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Guest Dpitz

Tópico da Política e Economia

Publicações recomendadas

Epah não sei, mas se existe a notícia quase certa que vai haver reunião, depois ninguém confirma. É estranho pah, mas pronto

 

A reunião, ao que parece, acabou bastante tarde. Vi agora na SIC Notícias.

 

Esta situação, possível Governo de Esquerda, parece-me bastante imprevisível. Neste momento, as coisas tanto podem cair para um lado como para o outro.

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Notícias destas são um claro sinal de que os médicos têm a faca e o queijo na mão: http://www.dn.pt/portugal/interior/internos-processam-hospital-que-os-obriga-a-fazer-horas-a-mais-4868797.html

 

:rolleyes:

 

fosse outra classe eram malucos e criticados por não vestirem a camisola da empresa!!!!!

Editado por Jone Sampaoli

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Psiquiatra Pedro Afonso: Há um endeusamento do trabalho

 

“Se as empresas querem aumentar a produtividade, ponham os funcionários a trabalhar menos horas”, atira o psiquiatra Pedro Afonso, autor do livro “Quando a mente adoece”, lançado na AESE – Escola de Direcção e Negócios.

 

"Há mulheres em licença de maternidade pressionadas pelas empresas para consultar os 'e-mails' de trabalho. Eu conheço vários casos", conta o psiquiatra Pedro Afonso, autor do livro "Quando a mente adoece", lançado na AESE - Escola de Direcção e Negócios, onde dá aulas a gestores e empresários. Ele tenta provocar o debate. E provoca. "Há uma cultura crescente de invasão da vida profissional na vida pessoal", diz. E continua. "Se as empresas querem aumentar a produtividade, ponham os funcionários a trabalhar menos horas". E continua ainda. "As empresas estão a sugar-nos a saúde e a nossa qualidade de vida. E isto não é dramatismo. Toda a gente funciona muito no do 'dar, dar e dar' e, às tantas, está tudo sequestrado por esta cultura, que é uma cultura autofágica, que absorve as pessoas e as destrói". Há um limite. Que é o limite humano, diz.

 

Temos pensado pouco sobre a relação que temos com o mundo do trabalho. Enquanto psiquiatra e professor na AESE - Escola de Direcção e Negócios, tento provocar alguma discussão em torno dos limites humanos. Há, claramente, um divórcio entre as características humanas e aquilo que está a ser exigido às pessoas. Eu diria mesmo que se as empresas querem aumentar a produtividade, ponham os funcionários a trabalhar menos horas. Se não existir um equilíbrio, não só diminuímos a produtividade como colocamos a nossa saúde em risco. As doenças psíquicas no mundo do trabalho, como as perturbações da ansiedade e os quadros depressivos, têm vindo a aumentar.

 

Mas o que está em causa não é só o número de horas de trabalho. É a pressão para chegar a resultados em menos tempo e com menos pessoas. Face a políticas de reformas antecipadas ou de rescisões por mútuo acordo, por exemplo, quem sai não é substituído e quem fica é sobrecarregado com o trabalho dos que se reformam ou rescindem. É uma política muito usual. E isto tem um limite. Que é o tal limite humano.

 

É preciso alertar as mentalidades que o preço a pagar por um quadro depressivo ou por um quadro de exaustão, em termos de absentismo, é muito maior do que apostar na sua prevenção. Há pessoas que suportam mais a pressão, mas todos nós, mais cedo ou mais tarde, acabamos por sofrer as consequências. Os trabalhadores devem tentar, eles próprios, proteger-se. Eu costumo dizer aos meus doentes para devolverem a responsabilidade. Quando alguém é assoberbado de trabalho e sabe, à partida, que não vai conseguir cumprir tudo aquilo que lhe foi proposto, deve remeter a escolha do que fica para fazer para a chefia: 'eu não consigo fazer tudo no prazo indicado. Peço-lhe que me indique o que é que eu vou deixar de fazer e o que é que é mais importante. Ou, em alternativa, tem de alocar uma pessoa para me ajudar'. É preciso fazer esse confronto.

 

A pressão para os resultados é transmitida de cima para baixo, os próprios gestores estão sob imensa pressão, e tudo isto acaba por ser uma correia de transmissão. É algo transmitido aos directores, às chefias e a todos os funcionários. É um sequestro global. Há, de facto, um certo endeusamento do trabalho. Toda a gente funciona muito nesse registo do "dar, dar e dar" e, às tantas, está tudo sequestrado por esta cultura, que é uma cultura autofágica, que absorve as pessoas e as destrói.

 

Há uma cultura crescente de invasão da vida profissional na vida pessoal. Não imagina a quantidade de doentes meus que estão constantemente a responder a 'e-mails' de trabalho em período de férias. Já não se respeita o período em que a pessoa deve estar desligada do trabalho. Já não se respeita as mulheres em licença de maternidade. Tenho conhecido vários casos. Ao fim de um mês de licença, as empresas quase que exigem a consulta dos 'e-mails'. Há uma cultura empresarial perversa.

 

Também se assiste a alguma encenação no local de trabalho. Certas pessoas reconhecem que, muitas vezes, não estão propriamente a produzir, mas sentem uma certa obrigação de estarem presentes. Há esta mentalidade… A Google criou os chamados "nap rooms" para os funcionários fazerem pequenas sestas. Em Portugal, isto poderia ser visto como um período de ociosidade e até de irresponsabilidade. Mas está demonstrado que dormir uma pequena sesta aumenta a produtividade e a concentração. Portanto, há que introduzir, na cultura das empresas, estas formas inteligentes de gestão. A verdade é que assistimos a uma certa regressão. E o chamado "multitasking" não ajuda. É improdutivo. Mas instalou-se na nossa cultura. Ninguém hoje em dia pratica o "monotasking".

 

Se há imensas pessoas pressionadas pelos resultados das empresas, mais recentemente também tenho visto pessoas com propostas de rescisões de contrato que ficam deprimidíssimas. Têm cerca de cinquenta e poucos anos e nunca imaginaram que a sua carreira ficaria interrompida tão cedo e que, muito provavelmente, nunca mais iriam regressar ao mercado de trabalho. É toda uma vida profissional que, subitamente, fica interrompida. E isso gera um período de perplexidade e de despersonalização. Nós temos uma certa fusão com aquilo que fazemos e se isso nos é retirado de repente, há uma parte de nós que acaba por morrer.

 

Andamos num corrupio e a vida passa demasiado depressa. Eu conto a história de uma directora que investiu maciçamente na carreira e, com perto dos 50 anos, percebeu que não havia muito mais para conquistar e caiu numa grande depressão. É importante que, paralelamente à gestão da carreira profissional e à conciliação com a família, as pessoas possam, de alguma forma, criar o seu projecto de vida. Muitas delas deixam os seus pequenos sonhos para a reforma, seja um curso de pintura, de fotografia ou uma viagem. Por que não conciliar estes sonhos com a vida profissional? Mas, para isso, é preciso tempo. Tempo e energia, porque a energia é maciçamente consumida no local de trabalho.

 

Enquanto psiquiatra, gostava de alertar para uma outra questão, que está a ser discutida por sociólogos e psicólogos nos Estados Unidos, que é o chamado trabalho sombra, o "shadow work". Um trabalho que está a ser transferido para os consumidores de forma a diminuir os custos de produção das empresas. Vamos a uma bomba de gasolina e temos de ser nós a encher o tanque do carro. Vamos às compras e temos de fazer os embrulhos de Natal. Oferecem-nos os laços e o papel... Até o trabalho do caixa de supermercado está a ser substituído por máquinas automáticas. Há aqui um trabalho oculto que, no final do dia, origina um grande desgaste cumulativo.

 

Um psiquiatra é um bocadinho como o poeta. Olha para as coisas de uma forma um bocadinho diferente. Ser psiquiatra é procurar perceber, é procurar compreender. E, para se ser psiquiatra, é preciso, acima de tudo, capacidade de escutar e de se colocar no lugar do outro. É a chamada empatia. Uma pessoa que pertença a um estrato social privilegiado, que tenha sido educada em bons colégios numa zona social óptima, e que nunca tenha contactado com a miséria humana, não percebe, de facto, as dificuldades das pessoas mais desfavorecidas. Que é o caso da maior parte dos nossos políticos...

 

Na política, por vezes, até pode haver empatia, mas falta compaixão. A compaixão pressupõe que, activamente, se alivie o sofrimento do outro. Há o chamado Síndrome de Hubris (adição ao poder), que tem a ver com a transformação da personalidade pela permanência prolongada em cargos de poder. O que acaba, muitas vezes, por aumentar o distanciamento e fazer desaparecer a empatia. E isso pressente-se nos discursos. As palavras até estão lá, mas falta a componente emocional. Há uma dissociação entre as palavras e a emoção. Soa a falso.

 

Negócios

Editado por Sumudica by Night

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Já defendo isso desde que entrei no mundo laboral. Trabalha-se demasiado em Portugal, está completamente instaurado esse endeusamento do "vestir a camisola" que tanto me enerva. Não tanto onde trabalho, mas principalmente pelos meus amigos. Também já vi um membro da família e uma amiga próxima a entrar em estados depressivos (felizmente, pontuais) devido ao trabalho e a essa cultura de m*rda.

Já existem empresas por cá que adoptam esse nap room ou semelhante, tipo quarto de entretenimento (com consolas, ou matrecos ou assim). Mais as start-ups, mas pronto, melhor que nada.

 

Mas é uma questão cultural que, a meu ver, nunca mas nunca irá desaparecer em termos nacionais. Poderão existir focos de uma boa cultura empresarial e devidamente adaptadas aos tempos modernos, que proteja os seus empregados, mas nunca irá mudar.

Editado por Jone Sampaoli

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A SIC avança que PS e PCP estabeleceram um limite máximo para as negociações de um Governo de Esquerda, amanhã à noite. Por outro lado, ao que parece, também existe um impasse nas negociações com o BE.

 

Não sei até que ponto isto será verdade, parece-me que há muita contra-informação a ser plantada por aí.

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100% de acordo. Em Portugal entao e' para esquecer, eu que trabalho em TI, que e' uma area onde e' perfeitamente possivel ser flexivel e dar excelentes condicoes de trabalho,raramente isso acontece. Trabalhar de casa? Ta bem ta, o chefe acha logo q n fazemos nenhum. Acabar o dia mais cedo pq ta cansado? Tas maze maluco! Aconteceu um imprevisto e n podes ir trabalhar? Espero q tenha morrido alguem senao tas fdd!

 

Felizmente em PT eu fazia exactamente o que o gajo diz que e' "remeter a escolha do que fica para fazer para a chefia" e com bons resultados. No meu trabalho de consultor de TI ando mto tempo em clients e ando a saltar de projecto em projecto e apesar de no meu trabalho o importante sao os objectivos (ou seja, instalar componente A or configurar componente B) e' esperado que entre cedo e saia tarde.

 

Desde cedo reclamei, passava mto tempo a ir do client A para o cliente B, coisas que era capaz de demorar 2h a fazer, demoram 4 ou 5 pq incluem deslocacao e o cliente arranjar-me um sitio para eu trabalho. As minhas reclamacoes eram do genero "Exmo Sr Dr Chefe, vc precisa disto pronto ate' dia X certo? Tenho Y dias alocados para este objectivo, certo? Entao deixe-me fazer o horario que eu quiser, trabalhar onde eu quiser e no fim avalie o resultado" uiui nem imaginam o atrofio na cabeca de alguns. E o pior e' que as vezes os meus chefes ate concordavam mas os clients se n te vem a trabalhar pensam de tao a pagar pra tares de ferias.

 

Enfim, mudei-me para Inglaterra e a minha empresa n quer saber onde estou, ou a q horas cheguei ao cliente... so me perguntam "ta feito?" e mais nada... alias na maioria das vezes nem me perguntam, eu e' que lhes digo "ta feito", informam o cliente, o cliente testa, se gosta do resultado fixe, senao o ciclo recomeca.

 

So o facto de por semana, em media, trabalhar 1 dia de casa deu-me uma qualidade de vida brutal.

 

Depois outro factor e' o tempo alocado a determinadas tarefas. Eu estou agora num cliente, onde alocaram dois dias (hoje e amanha) para fazer uma tarefa que demorou 2h a fazer. Ta feito mas como tenho tempo livre, vou "caprichar" ou seja, vou dar mais valor ao cliente do que aquilo que ele pagou. Tenho 1 dia e meio "livre", amanha ja' n venho ao cliente, fico em casa a descansar.

 

Resultado deste exemplo: o cliente ta contente pq tem algo melhor do que inicialmente pagou para ter. Eu tou contente pq tenho tempo livre e sem stress. A minha empresa ta contente pq o cliente ta contente e vai certamente comprar mais servicos a' minha empresa.

 

Esta forma de trabalhar, minimizando a importancia da quantidade de horas e dar mais importancia a' qualidade, beneficia todos involvidos!

 

As vezes penso se no futuro irei voltar a Portugal... e o meu maior problema e' exactamente esta filosofia de trabalho rigida. Receber menos dinheiro? Aguentava... mas trabalhar q nem um cao so' pq sim e' q n da'!

 

Isto tmb n quer dizer que em Inglaterra e' o paraiso, ha mtos clients que sao "old school" mas ainda assim, sao mais flexiveis que os que encontrei em PT.

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Uma adenda à notícia que o Sumudica colocou. Perspetiva-se que em 2020 a depressão seja o principal fator de risco psicossocial associado ao trabalho. As empresas devem começar a ponderar a implementação de programas de intervenção, não só ao nível dos trabalhadores, mas também ao nível do funcionamento organizacional.

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Isso também é consequência do país procurar constantemente lutar contra o estigma que sempre houve dos países do Sul da Europa se trabalhar menos, serem uns preguiçosos e ladrões.

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Assis antecipa encontro na mealhada para sexta feira à noite. O público avança com 400 inscritos para o almoço então cancelado.

Editado por ascom

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100% de acordo. Em Portugal entao e' para esquecer, eu que trabalho em TI, que e' uma area onde e' perfeitamente possivel ser flexivel e dar excelentes condicoes de trabalho,raramente isso acontece. Trabalhar de casa? Ta bem ta, o chefe acha logo q n fazemos nenhum. Acabar o dia mais cedo pq ta cansado? Tas maze maluco! Aconteceu um imprevisto e n podes ir trabalhar? Espero q tenha morrido alguem senao tas fdd!

 

Felizmente em PT eu fazia exactamente o que o gajo diz que e' "remeter a escolha do que fica para fazer para a chefia" e com bons resultados. No meu trabalho de consultor de TI ando mto tempo em clients e ando a saltar de projecto em projecto e apesar de no meu trabalho o importante sao os objectivos (ou seja, instalar componente A or configurar componente B) e' esperado que entre cedo e saia tarde.

 

Desde cedo reclamei, passava mto tempo a ir do client A para o cliente B, coisas que era capaz de demorar 2h a fazer, demoram 4 ou 5 pq incluem deslocacao e o cliente arranjar-me um sitio para eu trabalho. As minhas reclamacoes eram do genero "Exmo Sr Dr Chefe, vc precisa disto pronto ate' dia X certo? Tenho Y dias alocados para este objectivo, certo? Entao deixe-me fazer o horario que eu quiser, trabalhar onde eu quiser e no fim avalie o resultado" uiui nem imaginam o atrofio na cabeca de alguns. E o pior e' que as vezes os meus chefes ate concordavam mas os clients se n te vem a trabalhar pensam de tao a pagar pra tares de ferias.

 

Enfim, mudei-me para Inglaterra e a minha empresa n quer saber onde estou, ou a q horas cheguei ao cliente... so me perguntam "ta feito?" e mais nada... alias na maioria das vezes nem me perguntam, eu e' que lhes digo "ta feito", informam o cliente, o cliente testa, se gosta do resultado fixe, senao o ciclo recomeca.

 

So o facto de por semana, em media, trabalhar 1 dia de casa deu-me uma qualidade de vida brutal.

 

Depois outro factor e' o tempo alocado a determinadas tarefas. Eu estou agora num cliente, onde alocaram dois dias (hoje e amanha) para fazer uma tarefa que demorou 2h a fazer. Ta feito mas como tenho tempo livre, vou "caprichar" ou seja, vou dar mais valor ao cliente do que aquilo que ele pagou. Tenho 1 dia e meio "livre", amanha ja' n venho ao cliente, fico em casa a descansar.

 

Resultado deste exemplo: o cliente ta contente pq tem algo melhor do que inicialmente pagou para ter. Eu tou contente pq tenho tempo livre e sem stress. A minha empresa ta contente pq o cliente ta contente e vai certamente comprar mais servicos a' minha empresa.

 

Esta forma de trabalhar, minimizando a importancia da quantidade de horas e dar mais importancia a' qualidade, beneficia todos involvidos!

 

As vezes penso se no futuro irei voltar a Portugal... e o meu maior problema e' exactamente esta filosofia de trabalho rigida. Receber menos dinheiro? Aguentava... mas trabalhar q nem um cao so' pq sim e' q n da'!

 

Isto tmb n quer dizer que em Inglaterra e' o paraiso, ha mtos clients que sao "old school" mas ainda assim, sao mais flexiveis que os que encontrei em PT.

 

concordo com tudo, mas faltou-te no final pedir desculpa porque estás num teclado sem acentos :mrgreen:

 

vou dar um exemplo: nos EUA há uma empresa onde os trabalhadores têm de trabalhar 8 horas em 4 dias e depois trabalhar 4 horas de manhã num dia à escolha. Porque não? Li há uns tempos o exemplo de outra mais virada para o retalho local onde apenas se trabalha 6 horas (embora neste caso com turnos sem sobreposição), mas também ao sábado. Em ambos os casos trabalha-se 36 horas, um pouco mais que as 35, mas alguém tem dúvidas que estes trabalhadores têm mais qualidade de vida? Nem um bocado. Até podem receber um pouco menos (quer dizer, lá nos EUA acabam por receber o equivalente a nós nestas condições :lol:), mas com certeza que não têm tanta possibilidade de burnout.

 

O nosso código de trabalho precisa tanto de uma flexibilização. Continuamos a ter processos e formas de trabalhar e de encarar o trabalho do século passado. Cada vez mais estamos a desvalorizar a qualidade de vida dos nossos empregados com isso.

 

Uma adenda à notícia que o Sumudica colocou. Perspetiva-se que em 2020 a depressão seja o principal fator de risco psicossocial associado ao trabalho. As empresas devem começar a ponderar a implementação de programas de intervenção, não só ao nível dos trabalhadores, mas também ao nível do funcionamento organizacional.

 

Intervenção e prevenção é útil e terá os seus impactos positivos, mas a mudança cultural é que seria um verdadeiro milestone.

Espero que, no dia que possa criar a minha empresa ou estar na frente de uma instituição com poder para flexibilizar as condições de trabalho, como espero daqui a uns valentes anos, que consiga implementar a minha visão cultural no seio da mesma.

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Intervenção e prevenção é útil e terá os seus impactos positivos, mas a mudança cultural é que seria um verdadeiro milestone.Espero que, no dia que possa criar a minha empresa ou estar na frente de uma instituição com poder para flexibilizar as condições de trabalho, como espero daqui a uns valentes anos, que consiga implementar a minha visão cultural no seio da mesma.

 

É mais fácil mudares a cultura de uma organização, através da prevenção e intervenção, do que mudar a cultura de um País.

 

No meios que costumo frequentar toda a gente é a favor de uma redução da carga horária, flexibilização dos horários de trabalho, criação de postos de trabalho onde se possa realizar as tarefas a partir de casa, etc., porque todos sabemos os benefícios que daí se podem retirar, tanto a nível organizacional como individual. O maior problema é quando apresentamos isso a alguns líderes, aí parece que cai o Carmo e a Trindade, continua a existir uma convicção fortíssima de que trabalhar bem é trabalhar muitas horas e não que trabalhar bem é apresentar um trabalho de qualidade.

 

Em fevereiro vou apresentar, juntamente com um colega, uma palestra neste âmbito a um conjunto de empresários/chefias/etc. e já estou à espera das reações negativas do costume. O problema é que alguns destes aspetos são evidence-based, mas mesmo assim continua a haver uma resistência fortíssima.

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Eu acho que o problema das horas trabalhadas em excesso muitas vezes parte de meterem uma pessoa numa função que em condições normais (de pensar que o horário de trabalho são 8h) necessitaria de dois trabalhadores.

 

Mas contra mim falo sobre horas de trabalho a mais. Na última semana fiquei todos os dias até às 20h. Não foi porque me pediram, mas pq gosto do que faço, estou altamente motivado com o projeto que tenho em mãos e encaro como desafio pessoal e quero que saia o melhor resultado possível. Pode ser visto como o típico "vestir a camisola"? Pode. Mas faço-o por realização pessoal e sair feliz do trabalho.

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É mais fácil mudares a cultura de uma organização, através da prevenção e intervenção, do que mudar a cultura de um País.

 

 

É que nem ser mais fácil - tem que ser assim que se muda a cultura do país. Ela não vai mudar sozinha.

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Mas contra mim falo sobre horas de trabalho a mais. Na última semana fiquei todos os dias até às 20h. Não foi porque me pediram, mas pq gosto do que faço, estou altamente motivado com o projeto que tenho em mãos e encaro como desafio pessoal e quero que saia o melhor resultado possível. Pode ser visto como o típico "vestir a camisola"? Pode. Mas faço-o por realização pessoal e sair feliz do trabalho.

 

Só isso muda toda a situação.

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É mais fácil mudares a cultura de uma organização, através da prevenção e intervenção, do que mudar a cultura de um País.

 

No meios que costumo frequentar toda a gente é a favor de uma redução da carga horária, flexibilização dos horários de trabalho, criação de postos de trabalho onde se possa realizar as tarefas a partir de casa, etc., porque todos sabemos os benefícios que daí se podem retirar, tanto a nível organizacional como individual. O maior problema é quando apresentamos isso a alguns líderes, aí parece que cai o Carmo e a Trindade, continua a existir uma convicção fortíssima de que trabalhar bem é trabalhar muitas horas e não que trabalhar bem é apresentar um trabalho de qualidade.

 

Em fevereiro vou apresentar, juntamente com um colega, uma palestra neste âmbito a um conjunto de empresários/chefias/etc. e já estou à espera das reações negativas do costume. O problema é que alguns destes aspetos são evidence-based, mas mesmo assim continua a haver uma resistência fortíssima.

 

Esqueci de referir, mas trabalhar a partir de casa também é algo que deveria ser possibilitado se assim se entendesse.

Estou certo de que a nossa geração saberá ser diferente que está neste momento instaurada lá em cima.

 

Por acaso, não trabalhando na área, leio muita literatura sobre produtividade e um dia gostava de ter um papel na intervenção local ou regional de novas filosofias e métodos de trabalho. O problema será sempre o mesmo: a resistência de "Velhos do Restelo".

 

É que nem ser mais fácil - tem que ser assim que se muda a cultura do país. Ela não vai mudar sozinha.

 

Fiz-me entender mal, eu concordo com isso :)

 

Só isso muda toda a situação.

 

Mas aí é um problema de liderança. Porque a maioria dos líderes não está centrado nas suas pessoas, mas nos objetivos da empresa, nos números, no seu bem-estar, etc.

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A mim dizem-me que não me esforço e não tenho espírito de sacrifício porque trabalho pouco à noite e ao f-d-s.

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Esqueci de referir, mas trabalhar a partir de casa também é algo que deveria ser possibilitado se assim se entendesse.Estou certo de que a nossa geração saberá ser diferente que está neste momento instaurada lá em cima.Por acaso, não trabalhando na área, leio muita literatura sobre produtividade e um dia gostava de ter um papel na intervenção local ou regional de novas filosofias e métodos de trabalho. O problema será sempre o mesmo: a resistência de "Velhos do Restelo".

 

Porque a maioria dos líderes não está centrado nas suas pessoas, mas nos objetivos da empresa, nos números, no seu bem-estar, etc.

 

Trabalhar a partir de casa, numa base regular, terá os seus benefícios, além de melhorar a qualidade de vida, evitando por exemplo o conflito trabalho-família, também permitirá uma gestão de tempo de acordo com as necessidades do trabalhador. O mais importante é que cada pessoa consiga atingir os seus objetivos laborais e que o trabalho apresentado seja qualidade. Esse devia ser o principal indicador laboral a considerar (i.e., a qualidade do trabalho).

 

Eu leio e trabalho sobre esse tema e temas adjacentes, mas gosto mais de me centrar na parte da prevenção/intervenção.

 

O problema dos líderes é a falta de visão a médio/longo-prazo, eles estão mais preocupados com o lucro imediato, caso haja situações de stresse, ansiedade, depressão, burnout, absentismo e turnover isso é visto como um dano colateral, ainda que possa vir a prejudicar o retorno da organização.

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O trabalhar em casa depende muito do que tens exactamente de fazer e do tipo de empresa. Se é importante a interactividade e a troca de ideias, fazer contactos porque te permite subir na carreira, o aspecto pessoal, aí não faz muito sentido.

 

Eu não faço a mínima mas por exemplo um TOC, que faz uma série de contas para empresas em que nem lá mete os pés (nem precisa), onde a criatividade é de certa forma ilegal, onde segues um conjunto de normas bem definidas, não deve ser muito diferente trabalhar em casa ou no escritório. No entanto depende da pessoa, há quem não goste de levar trabalho para casa, tens no escritório colegas que te podem ajudar e que podes ajudar, etc...

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O problema dos líderes é a falta de visão a médio/longo-prazo, eles estão mais preocupados com o lucro imediato, caso haja situações de stresse, ansiedade, depressão, burnout, absentismo e turnover isso é visto como um dano colateral, ainda que possa vir a prejudicar o retorno da organização.

 

Isso com as novas gerações vai mudar, mas só um bocadinho. Há mais pessoas que já têm os conhecimentos suficientes de perceber coisas que não são intuitivas, como por exemplo o efeito escala (um produto que não tenha lucro pode passar a ser lucrativo se for mais produzido, isto se as pessoas comprarem, claro, ou a importância de resultados transitados, margens de contribuição, enfim, cenas de gestão).

 

Só um bocadinho porque a nossa geração, mesmo antes dos Millenials tem tido sempre um problema: há demasiada gente que não educa os seus filhos de modo que estes procurem algo mais que a recompensa imediata na sua vida, e eu sei muito bem que sou esse tipo de pessoa e felizmente acho que me identifiquei a tempo de procurar mudar a educação que tive neste sentido. Sempre que se fala de casos de sucesso fica-me a impressão que a maioria destas pessoas foi educada ou aprendeu que a maior recompensa está na que leva mais sacrifício para a alcançar #motivationalspeaker

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Sim, não se justifica trabalhar em casa em certos empregos mas, empregos mais rotineiros e com regras mais rígidas, não vejo porque não.

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O trabalhar em casa depende muito do que tens exactamente de fazer e do tipo de empresa. Se é importante a interactividade e a troca de ideias, fazer contactos porque te permite subir na carreira, o aspecto pessoal, aí não faz muito sentido.Eu não faço a mínima mas por exemplo um TOC, que faz uma série de contas para empresas em que nem lá mete os pés (nem precisa), onde a criatividade é de certa forma ilegal, onde segues um conjunto de normas bem definidas, não deve ser muito diferente trabalhar em casa ou no escritório. No entanto depende da pessoa, há quem não goste de levar trabalho para casa, tens no escritório colegas que te podem ajudar e que podes ajudar, etc...

 

Exato, depende das funções de cada trabalhador.

 

Naqueles empregos em que não há possibilidade de trabalhar a partir de casa, poderia-se considerar um horário de trabalho mais flexível.

 

Isso com as novas gerações vai mudar, mas só um bocadinho. Há mais pessoas que já têm os conhecimentos suficientes de perceber coisas que não são intuitivas, como por exemplo o efeito escala (um produto que não tenha lucro pode passar a ser lucrativo se for mais produzido, isto se as pessoas comprarem, claro, ou a importância de resultados transitados, margens de contribuição, enfim, cenas de gestão).Só um bocadinho porque a nossa geração, mesmo antes dos Millenials tem tido sempre um problema: há demasiada gente que não educa os seus filhos de modo que estes procurem algo mais que a recompensa imediata na sua vida, e eu sei muito bem que sou esse tipo de pessoa e felizmente acho que me identifiquei a tempo de procurar mudar a educação que tive neste sentido. Sempre que se fala de casos de sucesso fica-me a impressão que a maioria destas pessoas foi educada ou aprendeu que a maior recompensa está na que leva mais sacrifício para a alcançar #motivationalspeaker

 

Isso é um grande problema.

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O Internato Médico está a ser assassinado e o SNS, que tem profissionais que são dos melhores do mundo, a ser desmantelado.

 

Que escolha de palavras subversivas mesmo à verdadeiro Red. Com tantas palavras bonitas como ajustado, reorganizado, optimizado, redimensionado, reestruturado, transformado, reformado e tu escolhes essas? E a omissão de poupanças com medicamentos?

Não me digas que tens uma agenda... :-

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Isso é um grande problema.

Todas as crianças portuguesas são criadas a dizer que vão ser ministros ou o melhor do mundo.

O problema é que elas crescem, e depois ficam frustradas por não serem tão boas quanto sempre lhes disseram que eram.

Quando chegam ao mundo real batem com a cabeça na parede e a frustração é evidente.

 

Nota-se bastante no início da faculdade, pelo menos nas faculdades com melhores médias. Todos os que entram eram os melhores da turma.

Acabam por constatar que o mundo é maior do que aquele em que estavam inseridos e que há melhores do que eles.

Uns conseguem lidar, perceber as suas limitações, ultrapassa-las e subir a sua performance. Outros culpabilizam o professor, a faculdade, a cadeira, o piriquito...

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Ser o melhor? Eu só quero ser feliz.

Meu amor não quero mais palavras rasgadas. A vida é uma estrada.

 

Falando a sério, já o disse mil vezes por aqui...preferia ter mais qualidade de vida e ser mais valorizado pelos meus superiores (ok, um ou outro valoriza) e trabalhar menos 3/4horas por semana e menos 100/150€ no bolso no fim do mês. Contudo, entendo que isso para muitas pessoas faz muita falta, principalmente para quem recebe menos de 700€, ou tem uma família com 1/2 filhos a suportar. Embora, tal como em qualquer caso, também existam casos onde as pessoas em questão também têm culpa.

Editado por Jone Sampaoli

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Todas as crianças portuguesas são criadas a dizer que vão ser ministros ou o melhor do mundo.O problema é que elas crescem, e depois ficam frustradas por não serem tão boas quanto sempre lhes disseram que eram.Quando chegam ao mundo real batem com a cabeça na parede e a frustração é evidente.Nota-se bastante no início da faculdade, pelo menos nas faculdades com melhores médias. Todos os que entram eram os melhores da turma.Acabam por constatar que o mundo é maior do que aquele em que estavam inseridos e que há melhores do que eles.Uns conseguem lidar, perceber as suas limitações, ultrapassa-las e subir a sua performance. Outros culpabilizam o professor, a faculdade, a cadeira, o piriquito...

 

O maior problema naquilo que o Lip disse é que os pais desenvolvem nos seus filhos uma motivação de tipo extrínseco, ou seja baseada em recompensas, em vez de lhes ensinar que há tarefas que têm um fim em si mesmas (motivação intrínseca). No futuro, esses indivíduos vão perceber que as recompensas não são o suficiente para serem felizes, há um gráfico que utilizo muitas vezes para explicar isto, mas é como se as recompensas motivassem até um certo nível e a partir daí se observasse uma manutenção ou descréscimo na motivação. A solução será aumentar as recompensas (o que está fora de questão para as empresas) ou então aprender a valorizar o que se faz.

 

O que tu dizes é verdade, muitas vezes não há uma gestão de expectativas por parte dos pais ou até mesmo dos jovens. Aí, o processo passa por um ajustamento das expectativas, caso isso não ocorra iremos estar a formar indivíduos completamente frustrados. O maior problema no meio disso tudo é reconhecer as próprias limitações e trabalhar no sentido de as diminuir, nem toda a gente tem essa capacidade de autoconhecimento.

 

PS: Jone, lembras-te de termos tido esta conversa há uns tempos?

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