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A I Liga é o campeonato da Europa com treinadores mais jovens. Será moda, competência, renovação natural ou o efeito Mourinho?

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A I Liga é o campeonato da Europa com treinadores mais jovens. Será moda, competência, renovação natural ou o efeito Mourinho?

Os 42,4 anos de média dos técnicos constituem caso único entre os 20 primeiros do ranking UEFA, sendo José Mota o único treinador da I Liga com mais de cinco décadas de vida. Os mais jovens destacam o fim do "receio em apostar", os mais velhos falam do "fantasmazinho" do número que vem no Cartão de Cidadão e questionam-se: "Será que se esqueceram de mim?"

Em maio de 2004, José Mourinho levou o FC Porto ao topo da Europa do futebol. Depois da Taça UEFA, erguida 12 meses antes, era o momento de triunfar na Liga dos Campeões. Aquele conjunto de Gelsenkirchen era, claro, a equipa de Ricardo Carvalho e Deco, de Jorge Costa e Maniche, mas era, sobretudo, o FC Porto de José Mourinho.

O setubalense afirmou-se, indiscutivelmente, como protagonista da cena internacional. Era carismático, as polémicas que comprava nas salas de imprensa eram respaldadas pelos resultados no relvado, parecia profético e mágico. O que dizia, cumpria-se. Tinha charme, andava de sobretudos que poderiam ser de um vilão de James Bond. Possuía aura, usando uma expressão que tornar-se-ia moda tempo depois.

O magnetismo do special one captou uma geração que o viu colada à televisão. Quando Mou tocou o céu na final contra o AS Monaco, Vasco Botelho da Costa, Luís Pinto e Tiago Margarido tinham 15 anos. João Pereira contava 12 voltas ao sol. Duas décadas passadas, os quatro são treinadores da I Liga.

Vasco Botelho da Costa, técnico do Moreirense, nunca teve "aquela coisa de querer ser jogador". Praticava futebol porque "era onde estavam os amigos", mas a paixão sempre esteve no banco. E não há dúvidas do peso da influência que apanhou enquanto adolescente. "Com José Mourinho, a dimensão do treinador aumenta significativamente. Deixou-se de querer apenas ser o Messi, o Ronaldo ou o Eusébio para passar a sonhar-se ser treinador", nota o líder dos cónegos à Tribuna Expresso.

Ser treinador tornou-se cool. A geração que, enquanto andava na escola, viu o furacão Mourinho — a magia com o FC Porto, o tomar de assalto a Premier League, o triplete com o Inter, os anúncios publicitários, o semblante misterioso e confiante, o poder conquistador de Napoleão mesclado com a sedução de James Dean —, tornou-se a nova protagonista do lado de fora das quatro linhas.

A média de idades dos técnicos da I Liga 2024/25 é de 42,4 anos, uma redução significativa face aos valores de há 10 ou 20 décadas. Em 2015/16, a média era de 48,2 anos, registo semelhante ao de 2005/06 (47,3 anos). Se esta época há sete treinadores abaixo dos quarentas no campeonato (João Pereira, Vasco Botelho da Costa, Tiago Margarido, Luís Pinto, Francesco Farioli, Ian Cathro e José Faria), há uma década só havia dois (Petit, então no Boavista, e Jorge Simão, no Paços de Ferreira, ambos com 39 anos). E há 20 anos apenas José Gomes, com 35 velas já sopradas enquanto comandava a União de Leiria, estava abaixo das quatro décadas de existência.

Mais nenhuma das 20 primeiras ligas do ranking UEFA fica, sequer, aquém dos 44 anos de idade média dos treinadores. Depois da I Liga, a mais jovem é a liga sueca, com 44,31 anos de média. Seguem-se Áustria, com 44,4 anos, Dinamarca, com 45,58, e Bundesliga, com 45,6. Eredivisie e liga belga, com 46,1 anos cada, andam perto de Israel (46,3) e Suíça (46,91). Na casa dos 47 anos figuram Polónia (47,1), Escócia (47,5) e Premier League, com 47,85. A Noruega tem 48,05 de média. Os campeonatos da Turquia (49,3), Chéquia (49,5), Chipre (49,7) e Espanha (49,95) apresentam cifras semelhantes entre si. Na Serie A, que tem em Carlos Cuesta o bebé do continente, há média de 50,15 anos nos bancos, pouco abaixo dos 50,2 da Ligue 1.

No polo oposto de Portugal, com quase 10 anos a mais, está a Grécia, que conta com média de 52,1 anos num campeonato que, em 14 representantes, tem sete técnicos na casa dos 50 e três na dos 60.

O fator mercado e o efeito contágio

Entre os profissionais mais experientes que estão ausentes da atual temporada, cada caso tem a sua particularidade. Paulo Sérgio, com 251 encontros na I Liga, garante à Tribuna Expresso que teve convites para trabalhar nesta edição da prova, mas preferiu continuar na Arábia Saudita, onde orienta o Al-Akhdoud.

O homem que chegou ao Sporting em 2010/11 acredita, sem dramatizar, que a proliferação de jovens nos bancos se deve "à lei da vida", que leva a que haja "cansaço de imagem" de certos técnicos e "o fator novidade" noutros. Sérgio, de 57 anos, indica uma outra razão, subjacente a muitas das tendências do futebol: o mercado.

Manuel Machado, de 69 anos e com 423 desafios no ponto mais alto da pirâmide, concorda no diagnóstico quanto ao tema financeiro: "Os treinadores tornaram-se um ativo. Houve uns que geraram proveitos financeiros significativos e isso é interessante para quem gere os clubes." Já não se procura só o jogador adolescente que será vendido, também se fareja o técnico trintão que levará a um encaixe de milhões.

José Mota, de 61 anos e 453 jogos na I Liga, é o único técnico com mais de 50 anos no campeonato
José Mota, de 61 anos e 453 jogos na I Liga, é o único técnico com mais de 50 anos no campeonato
SOPA Images

Vasco Botelho da Costa crê que houve, recentemente, casos que derrubaram as barreiras que se colocavam a quem não tinha partidas de I Liga na bagagem. "Experimentou-se, houve exemplos de sucessos, mais apostaram. Perdeu-se o receio. É preciso que, em dado momento, sejam concedidas oportunidades. Se, a certa altura, a idade era fator eliminatório, porque havia a convicção de que a idade poderia ser inimiga do êxito, quando fica provado que não é assim, ela passa a não contar assim tanto", sublinha quem pensa que, nos treinadores, tal como nos futebolistas, não importa há quanto tempo se veio ao mundo, mas sim "a competência".

As boas prestações de sub-40 como Ruben Amorim ou Luís Freire catapultaram a moda, mas a época passada terá sido fundamental para carimbar o acentuar da revolução. A campanha foi marcada pelo número recorde de chicotadas psicológicas, com apenas Santa Clara, Casa Pia, Estoril e Nacional a fazerem todo o campeonato com o mesmo timoneiro. O que une este quarteto? Foi orientado por estreantes na competição, três deles trintões (João Pereira, Ian Cathro e Tiago Margarido) e um algo mais velho (Vasco Matos, que arrancou 2024/25 com 44 anos).

Ir pelo caminho da inexperiência não se revelou uma loucura insensata.

Sucesso premiado... ou não?

"Há muito talento jovem a aparecer com bons trabalhos nos escalões inferiores", radiografia Paulo Sérgio, que na I Liga comandou Paços, Vitória SC, Sporting, Académica e Portimonense. Esta vaga de técnicos com idade de jogador tem, efetivamente, vários casos de êxito recompensado.

Antes de pisar, pela primeira vez, a elite esta temporada, Vasco Botelho da Costa carimbou quase todos os degraus: bicampeão da Liga Revelação pelo Estoril, campeão da Liga 3 pela União de Leiria, vice-campeão da II Liga com o Alverca.

Há outras trajetórias de crescimento sustentado. Vasco Matos subiu com o Santa Clara e levou os açorianos à Europa; Tiago Margarido eliminou o Sporting da Taça com o Varzim, devolveu o Nacional à I Liga e, após perder várias referências do plantel, obteve a manutenção; João Pereira conquistou a Liga 3 com o Alverca e conduziu o Casa Pia ao recorde de pontos da sua história no campeonato principal; Luís Pinto foi campeão da II Liga com o Tondela.

Recentemente, tivemos a I Liga a ser vencida duas vezes por Ruben Amorim, quando o homem que foi para o Manchester United não tinha entrado nos quarentas. Quando Sérgio Conceição ergueu o primeiro dos três campeonatos que obteve pelo FC Porto, tinha 43 anos. Nas últimas 10 edições da prova que é o cume do futebol interno, apenas Roger Schmidt, de 56 anos no Benfica 2022/23, superava a mão-cheia de décadas na idade.

Olhando aos cinco últimos campeões da II Liga, apenas Paulo Alves, de 53 anos quando dirigia o Moreirense 2022/23, superava os 45 anos. Bruno Pinheiro, no Estoril 2020/21, tinha 44, Luís Freire tinha 36 no Rio Ave 2021/22, Vasco Matos contava 43 no Santa Clara 2023/24, Luís Pinto ia nos 36 no Tondela 2024/25.

Paulo Sérgio, de 57 anos e 251 jogos na I Liga, teve convites para esta época, mas preferiu ficar na Arábia Saudita
Paulo Sérgio, de 57 anos e 251 jogos na I Liga, teve convites para esta época, mas preferiu ficar na Arábia Saudita
FILIPE AMORIM/Lusa

Ainda assim, Manuel Machado pensa que não é só sucesso premiado. O homem que, no escalão maior, conduziu Moreirense, Vitória SC, Nacional, Académica, SC Braga e Arouca, concede que "a alteração geracional é cíclica e sucede com normalidade", mas também ele vai buscar o exemplo do mais famosos dos técnicos nacionais.

"O Mourinho diz que chegam treinadores à liga inglesa cujo nome nem se sabia. Esse fenómeno também acontece aqui. Na minha fase, os técnicos chegavam depois de trabalhos que os projetavam, agora aparecem treinadores de toda a origem e de origem nenhuma", aponta Machado, que sublinha que a "agenciação tem um controlo muito significativo do mercado". "Com todo o respeito, o técnico do Famalicão [Hugo Oliveira], que está a fazer um bom trabalho, era treinador de guarda-redes de alguém. Isso só acontece porque a agenciação tem essa capacidade e poder", diz.

Manuel Machado adverte que "não quer dizer que não haja um conjunto de técnicos que fizeram o seu percurso", aterrando na I Liga "por força do bom trabalho", apontando o nome de Luís Pinto. "Mas há outros, como o exemplo que dei atrás, que nada têm a ver com isso. São influências."

"O fenómeno Mourinho espoletou a busca por novas referências, por quem trouxesse algo diferente. Mas não trazem. A qualidade de jogo não se alterou, em comparação com as duas últimas décadas o futebol não está mais atratativo como espetáculo desportivo. Antes pelo contrário, está mais entediante: muita lateralização, muito afundamento para o próprio guarda-redes, o jogo é menos espontâneo", descreve o professor.

O único profissional das táticas acima dos 50 na I Liga é José Mota, de 61 anos. Todas as outras principais ligas têm, pelo menos, quatro homens com mais de 50 anos. Na La Liga há sete, na Premier League há oito, na Serie A nove, na Ligue 1 são 10. Maurizio Sarri comanda a Lazio com 67 anos, Gianpiero Gasperini lidera a Roma com 67, Manuel Pellegrini está no Betis com 71.

O apelo pela juventude desce as escadas do prédio do futebol português. Na II Liga apenas Agostinho Bento, do Felgueiras e de 55 anos, e Pedro Miguel, do Lusitânia de Lourosa e de 57, estão acima das cinco décadas, havendo quatro (João Nuno Fonseca, do Leixões, Vítor Matos, do Marítimo, Vítor Martins, do Torreense, e João Gião, do Sporting B) abaixo dos 40. Na Liga 3, só há dois donos de bancos acima do meio século de existência, sendo José Vala, do Caldas e de 53 anos, e José Bizzarro, do Sporting da Covilhã e de 55, as exceções numa divisão com sete técnicos abaixo dos 40 e onde figura Pedro D'Oliveira, do Atlético, de 29 anos.

Paulo Sérgio, do alto da experiência de quem atuou, como jogador, pela primeira vez na elite em 1988, arrisca um prognóstico: "É até provável que, a meio da época, outros mais velhos surjam na I Liga. O risco é quase sempre feito no início das temporadas."

Na campanha transacta, houve 20 alterações de timoneiro, um recorde. E, se é verdade que debutantes como Hugo Oliveira ou José Faria entraram a meio da época, o panorama geral vinca a ideia de Paulo Sérgio.

Em Braga, os 39 anos de Daniel Sousa foram trocados pelos 58 de Carlos Carvalhal; do Gil Vicente saiu Tozé Marreco, de 37, e entrou Bruno Pinheiro, de 47; os 38 anos de Luís Freire no Rio Ave deram lugar aos 48 de Petit no Rio Ave. No epílogo da competição, os dois derradeiros homens-bombeiro deram o selo definitivo à teoria. Stuart Baxter entrou para salvar o condenado Boavista tendo 71 anos, José Mota chegou ao AFS com 61.

Começar cedo, acabar cedo?

Carlos Brito foi um João Pereira ou um Vasco Botelho da Costa no período em que quase não havia gente com idade de futebolista para lá dos limites do relvado. Em 1996/97, os dois pontos que o Rio Ave somou nas 13 primeiras rondas levaram à saída de Henrique Calisto e à colocação de um jovem de 33 anos no banco.

"Apareci sem querer aparecer, era para ser uma coisa só de transição", lembra, à Tribuna Expresso, Carlos Brito, que achava "que nem tinha competências para ser treinador". Com apenas um assistente na equipa técnica — "era o Lúcio, o treinador de guarda-redes, andávamos os dois com o vídeo às costas e uma televisão para mostrar imagens aos jogadores"—, conseguiu-se uma milagrosa salvação que catapultou uma carreira.

Carlos Brito soprou 40 velas a 21 de setembro de 2003, dia em que esteve num Alverca 1-0 Rio Ave. Foi o seu 143.º encontro na I Liga. Quando chegou aos 50, já contava com 394 partidas no cume da bola nacional. Só faria mais nove, ao serviço do Penafiel, em 2014/15.

Após duas décadas intensas, de mais de 500 desafios entre I e II Ligas e taças, Brito, de 61 anos, não treina desde que, em 2016/17, deixou o Freamunde. Reitera que a entrada da juventude é "a ordem natural das coisas", que "nada tem" contra a evolução, mas questiona-se: "Será que se esqueceram de mim?"

"Não me causa espécie a renovação, mas parece que agora só quem é jovem é que tem sabedoria. Deixei de perceber de futebol? Eventualmente não serei um treinador apetecível. Não me digam que é por incompetência. Não passei a ser incompetente, se calhar passei a ser um bocadinho mais feio. Ninguém tem esta quantidade de jogos só porque sim", diz Carlos Brito.

Se Brito foi a exceção, arrancar cedo passou a ser a regra. "Eu comecei aos 17 anos, a brincar a brincar já lá vai muito tempo", comenta Vasco Botelho da Costa. Já não se trata somente de orientar escalões de formação ou emblemas de bairro quando se deixou de ter idade para pedir Cartão Jovem recentemente. Luís Pinto assumiu o Felgueiras aos 30, João Pereira pegou no Alverca aos 31, Luís Freire comandou o Estoril com 32. Vasco Seabra chegou ao Paços com 33, a mesma idade que Tiago Margarido tinha no Varzim ou Botelho da Costa na União de Leiria.

A entrada fulgurante da tecnologia na preparação das equipas, seja com softwares de treino ou análise de dados, havendo ainda mil e um programas que compilam exercícios e métodos de treino, pode ser outra das vantagens que os mais novos apresentam. Botelho da Costa nota que, com a "velocidade de circulação de informação", é "muito fácil aceder ao dia a dia das equipas, a como se treina, como se joga, a modelos de jogo...". Há menos segredos.

Manuel Machado, que venceu a antiga II Divisão B e a II Liga antes de, na primeira divisão, ter levado o Vitória SC a dois apuramentos europeus (2004/05 e 2010/11) e a uma final da Taça (2010/11), e o Nacional a três classificações para provas UEFA (2005/06, 2008/09 e 2013/14), admite que os mais jovens "usufruem de uma aprendizagem mais recente e poderão trazer alguma coisa que lhes traga vantagens". No entanto, o professor lembra que "é possível um técnico de 50, 60 ou 70 anos estar rodeado de conhecimento e de quem domina tecnologia e fazer um quadro técnico mais equilibrado e capaz".

Mourinho foi fundamental para tornar a profissão de treinador mais 'cool' para uma geração de jovens
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Em sentido inverso, Manuel Machado realça o valor da "vivenciação, da experiência e dos muitos anos de trabalho", porque, ao "lidar com o homem", há "vantagem para quem tem percursos longos". "O futebol tem muito a ver com a vida e, por isso, ano a ano a gente ganha experiência e lida com situações que nos dão aprendizagens para o futuro. Os mais novos não têm essa experiência e o futebol perderá nessa ligação entre o homem e o jogo", lamenta.

Por muito pendor tecnológico que o ofício adquira, Vasco Botelho da Costa, que entrou no campeoanto com duas vitórias em duas rondas pelo Moreirense, crê que o seu trabalho "pressupõe a liderança de pessoas" e, portanto, o "que é fundamental é a relação humana". "Uma máquina, por muito aperfeiçoada que tenha, não vai ter emoção. O segredo está aí, não vai haver grandes máquinas que substituam isso. Pelo menos, brevemente", avança quem já se sente "a ficar para trás" quando se "fala em inteligência artificial".

Em toda a história da I Liga, há 13 técnicos com mais de 400 jogos orientados. O recorde são os 626 desafios de Fernando Vaz, com Manuel Oliveira (617) em segundo. Os dois já faleceram, pelo que o treinador vivo com mais desafios na elite é Jorge Jesus, com 603.

Desses 13 treinador acima das quatro centenas de desafios, somente José Mota (453) se encontra em atividade em Portugal. Carlos Brito (403) não tem trabalho nos bancos desde 2016/17, Jaime Pacheco (404) está fora de Portugal desde 2008/09, somando passagens por Egito, Arábia Saudita e China. Manuel Machado (423) está parado desde 2020/21. Vítor Manuel (505) não tem banco em Portugal desde 2003/04, Manuel Cajuda (506) parou em 2019/20, tendo a sua última aparição na I Liga sido em 2012/13.

Manuel José (564 jogos) está, aos 79 anos, reformado da profissão. Vítor Oliveira (429), Mário Wilson (548) e José Maria Pedroto (573) já não estão entre nós.

Terá sentido Manuel Machado que a idade se tornou um entrave? "Sem dúvida nenhuma. Parei há três anos e, desde aí, a não ser alguns convites do Magrege, África Negra ou Médio Oriente, mas tudo sem grande interesse, e uma ou duas abordagens da II Liga, nunca mais fui convidado para coisa nenhuma. Julgo que isso não se deve à prestação desportiva, que genericamente é positiva, mas devido a essa desgaste que a idade, em termos de imagem, traz. Não é caso único: olhamos e vemos um João Alves, um Augusto Inácio, gente lúcida, que não deixou de ser competente por causa da idade. Há um fantasmazinho…", lamenta.

O conta quilómetros de Carlos Brito no futebol profissional parou num global de 538 jogos, não recomeçando desde que cumpriu 53 anos. O técnico, que sublinha reiteradamente nada ter contra a juventude nem a renovação de gerações, tem dificuldade em "perceber" os motivos de tal desaparecimento.

"A abertura do mercado internacional veio ajudar muito o treinador português. Eu nem essa possibilidade tive. Devo ter feito muito mal ao futebol para estar tanto tempo afastado. Já não espero nada de ninguém, chamada nenhuma. É o que é. Tal como eu, muitos treinadores desapareceram", diz quem, ainda no século XX, foi um jovem nos bancos antes do boom dos jovens nos bancos.

 

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A resposta aborrecida é: nesses 20, alguém tinha de ter a média mais baixa. Talvez nos 20 anos anteriores não a tenhamos tido, daí ninguém ter escrito um testamento a tentar arranjar uma justificação para algo que é tão natural e relativamente provável.

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Citação de Mica, há 1 hora:

A resposta aborrecida é: nesses 20, alguém tinha de ter a média mais baixa. Talvez nos 20 anos anteriores não a tenhamos tido, daí ninguém ter escrito um testamento a tentar arranjar uma justificação para algo que é tão natural e relativamente provável.

Isso é mesmo só querer ser chato e aborrecido. 

Porque basta ler o texto para ver que há realmente uma tendência para o baixar da média de idades e que a média em portugal está bem mais baixa que os restantes campeonatos de topo.

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Citação de smashing_pumpkin , há 15 minutos:

Isso é mesmo só querer ser chato e aborrecido. 

Porque basta ler o texto para ver que há realmente uma tendência para o baixar da média de idades e que a média em portugal está bem mais baixa que os restantes campeonatos de topo.

Chato e aborrecido: sem dúvida.

Mas isso não vai mudar a minha opinião sobre o texto: há um dado estatístico e foi trabalhado um artigo em volta desse número, para lhe dar sentido, e isso cria um viés em quem o está a preparar. Quando o Eriksson aterrou em Portugal, a média de idades era de 39 anos. Tinhamos treinadores com menos de 30 anos, e do outro lado da balança tinhamos treinadores como o Pedroto, que salvo o erro devia andar pelos 55 anos. No entanto, a média era 3 anos abaixo da atual. Qual era o motivo? Eu acho que era o mesmo que o atual: coincidência. Aconteceu que havia mais competência nos mais novos e menos nos mais velhos naquele período temporal.

A tendência é o que é, é muito fácil estares perante uma tendência, seja ela a subir ou a descer, mas no longo prazo é ruído.

Posto isto, safa-se o título, porque nas entrelinhas diz que a média de idades ser baixa pode ser atribuída a qualquer coisa.

A probabilidade de estar em 1º lugar em 20 é de 5%, nada de espantar.

Para o ano eu venho cá traduzir o artigo do Bild 😁

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Citação de Mica, há 1 hora:

Chato e aborrecido: sem dúvida.

Mas isso não vai mudar a minha opinião sobre o texto: há um dado estatístico e foi trabalhado um artigo em volta desse número, para lhe dar sentido, e isso cria um viés em quem o está a preparar. Quando o Eriksson aterrou em Portugal, a média de idades era de 39 anos. Tinhamos treinadores com menos de 30 anos, e do outro lado da balança tinhamos treinadores como o Pedroto, que salvo o erro devia andar pelos 55 anos. No entanto, a média era 3 anos abaixo da atual. Qual era o motivo? Eu acho que era o mesmo que o atual: coincidência. Aconteceu que havia mais competência nos mais novos e menos nos mais velhos naquele período temporal.

A tendência é o que é, é muito fácil estares perante uma tendência, seja ela a subir ou a descer, mas no longo prazo é ruído.

Posto isto, safa-se o título, porque nas entrelinhas diz que a média de idades ser baixa pode ser atribuída a qualquer coisa.

A probabilidade de estar em 1º lugar em 20 é de 5%, nada de espantar.

Para o ano eu venho cá traduzir o artigo do Bild 😁

O artigo dá-te várias hipóteses (desde haver malta a começar mais cedo, ao jogo de agentes, à hipotética visão de mercado ou ao aumento de tecnologia). E são razões apontadas por várias fontes, dos mais velhos aos mais jovens. Porque é que saltas disso para poder ser atribuída a qualquer coisa? A mim parece-me é que há várias razões a motivar estas escolhas. É cumulativo.

Poder-se-á dizer eventualmente que é uma moda, mas parece-me estranho achar que é mera coincidência.

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Pode ser moda, mas também pode entrar o fator de desgaste em relação aos treinadores mais velhos. A malta está farta de José Motas, Campelos, Costinhas, Petits, etc., e preferem arriscar em alguém novo que siga as tendências do futebol atual, ou como novas ideias. 

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Quando a amostra de "treinadores velhos" existente na I Liga é o José Mota, parece-me natural que os restantes clubes procurem soluções bem diferentes 😂

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Algo que não acontecia antes, onde grande parte dos treinadores eram ex-jogadores, agora fruto do meio académico (licenciaturas, cursos), há cada vez mais jovens a licenciarem-se ou tirarem curso de treinadores, a tornarem-se treinadores cedo. Então a probabilidade de aparecerem treinadores mais novos aumenta. 

Por exemplo: É muito comum, principalmente em escalões de formação, ver treinadores com 20 e poucos anos, algo que na teoria ainda estão na idade para jogar.

Não acho que seja a causa, mas acredito que seja um dos fatores.

 

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Citação de andriy pereplyotkin, há 51 minutos:

O artigo dá-te várias hipóteses (desde haver malta a começar mais cedo, ao jogo de agentes, à hipotética visão de mercado ou ao aumento de tecnologia). E são razões apontadas por várias fontes, dos mais velhos aos mais jovens. Porque é que saltas disso para poder ser atribuída a qualquer coisa? A mim parece-me é que há várias razões a motivar estas escolhas. É cumulativo.

Poder-se-á dizer eventualmente que é uma moda, mas parece-me estranho achar que é mera coincidência.

O trabalho foi feito ao contrário: pegou-se no resultado e tentou-se criar narrativas e explicações para lhe dar sentido. Não é um problema exclusivo deste artigo ou sequer deste tema, infelizmente.

A minha crítica é essa: não há valor a extrair daqui. Fez-se um somatório de tudo o que pode resultar nesta média de idades. Cada iliustre elencou aquelas que para si serão as maiores razões, mas já ancorados por este viés de ter o resultado final em mãos. Não há um dado novo, uma descoberta (nem tinha de haver). Basicamente é o mesmo que dizer que ontem foi o dia mais quente do ano porque é agosto, os dias são longos, não havia nuvens, vento de sul para norte (África), humidade baixa, etc.

Era possível fazer melhor. O que tem acontecido lá fora diferente daqui (o que aconteceu nos dias anteriores ao dia mais quente do ano - porque não foram esses os mais quentes)? Bastava um estudo a esta questão para perceber as diferenças de Portugal para os outros 19 - se é que as há, porque no final do dia, como eu disse, alguém tem de ocupar o primeiro lugar desse ranking.

Editado por Mica

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Citação de Mica, há 5 horas:

O trabalho foi feito ao contrário: pegou-se no resultado e tentou-se criar narrativas e explicações para lhe dar sentido. Não é um problema exclusivo deste artigo ou sequer deste tema, infelizmente.

A minha crítica é essa: não há valor a extrair daqui. Fez-se um somatório de tudo o que pode resultar nesta média de idades. Cada iliustre elencou aquelas que para si serão as maiores razões, mas já ancorados por este viés de ter o resultado final em mãos. Não há um dado novo, uma descoberta (nem tinha de haver). Basicamente é o mesmo que dizer que ontem foi o dia mais quente do ano porque é agosto, os dias são longos, não havia nuvens, vento de sul para norte (África), humidade baixa, etc.

Era possível fazer melhor. O que tem acontecido lá fora diferente daqui (o que aconteceu nos dias anteriores ao dia mais quente do ano - porque não foram esses os mais quentes)? Bastava um estudo a esta questão para perceber as diferenças de Portugal para os outros 19 - se é que as há, porque no final do dia, como eu disse, alguém tem de ocupar o primeiro lugar desse ranking.

As palavras têm muito significado. Isto é um artigo jornalístico. Ao que tu chamas de criar narrativas eu vejo uma procura de respostas, que é um propósito jornalístico puro.

Claro está que também poderia haver um trabalho comparativo com os restantes países, mas seria diferente do que aqui está - além de que certamente mais complexo e exigente de mais mão de obra. Mas não é disso que se fala aqui.

Neste artigo, a comparação com as outras ligas serve apenas para pintar um cenário, para uma pessoa ler e perceber "ok, 42 anos é uma média baixa", e para a seguir se perguntar "mas porque é que em Portugal a média é tão baixa?". Essa é a pergunta a que o artigo se propõe a responder.

A grande questão aqui é o comportamento colectivo que atravessa as três principais ligas do país e que leva a uma aparente mudança na forma como os treinadores são escolhidos. Há apenas cinco técnicos com mais de 50 anos em 58 cargos possíveis.

Eu acabei o artigo com algumas respostas, conjecturando ainda outras não citadas: o @BrunoCardoso falou do lado da educação superior; eu penso também em mudanças nas classes dirigentes e no crescimento de SADs com investimento de grupos especializados, com maior tendência para tentar encontrar "treinadores de projeto".

Editado por andriy pereplyotkin

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Citação de andriy pereplyotkin, há 47 minutos:

Eu acabei o artigo com algumas respostas, conjecturando ainda outras não citadas: o @BrunoCardoso falou do lado da educação superior; eu penso também em mudanças nas classes dirigentes e no crescimento de SADs com investimento de grupos especializados, com maior tendência para tentar encontrar "treinadores de projeto".

Para mim é idadismo.

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Juntava o facto de treinadores mais jovens possivelmente estão mais bem preparados para lidar com estas novas gerações que alguns treinadores mais velhos têm dificuldades 

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São demasiado polidos... falta alguns cromos como antigamente

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