Sumudica by Night Publicado 19 Março 2015 Nove expressões que devemos a Herman José No dia em que Herman José apaga 61 velas, recordamos o seu percurso e as personagens mais marcantes através das expressões que saltaram do pequeno ecrã para a linguagem corrente do grande público. Ao longo de quatro décadas de carreira, entre programas de humor, concursos, talk-shows e espetáculos ao vivo, Herman José parodiou os tiques de vários setores da sociedade portuguesa nas personagens a que deu vida. Da sua cabeça saíram expressões que entraram nas conversas de toda a gente e tornaram o nosso léxico mais rico. Em homenagem a Herman, no dia em que celebra o seu 61.º aniversário, aqui fica uma pequena amostra do vocabulário que a ele devemos. 1. Uma pomada – José Esteves, O Tal Canal Em 1983, Herman teve o seu primeiro programa de humor, onde contracenava com os atores Vítor de Sousa, Helena Isabel, Lídia Franco, Manuel Cavaco, Margarida Carpinteiro e Natália de Sousa. Foi eleito em 2007 como o melhor programa de televisão dos últimos 50 anos, numa votação promovida pelo DN e pela Time Out. O programa simulava um canal de televisão, cujas emissões incluíam, por exemplo, o “Momento Infantil” do menino Nelito e da sêdona Palmiiira, as receitas com imensa paprika de “Cozinho para o Povo”, o show de Tony Silva (o grande criador de toda a música ró) e a telenovela “O Diário de Marilu” (não me chame condensa, que me põe tensa). O canal era dirigido pelo professor doutor Oliveira Casca, inspirado no então Presidente Eanes. De todas as personagens, a mais popular terá sido o bacoco comentador desportivo José Estebes, que dava as táticas à cambada, sempre acompanhado pelo seu jarro de vinho – uma pomada! 2. O verdadeiro artista – Serafim Saudade, Hermanias Em 1985, com praticamente o mesmo elenco, surgiu novo programa de autor. A ação decorria num cabaré, onde a estrela de serviço era Serafim Saudade, o verdadeiro artista que cantava músicas compostas por Carlos Paião, sempre em perfeita diálise com o seu publicuzinho. Para a história ficou também o sketch dos Caixões Vilaças, em que Herman contracenava com Margarida Carpinteiro; os atores não conseguiram controlar o riso e a cena foi para o ar assim mesmo, coisa impossível até então. Outra novidade foi a figura do censor Mário Cortes, o cameraman que interrompia a emissão quando achava que os níveis de decência eram ultrapassados, uma fórmula recuperada anos mais tarde pelo Diácono Remédios. 3. Ó p’ra mim – Maximiana, Humor de Perdição Humor de Perdição passou na RTP entre 1987 e 1988, e mostrava os bastidores de um estúdio de televisão. Ficou marcado pela primeira grande polémica da carreira de Herman, por causa das “entrevistas históricas”, cuja escrita teve também o dedo de Miguel Esteves Cardoso. No antepenúltimo episódio, a foi cortada e os últimos dois episódios já não foram para o ar. Para a posteridade ficou sobretudo a personagem Maximiana, a mulher de voz esganiçada oriunda da Merdaleja (ó p’ra mim toda lampeira!), que nesta série era uma mãe renegada pela benzoca Pureza (ou Marisol), interpretada por Ana Bola, numa paródia aos novos-ricos que escondiam as suas origens humildes. 4. A língua portuguesa é muito traiçoeira – Casino Royal Depois de uma travessia no deserto, Herman regressou aos ecrãs em 1990 com esta série passada num casino, onde se cruzavam espiões durante a Segunda Guerra Mundial. Herman era Artur Royal, dono do casino e marido de Celeste Royal (Ana Bola), viciada em cafezinhos com leite e especialista em pontapés na gramática e cacofonias, que a levavam a repetir: a língua portuguesa é muito traiçoeira. José Pedro Gomes foi um dos atores que entrou nesta fase para a equipa de Herman, e o seu Caxuxo teve de repetir milhares de vezes à amante russa Natacha (São José Lapa): vai para casa da mamã! 5. Eu é mais bolos – José Severino, Hermanias Fim de Ano Feitas as pazes com Herman, a RTP confiou-lhe o programa de duas passagens de ano consecutivas. Crime na Pensão Estrelinha (1990-91) tornou-se uma referência da televisão portuguesa, que Herman viria a considerar “o programa da sua vida”. A trama de mistério em volta da morte de Neves, o dono da pensão, era entrecortada por sketches, muitos deles repescados das crónicas de Herman na TSF. No ano seguinte, Hermanias Especial Fim de Ano deixa para os anais (lá está a língua portuguesa…) do humor nacional a entrevista a José Severino, o pasteleiro convidado por engano, responsável pelo bordão que ainda hoje repetimos quando não estamos confortáveis com um tema: eu é mais bolos. 6. Goodbye Maria Ivone – A Roda da Sorte Veio depois a fase dos concursos, que o próprio Herman considerou o seu auge de popularidade. No início dos anos 90, Herman ocupou os finais de tarde de semana com “A Roda da Sorte” (1990-93) e “Com a Verdade M’Enganas” (1993-94), e as noites de sábado com “Parabéns” (1993-96). O primeiro concurso, em que Herman surgia acompanhado pela assistente Ruth Rita e pelo locutor Cândido Mota, foi pródigo em expressões repetidas pelo público em estúdio, o coro das porcazinhas (onde se destacava o Gimba d’Os Irmãos Catita). A farfalota pimpinela, o engrelope ou ah! que bem escolhido! são apenas alguns exemplos desses chavões. Duas músicas do inaudito cantor Victor Peter ficaram então famosas: Paula, eu sofro por você e Ó Ivone, goodbye my love – ainda hoje há quem se despeça com um Goodbye Maria Ivone! A , em que Herman destruiu a montra de prémios a tiro de caçadeira, ficou na memória de todos. 7. Não havia necessidade – Diácono Remédios, Herman Enciclopédia Herman Enciclopédia (1997-98) marcou o regresso de Herman aos programas de humor, agora com autoria da equipa das Produções Fictícias. Foi provavelmente o programa que disparou mais expressões para as ruas: da caturreira da Super Tia ao fantástico, Melga! das televendas, passando pela proposta let’s look at the traila de Lauro Dérmio e pelo grito que fazia estremecer as reuniões do Pê-Nê-Rê-Nê (Partido Nacional da Região Norte): este homem não é do Norte! Mas a frase que mais pegou foi a deixa não havia necessidade (inspirada na mãe de Herman), com que o Diácono Remédios, provedor dos bons costumes, interrompia as cenas mais picantes, para logo a seguir a sua mente perversa elaborar algo ainda pior (qualquer dia…). E já agora, onde é que estava no 25 de abril? 8. Eu é que sou o Presidente da Junta – Herman Enciclopédia Ainda em Herman Enciclopédia, não podíamos deixar de recordar uma personagem que apareceu pouco e da qual apenas recordamos os óculos fundo de garrafa e a voz entaramelada pelo álcool. No entanto, bastou-lhe uma frase repetida à exaustão para merecer entrar nesta lista das expressões hermaníacas que ficaram para a história: eu é que sou o Presidente da Junta! 9. Resmas de gajas – Nelo, Herman SIC / Hora H Da passagem de Herman pela SIC (2000-2008), o sketch mais bem conseguido juntava um casal sui generis: o efeminado Nelo e a intelectual Idália, sempre pronta a corrigi-lo. Entre as mil comparações com que Nelo depreciava a mulher no final de cada rábula (por exemplo, óscares de gajas atrás de mim e logo me vai sair esta menção honrosa do festival de cinema da Porcalhota), as palavras resmas e paletes foram escolhidas pelo público para se tornarem formas comuns para designar uma grande quantidade de qualquer coisa. Observador Compartilhar este post Link para o post
kareca Publicado 19 Março 2015 Até aos anos 90, sim. Depois é só deprimente. Compartilhar este post Link para o post
Puto Perdiz Publicado 19 Março 2015 "Este homem não é do Norte" Compartilhar este post Link para o post
JackBauerPT Publicado 19 Março 2015 "Eu é mais bolos" :lol: Parto-me sempre a rir. Compartilhar este post Link para o post
Ego Sum Publicado 19 Março 2015 Belos tempos. Agora é só o triste que se diverte a mostrar as mamas da Vanessa Oliveira (não me queixava se tivesse esse trabalho) Compartilhar este post Link para o post
ZeeSpecialThree Publicado 19 Março 2015 E o ..."Não pirilamparás..." Compartilhar este post Link para o post
RuiFCPsempre Publicado 19 Março 2015 Não passa dum palerma, agora. "Oh valha-me Deus, não havia necessidade, hum hum!" Compartilhar este post Link para o post
IlidioMA Publicado 19 Março 2015 Até aos anos 90, sim. Depois é só deprimente. Olha que o gajo agora está em grande forma lá naquele programa. domina ali a situação com um à-vontade impressionante. para mim, regressou aos bons velhos tempos. Compartilhar este post Link para o post
Sumudica by Night Publicado 19 Março 2015 Após o Herman Enciclopédia, e depois de ir para a SIC, sempre preferi ver o o Herman num registo mais de entrevista e menos de humor. Compartilhar este post Link para o post
Mayday Publicado 19 Março 2015 (editado) Olha que o gajo agora está em grande forma lá naquele programa. domina ali a situação com um à-vontade impressionante. para mim, regressou aos bons velhos tempos. Se não estivesse bem num programa daqueles é que era pior. Ele está ridículo. Por exemplo, faz entrevistas e não as prepara. Faz perguntas do género: 'E então, estás a gostar?'. 'Gostam de trabalhar juntos?'. 'Ele trata-te bem?'. Está-se a cagar para a qualidade do seu trabalho. Editado 19 Março 2015 por Mayday Compartilhar este post Link para o post
pedropb13 Publicado 19 Março 2015 *Inserir video dele a levantar a blusa da Vanessa* :mrgreen: Compartilhar este post Link para o post
Wacko_Jacko Publicado 19 Março 2015 (editado) este também é exelente :lol: Editado 19 Março 2015 por Wacko_Jacko Compartilhar este post Link para o post
Che Publicado 19 Março 2015 Não curtiram do Herman Sic? Ou algo assim parecido. Compartilhar este post Link para o post
Drope Publicado 19 Março 2015 Ainda me lembro deste episódio :lol: Só mesmo a ele nesta altura é que era permitido fazer isto Compartilhar este post Link para o post
Apocalypse Now Publicado 19 Março 2015 Se não estivesse bem num programa daqueles é que era pior. Ele está ridículo. Por exemplo, faz entrevistas e não as prepara. Faz perguntas do género: 'E então, estás a gostar?'. 'Gostam de trabalhar juntos?'. 'Ele trata-te bem?'. Está-se a cagar para a qualidade do seu trabalho. Em vez de tornar as entrevistas sérias, torna aquilo uma coisa mais intimista. Para o tipo de programas que tem feito, não acho propriamente mau. Compartilhar este post Link para o post
Mayday Publicado 19 Março 2015 Intimista é o que faz o Daniel Oliveira. O Herman está só acomodado ao dinheiro que precisa de ganhar para manter a sua vida. Isto ao ponto de algumas pessoas dizerem que o Goucha foi melhor entrevistador que o Herman. Não havia mesmo nexexidade. Para os mais distraídos pode parecer giro mas para quem aproveita para estar a par do trabalho dos entrevistados ou quem gosta disso é só parvo. Compartilhar este post Link para o post
Bazuka Publicado 19 Março 2015 O Tal Canal, um dos programas mais epicos de sempre!!! Compartilhar este post Link para o post
Visitante Publicado 19 Março 2015 O Herman é um gajo com muitos, muitos contactos, é bastante respeitado lá fora. Compartilhar este post Link para o post
Diogo_CFB Publicado 19 Março 2015 O Tal Canal, um dos programas mais epicos de sempre!!! Adorava :carinhoso: Também me lembro bem Jean e Drope :mrgreen: Compartilhar este post Link para o post
Red Prince Publicado 19 Março 2015 "Olhe olhe... mas eu é que sou o pressidente da xunta..!!!", já disse esta a um polícia, enquanto batia no peito, porque foi fechar um bar com licença até às 4 e eram 4.15... Mas também só arrisquei porque os gajos pareciam bem dispostos. E começaram-se a rir :lol: Compartilhar este post Link para o post