John Bonifácio Publicado 22 Maio 2012 Não existe poder sem submissão. Isso de distinguir o instrumento do instrumentalizado não é válido. Ou seja, ao concordares que o instrumento(dinheiro) é eficaz sobre o instrumentalizado(pessoas), estás a anuir à declaração de que dinheiro é poder. Compartilhar este post Link para o post
Gaberlunzie Publicado 22 Maio 2012 (editado) Existe, é o poder sobre nós mesmos. É a ausência de submissão. Mas acho que ainda não percebi bem o teu conceito de poder. Editado 22 Maio 2012 por Gaberlunzie Compartilhar este post Link para o post
John Bonifácio Publicado 22 Maio 2012 A ausência de submissão é auto-controlo. Digo isto porque a minha noção de poder é a de que este só existe num âmbito relacional. Não é algo que se manifeste de forma solitária, no indivíduo. Ou seja, eu posso algo sobre outrem ou outra coisa. De mim para comigo não exerço poder, mas controlo: auto-controlo. Compartilhar este post Link para o post
Gaberlunzie Publicado 22 Maio 2012 Exacto, é poder sobre nós mesmos. Ah ok, entendo a tua visão agora. Portanto para ti poder só existe sobre outrem. Isso é o que eu entendo por autoridade. Para mim poder é controlo. E controlo pode existir sobre ti próprio, ou sobre os outros. Compartilhar este post Link para o post
w0 Publicado 22 Maio 2012 (editado) Ora então vamos lá. Quando falamos em poder, das primeiras ideias que nos vem à mente é que o poder corrompe. Muitas são as vezes em que a frase de Lord Acton é utilizada a esse propósito. Quanto penso em poder penso em esferas diferentes: o poder sobre nós - aquele que detemos, na teoria, de forma absoluta , o poder sobre os outros - aquele que alguns de nós tem sobre os outros, ou simplesmente o facto de estarmos próximos do poder. Voltar-se-à a este ultimo facto mais à frente, apesar de ser maioritariamente marginalizado sempre que se fala em poder. Quando falamos em poder sobre nós, conforme foi enunciado pelo Gaberlunzie, estamos a falar de termos total controlo sobre nós, respeitando os nossos ideais, crenças, certezas e convicções. À partida tudo indica que efectivamente este tipo de poder não corrompe. Mas ontem deitei-me a pensar sobre esta perspectiva e ocorreu-me que também este poder pode corromper-nos. O facto de podermos decidir por nós próprios, homens livres, pode ser, em certa medida, uma forma de nos corrompermos. Se não veja-se. Um jovem foi toda a vida educado para amar a Deus e viver a sua vida o mais próximo que conseguir da vida de Cristo. A verdade é que estes foram os seus ideais durante um largo período de vida em que não tinha capacidade para os julgar, para os aceitar ou rejeitar. Anos passados, esse jovem, 'dono de si', opta por rasgar com esse passado, com esses ideais e valores. O mesmo exemplo se poderia dar a uma mulher que durante 20 anos foi virgem à espera do homem certo, mas que aos 21 teve o poder para decidir que não queria mais isso para os seus valores. Nesta medida, também o poder que temos sobre nós pode corromper. Um dos ditos mais populares em Portugal é o celebre "diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és". Em certa medida é verdade, mas a mim interessa-me mais pensar em que medida é que o poder pode ou não revelar o carácter de uma pessoa. A verdade é que existe dois objectivos principais quando se fala em poder: conquistá-lo e mantê-lo. Nessas duas fases é comum vermos as pessoas a corromperem-se, a não olharem a meios para atingirem os fins, o que reforça um pouco mais o que eu disse sobre o ponto anterior. A sede de poder cega as pessoas, fá-las desviarem-se da sua rota, dos seus ideais e valores. Nesse sentido também o poder, ou a vontade de ter poder, corrompe. O poder vai mudando as pessoas, que vão destruindo aquilo em que acreditam, para alcançarem cada vez mais e mais poder. Concordo também com o que foi dito sobre a relação poder-outros. Esse é o exemplo mais paradigmático de como o poder corrompe, neste caso os outros, subjugados à vontade, caprichos e desejos de quem detém o poder. Pegando na segunda parte da frase de Lord Acton, observa-se que historicamente são conhecidos exemplos em que o poder absoluto corrompeu absolutamente, tal torna-se praticamente irrefutável se nos lembrarmos do totalitarismo do sec. XX (nazismo, Estalinismo) ou se recuarmos para os tempos das monarquias absolutas. Criaram-se sistemas com checks & balances e ainda assim, o poder que deixou de ser absoluto, continua a corromper. Porque razão um poder não absoluto corrompe? A sociedade está organizada de forma a que exista uma combinação entre liberdade na sociedade civil, controlada e delimitada por uma estrutura organizacional política (e não só, mas fica para outro debate isso). A verdade é que existe uma relação entre sociedade civil - organizações políticas, estas ultimas criadas desde os tempos da Grécia antiga com o propósito de organizar e regular a vida em sociedade. Nesse sentido, a esfera política é uma esfera que detém um poder sobre a esfera civil. É aqui que o poder começa a corromper, visto que o poder coloca o seu detentor uns degraus acima de quem não tem poder. O facto de se controlar algo (quer seja dinheiro, recursos, ou a simples possibilidade de decidir o rumo das coisas) faz com que 'os poderosos' se corrompam, não só para alcançar este patamar, mas também para o manter. Muitas vezes o cargo e a pessoa confundem-se e é ai que o poder corrompe. Uma vez que este ponto já foi algo debatido, gostava de saber a vossa opinião sobre outra coisa. Vou deixar a questão que se segue em aberto, visto que é um tópico que nunca foi muito debatido e no qual tenho vindo a pensar nos últimos tempos, sem que ainda tenha formado uma ideia completa sobre o mesmo. À partida, diria que o facto de estar-se perto do poder pode corromper. O complicado aqui é separar as pessoas. Um exemplo fácil seria de dizer que a pessoa A está, por exemplo, próxima do Presidente da Câmara do sitio X. Um amigo da pessoa A pede-lhe para meter uma cunha junto do Presidente, acabando A por faze-lo. Ou seja, não tem o poder necessário, neste caso na câmara, para fazê-lo, mas ao estar próximo do poder é na mesma corrompido. Como vos disse isto ainda está muito embrionário, porque logo à partida surge-me a ideia que essa pessoa A tem um determinado poder sobre o Presidente, logo aqui não está só perto do poder, como também tem poder, confundido a minha equação de que o facto de estarmos perto do poder também corrompe. Em todo o caso, se alguém quiser pegar por aqui, fica a questão: O simples facto de estarmos perto do poder corrompe? Editado 22 Maio 2012 por w0 Compartilhar este post Link para o post
bobzz Publicado 22 Maio 2012 acho que fica mais facil se definirem primeiro as coisas. as palavras tem varios significados para varias pessoas, ou o mesmo significado mas com varias interpretaçoes possiveis. toda e qualquer acção e' poder. e aqui nao vou ter acçao como so' o sendo quando tem consequencia sobre algo ou outra pessoa, logo tambem nao me dirijo ao poder como tal. para mim, poder esta' mais perto de influencia do que do controlo. diria que controlo advem do poder. uma escolha e' controlo, mas antes disso e' poder, e antes ainda e' influencia. e se afecta outra pessoa, tambem o e' depois. tudo o que tu fazes e' poder, tudo o que nao te deixas fazer e' poder. se escolhes, e' porque tens o poder de fazer e de nao fazer. controlo e' isso mesmo, e esta' num nível diferente. o do controlo sobre ou do poder. falar e' poder, falar apenas o que tu queres e' controlo. ouvir e' poder, ouvir apenas o que tu queres e' controlo. o poder e' a maneira como pretendes que a influencia seja exercida, ou a maneira como a influencia se quer fazer exercer sobre ti. ha' controlo exercido por ti sobre ti proprio, controlo exercido por ti sobre alguma coisa, ou controlo exercido por algo sobre ti. ou nestes últimos como tentativa de. quando se diz que o poder e' controlo, eu digo que o controlo existe quando o poder e' correspondido, quando a influencia e' se consuma. no limite, tudo e' poder, porque tudo influencia ou tudo e' influenciado. uma accao e' uma influencia a que correspondes ou queres fazer corresponder. uma acçao e' poder, influenciada por qualquer coisa. seja pela necessidade que o teu corpo tem (e que o teu cerebro transmite) de comer, pelo pensamento que tens e que e' influenciado pelos pensamentos anteriores, pela reacçao que esperas que outra pessoa tenha (por exemplo, quando dizes que a amas). toda a causa tem uma consequencia, e todas elas, tanto causas como consequencias, sao influencias. tens acçoes que partem de ti, e acçoes que se dirigem a ti. uma opiniao que ouves ou les, e' uma influencia que podes controlar. controlas o poder que queres que exerça sobre ti. seja ele algum ou nenhum. podes dizer que o teu pensamento e' poder, mas e' algo a que te permites o controlo. pensares de uma determinada forma e' controlo. diria que o controlo e' ao mesmo tempo poder e a sua consequência. a causa do poder e' a influencia. tentando clarificar, e a' falta de melhor adjectivos, talvez fizesse corresponder 'a influencia impulso, ao poder acçao, e ao controlo reacçao. toda o acçao/poder e' de certa forma controlo, todo o controlo e' de certa forma poder. limitado ou nao limitado, com ou sem influencia. cada um de nos e' resultado de influencias. influencias que ao longo da nossa vida fomos deixando, ou nao, que nos modificassem. umas vezes mais, outras vezes menos. o controlo nasce da experiência. so' existe por causa dela. ou, se quisermos, pelo menos da 'ma'' experiencia. existe porque achamos que e' necessário controlar determinados impulsos, aqueles que nao queremos ver consumados. tanto (e nao so') por nos, como pelos outros. agora ao que o autor se refere. vou substituir a palavra poder por controlo, o poder de decidir ou a decisão de poder. o controlo, a nível unicamente pessoal, e dada a experiência, conhecimento, formação, educaçao whatever adquiridos, e' arbitrario, e' sempre subjectivo. nao e' valorizavel. nao e' possivel sequer de afirmar que corrompe ou nao corrompe. a questao simplesmente nao se poe. o controlo existe a nível macro para limitar o poder, ou hipóteses de decisão, daqueles que estão sobre a influencia das nossas acções. limitar o poder de decidirem por eles e sobre eles. isto e', o poder deles sobre os outros e dos outros sobre eles. se o poder, tomado neste caso como decidir por alguém, corrompe quem decide? não. o poder de decidirem por nos e' que nos pode limitar, 'corromper'. por isso, sim. se e' a isto que o autor se refere, o poder limita. o poder absoluto limita absolutamente. o poder limita tanto mais quanto mais restringidas ficam as hipóteses de decisão de sobre quem exerço o meu poder, o meu controlo. o meu controlo em substituição do controlo pelos outros. Compartilhar este post Link para o post
Gaberlunzie Publicado 22 Maio 2012 Muito bom. Deixaste-me também a pensar sobre essas coisas. Portanto vamos lá: Quando falas sobre um jovem que sempre foi Cristão mas quando começou a ganhar mais poder sobre si decidiu que queria deixar de ser Cristão. Eu penso que isso não é corromper os teus ideais, isso é alterar os nossos ideais de acordo com o poder que temos. Não corrompeu, porque não chegou a agir contra os seus ideais, alterou-os antes de agir contra eles. Se é que me faço perceber. Por outras palavras uma pessoa só pode ser corrompida se estiver a corromper os seus ideais e vontades, portanto só pode ser corrompida se estiver a agir pelo poder de outrem. Ou seja se outra pessoa (ou coisa) tiver poder sobre ela. Isto porque parto de um princípio que tudo o que uma pessoa pensa é a verdade absoluta do indivíduo. Um individuo não pode corromper-se a si próprio, porque não há maneira. Por exemplo, um jovem que nunca bebeu álcool, tem 25 anos e está sentado no sofá e pensa: eu tenho 25 anos, ando desde os 18 anos oprimido para não beber, já chega disto, vou beber álcool. Eu não considero isto corromper os seus ideais, considero que o individuo ganhou poder para tomar a decisão que queria. Renovou os seus ideais. Resta saber é se a decisão de começar a beber álcool teve influência externa ou não, e se essa influência teve uma grande importância ou não. De qualquer maneira penso no poder da seguinte forma: é impossível ter, simultaneamente, poder absoluto sobre ti e alguém ter poder sobre ti também. Vamos meter as coisas na prática, se tiveres 80% de poder sobre ti, os outros 20% pertencerão a alguém ou algo. Mas se tiveres 100%, não restará mais poder. Quanto à parte de estar perto do poder, como tu disseste esse senhor tem algum poder sobre o Presidente. Estar ao pé da autoridade (e vou diferenciar aqui de poder porque ao pé de poder estamos sempre) pode dar-nos alguma autoridade também. Mesmo que de forma indirecta. Digo pode porque o Presidente podia muito bem não ceder ao pedido dele. Isso a mim mostra-me que, das duas uma: ou o Presidente considera as cunhas uma coisa normal e está disposto a fazê-lo nos seus ideais; ou i Presidente não tem suficiente poder sobre si para decidir de acordo com os seus ideais. Compartilhar este post Link para o post
André Publicado 22 Maio 2012 Tópico e posts muito interessantes! Está aqui um cantinho porreiro :) Ora bem, o poder, então. O poder de uma pessoa, de um indivíduo, de uma forma geral, pode ser definido como a capacidade de impor a sua própria vontade a outros; de fazer valer a sua vontade em detrimento da de outros. O poder será tanto maior, quanto maior for o número de pessoas que tenha que se submeter ou sujeitar à vontade desse mesmo indivíduo. Depois, há as várias formas de poder: dinheiro, cargo, estatuto, conhecimento, etc. O poder corrompe? Não creio. É o ser humano que se corrompe a si próprio. O poder, o dinheiro, o capital, são meros "personagens" da vida quotidiana; não têm vontade nem inteligência para corromper quem quer que seja. O que acontece é que estes "personagens", pelo simples facto de existirem e serem atractivos, podem despertar a ganância, a avareza, a ambição desmedida de determinada pessoa. São as características de determinada pessoa que vão levar a que ela se corrompa ou não. É o carácter de cada indivíduo, as suas características únicas enquanto pessoa, que fará com que ele se corrompa ou não. A meu ver, o poder poderá, quanto muito, servir como catalisador. Compartilhar este post Link para o post
Gaberlunzie Publicado 22 Maio 2012 bobbz, não podemos definir rigidamente poder e exigir que toda a gente use essa definição. Aliás o objectivo do tópico não é esse, mas sim estar receptivo a diferentes pontos de vista. No entanto fui ao dicionário ver a definição de power (dicionário Inglês, portanto) e tanto controlo como influência estão indicadas na definição de poder. Se quiseres dá uma espreitadela: http://www.thefreedictionary.com/power ;) Compartilhar este post Link para o post
bobzz Publicado 22 Maio 2012 (editado) eu nao quis definir nesse sentido, quis definir apenas o sentido que lhe quis atribuir, ate' para que se percebesse melhor o que escrevi. para se discutir um tema e' necessario primeiro clarificar o que cada palavra significa para si, para depois nao dificultar a intepretaçao. Editado 22 Maio 2012 por bobzz Compartilhar este post Link para o post
bmfpcdm Publicado 22 Maio 2012 Poder "O poder corrompe. O poder absoluto corrompe absolutamente." Lord Acton Pego nesta frase para, a partir daqui desenvolver a minha visão. Essa frase é uma mentira, e vou passar a dizer porquê: o senhor diz que o poder corrompe as pessoas, portanto o poder absoluto corrompe absolutamente. É um pensamento lógico e que à primeira partida até faz sentido. Também eu pensei que fosse verdade até à pouco tempo, até reservar um tempo para pensar no assunto. Portanto para entendermos porque é que é uma mentira temos de entender o significado de poder. Portanto, fui ao dicionário e encontrei muitos significados de poder, e muito diferentes uns dos outros. Mas afinal o que é poder? Poder é controlo. É ter o controlo de algo. E o que é controlar? É ter o domínio de algo. Portanto como é que o controlo corrompe? Não corrompe. O que corrompe é o controlo sobre outrem. E porquê? Porque quando uma pessoa tem poder sobre outrem, pode controlá-la, e quando uma pessoa controla outra obriga-a a fazer coisas que esta não fazia se tivesse controlo sobre si mesma. E isso é corromper, agir contra os nossos ideais e pensamentos, agir contra nossa vontade é corromper. Normalmente associa-se corromper com aliciamento com dinheiro, mas a verdade é que corromper é uma palavra com significados muito mais vastos. Corromper é renunciar aos nossos ideais e às nossas vontades por imposição alheia (dinheiro, outra pessoa, fama, reconhecimento). Portanto o poder não corrompe, o que corrompe é o poder sobre os outros, portanto quando uma pessoa controla outra (uma, ou mais). Por isso todo o poder sobre outrem é corrupto. Mas eu disse que o poder não corrompia, mas ainda não expliquei aqui porquê, portanto vou fazê-lo. Enquanto o poder sobre outrem corrompe, o poder sobre nós mesmos faz o oposto. Quando temos controlo sobre nós mesmos, temos fieldade aos nossos ideais e vontades. Porque temos controlo sobre nós mesmos, não temos nada nem ninguém a impor-nos coisas. Portanto não fazemos nada que não queiramos, e então não corrompemos os nossos ideias e vontades. Portanto o poder não corrompe, o que corrompe é o poder sobre outrem. O poder sobre nós mesmo, faz o oposto. No fundo concordas com a afirmação. Na afirmação subentende-se que o poder é exercido sobre terceiros, isto se a procurares compreender no contexto em que se insere. A frase é produzida no âmbito da elevação da figura central de uma instituição – neste caso em particular o Rei e o Papa – ao ponto de a presumir isenta da possibilidade de errar. Acton, sobre o assunto, continua e escreve algo como isto: 'a existir alguma presunção, será no sentido contrário, contra os detentores do poder, aumentando à medida que o poder aumenta'. Em sequência surge a citação, "Poder tende a corromper, e poder absoluto corrompe absolutamente.". A expressão 'tende a corromper' faz toda a diferença. Compartilhar este post Link para o post
Gaberlunzie Publicado 22 Maio 2012 (editado) No fundo concordas com a afirmação. Na afirmação subentende-se que o poder é exercido sobre terceiros, isto se a procurares compreender no contexto em que se insere. A frase é produzida no âmbito da elevação da figura central de uma instituição – neste caso em particular o Rei e o Papa – ao ponto de a presumir isenta da possibilidade de errar. Acton, sobre o assunto, continua e escreve algo como isto: 'a existir alguma presunção, será no sentido contrário, contra os detentores do poder, aumentando à medida que o poder aumenta'. Em sequência surge a citação, "Poder tende a corromper, e poder absoluto corrompe absolutamente.". A expressão 'tende a corromper' faz toda a diferença. Exacto, tive a ler o resto do texto por alto e ele fala no poder exercido sobre outrem. Portanto concordo. No entanto essa frase isolada pode ser entendida de outra forma. Mesmo assim foi bom porque dei a minha visão sobre o poder. Já ponho aqui o resto do texto se o encontrar. Editado 22 Maio 2012 por Gaberlunzie Compartilhar este post Link para o post
Gaberlunzie Publicado 22 Maio 2012 (editado) Portanto cá vamos, excerto do que o homem disse: I cannot accept your canon that we are to judge Pope and King unlike other men, with a favorable presumption that they did not wrong. If there is any presumption it is the other way against holders of power, increasing as the power increases. Historic responsibility has to make up for the want of legal responsibility. Power tends to corrupt and absolute power corrupts absolutely. Great men are almost always bad men, even when they exercise influence and not authority: still more when you superadd the tendency or the certainty of corruption by authority. There is no worse heresy than that the office sanctifies the holder of it. Editado 22 Maio 2012 por Gaberlunzie Compartilhar este post Link para o post
Nanas Publicado 22 Maio 2012 Umas breves linhas sobre a minha opinião. Primeiro partilho da Visão que o poder sobre alguém é que corrompe enquanto que o poder sobre nós próprios não, como está argumentado no primeiro tópico. Isto é bonito mas não se aplica ao mundo real. Acredito eu na hipótese da evolução das espécies de Darwin em que este diz que em caso de mudança as espécies entram numa luta pela sobrevivência onde as que tem características mais "adaptadas" ao meio é que sobrevivem. Assim, vivendo em sociedade ou como animais, a competição está presente nas nossas vidas. Assim, se quisermos sobreviver é preciso ganhar estas competições que, nos dão responsabilidade e poder sobre os vencidos (imaginemos que duas pessoas que não comem à vários dias lutam por um pedaço de comida e por muito boas pessoas que sejam que ganha irá comer para sobreviver). Este exemplo talvez um pouco absurdo demonstra o poder do vencedor sobre o vencido. Assim, na minha opinião, em qualquer lado, o poder corrompe, porque vivemos com outros organismos em que estamos em sempre em competição, tendo os vencedores poder sobre os vencidos. Não sei se me expliquei bem :) Compartilhar este post Link para o post
Gaberlunzie Publicado 22 Maio 2012 Umas breves linhas sobre a minha opinião. Primeiro partilho da Visão que o poder sobre alguém é que corrompe enquanto que o poder sobre nós próprios não, como está argumentado no primeiro tópico. Isto é bonito mas não se aplica ao mundo real. Acredito eu na hipótese da evolução das espécies de Darwin em que este diz que em caso de mudança as espécies entram numa luta pela sobrevivência onde as que tem características mais "adaptadas" ao meio é que sobrevivem. Assim, vivendo em sociedade ou como animais, a competição está presente nas nossas vidas. Assim, se quisermos sobreviver é preciso ganhar estas competições que, nos dão responsabilidade e poder sobre os vencidos (imaginemos que duas pessoas que não comem à vários dias lutam por um pedaço de comida e por muito boas pessoas que sejam que ganha irá comer para sobreviver). Este exemplo talvez um pouco absurdo demonstra o poder do vencedor sobre o vencido. Assim, na minha opinião, em qualquer lado, o poder corrompe, porque vivemos com outros organismos em que estamos em sempre em competição, tendo os vencedores poder sobre os vencidos. Não sei se me expliquei bem :) Acho que não foste muito claro. Estás a falar de darwinismo social? Se não estás aconselho-te a pesquisar sobre isso e a leres, principalmente os críticos da teoria. Compartilhar este post Link para o post
Nanas Publicado 22 Maio 2012 Eu não conheço muito a teoria. Foi uma interpretação minha segunda a teoria do Darwin mas provavelmente deve estar lá perto. Basicamente quis pegar na ideia de estarmos em Competição constantemente uns pelos os outros e que os vencedores detém poder sobre os vencidos, corrompendo-se. Compartilhar este post Link para o post
Gaberlunzie Publicado 22 Maio 2012 Neste momento quer-me parecer que existe abundância suficiente para não estarmos em competição pelos recursos. Compartilhar este post Link para o post
Nanas Publicado 22 Maio 2012 Claro que sim (em sociedades ditas desenvolvidas). Mas no quotidiano vives em competição a mesma: pelo ultimo bolo da cafetaria, pelas melhores notas, pelo melhor trabalho, pela rapariga que gostas, etc etc. Não esse nível extremado que dizes mas continua a ser competição Compartilhar este post Link para o post
Gaberlunzie Publicado 22 Maio 2012 Claro que sim (em sociedades ditas desenvolvidas). Mas no quotidiano vives em competição a mesma: pelo ultimo bolo da cafetaria, pelas melhores notas, pelo melhor trabalho, pela rapariga que gostas, etc etc. Não esse nível extremado que dizes mas continua a ser competição Apesar de algumas serem um bocado estranhas (bolo na cafetaria lol), entendo o que estás a dizer apesar de saber que isso são invenções do nosso sistema. Compartilhar este post Link para o post
Nanas Publicado 22 Maio 2012 O que achas que são invenções??? Compartilhar este post Link para o post
Gaberlunzie Publicado 22 Maio 2012 "Mas no quotidiano vives em competição a mesma: pelo ultimo bolo da cafetaria, pelas melhores notas, pelo melhor trabalho, pela rapariga que gostas, etc etc. " Compartilhar este post Link para o post
Nanas Publicado 22 Maio 2012 "Mas no quotidiano vives em competição a mesma: pelo ultimo bolo da cafetaria, pelas melhores notas, pelo melhor trabalho, pela rapariga que gostas, etc etc. " Não sei se conheces a teoria da selecção sexual também do Darwin. Basicamente a escolha de parceiros é realizado pelas fêmeas, ocorrendo uma "exibição de características" por parte dos machos, havendo uma competição. Os outros exemplos tem haver com alimento e hierarquias. Em questão a alimento. Se vivesses fora do sistema não lutarias pelo bolo mas lutarias com outras espécies ou com humanos por alimentos. Por outro lado para viveres em sociedade tem de haver hierarquias. Em quase todas existem posições de superioridade e, nas que não existe, desmembram-se porque não tem uma base. Assim, ocorre competição entre certos membros do Sistema em que estas envolvido, mesmo o que seja mais simples e o mais justo. Assim, havendo competição em tudo o que faças no teu quotidiano acabarás por sair corrupto pois sempre que saíres vencedor de qualquer competição. Compartilhar este post Link para o post
Gaberlunzie Publicado 23 Maio 2012 (editado) Mudando de tema, vou deixar aqui um texto que fiz a propósito de uma discussão que estava a ter com BH aqui no fórum. Um texto sobre liberdade, com algumas adaptações para que se consiga compreender a minha visão mesmo fora do contexto da discussão. De notar que este é um pensamento diferente dos outros porque se insere no contexto social e político que vivemos hoje em dia. Já agora aproveito para dizer que quem quiser sugerir temas é livre de fazê-lo desde que respeite um tempo mínimo para o tema anterior, de modo a dar a hipótese a todos de participar. Liberdade Liberdade, na minha visão, tem de ser total. É a liberdade de tomar as decisões que eu quero. A única coisa que pode condicionar as minhas decisões tem de ser a minha consciência e nada mais que isso. Fala-se nas diferentes liberdades, como liberdade de expressão, locomoção, pensamento, associação, todas essas liberdades estão dependentes quer do dinheiro quer do meu estatuto na sociedade. Eu não me posso deslocar à China se não tiver dinheiro para pagar a viagem ou não tiver um certo estatuto na sociedade que me permita viajar de borla (por exemplo um cargo superior na companhia aérea). Eu não posso expressar as minhas preocupações e convicções a uma determinada população se não tiver dinheiro para me deslocar perto da população ou um certo estatuto na sociedade (por exemplo um conhecido com um alto cargo numa estação de televisão que sirva a população à qual eu me quero expressar). Liberdade de pensamento, o que eu penso está dependente da quantidade e qualidade de informação que eu tenho à disposição. A informação hoje em dia é paga, logo estou dependente do dinheiro para me informar, e visto que o meu pensamento depende da quantidade e qualidade da informação que eu tenho ao dispor, posso concluir que é bastante discutível se eu tenho ou não liberdade de pensamento. E deixei de parte os preconceitos da sociedade em relação a certos pensamentos, o que também condiciona a minha liberdade de pensamento. Quanto à liberdade de associação, também estou dependente do dinheiro ou de um certo estatuto na sociedade para me associar ao que eu quero. Temos, e como estamos num fórum de futebol, o exemplo da associação a clubes de futebol, onde é preciso dinheiro para nos tornarmos sócios. Portanto, liberdade parcial não existe na minha visão. Ou sou livre ou não sou. E ser livre é simplesmente poder tomar as minhas decisões sem condicionantes (dinheiro, estatuto, preconceitos...) além da minha consciência. E não se pode confundir liberdade com tecnologia. A tecnologia melhora as nossas condições de vida mas não condiciona a liberdade. Por outras palavras eu não posso ter a liberdade de ir a Marte porque é tecnologicamente impossível, nos dias de hoje, apesar de puder ter esse sonho (de ir a Marte) não me vou sentir oprimido por não puder ir porque é tecnologicamente impossível para toda a gente independentemente de estatuto, dinheiro, sexo, nacionalidade, etnia, etc. Ou seja quando não existe a tecnologia para, não pode existir a liberdade para, mas a partir do momento em que existe a tecnologia para, passa a existir a liberdade para. Este conceito de liberdade vai de acordo com a definição de liberdade no dicionário. liberdade (latim libertas, -atis) s. f. 1. Direito de proceder conforme nos pareça, contanto que esse direito não vá contra o direito de outrem. 2. Condição do homem ou da nação que goza de liberdade. 3. Conjunto das ideias liberais ou dos direitos garantidos ao cidadão. 4. [Figurado] Ousadia. 5. Franqueza. 6. Licença. 7. Desassombro. 8. Demasiada familiaridade. Editado 23 Maio 2012 por Gaberlunzie Compartilhar este post Link para o post
Goldesel Publicado 23 Maio 2012 (editado) Ora então vamos lá. Quando falamos em poder, das primeiras ideias que nos vem à mente é que o poder corrompe. Muitas são as vezes em que a frase de Lord Acton é utilizada a esse propósito. Quanto penso em poder penso em esferas diferentes: o poder sobre nós - aquele que detemos, na teoria, de forma absoluta , o poder sobre os outros - aquele que alguns de nós tem sobre os outros, ou simplesmente o facto de estarmos próximos do poder. Voltar-se-à a este ultimo facto mais à frente, apesar de ser maioritariamente marginalizado sempre que se fala em poder. Quando falamos em poder sobre nós, conforme foi enunciado pelo Gaberlunzie, estamos a falar de termos total controlo sobre nós, respeitando os nossos ideais, crenças, certezas e convicções. À partida tudo indica que efectivamente este tipo de poder não corrompe. Mas ontem deitei-me a pensar sobre esta perspectiva e ocorreu-me que também este poder pode corromper-nos. O facto de podermos decidir por nós próprios, homens livres, pode ser, em certa medida, uma forma de nos corrompermos. Se não veja-se. Um jovem foi toda a vida educado para amar a Deus e viver a sua vida o mais próximo que conseguir da vida de Cristo. A verdade é que estes foram os seus ideais durante um largo período de vida em que não tinha capacidade para os julgar, para os aceitar ou rejeitar. Anos passados, esse jovem, 'dono de si', opta por rasgar com esse passado, com esses ideais e valores. O mesmo exemplo se poderia dar a uma mulher que durante 20 anos foi virgem à espera do homem certo, mas que aos 21 teve o poder para decidir que não queria mais isso para os seus valores. Nesta medida, também o poder que temos sobre nós pode corromper. Um dos ditos mais populares em Portugal é o celebre "diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és". Em certa medida é verdade, mas a mim interessa-me mais pensar em que medida é que o poder pode ou não revelar o carácter de uma pessoa. A verdade é que existe dois objectivos principais quando se fala em poder: conquistá-lo e mantê-lo. Nessas duas fases é comum vermos as pessoas a corromperem-se, a não olharem a meios para atingirem os fins, o que reforça um pouco mais o que eu disse sobre o ponto anterior. A sede de poder cega as pessoas, fá-las desviarem-se da sua rota, dos seus ideais e valores. Nesse sentido também o poder, ou a vontade de ter poder, corrompe. O poder vai mudando as pessoas, que vão destruindo aquilo em que acreditam, para alcançarem cada vez mais e mais poder. Concordo também com o que foi dito sobre a relação poder-outros. Esse é o exemplo mais paradigmático de como o poder corrompe, neste caso os outros, subjugados à vontade, caprichos e desejos de quem detém o poder. Pegando na segunda parte da frase de Lord Acton, observa-se que historicamente são conhecidos exemplos em que o poder absoluto corrompeu absolutamente, tal torna-se praticamente irrefutável se nos lembrarmos do totalitarismo do sec. XX (nazismo, Estalinismo) ou se recuarmos para os tempos das monarquias absolutas. Criaram-se sistemas com checks & balances e ainda assim, o poder que deixou de ser absoluto, continua a corromper. Porque razão um poder não absoluto corrompe? A sociedade está organizada de forma a que exista uma combinação entre liberdade na sociedade civil, controlada e delimitada por uma estrutura organizacional política (e não só, mas fica para outro debate isso). A verdade é que existe uma relação entre sociedade civil - organizações políticas, estas ultimas criadas desde os tempos da Grécia antiga com o propósito de organizar e regular a vida em sociedade. Nesse sentido, a esfera política é uma esfera que detém um poder sobre a esfera civil. É aqui que o poder começa a corromper, visto que o poder coloca o seu detentor uns degraus acima de quem não tem poder. O facto de se controlar algo (quer seja dinheiro, recursos, ou a simples possibilidade de decidir o rumo das coisas) faz com que 'os poderosos' se corrompam, não só para alcançar este patamar, mas também para o manter. Muitas vezes o cargo e a pessoa confundem-se e é ai que o poder corrompe. Uma vez que este ponto já foi algo debatido, gostava de saber a vossa opinião sobre outra coisa. Vou deixar a questão que se segue em aberto, visto que é um tópico que nunca foi muito debatido e no qual tenho vindo a pensar nos últimos tempos, sem que ainda tenha formado uma ideia completa sobre o mesmo. À partida, diria que o facto de estar-se perto do poder pode corromper. O complicado aqui é separar as pessoas. Um exemplo fácil seria de dizer que a pessoa A está, por exemplo, próxima do Presidente da Câmara do sitio X. Um amigo da pessoa A pede-lhe para meter uma cunha junto do Presidente, acabando A por faze-lo. Ou seja, não tem o poder necessário, neste caso na câmara, para fazê-lo, mas ao estar próximo do poder é na mesma corrompido. Como vos disse isto ainda está muito embrionário, porque logo à partida surge-me a ideia que essa pessoa A tem um determinado poder sobre o Presidente, logo aqui não está só perto do poder, como também tem poder, confundido a minha equação de que o facto de estarmos perto do poder também corrompe. Em todo o caso, se alguém quiser pegar por aqui, fica a questão: O simples facto de estarmos perto do poder corrompe? Muito bom wo. Gostei da tua perspectiva especialmente relativamente ao poder interno sobre nós mesmos. Agora só não concordo com o facto de ao mudarmos de ideais estamos a corromper-nos. Pegando no exemplo que falas, qualquer religioso que pense sobre o assunto (eu sou religioso) questiona a sua fé várias vezes na vida, questiona a existência de Deus, questiona a Biblia e os seus ideias. Isso não quer dizer que esteja ser corrompido pelo poder. A partir do momento que tenho a capacidade de julgar e raciocinar sobre algo, é normal por em causa os meus ideiais, que são testados ao longo da minha vida. Isso é um dos poderes que tu tens sobre ti. Como já penso que foi dito, só te corrompes se, por exemplo, acreditares e concordares com os ideiais religiosos e bíblicos e depois na prática não os aplicares. Acho que me fiz entender... Quanto à tua pergunta acho que estar perto do poder não corrompe. PODE corromper, como tudo... Mas nem sempre. Há sempre a possibilidade de a pessoa recusar-se a pedir isso porque vai contra os seus ideais. Se o fizer está a corromper. Aliás o poder está a corromper tanto o Presidente como o amigo como quem leva a cunha... É uma cadeia infindável. Mas é mesmo assim que a sociedade está desenhada. Pegando no novo tema, para já não me vou pronunciar porque não tenho muito tempo para justificar a minha opinião, mas cá fica: como seres humanos temos a necessidade de pensar e de acreditar que somos livres e temos o poder de escolher as nossas decisões. Na prática isso não se verifica... Depois se tiver tempo venho cá e coloco algo sobre isso ;) PS: Estou a gostar bastante das opiniões de toda a gente ;) Editado 23 Maio 2012 por Goldesel Compartilhar este post Link para o post