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Sr. Inácio

Literatura | Discussão Geral

Publicações recomendadas

Sobre a polémica do livro do Valter Hugo Mãe.

 

Valter Hugo Mãe

18 h ·

Ver o meu romance, "o nosso reino", reduzido a duas frases, e por duas frases julgado, é sintomático do tempo de sentenças sumárias em que vivemos. Opinar passou a ser uma espécie de chelique imediato em que a maioria dos opinantes não sabe o que está em causa; não sabe, por isso, o que está a dizer.

"o nosso reino" é a narrativa de uma criança de oito anos, de profunda candura, que ausculta a figura de deus numa tristeza grande pelos infortúnios da vida. Entre os assuntos que magoam esta criança estão as terríveis palavras que lhe dizem sobre a tia e, mais tarde, sobre um tio que chega de França. Essas duas passagens, no cômputo do livro inteiro, estão como punhais no peito puro da criança, e quem lê o livro não se choca com as palavras, choca-se com a tristeza e o desamparo de que se fala.

Nos meus livros é-me comum abordar o abandono a que somos votados. Sou, desde sempre, impressionado pela solidão e "o nosso reino" é um retrato de uma solidão espiritual a partir do vulnerável ponto de vista infantil.

Lamento que quem discuta acerca do desconforto de alguns pais, de jovens de 14 anos, com "o nosso reino", pareça ter-se esquivado a ler o livro e a perguntar se o choque provocado vem da sua efectiva leitura ou das duas frases que se autonomizaram sem contexto, parecendo sugerir que a obra é um exercício de perversão.

Não sou professor, fui aluno e tive 13 e 14 anos, como é bom de ver. Não me compete ajuizar da adequação de um livro a uma determinada idade escolar. Mas sei que o escândalo normalmente está na competência, ou falta dela, com que se abordam os assuntos. E sei que ter 13 e 14 anos não é uma deficiência, é um tempo natural de descobertas e de maravilha.

Acho muito bem que os pais que considerem os seus filhos imaturos para lerem determinadas obras os orientem noutras leituras. Como acho muito bem que os pais que reconheçam maturidade aos seus filhos os acompanhem em leituras desafiantes, no sentido de verdadeiramente esperar algo dos jovens que não seja apenas fútil e sempre adiado.

Sou a favor de não se tratar os jovens como estúpidos. Falta-lhes informação, mas a grandeza e a complexidade humanas estão plenamente contidas em alguém de 14 anos de idade. Importa saber se queremos fazer de conta que existem crianças com essa idade ou se preferimos atentar no esplendor do aparecimento de um ser mais pleno, perto de estar inteiro.

Seja como for, o que me compete dizer é que o meu livro não é um torpe discurso. É, muito ao contrário, uma exposição enorme de ternura. Para não o perceber basta não ler.

*

"a santidade era uma coisa para todos os dias, mas era difícil. porque a vontade de me manter santo não me assistia da mesma forma, alguns conseguiam destruir-me por dentro a esperança de os salvar."

in "o nosso reino"

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A Visão com o livro "Apelo da Selva" de Jack London já está nas bancas.

 

No entanto, ao contrário da última vez, não há nenhuma informação no interior da revista a dizer qual vai ser o próximo livro.

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Já sabia.

 

Uma pena terem ido só a Lisboa quando o Daniel fez a vida toda dele do Porto para cima.

Foi uma encomenda do Nacional de Lisboa.

 

Já leste alguma da poesia do Kundera? Não encontro nada editado em Portugal.

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Não há.

 

Para português tens três ensaios, um deles que já não se vende no circuito normal (só há uma edição da Asa com uns bons 10 ou 15 anos), os romances e short stories (como os Amores Risíveis), e uma peça de teatro também difícil de encontrar e que a Leya não edita.

 

É bom ver que a poesia é do começo da carreira dele, anos 50, bem antes de sair a Brincadeira (fim anos 60?) ou antes do grande estoiro mediático dele em meados dos 80.

 

Acho que mesmo em inglês vais ter dificuldades, mas se arranjares diz que também quero! Tudo o que está editado em português eu já tenho.

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Pois, nem uma palavra encontrada. Do Bukowski encontro-a quase toda.

 

Murakami:

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É diferente, apesar de tudo.

 

A poesia do Bukowski teria ainda mais impacto se ele fosse latino-americano, é engraçado.

 

Cá o pessoal é romancista e escreve uns ensaios e uns contos aqui e ali, os outros géneros são quase o que se faz quando dá tempo. Lá é muito mais comum os autores tornarem-se mediáticos por ficção curta ou por ensaios, casos do Eduardo Galeano, do Cortázar ou do Borges.

 

O Bukowski é um romancista que escreve poesia, o Kundera é um dos grandes do romance que tem uns poemas publicados lá para a década de 60 e que ninguém se lembra...

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Que livros recentes (últimos 10/15 anos) e de autores portugueses é que aconselham?

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Que livros recentes (últimos 10/15 anos) e de autores portugueses é que aconselham?

É para combinar os dois? Que procuras? Romances, poesia?

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Valério Romão, José Luis Peixoto, Gonçalo M. Tavares, Ondjaki (Angolano), Afonso Cruz.

 

Estes nunca li mas são nomes falados e alguns premiados: Nuno Camarneiro, Bruno Vieira Amaral, Sandro William Junqueira, Valter Hugo Mãe, João Tordo.

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É para combinar os dois? Que procuras? Romances, poesia?

Sim. Romances, preferencialmente.

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Do Tordo li os últimos dois que estão "interligados", O Luto de Elias Gro e O Paraíso Segundo Lars D e gostei bastante. Dele quero ver se leio Biografia Involuntária dos Amantes.

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Que acham do A sul de nenhum norte do Bukowski? Comprei hoje.

Eu estou a ler esse agora e só me falta o último conto. É muito bom.

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Há livros intraduziveis (para Português). Não se apanha a essência, o estilo, por mais que se tente, aquilo sobrevive tudo na lingua em que foi escrito. E por vezes a tradução só atrapalha.

 

É o que acontece com À Espera no Centeio do J.D. Salinger, editado pela Quetzal.

 

Um autêntico pastelão. Com termos que à medida que a leitura avança se tornam risiveis e maçadores porque sabemos que ninguém fala assim, que aqueles termos não são usados (problemas também de estar a ler isto no sec. XXI) por nenhum jovem. Mas como não têm uma tradução directa ou o tradutor não encontrou nada mais condizente, quase que os inventou. Como é o caso da palavra Armantes para designar pessoas que têm a mania.

 

Depois é um livro que tem uma acção muito limitada. Estórias, lembranças, devaneios, mais histórias, mais lembranças, mais devaneios; e o crl do puto vai a todo o lado mas parece que não vai a lado nenhum. Depois, o grande problema para poder levar este jovem a sério é que ele é de classe alta (e é isso que lhe permite andar a passear por Nova York durante aquele tempo todo) e isto é tudo um não problema de um puto mimado. É isso que transparece no fim do livro. Como é que eu posso levar a sério os tormentos de um adolescente que sabe que tem a vida segura aconteça o que lhe acontecer? E que se calhar é por isso que faz com que lhe aconteçam as coisas e não se importa com as consequências.

 

Sobre esta temática já se escreveu e reescreveu e este não é de todo o livro que melhor a retrata. A tradução distrai-nos mas arrisco dizer que também não está assim tão bem escrito.

 

Enfim, um clássico que sabe a pouco.

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E ele - o pai - que não gostava nada de cinema :lol: tanto que nunca autorizou que o Catcher in th Rye fosse adaptado. Acho que chegou mesmo a rejeitar um pedido do Spielberg.

 

Aliás, este personagem farta-se de dizer mal de filmes e actores.

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Há livros intraduziveis (para Português). Não se apanha a essência, o estilo, por mais que se tente, aquilo sobrevive tudo na lingua em que foi escrito. E por vezes a tradução só atrapalha.

 

É o que acontece com À Espera no Centeio do J.D. Salinger, editado pela Quetzal.

 

Um autêntico pastelão. Com termos que à medida que a leitura avança se tornam risiveis e maçadores porque sabemos que ninguém fala assim, que aqueles termos não são usados (problemas também de estar a ler isto no sec. XXI) por nenhum jovem. Mas como não têm uma tradução directa ou o tradutor não encontrou nada mais condizente, quase que os inventou. Como é o caso da palavra Armantes para designar pessoas que têm a mania.

 

Depois é um livro que tem uma acção muito limitada. Estórias, lembranças, devaneios, mais histórias, mais lembranças, mais devaneios; e o crl do puto vai a todo o lado mas parece que não vai a lado nenhum. Depois, o grande problema para poder levar este jovem a sério é que ele é de classe alta (e é isso que lhe permite andar a passear por Nova York durante aquele tempo todo) e isto é tudo um não problema de um puto mimado. É isso que transparece no fim do livro. Como é que eu posso levar a sério os tormentos de um adolescente que sabe que tem a vida segura aconteça o que lhe acontecer? E que se calhar é por isso que faz com que lhe aconteçam as coisas e não se importa com as consequências.

 

Sobre esta temática já se escreveu e reescreveu e este não é de todo o livro que melhor a retrata. A tradução distrai-nos mas arrisco dizer que também não está assim tão bem escrito.

 

Enfim, um clássico que sabe a pouco.

 

Concordo plenamente. Li o Fahrenheit 451 recentemente e foi bastante mau, apesar da estória ser interessante. A partir daí só leio os livros na linguagem original (caso sejam portugueses ou ingleses).

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