Black Hawk Publicado 1 Agosto 2012 Eia fds :lol: Está documentado onde, já agora? Saiu recentemente um livro sobre isto, que não sei sinceramente o nome. O caso está documentado e é referido pelos portugueses da época, que viviam lá. Foi na época um mexerico e tanto. Realmente é incrível o quão pouco sei (e o quão pouco é abordado na História que se dá na escola) desde o Império Romano até ao século XIV. Fala-se da fundação de Portugal, da reconquista cristã e pouco mais. Mais um excelente post, Black :prayer: Centra-se tudo muito na História de Portugal, infelizmente. Estes acontecimentos influenciaram mais franceses, italianos, alemães e o que é hoje o Benelux. Portugal passou um pouco ao lado, o que é compreensível pois nem a produção atraía mercadores, nem havia dinheiro para ser viável a vinda deles. Pelo menos em grande número, pois mercados e feiras também as houve. Tem saído uns livrinhos sobre história de Portugal no Expresso. Conheces Black? Conheço a obra, é muito boa e é uma boa oportunidade para se ficar bem servido de historiografia. por acaso é. está relacionado com certos avanços mais científicos, filosóficos e artísticos. Isso é daqueles mitos que de tantas vezes se repetirem, se tornaram "verdade". Durante a "Idade das Trevas" houve imensos avanços em todas as áreas, simplesmente não são reconhecidos ou são erradamente atribuídos ao Renascimento. Desde inovações na agricultura que ainda hoje se mantêm aos avanços na Matemática (Fibonacci), Biologia (primeiras teorias de selecção natural ou a descoberta do funcionamento do sistema circulatório) e Filosofia (sim, havia Filosofia na Idade Média); o surgimento das Universidades (e já no século XIII havia portugueses a estudar no estrangeiro, numa espécie de Erasmus medieval); os avanços na Astronomia, com instrumentos como o quadrante ou o astrolábio, o estudo das constelações, que mais tarde vai permitir a navegação em alto mar; o avanço na tecnologia naval, a invenção das velas latinas e da caravela, os avanços na cartografia; a invenção dos Bancos modernos e do papel moeda; a invenção de cenas tão banais como relógios, óculos, da grua; a invenção da prensa móvel e por consequência da Imprensa, bem como a banalização do uso do papel; os moinhos de maré e os poços artesianos; os altos-fornos para a produção de metais industriais; a manufactura da seda e a destilação do álcool; a descoberta do uso da pólvora; tu que gostas de artes e arquitectura, tens a pintura a óleo e aquela técnica de riscar desenhos em metal que agora me falha o nome, e o estilo Gótico; por falar em arquitectura, a invenção da chaminé; os primeiros esboços de pianos modernos; até o xadrez... Epa, exemplos de que a Idade Média não foi uma idade de trevas é o que não falta. Eu disse-te isto de cabeça, portanto como deves imaginar há muito, muito mais para explorar. Compartilhar este post Link para o post
Victarion Publicado 1 Agosto 2012 ah. mas aí está: o que hoje é reconhecido como o Renascimento é exactamente o período em que as ideias todas surgem à tona. podem ter inventado coisas no período das Trevas, mas não significa que andassem aí a gritar "olhem isto é bués de novo pá!!". já viste como é o Românico e a sua arquitectura? é que atenção: o gótico é já no fim da Idade das Trevas que ganha relevância. O românico era o predilecto. (e sei do que falas, mas só sei que em inglês se chama "etching") a Idade das Trevas era sobretudo um período não em que avanços tecnológicos não era feitos, mas em que os avanços tinham represálias. Não havia tanta predisposição para uma pintura mais ampla, já que se focava demasiado no óbvio. Havia muita austeridade. As ideias andavam lá, mas houve muita luta, e sim, houve ignorância em extremos em certos aspectos (Malleus Maleficarum p.e.). eu não digo que viviam todos que nem ovelhas, que haviam queimas a toda a hora, que ninguém podia pensar...obviamente que na língua portuguesa, as palavras tendem a ter conceitos demasiado presos. Trevas é o que os ingleses dizem de "dark", para "Dark Ages". Idade Negra, por assim dizer. E foi um período muito negro. Até porque a peste contribuiu para isso. Compartilhar este post Link para o post
Koper Publicado 1 Agosto 2012 Por acaso um acontecimento que acho que muita gente desconhece por cá (pelo menos do que vejo e do que vou tendo de conversas, ao longo dos anos, quando falo com alguém de história) é o genocídio que ocorreu na Arménia. Eu também só o conheço porque há uns anos vi e por curiosidade procurei. Mas se não me engano, é bastante conhecido por todo o mundo. Bem, e dizendo quase tudo do que sei, porque sempre me despertou curiosidade, a Arménia embora tenha passado por uma divisão de território entre Grande e Pequena Arménia, já durante o período a.C. a Arménia conseguiu passar de uma divisão dupla para uma unificação. Embora fossem passando por diversos períodos históricos e mais algumas divisões, sendo incorporada no Império Russo no séc. XIX, foi durante o Império Otomano que isto tudo ocorreu. Durante o período do governo que foi denominado Young Turks, que eram contra a monarquia absolutista que vigorava no Império Otomano. Mantiveram-se no poder através da Young Turk Revolution, onde suspenderam o Parlamento e tentaram restaurá-lo. Estes governaram durante o período que marcava o fim do dito Império. Bom, nessa altura os arménio sonhavam com uma Arménia capaz, autónoma e com um regime mais flexível, mesmo que se mantivesse absorvida pelo Império. Mas as reformas que o Governo produziu e foi implementando acabou por não agradar ao povo e, de forma consequente, foram-se proliferando manifestações e contradições contra as medidas. Foi nessa mesma altura que urge a I Guerra Mundial, no mesmo ano em que as reformas foram creditadas. Essa foi a derradeira oportunidade que os Young Turks tiveram para impedir que a oposição se alastrasse. Primeiro, devido à falta de meios para obter informações do que se passava ao seu redor, a população mantinha-se sem conhecimento do que a rodeava e foi elaborado um desarmamento da população, feito por pessoas influente no seio do Governo, onde estas deviam ser entregues nas Igrejas sob pretexto de um falso acordo feito pelo Governo. Depois, todos os meios de comunicação foram controlados por entidades superiores e todas as cartas recebidas de fora tinham de ser aprovadas por estas. Começaram por ser aniquilados umas centenas de intelectuais liberais, políticos, escritores, eruditos, entre outros. Depois, o resto foi presa fácil. Quase todos foram torturados antes de morrer, já que os assassinos tinham a liberdade de fazer o que bem entendiam. Crianças foram decapitadas, mulheres foram estupradas e homens foram esfaqueados com golpes de sabre. Só em 2 anos, entre 1915 e 17 os mortos ultrapassaram o milhão. Muitos foram levados para o deserto, onde até a mães ensinavam aos filhos o alfabeto na areia do deserto. Acho que de vez em quando este tema ainda chega cá porque nem todos os países reconhecem este momento como Genocídio. Compartilhar este post Link para o post
rinka Publicado 1 Agosto 2012 O 1º grande genocídio do Século XX, um prenúncio do que seria feito mais tarde por Fascistas, Comunistas, Khmers Vermelhos e por ai em diante Compartilhar este post Link para o post
Black Hawk Publicado 2 Agosto 2012 Tenho um colega de Mestrado que trabalhou sobre isso, confesso que até ele apresentar o tema numa aula eu nem sabia do que se tratava. Compartilhar este post Link para o post
Boo Riquelme Publicado 2 Agosto 2012 Isso é daqueles mitos que de tantas vezes se repetirem, se tornaram "verdade". Durante a "Idade das Trevas" houve imensos avanços em todas as áreas, simplesmente não são reconhecidos ou são erradamente atribuídos ao Renascimento. Desde inovações na agricultura que ainda hoje se mantêm aos avanços na Matemática (Fibonacci), Biologia (primeiras teorias de selecção natural ou a descoberta do funcionamento do sistema circulatório) e Filosofia (sim, havia Filosofia na Idade Média); o surgimento das Universidades (e já no século XIII havia portugueses a estudar no estrangeiro, numa espécie de Erasmus medieval); os avanços na Astronomia, com instrumentos como o quadrante ou o astrolábio, o estudo das constelações, que mais tarde vai permitir a navegação em alto mar; o avanço na tecnologia naval, a invenção das velas latinas e da caravela, os avanços na cartografia; a invenção dos Bancos modernos e do papel moeda; a invenção de cenas tão banais como relógios, óculos, da grua; a invenção da prensa móvel e por consequência da Imprensa, bem como a banalização do uso do papel; os moinhos de maré e os poços artesianos; os altos-fornos para a produção de metais industriais; a manufactura da seda e a destilação do álcool; a descoberta do uso da pólvora; tu que gostas de artes e arquitectura, tens a pintura a óleo e aquela técnica de riscar desenhos em metal que agora me falha o nome, e o estilo Gótico; por falar em arquitectura, a invenção da chaminé; os primeiros esboços de pianos modernos; até o xadrez... Epa, exemplos de que a Idade Média não foi uma idade de trevas é o que não falta. Eu disse-te isto de cabeça, portanto como deves imaginar há muito, muito mais para explorar. O quadrante e o astrolábio/ invencao das velas latinas/cartografia foi na Era Medieval ? A Era Medieval vai ate quando, então? queres ver que andei todo este tempo enganado ? lol Compartilhar este post Link para o post
El Colosso Publicado 2 Agosto 2012 Da queda de Roma ate 1400/1500, nao? Compartilhar este post Link para o post
Pan Publicado 2 Agosto 2012 Da queda de Roma ate 1400/1500, nao? Até ao início do século XV, onde se iniciou o Renascimento, com os Descobrimentos. Compartilhar este post Link para o post
vinsanity Publicado 2 Agosto 2012 O quadrante e o astrolábio/ invencao das velas latinas/cartografia foi na Era Medieval ? Os árabes já usavam o quadrante e o astrolábio, os portugueses aperfeiçoaram esses instrumentos durante os Descobrimentos. Compartilhar este post Link para o post
Victarion Publicado 2 Agosto 2012 Até ao início do século XV, onde se iniciou o Renascimento, com os Descobrimentos. o Renascimento é medieval também, digo. simplesmente é atribuído um nome a uma era de mudança a nível de pensamento. e muito do renascimento está ligado mais a nível artístico e arquitectural que no capítulo geral de urbanismo, agricultura, etc. Compartilhar este post Link para o post
Black Hawk Publicado 2 Agosto 2012 A data internacionalmente aceite é 1452, com a queda de Constantinopla (Istambul). Em Portugal durou mais, praticamente até ao final do século XV. Grosso modo podemos dizer que a Idade Média dura até meados/finais do século XV. No caso da cartografia e dos instrumentos náuticos, eles foram desenvolvidos/adaptados nos séculos XIV e XV, maioritariamente. As viagens na primeira metade do século XV já contavam com as inovações referidas (caravelas, velas latinas, os instrumentos, etc), ainda na Idade Média. O Renascimento é geralmente atribuído à Época Moderna, que começa então em finais do século XV e vai até à Revolução Francesa (ou à Revolução Industrial, consoante o historiador e a historiografia :mrgreen: ). Mas é como o pica referiu, o Renascimento não é uma época histórica e muito do seu aparecimento se deve a inovações técnicas, científicas e sociais da Idade Média, alastrando-se depois durante a Época Moderna. Foi mais uma evolução de mentalidades e afins. PS: Por falar em Constantinopla, um dos acontecimentos mais caricatos da História teve lugar lá durante a Idade Média. Hei-de escrever sobre isso quando tiver tempo :mrgreen: Compartilhar este post Link para o post
Pan Publicado 2 Agosto 2012 Li sobre isso no outro dia :mrgreen: Compartilhar este post Link para o post
James Darmody Publicado 2 Agosto 2012 A 1ª Grande Guerra e a ditadura de Sidónio Pais A participação de Portugal na 1ª Grande Guerra teve várias razões. Se, por um lado, a secular aliança que Portugal tinha com a Grã-Bretanha pesou na decisão de participar na guerra, por outro lado, uma outra razão centrou-se na grave dependência que Portugal tinha do nosso velho aliado. O Ultimato de 1890 viera melindrar o orgulho nacional e pôr em evidência a debilidade nacional, marcando o fim do sonho português da criação em África de “novos «Brasis» africanos” [1]. Era necessário recuperar o ânimo nacional e para isso era preciso estar, no fim da guerra, sentado à mesa dos vencedores. Nas vésperas de eclodir a guerra, a Grã-Bretanha era o principal parceiro comercial de Portugal [2] (a Alemanha ocupava o segundo lugar, à frente do Brasil). A nossa dependência da Coroa britânica, datava, pelo menos, das invasões napoleónicas. Portugal dependia da marinha mercante britânica, dos banqueiros britânicos, das firmas britânicas que geriam os transportes públicos de Lisboa, os telégrafos, os telefones, o gás da cidade, etc. O Portugal republicano vivia uma profunda crise económica além de sofrer permanentes conspirações monárquicas. Dada a aliança que tínhamos com a Inglaterra não equacionávamos uma vitória da Alemanha; porém, se ela acontecesse, pensava-se, poderíamos cair na dependência dela e, provavelmente, mais cedo ou mais tarde, ficar sem as colónias. Por outro lado, se Portugal figurasse ao lado dos aliados vencedores, embora com o peso de uma pequena potência, teria uma posição fortalecida na defesa dos seus interesses. Não participar na guerra significaria ficar na dependência total de quem a ganhasse. Tentar sair na medida do possível da dependência britânica fortaleceria a independência nacional e protegeria o Ultramar português de ataques externos. Esta posição não foi contudo do agrado dos monárquicos, divididos entre germanófilos e os afectos a D. Manuel II, residente em Londres, que eram anti-alemães, mas também anti-República. Foram tantas as conspirações durante a República que não cabe aqui descrever nenhuma delas [3]. A participação na guerra foi levada a cabo pelo Partido Democrático, de Afonso Costa, que gozava de maioria no Parlamento, tendo ganho para a sua órbita os evolucionistas de António José de Almeida. Os dois partidos formaram em 1917 a União Sagrada, a frente comum que levaria o País a participar na 1ª Grande Guerra, a “Guerra Total”, como lhe chamou um general alemão [4]. Opostos à participação na guerra estavam os unionistas de Brito Camacho, os quais não viram, ou não quiseram ver, no projecto dos dois partidos políticos na esquerda do leque partidário uma estratégia capaz de melhor defender a soberania nacional. É certo que, com o decorrer da guerra na Europa, as populações civis estavam depauperadas e viam mal a mobilização de tropas para França. A situação económica tinha-se agravado muito, faltando bens essenciais à população. O governo republicano não desejou, nem participou em qualquer movimento que favorecesse a guerra, aliás não tinha nenhum interesse na eclosão dela. A 1ª Grande Guerra apanhou a República, há pouco proclamada, de surpresa. Mas a participação nela ao lado dos aliados, incluindo não só a Grã-Bretanha como a França, parecia a estratégia nacional adequada. Todavia, a posição unionista contra o governo contagiou outros grupos sociais e políticos. “Nas páginas do seu jornal (A Lucta) intensificou a campanha de descrédito, de corrosiva ironia e de hábil incitamento a uma solução extra-legal, violenta e revolucionária.” [5] Conjuntamente com os monárquicos lançou no país a instabilidade social e criou as condições para o golpe de estado sidonista. De 5 a 8 de Dezembro de 1917, no preciso momento em que o Corpo Expedicionário Português (CEP) encontrava sérias dificuldades no campo da batalha e tropas portuguesas defendiam Angola e Moçambique, enquanto o chefe do governo, Afonso Costa, se encontrava em Londres, deu-se o golpe de estado de Sidónio Pais, levado a cabo pela Junta Militar Revolucionária, da qual ele era presidente. Quando a Alemanha declarou guerra a Portugal, o embaixador em Berlim, Sidónio Pais, que tinha sido professor de Matemática da Universidade de Coimbra, passou por Paris e teve uma conversa com João Chagas. Este último deixou um relato dessa conversa: “O Sidónio voltou (…) falou da política portuguesa, que só conhece pela Lucta, único jornal que o governo alemão deixa chegar à Legação.(…). Falou de Brito Camacho, (…) declara-o um homem eminente. Este Camacho tem a admiração de todos os medíocres do tipo deste Sidónio, nulos, mas diplomados, e com eles quis fazer o seu partido, a que chama uma ‘elite.’ (…)” [6] Brito Camacho teve uma responsabilidade acrescida nos acontecimentos trágicos deste período por ter criado “uma espécie de comité revolucionário, em que entravam alguns dos seus amigos, entre eles o Sr. Sidónio Pais” [7] . Segundo Luís Fraga [8]: “Quer dizer, Brito Camacho, num país já de si vivendo uma situação de profunda instabilidade, resolveu criar o seu exército privado para garantir a sobrevivência do regime republicano! O argumento é ardiloso, como ardilosa era a postura política do chefe unionista; ele preparava, sim, uma revolução contra o Governo legítimo de Afonso Costa da qual, por salvaguarda pessoal e do seu Partido (Partido da União Republicana), se desvinculou quando viu que Sidónio Pais estava a ir excessivamente longe”. E o mesmo autor interroga-se: “Quais foram as alianças que Sidónio Pais, na sua acção conspirativa, terá criado para amedrontar Brito Camacho ao ponto de ele se desvincular da acção conspirativa e ter afirmado no Congresso do seu Partido que não encarregara Sidónio de fazer uma revolução?” [8] Luís Fraga descreve também, na sua tese [8], o forte apoio monárquico que Sidónio Pais recebeu no golpe de estado. Refere ainda as tomadas de posição da ditadura após o golpe, tais como a reintegração de todos os funcionários civis afastados em consequência das suas ligações ao governo ditatorial de Pimenta de Castro e o encerramento de todos os centros republicanos. A laicização do Estado e a desarticulação do poder da Igreja Católica em Portugal foram anuladas. Para “Presidente da Comissão da Reforma do Ensino” [9] foi nomeado o monárquico, ultra-conservador, Costa Lobo que, já antes na ditadura de Pimenta de Castro, tinha tido “grande actividade política” [10] e, mais tarde, orientará a sua acção em favor do Estado Novo. Afonso Costa, ao chegar a Portugal vindo de Londres, é preso. Bernardino Machado, Presidente da República, é expulso do país. Como era de esperar o golpe de estado teve repercussões na moral das tropas a combater em França. Em Abril de 1918 as forças do CEP eram derrotadas em La Lys sem que o governo sidonista tenha conseguido os necessários reforços para substituir as tropas exaustas. Após o Armistício, a situação atingiu o extremo, por o Estado português não ter meios para trazer de regresso as suas tropas. Uma das acusações que se faz ao sidonismo é de ter abandonado à sua sorte em França o CEP. Foi, aliás, este argumento que levou José Júlio da Costa, combatente em Timor e África, a assassinar Sidónio Pais, a 14 de Dezembro de 1918. É fácil concluir que Sidónio Pais, com o seu golpe, desmotivou as tropas portuguesas em França e, nesse sentido, ajudou a Alemanha. Todavia, o desmoronamento do Estado português que se seguiu tornou o nosso esforço de guerra inútil. Em Dezembro de 1918, Bernardino Machado dizia de França, numa proclamação ao país: “Cometeu-se em Portugal um crime abominável. (…). Assaltou-se o poder, despedaçando-se a Constituição da República, que era o código fundamental dos direitos da democracia portuguesa. (…). Estávamos em guerra, e todos tínhamos de unir-nos como um só homem e como um só cidadão, em nome da salvação pública”. (…). Quem, pois, diante do inimigo estrangeiro, franqueando assim inteiramente o terreno das competições legais, se lançaria na insurreição armada, rasgando e calcando aos pés a Constituição, que não é um farrapo desprezível de papel, e ferindo parricidamente a própria vida da nação, como o faria um traidor ao serviço do inimigo estrangeiro?” [11] NOTAS: [1] Joel Serrão, “Da «Regeneração» à República”, Livros Horizonte, Lisboa, 1990, pp. 157-169 [2] Dados do comércio externo português in A.H. Oliveira Marques, “História da 1ª República Portuguesa, As Estruturas de Base”, Iniciativas Editoriais, Lisboa, 1978, pp. 290-297. [3] Tese doutoral de Luís Manuel Alves de Fraga, “Do Intervencionismo ao Sidonismo, Os Dois Segmentos da Política de Guerra, 1916-1918”, Universidade Autónoma de Lisboa, 2008. O autor descreve os ataques que a República sofreu que propiciaram o golpe de estado de Sidónio Pais. [4] General Erich Ludendorff (1865-1937), La Guerre Totale, Flammarion, Paris, 1936. A noção de guerra total foi uma ideia primeiro concebida por Clausewitz, mas depois tratada por outros estrategas militares. [5] Armando Malheiro da Silva, “Sidónio e Sidonismo, História de Uma Vida”, vol. I, Imprensa da Universidade de Coimbra, 2006, p. 409 [6] João Chagas, “Diário de João Chagas, 1915-1917,” Livraria Editora, Lisboa, 1930, pp.223 e,224 [7 ] Armando Malheiro da Silva, obra citada, pp. 409. [8] Tese doutoral de Luís Manuel Alves de Fraga, citada, 2º vol., p. 387-388. [9] Diogo Pacheco de Amorim, “Elogio Histórico dos Doutores Francisco Miranda da Costa Lobo e Gurmesindo Sarmento da Costa Lobo,” O Instituto, vol. 117, 1955, p. 14 [10] Idem, p. 12. [11] Tese doutoral de Luís Manuel Alves de Fraga, citada, 2º vol., p. 392 texto de António Mota de Aguiar Compartilhar este post Link para o post
rinka Publicado 2 Agosto 2012 A data internacionalmente aceite é 1452, com a queda de Constantinopla (Istambul). Em Portugal durou mais, praticamente até ao final do século XV. Grosso modo podemos dizer que a Idade Média dura até meados/finais do século XV. No caso da cartografia e dos instrumentos náuticos, eles foram desenvolvidos/adaptados nos séculos XIV e XV, maioritariamente. As viagens na primeira metade do século XV já contavam com as inovações referidas (caravelas, velas latinas, os instrumentos, etc), ainda na Idade Média. O Renascimento é geralmente atribuído à Época Moderna, que começa então em finais do século XV e vai até à Revolução Francesa (ou à Revolução Industrial, consoante o historiador e a historiografia :mrgreen: ). Mas é como o pica referiu, o Renascimento não é uma época histórica e muito do seu aparecimento se deve a inovações técnicas, científicas e sociais da Idade Média, alastrando-se depois durante a Época Moderna. Foi mais uma evolução de mentalidades e afins. PS: Por falar em Constantinopla, um dos acontecimentos mais caricatos da História teve lugar lá durante a Idade Média. Hei-de escrever sobre isso quando tiver tempo :mrgreen: Sexo dos anjos :mrgreen: E sobre a Idade Média leiam Rodney Stark ou David Landes, acabam logo com a ideia da Idade das Trevas e do obscurantismo católico Compartilhar este post Link para o post
Black Hawk Publicado 2 Agosto 2012 Tem de se ter em conta, em relação à entrada de Portugal na Primeira Guerra Mundial, um pormenor que está implícito no texto mas pode passar despercebido. Portugal, na sua dependência total da Grã-Bretanha, não tinha voz internacional e eram os britânicos quem falava pela República. Isto era um problema quando se sabe que os britânicos eram aliados mas não amigos; eles estavam bem a lixar-se para Portugal e suas colónias, queriam era manter o seu império e evitar confusões (o sistema de equilíbrio, ou seja, evitar hegemonias, tanto dos inimigos como deles próprios). A Alemanha tinha um projecto colonial. O problema é que eles não tinham império colonial por aí além: eram um Estado novo, não tinham tradição colonial e as que tinham eram insuficientes. Na sua tentativa de evitar guerras, os britânicos procuraram um acordo com os alemães que permitisse dar-lhes o que queriam e simultaneamente evitar conflitos. Ora eles não lhes iam dar colónias britânicas, e tendo em conta os territórios que os alemães tinham, qual a solução? Negociar a passagem das colónias portuguesas para os alemães, em especial Angola e Moçambique (eles já tinham a Namíbia e Tanzânia, que faziam fronteira com as colónias portuguesas). Portugal sabia disso. Por isso a razão da entrada na guerra: quando a guerra acabasse, só os países vencedores teriam direito a exigências. Se Portugal não entrasse, seria a Grã-Bretanha a falar por Portugal nas conferências de paz e poderia acontecer, como era provável que ocorresse, que as colónias portugueses servissem de moeda de troca. Ao entrar na guerra, Portugal conseguiu defender-se nas conferências e salvou o seu império colonial. Compartilhar este post Link para o post
Hawkeye Publicado 2 Agosto 2012 Os nossos velhos "amigos" dos Ingleses :carinhoso: Compartilhar este post Link para o post
Black Hawk Publicado 2 Agosto 2012 Isso não é assim tão linear, mas é bem verdade que os britânicos tiveram um papel importante nisso. No entanto, atenção: a Grã-Bretanha teve interesse em manter Portugal "independente", caso contrário também não teria mexido uma palha por "nós"; por outro lado, Portugal soube jogar o jogo e "conduzir" a Grã-Bretanha, de maneira a que fosse sempre útil a nossa existência na salvaguarda dos interesses britânicos. Sempre fomos bons no desenrascanço :mrgreen: Compartilhar este post Link para o post
Victarion Publicado 8 Agosto 2012 já agora, ó totó, que achas deste mapa? Mapa Mundo circa 1565 Compartilhar este post Link para o post
Pan Publicado 8 Agosto 2012 Que mapa brutal. Bastante definição para a altura, tirando os Pólos. Compartilhar este post Link para o post
BrunoTS94 Publicado 8 Agosto 2012 Que mapa brutal. Bastante definição para a altura, tirando os Pólos. x2 Compartilhar este post Link para o post
bobzz Publicado 8 Agosto 2012 escusavam era de ter metido girafas, macacos e hipopotamos no polo sul :mrgreen: nem imagino como era possivel fazer.se mapas com essa qualidade nessa altura. mankind :prayer: Compartilhar este post Link para o post
Pan Publicado 8 Agosto 2012 Tem de se ter em conta, em relação à entrada de Portugal na Primeira Guerra Mundial, um pormenor que está implícito no texto mas pode passar despercebido. Portugal, na sua dependência total da Grã-Bretanha, não tinha voz internacional e eram os britânicos quem falava pela República. Isto era um problema quando se sabe que os britânicos eram aliados mas não amigos; eles estavam bem a lixar-se para Portugal e suas colónias, queriam era manter o seu império e evitar confusões (o sistema de equilíbrio, ou seja, evitar hegemonias, tanto dos inimigos como deles próprios). A Alemanha tinha um projecto colonial. O problema é que eles não tinham império colonial por aí além: eram um Estado novo, não tinham tradição colonial e as que tinham eram insuficientes. Na sua tentativa de evitar guerras, os britânicos procuraram um acordo com os alemães que permitisse dar-lhes o que queriam e simultaneamente evitar conflitos. Ora eles não lhes iam dar colónias britânicas, e tendo em conta os territórios que os alemães tinham, qual a solução? Negociar a passagem das colónias portuguesas para os alemães, em especial Angola e Moçambique (eles já tinham a Namíbia e Tanzânia, que faziam fronteira com as colónias portuguesas). Portugal sabia disso. Por isso a razão da entrada na guerra: quando a guerra acabasse, só os países vencedores teriam direito a exigências. Se Portugal não entrasse, seria a Grã-Bretanha a falar por Portugal nas conferências de paz e poderia acontecer, como era provável que ocorresse, que as colónias portugueses servissem de moeda de troca. Ao entrar na guerra, Portugal conseguiu defender-se nas conferências e salvou o seu império colonial. Pois, na escola ensinavam-nos que a entrada na Primeira Guerra Mundial servia, exatamente, para: 1) defender as colónias e, 2), manter uma posição de destaque e voz ativa no "concerto das nações". Já desde essa altura assumi que fosse algo desse género, porque a guerra não se estava a desenrolar, tirando pequenos focos, em África. Logicamente que as colónias só podiam ser empregues em tentativas de paz.. Ainda por cima entrámos já com 2 anos de guerra decorridos, muitas baixas de um lado e outro, era certamente uma fuga que evitaria mais batalhas... Compartilhar este post Link para o post
Black Hawk Publicado 8 Agosto 2012 Tenho de sair agora, depois comento melhor. Não podia, porém, sair sem realçar um pequeno pormenor do mapa que salta logo à vista. Observem o canto inferior esquerdo do mapa e comparem. Meio século antes da "descoberta oficial" :mrgreen: Compartilhar este post Link para o post
Black Hawk Publicado 8 Agosto 2012 Ok, agora sim com algum tempo. O mapa é brutal. Um olhar atento dá uma série de indícios que permitem ler nas entrelinhas e obter talvez não conclusões, mas próximo disso. A primeira curiosidade, para quem não sabe, é que o meridiano central (longitude 0) não é o de Greenwich. Esse foi imposto muito mais tarde. O meridiano central nesse mapa passa ao largo de Portugal, no Oceano Atlântico (quase 40 graus a Oeste do meridiano de Greenwich). Já tinha, porém, definido 180 graus para cada lado, e portanto já se definira totalmente que a Terra era redonda, o que é normal porque as viagens de descobertas já tinham começado há mais de 100 anos. No mapa é visível o problema que existia em calcular a longitude. A latitude calculava-se pela posição das estrelas e pelas tabelas de declinação, e facilmente se sabia onde se estava. Mas como a Terra roda, a longitude era impossível de calcular pelas constelações. Por isso se olharem para o mapa dá para ver os erros de cálculo devido à impossibilidade de obter os valores correctos da longitude. Por exemplo, no mapa a Costa de Guiné tinha 40 graus de longitude, mas na realidade tem uns 30; o Cabo da Boa Esperança estava quase 40 graus a Este do meridiano de Londres, quanto na realidade estará a uns 20 graus; a Índia e Londres tinham 100 graus entre eles, mas na realidade estão a 80 graus. Por curiosidade, era por essa razão que os espanhóis no regresso da América passavam sempre pelos Açores, porque assim sabiam a que distância estavam da Península Ibérica, caso contrário andavam à deriva a viagem toda :mrgreen: Por haver essa dificuldade toda em calcular a longitude é que acredito que aquela terra que referi no outro post é a Austrália. Reparem que tem o mesmo rebordo do norte da Austrália: o golfo entre Darwin e Cairns, o cabo perto de Port Moresby, as ilhas perto de Darwin também estão desenhadas no mapa... Dá a ideia que passaram por lá, cartografaram aquela zona da Austrália mas não foram para sul, e terão pensado que era parte da Antártida, daí não aparecer como uma ilha. Além disso, a descrição "Terra incógnita meridionale discoperto da novo" dá a clara ideia que estou correcto, foi descoberta recentemente, era desconhecida e foi pouco explorada. O erro no posicionamento justifica-se com as dificuldades da cartografia, basta ver que a Índia aparece quase 40 graus deslocada para Este em relação ao que na realidade está. O interessante aqui é verificar que muito antes da sua descoberta oficial, parte da Austrália já está desenhada neste mapa. Depois há as curiosidades. Já aparece o nome Canada (a origem do nome também dá pano para mangas :mrgreen: ) e Terra de Laborador; os rios Amazonas e da Prata estão desenhados incorrectamente, bastante até, o que mostra que ainda não tinham sido explorados; por outro lado, os rios africanos, embora não com o posicionamento correcto, apresentam traços e percursos próximos da realidade, o que é curioso porque as explorações no interior de África só começaram uns séculos depois. Isto já está grandito, mas ainda quero realçar que aparece a referência à Terra de Lucach. Este foi referida por Marco Polo como uma terra de grandes riquezas no extremo sul da Ásia, mas não se sabe bem ao que se referia ele. No mapa aparece a sul de Timor, o que pode ser também a Austrália. Compartilhar este post Link para o post
Victarion Publicado 8 Agosto 2012 A primeira curiosidade, para quem não sabe, é que o meridiano central (longitude 0) não é o de Greenwich. Esse foi imposto muito mais tarde. O meridiano central nesse mapa passa ao largo de Portugal, no Oceano Atlântico (quase 40 graus a Oeste do meridiano de Greenwich). Já tinha, porém, definido 180 graus para cada lado, e portanto já se definira totalmente que a Terra era redonda, o que é normal porque as viagens de descobertas já tinham começado há mais de 100 anos. o mapa tinha aquele meridiano para ser mais fácil dobrar sem amarrotar algum país. não percebes nada disto! eu acho que a parte mais interessante é mesmo o sul do planeta. A lógica era que, se vais para sul vais para o quente, logo há uma terra árida lá, ao invés do mar de tundra que se conhece hoje. e a ligação da Gronelândia com o Canadá. Puxa mané. Compartilhar este post Link para o post