Ir para conteúdo
Entre para seguir isso  
Black Hawk

[FM Mobile 2022] Um oásis no deserto da Margem Sul

Publicações recomendadas

Behold! O Lado Negro de Frodo Zarco e da Medideira!

 

oDSi6qf.jpg

Capítulo LX - Caldo entornado

 

Os assobios dos adeptos persistiam há vários minutos. Um grupo de jogadores ansiosos aguardavam junto à linha lateral, retidos pelo quarto árbitro e pelo fiscal-de-linha que, a custo, iam conseguindo barrar-lhes o acesso ao local onde o árbitro continuava a visionar repetições no monitor do VAR.

O ambiente era tenso e, dependendo da decisão do árbitro Rui Costa, poderia transformar-se numa batalha campal.

Rui Costa deu um passo atrás, depois outro. O clima de crispação suavizou por momentos, mas rapidamente os apupos e insultos regressaram quando o árbitro voltou ao monitor para ver novamente o lance. Ninguém percebia ao certo o porquê da demora - o lance era claro como as águas da Baía do Seixal ali ao lado.

Finalmente, Rui Costa afastou-se do monitor. Com a mão no auricular ao ouvido, parecia ainda trocar impressões sobre o lance. A decisão não parecia consensual entre a própria equipa de arbitragem. O juíz parou a meio da distância entre o monitor e o relvado, disse algo para o seu microfone que foi imperceptível no meio da cacofonia que provinha das bancadas, e lá avançou com passo resoluto direito ao relvado, passando ao lado do grupo de homens de azul que o aguardavam.

Desenhou um quadrado no ar, sinal inequívoco que tomara uma decisão com base no visionamento das imagens, colocou o apito na boca e soprou ao mesmo tempo que apontou para o centro do relvado.

Era golo?

Como assim "era golo"?

O banco do Amora invadiu o relvado na direção do árbitro. Os elementos do Maior da Margem Sul estavam de cabeça perdida! Frodo Zarco deu um encontrão precipitado nas costas do árbitro ao mesmo tempo que Joca, o antigo capitão do Amora e agora Diretor Desportivo, contornou-o e gritou-lhe impropérios a poucos centímetros da face, enchendo-a de saliva disparada pela fúria com que berrava. Vários jogadores estavam envolvidos na confusão e contestavam a decisão de forma veemente.

Em poucos segundos, havia já dezenas de elementos externos ao jogo dentro do relvado. O árbitro ia ziguezagueando pelo relvado e era seguido pela equipa técnica e jogadores do Amora. Vários elementos do banco do Sporting entraram em campo e discutiam acaloradamente com os seus adversários. Alguns trocavam empurrões. Um dos jogadores leoninos caiu no relvado e teve de ser o subcapitão Martim Maia a afastar João Carlos Miguel.

A polícia andava pelo relvado para tomar conta da situação e o próprio corpo de intervenção corria para a bancada sul onde as claques do Amora, Espírito Azul e Juventude Amorense, pareciam prontas a invadir o relvado.

O caos atingira dimensões inimagináveis.

Estava o caldo entornado no Estádio da Medideira.

 

GuX0ENE.jpeg

Amora e Sporting disputavam o último jogo do ano civil de 2027 na Medideira

 

Se depois do jogo alguém afirmasse que aqueles incidentes eram previsíveis, estaria a mentir.

Amora e Sporting tinham relações institucionais cordiais. Bilbo Himura e Frederico Varandas, os respetivos presidentes, eram amigos pessoais. Frodo Zarco e Antoine Griezmann, os treinadores de ambas as equipas, respeitavam-se mutuamente e eram conhecidos pelo seu fair play. Ambas as equipas praticavam futebol positivo e mantinham-se longe de polémicas e sururus.

Nada fazia prever que, naquela noite de 29 de Dezembro de 2027, um jogo entre estes duas equipas redundasse num cenário de caos e barafunda. Bem pelo contrário. O jogo tinha sido muito antecipado e esperava-se um belíssimo espetáculo de futebol.

Afinal de contas, Amora e Sporting eram duas das equipas em melhor forma naquele final de ano.

 

2aMqmsq.jpeg

O Amora prosseguia a sua campanha nas competições internas sem derrotas [as marcas azuis assinalam os jogos da Liga dos Campeões que foram alvo do Capítulo anterior]...

IyualGU.jpeg

maWb6ix.jpeg

... e o Sporting reencontrou-se depois dos maus resultados averbados no mês de Agosto e primeira quinzena de Setembro...

aZ8YZbJ.jpeg

... de tal forma que conseguiu até vencer o seu grupo na Liga dos Campeões

 

O Sporting poderia já estar muito atrasado nas contas do título, mas naquela fase voltava a ser um adversário de respeito. Sem derrotas há mais de três meses e numa sequência de dez vitórias consecutivas em todas as competições, os leões de Antoine Griezmann cruzaram o Rio Tejo com a confiança em alta e prontos a impor a primeira derrota ao Amora na Primeira Liga.

Já o Maior da Margem Sul vivia ele próprio um dos melhores, se não mesmo o melhor, momento da sua existência. A equipa de Frodo Zarco continuava a sua caminhada sem derrotas. Depois do empate em Vizela [ver Capítulo LVIII - O caos é uma escada], apenas o Braga conseguiu evitar a derrota perante a Geração de 2026 da Medideira, a qual já parecia jogar de olhos fechados.

Como resultado, o Amora discutia abertamente a liderança do campeonato com o Benfica de Marcelo Gallardo - que também continuava a sua impressionante campanha -, estava apurado para os Quartos-de-Final da Taça de Portugal e conquistara ainda a qualificação para a Final Four da Taça da Liga pelo quarto ano consecutivo, após derrotar o Famalicão na última jornada da fase de grupos.

Respirava-se tranquilidade e confiança na Medideira. E muito também graças a um saudado regresso.

 

NfG6xy8.jpeg

Diego Raposo voltou a treinar sem limitações no início de Novembro depois de quase três meses de ausência...

MT6BGCw.jpeg

... o que implicou o empréstimo do menino Fabiano Almeida que o substituiu durante a sua ausência

 

O regresso do maior goleador do Amora na época transacta deu um bónus de confiança aos adeptos - a qual já estava nos píncaros com os bons resultados obtidos na primeira metade de temporada. Os adeptos amorenses ansiavam pelo primeiro jogo grande da temporada para a Primeira Liga.

Esse dia chegou, finalmente, e seria por coincidência o último jogo do ano 2027. Apesar dos bons resultados no campeonato, a imprensa não estava ainda convencida. "Faltava um grande teste", diziam os comentadores; "o Amora tem uma boa sequência de resultados contra equipas mais modestas, mas falta ver como se comportam quando defrontarem os 'três grandes'", escreviam nos jornais.

De certa forma, era verdade. A equipa de Frodo Zarco tinha disputado catorze jogos, mas nenhum contra Benfica, Porto ou Sporting. Conseguiria manter a consistência contra eles? Permaneceria invicto após defrontá-los?

O Sporting era o primeiro dos três grandes a testar de que era feito o Amora. Pela cabeça dos adeptos não passava outra ideia que não a vitória. A confiança era tal que nem a lesão de Gabriel Capixaba, nos descontos do último jogo antes da recepção ao Sporting, foi suficiente para abalar a crença num bom resultado.

 

fR9gTad.jpeg

O capitão Gabriel Capixaba lesionou-se frente ao Estoril três dias antes da recepção ao Sporting, sendo baixa para o primeiro jogo grande do Amora na Primeira Liga

 

A Medideira encheu para um muito ansiado duelo entre Amora e Sporting. O ambiente era fantástico, com apoio de ambos os lados, a mancha azul em maioria, embora pintalgada de verde um pouco por todo o estádio. Na bancada norte, as claques do Sporting davam espetáculo de pirotecnia e agitavam bandeiras.

Nada fazia prever aquilo que viria a acontecer mais tarde.

Ambas as equipas procuraram assumir o jogo desde cedo. O resultado foi uma partida vibrante, disputada embora leal. Não foram feitos muitos remates, até porque a luta pelo controlo da partida ocorreu principalmente a meio campo, mas houve momentos de frisson em ambas as balizas quando os ataques lograram furar as defesas adversárias.

 

eAtnzET.gif

Jéferson teve nos pés a melhor ocasião de golo do Amora durante a primeira parte

 

As equipas recolheram aos balneários com um empate a zero no marcador. Um resultado justo ao qual apenas faltavam os golos. Regressados cerca de quinze minutos depois, os dois conjuntos voltaram à carga para o que se esperava que fossem mais quarenta e cinco minutos de enorme espetáculo.

E depois chegou o minuto 49.

O Amora tentou desenhar um lance ofensivo, mas a bola foi interceptada pelo central leonino Rego. Despachou a bola sem cerimónias para o meio-campo adversário e Rodrigo Ribeiro, oportuno, lançou-se na sua perseguição isolado nas costas dos centrais Manuel Díaz e Nélson Victor. Alcançou tamanho avanço no terreno que ninguém duvidou que tivesse partido de posição irregular.

No final do jogo, o guarda-redes Manuel Baldé admitiria que se distraiu com a chegada súbita de Rodrigo Ribeiro para justificar o ocorrido. Não que servisse de grande atenuante; o guardião do Amora teve uma péssima recepção e deixou a bola ao alcance do prodígio leonino - e este não hesitou em colocá-la no fundo das redes.

 

3ywxdk8.gif

Rodrigo Ribeiro partiu de posição irregular para apontar o primeiro golo do jogo após um disparate de Manuel Baldé [é visível quando a imagem pára no momento do passe]

 

Toda a equipa do Amora levantou um braço a pedir fora-de-jogo e olharam para o fiscal-de-linha. Para surpresa geral, o homem corria na direção do meio-campo com a bandeirola recolhida!

Seguiu-se o caos. A revolta generalizada dos amorenses apenas acalmou quando o árbitro decidiu rever o lance no monitor do VAR. No entanto, quando este regressou dizendo que se iniciara uma nova jogada quando Manuel Baldé tocou na bola e que Rodrigo Ribeiro não beneficiara do seu adiantamento, a situação explodiu espectacularmente.

Jogadores empurravam-se. As equipas técnicas discutiam, trocando-se de razões. Frodo Zarco deu um encontrão no árbitro e Joca encharcou-lhe a face com a saliva projetada pelos seus berros a centímetros da sua cara. A polícia tentava controlar os ânimos dentro do relvado e o corpo de intervenção evitava com esforço a invasão do relvado pelas claques do Amora.

Estava o caldo entornado na Medideira.

 

ARJUYqO.gif

Alguns jogadores do Amora rodearam o fiscal-de-linha enquanto outros perseguiam o árbitro Rui Costa

 

Foram necessários vários minutos para sanar a revolta generalizada dos elementos do Amora. Incrivelmente, e para alívio geral, Rui Costa não agiu disciplinarmente sobre nenhum dos intervenientes do jogo, expulsando apenas Frodo Zarco e Joca - que, diga-se em abono da verdade, esticaram-se bem na sua fúria e não mereciam menos do que isso.

Frodo Zarco e Joca saíram do relvado exaltados. Gritavam para quem os quisesse ouvir que o Amora estava a ser deliberadamente roubado, pouco se importando com as consequências que poderiam advir das suas palavras. Passando pelo banco de suplentes, Frodo Zarco pegou no quadro onde desenhava os esquemas táticos e dirigiu-se ao gradeamento que separava o relvado das bancadas.

De um salto, o treinador aterrou na primeira fila da bancada e foi acolhido em apoteose pelos adeptos que ali estavam, os quais abraçaram-no enquanto insultavam o árbitro. Joca seguiu-lhe o exemplo e ali ficaram os dois, a poucos metros do banco de suplentes, sorrindo em provocação ao árbitro que os observava. Podiam ter sido expulsos, mas não iam embora!

Os ânimos no estádio não mais acalmaram até ao final do jogo. O clima de crispação, os insultos e os nervos à flor da pele permaneceram a norma nos quarenta e tal minutos que faltava disputar na Medideira.

Isto era extensível aos acontecimentos no relvado. O primeiro lance disputado viu Dino Leão atacar a bola com tal impetuosidade que o pobre Soucek foi projetado pela carga do menino, aterrando no relvado a vários metros do local. O árbitro assinalou a falta, mas nada disse. A bola prosseguiu com Sahraoui a tentar sair a jogar, apenas para Nélson Victor surgir sabe-se lá de onde numa correria desenfreada e entrar de carrinho com tal vigor que o leão deu uma pirueta no ar, para gáudio dos adeptos que aplaudiam as entradas.

Já o árbitro, fosse pelo ambiente que o envolvia, fosse por sentir-se constrangido pela decisão no lance do golo, ignorava o que se passava e optava por não atuar disciplinarmente. O jogo tornou-se durinho. O Amora disputava casa bola como se estivesse num combate de artes marciais e ia ganhando metros no terreno à medida que o Sporting parecia encolher-se em campo.

O Amora queria vingança. O Amora queria sangue!

O jogo prosseguiu com a falta a ser marcada pelo Sporting. Rapidamente foi recuperada pelo Amora e Octávio Sousa tentou lançar em Filipe Diogo, mas Le Normand foi mais rápido. Querendo evitar a sorte dos seus colegas, mal sentiu a aproximação de Filipe Diogo soltou a bola para o seu guarda-redes.

Grande erro! O oportunista Diego Raposo estava a contar com isso e surgiu para interceptar a linha de passe. O guardião leonino Dragowski ainda tentou reagir, mas a jovem raposa já encostava para repor o empate.

A explosão de alegria na Medideira foi indescritível. Não era só o golo do empate; era o golo logo após o que acontecera e com a fúria acumulada que toda a situação gerara entre os adeptos.

Era seguro dizer-se que poucas vezes um golo foi tão celebrado como aquele. Foi com fúria! Foi com raiva! Foi na raça!

 

8O6jTYX.gif

A ansiedade dos leões em verem-se livres da bola foi aproveitada por Diego Raposo para sacar mais um golo do seu playbook

 

O vulcão da Medideira já estava prestes a entrar em erupção antes do golo; depois do empate, explodiu definitivamente. O apoio dos adeptos aos seus jogadores, a animosidade com que era acolhida cada decisão da equipa de arbitragem e a pressão sobre a equipa visitante, contribuíram largamente para empurrar Amora e Sporting na mesma direção: a da área à guarda do guarda-redes Dragowski.

O Sporting, embora mais encolhido em campo, ia testando as águas e procurando explorar o contra-ataque. Num desses lances, Rodrigo Ribeiro surgiu na cara de Manuel Baldé e o guineense redimiu-se, enchendo a baliza com a sua mancha. Enquanto a defesa do Amora recuperava a bola e saía a jogar, o guardião ergueu-se, virou-se para as suas claques atrás de si, abriu os braços e soltou um grito como se fosse um guerreiro. Os adeptos adoraram a reação e responderam na mesma moeda.

Era este o ambiente na Medideira naquela noite. Tinham declarado guerra ao Amora; agora teriam a resposta.

Apesar do domínio territorial, o golo da vantagem não surgia. Aos poucos também os leões tornaram-se impetuosos. Ps comentadores destacados para o jogo não conseguiam explicar como Rui Costa conseguia a proeza de não distribuir cartões - nem um desde a confusão após o golo do Sporting!

Nem de propósito, Jéferson tentou sair a jogar pela direita junto à linha e foi virado do avesso por uma entrada de Nuno Mendes. Felizmente para o menino do Sporting, a falta foi cometida do lado onde não havia bancada, salvando-se assim da fúria dos adeptos perante a falta cometida. O árbitro ignorou e não exibiu qualquer cartão.

Coube a Rodrigo André marcar o livre lateral. Cruzou a bola, tensa e ao primeiro poste. Vários jogadores acorreram ao local de queda da bola. Os adeptos levantaram-se das suas cadeiras quando viram que era Diego Raposo o mais rápido.

A jovem raposa saltou e cabeceou a bola para o poste mais próximo.

Dragowski nem se fez ao lance.

 

aHxTiM1.gif

Diego Raposo a bisar na partida, concretizando a remontada na Medideira

 

Estava feita a remontada na Medideira, a qual reagiu em conformidade. Por todo o estádio grassava uma balbúrdia animada. Na bancada atrás do banco de suplentes do Amora formou-se um novelo humano com muitos adeptos a envolverem Frodo Zarco e Joca, os quais, de resto, celebravam com eles como se fossem meros adeptos.

A cerca de vinte minutos do final, o Amora liderava o marcador. Conseguiria assegurar a vitória e somar mais três pontos naquele último jogo de 2027?

O Sporting reagiu ao golo sofrido e esticou-se no terreno. Do outro lado, encontrou uma equipa determinada, impulsionada pela raiva que sentia e pelo apoio incessante que vinha das bancadas. Os adeptos estavam a ser não o décimo segundo jogador, mas também o décimo terceiro, o décimo quarto...

E era justo que assim fosse; afinal de contas, o adversário jogava com catorze elementos, não é verdade?

O cronómetro avançava e aproximava-se do minuto 90 sem que o Sporting desse sinais de conseguir reagir. Aliás, bem pelo contrário, era o Amora quem geria o jogo em posse, obrigando os leões a correr atrás da bola. Tal era a sensação de segurança que Frodo Zarco gritou a Léléco para fazer duas substituições.

Assim, aos 88', dois jogadores perfilaram na linha lateral. Théo Lameira era um deles; o outro era um menino que se estrearia nessa noite.

 

R79QLT1.jpeg

Face às lesões dos avançados interiores Gabriel Capixaba e Roberto Leal, Frodo Zarco chamou Miguel Aidos à equipa principal

 

Diego Raposo foi o primeiro a sair. Ovacionado de pé, o autor dos dois golos do Amora deu lugar a Théo Lameira, também ele aplaudido. Depois foi a vez de Jéferson, que antes de sair deu a braçadeira de capitão a Nélson Victor e, chegado à linha lateral, abraçou o menino Miguel Aidos e deu-lhe algumas palavras de encorajamento.

O menino entrou com uma forte ovação de todo o estádio. Fazia parte da equipa de Sub23 e, face às ausências por lesão de Gabriel Capixaba e Roberto Leal, foi chamado por Frodo Zarco para a equipa principal. Estreava-se num jogo contra o Sporting. Nada mau para uma estreia, não é?

Miguel Aidos não tardou a dar o seu primeiro toque na bola. Recebeu-a de Octávio Sousa, rodopiou na direção da linha de fundo e cruzou rasteiro. Foi encontrar João Carlos Miguel dentro da área. O médio segurou a bola e tentou protegê-la perante o assédio de Santos. Subitamente, sem que nada o fizesse prever, viu todas as luzes do estádio deslocarem-se a alta velocidade.

Deu por si estendido no relvado. Ouviu a cacofonia das bancadas e uma mão surgiu-lhe à frente da cara a oferecer-se para o erguer. O sorriso na face de Filipe Diogo era claro: era penalidade. Fora derrubado dentro da grande área!

Apesar de a falta ter sido cometida sobre João Carlos Miguel, foi a Miguel Aidos que todos dirigiram os seus elogios. Na sua primeira intervenção como futebolista profissional, conseguiu colocar a bola na área numa situação de perigo que resultou numa penalidade. Belíssima estreia do menino!

Théo Lameira pegou na bola. Ele e Vítor Ferraz eram os especialistas na marcação de penalidades e decidiram entre eles que deveria ser o recém-entrado a batê-la. O menino não teve dúvidas e avançou, batendo com o seu pé esquerdo para o lado direito. Dragowski adivinhou o lado. Precisaria era de asas para apanhar a bola.

O jogo ficou decidido nesse momento. A vencer por dois golos, o Amora não deu mais margem a um Sporting que, diga-se, antes da penalidade também não parecia estar com capacidade para reentrar no jogo.

O Sporting viu quebradas as suas séries de vinte jogos consecutivos sem perder e de dez seguidos sempre a vencer; já o Maior da Margem Sul, esse saía do primeiro jogo grande da temporada ainda invicto em provas nacionais.

 

 

O ambiente continuava crispado entre as duas equipas e entre estas e a equipa de arbitragem. Os responsáveis do Sporting insurgiam-se com a inoperância do árbitro no capítulo disciplinar desde o incidente no início da segunda parte. Os do Amora ainda queriam explicações sobre a validação do golo de Rodrigo Ribeiro.

Pobre coitado do árbitro Rui Costa! O homem era atacado por todos os lados e, quando se viu livre destes, ainda precisou de proteção policial para recolher ao túnel de acesso aos balneários em segurança devido à revolta dos adeptos.

Frodo Zarco passou ao lado dos incidentes pós-jogo. Ele e Joca estavam na bancada e rapidamente desapareceram no interior da Medideira para se encaminharem para os balneários. Tinham de dar os parabéns aos jogadores pela remontada operada durante a segunda parte!

Naquela altura não pensavam nisso, mas as expulsões implicariam provavelmente castigos severos ao treinador e diretor desportivo do Amora. Logo se veria. Não estava nas mãos deles.

Naquela altura, importava-lhes era que na tabela classificativa o Amora, embora distante pontualmente do líder Benfica, poderia assumir a liderança se vencesse os seus jogos em atraso.

O ano 2027 foi o melhor da história do Maior da Margem Sul com as conquistas de uma Taça de Portugal, uma Taça da Liga, uma Supertaça, o terceiro lugar na Primeira Liga e a estreia na Liga dos Campeões.

Frodo Zarco mal podia esperar para ver o que lhe reservava o ano 2028.

 

#MaiorDaMargemSul #CoracaoDeAmora #FazeroImpossivel

 

[Em spoiler, prints dos jogos e algumas descrições sobre este período; recomendo especialmente verem os gifs, pois o menino Filipe Diogo anda a abrir o livro jogo sim, jogo sim]

 

Antes de partir para os jogos propriamente ditos, quero só comentar algumas coisas.

Primeiro, o regresso do Diego Raposo foi um bálsamo. Não que o Théo Lameira tenha estado mal, é até um dos melhores marcadores da Primeira Liga nesta fase, mas a agressividade do Diego Raposo com e sem bola dá muita coisa à equipa.

Depois, a minha revolta com a calendarização da Primeira Liga no FM 22 Mobile. Já tinha falado disto antes, mas esta época está por demais ridículo. Já levo três jogos de atraso, não percebo porquê pois o Benfica até disputou os mesmos jogos que eu para a Liga dos Campeões e Taças de Portugal e da Liga.

É que estes jogos vão acumular quando for altura de acertar o calendário, julgo que será em Fevereiro e Março, e vai ser difícil gerir os índices físicos nessa altura.

Referir ainda que, como viram num dos prints, emprestei o Fabiano Almeida ao Rapid Viena. Como se recordarão, o plano era o menino fazer a temporada na equipa Sub23, mas a lesão do Diego Raposo obrigou a que fosse promovido à equipa principal.

Fez alguns jogos, inclusivé a titular, e marcou dois golos. Com o regresso do Diego Raposo iria perder espaço e entendi que já não se justificava regressar aos Sub23 depois de ter disputado jogos na Primeira Liga e na Liga dos Campeões.

O interesse do Rapid Viena veio na altura certa, vai poder evoluir no futebol sénior. Se render por lá, talvez para o ano possa fazer parte da equipa.

Por fim, este jogo contra o Sporting foi um caos! Nem vos passa pela cabeça a minha revolta quando vi que aquele golo não ia ser anulado. Imaginem um gajo de smartphone na mão a gritar "Fora de jogo! Fora de jogo! Fora de jogo, carai! Eish! Que grande fia da pega que o deu à luz, boi do carai, havias de ser fecundado por uma carrada de dotados!" Não foi bem com estes termos, mas foi nesta linha. True story 😄

Enfim, deu para a reviravolta e criou um cenário giro para inventar uma história fora do normal. Por uma vez, somos nós os vilões da narrativa.

 

Primeira Liga - Jogo 11

DwozBVH.jpeg

Relatório do jogo

 

O primeiro jogo após o empate em Vizela foi em Barcelos. Urgia vencer para afastar fantasmas, um segundo empate consecutivo poderia abalar a equipa. Além do mais, entre os dois jogos fomos a Milão, que como viram no Capítulo anterior perdemos. Vencer era obrigatório.

A resposta da equipa a este repto foi fenomenal.

 

DxZGlMl.gif

 

Vítor Ferraz marcou aos 28 segundos de jogo num lance que começou com o pontapé de saída. Ora vejam a qualidade na troca de bola. Craques!

Isto embalou-nos para uma vitória tranquila. O Gil Vicente nem soube o que os atingiu. De referir que foi um jogo giro, com várias ocasiões para ambas as equipas e que pela primeira vez esta época passámos a barreira dos três golos num só jogo.

Ah, e o maestro Vítor Ferraz fez isto.

 

IXAvuRn.gif

 

Como diria o outro: "desfrute-mos".

(sim, está mal escrito, para quem não souber é uma piada da zona lá de baixo do fórum)

 

Taça de Portugal - 4ª Eliminatória

rTI5o0b.jpeg

Relatório do jogo

 

O Diego Raposo voltou aos treinos sem limitações mesmo a tempo do jogo contra o Oriental para a Taça de Portugal. Aproveitando para rodar a equipa, Frodo Zarco lança a jovem raposa no onze inicial.

Aos 18 minutos, a bola já morava onde dorme a coruja.

Quando perdemos o Leonardo Brandão há ano e meio, temi pelo que seria o nosso futuro. O Diego Raposo quase apagou o Cavaleiro da Medideira das nossas memórias. Que craque!

Ah, o jogo. Nada de especial a dizer. Vitória tranquila num jogo de sentido único - as estatísticas são elucidativas. De notar apenas o golo do menino Bernardo Castanheira, aproveitando ter sido lançado no lugar do Vítor Ferraz para brilhar.

 

Primeira Liga - Jogo 12

hRxV1x2.jpeg

Relatório do jogo

 

Vivíamos de longe o melhor momento da temporada. Terceiro jogo, terceira goleada. Não tenho a certeza sem ir ver Capítulo a Capítulo, mas tenho quase a certeza que é a maior goleada de sempre do Amora na Primeira Liga.

Ironicamente, foi um jogo bem dividido e o resultado é enganador. A vitória é justa, mas o Feirense merecia ter marcado também. Diria que o resultado justo passaria por algo como 1-3 ou 2-4.

Não que mudasse o vencedor dos três pontos.

Entre os golos houve alguns de belo efeito, mas tenho de destacar mais um momento Filipomenal.

 

cnzFdkx.gif

 

O menino de vez em quando saca de coisas destas e deixa-me de boca aberta a olhar para o smartphone.

A equipa está a carburar ofensivamente de uma forma que ainda não tinha visto neste save. Ver as combinações entre os meninos e a troca de bola rápida é uma delícia. Ainda para mais quando isto vem de ano e meio de trabalho com esta fornada de jogadores para alcançarmos este patamar.

Sabe bem.

 

Taça da Liga - Fase de Grupos - Jogo 2

Bz90bOH.jpeg

Relatório do jogo

 

Entre Feirense e Famalicão, recebemos e empatámos com o Barcelona, dizendo adeus à Liga dos Campeões - foi o objeto do Capítulo anterior.

Já tinha falado deste jogo antes. Empatámos na 1ª jornada contra o Olhanense e isso obrigava-nos a vencer em Famalicão para irmos à Final Four.

Tal como tinha avisado, a Taça da Liga é a competição menos importante e aproveitei para rodar a equipa, até porque daí a cinco dias íamos a Braga para a Primeira Liga e esse sim, era jogo crítico.

Pois bem, houve Diego Raposo. Ele ainda não recuperou a titularidade - estou a tentar gerir ao máximo a sua condição física, não quero correr riscos e o Théo Lameira até tem jogado bem - e foi titular aqui juntamente com as restantes segundas linhas.

O jogo foi difícil. O Famalicão chegou duas vezes à vantagem no marcador contra a corrente do jogo, e confesso que quando fizeram o 2-1 pensei mesmo que era o fim de linha na Taça da Liga: a perder na segunda parte e com segundas linhas em campo, quem poderá dizer que não eram receios justificados?

Mas não! Diego Raposo. Que máquina.

Com esta vitória, vencemos o grupo...

 

UWimVRj.jpeg

 

... e vamos à Final Four defender o título contra Porto, Benfica e Gil Vicente - sim, os galos eliminaram o Sporting. É a nossa quarta participação consecutiva nessa fase. Na Meia-Final, independentemente do adversário irei rodar a equipa.

Se chegarmos à final, aí sim vamos com tudo. Mas até lá, é a prova das segundas linhas.

 

Primeira Liga - Jogo 13

dsO4KPj.jpeg

Relatório do jogo

 

Não sei ao certo o que escrever para vos descrever o que se passou aqui. Atropelámos o Braga. Vinte remates na Pedreira! Eles fizeram apenas um...

A cada ataque desperdiçado já só metia as mãos na cabeça. Foi dos resultados mais frustrantes que tive neste save.

Se calhar esgotámos os golos nos jogos anteriores. Tinha dado jeito reservar um para situações como esta.

 

Taça de Portugal - 5ª Eliminatória

tQUAjNO.jpeg

Relatório do jogo

 

Aquilo que aconteceu em Braga repetiu-se na recepção ao Santa Clara para a Taça de Portugal, embora aqui, felizmente, o Papou Mendes encontrou o fundo das redes.

Os açorianos pouco fizeram e apesar do resultado magro, a eliminatória foi tranquila. Era isso que pretendia, de resto - vinham aí dois jogos complicados em poucos dias.

 

Primeira Liga - Jogo 14

GXjpHmT.jpeg

Relatório do jogo

 

O primeiro deles era a recepção ao Estoril. A Liga Portuguesa parece ter aderido à ideia do boxing day e mete-nos a jogar no período natalício, por isso no dia seguinte ao Natal, ainda com a barriga cheia de rabanadas, bolo-rei e troncos de natal, lá voltámos à competição.

Entrámos de sobreaviso para não darmos uma prenda aos canarinhos e resolvemos a questão entre o final da primeira parte e o início da segunda.

E porque nunca é demais relembrar que temos na nossa equipa um craque daqueles que podem vir a ser lendas de uma geração, fiquem com mais um momento Filipomenal.

 

VHvf5cu.gif

 

Feliz de quem tem em mãos um craque destes. Já choro com o dia em que o vir sair da Medideira.

A equipa adormeceu um pouco na fase final do jogo e, do nada, não só o Paços marcou como o Gabriel Capixaba lesionou-se. O irónico disto é que o capitão tinha começado no banco e entrou na fase final do jogo para gerir a condição do Jéferson.

Já tinha o Roberto Leal lesionado - ele é a quarta opção para avançado interior depois de Filipe Diogo, Gabriel Capixaba e Jéferson. Sobrando-me estes três, queria garantir que os tinha em boa condição para a recepção ao Sporting, sabendo que um deles entraria sempre durante esse jogo.

Com a lesão dele, promovi e estreei o Miguel Aidos, como viram no Capítulo. Ele estava na equipa Sub23 e assim fez o primeiro jogo pela equipa principal. E deverá fazer mais alguns enquanto não temos os regressos do Gabriel Capixaba e do Roberto Leal.

Depois deste jogo, vencemos o Sporting antes de irmos festejar o réveillon.

Estamos bem lançados em todas as competições. Já não temos competições europeias, o que nos alivia um pouco o calendário, mas como temos vários jogos em atraso teremos ainda uma fase da temporada bastante crítica. Por esse motivo, ainda estou algo receoso sobre o que aí vem.

A ver vamos o que nos traz 2028.

Editado por Black Hawk
  • Like 1

Compartilhar este post


Link para o post

Grande jogo! Roubado roubadinho, mas ainda foste a tempo de dar a reviravolta! E que bom é ver o Diego de volta, não há nada como ter o rapaz em campo...

Está ao rubro o campeonato, tens uma defesa de betão e um ataque concretizador qb (que deverá melhorar com o regresso do Diego) e continuas invicto. Não passas o ano novo na liderança, mas podes ser líder depois de reposto o calendário. E isso é incrível

Compartilhar este post


Link para o post

Caldo entornou mesmo nesse jogo contra um Sporting em recuperação, mas esse golo em fora de jogo foi o combustível que os jogadores e adeptos do Amora precisavam para dar a volta à situação e vencer a partida, continuando na luta pelo título. 

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de F. Mota, há 5 horas:

Grande jogo! Roubado roubadinho, mas ainda foste a tempo de dar a reviravolta! E que bom é ver o Diego de volta, não há nada como ter o rapaz em campo...

Está ao rubro o campeonato, tens uma defesa de betão e um ataque concretizador qb (que deverá melhorar com o regresso do Diego) e continuas invicto. Não passas o ano novo na liderança, mas podes ser líder depois de reposto o calendário. E isso é incrível

Pois, mas para lá chegarmos vamos ter uma sobrecarga de jogos tremenda. É engraçado como por um lado é bom termos jogos em atraso para recuperar a desvantagem, mas por outro também é mau porque temos jogos em atraso ahah

Citação de cadete, há 5 horas:

Caldo entornou mesmo nesse jogo contra um Sporting em recuperação, mas esse golo em fora de jogo foi o combustível que os jogadores e adeptos do Amora precisavam para dar a volta à situação e vencer a partida, continuando na luta pelo título. 

#FazeroImpossivel

  • Like 1

Compartilhar este post


Link para o post

Excelentíssima vitória perante os verdes e brancos!

Ambiente de loucos a partir do início da segunda parte, com um golo muito questionável de Rodrigo Ribeiro. Tudo isso foi o mote para a apoteose que se viveu até ao final do jogo. Reviravolta no marcador e ainda um 3x1 ao cair do pano, numa penalidade para a qual o menino Aidos muito contribuiu. Tens vários jogos em atraso e creio que farás sombra ao Benfica caso ganhes os mesmos (sendo que se os ganhares todos, até passas para o topo).

Compartilhar este post


Link para o post

Que regresso esse do menino Raposo. Quantos golos é que já marcaste como esse primeiro frente ao Sporting? ahah De recordar que no início sofrias tanto assim.

Pelos vistos não é só no meu save que o VAR por vezes não funciona, que escândalo. Mas serviu para existir um ambiente de raiva e mostrar o calibre desta equipa do Amora. Grande reviravolta!

De resto já se notam muitas diferenças na tua equipa. Melhorias a nível defensivo e, estatisticamente falando, já chegas a um número de remates p/ jogo bem considerável. Já não há aqueles jogos com 4/5 remates para cada lado (salvo exceção).

Também não entendo o porquê de por vezes algumas equipas terem tantos jogos em atraso.

E esse Benfica? Credo, não chega já?! Que abuso. Curioso para perceber se o Amora, com os jogos em atraso, consegue alcançar os encarnados.

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Martini Branco, há 3 horas:

Excelentíssima vitória perante os verdes e brancos!

Ambiente de loucos a partir do início da segunda parte, com um golo muito questionável de Rodrigo Ribeiro. Tudo isso foi o mote para a apoteose que se viveu até ao final do jogo. Reviravolta no marcador e ainda um 3x1 ao cair do pano, numa penalidade para a qual o menino Aidos muito contribuiu. Tens vários jogos em atraso e creio que farás sombra ao Benfica caso ganhes os mesmos (sendo que se os ganhares todos, até passas para o topo).

É uma posição meio incómoda, aquela em que estamos. Teoricamente lideramos o campeonato (temos melhor média de pontos por jogo que o Benfica), e no entanto estamos vários pontos atrás e temos de os conquistar.

É um erro do FM 22 Mobile, acontece a mais gente. Acho que já corrigiram na versão 23.

Grazie 🙂

Citação de Kluivert, há 59 minutos:

Que regresso esse do menino Raposo. Quantos golos é que já marcaste como esse primeiro frente ao Sporting? ahah De recordar que no início sofrias tanto assim.

Pelos vistos não é só no meu save que o VAR por vezes não funciona, que escândalo. Mas serviu para existir um ambiente de raiva e mostrar o calibre desta equipa do Amora. Grande reviravolta!

De resto já se notam muitas diferenças na tua equipa. Melhorias a nível defensivo e, estatisticamente falando, já chegas a um número de remates p/ jogo bem considerável. Já não há aqueles jogos com 4/5 remates para cada lado (salvo exceção).

Também não entendo o porquê de por vezes algumas equipas terem tantos jogos em atraso.

E esse Benfica? Credo, não chega já?! Que abuso. Curioso para perceber se o Amora, com os jogos em atraso, consegue alcançar os encarnados.

Aquele tipo de golo parece mais ser marca da função dos avançados pressionantes. Os gajos parecem cães de caça atrás da bola e de vez em quando apanham algum atraso mal feito ou uma má recepção do guarda-redes.

Até o Théo Lameira já marcou assim ao Milan, mas o Diego Raposo explora isto ao máximo. Só posso justificá-lo pelos elevados atributos de agressividade e velocidade.

Yah, no início do save sofria muito assim quando tinha defesas com 7/8 de técnica e passe, quando não era menos. E de vez em quando ainda acontece, mas felizmente agora é mais comum do outro lado 😄

Lembras-te daquele save teste que fiz no Sporting para testar a tática deste Amora, que partilhei no tópico dos saves pouco detalhados? Estou a aproximar-me do estilo de estatística que tive com o Sporting aí, o que me dá a entender que este plantel do Amora está a chegar próximo do nível do Sporting no início do jogo.

É mesmo uma pena que seja provavelmente a última época deste plantel todo junto...

Infelizmente, porém, o plantel do Benfica nesta altura está algo acima desse nível, por isso quase parece que o crescimento não existe. Ele está lá, mas o dos outros ainda foi maior ahah

Editado por Black Hawk

Compartilhar este post


Link para o post
 
oDSi6qf.jpg
Capítulo LXI - A Gallardeta, parte 1
 
 
 
A chuva miudinha que caía não o incomodava. Deu alguns passos para aliviar a tensão que sentia, descrevendo um círculo no camarote em que assistia ao jogo, protegido da chuva e frio lisboeta naquela noite de Janeiro. Joca e Bilbo Himura estavam sentados e debatiam aquilo que ia faltando à equipa, aparentemente indiferentes ao ar ansioso estampado na face de Frodo Zarco.
 
"Aquilo que nos falta... Aquilo que nos falta é meter a pega dentro da baliza!"
 
Joca e Bilbo Himura não ouviam os seus pensamentos, obviamente. Continuavam a trocar ideias sobre o que aconteceu durante a primeira parte e o que seria a segunda metade da partida.
 
Um súbito aplauso desviou a atenção dos três. Os adeptos da equipa da casa respondiam ao regresso dos seus jogadores. Foi como um ronco de um vulcão; sentiram todo o estádio estremecer com a vibração produzida por sessenta mil adeptos a levantarem-se em simultâneo, aplaudindo e disparando cânticos de apoio.
 
O apoio transformou-se subitamente em vaias, abafando a tentativa de apoio dos cerca de mil adeptos do Amora, quando onze jogadores vestidos de azul escuro entraram no relvado. Frodo Zarco saiu do camarote e aproximou-se do seu lugar. Não se sentou; olhava, perscrutante, para tentar ler a linguagem corporal dos seus jogadores.
 
Teria o seu adjunto, Edson Léléco Baessa, o Afroastro, passado a mensagem que lhe tinha transmitido? Teriam os jogadores percebido aquilo que se esperava deles? Estariam confiantes? Estariam nervosos?
 
Dali, do alto da bancada do Estádio da Luz, Frodo Zarco não poderia sabê-lo. Como todos os outros adeptos na Catedral encarnada, teria de aguardar que o jogo recomeçasse para ter uma resposta às suas dúvidas.
 
 
 
X0eayBz.jpeg
Os dois líderes do campeonato, Benfica e Amora, disputavam o primeiro duelo entre ambos na Primeira Liga
 
 
 
Era noite de 22 de Janeiro de 2028. Chovia e fazia frio, o que não era de todo anormal naquela altura do ano em Lisboa. Isso não afastou os adeptos de comparecerem em massa para o primeiro grande embate entre os dois líderes do campeonato. Eram cerca de 61.000 as almas que enchiam quase totalmente o Estádio da Luz para testemunhar um jogo que poderia ter sérias implicações nas contas do título.
 
Findo o ano 2027 e entrados em 2028, Benfica e Amora eram unanimemente considerados pela imprensa como os dois grandes favoritos à conquista do troféu.
 
O Benfica, campeão nacional em título, dispunha de uma fortíssima equipa às ordens de Marcelo Gallardo e era o líder de facto da Primeira Liga. As águias concluíram 2027 com 47 pontos em 18 jogos disputados, uma impressionante média de 2,61 pontos por jogo que era muitíssimo superior a qualquer outra averbada pelo eventual campeão nacional desde 2019!
 
Sim, há nove anos que ninguém somava uma média de pontos por jogo tão inflacionada como a equipa de Marcelo Gallardo. A que mais próxima esteve de o fazer desde então [e na duração deste save] foi o próprio Benfica da temporada anterior, que concluiu a temporada com 78 pontos - uma média de apenas 2,29 por jogo. Tal era a qualidade futebolística deste Benfica de Marcelo Gallardo que se disseminara a expressão A Gallardeta para apelidar os encarnados.
 
Num ano normal, esta performance seria suficiente para levar uma equipa ao título. No entanto, o Amora de Frodo Zarco não descolava e, se o Benfica era o líder de facto, o Maior da Margem Sul era o seu líder teórico! Apesar de perseguir o Benfica à distância de 8 pontos, tinha três jogos em atraso. As contas são fáceis de fazer - caso vencesse os jogos em atraso, ultrapassaria os encarnados.
 
Foi com esta luta a aquecer os ânimos futebolísticos que os portugueses entraram num gélido mês de Janeiro. A temperatura mínima atingia recordes históricos em várias zonas do país, mas assim que a bola começava a rolar aqueciam os corações de benfiquistas e amorenses.
 
 
 
Wq8UZ89.jpeg
A pressão da luta pelo título começava a sentir-se na Luz, refletindo-se em dois empates inesperados do Benfica...
2fssP6B.jpeg
... mas que não foram aproveitados pelo Amora, que cedeu os mesmos dois empates ao longo do mês de Janeiro
 
 
 
O que se passou na Luz para o Benfica perder num mês quase tantos pontos como em toda a primeira volta, Frodo Zarco não poderia explicar. Era-lhe possível, porém, tirar ilações sobre o que se passava na Medideira.
 
E na Medideira, o mês de Janeiro estava a ser caótico.
 
As primeiras ondas de choque surgiram logo após a vitória sobre o Sporting. Recordam-se de como a imprensa minimizava a campanha do Amora, referindo que lhes faltava enfrentar um grande teste, o qual consistia em manter a invencibilidade contra os três grandes? Pois bem, após a demonstração de personalidade do Maior da Margem Sul na reviravolta operada frente ao Sporting, a imprensa infletiu completamente o seu discurso. Agora, a grande questão que os afligia era se o Amora conseguiria levar essa invencibilidade até ao final da temporada.
 
[mais sobre os acontecimentos desse jogo em Capítulo LX - Caldo entornado]
 
 
 
Qbr9Lal.jpeg
A vitória sobre o Sporting motivou intermináveis discussões sobre as probabilidades do Amora nesta temporada - e os jogadores não ficaram indiferentes à exposição mediática
 
 
 
Era uma boa discussão quando vista pela perspectiva de o trabalho estar a ser bem feito. Podia ser encarada como um elogio. O problema era o que essa discussão implicava.
 
Durante as semanas seguintes, todas as malditas conferências de imprensa foram dominadas por questões acerca da invencibilidade do Amora e da hipotética candidatura ao título do Maior da Margem Sul. Os jornalistas eram persistentes e queriam uma resposta de Frodo Zarco, de Bilbo Himura... e dos jogadores.
 
Ah! Os jogadores. O plantel do Amora era maioritariamente jovem. Com uma média de idades a rondar os 22 ou 23 anos de idade, a maioria dos meninos nunca se tinha visto alvo de tamanha pressão mediática.
 
Compreensivelmente, foram surgindo rachas na sua confiança e através delas as dúvidas sobre as suas capacidades foram emergindo.
 
 
 
yzsBpsA.jpeg
Vários jogadores evidenciavam dúvidas quanto à capacidade da equipa em manter a invencibilidade no campeonato, desde Nélson Victor...
o2Hy9gQ.jpeg
... passando por Vítor Ferraz...
3CB1zGq.jpeg
... ou João Carlos Miguel...
39j8ScQ.jpeg
... e até o miúdo-maravilha Filipe Diogo acusava a pressão, sendo estes alguns exemplos de vários jogadores que sentiam-se nervosos nesta fase
 
 
 
Frodo Zarco teve imensas dificuldades em gerir a confiança do seu plantel - e será seguro dizer-se que falhou na sua função. Os resultados não enganavam. O empate com o Portimonense foi o primeiro sinal dessa instabilidade e os jogos seguintes, embora vencidos, foram-no por margens tangenciais. No Dragão, três dias antes da deslocação ao Estádio da Luz, a equipa voltou a perder dois pontos.
 
Aquele Amora de futebol espetáculo e que marcava por diversão, que tinha passeado classe pelos relvados nacionais nos últimos meses de 2027, deu lugar a uma equipa mais insegura - em especial na hora da execução. Falharam-se golos que outrora teriam entrado, hesitou-se em momentos que antes não haveria dúvidas.
 
É que a influência externa não terminava na imprensa. Aliás, provavelmente nem sequer era esta a principal responsável pela instabilidade no plantel. Janeiro é, como é de conhecimento geral, mês de mercado. O período de transferências abriu e o talento da Medideira era altamente cobiçado.
 
Não foi grande surpresa que, entre notícias nos jornais e contactos informais aos agentes desportivos, vários dos meninos andassem no mundo da lua.
 
 
 
E4PlOXz.jpeg
Chegou ao conhecimento público que o Chelsea observava João Carlos Miguel...
PCB98Dd.jpeg
... e isso foi suficiente para desestabilizar o menino
6a7tlWk.jpeg
Manuel Baldé apanhou o Amora de surpresa com declarações fortes numa entrevista...
0EjaziW.jpeg
... e foi necessário chegar-se a um acordo sobre o seu futuro para serenar os ânimos
mRkFnua.jpeg
Filipe Diogo foi mais discreto e falou pessoalmente com Frodo Zarco sobre a sua vontade em dar o salto...
BIcIirl.jpeg
... levando a que os dois chegassem a um acordo de cavalheiros
 
 
 
De alguma forma, o Amora chegou ao dia do jogo contra o Benfica com o plantel intacto. A única proposta formal a dar entrada na Medideira veio de Londres. O Chelsea queria levar João Carlos Miguel e colocou em cima da mesa as garantias bancárias para um negócio avaliado em 20 milhões de euros, quantia que, com todo o respeito, não chegava sequer para levar as suas chuteiras.
 
O último factor de instabilidade foi culpa direta, única e exclusiva, de Frodo Zarco. No meio da sua fúria, o treinador deu um encontrão no árbitro Rui Costa durante o jogo contra o Sporting. A Liga não tardou a aplicar-lhe um castigo de um mês de ausência do banco de suplentes.
 
O Afroastro foi promovido a treinador principal durante o mês de Janeiro e fez um bom trabalho! Léléco é uma lenda viva na Medideira e todos os jogadores o respeitam, mas apesar de ter feito tudo bem... não é Frodo Zarco.
 
Por esse motivo, Frodo Zarco marcava presença no camarote naquele escaldante Benfica v Amora, acompanhado por Bilbo Himura e Joca - também este suspenso pelo mesmo incidente do jogo contra o Sporting. E foi daí que viram o Amora espalhar classe no Estádio da Luz durante a primeira parte.
 
Com uma percentagem de posse de bola a rondar os 65%, o Maior da Margem Sul dominava por completo os acontecimentos dentro de campo, deixando por vezes a sensação que era o Amora a equipa grande. Já o Benfica parecia desesperado, limitando-se a cobrir a sua área defensiva durante largos períodos do jogo.
 
 
 
 
vPFkdVK.gif
O capitão Gabriel Capixaba teve nos pés a melhor chance de desfazer o nulo na primeira parte após uma assistência primorosa de João Carlos Miguel
 
 
 
No entanto, todo esse domínio traduzia-se num nulo ao intervalo. O Amora tinha a posse de bola, a supremacia territorial e até fez vários remates, mas golos, nem vê-los.
 
Frodo Zarco sentiu a ansiedade dos seus jogadores no terreno. Era como se estivessem pressionados por mostrar que eram verdadeiros candidatos ao título; como se tivessem que provar aos outros - à imprensa, aos adeptos, aos adversários, ao mundo - que a sua posição na tabela classificativa não era um acaso. E isso toldava-lhes o discernimento na hora de executar.
 
Adivinhando que isso pudesse acontecer, Frodo Zarco instruíra Léléco antes do jogo para recordar aos jogadores ao intervalo que a pressão estava do lado do Benfica. Eles é que eram os campeões! Eles é que tinham de mostrar, enquanto equipa grande que indubitavelmente são, que eram melhores do que o Amora! Ao Maior da Margem Sul não se podia exigir mais do que estava a fazer - tendo em conta as expectativas iniciais da imprensa e dos adeptos, já as estavam a exceder largamente!
 
A ideia era não pensar demasiado no que os outros esperavam deles. O que os outros pensam é problema deles, não nosso!
 
Os vinte e dois intervenientes do jogo aguardavam já pelo apito inicial do árbitro Hugo Silva. Os adeptos estavam excitados pelo reinício do jogo, mas alguns não deixaram de notar que do lado de fora do relvado havia uma novidade: Filipe Diogo iniciava exercícios de aquecimento.
 
O miúdo-maravilha da Medideira, herdeiro da camisola 7 de Joca, teve um mês de Janeiro de 2028 para esquecer. Além da quebra de produção à qual não seriam indiferentes a pressão da imprensa e a especulação quanto ao seu futuro, Filipe Diogo lesionou-se num dos últimos treinos antes do jogo contra o Porto.
 
 
 
ZKkY6LY.jpeg
Filipe Diogo foi baixa contra o Porto e ficou em dúvida para o desafio no Estádio da Luz
 
 
 
A lesão, felizmente, não foi grave - em muito graças à pronta intervenção do fisioterapeuta Nuno Loia. Deixou, porém, Filipe Diogo ausente dos treinos alguns dias, afastando-o do confronto com Futebol Clube do Porto e deixando-o em dúvida para enfrentar o Benfica.
 
Foi dado como apto pelo departamento médico na véspera do jogo, mas Frodo Zarco cedo percebeu que não estava em condições ideais para entrar na equipa inicial. Assistiu do banco de suplentes à primeira parte e iniciava agora o aquecimento para a provável entrada em campo que estava planeada, não tendo a sua presença passado despercebida. Afinal de contas, Filipe Diogo estava a ser uma das grandes figuras da temporada em Portugal.
 
A ausência de Filipe Diogo não impediu o Amora de dominar os primeiros quarenta e cinco minutos - embora pudesse ter faltado a sua fantasia na hora de assistir para golo ou finalizar - e também não foi por isso que o Maior da Margem Sul não iniciou a segunda parte na mesma toada. Logo no primeiro minuto, um bom lance de envolvimento ofensivo proporcionou a Odailson projetar-se na ala direita nas costas do lateral adversário, Montóia. Ganha a linha de fundo, tentou aproveitar o espaço para invadir a área quando foi rasteirado por trás.
 
Ainda Odailson rebolava pelo relvado com dores e já Hugo Silva mostrava o cartão amarelo a Montóia. Gabriel Capixaba acomodou a bola no relvado para marcar o livre lateral. Era um canto de mangas arregaçadas, como se costuma dizer na cultura futebolística. Após Odailson levantar-se, ainda a coxear, Gabriel Capixaba olhou para a área e bateu o livre para a entrada da pequena área.
 
No meio da confusão e luta por posição, foi o aguerrido Diego Raposo quem ganhou vantagem! A jovem raposa saltou mais alto e cabeceou com violência, em zona frontal, mesmo de frente para a baliza. Frodo Zarco já erguia os braços no ar no mesmo momento em que o guarda-redes André Gomes viu a bola aproximar-se de repente, sem tempo para reagir.
 
O bruah! das bancadas foi aterrador. Numa questão de dois segundos, Diego Raposo cabeceou a bola, esta embateu em cheio no guardião André Gomes sem que este sequer tivesse esboçado uma reação, o ressalto embateu de volta em Diego Raposo e depois em Julian Weigl, perdendo-se pela linha de fundo.
 
Bilbo Himura e Joca por essa altura já estavam em pé ao lado de Frodo Zarco, os três de mãos na cabeça sem perceberem como aquele cabeceamento não resultou em golo, e muito menos como na sucessão de ressaltos que se seguiu foi possível a bola não seguir a direção da baliza.
 
 
 
 
u40c9hB.gif
Diego Raposo teve a primeira grande ocasião da segunda parte
 
 
 
A primeira grande oportunidade de abrir o ativo no segundo tempo coube ao Amora. A equipa da Margem Sul poderia ter sido embalada por esse momento, mas rapidamente foi recordada que do outro lado não estava um adversário qualquer.
 
O Benfica também retornou dos balneários mais assertivo e determinado no ataque à baliza. Não tardou a que a afamada dupla de Gonçalos - Guedes e Ramos - descobrisse uma nesga de espaço na defesa do Amora para criar uma ocasião de golo.
 
"Nesga de espaço" era um eufemismo - foi mais um buraco gigantesco! Ainda Gonçalo Guedes iniciava a diagonal para o centro a partir da esquerda e já Frodo Zarco berrava lá do alto, em pânico com o que via. Os seus gritos foram abafados pelos adeptos da equipa da casa, pois Gonçalo Guedes também identificou o espaço e colocou em Gonçalo Ramos, deixando-o isolado dentro da área.
 
Nélson Victor acorreu atrapalhadamente para tentar a dobra, mas não iria a tempo. Era entre Gonçalo Ramos e Manuel Baldé! O avançado do Benfica, considerado o melhor jogador da Primeira Liga na época anterior, viu o posicionamento do guarda-redes guineense e rematou fora do seu alcance.
 
O tempo parou na Luz. Sessenta e um mil pares de olhos acompanharam a trajetória da bola. A redondinha seguiu o seu rumo na direção da baliza e atingiu-a. Atingiu-a literalmente! A bola embateu no poste direito e seguiu ao longo da linha de fundo. Manuel Baldé não perdeu tempo e lançou-se sobre ela antes que saísse ou, pior ainda, que Gonçalo Ramos lhe chegasse para a recarga.
 
O guardião amorense ficou deitado com a bola em segurança debaixo de si. Gonçalo Ramos levou as mãos à cabeça, subitamente apercebido do que desperdiçara. Frodo Zarco, Bilbo Himura e Joca trocavam olhares em silêncio, respirando pela primeira vez nos últimos dez segundos...
 
 
 
 
lgbAJH1.gif
O Benfica respondeu com uma grande oportunidade pelos pés de Gonçalo Ramos
 
 
 
O perigo rondou as duas balizas nos primeiros minutos da segunda parte. Isto afetou ambas as equipas, subitamente alertadas para o perigo de se exporem demasiado. É que tão importante como vencer, era não perder. Era essencial não perder pontos para o rival. Aquele jogo sabia a final.
 
A consequência foi uma relação causa/efeito que levou a uma segunda parte sem grandes motivos de interesse para os highlights. Foi um jogo entretido e muito disputado, mas as equipas não se queriam destapar atrás - e por isso também atacavam pela certa, não se superiorizando às defesas.
 
Por volta dos 75' de jogo, Frodo Zarco lançou uma mensagem para o seu banco a dar ordem para a entrada de Filipe Diogo. Era uma tentativa de dar uma pedrada no charco; uma tentativa de agitar as águas. O menino lá perfilou na linha lateral e entrou debaixo de uma ovação de pé dos adeptos do Amora e assobios dos adversários.
 
O talento de Filipe Diogo era tal que ninguém lhe podia ficar indiferente.
 
O Amora revitalizou um pouco com a presença do miúdo-maravilha. A bola voltou a rondar mais vezes a área do Benfica e, num desses lances, surgiu uma falta à entrada da área, em zona frontal. O cronómetro assinalava 83' e o lance poderia decidir o jogo!
 
O Amora tinha três batedores de excelência àquela distância: Filipe Diogo, Gabriel Capixaba e Vítor Ferraz. Os três já tinham molhado o biscoito de livre direto na temporada e discutiram entre si quem deveria assumir a responsabilidade... e chegaram a uma forma justa de o decidir. Num momento caricato e que faria nos dias seguintes as delícias das redes sociais, foi com pedra-papel-tesoura que Vítor Ferraz foi o eleito para cobrar o livre!
 
O maestro olhou longamente para a barreira à procura de um espaço que lhe permitisse colocar a bola. Ao apito de Hugo Silva, partiu e aplicou o seu famoso tomahawk, levando a bola a descrever uma trajetória rente à barreira. Tão rente que bateu na cabeça de um dos seus elementos, defletindo o percurso da bola.
 
Foi tudo muito rápido. A redondinha desviou na barreira e foi aparecer à frente de Diego Raposo. Na marca de penalidade, sem tempo para pensar, aplicou precipitadamente o seu pé direito na bola - que nem é o seu melhor pé, mas era o que estava mais à mão. Ela saiu na direção da baliza...
 
À figura de André Gomes, que a encaixou junto ao peito. Onze pares de mãos em campo, e muitos mais no banco e nas bancadas, foram levados às respetivas cabeças em simultâneo. Fora uma oportunidade inacreditável e caída do céu.
 
 
 
 
lKLYFAW.gif
A jovem raposa dispôs de nova oportunidade já próximo do final da partida
 
 
 
"Bilbo, tens de ir aos treinos ensinar a rapaziada a meter a pega dentro da baliza", ironizou Joca depois de se sentar.
 
Frodo Zarco, no seu caso ainda incapaz de se sentar devido ao nervosismo, voltou-se com um sorriso jocoso.
 
"O Bilbo? Ele com essa barriga já nem vê a bola."
 
"Ah! Ah! Ah!", riu-se sarcasticamente o Battosai, Bilbo Himura. "Piadas com a minha barriga, tão original. Mas se formos para o campo, até com a minha barriga te destruía."
 
"Ah! Para isso era preciso conseguires apanhar-me e com isso, nem pensar!", ripostou Frodo Zarco apontando para a proeminente barriga do antigo craque do futebol mundial.
 
O momento de boa disposição entre os três responsáveis aliviou um pouco a tensão com a aproximação do final da partida. Benfica e Amora continuavam a tentar encontrar formas de furar as linhas defensivas adversárias, embora sem grande sucesso. A bola apenas rondava a área em lances de bola parada, e mesmo aí as defesas superiorizavam-se aos ataques.
 
Estranhamente, faltava drama ao jogo. Há cerca de três semanas, na Medideira, o Amora v Sporting fora rico em polémica dentro e fora de campo. Nesta noite, porém, o jogo aproximava-se do final sem grandes motivos para discussão naqueles execráveis programas de discussão entre paineleiros.
 
Mas o jogo ainda não tinha terminado...
 
 
 
 
2wpxSYL.gif
Gabriel Capixaba foi travado em falta em cima da linha da grande área, restando saber se dentro ou fora desta
 
 
 
... e ia bem a tempo de ter a sua dose de polémica.
 
Gabriel Capixaba surgiu isolado após uma rápida troca de bola em progressão - uma das, se não mesmo a principal imagem de marca do Maior da Margem Sul. O capitão talvez não chegasse à bola antes do guarda-redes André Gomes, mas essa dúvida nunca poderia ser desfeita pois Morato agarrou-o ostensivamente, acabando ambos estatelados dentro da grande área.
 
O árbitro Hugo Silva apontou para a marca de penalidade, sendo imediatamente rodeado pela equipa encarnada. O lance era duvidoso. Mesmo Frodo Zarco e seus compadres, lá do alto, não tinham certezas e olhavam-se em silêncio, encolhendo os ombros. Apenas Gabriel Capixaba tinha certezas e já aguardava na marca de penalidade pela decisão final do árbitro.
 
Foi por isso ele o único surpreendido pela decisão do VAR em chamar o árbitro para visionar as imagens no monitor. Enquanto Hugo Silva via e revia repetições de vários ângulos, os jogadores trocavam impressões no relvado sobre o lance. Frodo, Bilbo e Joca estavam em pé na bancada, ansiosos pelo veredito da equipa de arbitragem.
 
E ele lá vinha. O árbitro Hugo Silva desenhou um quadrado no ar e cruzou os braços na atmosfera. Não era penalidade!
 
"Estranharia se uma decisão do VAR fosse a nosso favor", resmungou um azedo Frodo Zarco.
 
"Ainda bem que não estás lá em baixo. Se estivesses, lá teria a tua companhia mais um mês na bancada..."
 
Joca riu-se do comentário de Bilbo Himura. No meio da tensão, nem se aperceberam naquele momento como o árbitro se esquecera de mostrar qualquer cartão ao central encarnado.
 
A barreira do Benfica formou-se enquanto Gabriel Capixaba reclamava com o árbitro, tentando inutilmente convencê-lo de que a falta terminara dentro da grande área. Acabou por desistir e assumiu ele próprio a marcação do livre. Desta vez não houve sorteio, para desgosto de Filipe Diogo. Gabriel Capixaba era o capitão, assumiria ele a responsabilidade naquele momento decisivo do jogo.
 
E era mesmo decisivo. Aos 89' de jogo, um golo decidiria definitivamente o vencedor, ainda para mais num confronto tão fechado.
 
O capitão respirou fundo. Fazia nesse mês de Janeiro exatamente sete anos que Gabriel Capixaba chegara à Medideira. Na altura para jogar no Campeonato de Portugal, acompanhou depois a equipa nas subidas à Liga 3, Segunda Liga e Primeira Liga. Herdou a braçadeira de capitão após o término da carreira de Joca, estreou-se na Liga dos Campeões e podia agora marcar um golo potencialmente decisivo para a história do Amora.
 
O árbitro Hugo Silva apitou e Gabriel Capixaba partiu para a bola. O remate saiu forte na direção do poste mais distante, procurando enganar André Gomes. E enganou, de facto, pois o guardião encarnado foi apanhado em contrapé no seu movimento para o poste contrário.
 
Frodo Zarco mandou um salto da sua cadeira.
 
 
 
 
Q35uAEs.gif
O árbitro, com a ajuda do VAR, reverteu a decisão e assinalou um livre direto que Gabriel Capixaba decidiu cobrar
 
 
 
A bola saiu perto da barra da baliza, mas por cima, perdendo-se na bancada - de onde emanou um colossal suspiro de alívio. A excepção foi a bancada do Amora, a qual chegou a gritar golo de forma bem audível. A visão da bola a subir na direção da bancada atrás da baliza levou os amorenses à depressão.
 
Foi realmente a última oportunidade de golo do jogo. Não muito depois, Hugo Silva apontaria para o círculo central do relvado, dando por terminado o primeiro jogo entre os dois líderes da Primeira Liga.
 
Um empate a zero algo anticlimático, que castigava principamente a incapacidade ofensiva do Amora em transformar o seu superior volume de jogo em golos.
 
 
 
 
 
 
Acima de tudo, era um empate que deixava tudo na mesma na classificação. As decisões da Primeira Liga teriam de ficar para um segundo jogo entre os dois líderes.
 
Ironia do destino, não seria necessário aguardar muito mais. Embora ambos tivessem a Taça da Liga para disputar na semana seguinte, e graças à maravilhosa calendarização da Liga Portugal, Amora e Benfica voltavam a defrontar-se para a Primeira Liga daí a apenas... onze dias!
 
 
 
#MaiorDaMargemSul #CoracaoDeAmora #FazeroImpossivel
 
 
 
E aproveito para desejar a todos os que acompanham este save, seja comentando ou não se manifestando, Boas Festas a partir da Medideira 🙂
 
 
JgDiC9m.jpeg
 
 
 
[Em spoiler, prints dos restantes jogos, breves descrições dos mesmos e prints dos golos do jogo contra o Porto]
 
 
 
Este mês de Janeiro... Ufff...
 
Os prints que mostrei são apenas uma amostra do que aconteceu. Na verdade, foram os casos mais complexos porque além das notícias foram também os jogadores que lhes reagiram mais. Outros foram também alvo de observações de olheiros ou notícias de interesse de outros clubes, como o Octávio Sousa, o Nélson Victor, o Dino Leão ou o Vítor Ferraz, mas não lhes reagiram.
 
A moral caiu bastante neste período devido à pressão mediática e aos rumores de interesses. Atribuo a quebra exibicional a isso mesmo. Não é apenas conversa, no motor de jogo notei algumas hesitações em momentos chave das partidas ou más execuções pouco habituais.
 
Bem, a boa notícia é que saímos vivos de um ciclo em que fomos ao Dragão e à Luz. A má notícia é que ainda faltam dez dias para terminar o mês e fechar o mercado...
 
 
 
Primeira Liga - Jogo 16
2IKdW3n.jpeg
 
 
 
O Portimonense empatou na Medideira na primeira volta, foram a primeira equipa a parar-nos no campeonato. Íamos alertados e fomos na máxima força - à excepção das ausências do Gabriel Capixaba e do Roberto Leal, ainda lesionados como já estavam no Capítulo anterior.
 
Chegámos à vantagem ainda na primeira parte pelo inevitável Diego Raposo, que repetiu a titularidade do jogo contra o Sporting. O Portimonense é uma equipa chatinha de enfrentar, sabem explorar muito bem o contra-ataque e criaram alguns lances perigosos, mas fomos nós a desperdiçar as melhores ocasiões para dilatar a vantagem.
 
E do nada surgiu o golo deles. Uma palermice da nossa parte, um lance ofensivo que se transformou num contra-ataque letal. Ainda nos atirámos a eles na fase final, mas o Théo Lameira - que entrou para o lugar de um esgotado Diego Raposo - falhou um golo cantado nos descontos.
 
Foi um empate difícil de aceitar. Pagámos cara a vitória na Taça de Portugal sobre o Portimonense em Maio último, os gajos foram buscar aí a motivação para nos roubarem quatro pontos esta época. A ver se não custarão algo mais importante no final...
 
 
 
Primeira Liga - Jogo 17
9GXvUW8.jpeg
 
 
 
Este é o primeiro exemplo de algo que já referi antes - erros na execução pouco habituais e hesitações incomuns na hora de finalizar.
 
O Tondela não criou qualquer ocasião de golo. O único remate deles foi uma talochada do meio da rua já nos minutos finais do jogo que deve ter caído na Baía do Seixal. E, no entanto, foi uma vitória muito difícil de alcançar. Atacámos muito, rematámos ainda mais, mas a pega não queria entrar!
 
Teve de ser o Manuel Díaz a ir lá à frente ensinar como se marcam golos. Curiosamente, depois de vários golos dele e do Nélson Victor no início da época em cantos ofensivos, já há meses que nenhum fazia o gosto ao pé... aliás, à cabeça.
 
Valeu pelos três pontos. Tendo em conta que por vezes nestes dias não se levam três pontos, não me posso queixar.
 
 
 
Taça de Portugal - Quartos-de-Final
1U0mPWx.jpeg
 
 
 
Tem a sua piada, tempos houve em que os jogos desta fase da Prova Rainha mereciam o destaque principal dos Capítulos. Agora, não só não passam de uma nota de rodapé como entro nos jogos com as segundas linhas todas.
 
Foi um jogo quase semelhante ao anterior. A diferença é que o Papou Mendes - sim, despromovido a segunda linha após o crescimento do João Carlos Miguel - marcou na primeira parte e o resto do jogo foi em gestão.
 
Infelizmente, o pobre Miguel Aidos lesionou-se na sua estreia a titular pela equipa já aos 88'. Deixou-nos reduzidos a dez e isto poderia ter-se complicado caso eles tivessem empatado e levado o jogo para prolongamento. Mais 30 minutos de bola com menos uma unidade, estão a imaginar?
 
Mas nada aconteceu e chegámos às Meias-Finais da Taça de Portugal sem grandes sobressaltos. O Gabriel Capixaba também já tinha recuperado da lesão dois dias antes deste jogo, pelo que a lesão do menino não trouxe constrangimentos de maior - aparte a desilusão dele, claro.
 
 
 
Primeira Liga - Jogo 18
OP5TKvZ.jpeg
 
 
 
A recepção ao Santa Clara redundou num jogo mais apertado. A nossa tendência em transformar a posse de bola em remates e oportunidades de finalização reverteu-se nesta tarde de Domingo, as estatísticas parecem as dos jogos do ano passado.
 
Para isso também contribuiu o golo madrugador, sendo que a partir daí gerimos mais do que procurámos ir para cima deles. Eles também não criaram perigo e assim ficámos - havia jogos contra o Porto daí a três dias e contra o Benfica daí a seis dias...
 
Diga-se que o golo foi um belíssimo lance concluído pelo Gabriel Capixaba, numa movimentação coletiva em que a bola passou por quase todos os elementos do meio-campo e ataque até isolar o capitão na cara do guarda-redes.
 
Infelizmente, não salvei o jogo na pasta para lhe aceder mais tarde e fazer o GIF para o partilhar. Merecia, foi bonito.
 
 
 
Primeira Liga - Jogo 19
cJ973tI.jpeg
 
 
 
E lá fomos ao Dragão para a primeira deslocação a casa de um dos três grandes. A meio da semana, a três dias da ida à Luz, enquanto o Benfica teria uma semana para repousar e treinar para esse jogo. Isto apesar de ambos termos o mesmo número de jogos para disputar até essa altura do mês.
 
É difícil não entrar em teorias da conspiração, não é?
 
Seja como for, isto não era jogo para poupanças. Era o Porto no Dragão, logo a única ausência seria a do Filipe Diogo por lesão, como mencionado no Capítulo. No final logo se veria como estaria a equipa para a ida à Luz. Um jogo de cada vez.
 
Pois bem, foi um daqueles jogos. Sabem, daqueles que começam a ser hábito na Cidade Invicta: muito equilibrado e disputado, com poucas ocasiões de parte a parte. Por isso não me admirou minimamente que tenhamos chegado à vantagem num golo algo fortuito.
 
 
 
 
V7hG8UN.gif
 
 
 
 
Uma recuperação de bola por parte do maestro Vítor Ferraz e uma rápida desmultiplicação com o Diego Raposo lançado em profundidade, apanhando a defesa do Porto de surpresa. Mérito para a jovem raposa na finalização, de longe e com o seu pior pé, o direito.
 
O Porto também não demorou muito a repor a igualdade e, tal como nós, marcou noutro lance fortuito tirado quase a papel-químico do nosso golo.
 
 
 
 
72KDrsK.gif
 
 
 
 
Este Joel Carvalho, confesso que até este momento não o conhecia. Pelo que percebi é um jogador real (não regen) da formação do Porto. Anda desde o início do save a rodar entre a equipa B e empréstimos, por exemplo no ano passado esteve emprestado ao Tirol, apontando 13 golos.
 
Esta época está finalmente, aos 23 anos, na equipa principal dos dragões e sacou deste belíssimo remate para empatar o jogo.
 
Uso o motor de jogo "prolongado" para ter o máximo possível de feedback dos jogos, mas mesmo assim houve uns cinco ou seis lances entre o golo do empate e o final do jogo. Não aconteceu nada de relevante, apenas uns cantos inconsequentes e alguns remates desconchavados.
 
Voltámos à Margem Sul com um ponto, deixando dois no Porto, o que significava que perdemos o mesmo número de pontos que o Benfica em Janeiro. Fomos à Luz e, como viram, empatámos a zero.
 
O que se segue? Muita coisa. Três dias depois do empate na Luz temos a Meia-Final da Taça da Liga. Se a passarmos, quatro dias depois temos a Final (e se não passarmos, temos jogo no mesmo dia para o campeonato). E quatro dias depois dela, a recepção ao Benfica novamente para a Primeira Liga.
 
Ou seja, teremos sempre três jogos em onze dias pela frente, sendo que já disputámos quatro jogos nos últimos onze dias. As contas são fáceis de fazer e podem imaginar o quão metódico estou a tentar ser na gestão dos jogadores nesta fase.
 
Mas havemos de sobreviver, afinal isto é o Maior da Margem Sul.
 
 
Editado por Black Hawk
  • Like 1

Compartilhar este post


Link para o post

Também desejo vender este comentário para outro save, que preço é que estás disposto a receber por ele?

EDIT: Ouvi dizer que colaste o comentário no balenário para assustr os jogadores. Estou a acusar a pressão mediática.

Editado por Maffu

Compartilhar este post


Link para o post

Excelente jogo na Luz, com o Amora a mostrar que está mais do que pronto para assumir as rédeas na luta pelo título.

Esse lance final poderia ter caído para o teu lado... É mesmo no limite! Honestamente e vendo várias vezes as imagens que nos forneces, também me parece livre. Pena que não tenha entrado.

As contas continuarão na mesma e será uma luta feroz até ao fim!

Bom Natal 🙂

Compartilhar este post


Link para o post

Que se passa com esses jogadores? Fase de empates que contra o SLB mantém-te na luta pelo título, mas são vários jogos em atraso. Feliz Natal.

Compartilhar este post


Link para o post

Pena o empate, sabe a pouco depois do que fizeste em campo. Mas se nem o Diego acertou na baliza... menos um jogo para os pressionares, mas por outro lado também não conseguiram fugir! Continuas com a vantagem de os poder ultrapassar, é focar nisso!

Demasiado mediatismo à volta da tua equipa, não é muito bom... e está a mexer com os miúdos, o que pode ser prejudicial em momentos de maior pressão. Tens de ter mão nesse balneário

Compartilhar este post


Link para o post

Respondendo antecipadamente a todos os votos de Boas Festas, obrigado 🙂

Citação de Maffu, há 22 horas:

Também desejo vender este comentário para outro save, que preço é que estás disposto a receber por ele?

EDIT: Ouvi dizer que colaste o comentário no balenário para assustr os jogadores. Estou a acusar a pressão mediática.

Dou-te um e-bilhete anual na Medideira e uma carsimola autografada do Filipe Diogo. E olha que é de aproveitar, quando for o melhor do mundo valerá muito e-dinheiro!

Citação de Burkina2008, há 13 horas:

Feliz Natal!

Igualmente, meu caro.

Citação de Martini Branco, há 11 horas:

Excelente jogo na Luz, com o Amora a mostrar que está mais do que pronto para assumir as rédeas na luta pelo título.

Esse lance final poderia ter caído para o teu lado... É mesmo no limite! Honestamente e vendo várias vezes as imagens que nos forneces, também me parece livre. Pena que não tenha entrado.

As contas continuarão na mesma e será uma luta feroz até ao fim!

Bom Natal 🙂

Sim, também me pareceu. No FM 22 Mobile acontecem muitos lances destes com faltas ali no limite e o árbitro vai a correr ver no VAR tal como naquele gif. Diria que 19 em cada 20 vezes é assinalado livre e não penalidade.

Aliás, é tão raro isto dar penalidade que durante muito tempo pensei que estivesse configurado para ser sempre livre. A primeira vez que assinalaram penalidade já devia ir na segunda ou terceira época de Primeira Liga e fiquei de boca aberta.

A mesma coisa para golos analisados no VAR. 1 em casa 20 não é anulado. E se calhar estou a ser generoso, que até é capaz de ser em mais de 20.

É um preciosismo que foi mal explorado no 22 Mobile, poderia ser mais aleatório e equilibrado nas decisões para deixar o jogador em suspense.

Citação de cadete, há 11 horas:

Que se passa com esses jogadores? Fase de empates que contra o SLB mantém-te na luta pelo título, mas são vários jogos em atraso. Feliz Natal.

Oh, estão ali nos 21, 22, 23 anos, é a idade em que jovens talentosos já deveriam estar a dar o salto. Não me admira, na verdade esperava que isto tivesse acontecido no Verão.

Não aconteceu, foi uma boa surpresa, tanto que num dos Capítulos dessa altura inventei aquela historieta do pacto do Frodo Zarco com eles. Agora já não dava para evitar.

Honestamente, pelo que vejo no motor de jogo e nas estatísticas dos jogos, a ideia que me dá é que muitos destes jogadores já estão num patamar em que poderiam perfeitamente estar num dos grandes ou até mais.

O Amora nesta altura tem 3,5 estrelas de reputação em 5,0. É pouco, é ao nível do Vitória SC. Somos pequenos para a ambição deles. E é normal, como disse só me espanta que só tenha acontecido agora.

Citação de F. Mota, há 11 horas:

Pena o empate, sabe a pouco depois do que fizeste em campo. Mas se nem o Diego acertou na baliza... menos um jogo para os pressionares, mas por outro lado também não conseguiram fugir! Continuas com a vantagem de os poder ultrapassar, é focar nisso!

Demasiado mediatismo à volta da tua equipa, não é muito bom... e está a mexer com os miúdos, o que pode ser prejudicial em momentos de maior pressão. Tens de ter mão nesse balneário

A mão que posso ter é tentar sossegá-los e chegar a consensos, como fiz com o Manuel Baldé ou o Filipe Diogo - dá para ver nas imagens no Capítulo. São jogadores do Amora a quem o Chelsea, o Real Madrid, o Barcelona e outros que tais estão a bater à porta...

É lidar, tentar aguentar e no Verão preparar a desgraça anunciada que será.

Mas não há problema, que tenho outros prontos a subir. Não tenho falado do Covilhã, o nosso parceiro que tem uns 9 ou 10 jovens nossos, mas eles estão a lutar para subir à Primeira Liga com um onze quase inteiramente do Amora.

Haverá margem para gerir as perdas. Em 2026 saiu meia equipa, parecia um desastre anunciado e depois apareceram estes que agora são cobiçados. Quando eles saírem, aparecerão outros. O projeto é sólido!

Editado por Black Hawk
  • Like 1

Compartilhar este post


Link para o post

Apesar do empate continuas na luta pelo título e enquanto for possível sonhar é isso que tens de mostrar a equipa

  • Like 1

Compartilhar este post


Link para o post

oDSi6qf.jpg

Capítulo LXII - A Gallardeta, parte 2

 

A vaga de frio persistia teimosamente apesar de Janeiro ter dado lugar a Fevereiro.

O vapor expelido por Frodo Zarco a cada expiração era claramente visível no ar frio, como a baforada fumarenta de um dragão prestes a vomitar um jato de fogo. À medida que se aproximava a hora de início de jogo, também o seu ritmo cardíaco subia e mais eram as baforadas que soltava. Estava a ficar ansioso. Aquele era um jogo que poderia ditar o futuro das duas equipas.

O treinador foi aplaudido enquanto percorria a distância até ao banco de suplentes. Retirou as mãos dos bolsos do grosso casaco que vestia para devolver a ovação aos adeptos. Eles eram os verdadeiros heróis. Era noite de quarta-feira, dia 02 de Fevereiro de 2028; o mercúrio dos termómetros recuaram até apontarem temperaturas negativas; lá fora, havia gelo depositado nos vidros dos automóveis estacionados. E, no entanto, ali estavam eles, a encher a Medideira e aquecendo o ambiente com o seu incondicional apoio.

Jogava-se muito naquela noite. O campeonato não ficaria decidido - não ali, não naquele momento. Mas da forma como Amora e Benfica iam prosseguindo as suas campanhas, perdendo tão poucos pontos, aquela era uma oportunidade única de ganhar vantagem na luta pelo primeiro lugar.

O rugido que percorreu a plateia da Medideira denunciou a entrada das equipas em campo. Os dois onzes dos líderes da Primeira Liga percorreram o caminho desde a saída do túnel, no canto entre as bancadas central e norte, até ao meio-campo. Aí aplaudiram os adeptos, despiram os casacos e fizeram alguns exercícios rápidos para fintarem o frio - isto enquanto os capitães Gabriel Capixaba e Gonçalo Ramos decidiam com o árbitro Rui Costa quem escolhia campo e bola.

Ah!, Rui Costa... A nomeação fora polémica. A última vez que apitara um jogo do Maior da Margem Sul, o árbitro necessitou de escolta policial para abandonar o relvado. Fora há pouco mais de um mês, no desafio contra o Sporting, e os adeptos ainda não lhe tinham perdoado a validação de um golo claramente irregular de Rodrigo Ribeiro. Frodo Zarco esteve um mês castigado devido à sua revolta para com essa decisão - castigo que ironicamente havia terminado no dia anterior, pelo que o primeiro jogo no seu regresso seria arbitrado de novo pelo árbitro Rui Costa.

 

5L06rM1.jpeg

A Medideira seria o palco daquele jogo grande - um palco em que o árbitro Rui Costa não era bem-vindo

 

A sua entrada em campo foi brindada com apupos e insultos. Era persona non grata na Medideira, mas de nada valeram as reclamações dos responsáveis do Amora àquela nomeação. Restava esperar que não tivesse influência no decurso do jogo daquela noite. Frodo Zarco, de resto, procurou colocar água na fervura e cumprimentou-o quando subiu ao relvado para o aquecimento das três equipas, pedindo desculpa pelo encontrão e pelas palavras nada simpáticss proferidas há um mês. Não ficaram amigos, mas de nada valeria alimentar rancores - cumprimentaram-se respeitosamente e cada um seguiu o seu caminho.

As escolhas dos capitães foram feitas. Seria o Amora a sair a jogar, atacando para a bancada sul na primeira metade - ou seja, para o lado das claques do Amora. "Espírito Azul" e "Juventude Amorense" puxavam pelos restantes adeptos, cantando há vários minutos uma adaptação da música "Força", a mesma que serviu de hino ao Euro 2004 pela voz de Nelly Furtado, que fazia furor entre os adeptos da Margem Sul.

 

"Força, Amora! Força, Amora!

Força, Amora, que ninguém te vai parar!

 

Força, Amora! Força, Amora!

Força, Amora, com o Frodo vais ganhar!"

 

Frodo Zarco sorriu ao notar que havia uns quantos malucos em tronco nu, agitando bandeiras e batendo nos tambores. Podia estar um frio de rachar, mas nas bancadas da Medideira estava um ambiente escaldante!

O árbitro Rui Costa apitou depois de confirmar que estavam todos a postos. Diego Raposo passou para Vítor Ferraz. Os adeptos reagiram com um uivo coletivo de satisfação. Jogava-se o segundo jogo grande entre Amora e Benfica para a Primeira Liga!

 

WCkKrMs.jpeg

Onze dias depois do empate na Luz, Amora e Benfica voltavam a defrontar-se para a Primeira Liga

 

O Amora assumiu o controlo do jogo nos primeiros minutos. Competia-lhe isso: jogava em casa e era a sua matriz de jogo gerir o ritmo da partida. Era imagem de marca do Maior da Margem Sul.

Além disso, a equipa de Frodo Zarco tinha ganas de vencer. É que muito tinha ocorrido nos onze dias desde o empate no Estádio da Luz.

Benfica e Amora lograram apurar-se para a Final Four da Taça da Liga. Como era comum, esse evento disputava-se na última semana de Janeiro e servia para apurar o novo Campeão de Inverno. Este ano, porém, calhava numa péssima altura para ambas as equipas - precisamente entre os dois confrontos entre elas.

No caso do Amora, o sorteio acabou por ser amigável: os deuses do futebol colocaram o Gil Vicente no caminho do Maior da Margem Sul nas Meias-Finais da prova, evitando dessa forma Benfica e Porto. Frodo Zarco aproveitou para rodar os onze elementos que tinham principiado o desafio na Luz, disputado três dias antes dessa Meia-Final.

Era um risco? Era! Mas a Taça da Liga também era a menor das preocupações do Amora.

 

 

O jogo acabou por tornar-se fácil e até revelou um herói improvável: Roberto Leal. O jovem avançado interior, muitas vezes ignorado pela preponderância de nomes como Filipe Diogo, Gabriel Capixaba e Jéferson, aproveitou a oportunidade para brilhar durante os 90 minutos do desafio. Primeiro, arrancando dois cartões amarelos ao lateral gilista Rafael Ramos ainda nos primeiros 22 minutos de jogo. Mais tarde, apontando ele próprio o golo decisivo que apurou o Amora para a sua terceira final consecutiva na prova.

Benfica e Porto mediram forças para decidir o segundo finalista e foram os dragões quem saíram vencedores. Pelo terceiro ano consecutivo, o Amora defrontaria a equipa treinada por Toni Kroos na final da Taça da Liga.

Em 2026, o Porto venceu no desempate por grandes penalidades; em 2027, o Amora derrotou-os também no desempate da marca dos onze metros. O que reservaria 2028?

 

 

No ano 2028, finalmente, a final foi decidida no tempo regulamentar. Infelizmente para o Amora, a vitória caiu para o seu adversário num jogo muito dividido, acabando decidido em detalhes.

O Amora, campeão em título da prova, perdia a primeira competição interna da temporada.

 

[Deixarei prints, descrições mais detalhadas e alguns gifs destes dois jogos em spoiler no final do Capítulo]

 

O Amora disputou a final da Taça da Liga a 29 de Janeiro. No mesmo dia, aproveitando a eliminação na Meia-Final que deixou essa data vaga no calendário, o Benfica antecipou mais um jogo da Primeira Liga e deslocou-se a Barcelos. A vitória aí alcançada, pela margem mínima, permitiu aos encarnados alargar a liderança para onze pontos - e agora com quatro jogos de diferença para o Amora.

Para este jogo de dia 02 de Fevereiro, o Amora entrou determinado. Por um lado, tinham o orgulho ferido pela derrota na Taça da Liga. Por outro lado, a vitória sobre o Benfica seria fulcral para começar a reduzir a desvantagem na classificação. Sim, o Amora tinha quatro jogos a menos que poderiam servir para recuperar essa desvantagem, mas havia um certo impacto psicológico ao olhar-se para a tabela e ver essa diferença pontual.

Foi por isso com convicção que o Amora assumiu a posse de bola desde o apito inicial. O trio de meio-campo ia gerindo o ritmo, procurando linhas de passe para o sempre dinâmico trio de ataque, muito irrequietos a oferecer linhas de passe e tentando causar rupturas na defesa do Benfica.

Logo aos 7', Gabriel Capixaba surgiu na zona central e atraiu a marcação para permitir um remate frontal de João Carlos Miguel, que saiu à figura de André Gomes. Serviu como primeiro aviso das intenções do Amora, sendo estas reforçadas por nova iniciativa coletiva que permitiu a Jéferson um remate dentro de área que fez os adeptos gritar golo!

Infelizmente, porém, foi apenas ilusão - a bola embateu com violência nas malhas laterais da baliza, para desespero do menino e desilusão dos iludidos adeptos do Maior da Margem Sul.

O Benfica amedrontou-se com a entrada do Amora. Não era claro se por incapacidade ou por instrução do treinador Marcelo Gallardo, mas a Gallardeta encarnada não saía da sua zona defensiva, parecendo acima de tudo interessada em proteger a sua baliza. O jogo entrou num longo período de monotonia em que o Amora tinha mais posse, mas parecia incapaz de furar a bem organizada defensiva lisboeta.

Apenas pela meia hora de jogo surgiu algo de relevante com um remate inesperado de longa distância, por intermédio de Diego Raposo. Os adeptos, enregelados, saltaram dos seus lugares, mas André Gomes estava atento e desviou o esférico para canto. 

 

svPqUuN.gif

João Carlos Miguel deu o primeiro aviso das intenções do Amora...

 

6l1ktH6.gif

... seguido pouco depois por um remate de Jéferson que deu ilusão de golo na Medideira...

 

C18sp8v.gif

... e Diego Raposo tentou surpreender de longe depois de um longo período sem lances ofensivos de relevo

 

A partir da linha lateral, Frodo Zarco tentava corrigir alguns posicionamentos nos lances ofensivos. Gritava para dentro de campo, projetando nuvens de vapor na atmosfera. Já tinha despido o casaco e as luvas já moravam no relvado, do lado de fora da linha lateral. Tal era a sua dinâmica que não admiraria ninguém que, daí a nada, não despisse a camisola e ficasse em tronco nu como os loucos da claque.

Loucos esse que, diga-se, continuavam a apoiar. Tanto os do Amora como os do Benfica. O ambiente nas bancadas era provavelmente mais intenso do que no relvado.

"Benfiiiiica!", gritavam uns enquanto no relvado Jéferson era lançado em profundidade pela esquerda.

"A! Mo! Ra!" Bum! Bum! Bum!, devolviam os da casa enquanto, no terreno de jogo, a defensiva do Benfica aliviou a bola antes que Jéferson lhe chegasse.

"Benfiiiiica!", retorquiam os visitantes, no momento em que o Amora reiniciava o lance ofensivo com Dino Leão a fazer um túnel a Bissouma naquele exato instante.

"A! Mo! Ra!" Bum! Bum! Bum!, ouviam-se os tambores no momento em que Vítor Ferraz recebeu a bola de Dino Leão e sem demoras lançou em Diego Raposo.

A troca de cânticos cessou subitamente e deu lugar a um frisson. Diego Raposo recebera de Vítor Ferraz e serviu Gabriel Capixaba de primeira na área. De repente, o capitão do Amora ganhou espaço bem em zona frontal.

O frisson dos adeptos da casa encheu a Medideira. Gabriel Capixaba puxou a bola para o seu pé esquerdo e disparou. As claques do Amora estavam na bancada atrás da baliza e foram os primeiros a perceber o desfecho do lance.

 

fmXNVxc.gif

O capitão Gabriel Capixaba deu o exemplo e desfez finalmente o nulo na Medideira

 

Ao fim de cento e trinta minutos - noventa na Luz e quarenta na Medideira -, o Amora abria finalmente uma brecha na Gallardeta!

Os festejos foram efusivos e, talvez por isso, a equipa desconcentrou-se. O Benfica saiu a jogar na resposta por Gonçalo Guedes pela esquerda. O extremo encarnado cruzou para a área; Nélson Victor aliviou na direção da linha de fundo.

A equipa do Amora deu o lance por concluído, mas Gonçalo Guedes captou a bola ainda dentro das quatro linhas e cruzou ao segundo poste, encontrando Pedro Pereira sozinho. Apanhados de surpresa, ninguém da equipq da casa conseguiu evitar o remate do jogador do Benfica.

Àquela distância era impossível falhar-se a baliza.

 

kNrpXH1.gif

Pedro Pereira aproveitou a desconcentração amorense para rematar à baliza a curta distância

 

O suspiro de alívio que percorreu a Medideira foi audível até na transmissão televisiva. Valeu ao Amora a tranquilidade de Manuel Baldé. Não só bloqueou o remate como segurou a bola, evitando a recarga de Gonçalo Ramos que, oportuno, já lá aparecia para o efeito.

O intervalo aproximava-se rapidamente. Marcelo Gallardo parecia conformado na sua área técnica, aguardando pelo intervalo para puxar as orelhas aos seus jogadores. Já Frodo Zarco, enérgico como sempre, dava um salto enquanto gritava a Jéferson, que estava do outro lado do campo, como devia jogar mais por dentro do que aquilo que ia fazendo. Jéferson jogava pela esquerda do ataque e era notório como lhe faltavam rotinas a jogar naquele flanco, fazendo-o naquela noite excepcionalmente na ausência de Filipe Diogo, ainda em inferioridade física depois da final da Taça da Liga.

Tão focado estava na sua tentativa de se fazer ouvir que nem notou como o Amora conseguira uma falta em zona frontal já próximo da área do Benfica.

Seria provavelmente o último lance da primeira parte. Foi o próprio Jeferson quem ajeitou a bola, acomodando-a no relvado. Estudando o posicionamento da barreira, falava com Vítor Ferraz ao seu lado. Os dois meninos foram trocando impressões enquanto André Gomes orientava a barreira do Benfica. Os adeptos levantavam-se dos seus lugares, expectantes.

O árbitro Rui Costa deu dois passos atrás e apitou. Jéferson partiu para a bola com toda a pompa, descrevendo movimentos teatrais. Levantou o pé esquerdo e... tocou para o lado.

Aquele toque apanhou toda a gente de surpresa. Foi Vítor Ferraz quem chutou a bola. O toque para o lado tirou a barreira do caminho e o forte disparo do seu pé direito saiu sem oposição rumo ao fundo das redes da baliza de André Gomes. O guardião encarnado ficou especado dois segundos antes de começar a gritar com os seus colegas, revoltado com a ausência de cobertura da sua baliza.

Era tarde demais para o fazer. Os jogadores do Amora já celebravam efusivamente junto aos adeptos atrás da baliza, em êxtase com a vantagem de dois golos obtida no final da primeira parte.

 

GH5PbTC.gif

Jéferson e Vítor Ferraz descobriram uma forma de desfeitear a cobertura defensiva do Benfica

 

"Malta, o Benfica é muito forte, eles não estão na liderança do campeonato por acaso. Isto está longe de estar ganho! Concentração! Cabeça! Não lhes podemos dar qualquer margem para ganharem ímpeto, quando eles embalam é quase impossível pará-los!"

Frodo Zarco procurou avisar a sua equipa para os riscos do resultado. Sim, é melhor estar a vencer por dois golos do que por apenas um, e muito melhor do que não estar a vencer de todo. Mas o resultado era perigoso: poderia dar uma falsa sensação de segurança que levasse a equipa a relaxar demasiado.

Bastava um golo do Benfica para tudo tremer. E isso não podia acontecer!

Não estava enganado. O Benfica cresceu no segundo tempo e mostrou-se muito mais próximo da versão que lhes valeu o epíteto de Gallardeta. A posse de bola equilibrou e os encarnados construíram alguns lances ofensivos que iam fazendo Frodo Zarco encolher instintivamente os dedos dos pés dentro dos seus sapatos, numa reação natural de ansiedade.

Felizmente, a equipa escutou-o no balneário e demonstraram toda a sua personalidade em campo. Apesar de tudo o que o Benfica lhes atirou para cima, resistiram sem quebras posicionais ou emocionais. Ocasionalmente, não deixavam até de lançar venenosos ataques rápidos para colocar o Benfica em sentido, de tal forma que foi Gabriel Capixaba quem dispôs da melhor ocasião de golo da segunda parte!

 

6mvkr5z.gif

Gabriel Capixaba teve nova oportunidade para molhar o biscoito durante o segundo tempo

 

O jogo parecia tão seguro que Frodo Zarco começou a ponderar rodar jogadores com base na gestão dos índices físicos dos seus homens. Vítor Ferraz foi o primeiro a ser substituído, entrando para o seu lugar o promissor Bernardo Castanheira.

Nem de propósito, o menino saía a jogar para mais um lance ofensivo do Maior da Margem Sul. Os adeptos empolgaram-se; queriam mais um golo!

Bernardo Castanheira leu o jogo e percebeu que não tinha linhas de passe para a frente. Não teve receios em jogar seguro atrás em Manuel Díaz, mesmo que os adeptos não tivessem gostado da sua decisão. O central espanhol recebeu e de imediato procurou soluções para sair a jogar.

Tal era a confiança que nem se apercebeu da proximidade de Darwin Nunez. O uruguaio surgiu quase do nada; Manuel Díaz assustou-se, hesitou e tentou voltar atrás, mas era tarde demais. Darwin roubou-lhe a bola e lançou-se na direção da baliza. Nélson Victor foi na dobra, mas não a tempo de impedir o remate.

A bola saiu forte, mas pouco colocada. Manuel Baldé fez a mancha e bloqueou o remate. A bola sobrou para um espaço vazio e foi novamente Darwin o mais lesto a atacá-la. Nélson Victor atirou-se em desespero para interceptar a conclusão.

Foi um esforço infrutífero.

 

6N026y8.gif

Um erro pouco comum de Manuel Díaz relançou o jogo na Medideira

 

Desde que adquiriu o clube em 2021, Bilbo Himura lançou diversas iniciativas para recuperar o bairrismo na Cidade de Amora em torno do Amora Futebol Clube. Resultara até certo ponto: havia uma geração mais jovem que torcia pelo Amora como seu clube do coração. Mas era uma minoria; a maioria dos adeptos do Amora ainda eram aquilo a que na gíria se chamam tuttis, isto é, adeptos que torciam por um dos grandes e pelo Amora nas horas vagas.

Isso ficou dolorosamente evidente quando Darwin Nunez reduziu o marcador. Um pouco por toda a Medideira soaram gritos de golo que mostravam como havia adeptos do Benfica até entre os sócios do Amora portadores de lugares anuais. Havia ainda um longo caminho a percorrer.

O Benfica ganhou ânimo e partiu para quinze minutos finais sufocantes. Nem vale a pena tentar suavizar o discurso: o Amora tremeu como varas verdes. A Gallardeta empurrou o Maior da Margem Sul para o seu último reduto e carregou com tudo o que tinha.

Já decorria o tempo de compensação quando o Amora finalmente afastou a pressão e esticou-se até à área contrária, conquistando um pontapé de canto. Respiraram de alívio os adeptos do Amora - pelo menos os que torciam pelo Amora.

Frodo Zarco gritava para os seus jogadores conservarem a bola longe da baliza. Ficou furioso quando Gabriel Capixaba, não o ouvindo, bateu direto na área. A defesa do Benfica aliviou, Bernardo Castanheira foi ao ressalto e tentou dar num colega, mas um adversário interceptou a bola.

Imaginem quem? Pois, Darwin Nunez. O avançado uruguaio lançou rapidamente o contra-ataque e João Resende já lá ia numa situação de um para um com Rodrigo André.

Frodo Zarco corria desvairado na sua área técnica. Em toda a sua carreira de treinador, nunca tinha ganho ao Benfica e já por diversas vezes perdeu pontos frente aos encarnados em lances de contra-ataque nos descontos. A corrida de João Resende, ultrapassando a linha do meio-campo naquele momento, fê-lo reviver sombras e pesadelos de outras temporadas.

Aquilo não podia estar a acontecer! De novo?

João Resende puxou a bola para dentro, apanhando Rodrigo André em contrapé, e abriu na direita para a correria desenfreada de Darwin Nunez.

Frodo Zarco estacou, petrificado, enquanto os urros de regozijo nas bancadas o envolviam.

 

PlPDBgj.gif

O Amora cedeu a bola infantilmente ao Benfica, proporcionando-lhes um contra-ataque nos descontos

 

Darwin Nunez gritou com o colega de equipa, irritado com a sua decisão, sendo acompanhado pelas reações desoladas do banco do Benfica que já invadia o relvado antevendo o golo.

Já Frodo Zarco, esse limitou-se a virar costas na direção do banco, sentando-se no seu lugar com a cara escondida pelas suas mãos. Perdera anos de vida à conta daqueles trinta segundos!

Os adeptos do Amora, refeitos do susto, voltaram a cantar. A vitória estava praticamente assegurada! Seria a primeira sobre os encarnados em mais de quarenta e seis anos. A 20 de Setembro de 1981, Amadeu marcou o golo solitário que valeu a única derrota do Benfica às mãos do Amora. Nesta noite, a 02 de Fevereiro de 2028, o Amora voltaria a vencer o Benfica!

Quando o árbitro Rui Costa apitou pela última vez, a festa que se fez na Medideira ficaria para a história. A Gallardeta foi derrotada pelo Maior da Margem Sul!

 

 

O Amora reduzia a desvantagem na classificação novamente para oito pontos, mas agora com quatro jogos em atraso para o Benfica. Feitas as contas, significava uma potencial liderança teórica de quatro pontos na Primeira Liga - assim o Maior da Margem Sul vencesse os seus jogos em atraso!

Depois de recuperar a respiração e acalmado o ritmo cardíaco, Frodo Zarco pôde respirar fundo. Era uma homem feliz!

Janeiro foi um mês duríssimo. Os seus jogadores sofreram com a pressão mediática, os rumores de interesses e abordagens de outros clubes. Foram à Luz e ao Dragão. Disputaram a Final Four da Taça da Liga, perdida na final e que poderia ter causado uma crise de confiança.

Esta vitória era uma resposta de campeão a esse desaire. Janeiro terminou, o mercado fechou sem perdas de elementos na equipa e o Amora saía ainda em melhor posição na Primeira Liga do que aquela em que estava há um mês.

Todos finham noção da importância daquele resultado. Os festejos entre equipa e adeptos refletiam isso mesmo. Todos juntos, em grupo, agradeciam e cantavam com a massa adepta que não abandonava a Medideira.

 

"Força, Amora! Força, Amora!

Força, Amora, que ninguém te vai parar!

 

Força, Amora! Força, Amora!

Força, Amora, com o Frodo vais ganhar!"

 

E Frodo cantava a plenos pulmões com os seus meninos, extenuados mas felizes, em simultâneo com os adeptos.

Faltava muito campeonato, mas estavam bem lançados. Os jogos com o Benfica estavam feitos, o Amora tinha vantagem no confronto direto e agora era fazer o mesmo nos treze jogos que restavam.

Mas não se pense que a história entre Amora e Benfica terminou nessa noite de 02 de Fevereiro.

Não! Os deuses do futebol tinham reservado uma surpresa inesperada.

 

nirONw3.jpeg

 

Haveria mais para dizer quanto ao duelo particular entre Marcelo Gallardo e Frodo Zarco, mas isso ficará para outra altura.

Por agora, o Amora festejava uma muito aguardada vitória sobre o Benfica e sonhava em fazer o impossível.

 

#MaiorDaMargemSul #CoracaoDeAmora #FazeroImpossivel

 

 

[Em spoiler, a Final Four da Taça da Liga]

Esta temporada, ao contrário do que é habitual não dediquei um Capítulo para a Final Four da Taça da Liga. Já não o tencionava fazer à partida, e depois de perder a final menos interessado fiquei.

A verdade é que até ao ano passado esta prova era importante numa perspectiva de crescimento da equipa, mas depois de a vencermos, de já termos duas Taças de Portugal conquistadas, de termos disputado a Liga dos Campeões e estarmos a lutar pelo título... esta Taça sabe a pouco.

Seja como for, e como costumo fazê-lo para todos os jogos da temporada, aqui estão os dois jogos.

 

Taça da Liga - Meia-Final

rlWCFIc.jpeg

Relatório do jogo

 

Este jogo disputou-se três dias depois da ida à Luz. Se vencesse, teria daí a quatro dias a final; se não vencesse, teria daí a quatro dias jogo para a Primeira Liga. Por estes motivos, rodei os onze jogadores que fizeram parte do onze na Luz.

A estrela do jogo foi o Roberto Leal. Recentemente recuperado da lesão que o afastou dos relvados durante cerca de um mês, o menino brilhou. Sofreu as duas faltas que valeram a expulsão por acumulação de amarelos do lateral Rafael Ramos e marcou o golo decisivo.

 

71CJU44.gif

 

O jogo foi o mais tranquilo que se possa imaginar. O Gil Vicente não criou uma ocasião de golo digna desse nome, poderíamos ter vencido por mais, mas não calhou. Foi mais um jogo ganho pela margem mínima, começa a ser tradição em Janeiro. Deve ser do ar frio.

Com o apuramento para a final, o nosso jogo da Primeira Liga foi adiado e os jogos em atraso em relação ao Benfica passaram de três para quatro. Já vi no calendário que os vamos recuperar em Fevereiro. Vai ser giro!

 

Taça da Liga - Final

Xu3KxTJ.jpeg

Relatório do jogo

 

A final. Desta vez fui com a melhor equipa; por menor que seja a importância que dou à Taça da Liga, não deixa de ser um troféu.

 

Rr35MUx.jpeg

 

Este jogo seguiu a tendência do outro recente confronto com o Porto, para a Primeira Liga. Foi equilibrado, como o demonstram as estatísticas - que têm uma curiosidade, aparentemente fizemos zero remates num jogo em que marcámos um golo, e que não foi auto-golo.

Não perguntem, também não sei.

Foi um jogo estranho. O Porto marcou dois golos fortuitos. Não é que tenham tido sorte, mas foram golos estranhos.

 

Qf7FFha.gif

 

Neste, por exemplo, a bola caiu ali à frente do guarda-redes com a minha defesa a dormir, o gajo cabeceou a bola e esta sobrevoou o Iuri Lourenço. É muito raro no Mobile verem-se golos de chapéu, e mais raro ainda chapéus de cabeça.

Bem, o jogo prosseguiu e o Diego Raposo empatou ainda na primeira parte. Um bom lance entre o Dino Leão, o Vítor Ferraz e a jovem raposa.

 

fhNTspf.gif

 

A bola parece tabelar no central do Porto, talvez por isso não tenha contado como remate à baliza. É um pouco estranho, mas siga.

O resto do jogo foi uma banhada. Estivemos muito longe do nível habitual. Não nos superiorizamos na posse de bola nem nos remates. Não acertamos mais nenhuma vez na baliza adversária. Foi um dia mau... que se tornou pior já na reta final.

 

K6P51jG.gif

 

Da forma como isto estava a decorrer, pensei mesmo que fosse a penalidades, mas depois caiu este golo.

Não sei explicar o que aconteceu. Cruzamento para a área, o Nélson Victor aliviou mal e por qualquer motivo aleatório os restantes defesas já tinham subido vários metros e deixaram-no sozinho. Novo cruzamento e meu menino deixou o adversário receber, rodar e rematar.

Ninguém ficou bem na fotografia, se fosse dado a teorias da conspiração diria que o Mobile fez de propósito para perder. Como sou dado a teorias da conspiração no que ao FM diz respeito, acho que o Mobile fez de propósito para perder 😄

Ainda tínhamos dez minutos para empatar. Na época passada empatámos nos descontos para vencer nas penalidades, mas desta vez nem perto disso estivemos.

Foi um dia mau. Pelo menos que o dia mau seja na Taça da Liga e não no campeonato.

  • Like 1

Compartilhar este post


Link para o post

Por tua sorte, o Resende não sobe fazer um passe a Medida. Tivesse tido uma Medideira... 👀

Compartilhar este post


Link para o post

Grande vitória contra o Benfica que permite sonhar em seres lider se venceres os jogos em atraso mas primeiro é preciso reunir as tropas para estarem concentrados para a luta até ao fim.

Compartilhar este post


Link para o post

Excelente e justa vitória na receção ao Benfica, na Medideira! Ganhas vantagem no confronto direto, o que poderá acabar por ser decisivo nas contas finais. Tens menos 4 jogos do que o Benfica e em condições normais, saltarás para o topo da classificação.

Pena que não tenhas conseguido bater o Porto na final da Taça da Liga. A Taça ficaria muito bem no Museu do Clube.

Compartilhar este post


Link para o post

Grande jogo, que a tua equipa fez questão de complicar um bocadinho com alguns erros: primeiro o Diaz adormece, depois uma perda de bola parva nos descontos... o Benfica é a ultima equipa contra quem queres estar a cometer estes erros!

Felizmente deu tudo certo e caiu para o teu lado! Agora é fazer o teu trabalho nos 4 jogos em atraso e garantir que te voltas a sentar no trono da primeira liga portuguesa!

Compartilhar este post


Link para o post

Estas duas atualizações iam provocando um ataque de ansiedade para estes lados. O que vale é que até a versão da musica da Nelly Furtado, cantei...

Tenho imensas coisas para dizer/perguntar, que vou acabar por me esquecer de algo.

Esse mês de Janeiro foi qualquer coisa... O Zarco já fez formação de como lidar com o grupo em relação a propostas recusadas ahah Também noto essas quebras quando os jogadores andam preocupados.

Esse primeiro jogo com o Benfica faltou mesmo o golito mas estava destinado a terminar a zeros.

Notas grande diferença em ver o jogo "prolongado"? Sentes que te dá informação importante para que possas mexer?

Já que estamos numa de diferenças: penso que começaste o save a usar o Avançado Recuado e só depois passaste para Avançado Pressionante. O que tens a dizer?

No segundo jogo, pontaria mais afinada mas não o suficiente para escapar do susto. Pode-se dizer que o Resende virou o Darwin português naquele lance ahah

Que raio, ainda faltam duas gallardetas.

Percebo o afastamento sobre a taça da liga, enquanto somos pobres é sempre bom ganhar algo. Quando viramos "ricos" só queremos pensar noutros voos.

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Maffu, há 23 horas:

Por tua sorte, o Resende não sobe fazer um passe a Medida. Tivesse tido uma Medideira... 👀

7/10, não foi das piores 😄

Citação de Banks29, há 23 horas:

Grande vitória contra o Benfica que permite sonhar em seres lider se venceres os jogos em atraso mas primeiro é preciso reunir as tropas para estarem concentrados para a luta até ao fim.

O mercado entretanto fechou, agora só no final da época é que voltam os rumores. Pode ser que a miudagem acalme e se concentre em jogar à bola.

Citação de Martini Branco, há 5 horas:

Excelente e justa vitória na receção ao Benfica, na Medideira! Ganhas vantagem no confronto direto, o que poderá acabar por ser decisivo nas contas finais. Tens menos 4 jogos do que o Benfica e em condições normais, saltarás para o topo da classificação.

Pena que não tenhas conseguido bater o Porto na final da Taça da Liga. A Taça ficaria muito bem no Museu do Clube.

Opa, sabes o que é mais engraçado e aproveito para responder antecipadamente ao que o @Kluivert também referiu, nesta história da Taça da Liga?

É que nos primeiros dois jogos, os da fase de grupos, rodei toda a equipa e não me importei com os resultados. Se perdesse, perdia - ganhei.

Na Meia-Final, rodei outra vez os onze titulares porque havia jogos mais importantes, se perdesse, perdia - ganhei.

Na Final, já que lá estava, queria ganhar e fui com tudo - perdi.

Ironias do destino. Se soubesse tinha ido outra vez com as segundas linhas todas, até foram eles quem levou a equipa até lá. Se calhar na próxima época faço isso mesmo.

Citação de F. Mota, há 5 horas:

Grande jogo, que a tua equipa fez questão de complicar um bocadinho com alguns erros: primeiro o Diaz adormece, depois uma perda de bola parva nos descontos... o Benfica é a ultima equipa contra quem queres estar a cometer estes erros!

Felizmente deu tudo certo e caiu para o teu lado! Agora é fazer o teu trabalho nos 4 jogos em atraso e garantir que te voltas a sentar no trono da primeira liga portuguesa!

E são erros pouco comuns, como demonstra o registo de golos sofridos no campeonato. Atribui isto à pressão do jogo e de o adversário ser muito mais forte que o habitual. Já com o Sporting, o Manuel Baldé fez aquele disparate, é certo que num lance em que era fora-de-jogo, mas foi um disparate à mesma.

A equipa é jovem e acusa a pressão nestes momentos. Faz parte do processo, são dores de crescimento, diria.

Citação de Kluivert, há 1 hora:

Estas duas atualizações iam provocando um ataque de ansiedade para estes lados. O que vale é que até a versão da musica da Nelly Furtado, cantei...

Tenho imensas coisas para dizer/perguntar, que vou acabar por me esquecer de algo.

Esse mês de Janeiro foi qualquer coisa... O Zarco já fez formação de como lidar com o grupo em relação a propostas recusadas ahah Também noto essas quebras quando os jogadores andam preocupados.

Esse primeiro jogo com o Benfica faltou mesmo o golito mas estava destinado a terminar a zeros.

Notas grande diferença em ver o jogo "prolongado"? Sentes que te dá informação importante para que possas mexer?

Já que estamos numa de diferenças: penso que começaste o save a usar o Avançado Recuado e só depois passaste para Avançado Pressionante. O que tens a dizer?

No segundo jogo, pontaria mais afinada mas não o suficiente para escapar do susto. Pode-se dizer que o Resende virou o Darwin português naquele lance ahah

Que raio, ainda faltam duas gallardetas.

Percebo o afastamento sobre a taça da liga, enquanto somos pobres é sempre bom ganhar algo. Quando viramos "ricos" só queremos pensar noutros voos.

A música é catchy, não é? Apanhei-a a dar na rádio durante o Mundial e dei por mim a cantarolar "Força, Amora" na parte do "Como uma força", andava já há uns tempos a tentar encontrar o momento de introduzir isto na história.

Ora toma o teu "hear worm" do dia:

 

"Força, Amora! Força, Amora!

(Como uma força, como uma força)

Força, Amora, que ninguém te vai parar!

(Como uma força que ninguém pode parar)

 

Força, Amora! Força, Amora!

(Como uma força, como uma força)

Força, Amora, com o Frodo vais ganhar!

(Como uma fome que ninguém pode matar)

 

Amora! Amora! Amora! Amora!

(Força! força! Força! força!)

 

O Maior da Margem Sul!

(Mais perto do céu)

O Maior da Margem Suuuuul!

(Mais perto do céééééu!)

 

"Força, Amora! Força, Amora!

(Como uma força, como uma força)

Força, Amora, que ninguém te vai parar!

(Como uma força que ninguém pode parar)

Amora!

(Força!)"

 

"Força, Amora! Força, Amora!

(Como uma força, como uma força)

Força, Amora, que ninguém te vai parar!

(Como uma força que ninguém pode parar)

 

Amora!

(Força!)"[/i]

 

...

Podia utilizar o cérebro para tanta coisa útil e dá-me para isto. Enfim.

Noto diferença e ajuda-me imenso. O motor de jogo em "momentos chave" tem tendência a mostrar lances em que as dinâmicas ofensivas decorrem bem, mas eu quero ver quando correm mal para perceber o quê, e onde, melhorar. Há pequenos detalhes que só mesmo no "prolongado" é que os apanho, desde a forma de jogar de cada elemento (se se escondem do jogo, se dão linhas de passe, cenas assim) à ligação entre os sectores (se os jogadores tendem a acumular-se e anulam-se, se há espaço para explorar e não o estamos a fazer, cenas nessa linha).

O avançado pressionante é mesmo aquilo que eu pretendo num ponta-de-lança. Alguém dinâmico, que pressiona a defesa adversária sem bola, mas que com bola recua no terreno, deriva para os lados, dá linhas de passe aos colegas, e depois disto ainda vai a correr para atacar zonas de finalização.

O avançado recuado faz a parte de oferecer linhas de passe, mas é muito menos agressivo no resto e tende a acomodar-se entre os centrais quando não temos a bola.

Isto depois é tudo muito relativo. Se for para eu recuar linhas e esperar pelo adversário, o avançado recuado até se enquadra bem para deixar o adversário trocar a bola longe da nossa área. Mas como eu gosto de recuperar a bola rapidamente para gerir o ritmo do jogo (é por isso que tenho a linha defensiva tão subida, que é para não dar espaço ao adversário para terem posse e sufocá-los logo que tenham a bola), o avançado pressionante obriga os centrais adversários a pensar rápido - e como tenho a linha defensiva subida e a equipa muito compacta em campo, eles muitas vezes ficam sob pressão do avançado pressionante e sem linhas de passe, despacham nas costas da minha defesa e os meus centrais recuperam a bola (e é essa também a explicação para os meus centrais terem de ser rápidos).

Não sei se me fiz entender, a mim isto é evidente porque foi algo que fui desenvolvendo com o tempo de jogo, mas explicá-lo por escrito pode soar confuso.

Compartilhar este post


Link para o post

Isso está se tornando num clássico do futebol português, estes confrontos contra o Benfica. Esses erros defensivos quase custaram a vitória nesse grande confronto, mas sais mais perto do 1° lugar. Pena não seres campeão de Inverno. 

  • Like 1

Compartilhar este post


Link para o post

oDSi6qf.jpg

Capítulo LXIII - O tricentésimo jogo

 

As mais de catorze mil almas que enchiam a Medideira levantaram-se para o aplaudir efusivamente.

Era dia de celebração na Cidade de Amora. Frodo Zarco recebeu o troféu das mãos do seu amigo Bilbo Himura, rindo-se de algo que ele lhe disse, e ergueu-o com a sua mão direita, exibindo-o para as bancadas.

 

"Força, Amora! Força, Amora!

Força, Amora, com o Frodo vais ganhar!"

 

O cântico surgiu natural e espontaneamente entre os adeptos. Era justo que assim fosse; afinal, eram trezentos jogos como treinador principal do Amora Futebol Clube.

Frodo Zarco cumpria a sua sétima temporada ao comando do Maior da Margem Sul. Durante esses sete anos guiou o modesto clube da Margem Sul à Primeira Liga, conquistando títulos de campeão da Liga 3 e da Segunda Liga. Alcançou a glória no Jamor, erguendo por duas vezes a Taça de Portugal, e celebrou o título de "Campeão de Inverno" numa ocasião ao vencer a Taça da Liga.

O reconhecimento dos adeptos - da sua gente, dos seus conterrâneos, familiares e amigos de infância - tocou-lhe fundo na alma. Continha a custo uma lágrima teimosa que ameaçava brotar a qualquer momento. Para o evitar, decidiu acelerar aquela cerimónia e correr para o banco de suplentes.

O pequeno palco improvisado foi desmontado do relvado e os jogadores entraram por fim em campo. Era hora de passar a coisas mais sérias. Era bonito ser homenageado, mas havia coisas mais importantes em que pensar naquele momento.

 

Zv4x3OQ.jpeg

O Amora, com várias mexidas no onze, recebia o Paços de Ferreira em jogo a contar para a 28ª jornada da Primeira Liga - embora fosse apenas o 27º jogo do Maior da Margem Sul

 

Na verdade, Frodo Zarco tinha mais com que se preocupar do que o número de jogos por si orientados na carreira.

Tinham passado apenas vinte e quatro dias desde a vitória sobre o Benfica. São apenas três semanas e alguns pozinhos, tempo a que correspondeu a disputa de quatro jornadas da Primeira Liga. Mas não para o Amora. Como se recordarão, a equipa de Frodo Zarco tinha quatro jogos em atraso. Essa discrepância teria de ser acertada eventualmente e, numa decisão de génio da Liga Portugal, duas dessas partidas foram encafuadas no mês mais curto do calendário.

Resultado prático disto é que o Amora enfrentou um ciclo infernal de sete jogos, começando com o do Benfica a 02 de Fevereiro e terminando com o desta tarde de 26 de Fevereiro, em exatamente vinte e cinco dias.

E o pior é que o ciclo de Fevereiro não era, na verdade, um novo ciclo. Era mais a continuação de uma outra alucinante sequência de jogos consecutivos que já vinha de Janeiro. Desde o dia 03 de Janeiro, aquando do empate em Portimão, que o Amora jogava a cada três ou quatro dias. Quando o jogo frente ao Paços de Ferreira terminasse, seria o décimo quinto jogo em menos de dois meses.

A sequência de jogos prosseguiu logo após a vitória sobre o Benfica. O Amora deslocou-se a Guimarães apenas quatro dias depois de derrorar a Gallardeta encarnada para enfrentar a outra equipa sensação da temporada.

 

Primeira Liga - 25ª Jornada (Jogo 22 do Amora): Vitória SC v Amora

O Amora, acabado de derrotar o Benfica, foi a Guimarães sabendo que só a conquista dos três pontos permitiria fazer valer a vitória sobre a Gallardeta encarnada. Esperava-se um jogo difícil, ou não fosse o Vitória o 4º classificado da Primeira Liga.

Foi por isso sem poupanças que o Maior da Margem Sul entrou no Estádio D. Afonso Henriques. Embalados pela recente vitória, os meninos de Frodo Zarco sufocaram os vimaranenses nos primeiros minutos e acabaram por recolher o prémio desse ímpeto inicial quando Zaidu [esse mesmo] teve um desvio infeliz para a sua própria baliza, após um canto marcado por Filipe Diogo.

O Amora não levantou o pé do acelerador. Depois de vários lances de ataque promissores, Vítor Ferraz encontrou Gabriel Capixaba sozinho no coração da área e o capitão amorense fuzilou o guarda-redes Inaki Pena, colocando a diferença nos dois golos.

Qualquer réstia de esperança que o Vitória acalentasse em relançar o jogo ruiu no início da segunda parte. O inevitável Diego Raposo, oportuno como sempre, foi lesto a reagir a uma defesa incompleta de Inaki Pena a remate de João Carlos Miguel e encostou para a baliza deserta.

Depois do terceiro golo, o Amora entrou em gestão de esforço. Haveria muitos jogos para disputar nas próximas semanas, incluindo uma incómoda deslocação a Famalicão daí a quatro dias. O Vitória aproveitaria para reduzir a desvantagem, mas foi o mais próximo que esteve de reentrar no jogo.

 

 

Três pontos conquistados num terreno sempre difícil e sem lesões a assinalar. A operação "Assalto ao Castelo" foi um sucesso.

Em Lisboa, o Benfica recebeu e derrotou o Paços de Ferreira por duas bolas sem resposta, mantendo a diferença pontual para o Maior da Margem Sul.

 

Primeira Liga - Jogo em atraso (Jogo 23 do Amora): Famalicão v Amora

O Famalicão pode estar longe da performance de outras temporadas em que andava engalfinhado entre os grandes, encontrando-se agora perdido a meio da tabela, mas jogar no seu terreno é sempre um pesadelo. Frodo Zarco manteve a base da sua equipa, rodando apenas os dois laterais. Era para ir com tudo!

Isso, perceberia o treinador depois do jogo, foi um erro.

Famalicão e Amora entraram a todo o vapor na partida. O jogo quebrou cedo e sucederam-se ataques e contra-ataques, resultando em dois golos madrugadores, um para cada equipa - ambos anulados após análise do VAR.

O ritmo do jogo era caótico e impossível de se manter durante os noventa minutos. Era uma questão de saber quem o acusaria primeiro. Lá está, adivinharam: partiu para o lado do Amora que, sobrecarregado pela sequência alucinante de jogos, foi perdendo preponderância à medida que o tempo foi avançando no cronómetro.

A equipa de Frodo Zarco não conseguiu gerir o jogo como era seu apanágio - acabaria até com menos posse de bola que o adversário. Os jogadores não pareciam ter fôlego para ultrapassar a bem organizada defesa famalicense. E tudo ficou pior quando Mario González abriu o ativo já na reta final.

Sem fôlego e a perder, a invencibilidade do Amora na Primeira Liga parecia a minutos de ser derrubada quando João Carlos Miguel sacou de um golo tão milagroso como inesperado já no período de compensação. Numa fase em que já o central Manuel Díaz se juntara a Diego Raposo e Théo Lameira na área adversária - o Amora terminou num desenho parecido a um 2-3-5 -, um remate de Filipe Diogo foi interceptado por um defesa e o ressalto caiu mesmo em frente a João Carlos Miguel.

O menino não se fez rogado e disparou com toda a alma. A bola só parou nas redes da baliza.

O Amora ainda se lançou para uma última vaga em busca da remontada, mas o empate foi o melhor que conseguiu repescar daquele jogo.

"Considera que perdeu dois pontos ou que conquistou um?", questionou um jornalista a Frodo Zarco no final da partida. Não soube responder - e provavelmente só no final da temporada teria uma resposta para dar a essa questão.

[Infelizmente não gravei o matchcast deste jogo na pasta para lhe aceder mais tarde e partilhar o gif de um golo que celebrei como um louco]

 

 

O empate em Famalicão permitiu reduzir a desvantagem em relação ao Benfica para sete pontos, mas agora com apenas três jogos em atraso.

 

Primeira Liga - 26ª Jornada (Jogo 24 do Amora): Amora v Famalicão

Não, não se trata de um erro: três dias depois de disputar em Famalicão um dos jogos em atraso, o Amora recebia-os na Medideira. Maravilhas da calendarização da Liga Portugal [ou do Mobile...].

Frodo Zarco aprendeu com o erro cometido no jogo anterior e, desta vez, apresentou várias novidades no onze inicial. Nélson Victor deu o seu lugar ao jovem Vitorino Aranha no centro da defesa; os trios do meio-campo e do ataque contavam com novas unidades em todas as posições.

As trocas não poderiam servir de desculpa, até porque todas as segundas linhas do Amora tinham acumulado bastante tempo de jogo ao longo da temporada. Além disso, não era só o Amora a fazê-lo; o Famalicão também jogara três dias antes e foi obrigado a proceder a alguma rotação.

O Amora sabia que o Benfica já vencera. A Gallardeta foi a Santa Maria da Feira golear o Feirense por três golos, pelo que o Amora não poderia ceder pontos no seu reduto. E, no entanto, foi o Famalicão a abrir o ativo. Evanilson [esse, sim] surgiu isolado nas costas da defesa e deu seguimento a um dos seus passatempos favoritos: marcar ao Amora. Nos seus tempos de jogador do Porto, o avançado brasileiro apontou vários tentos contra o Maior da Margem Sul e necessitou apenas de quinze minutos e uma oportunidade para gelar a Medideira.

A primeira parte tornou-se um pesadelo para Frodo Zarco. Fosse o ruir da confiança pelo golo sofrido, a pressão do momento ou falta de rotinas do onze em campo, o Amora não criou perigo ao longo de todo o primeiro tempo do jogo. Perdia e perdia bem ao intervalo.

É nas alturas adversas que se identificam os verdadeiros campeões e emergem os grandes líderes. O Amora tinha um em campo: o subcapitão Martim Maia. Ele é um dos resistentes no plantel do primeiro treino orientado por Frodo Zarco há quase sete anos, acompanhando-o ao longo dos seus trezentos jogos. Poderia ter perdido a titularidade para Dino Leão, mas a sua voz era respeitada no balneário e a sua liderança em campo era inegável.

Aos 51', Martim Maia resolveu assumir ele a responsabilidade de levar a equipa em frente, pegou na bola, encheu o peito de ar e...

 

9xsL1J2.gif

Enorme momento de inspiração individual de Martim Maia, nessa tarde portador da braçadeira de capitão

 

... foi à bomba que Martim Maia deu o repto aos seus colegas. A partir daí tudo mudou. O Amora, que ao intervalo tinha apenas quatro remates feitos, terminaria o jogo com dezanove!

A reviravolta no marcador foi consumada por Diego Raposo apenas três minutos depois de ter sido lançado em campo, e a própria jovem raposa consolidou a vitória ao bisar na partida pouco antes da meia hora da segunda parte.

Respirando fundo pela primeira vez nessa tarde, Frodo Zarco procedeu a alguma rotação nas duas substituições que lhe restavam. A equipa também baixou o ritmo e, como consequência, o Famalicão reduziu no último lance do jogo.

A vitória estava assegurada, três pontos conquistados numa segunda parte de luxo após quarenta e cinco minutos oferecidos ao adversário na primeira metade do jogo.

 

 

Como já referido, o Benfica trucidou o Feirense e mantinha a sua vantagem pontual de sete pontos com três jogos a mais na classificação.

 

Primeira Liga - 27ª Jornada (Jogo 25 do Amora): Penafiel v Amora

Cenário raro! O Amora dispôs de um intervalo de quatro dias inteiros entre jogos para poder preparar a deslocação a Penafiel - o jogo foi disputado ao quinto dia!

Era uma jornada na qual o Amora reservava algumas esperanças. O Maior da Margem Sul recebia o Penafiel na sexta-feira e, vencendo, poderia legitimamente aspirar a recuperar pontos ao Benfica. É que, nessa jornada, os encarnados recebiam o Sporting para mais uma edição do Derby Eterno.

Frodo Zarco repetiu a titularidade de muitas das segundas linhas que haviam disputado a partida contra o Famalicão cinco dias antes, montando um onze misto entre habituais titulares e segundas linhas. A ideia passava por apresentar um onze forte e fresco em todos os três jogos que faltavam em Fevereiro, evitando o choque de uma rotação completa do onze.

Uma dessas segundas linhas que repetia a titularidade era Bernardo Castanheira. O menino crescia em preponderância e aproveitava cada oportunidade para justificar a sua presença no plantel, tentando sair da sombra do maestro Vítor Ferraz. Aos 4' de jogo, assumiu a marcação de um livre direto em zona frontal e disparou com o seu mágico pé esquerdo, fazendo a bola resvalar na barra molhada pela chuva antes de entrar dentro da baliza penafidelense.

Uma execução técnica primorosa para ver e rever.

 

AYegFMl.gif

Bernardo Castanheira a mostrar a magia da sua canhota em Penafiel

 

O Penafiel não causou sobressaltos ao Maior da Margem Sul. Foi com naturalidade que Diego Raposo dilatou a vantagem no marcador no início da segunda parte, desviando de cabeça ao primeiro poste um cruzamento milimétrico do lateral Rodrigo André, selando o destino dos três pontos.

Mantendo a (má) tendência dos últimos jogos, o Amora permitiu ao adversário um golo tardio. Era um hábito recente que muito irritava Frodo Zarco. É certo que o Amora relaxava na fase final destes jogos quando já tinha alcançado uma margem segura de dois golos de diferença, preferindo gerir esforços e resguardar-se para outros confrontos, mas algum dia o ímpeto final que o adversário resgatava poderia correr mal.

 

 

Vencido o Penafiel na noite de sexta-feira, foi do sofá que o Amora assistiu ao fantástico derby entre os dois grandes rivais lisboetas.

Jogadores e equipa técnica juntaram-se para assistirem ao jogo e foi em equipa que festejaram o golo inicial de Tiago Tomás que deixou o Sporting a vencer na Luz. A Gallardeta não se ficou e carregou até ao intervalo, acabando por empatar a partida por intermédio de Yves Bissouma.

O Sporting podia já não estar a competir pelo título depois do seu terrível arranque de temporada, mas a formação de Antoine Griezmann reencontrou-se e fazia uma temporada muito positiva nos últimos meses, recuperando posições no campeonato e ainda disputando a Liga dos Campeões.

Por isso não foi propriamente um choque quando os leões voltaram à vantagem já aos 84' de jogo. Dan Glazer gelou a Luz e deixou a Medideira em polvorosa. O Benfica até poderia reagir e ir ao empate, mas perderia pontos!

O Amora teve o seu momento à campeão quando operou a reviravolta frente ao Famalicão. O Benfica teria de o ter naquele momento, sob pena de ver a sua vantagem para o Amora reduzir para números críticos. E reagiu. Já em período de compensação, Gonçalo Ramos empatou a partida.

Não era um mau resultado. A derrota do Benfica teria sido melhor, claro, mas o empate permitia ao Amora recuperar dois pontos na perseguição aos encarnados. O jogo estava a terminar quando, inesperadamente, Gonçalo Ramos voltou a surgir com espaço e... marcou.

O Estádio da Luz estava a pegar fogo desde o primeiro golo de Gonçalo Ramos. Com o segundo, explodiu definitivamente numa exuberante celebração. O Benfica virava o 1-2 do Sporting para 3-2 a seu favor durante a compensação!

 

wZ5Vl9p.jpeg

Uma reviravolta épica permitiu ao Benfica derrotar o Sporting no Derby Eterno

 

O clima de euforia na Medideira degenerou em desilusão. Depois do golo de Dan Glazer, ninguém acreditava verdadeiramente que o Benfica somasse os três pontos.

Gonçalo Ramos demonstrou que o troféu de melhor jogador da Liga na época passada não foi um acaso e, com os seus dois golos nos descontos, garantiu a manutenção dos sete pontos de vantagem para o Amora.

 

Primeira Liga - Jogo em atraso (Jogo 26 do Amora): Marítimo v Amora

Ainda a digerir a vitória do Benfica sobre o Sporting, Frodo Zarco e sua equipa viajaram até ao Funchal para defrontar o Marítimo. Era mais um jogo em atraso que o Amora regularizava, ficando com apenas menos dois em relação ao líder Benfica.

O Marítimo estava a ter uma temporada difícil e não seria nessa noite de quarta-feira que o cenário melhoraria. Diego Raposo abriu as contas numa fase ainda precoce da partida, apontando o seu quinto golo nos últimos cinco jogos. Não satisfeito, o menino voltou a fazer o gosto ao pé durante a primeira parte, mas dessa vez foi apanhado em posição irregular e o golo foi anulado.

 

TSQ7WxF.gif

Diego Raposo levava a impressionante marca de cinco golos nos últimos cinco jogos, aqui finalizando após mais uma das muitas assistências de Filipe Diogo

 

Os madeirenses não tinham argumentos para contrariar a superior qualidade individual e coletiva do Maior da Margem Sul. O segundo golo, apontado pelo capitão Gabriel Capixaba, apenas pecou por tardio, ficando o jogo decidido ainda na primeira parte.

Para cumprir a tradição recente, o período de compensação viu novo golo. A novidade é que desta vez foi o Amora quem o concretizou.

O golo em si foi um momento de magia coletiva que mostrava como os meninos começavam a soltar-se e a jogar quase de olhos fechados - o que proporciona momentos deliciosos como este.

 

yt3wVeJ.gif

Sessenta segundos consecutivos de futebol envolvente e troca de bola até Jéferson encontrar o fundo das redes

 

Vitória tranquila e mais três pontos na bagagem no regresso à Medideira, passando a diferença para o Benfica a situar-se nos quatro pontos - e com dois jogos de diferença entre ambos.

 

 

Apenas três dias depois da vitória no Funchal, o Amora recebia então o Paços de Ferreira no tricentésimo jogo da carreira de treinador de Frodo Zarco.

Um jogo em que o Maior da Margem Sul poderia reduzir a diferença para a liderança para apenas um ponto, uma vez que o Benfica já havia disputado a partida daquela jornada em Janeiro.

 

Primeira Liga - 28ª Jornada (Jogo 27 do Amora): Amora v Paços de Ferreira

Frodo Zarco deu uma corrida até à bancada atrás do banco de suplentes para entregar o troféu comemorativo dos seus trezentos jogos como treinador do Amora. Quando regressou estava o árbitro João Bento a apitar para o início da partida. Jogava-se na Medideira!

A equipa estava avisada para a importância de resolver as contas cedo e entrou como se impunha. Odailson ganhou a linha de fundo ainda no primeiro minuto de jogo e cruzou. A defesa do Paços afastou a bola para a entrada da área e Bernardo Castanheira disparou de primeira, acertando num adversário.

O ressalto sobrou novamente para Odailson, que voltou a ganhar a linha. O Paços aos quarenta segundos de jogo já tinha oito elementos dentro da sua área! O cruzamento tabelou num defesa e sobrou para nova tentativa de Bernardo Castanheira - e mais uma vez a bola foi rechaçada pela floresta de pernas dos castores.

Sobrou para Papou Mendes. O médio todo-o-terreno fez o terceiro remate do Amora em menos de sessenta segundos. A bola voltou a acertar num adversário, mas desta vez foi ao de leve, não a desviando do rumo pretendido e apanhando o guarda-redes de surpresa.

Pela segunda vez na temporada, o Amora marcava ainda antes de cumpridos sessenta segundos de jogo!

 

xtP1nlK.gif

Num lance de insistência, Papou Mendes finalmente encontrou o caminho para o sucesso

 

A vencer desde o primeiro lance da partida, o Amora partiu para uma exibição segura. Controlando o ritmo de jogo, adormecendo o adversário com bola antes de acelerar quando o espaço surgia, os meninos não davam veleidades à equipa pacense e iam criando ocasiões de golo com facilidade.

No entanto, a primeira parte foi-se, veio a segunda parte e o resultado persistia numa perigosa vantagem tangencial de um golo. Não que o Paços de Ferreira criasse perigo, mas a ansiedade ia tomando conta das bancadas. Temiam, compreensivelmente, que qualquer lance fortuito, de inspiração individual ou numa bola parada, pudesse roubar os três pontos ao Amora.

Esse lance surgiu ao minuto 78' do jogo.

Uma falta tão infantil como desnecessária de Martim Maia concedeu ao Paços de Ferreira um livre em zona frontal à baliza de Manuel Baldé. A equipa da Capital do Móvel já há vários minutos não chegava à área amorense, pelo que os seus cerca de cinquenta adeptos levantaram-se, entusiasmados, com uma oportunidade de visar a baliza da formação de Frodo Zarco.

O próprio capitão Parano ajeitou a bola na relva. Olhou com atenção para a barreira e a baliza do Amora. Quando João Bento apitou, partiu para a bola. Mas não a chutou. Deu um toque para o lado e foi o central Sáenz quem disparou.

A bola saiu com potência. Tabelou num dos elementos da barreira, à vista desarmada até pareceu um dos seus colegas de equipa, e foi parar aos pés do lateral Octávio Sousa. O menino não perdeu tempo a lançar em Diego Raposo, este abriu na esquerda em Filipe Diogo e projetou-se na profundidade, aguardando por mais um lance Filipomenal.

Filipe Diogo conduziu a bola fora do alcance dos pés contrários, sempre em progressão, e descobriu uma daquelas linhas de passe que só ele vislumbrava. Isolado na cara de Bruno Varela, a jovem raposa atirou a contar e deu a tão desejada tranquilidade aos adeptos na Medideira.

Só um desastre de proporções bíblicas roubaria agora os três pontos ao Amora Futebol Clube.

 

Rns6amG.gif

Filipe Diogo e Diego Raposo transformaram um perigoso lance ofensivo do Paços de Ferreira no golo da tranquilidade do Amora...

HEFNqbu.jpeg

... da autoria de Diego Raposo, que ao apontar o sexto golo em seis jogos em Fevereiro mereceu os elogios da imprensa

 

Esse desastre de proporções bíblicas não teria lugar nessa agradável tarde de 26 de Fevereiro. O Paços de Ferreira pouco tinha feito para ameaçar a baliza de Manuel Baldé com o resultado em 1-0; com o segundo golo, menos fez. Estavam entregues e tinham noção disso.

A partida terminaria após um curto tempo adicional concedido pelo árbitro João Bento e, por uma vez, não houve golos no período de compensação em jogos do Amora.

Mais importante do que a marca de trezentos jogos ao comando do Amora, o Maior da Margem Sul somava três pontos e estava a apenas um da liderança.

 

3iFZ9Iz.jpeg

Relatório do jogo

FpY284r.jpeg

A Primeira Liga à 28ª jornada e o Amora ainda com um jogo em atraso

 

O ciclo de jogos em Fevereiro foi alucinante. Frodo Zarco ainda mal acreditava que a equipa tinha saído viva daquela sequência infernal. E, diga-se, ainda não estava concluída, pois daí a alguns dias disputava-se a primeira mão da Meia-Final da Taça de Portugal, com a recepção ao Benfica, e ainda havia um jogo em atraso para repor.

Mas esta vitória sobre o Paços de Ferreira marcava o final do mês de Fevereiro. O segundo mês de 2028 tinha sido apontado pela imprensa como o novo grande teste ao Amora e este tinha-o ultrapassado sem comprometer as suas aspirações.

Teste a teste, ciclo a ciclo, jogo a jogo, Frodo Zarco e sua equipa iam-se agarrando teimosamente ao Benfica e não largavam a luta pelo título - objetivo não declarado abertamente na Medideira, mas era difícil fingir que, chegado ali, o Amora não pensasse nele.

Faltavam sete jogos para terminar a temporada e o Amora continuava a sonhar em "Fazer o Impossível". Aproximava-se o período das grandes decisões e a hora de o Maior da Margem Sul provar do que era feita a raça das suas gentes.

 

#MaiorDaMargemSul #CoracaoDeAmora #FazeroImpossivel

 

***************

 

E como esta foi a última atualização de 2022, aproveito para desejar a todos os que acompanham esta aventura uma óptima passagem de ano e um feliz 2023! 🙂

Editado por Black Hawk
  • Like 2

Compartilhar este post


Link para o post

Crie uma conta ou entre para comentar

Você precisa de ser membro desta comunidade para poder comentar

Criar uma conta

Registe-se na nossa comunidade. É fácil!

Criar nova conta

Entrar

Já tem uma conta? Faça o login.

Autentique-se agora
Entre para seguir isso  

  • Todo o Mundial 2026 no CMPT
  • Outros membros neste tópico

    Nenhum utilizador registado está a visualizar esta página.

×
×
  • Criar Novo...