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Luís Silvares

Insultos no Ask.fm levam jovem britânica ao suicídio

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Por mera curiosidade gostava de saber quantos dos que andam aqui a dizer que "a culpa é dos pais" têm entre 13 a 16 anos. Quantos desses usam a internet com supervisão absoluta dos seus próprios pais. Quantos veem porno acompanhados pela família, quantos partilham em absoluto as suas participações no facebook e outras redes sociais. E mesmo entre os mais velhos, que também apontam o dedo aos pais, quantos serão aqueles que nunca guardaram alguns segredos sobre o que faziam e diziam quando eram teenagers inconscientes; quantos contaram a primeira passa num cigarro, as primeiras bebidas alcoólicas que consumiram, as primeiras ganzas fumadas com os amigos, as discussões, intrigas, namoros,...

 

Mera curiosidade académica... Talvez se pudesse chegar à conclusão que os vossos próprios pais (ou vocês próprios, caso já o sejam) são tão culpados como os pais da pobre criança que se suicidou...

 

Mais uma nota: talvez seja uma informação surpreendente mas os suicídios de adolescentes não começaram com o surgimento das redes sociais on-line. Nem sequer terminariam se, eventualmente, deixassem de existir redes sociais on-line.

Editado por Descartes

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Chegou e disse. É impraticável e irrealista os pais andarem em cima de todos os passos que um miúdo de 14 anos dá na internet. Além de que, volto a dizê-lo, 14 anos não são 10. Se eu entendo que uma criança de 10 anos deve ter os passos controlados na internet, os 14 anos já acarretam alguma consciencialização crítica do que é certo e errado. Até acho errado e contraproducente para um desenvolvimento saudável uma adolescente de 14 anos ter as conversas com amigas vigiadas, por exemplo.

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Este tópico conseguiu chegar ao nível do facebook, não se conhece a história, as circunstâncias todas da situação mas a gente não se coíbe de fazer de paladino :mrgreen:

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Quantos veem porno acompanhados pela família

lembrei-me do hugo e da prima

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Desde os 6 anos que navego na Internet sem qualquer supervisão. Desde então que sou mais eu que sei que tipo de pornografia o meu pai vê, em vez do contrário.

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Desde os 6 anos que navego na Internet sem qualquer supervisão. Desde então que sou mais eu que sei que tipo de pornografia o meu pai vê, em vez do contrário.

 

Ou seja, se o teu pai se suicidar devido a cyberbulling tu és o culpado.

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Os teus filhos também sabem que tipo de pornografia é que tu andas a ver? :-k

 

Confesso que agora fiquei um bocadinho preocupado...:medinho:

 

:mrgreen:

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Chegou e disse. É impraticável e irrealista os pais andarem em cima de todos os passos que um miúdo de 14 anos dá na internet. Além de que, volto a dizê-lo, 14 anos não são 10. Se eu entendo que uma criança de 10 anos deve ter os passos controlados na internet, os 14 anos já acarretam alguma consciencialização crítica do que é certo e errado. Até acho errado e contraproducente para um desenvolvimento saudável uma adolescente de 14 anos ter as conversas com amigas vigiadas, por exemplo.

 

Os aniversários não propriamente checkpoints onde a partir de determinado dia se passa a saber X e Y, nada disso dos 14 anos é linear. Isto porque a conversa começou com a falta de "compaixão" para com o suícido de uma criança de 14 anos com o argumento de quem comete suícidio não o merece, como se essa mesma criança soubesse perfeitamente a importância do acto que estava para cometer.

 

Eu até acho que os 14 anos são precisamente uma idade crítica nestas coisas. A maturidade é ainda em geral pouca e a falta de aptidão para digerir situações deste género (bullying e semelhantes) é evidente e essa consciencialização, que tu dizes muita ou alguma e que eu acho relativamente pouca, é no entanto suficiente para desfechos destes. Por alguma razão, não há (ou haverá em número bastante inferior, penso eu) suicídios aos 10 ou aos 11 anos mas já os existem em quantidades mais assinaláveis a partir dos 14 ou 15 anos. Com 10 ou 11 anos não se pensa em desfechos destes, com 14 já se pensa. Mas não acho que tal signifique que aos 14 já se tenha noção do que se está para fazer.

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Pergunto-te se com 14 anos te sentirias confortável a ter os teus pais a vigiar o teu histórico da internet e as conversas que tinhas e com quem tinhas. Eu sei que não e como já disse, acho que já se trataria de entrar no espaço privado da miúda, e até certo ponto seria castrador do desenvolvimento dela.

 

E infelizmente gente idiota e bullies existem em todo o lado. Existiram ao longo dos anos, existiram antes da internet e provavelmente existirão daqui a muitos anos ainda. E quando as situações de breakdown não aparecem por causa dos bullies provavelmente surgirão por outro motivo qualquer - pelo namorado que a deixou, pela discussão com a melhor amiga, pelos pais não a deixarem sair... pergunto-me a mim próprio se a rapariga não acabaria por fazer algo deste género enquanto resolução de outro drama qualquer da adolescência. No fundo, acho que isto é demasiado complexo para apontar uma só causa enquanto principal, e tenho sérias duvidas que os pais sejam candidatos a esse papel.

 

Provavelmente se os meus pais vissem que aos 14 anos perdia horas a explicar ao Spider no MSN porque é que o expulsei e que não, não ia pedir para o reintegrarem , ainda me levavam a um psicólogo. Se calhar tinha sido boa ideia... :facepalm:

Editado por Chandler

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Ca raio, isso é para mim? É que não tem nada a ver com o que eu disse.

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Pergunto-te se com 14 anos te sentirias confortável a ter os teus pais a vigiar o teu histórico da internet e as conversas que tinhas e com quem tinhas. Eu sei que não e como já disse, acho que já se trataria de entrar no espaço privado da miúda, e até certo ponto seria castrador do desenvolvimento dela.

 

E infelizmente gente idiota e bullies existem em todo o lado. Existiram ao longo dos anos, existiram antes da internet e provavelmente existirão daqui a muitos anos ainda. E quando as situações de breakdown não aparecem por causa dos bullies provavelmente surgirão por outro motivo qualquer - pelo namorado que a deixou, pela discussão com a melhor amiga, pelos pais não a deixarem sair... pergunto-me a mim próprio se a rapariga não acabaria por fazer algo deste género enquanto resolução de outro drama qualquer da adolescência. No fundo, acho que isto é demasiado complexo para apontar uma só causa enquanto principal, e tenho sérias duvidas que os pais sejam candidatos a esse papel.

 

Os pais têm, naturalmente, um papel fundamental no que respeita ao crescimento de qualquer criança. Só que esse papel não se centra no "policiamento" da utilização da internet. Muito pelo contrário. Na minha opinião os pais devem preocupar-se e agir no plano do on-line exatamente da mesma forma como o fazem nos restantes planos da vida dos seus filhos. Da mesma forma como acompanham o seu percurso escolar, as suas amizades, os lugares que frequentam, os seus consumos culturais, alimentares e de lazer. A liberdade que concedem num plano deve ser a mesma que concedem nos outros.

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Não sei. Tu achas que a culpa é de quem?

 

Tem de haver um culpado ou alguém totalmente ilibado de culpas?

 

A culpa é da criança que se suicidou, essa cobarde. Não, a culpa é dos pais que não souberam ou não perceberam que precisavam de defender a criança dos colegas que a atacavam. Ah, mas se há um ataque, a culpa é dos atacantes. Mas provavelmente esses agressores não deixam de ser outras crianças de 14 anos portanto a culpa também é dos pais dos bullys que não os souberam educar. E foram atacados por onde? Pela internet, a culpa é da internet...

 

Cedo se percebe que deixa de fazer sentido personalizar a culpa. O que não signfica que todas as partes não possam ter responsabilidades em certa altura de toda a história e que não se possa reflectir sobre elas.

 

Sobre a questão dos pais em concreto, concordo com o que já disseste. Aos 14 anos, já será difícil aos pais vigiar todos os passos de quem quer que seja, ainda que tal não os ilibe do seu dever enquanto pais.

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Tem de haver um culpado ou alguém totalmente ilibado de culpas?

 

A culpa é da criança que se suicidou, essa cobarde. Não, a culpa é dos pais que não souberam ou não perceberam que precisavam de defender a criança dos colegas que a atacavam. Ah, mas se há um ataque, a culpa é dos atacantes. Mas provavelmente esses agressores não deixam de ser outras crianças de 14 anos portanto a culpa também é dos pais dos bullys que não os souberam educar. E foram atacados por onde? Pela internet, a culpa é da internet...

 

Cedo se percebe que deixa de fazer sentido personalizar a culpa. O que não signfica que todas as partes não possam ter responsabilidades em certa altura de toda a história e que não se possa reflectir sobre elas.

 

Sobre a questão dos pais em concreto, concordo com o que já disseste. Aos 14 anos, já será difícil aos pais vigiar todos os passos de quem quer que seja, ainda que tal não os ilibe do seu dever enquanto pais.

 

E qual é o seu dever enquanto pais? Protegê-los de todos os perigos reais e imaginários? Possíveis e eventuais? Ou habilitar os seus filhos por forma a que estes se possam defender a si próprios, evitando os perigos evitáveis e ultrapassando as situações inevitáveis?

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Até vou partilhar aqui uma história, que não vou usar para fundamentar grande coisa, mas que tem algumas semelhanças com isto.

 

Este ano estive directamente envolvido, como alguns sabem, numa escola de futebol do grande Porto onde me aconteceu uma coisa particular. Um dos miúdos, com 10 anos, era relativamente mais acriançado que os outros. Tinha brincadeiras mais primárias, era mais irrequieto e complicado de controlar, perturbava constantemente o funcionamento normal das actividades, mas não era mau. Não era dos que diziam palavrões nem dos que faziam pela calada, bem pelo contrário, era tão 'aberto', tinha brincadeiras tão rudimentares e desadequadas que os próprios colegas o repreendiam. Com o tempo fui percebendo que a mãe vivia sozinha com ele e que constantemente queria falar comigo no fim dos treinos. No início para me perguntar pelo miúdo, depois cada coisa que se passava na escola, em casa, cada comportamento dele mais atípico ela vinha-me perguntar e pedir opinião.

 

Enfim, este comportamento que descrevi do miúdo também se passava na escola, e como vocês sabem com 10 e 11 anos já existem miúdos que já dão umas passas e já se começam a iniciar com pessoal mais da pesada, e este miúdo no meio deles passava mal. Percebi que a mãe andava constantemente de trela ao miúdo, e que ela vir constantemente perguntar-me por ele era apenas a ponta do icebergue. Ela via os treinos de ponta a ponta, vasculhava de modo quase obsessivo tudo o que o miúdo fazia e não fazia durante o dia, e isto naturalmente criou uma espécie de 'bolha' à volta do miúdo que o foi impedindo de criar adaptações ao meio que o envolvia. Por exemplo, quando era gozado pelos colegas era frequente ficar ressentido, meter-se a chorar, não querer jogar mais... Para quem não está acostumado, o normal é precisamente o contrário, é rir e mandar o outro para a outra banda. Isto era o que uma criança saudável faria. Eu passei o ano todo a dizer-lhe para afrouxar essa protecção, para deixá-lo encontrar um equilíbrio entre o choque completo com o tal pessoal num estado de desenvolvimento diferente do dele e a protecção completa da mãe.

 

Numa dessas conversas (eu até já saía a passo apressado para evitar que ela me visse e me viesse chatear) ela conferenciou-me que o miúdo criou um Facebook, naturalmente fiscalizado diariamente pela mãe. Aparentemente alguns dos engraçados lá da escola iam para o chat com ele e desatavam a chamar-lhe todos os nomes e mais alguns de forma aleatória. E era mais que um, ou seja, o alvo estava ali bem definido e provavelmente não era por acaso. A reacção do miúdo era simplesmente fechar a janela do chat e chorar, sendo que a mãe posteriormente vinha a descobrir o que se passava e limitava-se a ir à escola fazer queixa. :lol: Eu naturalmente aconselhei precisamente o contrário, que o incentivasse a responder e a bater o pé dentro da medida do possível. Enfim, que o deixasse criar esses mecanismos de defesa que qualquer um de nós tem para não desatar a chorar quando alguém tem uma atitude negativa para connosco.

 

Como disse este caso tem algumas semelhanças, mas não tem o propósito de contribuir por aí além para a discussão. O controlo/acompanhamento dos pais é muito relativo, tem de ser feito de forma saudável e equilibrada. Neste caso a menos que existissem sinais exteriores óbvios de que algo não estaria bem não vejo grandes razões para invadir a privacidade da filha só porque sim.

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Até fiquei com pena do puto :(

 

Até porque sei +- como são essas situações, pq a minha prima passou por semelhante. Vá lá que já acordou para a vida.

Editado por Andresen

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E qual é o seu dever enquanto pais? Protegê-los de todos os perigos reais e imaginários? Possíveis e eventuais? Ou habilitar os seus filhos por forma a que estes se possam defender a si próprios, evitando os perigos evitáveis e ultrapassando as situações inevitáveis?

 

A resposta parece-me evidente. Não me parece que estivesses à espera que eu te fosse responder que o papel deles era defender os filhos de tudo e alguma coisa.

 

Mas o meu ponto nem era tanto o próprio papel dos pais, tinha mais a ver com a idade da miúda, já que foi por aí que eu comecei a conversa. Por muito que já se esteja a crescer aos 14 anos, às vezes tão aparentemente adultos e cada vez mais indepententes, o papel dos pais continua a ser fundamental no crescimento deles.

 

O desempenho dos pais para mim é outra história. Conheço, por exemplo, um par de pessoas bastante próximas cujo comportamento hoje aos 21 anos parece-me claramente vincado pela historial em casa durante todos estes anos, uma pela excessiva protecção parental e outra pelo "modelo" que o pai representa em muitos ideais e atitudes, e em algumas coisas vejo o que isso tem de negativo.

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A resposta parece-me evidente. Não me parece que estivesses à espera que eu te fosse responder que o papel deles era defender os filhos de tudo e alguma coisa.

 

Mas o meu ponto nem era tanto o próprio papel dos pais, tinha mais a ver com a idade da miúda, já que foi por aí que eu comecei a conversa. Por muito que já se esteja a crescer aos 14 anos, às vezes tão aparentemente adultos e cada vez mais indepententes, o papel dos pais continua a ser fundamental no crescimento deles.

 

O desempenho dos pais para mim é outra história. Conheço, por exemplo, um par de pessoas bastante próximas cujo comportamento hoje aos 21 anos parece-me claramente vincado pela historial em casa durante todos estes anos, uma pela excessiva protecção parental e outra pelo "modelo" que o pai representa em muitos ideais e atitudes, e em algumas coisas vejo o que isso tem de negativo.

 

Concordo contigo, claro.

 

A nossa aparente discordância devia-se ao foco em que cada um estava a argumentar. Eu na parte que respeita à culpa dos pais e tu no que respeita à idade da miúda. E, por vezes, uma frase ou outra estava a suscitar essa aparente divergência. :wink:

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