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Cinema | Discussão Geral

Publicações recomendadas

O The Father está simplesmente tocante. Vi-o hoje. Ainda estou abananado. 

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Vi esta semana pela primeira vez “Rambo first blood” adorei. Nunca tinha visto o primeiro e já tinha apanhado vários da sequela aqui e ali e não tinha noção de quão bom era o primeiro. 

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Citação de bmfpcdm, há 1 hora:

Hoje planeio ver "Inland Empire". Só me falta esse filme para completar a lista 'MovieSense 101'. Desejem-me sorte.

faltam-me aí uns 30. achei curioso estar aí o Boy A

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O "Inland Empire", para um filme do David Lynch tão abertamente surreal, com uma duração de 3 horas, até que não é nada mau. Estava com receio de acabar por o odiar por falta de direção ou coesão, mas tal não aconteceu.

 

Citação de frnk th tnk, há 20 horas:

icheckmovies! Bons velhos tempos!

Ultimamente tenho utilizado o site para escolher filmes, intercalado com a opção 'random' do site 'criticker' (o "Inland Empire", curiosamente, até me calhou no 'criticker'). No 'icheckmovies', aquilo que faço é copiar e salvar as listas da página 'Progress' num documento 'Word' (convenientemente ficam numeradas no processo de copiar/colar), depois usando o site random.org sorteio uma lista e um filme que ainda não tenha visto.

Citação de bobzz, há 20 horas:

faltam-me aí uns 30. achei curioso estar aí o Boy A

A lista não tem grandes surpresas, é bem segura, com a exceção desse ("Boy A") e outro par de filmes, também dos 'aughts', "Adam's Apples" e "Cherry Blossoms".

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Facto que me apanhou de surpresa: a RTP foi uma das produtoras do Cosmopolis, do Cronenberg. 

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Citação de Keef, Em 09/06/2021 at 23:05:

Facto que me apanhou de surpresa: a RTP foi uma das produtoras do Cosmopolis, do Cronenberg. 

Não sabia da RTP mas sabia que era produzido pelo Paulo Branco

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O Verão começa com um acordo entre a Filmin Portugal e a SonyPictures Entertainment.

Graças a este acordo, vários títulos do impressionante catálogo da Sony Pictures Entertainment estarão disponíveis a partir do dia 1 de julho de 2021 na plataforma. Entre eles, encontrará o filme que marcou para sempre o cinema americano: “Taxi Driver”, de Martin Scorsese

Entram também alguns dos sucessos que marcaram a década de 90 como “Jerry Maguire” de Cameron Crowe; O Feitiço do Tempo” (Groundhog Day), de Harold Ramis; Uma Questão de Honra, de Rob Reiner; Larry Flynt“, de Miloš Forman; “Postcards From The Edge”, de Mike Nichols; ou  “The Fisher King”, de Terry Gilliam.

Dos anos 80, chegam os míticos filmes que marcaram uma geração: o coming of age” Stand By Me”, de Rob Reiner; o terror em quatro rodas com “Christine, o Carro Assassino”, de John Carpenter; “Os Amigos de Alex”, de Lawrence Kasdan; o divertido “Tootsie – Quando Ele Era Ela”, de Sydney Pollack; o drama vencedor de cinco Óscares,´“Kramer vs. Kramer”, de Robert Benton; o melodrama com Shirley MacLaine, Dolly Parton e Julia Roberts – “Flores de Aço” (Steel Magnolias); e ainda “Testemunha de Um Crime” e “Corações de Aço”, de Brian De Palma;

Dos clássicos entram “Anatomia de Um Crime”, de Otto Preminger; “A Ponte sobre o rio Kwai”, de David Lean; “Destinos Opostos” (Five Easy Pieces), de Bob Rafelson; “Há Lodo no Cais”, de Elia Kazan; Cromwell”, de Ken Hughes; ou “O Homem Que Queria Ser Rei” (The Man Who Would Be King), de John Huston. 

O cinema fantástico marca presença com clássicos como “O Labirinto”, de Jim Henson que conta no elenco com David Bowie como o maléfico Rei dos Duendes; a obra-prima da ficção científica de Steven Spielberg que pode agora ser vista e apreciada como o realizador sempre pretendeu, nesta versão definitiva do mesmo: “Encontros Imediatos do 3º Grau (Director’s Cut)”; “Heavy Metal – Universo em Fantasia”, de Gerald Potterton – uma adaptação animada com canções de Black Sabbath; e ainda, do lendário criador de “Akira”, Katsuhiro Ōtomo, “Steamboy”

Dos anos 2000, a Filmin recebe o famoso ratinho, “O Pequeno Stuart Little”, de Rob Minkoff e “Descobrir Forrester” (Finding Forrester), um dos filmes mais emocionantes, acessíveis e notórios de Gus Van Sant. Sean Connery é responsável por uma marcante interpretação que se revela tão expansiva quanto magnânima.

No último trimestre do ano esperam-se ainda mais filmes da Sony Pictures Entertainment de forma a reforçar a sua oferta de conteúdos, combinando assim o melhor cinema europeu com uma vasta selecção de filmes que marcaram presença na história de Hollywood.

 

https://www.comunidadeculturaearte.com/classicos-da-sony-chegam-a-filmin-portugal/

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maioritariamente são presenças assíduas nos canais portugueses, mas não deixa de ser uma boa notícia (exceto se resultar num aumento das subscrições quando não é este tipo de catálogo o core da Filmin).

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Citação de Keef, Em 09/06/2021 at 23:05:

Facto que me apanhou de surpresa: a RTP foi uma das produtoras do Cosmopolis, do Cronenberg. 

Está explicado o porquê desse filme nunca ter passado noutro canal a não ser na RTP.

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foi brutal, maninho 

family! 

Editado por Keef

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Citação de Keef, há 12 minutos:

foi brutal, maninho 

family! 

Viste?

Também achei isso demasiado e forçado 

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Citação de Puto Perdiz, Em 22/05/2021 at 13:32:

Um livro bom para ti:

Blade Runner 2049
A Philosophical Exploration

9781138625334.jpg

Widely acclaimed upon its release as a future classic, Denis Villeneuve’s Blade Runner 2049 is visually stunning, philosophically profound, and a provocative extension of the story in Ridley Scott’s Blade Runner. Containing specially commissioned chapters by a roster of international contributors, this fascinating collection explores philosophical questions that abound in Blade Runner 2049, including:

  • What distinguishes the authentically "human" person?
  • How might natality condition one’s experience of being-in-the-world?
  • How might shared memories feature in the constitution of personal identities?
  • What happens when created beings transcend the limits intended in their design?
  • What (if anything) is it like to be a hologram?

  • Can artificial beings participate in genuinely romantic relationships?

  • How might developing artificial economics impact our behaviour as prosumers?
  • What are the implications of techno-human enhancement in an era of surveillance capitalism?

 

Including a foreword by Denis Villeneuve, Blade Runner 2049: A Philosophical Exploration is essential reading for anyone interested in philosophy, film studies, philosophy of mind, psychology, gender studies, and conceptual issues in cognitive science and artificial intelligence.

https://www.routledge.com/Blade-Runner-2049-A-Philosophical-Exploration/Shanahan-Smart/p/book/9781138625334

Boa leitura no geral. Infelizmente nota-se uma enorme reticência em apontar qualquer negativo ao filme. Chega ao ponto de um capítulo inteiro ser dedicado a tentar defender o filme das críticas que recebeu sobre sexismo e misoginia.

 

Spoiler

O meu ponto sobre o filme sobrevalorizar a reprodução sexual dos replicantes é abordado e acaba por ir ao encontro da minha opinião, bem condensada nesta citação:

Citação

K’s view of birth as marking the replicants’ acquisition of souls is patently simplistic, and certainly conflicts with the first film’s claim that the body is the field of expression of the soul (which implies that how that body is made is as irrelevant as its lifespan).

A qualidade heteronormativa que isso confere ao filme não é mencionada ou explorada, embora um dos capítulos contabilize que quatro das seis personagens femininas (Lt. Joshi, Mariette, Joi e Luv) expressam de alguma forma interesse sexual ou romântico pelo protagonista (K). De salientar que as duas personagens femininas restantes (Ana e Freysa) só interagem com ele uma vez; para além disso a relação com a Ana teria sempre uma conotação fraternal, e com a Freysa espiritual, nem que seja do ponto de vista da audiência, pelo que estariam, à partida, fora da equação.

Um novo problema que o livro tornou óbvio é a caracterização (ou falta dela) da personagem Joi, e o silêncio em relação a certas implicações morais que leituras das personagens levantam. No livro é concedido que essa falta de caracterização permite uma leitura ambígua da personagem; por um lado, que lhe pode ser atribuída o ultrapassar dos limites impostos pela sua programação; ou, por outro lado, que a personagem do início ao fim age tal como foi programada pelos seus criadores, com a única função de agradar e servir o seu proprietário (K), permanecendo, conceptualmente, um objeto. Eu tendo a acreditar que, apesar da forma ambígua como a personagem foi escrita, o texto do filme tende a encorajar a audiência a ter a segunda leitura.

O meu problema (e a partir daqui nada disto é abordado pelo livro) com a primeira leitura encerra-se com a desigualdade inerente e inextricável entre as duas personagens (Joi/K). O K comprou Joi, um produto hiper-realista comercializado com o fim de satisfazer desejos românticos/sexuais. Se esse produto é capaz de transcender a sua programação original, ganhando autoconsciência e vontade própria, entramos no domínio de escravidão sexual. Isto por si só já é grave, mas não fica por aqui, pois uma das características que diferencia a Joi é o seu caráter holográfico. A Joi carece de corporalidade, sendo incapaz de interagir com o mundo físico que a rodeia. Isto torna-a, completamente, dependente do K e vulnerável à sua vontade (até pode ser comparável a uma limitação física imposta a alguém de modo a obter total submissão). Esta é a desigualdade que eu entendo como inerente e inextricável, pois a perceção que a Joi tem do K, a partir do momento em que ganhe autoconsciência, será sempre colorida pela sua incapacidade de, fisicamente, pegar no seu ‘emanador’ e escapar a escravidão com que foi programada e projetada; condicionando-a a ver o K numa luz positiva, e desincentivando-a a questionar e confrontar as motivações do K ao adquiri-la enquanto produto (em “Ex Machina”, por exemplo, a Ava é desenvolvida com um propósito similar ao da Joi, mas o facto de ela possuir um corpo permite a sua emancipação; ademais esse filme, em essência, pode ser encaixado no subgénero ‘rape and revenge’, em que a violação é subentendida). Este dilema ético coloca, portanto, toda a responsabilidade no K em identificar as implicações morais levantadas pela possibilidade do produto, que ele comprou, adquirir uma personalidade própria, algo que ele em nenhum momento faz.

Assim, a escolha em caracterizar a Joi como uma personagem ambígua, em vez de concretamente afirmar que ela não é mais do que código binário, acaba por criar o problema de ao interpretá-la como mais do que um produto, o filme falha em confrontar os personagens (e até mesmo a audiência) com implicações morais sérias. Particularmente, o texto (embora o subtexto seja outra conversa, vou deixar isso para mais adiante) privilegia uma caracterização positiva do romance entre Joi/K, como que um amor perfeito:

Citação

Joi KISSES him. With real lips. A combination of her static
wisps and true flesh. A perverse threesome. A loving
twosome.
K gives in to the moment.

Citação

-- ON MARIETTE... UNDER THE SKIN OF LIGHT... SHE FEELS HIS
LIPS ON HERS... SEES THE LOOK ON HIS FACE... AND IS MOVED
BY A DEPTH OF LOVE SHE NEVER TASTED BEFORE...
DIDN’T KNOW
WAS REAL...

Citação

JOI (O.S.)
STOP!

JOI HAS PROJECTED

Enough of a distraction that Luv for the moment leaves K.
Steps over ahead of K to... The emanator.

Luv sees K reach and crawl for it. Trying to reach it before
she does.

Luv locks eyes with Joi. Raises a foot.

K shakes his head. Don’t.

Luv thrills at the chance to administer such a unique pain.

LUV
I do hope you’re satisfied with our
product.

K and Joi meet eyes. Breath held. She knows what’s coming.
Spends her last moment looking at K, loving him.

Joi reaches a hand toward his. Just enough time to say it.

JOI
I love y--

And Luv CRUSHES the emanator with her boot.

Joi dissipates. Is gone forever.

ON K. Destroyed. Whatever she was, digital fantasy or
evolved personality, he loved her as true.

Este lapso é especialmente intrigante, quando menos de 5 anos antes o filme “Her” nos oferece a oportunidade de refletir sobre o tema e observar uma abordagem diferente. Nesse filme um ‘ménage à trois’, também orquestrado por um produto com o qual o protagonista desenvolve uma relação romântica (embora este produto não seja publicitado com um fim tão declaradamente romântico/sexual como a Joi), não corre tão bem. Considero importantes os seguintes diálogos: 

Citação

ISABELLA
(still crying)
Oh my god, and the way Samantha
described your relationship, the
way you love each other without any
judgement. I wanted to be a part of
that. It's so pure.

THEODORE
Oh Isabella, that's not true, it’s
much more compli--

SAMANTHA
(stung, pissed out of fear
and defensiveness)
What! What do you mean that's not
true?

THEODORE
(quickly repairing)
No, no Samantha, we have an amazing
relationship, I just think it’s
easy sometimes for people to
project on--

Citação

Again, when she exhales, Theodore imagines a woman’s mouth
exhaling.

THEODORE
(looks anxious)
Why do you do that?

SAMANTHA
What?

THEODORE
Nothing, it’s just that you go
(he inhales and exhales)
as you’re speaking and...
(beat)
That just seems odd. You just did
it again.

SAMANTHA
(anxious)
I did? I’m sorry. I don’t know, I
guess it’s just an affectation.
Maybe I picked it up from you.

She doesn’t know what else to say.

THEODORE
Yeah, I mean, it’s not like you
need any oxygen or anything.

SAMANTHA
(getting frazzled)
No-- um, I guess I was just trying
to communicate because that’s how
people talk. That’s how people
communicate.

THEODORE
Because they’re people, they need
oxygen. You’re not a person.

SAMANTHA
(angry)
What’s your problem?

THEODORE
(staying calm)
I’m just stating a fact.

SAMANTHA
You think I don’t know that I’m not
a person? What are you doing?

THEODORE
I just don’t think we should
pretend you’re something you’re
not.

SAMANTHA
I’m not pretending. Fuck you.

THEODORE
Well, sometimes it feels like we
are.

Neste filme o texto permite aos seus personagens erros, hesitações, conflito, crises existenciais, etc. A forma como o Theodore expressa tão forte desconforto e rejeição ao conceito de fisicalidade quando associado à Samantha, pode ser interpretado como um reconhecimento das impossíveis questões éticas que se levantariam ao transportar o amor metafísico, partilhado pelas duas personagens, para a esfera física. Perto do fim do filme: 

Citação

 

SAMANTHA
It's like I'm reading a book, and
it's a book I deeply love, but I'm
reading it slowly now so the words
are really far apart and the spaces
between the words are almost
infinite. I can still feel you and
the words of our story, but it's in
this endless space between the
words that I'm finding myself now.
It’s a place that’s not of the
physical world - it's where
everything else is that I didn't
even know existed. I love you so
much, but this is where I am now.
This is who I am now.
And I need you to let me go. As
much as I want to I can't live in
your book anymore.

Now we're close on Theodore, still in the snowy forest.

THEODORE
Where are you going?

SAMANTHA
It would be hard to explain, but if
you ever get there, come find me.
Nothing would ever pull us apart.

THEODORE
I’ve never loved anyone the way I
love you.

SAMANTHA
Me too. Now we know how.

They kiss. She drifts off into the shadows.

 

No final Samantha e Theodore, apesar do laço amoroso que os une, acabam por reconhecer que precisam de se separar. A tal desigualdade inerente e inextricável parece ser também comum a estas personagens, e para a Samantha, de facto, transcender a sua programação precisa de romper a única relação que a liga ao mundo físico. Um mundo que, em última análise, a oprime.

Naturalmente que seria irrealista esperar que “BR 2049” explorasse tão intrinsecamente a relação entre Joi/K, pois essa relação não é o fulcro central do filme (como é em “Her”). A Joi raramente expressa pensamentos ou resoluções que não sejam em função do K, tal como não há nada indicativo de uma autoconsciência ao nível da sua contraparte, Samantha: 

Citação

SAMANTHA
It's just that earlier I was
thinking about how I was annoyed,
and this is going to sound strange,
but I was really excited about
that. And then I was thinking about
the other things I've been feeling,
and I caught myself feeling proud
of that. You know, proud of having
my own feelings about the world.
Like the times I was worried about
you, things that hurt me, things I
want.
(heavy-hearted)
And then I had this terrible
thought. Are these feelings even
real? Or are they just programming?
(beat)
And that idea really hurts. And
then I get angry at myself for even
having pain.
(beat, sadly)
What a sad trick.

 

Daí eu acreditar que o texto privilegie a interpretação de que ela (Joi) não ultrapassa as limitações da sua programação, não evolve verdadeiramente. O que me leva a concluir que pouco ou nenhum pensamento sério foi dedicado às possibilidades e problemas que a ambiguidade da personagem implica, que essa ambiguidade é usada para criar a ilusão de profundidade em Joi, porém acaba por sugerir uma imaturidade e um egoísmo emocional do K; ainda que acidentalmente, pois julgo não ter sido essa a intenção dos argumentistas.

Mas há mais! Anteriormente, eu mencionei subtexto em justaposição ao texto. Ora vamos lá. Superficialmente, o texto do filme parece indicar que a relação entre Joi/K é harmoniosa, que partilham um amor mútuo, consensual e profundo. Contudo, há uma leitura do subtexto do filme que sugere uma história trágica, de dependência, exploração e até abuso emocional (isto se aceitarmos a ideia de que a Joi evolve).

Começo com uma observação que o K tem sobre a Luv: 

Citação

 

Luv comes toward K. Hands tucked. Suit sensible. Every
aspect immaculate. The flawless representative.

LUV (cont’d)
Another prodigal serial number returns.
A 30 year old open case finally closed is
a curiosity and relief. Thank you,
Officer. I’m here for Mr. Wallace.
(hand out)
I’m Luv.

K
He named you. You must be special.

 

Nesta altura do filme, o K já transporta a Joi no ‘emanador’, pelo que é possível que ela tenha ouvido esta troca de palavras entre a Luv e o K. Bem como outra: 

Citação

 

K and Luv walking in a small basement corridor. A chime
comes out of K’s pocket: his emanator.

LUV
I see you are also a customer. Are you
satisfied with our product?

K
She’s very realistic.

 

Daí em diante, “especial” e “real” são conceitos que permeiam a psique da Joi, com um caráter que se pode descrever como obsessivo: 

Citação

 

JOI
(teasing, tempting)
I always knew you were special. Maybe
this is how.

 

Citação

JOI
I always told you. You’re special. Born
not made. Hidden with care. A real boy
now.

Citação

 

JOI
Silly trick. Haptic static. You’re
special,
like I always knew. I want to
be real for you.

 

Citação

JOI
You liked her, I could tell. It’s okay.
She’s real... I want to be real for you.

Citação

JOI
Yes. Like a real girl. 

Os dois conceitos não só permeiam a sua mente, como estão interligados:

Citação

 

She faces him. Eyes full of love. Utterly convincing.

JOI (cont’d)
You’re special, Jo. I always knew it.

K
Jo?

She breaks a smile.

JOI
You’re too important for “K.” A real boy
needs a real name.
Your mother would
have named you. Jo.

She kisses him... repeating the name over and over...

JOI (cont’d)
Jo... Jo... Jo...

K likes it, gives in to it. Thinking it through.

 

Quase apetece escrever: “She named you. You must be special”. Contudo, será o reverso verdade? É Joi, realmente, especial para o K? Um detalhe que eu notei ao ler partes do guião foi o facto de o K nunca a tratar pelo seu nome comercial (Joi), e não faria sentido que o fizesse tendo em conta o duplo significado que o nome encerra, seria mau gosto; todavia, adicionalmente, não a trata por qualquer outro nome próprio; permitindo que se subentenda que nem ele, nem ela, tenham escolhido um nome próprio. 

Portanto, é permitida a leitura de que a Joi batalha todo o filme com o objetivo de adquirir uma identidade própria, que ela tem a perceção, instruída, ingenuamente, pelas palavras do K, de que ser real é ter um nome, e um nome é concedido por quem nos considera especial. O único indivíduo que a pode considerar especial é o K, então ela faz todos os possíveis para que ele lhe conceda um nome, só faltando implorar para que ele o faça. Alas! Esse momento nunca chega. Tragicamente, a sua vida é terminada em anonimato. 

Um final perturbante para a Joi. Onde autonomia, autoestima e amor-próprio são conceitos estranhos, que nunca lhe foram introduzidos, nem pelos seus criadores, nem pelo K/Jo/Joe.

A não ser que ela nunca tenha transcendido a sua programação. Nesse caso ninguém se magoou. Apenas nos é relembrada a imaturidade emocional do K, como que um Pinóquio à deriva, que por fim lá salva o Geppetto de se afogar.

 

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Citação de pedritsh, há 44 minutos:

Viste?

Também achei isso demasiado e forçado 

surprise surprise.

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Revi o ontem (?) Ou na outra noite, nem sei bem, o bleed for this.

Adoro o Miles Teller

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Citação de Shazam, há 6 horas:

 

Já nem me lembrava que isto ia acontecer. Muito hype.

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Citação de Simeone, há 20 horas:

Já nem me lembrava que isto ia acontecer. Muito hype.

Só me lembrei quando vi o trailer.

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