porto, a maioria destes explorando o contra-ataque em situações que só por má definição não deram ocasiões de golo aos nortenhos.

O marcador eletrónico marcava já 43' de jogo. Frodo Zarco trocava algumas impressões com o seu adjunto, Edson Léléco Baessa, sobre o que dizer à equipa no balneário. Os seus jogadores em campo ainda tentavam chegar ao segundo golo, promovendo uma rápida troca de bola desde a esquerda até à direita para alternar o flanco de jogo. Rodrigo André aproveitou o espaço e explorou a linha de fundo, cruzando ao primeiro poste.

A bola foi encontrar Gabriel Capixaba. Acto reflexo, todos os adeptos se levantaram, antevendo o desvio de cabeça do capitão para a baliza.

Em esforço, Struijk antecipou-se e tirou-lhe a bola. A redondinha embateu em Pepê, que não teve reflexos para a controlar, e o ressalto encontrou Vitinha e Vítor Ferraz. Entre os dois baixotes foi o do Amora quem tocou na bola, mas não a conseguiu direcionar. De ressalto em ressalto, a bola caiu num espaço vazio no interior da área, junto da marca de penalidade.

O ruído na Medideira era ensurdecedor.

Uma camisola azul e outra rosa aproximaram-se rapidamente da bola. O central Tah hesitou para não cometer penalidade quando Diego Raposo lhe surgiu à frente. O goleador do Amora estava de costas para a baliza, não era um lance de finalização.

A jovem raposa, qual Liedson da Medideira, com um golpe de rins inclinou-se para a sua direira, ajeitou com o joelho esquerdo e disparou com um remate em moinho.

Àquela distância, Kelleher só a pararia se o remate fosse à sua figura.

Que não foi.

O caderno de notas que Frodo Zarco segurava foi atirado ao ar. Desta vez não houve travões ao seu ímpeto. Correndo desenfreadamente, o treinador galgou os cinquenta metros que separavam o seu banco do local onde os jogadores do Amora celebravam junto dos adeptos e atirou-se para o meio deles.

Em cima do intervalo, o Amora fazia o segundo golo e ficava a quarenta e cinco minutos de distância do título.

 

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De ressalto em ressalto, a bola foi parar ao pés do rato de área do Amora, de seu nome Diego Raposo

 

O seu nome é Raposo. Diego Raposo.

O Amora terminava a primeira parte com seis remates, tantos quantos os efetuados pelo Porto. Desses seis, três foram realizados pela jovem raposa. Dois deram golo.

Era essa a diferença no marcador: o Amora teve Diego Raposo, o Porto não. E, em última análise, essa diferença poderia valer um título de campeão.

Diego Raposo começou a temporada com uma lesão grave que lhe custou três meses no estaleiro. Muitas lágrimas foram derramadas durante esses noventa dias. A recuperação foi lenta e dolorosa, temendo-se que pudesse afetar a evolução do jovem avançado, na altura com vinte e um anos de idade.

O seu regresso foi fulgurante e os receios revelaram-se infundados. Com os dois golos apontados nesta tarde, Diego Raposo somava já dezanove golos em vinte e quatro jogos para a Primeira Liga, marca que lhe dava uma inesperada liderança provisória na lista dos melhores marcadores a apenas quarenta e cinco minutos do final da temporada.

Um cenário improvável quando se soube, há nove meses, da gravidade da sua lesão.

 

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Diego Raposo partiu para a 34ª jornada com dezassete golos apontados; os dois golos marcados na primeira parte davam-lhe a liderança provisória na corrida à Bola de Prata

 

O ambiente de festa antecipada ao intervalo na Medideira encontrava reflexo no balneário. Os jogadores estavam exultantes, sentindo o título nas suas mãos. Foi com algum desgosto que Frodo Zarco foi obrigado a barafustar com os seus meninos, tentanto trazê-los de volta à realidade.

Havia quarenta e cinco minutos para disputar e nada estava decidido... muito menos quando o adversário é o Porto, cuja tenacidade e garra muito características das gentes da Cidade Invicta tornava possíveis cenários que se pensavam impossíveis.

É certo que o Amora tinha dois golos de vantagem, mas Frodo Zarco sabia que um golo do Porto poderia fazer tremer toda a equipa. Ainda para mais tratando-se de uma equipa tão jovem. Era essencial não sofrer qualquer golo durante a segunda parte.

A equipa ouviu o seu treinador e os primeiros quinze minutos do segundo tempo passaram a voar sem grandes motivos dignos de realce. O Amora recuou um pouco as suas linhas e entretinha-se a quebrar o ritmo de jogo, demorando mais nas reposições e trocando a bola mais lentamente, tentando adormecer o adversário.

Não fosse pelo espetáculo dos adeptos nas bancadas, provavelmente haveria gente a bater uma sorna no relvado.

O torpor instalado foi tal que a equipa distraiu-se. Vítor Ferraz perdeu a bola no meio-campo ofensivo, Rodrigo André foi lento a reagir ao ressalto e Fábio Vieira lançou o contra-ataque com um passe longo para as costas de Manuel Díaz.

O central internacional espanhol do Amora é rápido, mas também Yussuf Poulsen o é. A bandeira do fiscal-de-linha ficou em baixo e o dinamarquês galgou quarenta metros no tempo de um piscar de olhos. Quando os adeptos voltaram a abri-los, já Poulsen estava na cara de Manuel Baldé.

O guardião amorense saiu da sua baliza para fazer a mancha. Poulsen apontou ao canto inferior esquerdo, fazendo a bola passar por Manuel Baldé, que esticou o seu pé direito numa tentativa desesperada de bloquear o remate.

Não foi a tempo. A bola percorreu o bem tratado relvado da Medideira e embateu nas redes da baliza, gelando os adeptos.

Aquele lance provocou uma onda de choque. Frodo Zarco poderia jurar que o seu coração parara durante os dois segundos que levou a perceber que a bola bateu nas redes, sim, mas as laterais da baliza - e mais importante, do lado de fora da baliza.

Refeitos do susto, os adeptos lançaram gritos de contentamento.

Seria de esperar que aquele lance tivesse feito acordar o Amora, mas um mau passe na saída de bola no pontapé de baliza alguns segundos depois deixou novamente Fábio Vieira com a bola já no meio-campo ofensivo. Dino Leão não foi de modas e rasteirou-o. O Amora livrou-se de um crítico lance em que a sua defesa estava descompensada, embora à custa um perigoso livre em zona frontal à baliza de Manuel Baldé.

Vitinha e Romário Baró falavam entredentes junto à bola enquanto os jogadores do Amora perfilavam. Surpreendentemente, Manuel Baldé não quis barreira. Os adeptos roíam as unhas. Aquele lance poderia decidir muito do que seria o resto do jogo.

O árbitro Rui Costa apitou. Vitinha deu um ligeiro toque para o lado e Romário Baró disparou, aproveitando a ausência de barreira. O tiraço do médio portista levava fogo!

Manuel Baldé arrependeu-se de imediato pela ausência de barreira. A bola saiu junto ao seu poste esquerdo e só teve tempo de se atirar em desespero de causa, esticando os braços para tentar socar a bola.

O som da bola a ser rechaçada pelos seus punhos foi claramente audível na transmissão televisiva, deixando-os a arder durante alguns minutos.

Era o pior momento do Amora no jogo. O Porto esteve próximo do golo por duas ocasiões e só por milagre se mantinha no ecrã gigante da Medideira a informação do resultado com dois golos de diferença.

 

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O Porto voltou à carga com uma grande ocasião para reduzir a desvantagem...

 

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... e no minuto seguinte dispôs de um livre direto que quase proporcionou o melhor golo da carreira a Romário Baró

 

Frodo Zarco estava possesso na sua área técnica e não perdeu sequer um segundo a tomar uma decisão. A sua equipa estava a cometer erros que só poderia atribuir ao peso da responsabilidade e juventude dos seus meninos. Chamou Martim Maia e Papou Mendes, elementos mais experientes, e lançou-os em campo.

Os adeptos aplaudiram as saídas de Dino Leão e João Carlos Miguel com uma ovação de pé. Nem a dupla ocasião do Porto os desanimou. O Porto ia causando alguns sustos, mas o resultado mantinha-se em dois golos de diferença. Os adeptos estavam cada vez mais certos que o título já não fugiria e iam celebrando nas bancadas.

Havia até quem já chorasse. É fácil perceber a multiplicidade de emoções vividas pelos adeptos. Há pouco mais de dez anos, muitos dos ali presentes viram o Amora próximo de fechar portas, acumulado em dívidas e perdido nos campeonatos distritais de Setúbal. Alguns acompanharam o clube mesmo nesses momentos negros, ajudando-o sem pedir nada em troca.

Ver o Amora ser campeão nacional era impensável não só nesses tempos difíceis, como mesmo já depois do regresso à Primeira Liga. Havia até quem comparasse o que estava a acontecer com o feito do Leicester na Premier League em 2016.

As duas substituições operadas por Frodo Zarco surtiram efeito e o Amora estabilizou. O tempo ia passando e até o habitualmente pessimista treinador do Maior da Margem Sul começou a sentir que o título estava quase assegurado.

E depois surgiu o minuto 78' do jogo.

Foi tudo muito rápido. Rodrigo André saía rápido pelo flanco quando foi surpreendido pela intercepção de Thierry Correia. O lateral esquerdo do Porto correu pela linha e lançou Mehdi Taremi na área. O iraniano surgiu entre Manuel Díaz e Nélson Victor, descaído pela esquerda, e rematou forte e cruzado.

Susteve-se a respiração na Medideira.

O disparo do avançado portista ia na direção do poste mais distante e, não fossem os dois passos que Manuel Baldé deu em frente para cobrir a sua baliza, teria certamente dado golo. O guarda-redes guineense rechaçou o remate e a defesa do Amora aliviou a bola.

Frodo Zarco sorriu pela primeira vez durante a segunda parte. Se o Porto não aproveitou aquela ocasião para reduzir a desvantagem, era porque não estava destinado a acontecer.

 

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Mehdi Taremi proporcionou novo momento de excelência a Manuel Baldé

 

Essa percepção de Frodo Zarco era extensível a todos os restantes elementos do Amora. Já havia sorrisos entre os suplentes. A equipa técnica celebrava com os adeptos que ocupavam os lugares atrás do banco de suplentes.

Faltavam dez minutos para o Amora ser campeão nacional!

O Porto ia insistindo mais em lançamentos longos na expectativa de conseguir algum ressalto que lhes proporcionasse um golo. Precisavam desesperadamente de um golo para reentrarem na discussão do resultado. A defesa do Amora ia chegando para as encomendas e limpava todas as tentativas do seu adversário.

Faltavam cinco minutos para o Amora ser campeão nacional!

Nova bola bombeada para a área do Amora. A defesa voltou a aliviar. A bola chegou ao guarda-redes Kelleher que solicitou a linha avançada do Porto com um lançamento longo para a área amorense. Rodrigo André cabeceou em frente, para longe de zonas perigosas.

A bola chegou a Diego Raposo. O goleador do Amora estava exausto e já não tinha forças para correr. O único motivo para Frodo Zarco o manter em campo era pela expectativa de surgir alguma oportunidade que o menino pudesse finalizar, ajudando-o no objetivo muito particular de ser o melhor marcador da Primeira Liga.

Mas Diego Raposo estava de facto esgotado. Recebendo a bola ainda no meio-campo do Amora, e sob pressão do central Struijk, já não tinha energia para sair no contra-ataque. Teve a presença de espírito de levantar a cabeça em busca de apoios. Viu Gabriel Capixaba e nem hesitou.

O capitão do Amora é um cavalo. Gabriel Capixaba estava também ele esgotado, mas este é um daqueles espécimes que corre até cair para o lado. Vendo o espaço deixado livre por Struijk, que tinha saído para pressionar Diego Raposo, lançou-se num improvável sprint pela zona central que ninguém esperava ver após oitenta e cinco minutos de um jogo intenso.

Thierry Correia lançou-se no seu encalço, mas não teve o pique do capitão do Amora. Os adeptos levantaram-se das cadeiras. Gabriel Capixaba deu um primeiro toque na bola, orientando-a para a frente. Os restantes elementos do banco do Amora rodearam Frodo Zarco na sua área técnica, todos de olhos postos na corrida do avançado. Gabriel Capixaba viu Kelleher sair da baliza.

Ainda estava a uns bons vinte ou vinte e cinco metros da baliza, mas disparou logo dali. Um arco a fugir do alcance de Kelleher. O irlandês tentou desviar a bola com um intenso golpe de vista - nada mais poderia fazer além disso.

A bola subiu, subiu, subiu antes de descer, descer, descer o suficiente para entrar no ângulo superior esquerdo da baliza.

Um ronco gutural provocado pelo grito coletivo de quinze mil gargantas trovejou pela Medideira. Todos os elementos do Amora - jogadores, suplentes e equipa técnica - dispararam numa correria tresloucada atrás de Gabriel Capixaba, passando por entre jogadores do Porto que se amontoavam pelo relvado, caídos, derrotados.

Estava feito, o Amora iria ser campeão nacional!

 

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Gabriel Capixaba!

 

Havia poucas coisas mais poéticas do que terminar uma caminhada rumo ao título de campeão nacional do que o derradeiro golo ser apontado pelo capitão Gabriel Capixaba.

O homem que estava no Amora há sete anos e meio, sendo o jogador mais antigo do plantel. O homem que percorreu toda a caminhada do Amora desde o Campeonato de Portugal, Liga 3 e Segunda Liga até à Primeira Liga. O homem que herdou a braçadeira de capitão após Joca terminar a carreira. O homem que molhou o biscoito tantas vezes, ajudando a equipa a afogar o ganso e conquistar tantos troféus.

Aquele era o pináculo de toda a sua carreira ao serviço do Amora.

O jogo foi retomado numa fase em que já ninguém queria jogar mais. O Porto só queria que aquele pesadelo terminasse e o Amora que pudessem finalmente festejar o título. O próprio árbitro provavelmente não daria tempo de compensação, ou se desse seria muito curto. Estavam todos no relvado a cumprir calendário.

Frodo Zarco ainda tinha uma substituição para fazer. Não teve qualquer dúvida sobre o que fazer com ela.

"Iuri! Equipa-te, rápido! Vamos fazer de ti campeão nacional!"

Embora tenha feito todos os jogos do Amora na Taça de Portugal e da Liga, Iuri Lourenço era o guarda-redes suplente de Manuel Baldé na Primeira Liga. Ainda não tinha disputado qualquer jogo e Frodo Zarco queria garantir que também ele somasse o título de campeão ao seu palmarés.

Todos os jogadores da equipa principal do Amora teriam essa honra.

E foi assim, aos 88' de jogo, que o Amora esgotou as três substituições a que tinha direito. A placa com o número 1 subiu e Manuel Baldé saiu a passo. Retirou as luvas pelo caminho aproveitando a complacência do árbitro, que poderia ter exigido que saísse pela linha de fundo, mas assim pôde sair tranquilamente enquanto ouvia uma ovação de pé e o seu nome cantado em uníssono pelos quinze mil adeptos.

 

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Iuri Lourenço substituiu Manuel Baldé e assim também ele seria campeão nacional de pleno direito

 

Manuel Baldé bateu com a sua mão direita aberta no símbolo que tinha na camisola, agradecendo aos seus adeptos, e deu um forte abraço a Iuri Lourenço. O guarda-redes angolano sorriu abertamente quando os adeptos o saudaram da mesma forma, cantando o seu nome.

 

"E o Iuri é campeão!

E o Iuri é campeão!

E o Iuri é campeããão!

ÔhÔh! ÔhÔôôh!"

 

Já ninguém estava sentado. Os adeptos gritavam "Campeões! Campeões! Nós somos campeões!", agitando os cachecóis num bonito espetáculo visual nas bancadas. Todos os elementos da comitiva do Amora estava de pé, abraçando-se, rindo, celebrando e aguardando pelo apito final do árbitro para poderem dar largas às festividades.

Frodo Zarco cerrou os olhos por alguns segundos para viver aquele momento. Sentia o relvado vibrar como consequência dos saltos dos adeptos nas bancadas. Ouvia os risos e os guinchos dos seus jogadores atrás de si, no banco de suplentes, ansiosos por correr para dentro do relvado logo que o jogo terminasse. O calor humano dos quinze mil adeptos em polvorosa deixaram-lhe a pele arrepiada.

O sorriso que rasgou a sua face de orelha a orelha era o espelho do seu estado de alma. Estava feliz. Não, estava em êxtase! Aquele momento era tudo aquilo pelo que ele e Bilbo Himura trabalhavam há sete anos. Estava finalmente a acontecer!

Abriu os olhos quando ouviu os adeptos iniciarem uma espontânea contagem decrescente.

 

"Dez! Nove! Oito!"

 

Rodrigo André tinha a bola na direita. Ninguém se lhe opôs e ele também não progrediu.

 

"Sete! Seis! Cinco!"

 

O menino passou para Vítor Ferraz na zona central, que segurou a bola novamente sem qualquer oposição.

 

"Quatro! Três! Dois! Um!"

 

Vítor Ferraz fez a bola encaminhar-se para o subcapitão Martim Maia à saída do grande círculo central.

 

"Zero!"

 

O número 89 deu lugar ao 90 no ecrã gigante e, quase de imediato, o árbitro Rui Costa apitou sonoramente - correndo de seguida para os balneários com todas as forças que conseguiu reunir. Em boa hora o fez, pois não haviam passado mais de dez segundos quando os primeiros adeptos saltaram para o relvado, exemplo rapidamente seguido por muitos outros.

As cenas que se seguiram foram indescritíveis. Jogadores, equipa técnica e adeptos celebraram juntos aquilo que acabara de acontecer. Alegria no seu estado mais puro, a roçar a loucura. Frodo Zarco e vários jogadores foram lançados ao ar, pouco podendo fazer para o evitar mesmo que o quisessem - que não queriam, só queriam celebrar.

O Amora Futebol Clube era campeão nacional pela primeira vez nos seus 107 anos de existência.

 

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Relatório do jogo

 

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O Amora conseguiu fazer o impossível

 

Foi só a muito custo que foi possível convencer os adeptos a regressarem aos seus lugares na bancada para se dar início à cerimónia de entrega da taça de campeão nacional.

Vários dignitários da Liga Portugal estavam presentes no palco entretanto montado no centro do relvado da Medideira. Um a um, os jogadores cumprimentaram-nos antes de lhes ser colocada ao pescoço a medalha comemorativa do título de campeão nacional.

Todos eles cederam à tentação de beijar a taça que era exibida em cima de uma mesa, no centro do palco.

Frodo Zarco foi o último. Aguardou pacientemente a sua vez, acompanhado pela mulher e pelo filho Pipin Zarco. Cumprimentou todos os dignitários, mas um deles mereceu atenção especial. Bilbo Himura estava entre eles e deram um forte abraço, bem apertado. Havia quem jurasse que até rolaram algumas lágrimas entre os dois.

Quando se soltaram, olharam-se profundamente, olhos nos olhos, mas nada disseram. Nem era preciso. O olhar orgulhoso de ambos dizia tudo o que havia a dizer.

Afastou-se discretamente para deixar o foco das atenções para os seus jogadores. Gabriel Capixaba recebeu a taça, gritou algo e ergueu-a ao mesmo tempo que uma explosão de confettis azuis e brancos deram cor à celebração, espalhando-se pelo ar.

Gravado na taça estava escrito aquilo que ninguém julgara possível ler alguma vez: "Amora Futebol Clube, Campeão Nacional da Primeira Liga 2027/28".

 

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A volta olímpica à Medideira foi inevitável. Um a um, todos os jogadores ergueram a taça, exibindo-a aos adeptos aí presentes. Mais tarde, a mesma taça seria exibida pelas ruas da Cidade de Amora, numa lenta procissão por entre os milhares que se foram acumulando pelas ruas logo após o golo de Gabriel Capixaba.

A festa prolongou-se por toda a noite e durante muito tempo todos os amorenses exibiram um largo e orgulhoso sorriso.

A Margem Sul celebrava pela primeira vez um título de campeão nacional. Havia um oásis repleto de vida no deserto da Margem Sul.

 

#MaiorDaMargemSul #CoracaoDeAmora #FazeroImpossivel

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Está feito!! Grande jogo, a acabar em grande, a vergar categoricamente o Porto por 3-0. Às costas do Diego, claro, e do Capixaba, não podia ser de outra forma.

Falta saber estatísticas, prémios e tudo mais, mas o prémio maior está entregue: a Taça com as suas fitas azuis e brancas está no museu. 

Curiosamente, ontem estava a ver o canal 11 e o Cândido Costa foi ao amora dar o prémio de melhor treinador do mês. Incrível como pensei logo no save quando ele falou da Medideira, ou quando o Joca apareceu em primeiro plano a “puxar saco”, como disse o Cândido. Parabéns pelo incrível save de 1 ano!

Que se segue agora? Que desafios há para o save?

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O que realmente aconteceu: Porto e Sporting abrem as pernas para impedir titoli ao Benfica.

#MeteEstaNoBalenário

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Citação de cadete, Em 21/01/2023 at 14:28:

Baldé e Raposo são heróis. Grande título. Amora é grande.

O Amora não é grande, é gigante! 😄

Citação de Maffu, Em 21/01/2023 at 21:03:

O que realmente aconteceu: Porto e Sporting abrem as pernas para impedir titoli ao Benfica.

#MeteEstaNoBalenário

Não tivesse a atualização ficado grandita e teria feito dois ou três parágrafos a brincar com essa ideia ahah.

Anyway, o Frodo Zarco imprimiu isso e ia meter no "balenário", mas somos um clube modesto e não temos disso na Medideira 😋

Citação de F. Mota, Em 21/01/2023 at 01:23:

Está feito!! Grande jogo, a acabar em grande, a vergar categoricamente o Porto por 3-0. Às costas do Diego, claro, e do Capixaba, não podia ser de outra forma.

Falta saber estatísticas, prémios e tudo mais, mas o prémio maior está entregue: a Taça com as suas fitas azuis e brancas está no museu. 

Curiosamente, ontem estava a ver o canal 11 e o Cândido Costa foi ao amora dar o prémio de melhor treinador do mês. Incrível como pensei logo no save quando ele falou da Medideira, ou quando o Joca apareceu em primeiro plano a “puxar saco”, como disse o Cândido. Parabéns pelo incrível save de 1 ano!

Que se segue agora? Que desafios há para o save?

Ainda não vi isso, estará no YouTube? Tenho de cuscar isso.

Obrigado 🙂

Sobre os desafios, ainda há uma Taça de Portugal para ganhar, que será o próximo Capítulo, e farei um outro como rescaldo da temporada com curiosidades, estatísticas e isso tudo.

Depois... sinceramente não sei. O que me propus há exatamente um ano acabou de ser feito: ser campeão com uma equipa de jovens formados e lançados pelo Amora.

Do onze mais vezes usado, todos excepto o Manuel Baldé, o Manuel Díaz e o Gabriel Capixaba foram contratados por recomendação dos meus observadores com 17/18 anos quando não eram nada, evoluíram já no clube, foram lançados, afirmaram-se e foram campeões.

Estou a ponderar seriamente se não termino o save após essas duas atualizações. Já leva um ano, já ando a jogar o FM 23 Mobile há uns tempos (aproveitando que por causa do ritmo deste save jogo pouco de cada vez) e estou a perder o ritmo de jogar e postar atualizações. Esta temporada levou pouco mais de mês e meio a terminar.

Até ando por outro fórum dedicado ao Mobile a testar e desenvolver tácticas para a nova versão, pelo que andar a jogar na versão do ano passado é uma cena estranha sempre que lhe pego.

Por outro lado, ainda não fiz algo que era o que queria mesmo fazer: ser campeão com regens do Amora. Mesmo formados no clube, não contratados quando ainda jovens. Por isso é que gastei todos os tostões acumulados ao longo do save no desenvolvimento das infraestruturas de treino e formação. Parece-me um contrasenso fazê-lo e não chegar a aproveitá-las.

Mas isso implicaria mais uns três ou quatro anos de jogo, pois para já só tenho um regen do Amora no plantel, o Vitorino Aranha, que até foi bastante usado e é muito bom, mas o resto é limitado. Mesmo que as próximas duas fornadas de regens sejam muito boas, até estarem prontos a lutar pelo título iria demorar, lá está, uns três, quatro anos.

Claro que posso jogar e fazer uma espécie de fast forward na história, fazendo só duas ou três atualizações por época durante esses anos de transição, mas iria um pouco contra a lógica de apresentação da história que segui desde o início.

Honestamente, ainda não sei como vou fazer. Para já vou terminar a época (já joguei a final, não vou é fazer spoilers) e no final logo verei. Há sequer interesse do pessoal em que isso aconteça? Há mesmo quem leia as atualizações e não se fique pelas imagens e gifs? 😄 É que isto ainda dá trabalho, até aqui estava motivado para postar nem que fosse só para mim, mas a partir daqui já seria mais por respeito a quem segue do que por motivação intrínseca.

Editado por Black Hawk
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Citação de Black Hawk, há 14 horas:

Ainda não vi isso, estará no YouTube? Tenho de cuscar isso.

Obrigado 🙂

Sobre os desafios, ainda há uma Taça de Portugal para ganhar, que será o próximo Capítulo, e farei um outro como rescaldo da temporada com curiosidades, estatísticas e isso tudo.

Depois... sinceramente não sei. O que me propus há exatamente um ano acabou de ser feito: ser campeão com uma equipa de jovens formados e lançados pelo Amora.

Do onze mais vezes usado, todos excepto o Manuel Baldé, o Manuel Díaz e o Gabriel Capixaba foram contratados por recomendação dos meus observadores com 17/18 anos quando não eram nada, evoluíram já no clube, foram lançados, afirmaram-se e foram campeões.

Estou a ponderar seriamente se não termino o save após essas duas atualizações. Já leva um ano, já ando a jogar o FM 23 Mobile há uns tempos (aproveitando que por causa do ritmo deste save jogo pouco de cada vez) e estou a perder o ritmo de jogar e postar atualizações. Esta temporada levou pouco mais de mês e meio a terminar.

Até ando por outro fórum dedicado ao Mobile a testar e desenvolver tácticas para a nova versão, pelo que andar a jogar na versão do ano passado é uma cena estranha sempre que lhe pego.

Por outro lado, ainda não fiz algo que era o que queria mesmo fazer: ser campeão com regens do Amora. Mesmo formados no clube, não contratados quando ainda jovens. Por isso é que gastei todos os tostões acumulados ao longo do save no desenvolvimento das infraestruturas de treino e formação. Parece-me um contrasenso fazê-lo e não chegar a aproveitá-las.

Mas isso implicaria mais uns três ou quatro anos de jogo, pois para já só tenho um regen do Amora no plantel, o Vitorino Aranha, que até foi bastante usado e é muito bom, mas o resto é limitado. Mesmo que as próximas duas fornadas de regens sejam muito boas, até estarem prontos a lutar pelo título iria demorar, lá está, uns três, quatro anos.

Claro que posso jogar e fazer uma espécie de fast forward na história, fazendo só duas ou três atualizações por época durante esses anos de transição, mas iria um pouco contra a lógica de apresentação da história que segui desde o início.

Honestamente, ainda não sei como vou fazer. Para já vou terminar a época (já joguei a final, não vou é fazer spoilers) e no final logo verei. Há sequer interesse do pessoal em que isso aconteça? Há mesmo quem leia as atualizações e não se fique pelas imagens e gifs? 😄 É que isto ainda dá trabalho, até aqui estava motivado para postar nem que fosse só para mim, mas a partir daqui já seria mais por respeito a quem segue do que por motivação intrínseca.

Epa deves conseguir ver ainda puxando o canal 11 para trás, não tenho a certeza que esteja no Youtube, o canal deles demora um bocado a meter os videos. 

Em relação ao resto do texto, a minha pergunta foi mesmo por saber que o objetivo sempre foi fazer do Amora campeão nacional. Estando a Champions super longe, naturalmente, há pouco mais a ganhar aqui - e o objetivo está cumprido, portanto... Qualquer outro a que te proponhas demorará sempre 4 ou 5 épocas a ser alcançado.

All in all, é tudo uma questão da tua motivação. Já estás no Mobile'23, claramente mergulhado no jogo, tens ainda outro save (em conjunto, é verdade) na secção e que tem uma história muito interessante... tudo aponta para que estejas a perder a motivação e a vontade de manter este save, não vale a pena manteres e cair de qualidade se assim for. Agora, se sentes o bichinho de fazer o Amora campeão só com jogadores formados no clube, ou seres o primeiro hexa, ou ganhares a Champions, siga com isso!

Sobre o último parágrafo, pelo menos aqui tens um leitor atento a tudo o que escreves, que não se fica pelas imagens e gifs 😅 A única coisa que não faço, confesso, é ir ao detalhe nos spoilers dos jogos que não dás destaque, nesses fico-me pela imagem do calendário que metes na atualização.

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ESTÁ FEITO !!! ❤️

Imensamente justo! Por tudo aquilo que foi a época e o querer destes meninos, o dia D chegou e a vitória por 3x0 perante o Porto, selou a conquista do título nacional. O Benfica esteve vivo até à última e logo aos 18' mostrou que se o Amora queria ser campeão, teria que bater o Porto na fortaleza que é Medideira. Ao cabo de 10 anos é uma conquista genial e com Capixaba e Raposo a brilharem. Fantástico o 3º golo, numa jogada entre ambos, quando as contas já pareciam fechadas.

É caso para perguntar: e agora? o que se segue?

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FINALMENTE! Que grande vitória, que grande final de época! E os Deuses do Futebol estiveram do lado do Amora para que se festejasse no aniversário do save.

Tenho que admitir que esperava que o Benfica vacilasse um pouco no final de temporada e que tirasse um pouco da pressão a que o Amora estava submetido. Mas lutaram até ao fim e obrigaram o Zarco e as suas tropas a manter o foco até final.

Mais que merecido o título, depois de um longo trabalho ao serviço deste clube! Terminas uma temporada sem derrotas, a jogar um futebol vistoso (e que muito me agrada ler as tuas ideias, pensamentos, análises), segundo melhor ataque, melhor defesa, com jogos complicadíssimos no final. Teve emoção e mais que tudo, sentimo-nos dentro da história! Parabéns pelo feito!

O Raposo sempre foi o melhor marcador?

Percebo as tuas dúvidas em relação ao save. Não há necessidade de arrastar algo se a tua motivação também está noutro lado e assim fechas com a chave de ouro! Percebo também que continuar mas noutros moldes (mais resumido) também não faça grande sentido! Independentemente da tua decisão irei acompanhar os teus post, as tuas análises porque este save fez-me ver o jogo com outros olhos e dá-me imenso gozo tentar recrear vários estilos de jogo.

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Citação de Martini Branco, há 22 horas:

ESTÁ FEITO !!! ❤️

Imensamente justo! Por tudo aquilo que foi a época e o querer destes meninos, o dia D chegou e a vitória por 3x0 perante o Porto, selou a conquista do título nacional. O Benfica esteve vivo até à última e logo aos 18' mostrou que se o Amora queria ser campeão, teria que bater o Porto na fortaleza que é Medideira. Ao cabo de 10 anos é uma conquista genial e com Capixaba e Raposo a brilharem. Fantástico o 3º golo, numa jogada entre ambos, quando as contas já pareciam fechadas.

É caso para perguntar: e agora? o que se segue?

Era o que estava a discutir com o @F. Mota, o objetivo do save está cumprido, estou aqui a ver se justifica continuar e fazer mais três ou quatro épocas ou não.

Vou avançar um pouco no jogo e ver o que me dão de regens. Se me derem uma boa fornada, sou capaz de tentar começar novo ciclo com eles.

Citação de Kluivert, há 2 horas:

FINALMENTE! Que grande vitória, que grande final de época! E os Deuses do Futebol estiveram do lado do Amora para que se festejasse no aniversário do save.

Tenho que admitir que esperava que o Benfica vacilasse um pouco no final de temporada e que tirasse um pouco da pressão a que o Amora estava submetido. Mas lutaram até ao fim e obrigaram o Zarco e as suas tropas a manter o foco até final.

Mais que merecido o título, depois de um longo trabalho ao serviço deste clube! Terminas uma temporada sem derrotas, a jogar um futebol vistoso (e que muito me agrada ler as tuas ideias, pensamentos, análises), segundo melhor ataque, melhor defesa, com jogos complicadíssimos no final. Teve emoção e mais que tudo, sentimo-nos dentro da história! Parabéns pelo feito!

O Raposo sempre foi o melhor marcador?

Percebo as tuas dúvidas em relação ao save. Não há necessidade de arrastar algo se a tua motivação também está noutro lado e assim fechas com a chave de ouro! Percebo também que continuar mas noutros moldes (mais resumido) também não faça grande sentido! Independentemente da tua decisão irei acompanhar os teus post, as tuas análises porque este save fez-me ver o jogo com outros olhos e dá-me imenso gozo tentar recrear vários estilos de jogo.

Nunca tinha visto uma equipa treinada pela IA fazer 86 pontos em Portugal. Uma média superior a 2,5 pontos por jogo. Normalmente as equipas da IA quebram um pouco naquelas fases em que têm jogos para a Liga e para as competições europeias, parece-me que por a IA no FM 22 Mobile não saber gerir a condição física dos jogadores, mas este Benfica não vacilou em nenhum momento.

A diferença acabou por ser a vitória sobre eles na Medideira. Esses três pontos que lhes conquistei no confronto direto (tinha empatado na Luz) fez toda a diferença.

O Dieguito foi o melhor marcador, sim, em igualdade com alguém que já não me lembro. Imagino que por ter feito menos jogos ou ter mais assistências (não sei qual o critério de desempate) acabou por vencer o troféu.

Mas ainda farei um Capítulo de rescaldo e depois falarei disso.

Entretanto, obrigado pelos elogios, foi sempre esse o objetivo: contar uma história que quem acompanhe possa estar por dentro. Não apenas dos resultados, mas das estratégias, dos planos, conhecer os jogadores, criar proximidade como se estivessem a jogar o save também. Grato por saber que consegui transmitir isto 🙂

Anyway, ainda há um troféu para conquistar e uma dobradinha para assegurar 😄

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Um Capítulo dedicado a alguém que quase não é mencionado, mas que já merecia algum destaque.

Está em cima da mesa a possibilidade de ser o último jogo do save, por isso estiquei-me um pedacito. É para aproveitar!

 

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Capítulo LXIX - O homem da casa

 

Os seus colegas de equipa trocavam impressões em voz alta. Escutava-os sem verdadeiramente os ouvir. Já equipado com a sua camisola, o número 17 estampado nas costas, permanecia sentado de olhos fechados, perdido nos labirintos da sua mente.

Não pensava em nada em especial. Pela sua cabeça perspassavam várias ideias soltas, memórias e recordações do seu percurso até ali. Daí a dois meses fazia sete anos que se mudara para a Margem Sul e nem acreditava em tudo o que acontecera desde então.

Por vezes tinha medo de acordar e dar conta que tudo não passara de um sonho!

Foi despertado dos seus devaneios por um par de mãos a pousar sobre os seus ombros. Abriu os olhos e viu uma face bem conhecida a mirá-lo com um sorriso prazenteiro.

"Luquinhas, hoje é o teu dia, carai! Vai com tudo!"

Sorriu abertamente perante o ânimo de Frodo Zarco. Levantou-se e deu um abraço àquele homem, por quem daria a vida em campo se preciso fosse.

Era verdade; hoje era o seu dia. Finalmente, Lucas Silva teria a oportunidade de disputar a final da Taça de Portugal no relvado do Estádio Nacional, no Jamor.

 

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Lucas Silva é um dos homens da casa na Medideira

 

Fazia já mais de uma década que Lucas Silva aterrou em Portugal. O lateral brasileiro, então com 20 anos, chegou a território nacional para representar o Académico de Viseu. Durante três temporadas, entre 2017 e 2020, Lucas Silva exibiu-se a bom nível, de tal forma que chamou a atenção do Estoril.

A passagem pelo Estoril não foi tão bem sucedida. Não convenceu o treinador dos estorilistas, Bruno Pinheiro, e passou a maior parte da temporada 2020/21 a jogar pela equipa Sub23 na Liga Revelação. Sem espaço no Estoril, Lucas Silva, com 24 anos, precisava de dar um novo rumo à carreira.

O passo seguinte foi surpreendente e não faltou quem o tenha interpretado como um tremendo passo atrás: assinou pelo Amora, equipa que disputaria a primeira edição da Liga 3.

Foi a melhor decisão que tomou em toda a sua carreira.

Lucas Silva assumiu-se como uma das pedras basilares do novo Amora, equipa cuja SAD foi adquirida pela antiga estrela do futebol mundial, Bilbo Himura, apenas alguns dias depois da sua chegada. Sob a liderança de outro antigo jogador, embora muito menos conhecido, Frodo Zarco, o Maior da Margem Sul não mais parou de evoluir - e Lucas Silva cresceu a par com a equipa.

 

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Lucas Silva terminou a temporada 2027/28 com 191 jogos disputados pelo emblema da Margem Sul [incluindo esta final da Taça de Portugal]

 

Durante três anos e meio, Lucas Silva foi dono e senhor da ala esquerda da defesa do Amora. Na Liga 3, primeiro, e na Segunda Liga, depois, a sua propensão ofensiva originaram muitos golos, como o comprovam os registos de golos e assistências. A qualidade do ala esquerdo não parecia ter limites.

Foi só ao estrear-se com o Amora na Primeira Liga em 2024/25 que as suas limitações começaram a tornar-se mais evidentes. No convívio dos grandes, a intensidade era outra; os adversários tecnicamente mais requintados; os defesas mais duros. Lucas Silva perdeu alguma da sua influência na equipa e o surgimento de jovens talentos formados pelo Amora ameaçaram, pela primeira vez, a sua titularidade.

Não que Lucas Silva comprometesse. Não, longe disso! O Luquinhas é sólido. Não necessariamente forte em nenhum aspeto, mas muito consistente em tudo o que faz em campo. É um daqueles jogadores a quem ninguém consegue apontar uma qualidade em que se destaque, mas também não lhe podem apontar um defeito que seja comprometedor.

Por outro lado, Lucas Silva é um homem inteligente. Conhecedor das suas qualidades e limitações, cedo percebeu que os novos talentos que iam surgindo na Medideira haveriam de lhe disputar o lugar. Aceitou-o como algo natural e nunca levantou ondas, mesmo quando ao longo da temporada 2024/25 perdeu a titularidade para Tiago Louro. Continuou a trabalhar arduamente e foi sempre um elemento da confiança de Frodo Zarco quando a ele recorreu o treinador.

Foi, por isso, do banco de suplentes que viu o Amora conquistar a sua primeira Taça de Portugal em 2026.

A eventual saída de Tiago Louro no final da temporada, aquando de um êxodo generalizado de alguns dos principais talentos do Amora que incluiu nomes como Isaac Monteiro, Leonardo Brandão, Martim Watts ou Luiz Felipe, entre outros [e o Joca que terminou a carreira], trouxe-o de volta à titularidade e cumpriu com o brio e solidez que sempre se lhe reconheceu.

 

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Uma lesão inoportuna dias antes da final da Taça de Portugal em 2027 impediu-o de a disputar nessa tarde frente ao Portimonense [isto é um print do Capítulo da final da época passada, não desta!]

 

Manteve a titularidade durante a temporada 2026/27, apesar de o crescimento acelerado de outro menino, Octávio Sousa, começar a ameaçá-la novamente. Isso não impediu Frodo Zarco de anunciar a sua titularidade na final da Taça de Portugal em 2027, que seria a sua estreia enquanto tal nesse jogo mítico que todos os jogadores portugueses, bem como os estrangeiros radicados no nosso país há tanto tempo como Lucas Silva, sonham jogar.

A infelicidade bateu-lhe à porta. Lucas Silva lesionou-se dias antes desse jogo, acabando por assistir à vitória do Amora sobre o Portimonense da bancada. Foi um golpe duro para o jogador, tanto mais que ao longo da temporada seguinte, a atual, Octávio Sousa foi assumindo a titularidade e relegou novamente Lucas Silva para o banco de suplentes.

Tal como anteriormente, Lucas Silva nunca baixou os braços. Foi utilizado em 28 partidas ao longo da temporada e cumpriu sempre que foi solicitado. Podia não ser um jogador extraordinário, sejamos honestos, mas sempre foi um elemento no qual os colegas e o seu treinador poderiam confiar.

Foi por esse motivo que Frodo Zarco não entrou em pânico quando Octávio Sousa se lesionou durante a segunda mão da Meia-Final da Taça de Portugal contra o Benfica, lesão que ditou o final antecipado da sua temporada. Chamado à titularidade, Lucas Silva ajudou o Amora a somar os quatro pontos de que necessitava, perante Sporting e Porto, para garantir o título.

E, claro, seria finalmente titular no Jamor quando o Amora, oito dias depois de vencer o Porto por 3-0 na Medideira e conquistar o título de campeão nacional, entrasse em campo para nova ronda do duelo muito particular com o Porto de Toni Kroos.

 

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Seria Lucas Silva e mais dez na Final da Taça de Portugal contra o Porto

 

Lucas Silva foi o segundo homem do Amora a entrar no relvado, secundado apenas pelo capitão Gabriel Capixaba. Ambos tinham chegado à Medideira em 2021 e eram, tal como Martim Maia e Papou Mendes, os últimos quatro sobreviventes do primeiro plantel treinado por Frodo Zarco. Não era por acaso que Gabriel Capixaba era o capitão, calhando a Martim Maia e Lucas Silva assumir a braçadeira na sua ausência.

Eram as vozes mais fortes do balneário. Os mais experientes do plantel, exemplos para os mais jovens. Os portadores da mística amorense. Os homens da casa.

O ambiente no Jamor era de entusiasmo generalizado. Os adeptos do Porto, que constituíam a maioria, queriam vingança pela goleada do fim-de-semana anterior e puxavam ferozmente pela sua equipa. Os do Amora, esses estavam nas nuvens. Ainda vivendo um sonho, o de serem campeões nacionais, aplaudiam e festejavam tudo o que acontecia. Estavam em estado de graça.

Os capitães de equipa escolheram campo e bola. Lucas Silva colocou-se junto à linha lateral, perto do banco do Amora do lado onde havia a única bancada central do Jamor. Vislumbrou Frodo Zarco, o seu amigo e treinador, a gritar alguma coisa para um dos seus colegas. O olhar de ambos cruzou-se logo depois. Frodo Zarco sorriu-lhe tranquilamente e cerrou os dois punhos a meia altura, num gesto que só poderia significar "Força! Coragem!".

Respirou fundo uma última vez para aliviar a tensão que sentia antes do árbitro Hugo Miguel dar início à partida. O apito soou sonoramente. Diego Raposo deu o primeiro toque na bola na direção de Vítor Ferraz.

Jogava-se a final da Taça de Portugal!

O Amora lançou-se imediatamente no ataque. Odailson tentou combinar com Gabriel Capixaba pelo flanco, mas desentenderam-se e a bola sobrou para Fábio Vieira. O médio portista variou rapidamente o flanco de jogo na direção de Pepê do outro lado. O brasileiro não se fez rogado. Progrediu em velocidade ao longo da linha e fletiu para dentro, tentando explorar o espaço entre Lucas Silva e Nélson Victor na zona central. Lucas Silva leu a situação e aproximou-se do central seu colega de equipa.

Sem espaço para invadir pela zona central, Pepê puxou a bola de novo para junto da linha lateral. Lucas Silva acompanhou a sua movimentação resistindo à tentação de tentar o desarme, adivinhando sagazmente que era o que Pepê esperava para criar o desequilíbrio individual. Juntos percorreram a linha até junto da bandeirola de canto, onde o espaço para avançar terminou para Pepê, obrigando o brasileiro a ficar de costas para a área do Amora, virado para a bandeirola.

Com todo o cuidado para evitar cometer falta, Lucas Silva manteve a sua posição nas costas de Pepê e aguardou pelo apoio que não tardou a chegar. Filipe Diogo contornou Pepê e chutou contra as suas pernas. A bola saiu pela linha de fundo e o Amora conquistou um pontapé de baliza.

A primeira intervenção de Lucas Silva perante o principal desequilibrador do Porto tinha sido um sucesso.

 

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A habilidade na finta aliada à sua rapidez natural faziam de Pepê o principal desequilibrador do Porto

 

Frodo Zarco profetizara que Pepê jogaria no flanco de Lucas Silva e falara longamente com o seu jogador, aconselhando-o e preparando-o para a sobrecarga que sofreria ao longo do jogo. O primeiro ataque do Porto comprovava a sua profecia.

Toni Kroos montou a sua equipa no habitual 442 com dois alas muito distintos. Fábio Vieira, pela esquerda, funcionava mais como um organizador, derivando naturalmente para zonas mais centrais, cabendo a Pepê dar largura e profundidade na ala contrária. Não era uma coincidência: os laterais direitos do Amora, Rodrigo André e Odailson, eram ambos rápidos, mas Lucas Silva, agora com 31 anos, já não era tão veloz como noutros tempos. A opção de lançar Pepê pelo seu flanco era apenas natural para potenciar a sua velocidade, que era de onde habitualmente vinham grande parte das oportunidades do Porto - não era por acaso que o brasileiro tinha doze golos e outras tantas assistências na temporada.

A Lucas Silva, Frodo Zarco apenas pediu que o encaminhasse naturalmente para fora do jogo, ou seja, para junto da linha lateral. O perigo de Pepê eram as incursões para o interior da área a partir da linha; se Lucas Silva conseguisse cobrir essas zonas e dar-lhe apenas a linha, tudo estaria bem. Os centrais do Amora, Manuel Díaz e Nélson Victor, são fortes no jogo aéreo. Se o máximo que Pepê conseguisse fazer fosse cruzar a partir da linha lateral, dificilmente poderia causar estragos.

 

[Ingame mudei a função do Lucas Silva de Ala para Lateral Defensivo assim que vi que o Pepê estava do lado dele, com o objectivo de garantir que o Pepê não lhe surgisse nas costas e corresse na direção dos centrais, que foi algo que aconteceu no jogo anterior, até postei um gif em que isso aconteceu e ia dando golo (embora nesse lance tenha sido no flanco oposto)]

 

Lucas Silva manteve-se firme nas primeiras incursões de Pepê ao longo dos minutos iniciais da partida. Não por acaso, o primeiro lance em que o Porto conseguiu furar a defesa do Amora surgiu precisamente do lado contrário. Fábio Vieira surpreendeu Odailson, fintou-o com um drible de corpo e ganhou a linha de fundo. Só mesmo um esforço sobrehumano permitiu ao lateral francês desviar o cruzamento com a ponta da sua biqueira, cedendo pontapé de canto.

Os adeptos do Porto empolgavam-se nas bancadas quando Lucas Silva ocupou a sua posição junto ao segundo poste - Frodo Zarco era um treinador à antiga nesse aspeto e colocava um jogador em cada poste. Fábio Vieira bateu o canto ao segundo poste. Iuri Lourenço ficou na baliza apesar de a bola descer já na pequena área.

Perante a apatia geral, Pascal Struijk surgiu para dar a cabeçada vitoriosa para o fundo das redes. O central belga do Porto já fazia o gesto técnico para o cabeceamento quando Lucas Silva saiu do poste, deu dois passos para dar balanço e saltou na direção da bola. Não era um grande cabeceador. Acertou meio de lado na bola e esta subiu, acabando por sair novamente pela linha de fundo.

Os colegas felicitaram-no pela intervenção. Evitara um potencial golo do Porto. O segundo canto acabou por ser afastado por um cabeceamento de Nélson Victor no interior da área e passou o perigo para o Amora.

O empate a zero persistia no marcador.

 

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Lucas Silva pode ter evitado o golo de Pascal Struijk quando ainda nem cinco minutos estavam jogados no Jamor

 

Mais um par de incursões de Pepê nos minutos seguintes revelaram que o plano de Toni Kroos não estava a funcionar. Lucas Silva, experiente, soube lançar o engodo para que o extremo brasileiro se fechasse sozinho junto à linha, ficando sem apoio e tornando-se inconsequente. Tal situação não passou despercebida ao treinador alemão. Ao longo da primeira parte, Pepê começou a surgir mais vezes noutras zonas do terreno, acabando por fixar-se na ala contrária.

O duelo particular de Lucas Silva com Pepê fora vencido pelo lateral do Amora.

Quem também não estava desatento era Frodo Zarco. Apercebendo-se da mudança no Porto, chamou Lucas Silva à linha lateral à primeira oportunidade e deu-lhe novas instruções.

"Lucas! Chega aqui! O Pepê já não está do teu lado e o Fábio Vieira não vai atacar a profundidade. O Miguel [o João Carlos Miguel é médio-centro mais descaído para a esquerda] já está alertado para monitorizar as incursões do Fábio Vieira pelo interior. Tens mais liberdade para subir; sobe!"

 

[Ingame alterei a função do Lucas Silva de Lateral Defensivo para Ala assim que vi o Pepê a surgir do lado contrário, e fiz o inverso na função do Odailson]

 

Foi tudo o que quis ouvir. No minuto seguinte, Dino Leão procurava armar o ataque do Amora no centro do terreno quando Lucas Silva surgiu em progressão pela linha, oferecendo-lhe uma linha de passe segura. O médio defensivo endereçou-lhe a bola. Lucas Silva estava solto - nem Pepê nem Fábio Vieira estavam do seu lado nesse momento - pelo que avançou no terreno, criando com Filipe Diogo uma situação de dois para um contra o lateral Tomás Esteves.

Combinou com Filipe Diogo. O miúdo-maravilha fletiu para dentro, arrastou o lateral e atrasou de calcanhar para Lucas Silva na linha. O lateral evitou a intercepção desesperada de Tomás Esteves - Lucas Silva poderia explicar-lhe que não se entra à queima numa situação daquelas - e ganhou a linha de fundo. Um rápido vislumbre dos posicionamentos dentro da grande área foi suficiente para decidir.

O cruzamento tenso foi encontrar a movimentação de Diego Raposo ao primeiro poste. A jovem raposa antecipou-se a Pascal Struijk e nem precisou de dar força ao cabeceamento - a bola vinha suficientemente tensa para apenas precisar de desviá-la na direção do segundo poste.

Caoimhím Kelleher, guardião dos dragões, nem sequer se fez ao lance.

 

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A primeira incursão ofensiva de Lucas Silva criou a primeira ocasião de golo do Amora [notem a movimentação do lateral direito Odailson a ficar atrás devido à mudança na função para Lateral Defensivo; adoro ver estes pormenores no matchcast]

 

O cabeceamento de Diego Raposo saiu próximo da junção entre o poste e a barra para grande desilusão de todos os amorenses. Lucas Silva não foi excepção. De onde estava, a bola parecia ter entrado! Levou as mãos à cabeça e foi ainda assim que iniciou a corrida de volta à defesa. Ao passar por Frodo Zarco, o treinador elogiou-lhe a iniciativa.

Mais um par de incursões pela linha convenceram finalmente Toni Kroos a marcar as suas subidas. Sempre que o Amora tinha a bola, Fábio Vieira, agora definitivamente colocado do lado de Lucas Silva, acompanhava o lateral. Isto tirou-os a ambos do jogo durante grande parte da primeira parte, pois anulavam-se mutuamente.

O tempo nos cronómetros foi avançando rapidamente rumo ao intervalo sem que o perigo se instalasse em qualquer das balizas. Uma partida muito fechada, com muita gente a asfixiar o jogo interior e ausência de largura - consequência de tanto os laterais do Amora, como os alas do Porto, estarem demasiado focados em anular a ação dos seus opositores diretos.

Já a placa com os dois minutos de compensação na primeira parte estava a ser mostrada quando Iuri Lourenço bateu um livre na sua área - um adversário fora apanhado em fora-de-jogo. A bola caiu no grande círculo e foi Diego Raposo quem saltou para a disputar... com Fábio Vieira, que por algum motivo acorreu à zona central para a disputar.

A jovem raposa atrasou em Dino Leão antes que Fábio Vieira o pudesse atrapalhar.

"Sobe! Sobe! Lucas!"

Era a voz de Frodo Zarco. Também Dino Leão tinha visto a oportunidade - Fábio Vieira deixou o lateral do Porto, Tomás Esteves, sem cobertura. Flanqueou rapidamente em Filipe Diogo, sobre o qual caiu Tomás Esteves na pressão. Lucas Silva já lá vinha pela linha. Filipe Diogo aguardou um momento para fixar Tomás Esteves e soltou na linha em Lucas Silva.

Esse momento que Filipe Diogo esperou proporcionou-lhe o espaço necessário para progredir com a bola sem oposição. Correu alguns metros até sentir a proximidade de Tomás Esteves. Olhou para o interior em busca de soluções.

E viu-o.

Esticou a bola na profundidade, para o espaço onde Tomás Esteves deveria estar se não tivesse de sair na pressão ao lateral do Amora. João Carlos Miguel surgiu de rompante como uma locomotiva, invadindo a área pela esquerda. Uma ginga de corpo e Pascal Struijk, que surgira para a dobra, ficou fora do lance.

Lucas Silva estacou, seguindo com o olhar a ação de João Carlos Miguel. O médio já tinha pouco ângulo para finalizar, mas decidiu-se pelo remate cruzado mesmo assim. Do ponto em que se encontrava, precisamente no enfiamento do lance, foi o primeiro no Jamor a ter a certeza de qual o desfecho do remate.

Arrancou de braços no ar. João Carlos Miguel procurou-o de imediato, apontando para ele com um sorriso de orelha a orelha estampado na face. Abraçaram-se momentos antes de os colegas de equipa começarem a envolvê-los, juntando-se à celebração.

Todos os jogadores o cumprimentaram. Fora ele a criar o desequilíbrio com a sua subida e a fazer a primorosa assistência para o golo de João Carlos Miguel.

O Amora vencia ao intervalo e Lucas Silva era o elemento diferenciador dentro das quatro linhas.

 

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João Carlos Miguel desfez o nulo no Jamor após assistência de Lucas Silva

 

Os seus colegas respeitavam-no. Lucas Silva já tinha mais anos de Amora do que a maioria deles tinham de carreira profissional. Não sendo o mais exuberante dos jogadores, não era também habitual que se destacasse a marcar ou a assistir, pelo que naquele momento todo o balneário fez dele o centro das atenções.

"Onde está o meu menino?", ouviu-se uma voz perguntar ao entrar no balneário. Quando o vislumbrou, abriu os braços e exclamou. "Luquinhas!!!", e Frodo Zarco deu-lhe um abraço.

Era um dos seus homens de confiança. Muitas vezes, especialmente nos últimos anos quando Lucas Silva foi perdendo a preponderância e até a titularidade, se questionava quando seria que Frodo Zarco se decidiria a trocá-lo por outro lateral.

De todas as vezes, o treinador do Amora dava a mesma resposta.

"O Lucas Silva continuará a jogar aqui até querer sair enquanto eu for treinador nesta casa."

O que muita gente ignora nestas análises é que uma equipa de futebol não são apenas onze jogadores. Há todo um plantel e todos os seus integrantes desempenham um papel fulcral nos sucessos alcançados.

Alguns destacam-se mais claramente. A magia de Filipe Diogo, o instinto goleador de Diego Raposo, a cavalice de Gabriel Capixaba, a mestria de Vítor Ferraz, o raio de ação de João Carlos Miguel, a leitura de jogo de Dino Leão ou a imponência de Manuel Díaz ou Nélson Victor, realçam-se naturalmente em campo e são visíveis a todos.

Já escrevia Antoine de Saint-Exupéry que "o essencial é invisível aos olhos". Lucas Silva era essencial ao Amora de Frodo Zarco de muitas formas, mas que infelizmente não eram visíveis ao olhar de quem estava de fora. Trabalhava arduamente nos treinos, era bom colega e amigo de todos, aceitava as decisões do seu treinador sem as contestar ou gerar mau ambiente, e cumpria o que lhe era solicitado sempre que chamado à ação.

Que treinador não adora ter um jogador assim?

Os olhos de Lucas Silva, pouco habituado a ser o centro das atenções, brilhavam de emoção quando a segunda parte foi retomada.

Frodo Zarco dedicou alguns minutos do intervalo a reforçar as instruções aos seus dois laterais, Odailson e Lucas Silva. Era importante que, do lado onde caísse Pepê, nunca fosse dado o lado de dentro. Era encaminhá-lo para a linha lateral e ele que corresse contra a bandeirola de canto as vezes que lhe apetecesse.

Ambos seguiram as instruções do treinador e Pepê foi largamente inconsequente durante longos períodos da segunda parte. O jogo seguia, de resto, a mesma toada melancólica da primeira metade... até aos 67' da partida.

O Porto tentava furar a bem organizada defensiva do Amora. Pepê, sempre ele, foi obrigado a procurar a linha - Odailson cumpriu as instruções. Tentou dar para Yussuf Poulsen, mas Manuel Díaz aliviou a bola. Sobrou para Vitinha, que novamente procurou Pepê à sua frente. O brasileiro ia receber a bola de costas para a baliza, descaído para a esquerda do ataque do Porto.

Desta vez, porém, Odailson cedeu à tentação de entrar à queima e conseguir o desarme ao brasileiro. Pela movimentação deste, tentou adivinhar que ele rodaria para o lado de fora e posicionou-se para bloquear a bola quando ele rodasse.

Nunca o saberiam, mas a reação de Frodo Zarco, lá longe na sua área técnica, e de Lucas Silva, do outro lado do campo a acompanhar o lance à distância, foi exatamente a mesma.

"Não! Não! Nããão!"

Era tudo o que Pepê pretendia. Odailson foi surpreendido pela rotação do brasileiro para o interior do terreno e ficou de imediato fora do lance. Pepê fletiu para a entrada da área e aplicou o seu forte pontapé.

O coração de Lucas Silva quase lhe caiu aos pés ao ver a bola passar pelo guarda-redes Iuri Lourenço.

Os gritos das bancadas fizeram-se ouvir de imediato. Gritos de júbilo e frustração. O disparo foi forte, embora mal direcionado, passando ao lado da baliza - Lucas Silva foi iludido pelo seu posicionamento. O Amora salvava-se, mas o aviso fora dado. Uma distração, um erro, e o Porto quase empatou.

Frodo Zarco estava apoplético na sua área técnica, pedindo - quase exigindo - explicações a Odailson. De forma mais calma, refeito do susto, Lucas Silva tentou tranquilizar o colega de equipa.

Faltava pouco mais de vinte minutos para o final.

 

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Um erro individual de Odailson quase proporcionou um grande golo a Pepê

 

Foi um fogacho do Porto. Odailson não mais cometeria o mesmo erro e a partida entrou em novo período de acalmia.

Não que o Porto não quisesse atacar. Não, o Porto tentava, mas o Amora, esta Geração de 2026, estava em ponto rebuçado. A equipa jogava de olhos fechados e sabia como poucos adormecer o seu adversário. Lucas Silva recebia a bola, dava em Filipe Diogo ao longo da linha, este retia-a para atrair as marcações e devolvia-a a Lucas Silva, que de pronto dava em Dino Leão no centro. Este atrasava em Manuel Díaz, que dava no seu colega de defesa Nélson Victor, e daí mais para a esquerda em Lucas Silva, que voltava a adiantar em Filipe Diogo.

E o Amora repetia tudo de novo.

Se o Porto tentasse quebrar essa corrente, a equipa variava o flanco e fazia-o do lado contrário onde havia espaço. Quando este deixasse de existir, rodava novamente para o outro flanco. O Porto estava preso na teia montada pelo Amora.

É verdade que isto era uma posse sem progressão, mas também não era desejo do Amora fazê-lo. Se a oportunidade surgisse não deixariam de a explorar, mas essa não era a prioridade naquele momento.

Chegados aos 80' do jogo, surgiu Jéferson na linha lateral pronto para entrar em campo. Ninguém duvidou de quem fora escalado para sair. A placa subiu e foi sem surpresas que o número 20 foi mostrado: o capitão Gabriel Capixaba.

O capitão do Amora desviou o seu percurso na saída até ao local onde aguardava Lucas Silva. Deram um abraço antes de Gabriel Capixaba entregar-lhe a braçadeira de capitão. Lucas Silva fê-la subir pelo braço esquerdo e apertou-a, mal conseguindo esconder o sorriso orgulhoso.

Envergar a braçadeira de capitão do Amora na final da Taça de Portugal seria um dos maiores motivos de orgulho que carregaria consigo até ao final da sua vida e uma história que contaria aos seus pequenos netos e bisnetos daí a muito tempo.

Como se não bastasse a exibição que estava a fazer, usar a braçadeira de capitão deu-lhe ainda mais motivação dentro de campo. Disputou cada lance como se a sua vida dependesse disso, dava instruções e alertas aos colegas, parecia uma extensão de Frodo Zarco dentro de campo.

E era também ele quem arriscava no último terço, lançando várias iniciativas ao longo da linha sempre que via essa oportunidade surgir diante dos seus olhos.

Embora sem efeitos práticos para o resultado, as suas correrias causaram pânico entre a defensiva do Porto em algumas ocasiões, o que em última análise contribuiu para evitar que aquele flanco da equipa de Toni Kroos tivesse o balanceamento ofensivo que o alemão desejaria.

 

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Foram várias as iniciativas de Lucas Silva a colocar o Porto em sentido; aqui um exemplo de uma delas, aproveitando que Fábio Vieira não o tenha acompanhado, em que o cruzamento só não proporcionou o golo a Diego Raposo porque Pascal Struijk conseguiu antecipar-se in extremis

 

E assim o jogo foi aproximando-se do seu final. Pepê, que não mais voltou a surgir no seu flanco depois de o ter colocado no bolso na fase inicial da partida, continuava a tentar criar perigo, mas o Porto já só tinha discernimento para despejar bolas na área. E, aí, a dupla Manuel Díaz e Nélson Victor era imperial, não perdendo um duelo aéreo e mantendo a integridade defensiva do Amora.

Último lance da partida com Fábio Vieira a tentar cortar para dentro para cruzar. Lucas Silva fechou-lhe o espaço, como havia feito uma, outra e outra vez, tantas vezes que a certo ponto deixou de fazer sentido contá-las.

Sem espaço, o talentoso criativo português atrasou para um colega que despejou a bola em chuveirinho na área.

Foi à distância que Lucas Silva viu Jonathan Tah, o central portista que já era ponta-de-lança naquela hora, surgir sem marcação à entrada da pequena área. Ele saltou e... e...

Acima de si surgiu um par de mãos que agarrou a bola. A pantera do Amora, o ágil guardião angolano Iuri Lourenço, subiu e agarrou a bola. Ao regressar ao solo, encaixou-a com segurança junto ao peito e atirou-se sobre o relvado, permanecendo deitado como um turista num areal paradisíaco.

Lucas Silva aproximou-se dele e deu-lhe um tapinha na cabeça, rindo-se. Olhou para a zona do banco do Amora e viu festejos. Estava toda a gente de pé. Estava na hora.

Iuri Lourenço testou a paciência do árbitro Hugo Miguel tempo suficiente antes de se levantar. Fez a bola rolar sobre o relvado, aguardou que alguém do Porto se aproximasse enquanto ouvia os adeptos do Amora gritarem "Campeões! Campeões! Nós somos campeões!", e decidiu-se a despachar a bola para o meio-campo adversário quando Pepê por fim surgiu perto de si.

Era verdade o que os adeptos cantavam; o Amora era campeão nacional.

E alguns segundos depois, o apito de Hugo Miguel confirmava que eram também vencedores da Taça de Portugal 2027/28.

 

 

Seguiram-se os festejos habituais, aos quais jogadores e adeptos do Amora já se começavam a habituar. Era a terceira conquista consecutiva da Taça de Portugal, as quais se juntavam à Taça da Liga na época anterior, à Segunda Liga em 2024, à Liga 3 em 2022 e, claro, à honra maior do título de campeão nacional há apenas uma semana.

Lucas Silva foi longamente felicitado. Todos sabiam o que significava aquele jogo para ele, especialmente depois de uma lesão de última hora o ter impedido de participar pela primeira vez na final da Taça de Portugal na época anterior.

Todos o sabiam, mas ninguém mais do que Frodo Zarco. Treinador, amigo e por vezes confidente, foi com ele que Lucas Silva derramou em privado lágrimas por essa desfeita. Frodo Zarco dedicou um longo momento para o felicitar e elogiar pelos noventa minutos que acabara de fazer.

E trazia-lhe uma novidade.

"Luquinhas, agora vais ali que a malta da TV quer falar contigo."

"Comigo?", perguntou, espantado.

"A mim disseram-me que queriam falar com o homem do jogo. Não estou a ver quem mais possa ser."

Lucas Silva pensou que era uma piada de Frodo Zarco, mas quando um dos responsáveis da Federação Portuguesa de Futebol o interpelou, percebeu que era mesmo verdade.

Lucas Silva foi o homem do jogo.

 

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Com uma assistência a juntar ao desempenho notável tanto a anular as iniciativas do Porto, como a dinamizar a ala esquerda do Amora, Lucas Silva foi eleito o homem do jogo da final da Taça de Portugal

 

Mal habituado àquele tipo de destaque, Lucas Silva gaguejou um pouco enquanto tentava garantir aos microfones da televisão pública como o importante era a equipa ganhar, ajudar a equipa e trabalhar todos os dias - despejou todos os clichés habituais dos futebolistas naqueles momentos.

Preparava-se para elogiar Frodo Zarco quando este próprio, em pessoa, surgiu sorrateiramente por detrás do seu jogador e despejou-lhe um balde de água fria e gelo pela cabeça abaixo. Lucas Silva abriu a boca com o súbito choque térmico e preparou-se para empurrar quem quer que fosse que acabara de o fazer, mas foi subitamente elevado no ar pelos colegas.

O clima era festivo e não era para menos: celebrava-se a primeira dobradinha da história do Amora. Foi uma final tensa entre duas equipas fortes que se anularam durante largos períodos da partida. No entanto, o Amora pareceu sempre ter um extra de qualidade que permitiu ao Maior da Margem Sul ser a equipa a conseguir desatar o nó górdio e criar as únicas verdadeiras ocasiões de golo.

A vitória era justíssima.

As surpresas para Lucas Silva não se ficaram por aí. Depois de subir a longa escadaria até ao camarote, onde ele e seus colegas receberam a medalha de vencedores, aguardava pela chegada de Gabriel Capixaba que, como capitão de equipa, iria erguer o troféu.

Gabriel Capixaba foi o último a juntar-se ao grupo e estacou, visando Lucas Silva com o olhar. Este não percebeu o que estava a acontecer e ergueu as sobrancelhas, questionando o que se passava. O capitão do Amora desenhou um sorriso matreiro na face antes de falar.

"E aê Luquinhas, cê vai erguê o caneco ô precisa dxi ajuda?"

Lucas Silva ouviu e não acreditou. Olhou para trás de Gabriel Capixaba e viu Frodo Zarco. O treinador limitou-se a sorrir e apontou com o queixo na direção da taça.

Surpreendido, Lucas Silva aproximou-se do troféu. Viu o seu rosto refletido no metal. Deu-se conta que estava a rir-se como uma criança. Deu um beijo na taça antes de lhe pegar com as duas mãos, ao mesmo tempo que os colegas começaram a entoar "ôôô" em crescendo.

Há sete anos, em 2021, Lucas Silva pode ter dado um passo atrás na carreira ao passar do Estoril para o Amora da Liga 3. Mas o engraçado é que por vezes dar um passo atrás é essencial para depois dar dois à frente - ou neste caso, avançar uma légua inteira.

Sete anos volvidos, Lucas Silva conquistava a sua terceira Taça de Portugal. Era campeão nacional. Era respeitado por adeptos e colegas de equipa. Era um dos homens da casa. Era um homem feliz.

Sem mais hesitações, Lucas Silva ergueu a taça ao mesmo tempo que uma explosão de confettis o envolveu e aos colegas.

O Amora conquistava a dobradinha.

O Amora "fazia o impossível".

 

#MaiorDaMargemSul #CoracaoDeAmora #FazeroImpossivel

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Grande capítulo, excelente conto de fadas do Lucas e o destaque merecido a um herói que passa quase sempre despercebido. Em termos de atributos é, sem dúvida, limitado, mas é dos poucos que te segue desde o dia 1 e nunca falhou ao seu papel. 

A conquista é inédita, não pela taça de Portugal em si, mas por ser a primeira dobradinha. Grande abordagem ao jogo, muito inteligente na alterações dos papéis dos laterais consoante o extremo que lhes aparecesse à frente. Tudo foi bem feito, o Porto pouco ameaçou, e tritaça no museu!

Se foi, de facto, o último post do save, então acabaste em beleza, com o domínio nacional evidente e com o país aos teus pés. Que escrevas um capítulo de fecho digno da história que criaste!

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Grande Luquinha, lenda do Amora. Mais uma bela conquista para o museu do Amora. Pena que poderá ser o último jogo.

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Citação de F. Mota, há 22 horas:

Grande capítulo, excelente conto de fadas do Lucas e o destaque merecido a um herói que passa quase sempre despercebido. Em termos de atributos é, sem dúvida, limitado, mas é dos poucos que te segue desde o dia 1 e nunca falhou ao seu papel. 

A conquista é inédita, não pela taça de Portugal em si, mas por ser a primeira dobradinha. Grande abordagem ao jogo, muito inteligente na alterações dos papéis dos laterais consoante o extremo que lhes aparecesse à frente. Tudo foi bem feito, o Porto pouco ameaçou, e tritaça no museu!

Se foi, de facto, o último post do save, então acabaste em beleza, com o domínio nacional evidente e com o país aos teus pés. Que escrevas um capítulo de fecho digno da história que criaste!

O Lucas Silva, por acaso é engraçado porque o que referi foi o que eu pensei muitas vezes a olhar para o perfil dele, "preciso mesmo de um defesa esquerdo...", mas depois ele jogava e os erros defensivos eram outros a cometê-los e ele nada, sólido como sempre. Pode não dar a profundidade de outros, assiste menos vezes, mão me lembro de uma perda de bola dele ou de um erro que pensasse "oh Lucas, fds...".

Para já, garanto mais dois capítulos. Estou a avançar um pouquito no jogo para ver o que ele me dá no início da época em termos de regens.

Citação de cadete, há 20 horas:

Grande Luquinha, lenda do Amora. Mais uma bela conquista para o museu do Amora. Pena que poderá ser o último jogo.

Vamos ver 🙂

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Excelente!

Fechaste a época em chave d'ouro, com nova vitória sobre os Dragões, desta feita para a Taça de Portugal. O "velhinho" Lucas Silva foi fundamental no desafio ao assistir o menino d'ouro para o golo da vitória 🙂

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Citação de Martini Branco, Em 27/01/2023 at 16:58:

Excelente!

Fechaste a época em chave d'ouro, com nova vitória sobre os Dragões, desta feita para a Taça de Portugal. O "velhinho" Lucas Silva foi fundamental no desafio ao assistir o menino d'ouro para o golo da vitória 🙂

Uma dupla improvável!

Citação de Maffu, Em 27/01/2023 at 17:15:

0 oportunidades flagrantes, ganha 1-0. Rigged

Chama-se eficácia ihih

Editado por Black Hawk

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Capítulo LXX - O Maior da Margem Sul

 

A animação no Complexo Municipal Carla Sacramento era contagiante. Grupos de pessoas amontoavam-se pelo recinto, discutindo energicamente e trocando histórias da temporada, dos jogos e das viagens para apoio ao clube. Os jogadores eram solicitados recorrentemente para selfies e autógrafos, aos quais acediam com solicitude e um sorriso radioso. Pelo ar espalhava-se um cheiro delicioso a pernil e de tempos a tempos alguém organizava um dos cântico do clube, ao qual todos os presentes se juntavam a plenos pulmões.

Era dia de festa na Cidade de Amora. Era dia de celebração do grande feito alcançado pelo Maior da Margem Sul.

O título de campeão nacional de futebol.

 

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O Amora Futebol Clube celebrava o primeiro título de campeão nacional da sua centenária história

 

Foi um feito notável que figuraria para sempre não apenas nos anais da história do Amora Futebol Clube, como também nos do futebol português. Vinte e sete anos depois do Boavista o ter feito pela última vez, a hegemonia dos três grandes voltava a ser quebrada. Era apenas a terceira vez que tal acontecia - o Amora juntava-se a um restrito grupo de pequenos grandes capazes de bater o pé aos três estarolas; um grupo selecto ao qual até aí apenas figuravam Belenenses e Boavista.

Havia, porém, mais camadas a acrescentar brilhantismo ao feito do Amora. Não só os azuis da Margem Sul tornavam-se no primeiro clube sediado fora de Lisboa ou Porto a sagrarem-se campeões nacionais, como o Maior da Margem Sul fê-lo com uma equipa maioritariamente formada nas suas camadas jovens e, principalmente, invictos!

Trinta e quatro jogos, vinte e seis vitórias, oito empates e nenhuma derrota. Os jornais não se cansavam de vender a história do conto de fadas dos amorenses nessa temporada 2027/28. Daí a criar-se um epíteto para descrever aquela fantástica equipa foi um passo, o qual se firmaria na cultura popular durante décadas.

Os Invencíveis da Margem Sul.

 

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Por acaso Frodo Zarco não se recordava de alguma vez ter dito que seria possível terminar a época sem derrotas, até insistiu sempre na ideia de ser jogo-a-jogo, mas como a imprensa nacional não é propriamente conhecida pelo rigor das suas afirmações foi esta a notícia a fazer manchete naquela manhã de finais de Maio de 2028...

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... o desenho tático dos onze que mais vezes foram titulares mostrava como havia uma ligação intrínseca entre todos eles que lhes permitia jogar quase de olhos fechados [note-se como a lesão do Octávio Sousa que o afastou da equipa no último mês destruiu as suas ligações com os colegas; antes da lesão elas estavam iguais às do outro lateral, o Rodrigo André]

 

Claro que esse feito apenas foi possível graças ao fantástico apoio de todos os amorenses, em particular, e da Margem Sul, no geral.

Foram inexcedíveis.

Tempos houve em que o associativismo na Cidade de Amora tornou-se residual. Anos de má gestão quase levaram à morte do Amora Futebol Clube. O clube foi sobrevivendo teimosamente, quase moribundo, recusando-se estoicamente a fechar portas - muito à custa da carolice e amor de um punhado de almas que lhe dedicou tempo e recursos próprios sem esperar nada em troca.

Anos e anos a definhar no fundo da hierarquia do futebol nacional, competindo nas competições distritais da Associação de Futebol de Setúbal, arrasaram quase por completo o associativismo e a proximidade entre clube e gentes da cidade. A deterioração do Estádio da Medideira obrigou a certo ponto o Amora a jogar longe da sua casa ancestral, o que foi um rude golpe no associativismo que ainda resistia.

O Amora começou a recuperar paulatinamente ao longo da década de 2010. Quando Bilbo Himura adquiriu a SAD do Amora Futebol Clube em 2021, a equipa de futebol ocupava já recuperara até ao terceiro escalão do futebol português. A proximidade com a massa adepta, porém, continuava nas lonas. Foi preciso muito esforço e iniciativas para a recuperar; acções de angariação de sócios; iniciativas de cariz social em bairros de pessoas mais carenciadas e o ingresso dos jovens nas modalidades de formação do clube; oferta de bilhetes nas escolas da região para fidelizar os jovens ao clube da terra, criando o hábito de ir ao estádio e apoiar o Amora.

Foi aos poucos que se recuperou o bairrismo dos amorenses. Não foi do nada que a atual assistência média na ordem dos 12 mil adeptos por jogo surgiu; não, esta foi subindo progressivamente. Hoje em dia, havia já uma nova geração de jovens que se identificavam com o clube, a terra e a cidade. O Projecto Oásis era um sucesso e Frodo Zarco gostava de acreditar que desempenhara um importante papel nele.

 

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Ingame, o aumento da assistência média levou a direção do Amora a decidir-se pela construção de um novo estádio, ideia que não será explorada na história porque já anteriormente enveredei pelo plot da requalificação do Estádio da Medideira quando aumentou a sua dimensão; poderá até ser encarado como a construção da bancada em falta, mas fica aqui só como curiosidade; o nome escolhido, claro, nem poderia ser outro

 

Logo após a conquista da Taça de Portugal, há exatamente uma semana, Bilbo Himura teve a decisão de génio de organizar um evento aberto a toda a comunidade, como agradecimento pelo seu papel nos sucessos do clube. O evento previa a participação de todos os jogadores e seria uma espécie de churrascada no Complexo Municipal Carla Sacramento, como é conhecida a Academia de formação do clube.

Apareceram quase quinze mil pessoas.

Elas lá andavam, excitadas, aproveitando ao máximo a oportunidade única de interagir pessoalmente com os heróis que habitualmente só viam no relvado. Tiravam selfies, pediam autógrafos, agradeciam-lhes pelo orgulho imenso que lhes tinham proporcionado e falavam sobre os mais variados assuntos. Os jogadores iam aguentando a sobrecarga de solicitações como podiam, com enormes doses de simpatia e compreensão.

"Eles até se estão a aguentar bem", comentou o seu adjunto Léléco, o Afroastro, que se aproximara sorrateiramente de Frodo Zarco sem que este se desse conta.

"Estão, estão... Pobres coitados, imagino que seja mais fácil para eles jogar contra o Benfica, o Porto ou o Sporting do que estarem ali rodeados de pessoas por todos os lados!"

Léléco riu-se com gosto. Ambos sabiam que era verdade. Os mesmos meninos tão desembaraçados dentro das quatro linhas pareciam constrangidos fora delas. Mas também lhes fazia bem terem um banho de multidão. Não só para terem uma noção da importância do que tinham alcançado, como também para terem uma primeira ideia do que os esperava quando chegassem aos grandes tubarões do futebol europeu.

Frodo Zarco observava-os com olhar doce. Os seus meninos.

A maioria deles cresceu perante os seus próprios olhos. Viu-os crescer como jogadores e homens. Viu-os ganharem maturidade ao longo do tempo. Viu-os cada vez mais soltos sobre os relvados, a cada treino ou jogo a fazer mais e melhor. Mesmo os mais velhos, casos de Gabriel Capixaba, Martim Maia, Lucas Silva ou Papou Mendes, treinava-os desde que eram jovens com pouco mais de vinte anos e o seu crescimento era evidente.

Tinha um orgulho imenso em todos eles.

 

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Todos os jogadores tiveram oportunidade de desempenhar o seu papel nos sucessos do Amora

 

O Amora disputou 56 jogos ao longo da temporada e nenhum jogador ficou abaixo das catorze participações - excluindo o jovem Miguel Aidos, que fazia parte do plantel Sub23 e foi chamado três vezes à equipa principal aquando de uma vaga de lesões, e o guardião Iuri Lourenço que apenas foi titular em todos os jogos das Taças de Portugal e da Liga e suplente utilizado na 34ª jornada da Primeira Liga.

Havia um motivo válido para o explicar.

Frodo Zarco é um daqueles treinadores que entende a importância de todos os jogadores terem parte ativa na temporada - e não apenas para gestão dos índices físicos. Dizer-se que todo o plantel é importante nas conquistas do clube é um cliché habitual em futebol. No entanto, se depois houver um onze base que disputa quase todos os jogos... os jogadores não são estúpidos e sabem bem quando (não) merecem a confiança do seu treinador.

Dessa forma, todos os elementos do plantel tiveram oportunidade de deixar a sua marca nos sucessos do Maior da Margem Sul.

Claro está que, ainda assim, uns jogaram mais do que outros. Manuel Díaz e Nélson Victor, por exemplo, estão entre os mais utilizados. Foram o esteio defensivo e, juntamente com o guardião Manuel Baldé, contribuíram largamente para a fenomenal performance defensiva amorense - que foi novamente a melhor defesa da Primeira Liga. Isso não impediu Vitorino Aranha e Raul Zovo, os dois jovens centrais, de terem entrado em campo dezoito e catorze vezes, respetivamente.

Também não é propriamente surpreendente notar como Filipe Diogo, Gabriel Capixaba e Jéferson constam nesse pelotão da frente dos mais utilizados. Curiosamente, entre os três avançados interiores foi Jéferson o mais utilizado apesar de não ser habitualmente titular - ele que, de resto, já havia sido o mais utilizado do plantel na época anterior. Não é motivo de espanto: Jéferson é uma máquina de guerra que raramente gripa. Dividiu as suas quarenta e sete presenças entre titularidades e entradas a partir do banco - geralmente em rotação com Gabriel Capixaba.

No meio-campo, o trio mais vezes titular - Dino Leão, João Carlos Miguel e Vítor Ferraz - quase se confunde no número de presenças com as suas alternativas diretas, em especial Papou Mendes e Bernardo Castanheira. Martim Maia, a alternativa a Dino Leão no vértice mais recuado do triângulo central, acabou por somar menos jogos devido a algumas lesões que o apoquentaram.

Nas laterais, o destaque é o equilíbrio dos números. Odailson e Rodrigo André, pela direita, tiveram exatamente o mesmo número de presenças; Octávio Sousa somou mais do que Lucas Silva, mas com uma diferença de apenas dez jogos entre os dois.

Por fim, Théo Lameira foi de longe o avançado mais utilizado, muito por culpa da longa lesão que afastou Diego Raposo na primeira metade da temporada. Mesmo nos últimos meses, já com o regresso da jovem raposa, Théo continuou a merecer as suas titularidades numa lógica de rotação e raro foi o jogo em que não participou, fosse a titular ou lançado a partir do banco ao longo da segunda parte.

No geral, todos os jogadores participaram activamente nas conquistas do Amora ao longo do ano e isso não será indiferente ao facto de ninguém no plantel ter manifestado insatisfação por falta de utilização.

Plantel feliz é meio caminho andado para um ambiente saudável e sucesso desportivo.

 

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Sem surpresas, Diego Raposo é a estrela no que à prolificidade em frente à baliza diz respeito, mas não foi o único a destacar-se

 

Falar de golos na Margem Sul é equivalente a um nome.

Diego Raposo.

A jovem raposa falhou exactamente vinte jogos ao longo da temporada, disputando apenas trinta e seis dos cinquenta e seis jogos realizados pelo Amora. Ainda assim, Diego Raposo foi claramente o melhor marcador da equipa. Não apenas isso; ainda contribuiu com nove assistências para os seus colegas de equipa.

Somando-se os números de golos e assistências, Diego Raposo fechou a época com trinta e cinco contribuições directas para golo em trinta e seis jogos - virtualmente uma por jogo!

Também Théo Lameira apresenta números dignos de respeito. Dos dezoito golos apontados, doze foram para a Primeira Liga e a esmagadora maioria obtidos apenas na primeira volta. Fazer futurologia em futebol é sempre um exercício falível, mas dá para imaginar que o menino poderia ter chegado à Bota de Prata da competição... caso não tivesse Diego Raposo na mesma equipa.

Numa segunda linha de destaque surgiram os dois principais avançados interiores. As movimentações diagonais do capitão Gabriel Capixaba e do miúdo-maravilha Filipe Diogo, invadindo zonas de finalização partindo das alas, valeram-lhes números respeitáveis. Mas não foram apenas essas movimentações trabalhadas na Medideira a render golos. Não, ambos destacaram-se também com momentos de inspiração individual de belo efeito que perdurarão na memória de todos.

A listagem de golos mostra ainda como diferentes jogadores se integram frequentemente na manobra ofensiva da equipa. Os médios Vítor Ferraz, Dino Leão, João Carlos Miguel e Papou Mendes somaram alguns tentos, muitos deles em momentos decisivos - recorde-se o golo de Papou Mendes na Liga dos Campeões que valeu um empate contra o Barcelona ou o de João Carlos Miguel que decidiu a final da Taça de Portugal, apenas como exemplos.

Por fim, a veia goleadora dos centrais Nélson Victor e Manuel Díaz, que com cinco e quatro golos, respetivamente, ajudaram a equipa ao subir à área contrária para mostrar aos colegas como se encontra o caminho para o fundo das redes adversárias.

 

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Filipe Diogo foi rei e senhor a servir os colegas

 

"Sai o Amora para o ataque! Filipe Diogo conduz a jogada em velocidade pela esquerda, ultrapassa a linha de meio-campo com a bola colada ao seu pé direito. Procura soluções. Já puxou para dentro, tirou o adversário do caminho, tenta o passe de ruptura ... Ui! Ui! Ui! Diego! Está isolado! Vai marcar o Amora! ... Já está! Gooooooool!"

Foi assim que um conhecido relatador radiofónico narrou aos seus ouvintes o golo com que Diego Raposo empatou a partida em Alvalade, em jogo a contar para a 33ª jornada - golo que foi essencial na caminhada rumo ao título -, mas que poderia ser de muitos outros jogos. O cenário repetiu-se vezes sem conta e o denominador comum era o miúdo-maravilha da Medideira: o açoriano Filipe Diogo.

O número sete do Amora completou a temporada com inacreditáveis vinte e uma assistências. Um registo assombroso que representou um papel fulcral nas várias conquistas do Amora e que quase deixoi na sombra as contribuições de ambos os avançados, Diego Raposo e Théo Lameira, ou dos vários médios da equipa, com João Carlos Miguel, Vítor Ferraz e o seu substituto Bernardo Castanheira à cabeça.

No entanto, e passado o espanto inicial, é perceptível como a forma de jogar do Amora influencia estes registos.

É perceptível como as movimentações sem bola dos avançados, a recuar no terreno para criar espaços nas suas costas, potenciaram-lhes várias assistências em tabelas com quem vinha de trás em progressão para atacar zonas de finalização - e aqui destacavam-se principalmente os médios e os avançados interiores.

Os laterais somaram entre si treze passes para golo, o que atesta a propensão ofensiva destes na estratégia do Maior da Margem Sul, oferecendo largura quando o resto da equipa arrastava os adversários para o interior do terreno, deixando-lhes espaço livre junto à linha para progredir.

E claro, uma referência aos médios que somaram também diversas assistências, mesmo que na forma de jogar do Amora estes sejam mais solicitados a criar desequilíbrios com movimentações sem bola do que a procurar o último passe.

Mas quase tudo isto passa meio despercebido pela anormalidade dos números de Filipe Diogo. O menino foi o verdadeiro líder em campo. Sempre que a equipa precisava de ir em frente, nos momentos difíceis, era certo que ele aparecia de braço no ar a solicitar a bola aos colegas, a pegar nela e a empurrar o Amora na direção da baliza adversária, insistindo, combatendo, contagiando os colegas com a sua determinação e abnegação.

Filipe Diogo era um predestinado e provavelmente o melhor jogador de sempre da história do Amora Futebol Clube. Iria certamente triunfar noutros palcos e marcar uma era na história do futebol português.

 

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Desta vez não houve surpresas na atribuição do prémio de treinador do ano; se há um ano vencer este troféu surpreendeu Frodo Zarco, este ano isso era mais do que expectável

 

O Amora sagrou-se campeão nacional. Fez a dobradinha ao vencer a Taça de Portugal pelo terceiro ano consecutivo e tinha começado a temporada a conquistar a Supertaça, apenas falhando a Taça da Liga - e mesmo essa perdendo-a apenas na final.

Ninguém esperava outra coisa que não a atribuição do prémio de treinador do ano a Frodo Zarco.

Foi uma temporada em cheio na Medideira. Num ano em que o mote fora "Fazer o Impossível", o Maior da Margem Sul indubitavelmente fê-lo.

Entretanto, alguns jogadores organizaram uma partida improvisada com os adeptos num dos campos do Complexo Municipal Carla Sacramento. Tudo muito amigável, com alguns adeptos a tentarem infrutiferamente fintar os profissionais e estes a divertirem-se com fintas sobre os pobres coitados, que iam sendo ratados a torto e a direito.

Noutro campo, outros jogadores faziam uma partida contra algumas crianças. Estas guinchavam enquanto perseguiam Filipe Diogo. Eram às dúzias a correr atrás do miúdo-maravilha, que apenas se limitava a desviar das biqueiradas que os pequenos petizes tentavam dar na bola, a certo ponto já quase dobrado de tanto riso perante os guinchos frustrados de algumas das crianças.

Parecia a criança que, na verdade, ainda era. Vinte e um anos e uma carreira promissora pela frente.

Frodo Zarco aproximou-se de Bilbo Himura. O seu amigo falava calmamente com um casal mais velho e riam com as diabruras com que Filipe Diogo ia presenteando a pequenada. O treinador anunciou a sua chegada com um elogio.

"Vocês criaram um miúdo fantástico. Imagino o vosso orgulho no rapaz."

O casal voltou-se e sorriu em conjunto.

"Imenso orgulho, senhor Zarco."

"Por favor, tratem-me por Frodo. O Senhor está no céu", advertiu docemente. "O Filipe não é só um grande jogador, é também um rapaz incrível. Tem a cabeça no sítio. Muitos destes jovens talentosos perdem-se facilmente se não tiverem uma boa estrutura familiar."

"Só temos a agradecer por o Filipe ter encontrado um bom ambiente e bons mentores para o guiar", retribuiu o pai de Filipe Diogo.

Frodo Zarco e Bilbo Himura sorriram-lhes com o elogio, eles próprios orgulhosos.

Filipe Diogo era de facto um fenómeno e, por isso, não admirou ninguém quando durante a semana que antecedeu aquele evento tenha surgido na Medideira um emissário bem vestido, falando na língua de Sua Majestade, com uma procuração para falar em nome de um certo clube inglês.

A proposta inicial foi logo à cabeça de sessenta milhões de euros. O Amora insistiu nos seus direitos. Se os clubes ingleses estão na disposição de pagar balúrdios por qualquer pé descalço inglês que dê dois pontapés na bola, não iriam levar um dos maiores talentos do futebol português por qualquer bagatela. O preço estava fixado em cem milhões de euros.

Propostas e contrapropostas prolongaram-se durante a tarde até que, eventualmente, chegou-se a um consenso.

O acordo com Filipe Diogo foi o mais fácil e no próprio dia o negócio foi anunciado, deixando bocas abertas um pouco por todo o país.

Filipe Diogo seria jogador do Chelsea.

 

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Filipe Diogo rumaria a Londres para conquistar o mundo

 

Terminada a negociação com o emissário por Filipe Diogo, Bilbo Himura preparava-se para se despedir deste. O emissário, porém, não demonstrou qualquer intenção de sair. Retirou da sua pasta mais uns papéis e anunciou outro nome.

Nélson Victor.

A negociação seguiu trâmites semelhantes à de Filipe Diogo. O Chelsea queria levá-lo por sessenta milhões. Bilbo Himura comentou com a restante Direção do Amora que por esse valor nem as chuteiras do defesa central levavam e contrapôs oitenta milhões como preço. O emissário tentou um acordo nos sessenta e cinco, Bilbo baixou a fasquia para os setenta e cinco.

Com tanto regateio, a Medideira naquela tarde parecia um mercado em Marraquexe.

O emissário quis encontrar um meio termo nos setenta, mas o Amora foi intransigente nos setenta e cinco. Após alguma deliberação, o emissário cedeu ao ultimato.

Filipe Diogo teria a companhia em Londres do seu colega e amigo Nélson Victor.

 

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Também Nélson Victor viajaria para Stamford Bridge

 

O emissário do Chelsea acabara de despejar cento e cinquenta e cinco milhões de euros em cima da mesa na Medideira - bem, não literalmente, mas percebem a ideia. Foi por isso perante um boquiaberto Bilbo Himura que o dito emissário enfiou as duas mãos dentro da sua pasta e, qual bolsa mágica do Doraemon, retirou mais uns quantos milhões de lá.

"Exatamente quão profunda é a mala deste camone?", perguntava-se um atónito Bilbo Himura.

O Chelsea já levava um central e um avançado. Por que não levar também um guarda-redes e um médio para completar o ramalhete?

 

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O Chelsea definiu os prodígios do Amora como alvo e levou ainda o guardião Manuel Baldé...

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... e o menino João Carlos Miguel pelo valor da sua cláusula de rescisão, a qual o Amora nunca conseguiu subir apesar de o ter tentado...

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... João Carlos Miguel que, de resto, foi o único jogador do Amora convocado por Nani para o Euro 2028

 

Bilbo Himura preparava-se para perguntar ao emissário do Chelsea se também queria levar o Estádio da Medideira com ele. Não foi necessário. Depois de esbanjar uns escandalosos duzentos e um milhões de euros numa só tarde, o Chelsea estava saciado.

Ou isso ou já não tinham mais dinheiro para gastar. É que, surpreendentemente, não apresentaram qualquer proposta por Dino Leão ou Vítor Ferraz, dois meninos que há mais de um ano eram observados por olheiros do clube londrino. Talvez tenha sido por falta de fundos.

Não que fizesse muita diferença ao Amora. No dia seguinte surgiram na Medideira novos emissários.

O primeiro era também londrino, este a representar o Arsenal. Tal como o anterior, apresentou uma proposta risível pelo valor do seu alvo: Dino Leão. A proposta inicial de vinte milhões foi recebida com gargalhadas pelos homens da casa. As negociações estiveram tremidas, mas eventualmente o acordo firmou-se nos trinta milhões.

O segundo emissário falava espanhol. O Valencia fora recentemente adquirido por um magnata do petróleo e tinha petrodólares com fartura para oferecer. Os quarenta e cinco milhões apresentados foram recebidos com uma nega. Os cinquenta com um esgar desaprovador. Os cinquenta e cinco com algum interesse.

Aos sessenta milhões, o acordo fez-se.

 

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O Arsenal levou o médio defensivo Dino Leão...

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... e com destino a Valencia rumou o maestro Vítor Ferraz

 

Já a semana estava a terminar quando tiveram lugar na Medideira duas últimas reuniões.

A primeira foi relativamente breve. O Wolfsburg via em Odailson o homem certo para fazer a sua ala direita e, com a austeridade típica dos alemães, não houve regateio. Perguntaram o preço, o Amora definiu-o em quinze milhões, pagaram e ficou feito.

 

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Odailson reforçaria o Wolfsburg

 

A segunda foi mais complexa, até porque envolvia um nome muito querido a todos os amorenses.

Diego Raposo.

Foi um fenómeno curioso, por acaso. Filipe Diogo, Nélson Victor e Vítor Ferraz saíram por valores absurdos, mas aquele que brilhava em frente à baliza, o goleador, a jovem raposa, passou algo despercebido aos grandes tubarões. Apenas clubes de segunda linha, incluindo Marselha, Lyon ou Sevilla, demonstraram interesse na sua contratação.

Os valores abordados, porém, foram quase motivo d me escárnio. Vinte e cinco milhões por Diego Raposo? Obviamente, tais propostas foram recebidas com uma nega clara. Como nenhum deles quis subir a parada, as negociações ficaram-se por aí.

Diego Raposo não ficou satisfeito. O menino poderia estar profundamente agradecido ao Amora e sentir-se bem na Medideira, mas também sentia que o seu ciclo no clube tinha terminado. Pretendia, compreensivelmente, novos desafios noutros campeonatos com maior visibilidade.

Era, de resto, um sentimento comum a todos. O ciclo havia terminado com a conquista do título. Era hora de prosseguirem as suas vidas. Foi esse o motivo principal para o Amora ser algo flexível à saída das suas pérolas, exigindo apenas uma compensação adequada e coerente com a própria avaliação que faziam das suas jóias da coroa.

Embora a avaliação de Diego Raposo fosse imensamente superior a trinta e cinco milhões, a proposta da Atalanta foi aceite pelo Amora. A contragosto, mas uma promessa era uma promessa e havia sido prometido ao menino que haveria flexibilidade na hora da sua saída.

Frodo Zarco tinha a certeza que Diego Raposo seria um sucesso em Itália. Era um campeonato à medida das suas características.

 

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Diego Raposo prosseguiria a sua carreira em Itália...

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... saindo pela porta grande com a conquista da Bota de Prata...

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... alcançada graças aos dezanove golos apontados em apenas vinte e cinco jogos

 

A parte mais difícil da semana para Bilbo Himura nem foi a saída de meia equipa; foi ligar a Frodo Zarco para o informar destes desenvolvimentos.

Ainda se recordava quando fez o primeiro desses contactos ao seu amigo, anunciando a saída de não um, não dois, não três, mas quatro dos seus meninos para o Chelsea.

"..."

"Frodo? Estás aí?"

"..."

"Frodo?"

"... diz-me que esta é mais uma das tuas tentativas frustradas de ter piada."

"Infelizmente, não. É mesmo verdade."

"PEGA QUE DEU À LUZ! FILHOS DE UMA MULHER DA VIDA! LOIÇA DAS CALDAS! BOIS DAS CALDAS!"

Não terá sido bem nestes termos, mas percebe-se a ideia.

Ao longo da semana, Frodo Zarco aprendeu a simplesmente desligar o telemóvel. Como se estando incontactável pudesse evitar a saída dos seus meninos. Uma ilusão que o ajudava no seu processo de negação.

Mas não havia volta a dar e, com o tempo, teve de concordar que era o percurso natural da vida. Ele via aqueles meninos como se fossem seus filhos e eles saírem de casa para irem conquistar o mundo fazia parte do ciclo natural do seu crescimento.

Ele só poderia estar grato pela oportunidade de os ter tido consigo e de ter feito parte do seu crescimento. E, por isso, estaria eternamente grato aos deuses do futebol.

E, acrescente-se, os trezentos e quarenta e um milhões de euros - sim, 341 milhões de euros!!! - eram uma compensação bem-vinda pela saída dos seus meninos.

 

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O Amora tornava-se claramente o clube português com as finanças mais sólidas em poucos dias

 

O evento terminou já ao final da tarde. Os adeptos foram abandonando aos poucos e, no final, restaram os elementos da Direção, a equipa técnica e os jogadores.

Seria a última vez que estariam todos juntos. Lágrimas foram derramadas. Lágrimas boas - nem sempre se chora por maus motivos. Eram lágrimas de saudade, de recordação de bons momentos, do companheirismo construído por aquele grupo.

Foram companheiros de armas. Foram amigos. Foram irmãos.

Levariam aquela amizade para toda a vida.

Frodo Zarco despediu-se longamente de todos eles, um a um. Fechava-se um ciclo na Medideira e novos horizontes abriam-se para todos eles. Ninguém sabia o que lhes reservaria o futuro, mas de uma coisa todos estavam certos: aquela seria sempre a sua casa.

A Cidade de Amora.

O Estádio da Medideira.

O Maior da Margem Sul .

 

#MaiorDaMargemSul #CoracaoDeAmora #FazeroImpossivel

 

[Próximo Capítulo a 03 Fevereiro]

Editado por Black Hawk
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Quase que me ponhas a chorar com essas despedidas todas. Uma coisa é certa, o plantel pode estar destruído depois de uma época notável, mas o Amora é agora o clube com mais dinheiro em Portugal. E com estádio novo a caminho, ainda vai trazer mais adeptos.

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