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El Shafto

[FM22] Sado (não) sente saudade

Publicações recomendadas

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O Livro de Quem Não Precisa de Memórias
15 - O Rei de Portugal dos Pequeninos

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Pequena nota de autor: algo que tenho sempre algum receio é de perder a pica de um save que estou a postar aqui, até porque, normalmente, muita da minha motivação vem quando tenho jogadores que estou a gostar muito de treinar ou jovens que quero mesmo ver desenvolver. Ora pois bem, com a contratação do Val e a presença de jogadores como o Bruno Ventura deixaram-me entusiasmado para fazer esta terceira temporada. Portanto estiquei-me um bocado na quantidade de jogos que fiz, normalmente, se não tiver a bater em mortos, tento que isto fique pelas 10 jornadas no máximo. Já separei os jogos da Taça de Portugal para evitar que isto fique demasiado grande, que foi a única forma que arranjei de salvar, mas peço desculpa pela batelada de jogos de seguida.

Caderno número... qualquer coisa. Já perdi a conta. Entornei café no outro e quase metade do caderno por usar foi à vida. Que tristeza.

Onde é que íamos... ah! Novembro foi um mês consideravelmente leve, quase que em preparação para o violento mês de Dezembro onde tivemos sete jogos (jogo da Taça de Portugal contra o Pevidém não está representado na imagem).

Tanto o Nacional quanto o Paços de Ferreira estão a ter dificuldades no atual campeonato e à entrada para um mês de Dezembro onde iriamos enfrentar Braga, Benfica, Sporting, Guimarães e Portimonense, que são equipas fortes do campeonato, mesmo que com níveis de poder diferentes, portanto este mês contra equipas com mais dificuldades era ótimo para responder a várias perguntas sobre este Vitória e definir a sua identidade.

Quem é este Vitória que acabou de regressar à Primeira Liga? É só mais um retorno dos setubalenses a viver de calculadora na mão a fazer contas pela descida do clube? Será algo mais?

Com duas vitórias convincentes por 3-0 acho que respondemos à pergunta com firmeza e à entrada para Dezembro estávamos prontos para lutar e começar a estudar a época seguinte consoante o que acontecesse neste mês.

A entrada foi logo muito boa. O Braga será sempre um degrau que termos de ultrapassar se quisermos sonhar com o regresso do Vitória ao futebol europeu, portanto ir à pedreira ganhar de forma convincente faz logo que sonhemos mais alto. Nem foi só o ganhar. Fomos melhores. Ainda temi, que o Braga marcou primeiro aos 30', mas a equipa deu uma resposta categórica e virou o resultado.

Seguiam-se visitas ao Estádio da Luz e do Sporting ao Bonfim. Antes do mítico jogo para a Taça de Portugal, fomos cilindrados pelo Benfica. Não há outra forma de dizer. Não atacámos bem, não fomos capazes de reter a bola como treinámos, mas pelo menos ainda defendemos com alguma qualidade, tanto que só aos 60' é que o Benfica conseguiu marcar o seu primeiro golo, aproveitando a equipa ainda estar em choque para marcar o segundo.

Contra o Sporting já foi diferente. Jogámos de igual para igual, foi um jogo muito disputado que o Sporting só conseguiu desbloquear através de um penalty, na minha opinião, muito questionável. Aceito a interpretação do árbitro, mas se formos por aí... enfim. Ainda assim, aos 80' também tivemos nós um penalty, depois do guarda-redes do Sporting, Fariñez, abalroar o nosso ponta de lança sem sequer tocar na bola, e Bruno Ventura não perdoou e empatou o jogo. Infelizmente foi já ao cair do pano que os jogadores que tinham saltado no banco na segunda parte, Joelson Fernandes e Ugarte, combinaram numa jogada que se aproveitou de uma falha da nossa defesa para levar os 3 pontos para Alvalade. Um jogo resolvido nos detalhes, mas estou muito orgulhoso da nossa equipa.

Depois destes dois jogos o resto do ano preocupava-me. Principalmente por nos batermos bem em casa. Estes jogos conseguem arrasar a moral de jogadores e o primeiro sinal disso apareceu com o lateral esquerdo Daniel Martins a falar diretamente comigo e dizer que queria sair, que tinha aceite que não era bom o suficiente para jogar nesta equipa e não queria atrapalhar. Não o impedi. A minha preocupação era que esse mentalidade não infetasse o resto da equipa e que pensassem que não eram bons o suficiente para jogar contra os melhores.

A resposta que a equipa deu foi fenomenal. É verdade que o resultado contra o Vilafranquense pode dar a entender algo diferente, mas o jogo que apenas serviu para cumprir calendário e saber quem ficava em 2º no grupo da Taça da Liga, foi um completo atropelo nosso, tanto que, apesar de ter perdido, o guarda-redes do Vilafranquense foi nomeado o homem do jogo. Impediu a equipa de sair humilhada de Setúbal.

Depois disso, o que posso dizer desta equipa? Recebemos o Guimarães e demos uma prenda de Natal aos nossos adeptos, fechámos o ano a derrotar o Portimonense, outro candidato às competições europeias e em Janeiro batemos o Benfica para a Taça de Portugal (atualização anterior) e fechámos o mês vingando a goleada que levámos do Santa Clara no começo do campeonato, demolindo-os em nossa casa.

Se isto não é o maior exemplo do crescimento desta equipa, não sei o que poderá ser. Em Coimbra, ironicamente no largo do Rossio de Santa Clara, encontra-se o Portugal dos Pequeninos. Não é incomum que, com a escola ou com os seus pais, as crianças visitem o Portugal dos Pequeninos. Lá, num mundo adequado às suas dimensões, sentem-se donas e senhoras deste seu mundo. Nós, nesta liga, estamos como crianças no Portugal dos Pequeninos. Reis e senhores... entre os pequeninos.

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Continuas perto da luta pelo título e a continuar neste ritmo diria que ainda vais lá buscar e mesmo que acabasse agora teria sido uma época de enorme sucesso. 

 

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Grande Vitória na luta pelo título na época de regresso ao primeiro escalão! Grande Vitória também na Taça a eliminar o Benfica na Taça. 

E o novo estádio sempre vai arrancar? É pena demolirem o mítico Bonfim! 

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Citação de Banks29, Em 03/05/2022 at 11:43:

Continuas perto da luta pelo título e a continuar neste ritmo diria que ainda vais lá buscar e mesmo que acabasse agora teria sido uma época de enorme sucesso. 

 

Tou um bocado espantado, por acaso. É verdade que há algumas equipas boas que perderam as suas estrelas, estilo o Guimarães com o Edwards, mas não estava, de todo, à espera que a equipa fosse tão sólida.

Citação de Tuckius, Agora:

Grande Vitória na luta pelo título na época de regresso ao primeiro escalão! Grande Vitória também na Taça a eliminar o Benfica na Taça. 

E o novo estádio sempre vai arrancar? É pena demolirem o mítico Bonfim! 

É uma ótima pergunta. Entretanto, eu não incluí na história para não tornar tudo ainda maior, mas nesta reta final houve eleições e com o novo presidente desapareceu da parte dos planos do clube a parte de um novo estádio, portanto não faço mesmo ideia do que esperar. Nunca mais apareceu nenhuma novidade e isso desapareceu, diria que presumo que é para ficar. Pode ser que vá a tempo de tornar ícone e criar o Estádio João Lento

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O Livro de Quem Não Precisa de Memórias
16 - A Incontornável Verdade Sobre Aqueles Abençoados Com Talento

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Fevereiro foi um mês leve em termos de calendário. Os jogadores que não tinham jogos internacionais tiveram uns dias para poder respirar e celebrar a sua vingança contra o Santa Clara.

No regresso ao futebol, o Arouca visitou o Bonfim para ver o seu guarda-redes fazer uma muito boa exibição e salvar a equipa que parece destinada à despromoção de uma humilhante goleada... que quase parecia um aviso do destino para todos nós.

Seguia-se uma visita ao Dragão que ficaria na memória pelos piores motivos. Depois de na visita ao Bonfim o Porto ter saído apenas com um ponto, em sua casa pareciam determinados a mostrar o foço do tamanho do Grand Canyon que existe entre os dois primeiros classificados e o resto do campeonato. Jogámos o nosso futebol, mas o Porto foi simplesmente uma equipa superior e não perdoou em frente à baliza. Poderia dizer que o João Valido podia ter feito melhores nalguns lances, mas não existiram culpas individuais neste dia. Fomos dominados e atropelados por uma equipa superior, ponto final.

Em situação normal esta derrota não me preocuparia muito. Acontece a todos e não é a primeira vez que nos acontece nesta temporada. Se tirarmos os cinco golos deste jogo, somos a quarta melhor defesa da liga.

O que me preocupava realmente é que a seguir ao jogo com o Famalicão, que também era uma equipa capaz de nos roubar pontos, o nosso próximo jogo era, novamente, contra o Porto, em mais uma visita ao Estádio do Dragão e era quase impossível prever como é que os jogadores iriam reagir.

Os primeiros sinais vieram ao de cima no jogo contra o Famalicão. A equipa estava claramente mais nervosa, as provocações das bancadas e de dentro de campo tinham o seu efeito nos jogadores. Felizmente, para compensar a desorganização do nosso ataque, o quarteto defensivo Conceição, Arrey-Mbi, Luís Silva e Pedro Amaral fazia uma exibição de luxo e estancava todas as tentativas de ataque do Famalicão. Para piorar tudo, quando a equipa começava a assentar e a estar mais perto de si mesmo, aos 34' Kamo-Kamo foi lesionado numa entrada dura e ficava de fora para a primeira mão contra o Porto.

A equipa foi crescendo durante o jogo até começar a dominar o Famalicão e o golo chegou mesmo pelos mágicos pés de Bustos, um golo que coroava a capacidade de recuperação dos jogadores com um importante jogo à porta.

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Seguiram-se os campeões nacionais, FC Porto.

O nervosismo sentia-se no autocarro. Estava quase a fazer um mês desde o nosso último jogo em casa. Os adeptos não nos abandonavam e deslocavam-se de estádio em estádio, sempre em grupos à volta dos 300 e faziam-se ouvir nas bancadas de todos os estádios do país. Contra o Porto, esperava ver uma mancha maior que o habitual, dada a importância do jogo, mas não. O clube apenas vendeu 224 bilhetes para o Estádio do Dragão, ficando até com bilhetes por utilizar. Sinceramente, depois do que aconteceu no último jogo, quem os pode julgar? Cabe-nos a nós recuperar a sua confiança.

Os jogadores mostravam vida, quase que a tentar esconder o nervosismo, o que para mim era ótimo, mas havia um jogador que eu não sabia bem o que pensar. O capitão, João Valido. Podia ter feito melhor no jogo para o campeonato, capitão aos seus 24 anos, dias antes o Record fazia manchete como era o preferido do treinador do Porto, Gallardo, para substituir Diogo Costa caso este saísse para o Arsenal, e ainda assim estava visivelmente tranquilo durante toda a viagem e era até um dos principais jogadores que andavam pelo autocarro a interagir com os colegas.

À saída do autocarro, um grupo de jornalistas interpelava a equipa técnica e jogadores. Todos estavam instruídos para não responderem a perguntas, mas houve um deles que não resistiu. "Tem sido uma grande campanha do Vitória, mas dado o historial contra os três grandes, acredita que poderá sair daqui com uma vitória?"

"O que é que acha que viemos fazer?" respondeu o capitão, sem hesitar. Claro que levou uma multa internamente, mas fico de lhe pagar um belo jantar no valor da multa, porque foram as palavras que toda a gente precisava de ouvir. Eu incluído.

A bola rolava no Estádio do Dragão e algo era muito evidente: hoje, ofensivamente, o Porto estava longe da pressão que apresentara no jogo para o campeonato. Muito rematador, é certo, mas nem sempre perto do que seria considerado um bom remate e Setúbal parou quando aos 26' Corona faz falta na área sobre Bustos e o árbitro aponta imediatamente para a marca de grande penalidade. Nem foi preciso ir ao VAR, era um penalty evidente e o próprio jogador do Porto não sabia o que lhe tinha passado pela cabeça.

Bou para bater, Diogo Costa na baliza. No um para um o jogador correu confiante para a bola, armou o remate contra o guardião do Porto e viu este atirar-se para o lado direito, o mesmo lado que Bou escolhera e tocar a bola com a ponta dos dedos, desviando-a para fora. As bancadas explodiam e os jogadores do Porto cumprimentavam o guarda-redes.

Do outro lado, João Valido dava a mesma resposta. Todos os remates que iam à baliza, este defendia. Naquela noite no Estádio do Dragão, os dois guarda-redes de 24 anos, conhecidos das seleções mais jovens, indiretamente lutavam por proteger as suas equipas e talvez até lutassem por gritar quem seria o substituto de Rui Patrício na seleção. Diogo Costa já lá chegou, tendo duas internacionalizações, João Valido ainda aguarda a sua oportunidade.

Foi preciso esperar que o jogo chegasse aos 60' para a primeira quebra de um dos guarda-redes. O Vitória estava no ataque, Bustos e Pedro Amaral trabalham juntos numa boa tabela, o lateral esquerdo cruza para a área num cruzamento que mais parecida um remate, Bou salta e nem se pode dizer que cabeceia a bola (ainda que tenha feito o gesto técnico), foi mais a bola a bater-lhe na cabeça e Diogo Costa foi apanhado de surpresa pelos dois jogadores do Porto que deixaram a bola passar e viu mesmo a bola ir parar ao fundo das redes. O Vitória adiantava-se no marcador no Estádio do Dragão!

Evidentemente, o Porto subiu as linhas e tornou-se mais ofensivo, mas de nada servia. Do outro lado estava João Valido e os adeptos na bancada começavam a sentir que, naquele dia, seria preciso um milagre para conseguir baterem o guarda-redes setubalense. Aos 89' Corona leva o segundo amarelo ao parar um contra-ataque e é expulso, deixando o relvado e os adeptos na bancada começam a deixar o estádio. Erro crasso que cometeram, pois perderam que no último minuto do período de compensação Nakajima tirou um coelho da cartola e num momento de genialidade colocou a bola com força num ângulo impossível para qualquer guarda-redes no mundo, num incrível golo do criativo japonês que selou o jogo. João Valido e Diogo Costa, os dois homens do jogo, trocavam camisolas. Naquele dia, empataram. Na segunda mão, resolveriam as suas contas.

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De volta ao campeonato, estes meses preocupavam-me pelas constantes pausas nos jogos. Era bom para recuperar índices físicos, mas sempre senti que somos uma equipa de alta rotação que quantos mais jogos joga, melhor é. Precisamos do futebol em cima dos pés para que os processos se tornem automáticos e encontrar o equilíbrio entre o descanso ideal e a intensidade necessária.

Em Abril, depois de um mês de Março com apenas dois jogos oficiais, foi o mês em que quebrámos. Não é que não tenhamos jogado bem, porque jogámos, mas notava-se a equipa mais rígida e o jogo contra o Braga veio quatro dias depois da segunda mão da Taça de Portugal, onde se notou que a equipa ainda não tinha recuperado e, além disso, Rodrigo Conceição conseguiu ser expulso no primeiro minuto de jogo, tornando a nossa vida ainda mais complicada.

Mas falando na Taça de Portugal...

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O Porto vinha ao Bonfim sabendo que tinha de marcar passar a eliminatória. Os golos fora ainda contam na Taça de Portugal e a consequência disso assustava-me um pouco. Ainda tinha o cinco zero presente na memória. Felizmente, parece que os jogadores não tinham e estavam focados neste jogo, até em jogos que não deviam, já todos pensavam nisto.

E quando a bola começou a rolar no Bonfim, que bela exibição! A nossa equipa jogava na cara contra o campeão nacional e se houvesse um debate sobre que jogadores do onze do Vitória encaixariam no onze do Porto, o debate seria longo. Era esse o nível que os meus jogadores estavam a mostrar nesse dia.

Só faltavam 45' para estarmos na Final da Taça de Portugal. Era um sonho e esse sonho estava tão perto...

... mas aos 48' Sérgio Oliveira lembrou-nos quem é o campeão nacional. Uma falha defensiva, o capitão do Porto aparecia sozinho e a perto de 25m da baliza dispara um míssil que entra na baliza e bate nas malhas laterais, sem hipótese de defesa para João Valido.

Com este resultado o Porto estava na final da Taça e, provavelmente, jogaria contra o Sporting, que, do outro lado, goleou confortavelmente o Guimarães na primeira mão por 4-0 e não se adivinhava que isso fosse mudar na segunda parte.

Mas essa ideia nem sequer era aceitável para os nossos jogadores. Aos 57' Zaidu faz falta sobre Bustos à entrada da área e sobre o pé esquerdo do mágico do Vitória fica um livre perigosíssimo para marcar. O argentino colocava a bola em arco pela esquerda da barreira e Diogo Costa atira-se para defender como pode, atirando a bola para a frente, numa defesa atabalhoada e perigosa, tão perigosa que quem lá estava para receber era Mimito Biai, que nem sequer considerou dominar a bola e pontapeou-a como pôde, fuzilando as redes da baliza e colocando o jogo empatado e colocando um das mãos dos setubalenses no seu sonho.

As equipas atacavam de um lado para o outro e as defesas respondiam como autênticas muralhas intransponíveis. De um lado Luís Silva e Arrey-Mbi, do outro lado Diogo Leite e Samuel Gigot. Nada passava por eles. Bolas pelo ar, cortadas. Pelo chão, intercetadas. Se tivessem de improvisar cortes, improvisavam.

Foi assim até aos 90'. O árbitro apitou e o jogo seguia para prolongamento.

No prolongamento, o Porto entrou claramente melhor. Aos 110', Sérgio Oliveira volta a aparecer à entrada da área e dispara outro míssil (como é que este gajo aos 110' ainda consegue rematar com esta força?!) e a bola explode na barra com tal violência que volta a sair da área.

O nosso futebol ofensivo todo passava pelos pés de Bustos. Quando se mexia, o suor saltava de um lado para o outro, a este ponto já ninguém achava que algo lhe passava pela cabeça quando agia. Os jovens do clube, aqui como apanha-bolas, invejam cada segundo da bola nos seus pés. Não há um pingo de duvida no seu futebol. Não tem tempo para isso. Quando a bola vem para si, não olha em volta para saber como agir a seguir. Os seus olhos colam na bola. A voz dos colegas é ruído. A bola abraça o pé e para diretamente em frente a si, como o abraço a um velho amigo que não vemos desde os tempos de escola, e imediatamente parte para cima do adversário. Desta vez, não pode responder a si mesmo. Quando o seu corpo lhe diz "eu sou melhor", ele não pode colocar duvidas. Não pode hesitar. Não tem hipótese. Como tal, joga como se fosse melhor. Passa por Sérgio Oliveira, passa por Zaidu e levanta a cabeça, não para encontrar um colega, mas para encontrar um golo. É para isso que vive, é para isso que existe, marcar golos e ganhar o jogo. O pé vai até à bola mas, na distância, a baliza começa a mudar de posição e a ficar torta. "Porque é que estou a cair?"

No meio do ruído, ao longe, ouve-se um apito. O árbitro marca falta a Zaidu e mostra-lhe o amarelo.

Bustos levanta-se e coloca a bola no lugar do livre, indiferente ao que se passa à sua volta. Acena positivamente aos colegas enquanto estes lhe perguntam se está bem, sem sequer saber o que estes estão a perguntar. O árbitro faz sinal para o apito, o jogador anui.

"Golo.", diz-lhe o seu pé esquerdo. O estádio aguarda em silêncio, os jogadores aproveitam o instante de descanso, com todos os vinte e dois a sentir o peso nas pernas. "Golo.", diz novamente. O árbitro obriga a barreira a posicionar-se onde deve, Diogo Costa berra instruções. "Golo.", repete incessantemente.

O árbitro apita.

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O estádio explode e o jogo acaba. Não oficialmente, mas já tudo era feito em esforço. A bola pinga de área para área, sem que algum jogador consiga fazer algo digno de se chamar futebol. O árbitro apita e termina oficialmente, para a festa nas bancadas.

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Faltam três jornadas para o fim do campeonato. Seguem-se visitas ao Estádio da Luz para enfrentar o Benfica, receber o Sporting no Bonfim e terminamos em Portimão, numa visita ao Portimonense. O futebol europeu está assegurado. O pior que podemos fazer é o 6º lugar. Mas será esperar demasiado sonhar em ouvir o hino da Champions League no Bonfim?

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Editado por El Shafto
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Grande campeonato até agora, diria que vais conseguir ir a Liga dos campeões.

Grande segundo jogo em casa na Taça de Portugal

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Que coisa mais linda do Bustos para garantir essa vitória magnífica. A derrota caseira contra o Braga complicou um pouco as contas e agora temos 3 jogos de nível de dificuldade elevadíssimo para garantir a Champions. Será que o Vitória Sadino estará à altura deste desafio?

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Citação de cadete, há 1 hora:

Que coisa mais linda do Bustos para garantir essa vitória magnífica. A derrota caseira contra o Braga complicou um pouco as contas e agora temos 3 jogos de nível de dificuldade elevadíssimo para garantir a Champions. Será que o Vitória Sadino estará à altura deste desafio?

É, com muita facilidade, o meu golo favorito nesta versão do FM. Já tive golos melhores, remates de fora da área a 30 metros muito bons, mas com todo o contexto destes... Bustos ❤️ para mim uma lenda do clube depois desse dia.

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O Livro de Quem Não Precisa de Memórias
17.1 - Os heróis do passado...

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No meio das peripécias do presente, as pessoas não conseguem evitar pensar nos heróis do passado.

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O velhinho e emblemático Estádio do Jamor preparava-se para receber mais uma final.

As imediações do Jamor enchem-se de adeptos das duas equipas, cada um nas respetivas zonas, ainda que, por vezes, a boa disposição e a ausência de uma rivalidade mais acentuada permitia que o espírito do desporto unisse ambos os lados à roda de um fogareiro.

"Vocês são muito novinhos para isto!" berrava um senhor já com alguma idade que devia ir na sua segunda cerveja. Por cerveja entenda-se grade. Sozinho. Ainda não eram duas da tarde.

"Era o super Benfica, não é estes meninos que são agora..."

"É, são meninos mas levaste cinco!", respondia um jovem que, provavelmente, era adeptos dos dois clubes.

"Olha lá, mas vais-me deixar falar? Sabes lá tu o que era o Benfica do Eusébio, Torres, Coluna, Germano e afins. Mas nós viemos aqui mostrar-lhes quem manda! Aliás, viemos durante três anos seguidos aqui ao Jamor! Quando eu tinha a vossa idade, isto para mim era um Sábado, f*da-se!"

Toda a gente tava calada a olhar para o homem enquanto empurrava mais uma cerveja pela garganta abaixo.

"Olha, até me lembrei. O animal do José Augusto faz uma entrada sobre o José Maria, acho que foi sobre ele, p*ta que pariu. Olha vê lá se dá para ver aí no Yutubi ou assim que vocês usam hoje em dia se tem aí, procura aí."

"Tás a ver esta m*rda? Que besta! E olha para o gajo, manso, nem amarelo. Ainda mete o árbitro a fugir dele."

"Mas do ano a seguir com o Braga já não te lembras, né?"

"Olha, uma roubalheira que nem te conto! Lembro pois, saí daqui até fui à Jenierre dar auto do jogo, uma escandaleira. O Benfica ainda tava f*dido connosco, levaram três que até arrotaram a choco e fez o jeitinho ao Braga. Por isso é que para mim são sempre o Benfica B, mai nada, não é por essas conversas todas dos presidentes serem muito amigos."

A conversa acaba porque, ao longe, o vento traz os cânticos dos adeptos do Sporting e claro que os adeptos não podem deixar que isso seja assim. É assim que funcionam adeptos de futebol, do que tenho aprendido ao longo dos infindáveis tempo. Ganha quem se fizer ouvir mais. O que acontece dentro de campo é largamente secundário. É toda uma outra competição nas bancadas. Tambores, megafones, pirotecnia o que quer que seja é válido para demonstrar que o seu clube tem os melhores adeptos.

Os adeptos vão entrando para o estádio e as equipas vão aquecendo, começando a saber-se os onzes iniciais.

Sporting CP XI: Fariñez, Coates, Gonçalo Inácio, João Palhinha, Ruggeri, Ricardo Esgaio, Ugarte, Matheus Nunes, Joelson Fernandes, Nuno Santos, Macías

Vitória FC XI: João Valido, Rodrigo Conceição, Arrey-Mbi, Luís Silva, Pedro Amaral, André Pedrosa, Hugo Félix, Bruno Ventura, Bustos, Val, Walter Bou

Ainda de cerveja na mão (desta vez em copo, claro, não são permitidas garrafas no estádio) o homem, qual velho sábio da aldeia, vociferou a sua profecia.

"Eu não sei quanto a vocês, mas hoje o Bruno Ventura vai ser o nosso Manel José! Tou-vos a dizer. Bem, o Manel só marcou um, mas o Bruno hoje marca três. Podem apontar, mete aí no Totobola, tou-te a dizer!"

A final que teve Manuel José e Meyong como heróis, ainda muito lembrada pelas gentes de Setúbal.

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No balneário os jogadores uniam-se em volta de um e um só desejo: ganhar. Como Rúben Amorim havia dito no dia anterior, sabíamos claramente que o Sporting era favorito. Ainda assim, nas palavras de um famoso personagem, "a mim que me importa?".

"Se eles são favoritos, que o sejam. Que o sejam toda a sua vida, porque nunca serão campeões da Taça de Portugal, esse está aqui!" disse, com o vocal apoio dos jogadores.

A bola rolava pelo relvado e algo se percebia imediatamente. Estávamos bem no jogo. Por vezes, em jogos contra os ditos três grandes, sentiu-se uma diferença de qualidade individual entre as duas equipas. Naqueles minutos, não. Não sei se era o facto de ser o último jogo da temporada e os jogadores começarem a sentir toda a fadiga de uma longa temporada, particularmente para aqueles em competições europeias, se era o sinal da evolução coletiva do plantel.

A verdade é que os primeiros quarenta e cinco minutos não foram o futebol mais bonito, pois ambas as equipas estavam encaixadas e, ainda que tivessem conseguido algumas jogadas de perigo, nenhum dos guarda-redes havia sido verdadeiramente ameaçado.

O jogo muda completamente aos 60'. Trocávamos a bola no campo do adversário, quando, do nada, André Pedrosa vê uma clareira à sua frente e arma o remate. A bola dirige-se para a baliza rápido, mas Coates estica o pé o suficiente para desviar a bola para canto.

Bruno Ventura para bater o canto coloca-o curto, é lhe devolvida a bola e coloca na área onde Gonçalo Inácio a desvia ligeiramente, mas não o suficiente para a impedir de chegar à cabeça de Arrey-Mbi, que cabeceia para dentro da baliza do Sporting. Os setubalenses explodiam em festa na bancada e os adeptos do Sporting tentavam abafar o seu barulho para moralizar a sua equipa.

Rúben Amorim mexe na equipa e eu fiz o mesmo, colocando em campo os jogadores mais rápidos que tínhamos no banco. Nem sequer considerava a hipótese de ir a prolongamento. O jogo estava nas nossas mãos e não ia sair.

E de lá não saiu mesmo. As esperanças dos adeptos do Sporting foram extinguidas por um jogador dos seus rivais, quando Luís Silva se antecipa a um passe de Ugarte, colocando a bola imediatamente numa das flechas da frente e o Sporting, completamente apanhado em contrapé e desorganizado, esquece-se do centro do terreno, onde Bruno Ventura recebe o passe e devolve imediatamente para Hugo Félix que aparece sozinho na área e mata o jogo.

19 anos depois o Vitória voltava a conquistar a Taça de Portugal. Os adeptos celebravam nas bancadas, com os heróis do passado longe das suas memórias. Apenas restam os heróis do presente.

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Lindo, parabéns. Glorioso Setúbal a regressar aos velhos tempos. José Augusto ainda reclamou daquela falta, minha nossa como os tempos mudaram.

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O Livro de Quem Não Precisa de Memórias
17.2 - ... dão lugar aos heróis do presente.

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A época foi difícil. Começámos ganhando apenas um jogo para o campeonato no nosso primeiro mês na Primeira Liga. Fomos goleados pelo Santa Clara. No segundo mês, em cinco jogos, conseguimos duas vitórias. Fomos goleados pelo Benfica.

De Dezembro a a Abril só perdemos pontos com os três grandes. A equipa engatilhava e jogava um bom futebol contra toda a gente. Exceto os três grandes.

Para conseguirmos o direito a poder sonhar com o hino da Liga dos Campeões no Bonfim (só quem acede à fase de grupos é que tem direito a ouvir o hino), era preciso que derrotássemos as equipas contra as quais perdemos pontos.

Bem, parece que estou a escrever toda uma epopeia ou algo deste género e a verdade é que a sua conclusão é a mesma de todas as aventuras dos Grandes Heróis. 

Fomos ao Estádio da Luz, contra um Benfica que lutava pelo título e não queria perder pontos, encontrar uma equipa meiga e dócil. Entenda-se que fomos melhores. Muito melhores. Vlachodimos foi nomeado o homem do jogo pelas catorze defesas que fez. Não fosse a grande exibição do guarda-redes grego e o Benfica teria sido humilhado em frente aos seus adeptos. Enquanto nós fazíamos este maravilhoso jogo, o Sporting perdia contra o Braga, colocando-nos com cinco pontos de vantagem. Não ficámos com uma mão no sonho, ficámos com as duas e tudo o que tínhamos de fazer era não deixar que caísse. Um empate no Estádio do Bonfim bastava-nos.

Com Fernando Santos no Estádio do Bonfim a ver o jogo, a equipa entrou ao campo ao som dos adeptos a cantarolar "Nós só queremos a Liga dos Campeões, Liga dos Campeões, Liga dos Campeões!", o que me pareceu a mim que deixou a equipa algo nervosa. Ao contrário do jogo no Estádio da Luz, não conseguimos impor o nosso futebol e valeu-nos a super exibição de João Valido, talvez moralizado pela presença de Fernando Santos na bancada, tentando um último esforço para estar na convocatória para o Euro 2024, que segurava todos os remates dos visitantes, que estiveram sempre por cima do jogo.

Como é bom historial do Sporting, quando joga bem e não consegue marcar, sofre. Todos os seus adeptos o sabem e aqui não foi exceção e talvez tenha doído ainda mais por ter sido um jogador emprestado pelo rival. "Esta palhaçada dos empréstimos tem de acabar!", dizia um na CMTV. Cromo. Num letal contra-ataque, Kamo-Kamo não decidiu mal e viu a corrida de Hugo Félix que finalizou na cara do guarda-redes leonino.

Volvidos os 90', os jogadores suspiraram de alívio e celebravam, com todo o mérito. Não era a melhor classificação da história do clube, mas selaram o fim da época no top três, algo que, na história do clube, só aconteceu outras quatro vezes. Um segundo lugar em 72, terceiros em 70, 73 e 74, os anos conhecidos como o período de ouro do Vitória.

Portimão foi para cumprir calendário. Poderia repreender a displicência dos jogadores, mas porquê? Estávamos todos a pensar na Taça de Portugal que viríamos a vencer. Talvez se não tivéssemos abdicado deste jogo não o teríamos feito.

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Com o seu colapso no final da época, o Sporting de Rúben Amorim ainda foi acabar atrás do B SAD.

Quanto a nós,

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A época de João Valido é de louvar. Não é que não tenha cometido erros, porque cometeu, raramente, mas a quantidade de vezes que nos salvou e nos elevou... fenomenal. Estarei a torcer pela sua convocatória para o Euro 2024.

Na defesa, duas muralhas: Arrey-Mbi e Luís Silva. Tentei até ao fim que o Arrey-Mbi, que estava em fim de contrato com o Bayern, assinasse a custo zero por nós, mas o Bayern ofereceu mais um ano de contrato ao jogador e este aceitou, com o clube a revelar pouca vontade de revalidar o seu empréstimo. Deixará saudades e um buraco muito grande para ser preenchido.

No ataque, temíamos como Bustos voltaria da sua lesão. Mas o que dizer sobre o pé esquerdo do argentino? Não tenho palavras.

Por fim, destaque positivo também para a bela temporada do jovem Val. Dezassete aninhos e só continuará a melhorar. Pergunto-me durante quantos anos o conseguiremos segurar...

Pela negativo, Hugo Félix. Teve dificuldades em entrar na forma de jogar da equipa durante quase toda a época, melhorando consideravelmente no fim. Acredito que se ficasse mais um ano por cá faria uma enorme época, até porque irão haver ajustes à forma de jogar para permitir que jogadores como ele brilhem mais...

A época termina, amanhã terei de discursar ao receber o prémio de treinador do ano da primeira liga portuguesa e o próximo ano aproxima-se. Sonharemos. Continuaremos a sonhar. De sempre, para sempre. À velocidade que seja preciso.

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2 grandes vitórias que te colocam a disputar a Liga dos campeões. Foi no geral uma excelente época.

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Excelentíssima época de regresso à Primeira Liga Portuguesa, onde a consistência e a qualidade individual e coletiva estiveram sempre na mó de cima. Surpreende-me imenso que tenhas conseguido este excelente 3º lugar e consequente acesso à Liga dos Campeões. Esperava uma grande época, mas não tanto. A equipa mostrou sempre uma enorme capacidade e esta ponta final com vitórias na Luz e na receção ao Sporting (adversário direto na luta pela última vaga CL) mostram que tinhas excelentes argumentos e que te reforçaste de forma muito inteligente.

Paralelamente, tiveste um percurso irrepreensível na Taça de Portugal, culminando apenas com a vitória justíssima perante o Sporting (não te devem poder ver à frente) no Estádio do Jamor. Para além de teres ganho o troféu, há a excelente notícia de poderes começar a nova época logo a conquistar um troféu, uma vez que terás em mãos a Supertaça!

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Citação de Martini Branco, há 4 minutos:

Excelentíssima época de regresso à Primeira Liga Portuguesa, onde a consistência e a qualidade individual e coletiva estiveram sempre na mó de cima. Surpreende-me imenso que tenhas conseguido este excelente 3º lugar e consequente acesso à Liga dos Campeões. Esperava uma grande época, mas não tanto. A equipa mostrou sempre uma enorme capacidade e esta ponta final com vitórias na Luz e na receção ao Sporting (adversário direto na luta pela última vaga CL) mostram que tinhas excelentes argumentos e que te reforçaste de forma muito inteligente.

Paralelamente, tiveste um percurso irrepreensível na Taça de Portugal, culminando apenas com a vitória justíssima perante o Sporting (não te devem poder ver à frente) no Estádio do Jamor. Para além de teres ganho o troféu, há a excelente notícia de poderes começar a nova época logo a conquistar um troféu, uma vez que terás em mãos a Supertaça!

Por acaso até fico a pensar se terá sido o suficiente para começar a borbulhar uma rivalidade contra o Sporting 😁 era engraçado.

Obrigado!

Quero deixar aqui uma nota para atualizações futuras: como tenho um novo computador, infelizmente, ao passar as coisas do FM para este, por algum motivo, o fix dos nomes não ficou aplicado ao save e também não consegui resolver de forma alguma. Para novos saves já está tranquilo, mas para este ficou comido, infelizmente. Digo isto para não estranhem quando na próxima época em vez de Marítimo aparecer MRT e outros casos semelhantes. Pelo menos estão os logos para ajudar caso algum deles seja mais confuso.

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O Livro do Sado
3 - Adeus, velho amigo.

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Ah, o adeus.

Tipicamente, na língua portuguesa, saudade é apontada como a palavra mais bonita. Não que não o mereça, é uma linda palavra com uma feliz melancolia no seu cerne, mas para que exista saudade, tem de existir o adeus. Como tal, para mim, adeus é a palavra mais bonita.

Ainda assim, por mais bela que seja, não é uma palavra que tenha por gosto pronunciar muitas vezes. Gosto dela como uma beleza que não pretendo alcançar, observando-a à distância, como uma imortal flor protegida por uma cúpula.

Eu não sou adepto do Vitória Futebol Clube. Sinceramente, tanto se me dá o que acontece ao clube. Eu apenas faço o meu trabalho enquanto observador e tomo as minhas notas sobre o João até daqui a c... até ao fim dos seus dias. Não é suposto ter qualquer forma de apego a quem observo no meu trabalho, até porque, eventualmente, eles irão desaparecer e eu irei continuar para o próximo. É essa a lei. Ainda assim...

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"Boa tarde a todos. Sócios, adeptos, jogadores, equipa técnica, senhor presidente da câmara." introduziu o presidente Diogo Dantas.

"Boa tarde também aos tele espectadores em casa. Para os que não me conhecem, o meu nome é Diogo Dantas, nasci em Setúbal há trinta e sete anos atrás, mais especificamente no dia vinte e um de Maio. Quando nasci, a primeira coisa que o meu pai fez, ainda antes do registo, foi fazer-me sócio do Vitória. Para ele, esse é que era o cartório."

"Entenda-se algo, o meu pai não era a melhor das pessoas. Era uma alma conturbada pelas vicissitudes da vida. Mas haviam instantes, não pequenos, ainda algo longos, em que ele mostrava um verdadeiro amor e carinho. Esses momentos eram aqui, neste estádio, o Estádio do Bonfim. Eram momentos onde parecia uma criança, com um brilho nos olhos, a vibrar."

"Nunca se chateava com o clube. Podiam perder, descer de divisão, jogar mal, mas nunca se chateava. Estava sempre disponível para ajudar. Chegou a andar lixo no estádio após jogos. Em casa, nunca o vi lavar um prato."

(...)

"Muito bons homens juntaram-se para tornar o Estádio do Bonfim possível. Angariaram dinheiro, alguns deles acabaram por falecer antes da inauguração do estádio, inclusive. Diz-nos um provérbio indiano que abençoados são os que plantam uma árvore cuja sombra nunca irão gozar. Hoje, volvidos sessenta e dois anos, dizemos-lhe adeus. Não para sempre, pois a saudade com que nos deixa, viverá para sempre no coração da cidade, para sempre." dizia, ganhando coragem a cada palavra, visivelmente emocionado.

Seguiam-se três figuras emblemáticas do clube para falar: José Maria, Jorginho e, por fim, José Mourinho.

O primeiro aproximou-se da tribuna com as visíveis dificuldades da idade.

"Olá a todos! Eu não vou falar muito. Lembro muito bem o primeiro dia que entrei aqui no Estádio, tinha acabado de chegar de Luanda e o Estádio acabado de ser construído. Senti logo que vinha para o melhor clube do mundo. Fui muito feliz aqui. Não sei se vou viver anos suficientes para ver esta nova geração na sua nova casa, mas espero que sejam tão felizes quanto nós fomos aqui. Muito obrigado a todos."

O público levantou-se e aplaudiu efusivamente o curto mas intenso discurso da antiga glória do clube, uma das principais figuras da geração de ouro que alcançou o segundo lugar no campeonato e conquistou duas Taças de Portugal, visitando a final variadas vezes.

Seguia-se um símbolo mais recente, quase que contrastando com quem o antecedera.

"Boa tarde. Olha, eu até me sinto mal aqui, para falar verdade, mas é uma honra, porque o carinho que eu tenho por esse clube é enorme. Não é sabido, mas quando o Vitória desceu eu quis voltar ao ativo. É sério, isso. Infelizmente os médicos não deixaram. Quis muito vir ajudar e fico tão feliz por ver o time vivo e lutando como nunca."

Teve de fazer uma pausa para se recompor.

(...)

"Foram cento e quarenta e dois jogos e quase meia centena de golos. Quase meia centena de vezes que vi a torcida cantar o meu nome e senti uma enorme gratidão pela oportunidade que o Vitória me deu para jogar futebol na Europa. Seja no Estádio do Bonfim, seja onde for, irei lá estar sempre que possível para dar uma força para o Vitória ganhar. Obrigado Bonfim, força Vitória!"

Mais um aplauso efusivo e tomava o seu lugar José Mourinho, que falava em nome do seu falecido pai, Félix Mourinho.

"Eu nasci como adepto do Vitória Futebol Clube, graças ao meu querido pai. Há uma história que ele adorava contar-me, que já contou em vida a uma entrevista na RTP, mas eu conto-a para os que não viram. Inauguração do Estádio do Bonfim, a Académica visitava e a bola rolava no novo relvado. A certo ponto o meu pai vira-se e diz que aquela bola não 'tava boa, para mandarem outra e mete aquela num saco que tinha ao pé da baliza. Ninguém reparou. Durante anos teve em casa a mesma bola que estreou este relvado. Quando eu fiz vinte e cinco anos de sócio, devolveu-a ao clube, que agora a guarda no museu."

"Às vezes perguntava-lhe eu, "pai, porque é que fizeste isso?" porque era um miúdo educado e sabia que roubar era uma coisa feia."

"Meu filho, dizia ele, naquele tom paternal que conseguem imaginar, porque queria uma memória daquele dia tão especial para mim. É especial para o clube, mas para mim também. Se algum dia me acontecesse alguma coisa, queria lembrar-me que estive lá."

"Não compreendi o sentimento até ser profissional. Já passei por muitos momentos de glória e tive a mesma vontade. Mas uma mágoa carregarei até ao fim dos meus dias: a de nunca ter sido treinador do Vitória neste histórico estádio do futebol português. Quem sabe um dia, na sua nova casa?"

Terminou o seu discurso sobre o aplauso de todos.

Seguiu-se uma pequena festa integrada por todas as modalidades do clube. Desde demonstrações de dança e ginástica, artes marciais e ténis de mesa, até terminar com o pequeno concerto com músicas emblemáticas do clube.

Nos seus lugares, alguns adeptos com mais idade emocionavam-se ao cantar a marcha do Vitória.

"Para terminar, gostava de chamar o nosso treinador, o líder desta nova geração, João Lento!" disse o presidente com entusiasmo.

Foi o maior aplauso da noite, para espanto meu. Já vi muitas pessoas e não há ninguém que não goste da sua nostalgia. Todos vivem, uns mais que outros, no passado. Ver o João, um símbolo do presente, ser tão acarinhado, definitivamente apanhou-me de surpresa. Foi uma nota muito interessante de tomar.

Ficou parado durante um pouco em frente à tribuna, captando a curiosidade de todos. Olhou para o microfone e, por instantes, pareceu que ia, finalmente, pronunciar-se, mas em vez disso deu um passo atrás e passou os olhos pelo Estádio.

O sol já se pusera no horizonte e os holofotes iluminavam o relvado como estrelas magnânimas. Pelos seus feixes de luz dançavam partículas do que quer que seja. Ao longe, ouvia-se a vida da cidade. Carros passavam pelo estádio, provavelmente a voltar para casa de um dia de trabalho, anuindo sempre ao desejo que os adeptos partilharam nas redes sociais de apitar para celebrar o Estádio do Bonfim.

Respirou fundo e, finalmente, aproximou-se do microfone.

"Eu sou novo. Tenho trinta e dois anos. Vivi a pular de cidade em cidade. Aos dezoito anos saí do país. Na mochila, levei comigo um pequeno cachecol do Vitória. Era algo simbólico, para não me esquecer de onde sou, independentemente onde a vida me levasse."

(...)

"Uma vez vi uma entrevista de um antigo presidente do Vitória, que certamente estará algures no público, onde mencionou que o Estádio do Bonfim era um icónico estádio, mas que não poderíamos ficar presos ao passado. Eu concordo com esse presidente. Memórias não nos servem de nada."

"Que lata tens tu, João. Logo tu, para falares em memória. Logo tu, que só aqui estás por memórias, mas gabas-te de não precisares delas para nada. Logo tu, que persegues um fantasma do passado como se o teu nome chegar aos céus mudasse algo. Logo tu (...)"

Leonor, que via das bancadas o seu amigo a discursar, reconhecia o mesmo que eu. Algo que podia tornar-se potencialmente catastrófico neste dia e abanar pilares internos no clube que não deviam ser abanados. A cada palavra que João dizia, tornava-se mais honesto. A cada palavra que os seus lábios pronunciavam, estava mais perto do seu âmago. Até que, por instantes, era o João no seu ser. Sem defesas, sem esquemas.

(...)

"Posto isto, ainda que eu concorde, tenho de vos pedir desculpa. Não é para vocês que quero falar. Não é para os meus jogadores, para os sócios, para o presidente. Quero falar para as memórias, para as memórias deste lindo estádio onde todos fomos tão felizes."

"Eu fujo da palavra adeus, meu querido Bonfim. Ainda assim, evidentemente que terei de te dizer adeus. Não é uma decisão minha e não há nada que eu possa fazer quanto a isso. Gabo a capacidade daqueles que se discernem das suas emoções para tomar decisões deste nível. Ainda assim, velhinho, longe das modernices que permitem que o futebol europeu o visite, o Estádio do Bonfim nunca nos falhou. Descidas de divisão, presidentes corruptos, jogos de bastidores, anos atrás de anos a acabar campeonatos de calculadora, adeptos que não querem viver com esse stress e passam a torcer por clubes que ganhem mais, tu, impávido e sereno, no centro da cidade, nunca nos deixaste. Nunca nos falhaste. Se alguém te falhou, fomos nós. Da minha parte, peço desculpa. Obrigado por tudo. Obrigado por estes tão lindos quatro anos. Desculpa não ter conseguido com que fossem ainda melhores. Talvez se tivéssemos ganho o ano passado..."

O seu discurso terminava assim e gradualmente toda a gente no estádio se levantava para aplaudir. Talvez ainda mais que antes. De alguma forma, tocara nas pessoas e os sócios do clube alongavam o seu aplauso durante largos minutos.

Por fim, uma última vez, gritava-se Vitória de lado a lado em cada bancada no Estádio do Bonfim.

As luzes apagavam-se, as bancadas estavam despidas e as últimas pessoas começavam a sair, entre elas o João.

"Queria que continuássemos juntos. Ainda tínhamos tanto para viver. Mas é verdade que eu já não conseguia mais... Desculpa. Fui feliz. Muito feliz." ouvia uma tímida voz à distância.

Sério, não sabia se estava a recordar algo a ouvir algo de novo. A verdade é que voltara a si mesmo em seguida. Focado e distante, deixou para trás as suas memórias. Nos tempos que se seguiriam, o estádio iria ser demolido e o Estádio Hélio Sousa ocuparia o seu lugar.

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Antes de mais, é sempre um gosto ler as tuas actualizações.

Depois, meh, ganhaste uma Taça a jogar contra uma equipa que tem o Matheus Nunes a titular. Grande coisa 👀

😁

GG siga!

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O Livro de Quem Não Precisa de Memórias
18 - Sob a sombra do passado

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Não é incomum que clubes ditos pequenos façam boas épocas, assim como não é incomum que na época seguinte sejam candidatos a descer.

Isso não aconteceria connosco, ou pelo menos era esse o meu desejo e foi com essa mentalidade que atacámos o mercado. Para surpresa minha, a direção afirma que a saúde financeira do clube está consideravelmente melhor e disponibilizou 800 mil euros para transferências. Pensei no futuro do clube e decidi apostar esses 800 mil euros na roleta do futuro. Com esse dinheiro, podia conseguir alguns jogadores de qualidade que no futuro podiam multiplicar esse dinheiro e, quem sabe, se até não o poderiam multiplicar com apenas quatro jogos: os de qualificação para a Liga dos Campeões.

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Uma pequena nota: por algum motivo as vendas antes do começo do mercado de transferências ficam no ano anterior, portanto simplesmente editei-as e trouxe-as para aqui. Só para ajudar a tornar mais claro.

Existiam quatro jogadores no plantel principal que tínhamos rapidamente declarado como dispensáveis: João Goulart, Jorge Betancur, Alejandro e Arabidze. Os dois primeiros acabavam contrato e também achei que seria uma perda de tempo tentar renovar para fazer dinheiro com eles, enquanto que os segundos tinham mercado e foi uma boa oportunidade para acrescentar algum dinheiro aos cofres, dinheiro esse que gastámos em seguida, mas foi um gasto necessário.

Para os reforços os planos eram, em linhas simples, tentar encontrar jovens com a maior qualidade possível no presente e ainda com margem de progressão. A estes, tentar juntas alguns jogadores já com alguma de qualidade que precisavam de espaço para se provar.

É assim que entram os nossos reforços mais sonantes. Dois deles. O primeiro de todos:

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Uma das eternas promessas do Benfica, Jota, depois de uma época de sucesso na Escócia, voltou ao Benfica para definhar durante dois anos na equipa B. Cansado da falta de aposta de Jorge Jesus, declarou que iria deixar terminar o seu contrato e assim aconteceu. A luta começou logo em Junho. Nós, Portimonense, B SAD e Guimarães todos oferecemos contrato ao jogador e este, um dia depois da abertura do mercado, tomou a sua decisão, assinando por nós.

É a minha contratação mais arriscada em todos estes anos no clube. Vem com um salário considerável, recebendo quase mais 50% que o segundo jogador mais bem pago e vem para ser uma figura grande da equipa. Não é que eu não ache que não tenha qualidade para isso, porque tem, mas não deixam de existir riscos inerentes a este tipo de contratações.

Em segundo lugar, uma contratação que não aparece na imagem porque foi aprovada antes da abertura do mercado. No fim da época sentimos que este jogador estava mais entrosado com a equipa e, em conversa com ele, colocámos na mesa de hipótese de mais uma época. Dado que o jogador não ia ser aposta no Benfica, aceitou, dado que teria futebol europeu na próxima época em Setúbal. O Benfica não se opôs e conseguimos renovar o empréstimo de Hugo Félix.

E para que esta dupla dos encarnados não se sentisse sozinha, já numa fase em que o mercado estava a fechar para nós, optámos por contratar mais um jogador ao Benfica.

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Quando o Arrey-Mbi decidiu renovar pelo Bayern e não assinar por nós a custo zero, imediatamente comecei a considerar os substitutos. Pedro Ganchas foi o meu desejo número um desde o começo. O problema é que, como a imagem mostra, nós acabámos por conseguir contratar Arrey-Mbi. Renovou com o Bayern, mas, aparentemente, foi ludibriado pelo clube, que o listou poucos dias depois para transferência e nós decidimos abrir o cofre para o trazer de volta para Setúbal.

Com isso, a situação de Pedro Ganchas ficava um pouco no limbo. Inicialmente o Benfica apenas tinha o jogador listado para empréstimo, mas, aparentemente, o jogador fartou-se de jogar na Segunda Liga e quis sair, atraindo a atenção de vários clubes da Primeira Liga. Ainda hesitei, mas tendo em conta que teremos quatro competições na próxima temporada (Primeira Liga, Taça de Portugal, Taça da Liga e Liga dos Campeões/Taça UEFA) achei que ter mais um central de grande nível podia fazer falta à rotação da equipa.

Com isto, o nosso quarto central, o jovem Johanssen, foi emprestado de volta para o seu país, onde seria titular.

E falando em gastar dinheiros, um dos nossos investimentos mais avultados (em termos de valor de transferência) foi neste jovem do Fafe.

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Filipe Freitas é um jogador que vem altamente recomendado pelos nossos olheiros e será já uma aposta muito séria nesta época. Ainda tem de crescer tecnicamente, mas aos dezassete anos já tem uma maturidade muito acima da média e é um jogador bastante atlético. Irá dividir o flanco esquerdo com Marco Cruz e apesar da tenra idade tem tudo para conquistar a titularidade.

Mas este não foi o único jovem jogador que se juntou ao nosso clube. Aliás, tirando Jota, Pedro Ganchas e Arrey-Mbi, todas as outras contratações estão abaixo dos vinte anos.

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Na esperança de encontrarmos alguns jogadores com talento, enviámos dois dos nossos olheiros durante três meses para a Argentina, tendo estes indicações de onde procurar. Perdido num clube que funciona como satélite para os clubes argentinos da região de San Francisco, aparentemente, os nossos olheiros foram os únicos que ficaram impressionados com ele. Com o clássico sangue na guelra sul americano, é um panzer do meio campo que sabe o que é uma bola de futebol.

Os nossos olheiros compararam-no ao João Palhinha e depois de o ver durante a pré temporada, concordo plenamente com eles. Tem tudo para chegar ao mesmo nível do médio defensivo português!

Mas não deixámos que este jovem viesse sozinho, claro.

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A este juntou-se Abel Sequeira, que promete imenso. É um jogador tão sul americano quanto é possível ser. Rápido, tecnicista, aos dezanove anos mostra imensa promessa e estava na altura de dar o salto para o futebol europeu. Tanto Sequeira, como Cepeda serão apostas sérias na equipa A já esta temporada.

Quem também será uma aposta séria na temporada será este jovem jogador:

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Na minha opinião, Leroy é um talento geracional. Não sei o que aconteceu no Gent, mas a verdade é que o jogador não quis renovar contrato com o clube que o formou para o futebol e saiu mesmo a custo zero. Não deixámos que outros clubes se chegassem à frente e tentámos selar o negócio o mais rápido possível, não fosse o seu agente atrair grandes equipas europeias.

Tem tudo para ser um médio fenomenal. Precisa de maturar fisicamente, mas compensa isso com uma ótima capacidade técnica e capacidade de criar oportunidades. Com a presença de Hugo Félix e Leroy, Bruno Ventura irá ter de lutar constantemente pelo seu lugar no meio-campo.

Por fim, enquanto procurávamos por um jogador veloz, capaz de criar o caos no ataque, uma ideia que estávamos perto de abandonar, dado que não encontrávamos ninguém que encaixasse e fosse acessível às nossas condições, um agente francês bateu-nos à porta. Contou que o seu jogador estava prestes a assinar pelo B SAD, mas que era mais uma opção de recurso e que não achava que fosse um clube estável o suficiente para que ele pudesse crescer. Arriscámos e contratámos o jogador quase às cegas, com base num dvd de oito minutos.

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Felizmente é um jogador que encaixa precisamente no que procurávamos. O jovem internacional sub-21 francês é uma autêntica flecha no ataque. Ele agora já cá está e já posso partilhar esta opinião: ele que despeça o seu agente. Se um jogador com estas características teve de nos vir bater à porta... o seu agente trabalha muito mal. Mas ainda bem para nós. A incompetência de uns, o ouro de outros.

A estes juntaram-se ainda mais dois jovens para os sub-23: Avramides e Chalupa (nome infeliz, mas o pobre jovem checo não tem culpa).

O plantel para tentar manter a toada no campeonato e sonhar com a qualificação para a fase de grupos da Liga dos Campeões ficava assim construído.

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Alguma screenshot em especial são livres de pedir.

É um plantel jovem, mas que não deixa de mostrar toda a qualidade que tem. Optámos por fazer uma pré época que fosse, gradualmente, aumentando de dificuldade, terminando num trio de jogos contra equipas que saberão muito bem o que é futebol europeu na próxima temporada. A resposta sobre se o plantel está pronto para essa aventura foi dada pelos próprios jovens jogadores.

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Belos reforços e uma excelente pré-época, que venham os jogos a sério

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O Livro de Quem Não Precisa de Memórias
19 - Senhor Vitória

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Os anos de ouro do Vitória.

Quanto mais sucesso alcanço neste clube, mais me sinto a falar sobre esse período. Irónico, não é? Bem, talvez não seja assim tanto...

Nesses anos o Vitória ganhou a particular alcunha de "Senhor Vitória". Era um clube que comandava respeito, fosse em que competição fosse. Comandava respeito em Portugal, com as suas constantes presenças na final da Taça de Portugal e nos três primeiros lugares do campeonato português, mas, acima de tudo, comandava respeito na Europa e é mesmo um jornalista britânico que lhe atribui a defunta alcunha.

A alma do Senhor Vitória era Jacinto João.

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Carinhosamente apelidado de "A Pérola Negra do Sado" é considerado, por larga margem, o melhor jogador da história do clube.

Várias coisas foram escritas sobre Jacinto João pelas pessoas da cidade, perpetuando a sua história.

"No dia 29 de Outubro Setúbal acordou a chorar,
Ao saber que desaparecera
Quem em tempos, nos fez vibrar.

Os seus dribles serpentinos
E as simulações magistrais,
Fizeram levantar Estádios Portugueses e Mundiais...

Com o 11 na camisola
E um pé esquerdo estonteante,
J.J. foi a figura
De uma equipa entusiasmante.

Dava pena ver defesas
Arrastarem-se pelo chão,
Sempre que tinham pela frente
O Enorme Jacinto João !!!

Onde quer que tu te encontres,
Ficarás sempre na História
Esta cidade agradece
O que fizeste pelo Vitória"
Miguel Aleixo

"Dizendo ser aleijado
Gutman mandou-o embora
Vindo em muito boa hora
Brilhar nas margens do Sado

Seu nome Jacinto João
O popular Jota Jota
Que colando a bola à bota
Pregava o defesa ao chão

O seu drible sem igual
Deu-lhe fama, deu-lhe glória
E o prestígio internacional

E deu-lhe lugar na história
Do futebol nacional
E do seu querido Vitória."

João Paixão

"Quem o viu jogar não esquece, quem não viu, não sabe o que perdeu."

 

Mas hoje em dia ninguém fala do Senhor Vitória. Os jornais mencionam a grande época dos Sadinos, a histórica qualificação para a Liga dos Campeões. CTRL + F, "Senhor Vitória", zero resultados.

O Senhor Vitória vive nas memórias do seu passado. Num perpétuo sono revê os seus primeiros passos, as derrotas contra o Saint-Ettiene e Aarhus, clube dinamarquês, nas primeiras eliminatórias da competição, encontrando a Juventus e Bayern Munique quando conseguiu dar o passo em frente, sendo novamente eliminado.

Com a experiência europeia, o Vitória começou a construir a sua reputação europeia. Nos anos que se seguiram eliminou Belfast, Lyon (goleando os franceses por 5-0), Fiorentina, Rapid Bucareste, Liverpool, Lausanne, Hajduk, Anderlecht, Zaglebie, Fiorentina, Inter de Milão e Leeds.

Numa das suas míticas caminhadas na Europa, o Vitória é surpreendido nas meias finais, na visita a Inglaterra para enfrentar o Newcastle e perante um campo lamacento e a intensa chuva que caía, acabou humilhado por 5-1. Os adeptos não desistiram da eliminatória e, na segunda mão, encheram o Estádio do Bonfim para apoiar a equipa e tentar que o golo fora valesse para levar a equipa à final. O Vitória não conseguiu, ficando-se por uma vitória por 3-1, mas graças aos seus adeptos nascia assim a alcunha de Senhor Vitória.

Talvez seja ironia do destino. Eu também vi o Vitória tentar o futebol europeu. Por duas vezes, até, ambas contra o Herenveen, da Holanda. Ambas sem sucesso. E não foi como se estivesse estado próximo de o alcançar, já agora. A diferença de uma equipa para a outra era como o dia e a noite.

Porque digo que talvez seja ironia do destino? Porque entretanto ficámos a saber quem vamos enfrentar na primeira fase de qualificação para a Liga dos Campeões.

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O destino ditou que, mais uma vez, uma equipa holandesa estaria no caminho do Vitória, um jogo que iria ocorrer quatro dias depois do jogo da Super Taça. Felizmente a primeira mão é em casa, porque a viagem e os poucos dias de descansado poderiam ter sido pesados para a equipa nesta altura da época.

Fizemos o possível até ao dia do jogo para que os jogadores estivessem bem e concentrados na partida. O nosso objetivo era que fossem quatro jogos muito importantes. Sem um pingo de ironia, o dinheiro de uma ida à fase de grupos da Liga dos Campeões era o suficiente para o clube estabilizar financeiramente. Um pouco distópico, não? Mas é essa a realidade do futebol.

Os adeptos responderam com esperança e os jogadores responderam de volta com futebol.

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Uma fabulosa exibição que resultou numa surpreendente vitória por 3-0 sobre o segundo classificado holandês. Quando se adivinhava uma vitória magra por um zero, fruto de uma boa exibição da defesa e do guarda redes do clube holandês, surgiu Sophian, com toda a sua velocidade a rasgar completamente esta de parte a parte. Com isto, deu-nos uma dica muito útil para a segunda mão e fizemos um pequeno ajuste: Jota começara a época com problemas físicos e precisava de recuperar de uma lesão já antiga, portanto, na Holanda, iríamos jogar com Kamo-Kamo a liderar a nossa frente de ataque.

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E o xeque-mate foi rapidamente dado em três minutos. A defesa do PSV claramente não conseguia lidar com jogadores como Sophian e Kamo-Kamo, jogadores capazes de meter outra mudança de velocidade, e conseguimos assim roubar uma eliminatória que não era para nós.

Pouco depois do nosso jogo estar terminado, ficávamos a saber quem seria a parede que nos separava da Liga dos Campeões. O Trabzonspor jogara contra o Midtjylland e seria entre os turcos e os dinamarqueses. Os dinamarqueses surpreenderam na Turquia, indo vencer por 1-0 com um golo de penalty e em casa, depois de estarem a perder 2-0, marcaram um golo aos 83', ditando assim a sua passagem. Na teoria, era bom para nós. Basta dizer que o Trabzonspor é onde joga Ricardo Horta para se perceber o nível de qualidade do plantel que possuem. Os dinamarqueses também têm muita qualidade, mas não está no nível seguinte em que o Trabzonspor se encontra.

Com Kamo-Kamo moralizado pelo jogo contra o PSV, apostei no mesmo sistema para o primeiro jogo, na visita à Dinamarca.

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No avião de volta brinquei com os jogadores que os dinamarqueses iam ordenar uma investigação para saber o que raio beberam ao intervalo e que todos teriam de responder que beberam a bebida secreta do Michael Jordan. Alguns entenderam, mas os mais novos não perceberam a referência. Resultado? Passámos a viagem de regresso desta histórica vitória a ver o Space Jam.

Estávamos a perder 1-2 ao intervalo, mas a equipa joguei bem. O que é que aconteceu ao certo? Não sei. Não é que tenha sido propositadamente, mas os jogadores sentaram-se no balneário e eu limitei-me a perguntar se estavam a gostar de jogar futebol. O resto foi o que aconteceu no relvado.

Na visita a Setúbal era palpável que os dinamarqueses vinham desmoralizados. Não é que fosse impossível, somos uma equipa que até sofre alguns golos, portanto podiam sonhar com marcar quatro golos e alcançar a vitória por golos fora. O problema é que não nos importamos de sofrer porque gostamos de marcar.

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Os sonhos dos dinamarqueses morreram rapidamente com a expulsão do seu lateral direito e o que se seguiu foi completo e absoluto domínio.

Numa época simbolizada pela festa de despedida do Estádio do Bonfim, conseguimos dar-lhe este desejado presente.

O Senhor Vitória, pela primeira vez, lado a lado com o Estádio do Bonfim, iria ouvir o hino da Liga dos Campeões.

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Nem deste qualquer hipótese nos play-offs, que grandes jogos. Mas agora na fase de grupos será complicado mas acredito que podes lutar pelo 2º lugar assim como quem não quer a coisa

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Citação de Banks29, há 3 horas:

Nem deste qualquer hipótese nos play-offs, que grandes jogos. Mas agora na fase de grupos será complicado mas acredito que podes lutar pelo 2º lugar assim como quem não quer a coisa

Por acaso discordo completamente, até acredito que conseguimos o terceiro lugar, apesar do Dinamo ter alguns bons jogadores, mas com eles acho que conseguimos disputar. Com os outros dois... é uma diferença de talento individual muito grande.

Citação de Black Hawk, há 1 hora:

Ui, os teus jogadores roubaram o talento a quem? (Sei que vais perceber a referência).

O meu plano mestre de ter quatro ecrãs gigantes no centro de treinos, um em cada lado do relvado, sempre a dar episódios de Captain Tsubasa finalmente está a funcionar!

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