Ir para conteúdo
Entre para seguir isso  
Dominator

Empregos

Publicações recomendadas

Tinha dois colegas que trabalhavam lá como consultores externos. Um deles entretanto fez a mudança permanente para a Merkle e o outro também foi para lá mas como consultor externo ainda.

Ainda me lembro da entrevista que tive com eles, para Salesforce. A técnica foi um fartote. Desde o entrevistador não ter camara ligada, a perguntas como o porquê das tampas de esgoto serem redondas, a depois virem fazer queixinhas ao meu patrão a dizer que eu era pouco profissional e que não estava com roupa adequada para a entrevista, para além do fraco conhecimento que tinha.

Levei nas orelhas. Passado 2 meses veio-me pedir desculpa porque afinal os gajos estavam lixados com o meu patrão e queriam-me entalar à força toda.

  • Like 1

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Claudiojp, há 50 minutos:

Tinha dois colegas que trabalhavam lá como consultores externos. Um deles entretanto fez a mudança permanente para a Merkle e o outro também foi para lá mas como consultor externo ainda.

Ainda me lembro da entrevista que tive com eles, para Salesforce. A técnica foi um fartote. Desde o entrevistador não ter camara ligada, a perguntas como o porquê das tampas de esgoto serem redondas, a depois virem fazer queixinhas ao meu patrão a dizer que eu era pouco profissional e que não estava com roupa adequada para a entrevista, para além do fraco conhecimento que tinha.

Levei nas orelhas. Passado 2 meses veio-me pedir desculpa porque afinal os gajos estavam lixados com o meu patrão e queriam-me entalar à força toda.

Damn, eu fico mesmo sem perceber qual a necessidade que alguém tem para este nível de picuinhices num âmbito profissional.

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Lip McBoatface, há 10 minutos:

Damn, eu fico mesmo sem perceber qual a necessidade que alguém tem para este nível de picuinhices num âmbito profissional.

Sempre que trabalhei com portugueses este tipo de coisas era um fartote

Editado por Plagio o Original

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Plagio o Original, há 7 minutos:

Sempre que trabalhei com portugueses este tipo de coisas era um fartote

Tiraste prints?

  • Haha 1

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Plagio o Original, há 7 minutos:

Sempre que trabalhei com portugueses este tipo de coisas era um fartote

Pois, uma das razões pelas quais já queria trabalhar fora desde muito cedo (já que tive o privilégio de fazer essa escolha).

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Lip McBoatface, há 22 minutos:

Pois, uma das razões pelas quais já queria trabalhar fora desde muito cedo (já que tive o privilégio de fazer essa escolha).

Acho que já disse aqui mas, quando decidi mudar para freelancer com o objectivo de trabalhar para o estrangeiro, fui contactado por uma consultora portuguesa. Expliquei à cabeça do que estava à procura, mesmo assim quiseram entrevista.

Chegada a entrevista, correu tudo muito bem, até chegar à parte do "então e qual é a rate?"... Depois de responder, só faltou ser insultado. "Quem me dera ganhar isso, nem eu ganho isso" (era um director qualquer, não RH), e afins.

Só me apeteceu mandar o gajo à m*rda logo ali, mas contive-me.

Editado por Ghelthon

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Ghelthon, há 41 minutos:

Acho que já disse aqui mas, quando decidi mudar para freelancer com o objectivo de trabalhar para o estrangeiro, fui contactado por uma consultora portuguesa. Expliquei à cabeça do que estava à procura, mesmo assim quiseram entrevista.

Chegada a entrevista, correu tudo muito bem, até chegar à parte do "então e qual é a rate?"... Depois de responder, só faltou ser insultado. "Quem me dera ganhar isso, nem eu ganho isso" (era um director qualquer, não RH), e afins.

Só me apeteceu mandar o gajo à m*rda logo ali, mas contive-me.

Muito respeito por teres arriscado por uma área completamente diferente, e ainda ter seguido o caminho de freelancer

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Petar Musa, há 12 horas:

Muito respeito por teres arriscado por uma área completamente diferente, e ainda ter seguido o caminho de freelancer

O meu percurso profissional é uma série de acasos, na verdade. Vou resumir a história em spoiler, assim só vê quem realmente quiser. 😂

Spoiler

Começa por não ter acabado o meu curso (Biologia) no tempo devido. Depois, por questões pessoais, tive de voltar à cidade onde nasci. No marasmo de procurar algo para fazer, o @Bashir (com quem falava aqui mas, afinal de contas, tínhamos contactos comuns) puxou-me para a área de IT, por haver imensa oferta. Decidi seguir o conselho, fiz uns cursos básicos online, e mandei-me para entrevistas. Surpreendentemente, fui chamado para várias, nunca ficando pela falta do lado técnico.

Mais ou menos nessa altura vi um artigo sobre a Academia de Código e mandei-me. Passei a selecção e fiquei. Era dos melhores 5-6 da minha turma, talvez (em 20). No pólo do Fundão havia 2 empresas que costumavam contratar pessoas saídas desse curso, aquela para onde acabei por entrar (que só trabalhava com ServiceNow e era a preferida de quase todos por ser mais ao estilo startup, Playstation, viagens à neve, almoços de empresa todas as sextas-feiras, etc.), e a Altran. Essa empresa tinha um acordo com a Academia de Código e tinha direito a um dia inteiro com os alunos, onde de manhã davam um crash-course sobre ServiceNow enquanto faziam uma entrevista "pessoal" e depois, à tarde, uma data de exercícios, juntamente com uma segunda entrevista onde chamavam apenas os que realmente queriam contratar (de notar que eles não eram de fretes - se achavam que precisavam de 5 pessoas mas só 2 eram boas, só contratavam 2). Ora, eu não foi chamado a essa segunda entrevista, portanto assumi logo que não ia ser contratado e que acabaria por ir para a Altran.

No dia seguinte, dia de aulas normal, estava logo alguém dessa empresa à porta e que pede para falar comigo à parte. Disse que sim e basicamente fez-me ali de pé a tal segunda entrevista, e umas horas depois estava a receber uma chamada para lá ir receber a proposta e assinar, se quisesse.

Isto tudo para dizer que a minha ida para o ServiceNow foi meio que casual. Caso tivesse ido para a Altran, hoje em dia faria algo mais comum, certamente. Depois fui percebendo que era algo de nicho mas com muita procura e bem pago. Em 2021 a minha namorada quis voltar à base e, aproveitando a onda da COVID, deixaram-me voltar para ficar a trabalhar remotamente. Uns meses depois de receber continuamente ofertas para ser freelancer e ganhar uma rate na ordem dos 3 dígitos por dia, comecei a pensar se não valeria a pena arriscar, sabendo sempre que, em caso de necessidade, podia sempre voltar para uma empresa - eventualmente até para a mesma, se quisesse. Até agora não olhei para trás e, enquanto durar, por cá andarei.

 

Editado por Ghelthon
  • Like 8

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Ghelthon, há 28 minutos:

O meu percurso profissional é uma série de acasos, na verdade. Vou resumir a história em spoiler, assim só vê quem realmente quiser. 😂

  Ocultar conteúdo

Começa por não ter acabado o meu curso (Biologia) no tempo devido. Depois, por questões pessoais, tive de voltar à cidade onde nasci. No marasmo de procurar algo para fazer, o @Bashir (com quem falava aqui mas, afinal de contas, tínhamos contactos comuns) puxou-me para a área de IT, por haver imensa oferta. Decidi seguir o conselho, fiz uns cursos básicos online, e mandei-me para entrevistas. Surpreendentemente, fui chamado para várias, nunca ficando pela falta do lado técnico.

Mais ou menos nessa altura vi um artigo sobre a Academia de Código e mandei-me. Passei a selecção e fiquei. Era dos melhores 5-6 da minha turma, talvez (em 20). No pólo do Fundão havia 2 empresas que costumavam contratar pessoas saídas desse curso, aquela para onde acabei por entrar (que só trabalhava com ServiceNow e era a preferida de quase todos por ser mais ao estilo startup, Playstation, viagens à neve, almoços de empresa todas as sextas-feiras, etc.), e a Altran. Essa empresa tinha um acordo com a Academia de Código e tinha direito a um dia inteiro com os alunos, onde de manhã davam um crash-course sobre ServiceNow enquanto faziam uma entrevista "pessoal" e depois, à tarde, uma data de exercícios, juntamente com uma segunda entrevista onde chamavam apenas os que realmente queriam contratar (de notar que eles não eram de fretes - se achavam que precisavam de 5 pessoas mas só 2 eram boas, só contratavam 2). Ora, eu não foi chamado a essa segunda entrevista, portanto assumi logo que não ia ser contratado e que acabaria por ir para a Altran.

No dia seguinte, dia de aulas normal, estava logo alguém dessa empresa à porta e que pede para falar comigo à parte. Disse que sim e basicamente fez-me ali de pé a tal segunda entrevista, e umas horas depois estava a receber uma chamada para lá ir receber a proposta e assinar, se quisesse.

Isto tudo para dizer que a minha ida para o ServiceNow foi meio que casual. Caso tivesse ido para a Altran, hoje em dia faria algo mais comum, certamente. Depois fui percebendo que era algo de nicho mas com muita procura e bem pago. Em 2021 a minha namorada quis voltar à base e, aproveitando a onda da COVID, deixaram-me voltar para ficar a trabalhar remotamente. Uns meses depois de receber continuamente ofertas para ser freelancer e ganhar uma rate na ordem dos 3 dígitos por dia, comecei a pensar se não valeria a pena arriscar, sabendo sempre que, em caso de necessidade, podia sempre voltar para uma empresa - eventualmente até para a mesma, se quisesse. Até agora não olhei para trás e, enquanto durar, por cá andarei.

 

Não percebi uma coisa, trabalhas para a ServiceNow, ou és developper de ServiceNow numa empresa?

E para quem ler a história do Gel, nos dias de hoje, as coisas já não são bem assim. As empresas estão a deixar de contratar devs sem experiência por saturação do mercado e, como toda a gente achou por bem mudar de área, as empresas contrataram imensos péssimos Devs.

O advento do Low Code também veio ajudar as empresas a perceber que não tem que esperar 2 semanas por um print para mudar a cor de um botão.

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Petar Musa, há 1 hora:

Não percebi uma coisa, trabalhas para a ServiceNow, ou és developper de ServiceNow numa empresa?

E para quem ler a história do Gel, nos dias de hoje, as coisas já não são bem assim. As empresas estão a deixar de contratar devs sem experiência por saturação do mercado e, como toda a gente achou por bem mudar de área, as empresas contrataram imensos péssimos Devs.

O advento do Low Code também veio ajudar as empresas a perceber que não tem que esperar 2 semanas por um print para mudar a cor de um botão.

Sou developer de ServiceNow dentro de uma empresa, neste momento. Ou seja, adequo a plataforma aos processos da empresa, crio novas funcionalidades, etc.

A antiga empresa era uma consultora, portanto fazia isso para clientes.

  • Like 1

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Ghelthon, há 38 minutos:

Sou developer de ServiceNow dentro de uma empresa, neste momento. Ou seja, adequo a plataforma aos processos da empresa, crio novas funcionalidades, etc.

A antiga empresa era uma consultora, portanto fazia isso para clientes.

Jira > SNow 😎

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Petar Musa, há 4 minutos:

Jira > SNow 😎

não loggar tickets > tudo 

  • Haha 4

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Petar Musa, há 16 minutos:

Jira > SNow 😎

Dificilmente, porque o ServiceNow hoje em dia faz muito mais coisas do que fazia em 2017, quando comecei. Hoje em dia até módulo de RH já tem, entre muitos outros bem interessantes.

  • Like 1

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Petar Musa, há 2 horas:

Jira > SNow 😎

Tudo m*rda. Então o Jira, para gestão de projetos é um p*ta de uma confusão fds.

Uso o Snow para aberturas de ticket num fornecedor e as vezes os tickets desaparecem ou ficam invisíveis 😅

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Vision, há 5 horas:

Uso o Snow para aberturas de ticket num fornecedor e as vezes os tickets desaparecem ou ficam invisíveis 

Antes de mais nada, Snow é outra plataforma. 😎

  • Haha 1

Compartilhar este post


Link para o post

Eu por acaso é-me um bocado indiferente, há sempre algum macaco que quer mostrar trabalho ao chefe e cria, preenche e no fim me avisa para ir lá marcar como fechado.

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Petar Musa, Em 01/12/2023 at 13:16:

O advento do Low Code também veio ajudar as empresas a perceber que não tem que esperar 2 semanas por um print para mudar a cor de um botão.

Após 6 meses de Low Code implementado na empresa como algo complementar, amo.

Em 2 meses 2 pessoas fizeram o que o tech convencional estimou 12 meses.

 

 

Nos últimos business requirements pedi para prepararem mock-ups, em vez de me mostrar algo em Confluence já me mostraram o front-end feito na ferramenta low code.

 

Editado por Ego Sum
  • Like 1

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Ego Sum, Em 04/12/2023 at 22:10:

Após 6 meses de Low Code implementado na empresa como algo complementar, amo.

Em 2 meses 2 pessoas fizeram o que o tech convencional estimou 12 meses.

 

 

Nos últimos business requirements pedi para prepararem mock-ups, em vez de me mostrar algo em Confluence já me mostraram o front-end feito na ferramenta low code.

 

O problema do low code normalmente não é no inicio do projeto, é mais na manutenção e evolução, quando se lembram de pedir m*rda esquisitas que fogem um bocado do que a plataforma está preparada para fazer. Obviamente alguns são mais fléxiveis que outros.

Agora com chatgpt e outros que tais, já é muito mais rápido programar do que era antes, e isso tem metido alguma pressão nas low codes, o que deve levar a que também evoluam nesse sentido. Pelo menos as melhorzinhas.

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de lastdance, há 1 hora:

O problema do low code normalmente não é no inicio do projeto, é mais na manutenção e evolução, quando se lembram de pedir m*rda esquisitas que fogem um bocado do que a plataforma está preparada para fazer. Obviamente alguns são mais fléxiveis que outros.

Agora com chatgpt e outros que tais, já é muito mais rápido programar do que era antes, e isso tem metido alguma pressão nas low codes, o que deve levar a que também evoluam nesse sentido. Pelo menos as melhorzinhas.

Acredito, daí ser algo complementar.

Na minha opinião low code deve ser para processos standard. Tipo criares um workflow para onboarding, workflow para determinado tipo de pedidos com uma certa state-machine, etc.

Não usaria low code para o core de um negócio, tipo gerir o catálogo de uma empresa de ecommerce.

  • Like 1

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Ego Sum, há 6 minutos:

Acredito, daí ser algo complementar.

Na minha opinião low code deve ser para processos standard. Tipo criares um workflow para onboarding, workflow para determinado tipo de pedidos com uma certa state-machine, etc.

Não usaria low code para o core de um negócio, tipo gerir o catálogo de uma empresa de ecommerce.

De acordo. Por acaso tive um de onboarding que era bastante complexo mas era por ser de um banco de investimentos. Aquilo os clientes sao malta com tanto dinheiro que têm de andar com eles ao colo, foi muito complicado de arranjar um standard para o processo.

Compartilhar este post


Link para o post

Trabalhadores já ativaram 312 mil ‘autobaixas’

Autodeclaração de Doença permite a um trabalhador justificar faltas sem ir ao médico. É às segundas-feiras 
e após os feriados que chegam ao SNS24 mais pedidos. Empresas estão preocupadas com uso abusivo do mecanismo

Desde maio de 2023 que um trabalhador que se encontre doen­te e incapaz de exercer a sua atividade profissional por um período de curta duração (até três dias) não precisa de ser visto por um médico ou deslocar-se ao centro de saúde para ver justificadas as faltas ao trabalho. Basta acionar a Autodeclaração de Doença (ADD) junto do SNS24, um documento que comprova que o utente se encontra em situação de doença, declarada por si mesmo sob compromisso de honra. Os dados fornecidos ao Expresso pelos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) indicam que, entre maio de 2023 e 22 de janeiro deste ano, foram ativadas 312.876 autodeclarações, a uma média de 1100 diárias, com o grupo etário dos 19 aos 44 anos a representar 71,5% dos requerentes.

Mas o propósito do mecanismo — aliviar os médicos da pressão gerada pela emissão de certificados de incapacidade para o trabalho — está a gerar um problema maior às empresas. É que os dias que concentram maior número de ‘autobaixas’ são as segundas-feiras e os dias que antecedem ou sucedem a feriados, gerando constrangimentos ao funcionamento das organizações. A fiscalização é inexistente e nas empresas somam-se as suspeitas de “uso abusivo” do mecanismo.

Ao Expresso chegaram denúncias tanto de empregadores do sector privado como de constrangimentos em alguns serviços públicos na última semana do ano passado e na primeira de 2024. Os dados disponibilizados ao Expresso pelos SPMS mostram que durante o mês de dezembro a emissão de ADD bateu todos os recordes mensais. De um total de 312.876 autodeclarações emitidas nos últimos quase nove meses, 54.606 foram ativadas em dezembro, com o dia 27 — uma quarta-feira, logo a seguir ao Natal e à tolerância de ponto concedida pelo Governo aos funcionários públicos — a registar o maior número de ADD emitidas: 4909. O recorde máximo diário seria atingido precisamente na quarta-feira seguinte, dia 3 de janeiro (5907), também a seguir às comemorações do Ano Novo e à tolerância de ponto concedida pelo Governo.

Cada autodeclaração justifica a ausência do funcionário ao trabalho por três dias, não remunerados, e cada trabalhador tem direito a ativá-la duas vezes por ano, não consecutivas (ver P&R ao lado). Contas feitas — considerando um trabalhador que não trabalhe aos fins de semana ou feriados e benefi­cie da tolerância de ponto concedida pelo Executivo —, a ADD acionada a 27 de dezembro permitir-lhe-ia só regressar ao trabalho na quarta-feira seguinte, a 3 de janeiro. Note-se, contudo, que os dados relativos ao mês de dezembro (nestas semanas em concreto) coincidem com o pico da gripe, o que poderá também ajudar a justificar o aumento de ADD emitidas nestes dias.

O Expresso solicitou aos SPMS os dados completos relativos à distribui­ção diária das ADD emitidas entre maio e janeiro deste ano, o que permitiria uma análise mais fina da realidade, mas os serviços disponibilizaram apenas os dados agregados mensais, identificando em cada mês o dia com maior número de declarações emitidas. Ainda assim, é possível identificar um padrão. Na esmagadora maioria dos meses, o dia com maior registo de ADD emitidas é a segunda-feira, exceções para o dia 16 de agosto (quarta-feira, a seguir a um feriado e regresso de férias para muitos portugueses), 28 de novembro (terça-feira, a anteceder o feriado de 1 de dezembro) e os já referidos dias 27 de dezembro e 3 de janeiro, quartas-feiras.

Falta de dados centralizados

O Expresso contactou o Ministério da Presidência do Conselho de Ministros (MPCM), que tutela a pasta da Administração Pública, procurando saber quantos funcioná­rios públicos ativaram este mecanismo desde que foi criado e se a tutela tinha conhecimento de constrangimentos aos serviços. Fonte oficial do MPCM respondeu apenas que “não existem esses dados centralizados”. O Ministério do Trabalho foi também confrontado com os dados e questionado sobre um even­tual uso abusivo das ADD, a existência de mecanismos de controlo, bem como a possibilidade de revisão da lei. Numa resposta remetida ao jornal, o Instituto da Segurança Social não responde a nenhuma das questões, limitando-se a explicar o mecanismo.

E se entre o Governo os dados escasseiam, as confederações patronais lembram que “o risco de uma utilização indevida deste mecanismo foi sinalizado ao Executivo quando a proposta de o criar foi apresentada aos parceiros sociais”, recorda João Vieira Lopes, presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP). “Na altura, considerámos que o mecanismo deveria ser reavaliado ao final de um ano e discutido em concertação social”, recorda o líder da CCP. “Consideramos que é muito importante que isso aconteça”, sublinha.

À CIP — Confederação Empresarial de Portugal “têm chegado relatos de constrangimentos na gestão de recursos humanos na indústria, gerados por estas ausências em épocas críticas, em que é mais difícil fazer substituições”, admite Armindo Monteiro, presidente da organização. Critica o difícil escrutínio da medida, explicando que “a preocupação não é tanto o seu impacto financeiro, porque são ausências não remuneradas, mas o efeito na produtividade e a desconfiança que gera entre os restantes trabalhadores, chamados a acumular o trabalho dos colegas”. E pede que se repense a medida.

PORTUGUESES JÁ ACIONARAM MAIS DE 312 MIL “AUTO-BAIXAS”

Autodeclarações de doença (ADD) emitidas pelo SNS24

Aos escritórios dos advogados chegam também ecos de preocupação. “Há situações a acontecer”, confirma Joana Brisson Lopes, coordenadora do departamento de direito laboral e de Segurança Social da sociedade SRS Legal, que relata mesmo o caso de “uma empresa em que dois trabalhadores, com uma relação entre si, pediram um dia de folga junto a um feriado. O empregador explicou que numa equipa pequena só poderia dar a um. No dia seguinte o outro ativou uma Autodeclaração de Doença”.

“Passou-se para o próprio interessado a capacidade de decidir quando vai trabalhar”, vinca a advogada. E fala num mecanismo em que “a única via de fiscalização possível é a disciplinar” e em que “a prova, não sendo impossível, é muito difícil, o que conduz a abusos”. Alerta, contudo, que “a falsa declaração de doença é um dos fundamentos de despedimento com justa causa” e reforça que “o empregador pode atuar de forma disciplinar se suspeitar que a declaração de doença é falsa e o conseguir provar”.

P&R

O que é a Autodeclaração de Doença (ADD)?

Trata-se de um mecanismo criado em maio de 2023, durante o Governo de António Costa, e que possibilita a um trabalhador que se encontre em situação de doença declarar, sob compromisso de honra, a sua própria incapacidade temporária para o trabalho, sem que para isso tenha de se deslocar ao centro de saúde ou ser visto por um médico. Basta que contacte os serviços do SNS24 — por telefone, online ou através da aplicação — e comunique a incapacidade para trabalhar.

Qualquer pessoa o pode fazer?

Sim, a ADD pode ser pedida por qualquer trabalhador com idade igual ou superior a 16 anos.

Há um limite às ‘autobaixas’?

Sim. Cada ADD justifica a ausência do trabalhador por três dias e só pode ser requerida duas vezes por ano (seis dias, não consecutivos). O trabalhador tem até cinco dias, contados a partir do primeiro dia útil de ausência por doença, para requerer a ADD.

Os dias de ausência ao trabalho são remunerados?

Não. À semelhança do que acontece com o certificado de incapacidade temporária para o trabalho, emitido por um médico, nos primeiros três dias de ausência por doença não há lugar ao pagamento da retribuição por parte da entidade patronal, embora, em algumas empresas, a política de recursos humanos adotada passe por não descontar aos trabalhadores as ausências por motivo de doença nos dias iniciais.

Estas autodeclarações são sujeitas a algum tipo de fiscalização?

Não, e esse foi um dos riscos apontados pelas confederações patronais logo quando a medida foi apresentada aos parceiros sociais. Anteriormente, as ausências ao trabalho, mesmo que de curta duração, tinham de ser justificadas pelo médico. O objetivo do Governo com este mecanismo foi retirar dos centros de saúde a “pressão” associada à emissão de justificações de falta. Mas a impossibilidade de fiscalizar o uso correto deste “simplificador” de baixas levantou desde o início sérias reservas aos empregadores.

O empregador pode atuar em caso de uso indevido da ADD pelo trabalhador?

Pode. “O empregador pode atuar de forma disciplinar contra o trabalhador” e se comprovado, “esse uso indevido — falsa declaração de doença — constitui fundamentação para o despedimento com justa causa”, explica a advogada Joana Brisson Lopes, coordenadora do departamento de direito laboral da sociedade SRS Legal. Para tal é preciso fundamentar e fazer prova de que o trabalhador não esteve, efetivamente, impossibilitado de trabalhar.

https://leitor.expresso.pt/semanario/semanario2674/html/economia/emprego/trabalhadores-ja-ativaram-312-mil-autobaixas



Na segunda semana de janeiro quem é que já tinha queimado os dias?

Compartilhar este post


Link para o post

Crie uma conta ou entre para comentar

Você precisa de ser membro desta comunidade para poder comentar

Criar uma conta

Registe-se na nossa comunidade. É fácil!

Criar nova conta

Entrar

Já tem uma conta? Faça o login.

Autentique-se agora
Entre para seguir isso  

  • Todo o Mundial 2026 no CMPT
  • Popular Agora

  • Outros membros neste tópico

    Nenhum utilizador registado está a visualizar esta página.

×
×
  • Criar Novo...